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Nos episódios anteriores: Nora e Vera discutem em plena ceia de Natal e Diva descobre a traição de Guilherme. Carlos dorme com Pâmela. Júnior progride na reabilitação. Rebeca e Vera tentam reconstruir a relação que tinham. Carol consegue a transferência para o Rio. Saulo pede demissão da Andanças. Tomás investiga o acidente de Vitória. Sara e Fernando separam-se e isso afeta seus filhos.

1. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SAULO NOVAES

Diva: Eu não acredito que você está com… com… aquela mulher!

Saulo e Diva estavam discutindo a respeito de Vera. Diva estava juntando suas roupas numa mala pequena.

Saulo: Mãe, eu acho que isso não é da sua conta. – diz, guardando as roupas dela no armário.

Diva: Como assim não é da minha conta?! – Saulo não responde.– Você não é mais um adolescente que…

Saulo: Então porque está me tratando como um?

Diva: Você acha que é só isso, então? Que eu apenas não “gostei” da sua namorada!

Saulo: E o que mais pode ser?

Diva: Você está se ouvindo?! – Saulo revira os olhos. – Não revire os olhos para mim! E largue já as minhas coisas! – grita.

Saulo solta o que estava segurando, deixando-as cair no chão. Diva as recolhe e as enfia na malinha estufada e a fecha com dificuldade.

Saulo: Para onde você vai? – Diva o ignora. – Mãe, a culpa não é dela! É do Guilherme!

Diva ri com desgosto.

Diva: É preciso duas pessoas para que se haja um adultério. Ela colocou Guilherme contra a própria família dele. E, agora, ela está manipulando você, colocando você contra a sua própria família.

Saulo: Mãe, você vai para a casa da Nora? Mãe?!

Diva: É claro que eu vou para a casa dela! Por acaso eu tenho outro lugar para ir? – diz com rudeza. Os dois se olham por um tempo e Diva continua. – Filho, você é um homem adulto, sabe que seus atos têm conseqüências. Já passou da hora de se preparar para elas, pois elas já chegaram. E me dói muito dizer isso, mas não conte comigo.

Diva bate de leve a porta de casa.

2. INTERNA – DIA – CENTRO DE REABILITAÇÃO RENASCER – JARDINS

Júnior estava fazendo seus exercícios matinais ao ar livre, que passaram a fazer parte de sua rotina diária desde que entrou na clínica de reabilitação.

Instrutora: Vamos lá, gente! Braço direito! Assim! – e todos repetiram o movimento. – Agora o esquerdo! Vamos! Sem moleza.

Uma mulher que estava do lado de Júnior começou a falar sozinha.

Bianca: Eu odeio essa clínica dos infernos.

Júnior: Depois de um tempo você se acostuma. E não chama isso de clínica, senão eles vão te fazer assistir vídeos introdutórios durante uma semana. Para eles isso é um “centro”…

Os dois riem. Enquanto conversam, um homem aparece e conversa com a instrutora.

Bianca: Meu nome é Bianca, e o seu?

Júnior: Júnior. Muito prazer.

Instrutora: Guilherme Andrade Júnior? – Júnior levanta a mão. – Por favor, acompanhe o enfermeiro. – a instrutora e o enfermeiro já haviam parado de conversar.

Bianca olha para Júnior apavorada, achando que era sua culpa.

Bianca: Desculpa! – sussurra.

Júnior passa pelos colegas e sai com o enfermeiro.

3. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE – SALA

Nora estava de preto, caminhando pela relva orvalhada do cemitério. Ao longe, ela vê uma pequena multidão em volta de duas mulheres louras. Nora sente seu coração acelerar e começa a andar rápido – quase correndo – rumo ao grupo de pessoas. De repente, Sara, Tomás, Carol e Carlos aparecem, dois de cada lado, andando junto com Nora.

Nora: O que está acontecendo ali?

Sara: Você não sabe?

Carlos: É o velório.

Tomás: As duas estão lá, mãe. Decida.

Carol: Nós estamos com você.

Júnior, então, aparece andando junto com eles, mas a frente de Nora.

Júnior: Mãe…

Nora acelerou, fechando os olhos com força. Ela olhou para trás. Não havia mais ninguém. Finalmente, ela chega até a multidão. Um pouco adiante, seus filhos estão conversando.

