Para lê-lo, clique aqui.
Para baixar o arquivo em .pdf, clique aqui.
Para ouvir a trilha sonora desse episódio, clique aqui.
Há três meses tudo não passava de um tópico em uma comunidade do orkut, e agora, vejam só, finalmente estamos apresentando o primeiro episódio dessa história. Se você é novo por aqui, antes de lê-lo, aconselho que dê uma xeretada no blog, fique por dentro do que se trata a historia, no que consiste o projeto e se familiarize com os personagens. Se a preguiça for grande e/ou o tempo curto, leia pelo menos esse post: Os Andrades: todas as famílias numa só. Assim, você estará apto a ser um agregado da família.
Bom, falando do que interessa. Posso dizer que tive a feliz e ingrata tarefa de ser a pessoa a escrever o episódio que seria o ponta pé inicial do Em Família, sua carta de apresentação, sua primeira impressão (e dizem que é a que fica). No entanto, não posso dizer que fui obrigada a isso ou mesmo escolhida para tarefa, pelo contrário, eu tomei a iniciativa de escrevê-lo depois de uma noite de inspiração. Isso mesmo, de uma hora pra outra, Bodas de Rubi brotou na minha mente sonolenta. Acontecimentos, cenas, diálogos, o aniversário de casamento, a expressão Andrade Express, enfim, praticamente tudo. A preguiça era grande, e eu só anotei algumas palavras e frases soltas e adormeci torcendo pra não esquecer dos pontos principais. Felizmente o déficit da memória foi pouco (pelo o que eu me lembre). No final do dia seguinte, eu já tinha escrito um esboço do episódio e mandado para os meus comparsas, que acabaram aprovando. E, após algumas (muitas) críticas e sugestões, eu terminei de escrevê-lo. Só espero que com ele, vocês consigam captar o espírito dos Andrades e se afeiçoe a eles e as suas histórias. Porque não foi fácil escrever um episódio que apresentasse todos os personagens como eles mereciam e ainda fazer isso dentro de um enredo que fosse interessante o suficiente para prender a leitura das pessoas.
A partir de agora, eu vou comentar a trajetória dos personagens no Bodas de Rubi, portanto, eu aconselho só continuarem a leitura depois de lerem todo o episódio (muitos spoilers!). Então, vão lá lê-lo, depois voltem aqui para confabular comigo, ok? Combinado? Te espero!
Tudo começa com Carol voltando para casa. Daí você que conhece Brothers & Sisters pensa: “como Kitty no piloto da série”. Mas algumas linhas depois, já poderá notar as diferenças. Para mim, a Carol faz um pouco o papel do leitor que ainda não está por dentro da dinâmica da família. Claro que Carol, como parte essencial do clã, sabe muito bem quem são os Andrades, mas, bem, como todos não cansavam de repetir, ela estava há três meses distante daquilo tudo (três meses!). Tempo suficiente para ela se sentir deslocada em algumas situações, mas pouco tempo para curar certas feridas. Então, Carol passeia pela história e tem momentos com cada um dos irmãos e pais.
Com Guilherme foi rápido, mas a gente nota que não existem ressentimentos ou assuntos mal resolvidos entre os dois, pelo contrário, há demonstrações explícitas de carinho e orgulho. Não me admiraria saber que Carol e Guilherme conversassem constantemente por telefone. Já com a mãe, existe claramente uma grande barreira, que só aumenta com essa tal entrevista. As duas estão num ponto do relacionamento onde qualquer tentativa de conversa soa estranha, e qualquer olhar torto se torna motivo de discussão. Entre elas, se tornou mais natural trocar farpas do que abraços. Isso também parece acontecer com Nora e Diva. E, devo confessar, foi difícil escrever para essas duas. Ainda não tenho certeza se encontrei o tom certo, mas fiz o máximo que pude.
Tem algumas cenas da Carol com os irmãos que eu gosto bastante. Por exemplo, eu adoro o fato de Tomás e Carol estarem brigados sem saberem o porquê. Sabe quando você briga com alguém que gosta muito, daí vocês ficam sem se falar por um tempo e quando se reencontram, ainda tem um pequeno sentimento de ressentimento, mas você simplesmente não lembra ou não liga mais para os motivos? Então, é como algo mínimo diante de algo máximo. Outra é aquela que ela conversa com a Sara, cada uma sobre um assunto diferente (acontece bastante comigo e minha irmã também). Isso não mostra desinteresse uma na vida da outra, pelo contrário, elas precisam que alguém escute aquelas, aparentemente, bobildas lamentações, e, bem, vocês sabem que são poucas as pessoas com quem podemos fazer isso sem parecermos fúteis ou anormais. Isso me lembra que Carol é, em muitos pontos, o meu oposto, no entanto, em tantos outros, somos bem parecidas. Ao meu ver, o que mais ela estava precisando quando voltou ao Rio era de abraços. Só recebeu do pai, e acho que essa vontade ficou guardada nela. Isso fica claro quando ela fala para irmã que às vezes tudo que ela queria era ouvir um “boa menina, Carol” da mãe. Carol parece ser o estereotipo da mulher moderna independente, mas morar em São Paulo é mais uma fuga do que uma conquista.