Sara: Ah, não! Nem ferrando! Eu já discursei nas bodas. Por que o Tomás não faz o discurso? Ele é o filho-orgulho do papai!

Tomás: Eu não! O Júnior deveria tentar! Ver se faz algo de útil.

Júnior: Ei! Como é que eu entrei nessa história? Manerem com o Andrade Express! Se for pra sugerir alguém, eu sugiro a Carol, a preferida do papai.

Carol: O que aconteceu com o “manerem com o Andrade Express”?

Carlos: Pode deixar que eu vou.

Nora: Eu vou!

Nora sobe no púlpito, sem olhar para os filhos e começa a falar.

Nora: Guilherme, ah, Guilherme – suspira – eu sei que ele ficaria muito feliz de vê-los todos aqui. Principalmente aquela loura ali. Estão vendo? Aquela de chapéu!

As pessoas começam a olhar para Vera.

Nora: Meu marido teve um caso de vinte anos com ela! E uma filha! – Nora ri sarcasticamente – E ela ainda tem a audácia de vir aqui, hoje.

Todos ainda estão olhando para Vera.

Nora: E é esse Guilherme que vocês querem que seja lembrado no dia de seu funeral?

Algumas pessoas respondem que não.

Nora: Nem eu. Então, o que estão esperando? Ela ainda está aqui!

A multidão, de repente parece aumentar de tamanho, e avança para Vera e Rebeca.

Rebeca: Mãe!

Vera: Rebeca!

Nora: Não! Esperem! A Rebeca não, ela é um doce. – diz delicadamente. – É só a amante mesmo! Expulsem-na! Expurguem-na daqui!

Rebeca: Mãe! Mãe!

Nora encontra seus filhos, parados, a encarando. Um por um, eles vão saindo, decepcionados, restando apenas Júnior.

Júnior: Por que, mãe?

Nora não responde e fecha os olhos com força de novo.

Rebeca: Mãããããe!!!

Nora abre os olhos assustada. Estava recostada no sofá, suada. Ao olhar afoita para os lados, a manhã já estava acabando e a campainha estava tocando. Nora corre até a porta.

Nora: Mãe?!

Diva: Pode deixar a mala aí na sala, sim – e o taxista assim o fez e ficou esperando. Ninguém dizia nada. Nora estava boquiaberta ainda. – Nora, o taxista.

Nora: Que tem ele?

Diva: Pague a ele!

Nora procurou dinheiro nos bolsos e pagou ao motorista.

Diva: Ai ai… Leva minha mala até meu quarto, por favor?

Nora: Quarto?

Diva: Eu não vou dormir no sofá, vou?

4. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA ANDRADE – COZINHA

Sara estava na cozinha terminando de fazer o almoço. Gabriel ainda estava dormindo. Eduardo e Rafaela estavam brincando na sala.

Eduardo: Mãe, joga Uno com a gente? Você prometeu…

Sara: Mamãe está fazendo o almoço, filhote. Porque você não chama seu irmão?

Eduardo: Ele está dormindo ainda.

Sara: Ainda?!

Rafaela: Du, eu não quero mais brincar.

Eduardo: Sua chata.

Rafaela: Você! – diz, empurrando o irmão.

Eduardo: Você! – e empurra de volta.

Sara: Parem já com isso. Cozinha não é lugar de brincadeira.

Sara houve o barulho do corredor e Gabriel aparece na cozinha. Rafaela e Eduardo ainda estão brigando.

Sara: Isso são horas?!

Gabriel: Eu estou de férias! – e abre a geladeira.

Sara: E daí? Trate de pôr isso de volta – Gabriel estava com uma caixa de leite em mãos. – O almoço está quase saindo.

Gabriel: Mas eu estou com fome!

Sara: Eu não vou falar de novo.

5. EXTERNA – DIA – RUAS DO RIO DE JANEIRO – CARRO

Carlos levava Sérgio para o restaurante.

Sérgio: Hoje eu vou participar da reunião criativa! Eu só vou assistir, mas… É um grande passo, né?

Carlos: Verdade. Já contou para os seus pais?

Sérgio: O que você acha?! É claro que eu contei! Eles querem jantar com a gente de novo.

Carlos: É uma boa idéia.

Eles chegam ao restaurante e Carlos estaciona o carro. Sérgio começa a pegar suas coisas e inclina-se para beijar Carlos, que desvia.

Carlos: Ah, desculpa.

Os dois então se beijam.

Sérgio: Carlos…

Carlos: Vamos, vamos, não se atrase.

Sérgio olha triste para Carlos, que evita olhar para ele. Sérgio sai do carro.

6. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE TOMÁS ANDRADE

Tomás e Vitória estavam voltando da praia, que havia se tornado o lazer preferido do casal.

Vitória: Ai, Tomás, ainda bem que eu te filmei hoje! Aquele tombo foi perfeito!

Tomás: Achou engraçado, né?! E o que você acha disso? – e ele começa a fazer cócegas em Vitória.

O porteiro, ao perceber a chegada dos dois, vai até eles.

Tomás e Vitória: Bom dia, Bruno.

Bruno: Bom dia. É… Seu Tomás, dois homens vieram aí há pouco procurando vocês dois. Eram… policiais – Vitória e Tomás ficam sérios. – Eles deixaram esse cartão e pediram que vocês entrassem em contato com eles.

Tomás pega o cartão.

Tomás: Obrigado, Bruno.

Bruno: Ah, a obra de adaptação do prédio já foi agendada. Semana que vem.

Tomás agradece acenando a cabeça e volta a empurrar a cadeira. Vitória pega a mão do marido e aperta com força.

7. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE – QUARTO

[♫ – I could say, Lily Allen]

Nora estava arrumando a cama enquanto Diva esvaziava a mala e guardava as roupas no armário.

Nora: Mãe, você não precisava ter feito isso.

Diva: Eu não concordo com o que seu irmão está fazendo, meu bem.

Nora: Eu… eu… nem sei mais o que eu acho.

Diva: Deixa eu te dizer o que você tem de achar!

Nora: Mãe, mãe, mãe, não! Não.

Nora senta-se na cama. Diva vai até ela devagar.

Diva: Desculpa. Obviamente você já teve tempo de lidar com tudo, não é mesmo?

Nora dá um sorriso, sem graça.

Nora: Eu devia ter te contado…

Diva: Devia. Mas não vamos falar disso agora.

As duas ficam em silêncio, olhando a janela.

Nora: Mãe… Meus filhos ficam indo e vindo aqui, sem parar e… – Nora não continua, esperando que a mãe entendesse.

Diva: E o quê? Eu não leio mentes, tolinha.

Nora: Pelo amor, mamãe! O Carlos.

Diva: Ah, sim – diz, fazendo bico. – Que tem “ele”?

Nora: Não comece!

Diva: Ah é, você também já lidou com tudo isso… Sinceramente, Nora, você me excluiu da sua família!

Nora: Não, mamãe. Você fez isso consigo mesma – Diva fica ressentida. – Desculpa, não foi isso o que eu quis dizer.

Diva: Tem mais alguma coisa que foi descoberta que eu não sei ainda? Júnior já sabe…

Nora: Não, mãe! Não sabe. E nem vai saber – interrompe-a. – Como se mudasse alguma coisa…

Diva: Sara e o…

Nora: Não, mamãe! Só o Carlos gay e a traição do Guilherme. E é melhor que continue assim.

Diva: Como você aceitou tudo isso? Do Carlos…

Nora: Muito fácil. Tá, nem tanto assim, mas imagine o Carlos e o namorado dele. – Diva se mexe, desconfortável. – Se você retirar o fato de eles serem gays e toda a sua carga ideológica por trás disso, o que fica?!

Diva: Dois homens sodômicos?

Nora: Não! Duas pessoas que estão apaixonadas. Veja o sentimento.

Diva: Um pedófilo tem esse sentimento por uma criança.

Nora: Você está mesmo comparando a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo a uma entre adultos e crianças?!

Nora levanta-se, impaciente e sai do quarto.

8. INTERNA – DIA – CENTRO DE REABILITAÇÃO RENASCER

Dolores: Entre, Guilherme, entre.

Júnior: Pode me chamar de Júnior. Todos me chamam assim.

Dolores: Oh, sim. Tudo bem, Júnior – diz, rindo afetadamente. – Então, Júnior, você esta a par, creio eu, que nosso programa de reabilitação é composto de 10 passos. – E ela aponta para um grande cartaz na parede com 10 degraus coloridos. – E você chegou ao nono passo. Isso é um feito e tanto. Meus parabéns!

Júnior: Obrigado.

Dolores: Você saberia me dizer qual é o nono degrau? Se não lembrar, não tem problema.