Júnior está solto no episódio, caminha sem direção, errando e errante demais. Imagino Júnior com um sorrindo triste, sempre, tentando aparentar que está tudo bem, e vivendo numa constante busca por algo que ele não sabe ainda bem o que seja. Já Tomás não parece desejar mais nada, se alguém está realmente feliz nesse episódio é ele. Sua amada esposa está grávida, e todos os demais problemas parecem pequenos demais agora. Só que implicar com o irmão mais novo é tão natural para ele, não é mesmo? É seu instinto protetor se manifestando, talvez não na melhor maneira, mas é o velho Tomás de sempre, aquele que implicava com os namorados da Sara e acompanhava Carlos nas baladas gays.
Eu me senti muito a vontade escrevendo as falas da Sara e do Carlos. A sensibilidade sarcástica dela e o sarcasmo rabugento dele. É, eu sou fã de sarcasmo quando bem aplicado. Já deu para perceber que Carlos exterioriza todos os seus problemas em forma de andrades express. Já Sara, em alguns momentos, parece usar do humor para fugir de seus problemas. No entanto, nem sempre o sarcasmo deles tem fonte escusa, os dois têm um humor apurado e natural. Por isso, eu queria passar uma tarde conversando com eles. Bom, Sara se preocupa com o trabalho, com a família e com o mundo – o mundo de suas pessoas. Às vezes se esquece que ela não pode ter tudo sob controle e não precisa sempre agüentar tudo sozinha. Carlos é semelhante à irmã também nesse aspecto, como o Andrade pacificador, ele está sempre mediando os atritos da família, é uma habilidade natural que ele cultiva há anos. Não à toa, tornou-se advogado.
Já que comecei a falar da Sara, não posso deixar de comentar sobre a família Andrade-Viana. Já posso dizer que Sá, Ferdi, Gabs, Rafa e Dudu são os meus xodós. Aguarde muitas cenas com esses cinco, pelo menos nos episódios que eu for escrever ou dar mais pitacos. Para mim é muito significante que o casamento de Sara e Fernando tenha sido precedido por uma amizade sólida. Eles se conhecem tão bem, são cúmplices, são íntimos e têm piadas internas e uma vida em comum. Porém, tudo isso é uma faca de dois gumes, como a própria Sara fala em seu discurso em homenagem a bodas dos pais: “Rubis são pedras muito preciosas, porém imperfeitas. E é isso que resume um casamento”. E eu digo mais: não só casamentos, mas toda e qualquer relação valiosa que temos.
Falando nisso, Guilherme e Nora, 40 anos! Não é para qualquer um. Não mesmo. Pense em tudo que eles tiveram que enfrentar e todas as diferenças que tiveram que contornar. Machado de Assis já disse que a dor também tinha suas volúpias, então, eu posso dizer, guardada as devidas proporções, que a felicidade tem suas aflições. Os dois casos valem para o casal e para a vida e a família que construíram. É de se admirar, mesmo que fuja da perfeição do idealismo.
Ah, eu ainda queria comentar da cena dos irmãos na biblioteca (eu sempre quis morar numa casa com uma grande biblioteca. Claro que os Andrades, donos de uma rede de livraria, iam ter duas de me fazer inveja) e como eles implicam um com outro. Andrades Express! Andrades Express! Queria falar também da conversa de Ferdi e Guilherme sobre filhos, do discurso da Sara sobre casamentos e brindes, da homenagem buarquiana de Guilherme para Nora (ah, Chico), da Vera (a furacão!) e de tantos outros detalhes, mas esse texto já ficou grande demais e meus irmãos vão brigar comigo por isso. Até a próxima, pessoas!
p.s. Quero agradecer ao meu amigo Bruno do Vale (el Fantine) por ter feito os lindos banners pro site e para divulgação. Às amigas Fernanda Pinho e Bruna Diel por terem lido esse episódio e dado suas opiniões. À Ferdi também por ter emprestado seu apelido ao Ferdi e sua data de nascimento à Carol, além das dicas sobre registro.
p.p.s. Ela escreve esse texto enorme e ainda coloca p.s.? Pois é, preciso melhorar nisso. Porém, não se preocupem, eu só volto a escrever no episódio 11, meus irmãos são bem menos prolixos.
Samara Andrade