Júnior: Reintegração?! – diz, sem acreditar.

Dolores: Exato! – diz empolgada. – A reintegração é um dos degraus mais importantes, Júnior. É através dela que você paga o seu débito com a sociedade.

Júnior sorri, sem saber o que fazer.

Dolores: Eu sei que é um pouco assustador, mas é bem simples, na verdade. Você fará trabalhos voluntários e será acompanhado de perto por um grupo de empresas com as quais somos acordados. Essas empresas podem abrir oportunidades para você.

Júnior: E eu posso escolher o que eu vou fazer?

Dolores: Pode – ela faz uma pausa. – Mais uma coisa querido: o nono passo não é obrigatório. Nós, infelizmente, não temos esse poder. Ainda – ri. – Mas ele é de suma importância para superação dos vícios, para o sucesso do programa. Para o seu sucesso.

Dolores mexe rapidamente no computador e depois vai até a impressora, da onde retira um papel, que entrega a Júnior. Ele pega a lista e passa os olhos.

Dolores: Essa é a lista de trabalhos voluntários disponíveis. Quando decidir, é só me procurar. Acho que isso é tudo.

9. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA ANDRADE

Sara estava lavando a louça do almoço.

Gabriel: Mãe, posso sair com o pessoal?

Sara: Com quem?

Gabriel: Com o pessoal da sala.

Sara: Com quem?

Gabriel: Bernardo, Sabrina, Lívia e Rafael.

Sara: Aonde vocês vão?

Gabriel: Mãããe…

Sara: Demore o quanto quiser para responder. Você só sai depois que me der a resposta.

Gabriel: Só cinema.

Sara: Doeu?

Gabriel: Aham! – diz, rindo.

Sara joga um pouco da espuma do detergente no filho.

Sara: Traz minha bolsa – a campainha toca. – E atende a porta!

Gabriel voltava para a cozinha com a bolsa de sua mãe e Carlos.

Sara: Carlos! – e os dois se cumprimentam. – Só um instante. Gabs, toma 30.

Gabriel: Só?

Sara: Você tem a carteirinha da escola. Paga meia que sobra bastante. E traz o troco.

Carlos: Espera, Gabs, devolve o dinheiro da sua mãe. Toma – e Carlos tira uma nota de cinqüenta da carteira. Sara olha séria para ele.

Gabs: Valeu, tio Carlos!

Sara: Nada disso, Gabs, fica com os 30 e pode ir. – Gabriel sai, desapontado. – Não esquece o telefone! – grita. Ao ver que o filho já havia saído, ela se vira para Carlos. – O que foi isso?! Não quero que você fique dando dinheiro pros meus filhos!

Carlos: Eu só quis agradar.

Sara: Agrade aos seus.

Carlos: Ai.

Sara volta aos pratos e Carlos começa a ajudá-la.

Sara: Desculpa. Eu ando cansada. Mas é sério, não dê dinheiro a eles assim, sem mais nem menos.

Carlos concorda com a cabeça.

Carlos: Mas me diz: como estão as coisas na livraria?

Sara: Ah, nem me fale. Aquela chacretinha anda lendo Augusto Cury demais para o meu gosto.

Carlos: Ew, odeio auto-ajuda.

Sara: Eu também. É tão inútil.

Carlos: Exato.

Sara: Mas então, ele já apresentou a carta de demissão e tudo. E agora estamos sem presidente. Meu medo é que a Papier coloque alguém dela no comando. Eles podem fazer isso?

Carlos: Podem.

Sara: E a chacrete nem sabe fazer conta e quer abrir o quê? Uma editora! Quero ver de onde eles vão tirar dinheiro para o capital inicial… Só se for do ra…

Carlos: Epa!

Carlos suspira, cansado. Sara muda de assunto.

Sara: Já contou para ele?

Carlos: Não – suspira. – Ele sabe que estou mentido.

Sara: É claro que ele sabe. Você é um advogado! É só abrir a boca e voilá: rio de mentiras – ela canta a última parte. E percebe que não devia ter dito aquilo. – Deus, eu tô afiada hoje – diz para si. – Desculpa, de novo.

Carlos: Desculpada – ele recosta a cabeça no ombro da irmã. – Eu me sinto como o papai. E ele é a mamãe e…

Sara: Não, não, não! Você não é o papai! – Sara se levanta. – Olha só para você, Carlos. Você se arrepende do que fez.

Carlos brincava com os dedos.

Carlos: Talvez papai se arrependesse também.

Sara levanta o rosto de Carlos, fazendo-o olhar para ela.

Sara: Conte a verdade.

Carlos: Eu não quero perdê-lo.

Sara: Isso é ele quem decide. Faça a sua parte. Mostre que você dá valor ao que vocês têm.

Carlos: Eu não sei se consigo.

10. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SAULO ANDRADE

Vera: Oi.

Os dois se beijam e Saulo fecha a porta.

Saulo: Oi.

Vera: Eu trouxe algumas coisas que eu pesquisei da editora. Eu achei umas gráficas que…

Saulo: Agora não, Vera – interrompe-a.

Vera: Ok. Aconteceu alguma coisa? Você parece… estranho.

Saulo: Estranho, eu?! Não! Eu estou com raiva.

Vera: Quer desabafar? Vem, senta…

Saulo: Desabafar?! – ri, sarcástico. – Só você mesmo.

Vera: Não entendi.

Saulo: Deixa eu desenhar para você: a sua tentativa idiota de competir com a Nora na ceia de Natal. Agora minha família me odeia e minha mãe foi embora!

Vera: Desculpa, mas sua irmã não é fácil. Ela começou com aquilo.

Saulo: Não, Vera, você começou, quando escolheu Guilherme ao invés de mim.

Vera se levanta. Ela vai até Saulo e olha em seus olhos.

Vera: Eu vou lhe dar o benefício da dúvida e acreditar que você não quis dizer isso.

Saulo: Foi exatamente isso o que eu quis dizer.

Vera: Não, não foi.

Vera vai embora. Saulo passa a mãos pelos cabelos.

11. INTERNA – DIA – DELEGACIA

Tomás e Vitória foram imediatamente à delegacia. Ao chegarem lá, foram recebidos pelo detetive Correia. Lucas estava lá.

Correia: Boa tarde. Vamos para a minha sala, sim?

Tomás entra com Vitória e Correia fecha a porta.

Correia: Eu sou o detetive Correia.

Tomás: Vocês descobriram alguma coisa sobre o atropelamento?

Correia: Algumas. Vamos começar do princípio. Não houveram muitas testemunhas do acidente e o que elas haviam visto não foi de grande ajuda, já que não anotaram a placa do veículo. Nós a conseguimos através no vídeo de uma câmera de segurança de um prédio dos arredores. Mas isso não foi suficiente.

Vitória: Por quê?

Correia: O dono da placa tinha relatado o roubo do mesmo algumas semanas antes. A investigação do roubo nos levou a um local de desmonte.

Tomás: E o que isso tem haver com o acidente?

Correia: Essa é a fotografia do carro que atingiu a senhora, Dona Vitória. – ele abre a gaveta, retira um grupo de fotos e mostra uma para Tomás e Vitória. – E essa é a fotografia da câmera, após uma sobreposição digital de várias cópias.

Vitória: É o mesmo carro.

Correia: Exato. O dono do desmonte, felizmente, tinha uma lista, veja só, com os compradores das peças e dos carros. Nós estamos entrevistando esses compradores.

Tomás: E após essas entrevistas, como nós procedemos?

Correia: Se as entrevistas tiverem sucesso, o autor será indiciado. O representante da promotoria no caso está aqui. Vocês podem consultá-lo em relação a isso.

Vitória: Muito obrigada, Correia.

Tomás agradece com um aceno de cabeça. Os dois saem da sala e vão ao encontro de Lucas.

12. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA ANDRADE

Nora e Diva estavam na cozinha, quando ouvem alguém chamar.

Carol: Mãe?! Está em casa?

Nora aparece na sala.

Carol: Oi! Eu usei a minha chave.

Nora: Oi, filha. Não tem problema… Está com fome?

Carol: Não, eu tô legal. Só vou levar minhas coisas para o quarto.

Nora: Ah, você vai ficar? Por quanto tempo?

Carol: Sempre! – ri. – Eu fui transferida do jornal.

Nora: Por isso não teve coluna sua no jornal hoje? Tinha de uma tal de Bete Domingos… Ia te ligar daqui a pouco.

Diva: Nora! Aonde você foi buscar esse corretivo?! E traga um lápis e uma borracha. Quantas vezes eu tenho que dizer que não se faz sudoku nem diretas de caneta?

Diva emergiu da cozinha com seus óculos brancos e arrebitados e com um jornal dobrado em mãos.

Diva: Aposto que Guilherme fazia de caneta. Só pode ser. Eu não lhe ensinei isso… Oh, Carol!

Nora e Carol olhavam para Diva. A primeira impaciente. A segunda atônita.

Diva: Será que eu vou ter que ir até você? Foi assim que seu marido educou suas crianças, Nora?

Carol: Que isso, vó?! Mamãe fez um ótimo trabalho. – Carol olha para a mãe como se estivesse perguntando “O que ela faz aqui?” e vai até a avó, abraçando-a – Como vai?

Diva: Muito bem, obrigada.

Nora: E morando aqui.

Carol: O quê? – ela olha para a avó. – Que maravilha! Mas… por quê? O que houve com tio Saulo?

Diva: Ele está pensando sobre as atitudes dele.

Nora: Você diz isso como se o tivesse colocado de castigo.

Carol: O que houve?

Nora: Ela não sabe que seu tio está namorando Vera? Então…

Diva: Nora, se não te conhece diria que era desdém em sua voz. Voltemos ao sudoku, sim? De lápis!

Diva volta para a cozinha, seguida de Nora.

Nora: Ela não me conhece muito bem, então. – sussurra para a filha ao passar por ela.

13. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS ANDRADE

[♫ – Signs, Bloc Party]

Carlos passou a tarde inteira fora de casa, evitando encontrar-se com Pâmela. Ao chegar em casa, ele fechou a porta encostando-se nela e deixou-se escorregar até o chão. Não deu muito tempo até ouvir uma batida na porta.

Pâmela: Carlos?

Carlos: Vai embora, por favor.

Ambos ficam em silêncio.

Pâmela: Sabe, uma hora ou outra a gente vai ter que falar disso.

Carlos: Não com você.

Pâmela: Carlos, por favor…

Carlos: Quando é que você vai cair na real, Pâmela? Eu sou gay! Gays não gostam de mulher. E eu não gosto de você.

Pâmela chuta a porta.

Pâmela: Idiota!

O elevador apita e Sérgio aparece no final do corredor com algumas sacolas. Pâmela sorri e vai até ele.

Sérgio: Eu… vi você chutando a porta. Está tudo bem? – pergunta, receoso.

Pâmela: Bem? Pergunta para o seu namorado. Quer dizer, ex-namorado.

Sérgio sorri.

Sérgio: Olha, eu sei que você tem uma… queda por ele. Eu não achei que ia precisar chegar a esse ponto, mas…

Pâmela: Quer saber a que ponto ele chegou comigo?

Sérgio cala-se. Pâmela sorri novamente.

Pâmela: Pergunte a ele. Ele está “doido” para te contar.

14. INTERNA – NOITE – CENTRO DE REABILITAÇÃO RENASCER

[♫ – Signs, Bloc Party]

Júnior estava em seu quarto, olhando para a lista que recebeu de Dolores, quando ouve uma batida em sua porta.

Bianca: Psiu! Está acordado? – sussurra.

Júnior abre a porta, deixando-a entrar.

Júnior: Você pode se encrencar, sabia? O toque de recolher aqui é às nove.

Bianca: Ai, eu precisava conversar com alguém, que não fosse o psicólogo, ou o orientador, ou a tutora. A minha é uma maluca! – os dois riem. – Ah, me conta! O que foi aquilo hoje de manhã? Não foi por minha causa, foi?

Júnior: Ah, aquilo? Não, não foi por sua causa. Nem foi nada demais.

Bianca: Ai, que bom! – ela senta-se e fica batendo o pé no chão sem parar.

Júnior acende a luz do quarto e nota que a amiga está com os olhos vermelhos.

Júnior: Faz quanto tempo?

Bianca: Algumas horas – ela esfrega o rosto suado. – Antes de vir para cá. O que você faz?

Júnior: Eu faço jingles.

Bianca: Como o cinqüentão daquela série de TV?

Júnior ri.

Júnior: É, como ele. Olha, você deveria procurar ajuda…

Bianca: Me diz uma música sua – ela batia o pé no chão violentamente agora, passando as mãos nos cabelos o tempo todo.

Júnior: A do Pellegrini para prefeito.

Bianca: Ah, a “ser prefeito todo mundo pode. Mas só o Pellegrini faz jus ao pacote, que é o Riiiiio”. Era legal – falou, levando as mãos à boca. – Meu irmão tem uma banda. Ele está em turnê.

Ela se levantou e começou a andar.

Júnior: Legal… Olha, você não está legal.

Bianca: Não, eu tô. Eu tô. Eu tô.

De repente ela abre a gaveta da cômoda de Júnior e começa a revirar suas coisas.

Júnior: Se acalma!

Bianca: Você não tem nada?! – grita.

Ela abre as outras gavetas e Júnior tenta segurá-la.

Bianca: Eu tenho que sair daqui.

Ela tenta ir até a porta, mas Júnior segura a maçaneta. Bianca, então, pega uma das gavetas e arremessa na janela, que quebra. E ela joga de novo. E de novo. Júnior corre até a parede oposta e aperta um botão azul. Um alarme começa a soar com uma voz feminina dizendo: “Código Azul, quarto 217”.

Dois enfermeiros entram do nada no quarto e encontram Júnior e Bianca. Bianca estava quase pulando da janela. Eles a seguram. Ela gritava histericamente. Júnior não sabia o que fazer. Mais dois enfermeiros entram no quarto e tentam aplicar uma injeção nela. Quando finalmente conseguem, tudo silencia. O quarto de Júnior estava uma bagunça. A lista de emprego, aos seus pés.

15. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA SANTOS

Vera e Rebeca conversavam no sofá sobre Saulo e os Andrades.

Vera: Obrigada, filha. Eu precisava conversar com alguém.

Rebeca: Tudo bem, mãe.

A filha nota que a mãe esteve chorando.

Rebeca: Quer que eu durma aqui hoje?

Vera: Você faria isso?

Rebeca: Aham. Faço um chazinho também, quer?

Rebeca se levanta e vai para a cozinha.

Vera: Obrigada.

Rebeca: Provavelmente você não quer conversar sobre o assunto, mas… o que aconteceu, exatamente?

Vera levanta-se e vai até a cozinha ajudar Rebeca.

Vera: Foi aquela história da ceia de Natal. Ele acha que eu passei dos limites… E a família dele não quer mais falar com ele.

Rebeca: Bem, você passou. Você jogou uma bomba na mesa. Saulo ajudou a fundar aquela empresa e você aparece e diz, do nada, que ele “vai” sair para criar um editora “com você”. É natural que a família fique apreensiva.

Vera: Tem razão. Ai, eu sou uma burra!

Rebeca: Não é… Você ficou nervosa. Aquela família intimida…

Vera: Eu achei que só eu pensava assim.

Rebeca ri.

Rebeca: Conversa com ele. Saulo é legal. Vai entender…

16. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA ANDRADE

Diva, Nora e Carol estavam vendo televisão, quando a campainha toca. Nora vai atender. Era Saulo.

Saulo: Ela está aí, Nora?

Nora: Sim, ela está.

Saulo: Preciso falar com ela.

Diva: Nora, A Favorita voltou! Depressa!

Nora: Dê um tempo a ela, Saulo.

Saulo: Não, Nora. Agora.

Diva vai até eles.

Diva: Nora você está perdendo. A Flora está surtando! Saulo, o que faz aqui?

Saulo: Mãe, vamos conversar.

Diva: Estou vendo a novela. E depois tem Grey’s Anatomy. Volta mais tarde.

Saulo: Mãe, por favor…

Diva: Nós já tivemos essa conversa.

Saulo: Mãe…

Diva: Já tomou a decisão certa?

Saulo: Não vou, mãe.

Diva: Então deixe-me voltar para minha novela.

Diva sai.

Nora: Dê tempo a ela, Saulo.

Saulo: Não seja sonsa, Nora. Você está adorando tudo isso.

Nora abre a boca, ofendida e bate a porta na cara do irmão.

17. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE TOMÁS

Tomás e Vitória estavam no elevador.

Tomás: Espero que tudo dê certo.

Vitória: Vai dar. E, eu preciso dizer, estou orgulhosa que você esqueceu aquela coisa que você tinha com o Lucas.

Tomás fica desconfortável.

Vitória: Tomás, é sério.

Tomás: Tudo por você.

Vitória: Obrigada.

Já dentro de casa, Tomás se joga no sofá e Vitória se posiciona em seu lugar, o antigo lugar da poltrona.

Tomás: Quer sentar aqui, amor?

Vitória, já com prática, usa as mãos e senta no sofá. Tomas a endireita, colocando-a mais perto dele. Os dois se olham. Tomás coloca o cabelo dela atrás da orelha. Os dois se beijam.

Vitória: Faz um tempo, né?

Tomás: Aham.

E os dois voltam a se beijar, agora com mais vontade. Tomás a deita no sofá e se coloca por cima dela, beijando-a. O sofá, pequeno para o propósito, deixa os dois desconfortáveis. Tomás tenta se ajeitar e sente um estalo nas costas.

Vitória: Tudo bem? – o marido estava em pé, meio curvo, com a mão nas costas.

Tomás: Está. Foi só um estalo.

Vitória: Você tem que ver isso…

Tomás: O que eu tenho que ver é onde a gente estava… – diz, sedutor.

Ele vai até Vitória e a pega no colo.

Vitória: Tomás, não! Me coloca no chão! As suas costas.

Tomás: Não tem problema – o tom da sua voz mentia.

Vitória: Tomás, agora! Agora!

Tomás a coloca na cadeira, vencido, não só pela mulher, mas pela dor nas costas.

18. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS ANDRADE

[♫ – Breathe (2 a.m.), Anna Nalick]

Sérgio bate na porta de Carlos, após o encontro com Pâmela.

Carlos: Vai embora, Pâmela! – grita.

Sérgio: Sou eu…

Carlos se levanta abruptamente e abre a porta. Sérgio estava com uma sacola e uma garrafa de vinho na mão. Os dois ficam parados sem dizer nada. Pâmela não estava mais ali.

Sérgio: Eu posso entrar?

Carlos: Claro, claro! Desculpa. – ri, sem graça.

Sérgio entra e coloca as coisas na mesa.

Sérgio: Então, eu vim para comemorar com você, mas eu acho que você não está muito bem.

Carlos: É claro que eu estou bem. Comemorar o quê?

Sérgio: Carlos, não muda de assunto.

Carlos: Mas eu não tô mudando de assunto.

Sérgio olha para Carlos, mostrando que sabe que ele está mentindo. Carlos baixa a guarda.

Sérgio: Carlos, eu fiz alguma coisa? Porque você parece chateado comigo.

Carlos: Chateado com você? Não! Não! Nunca. É que…

Sérgio: Eu nunca te pedi desculpas… de quando a gente brigou. Você só estava preocupado comigo e eu… bem, não vale a pena repetir.

Carlos: Não precisa…

Sérgio se aproxima de Carlos.

Sérgio: Desculpa.

Carlos se levanta, para se afastar de Sérgio. Ele anda meio desgovernado, nervoso.

Carlos: Sérgio. – diz, indo até ele.

Sérgio: Por favor, não desiste de mim. Eu te amo. – e dá uma risada fraca. Carlos se desespera.

Carlos: Eu é que devia pedir isso. – ele pega nas mãos de Sérgio. Sérgio se inclina, esperando um beijo, mas Carlos o afasta. – Eu… eu fiz uma coisa. Uma coisa ruim…

Sérgio: Você pode me contar qualquer coisa.

Carlos: … Com você­.

Carlos esperou alguma reação de Sérgio, mas não houve nada.

Carlos: Eu traí você. – Sérgio fecha os olhos. – Uma vez!

Sérgio: Ah, uma vez? Isso faz muita diferença. – diz ele, sem raiva na voz. Apenas desapontamento. Ele espera Carlos se defender, mas ele não o faz. – Pâmela?

Carlos se surpreende e faz que sim com a cabeça sem olhar para Sérgio.

Sérgio então se levanta.

Carlos: Eu sei que você tem todo o direito de ficar com raiva, mas…

Sérgio: Pára. Não diz nada, por favor.

Sérgio vai até a porta.

Carlos: Não vai embora. Não desiste de mim.

Sérgio: Você tomou essa decisão por mim. – e vai embora.

19. INTERNA – NOITE – CASA DE SARA ANDRADE/CASA DE NORA ANDRADE

[♫ – Amour du sol, Yelle]

Eram onze horas. Sara conversava com Carol pelo telefone. E não parava de verificar as horas.

Sara: Eu não vi sua coluna hoje.

Carol: É, pois, é… – desvia. – É coisa da transferência.

Sara: Tudo por causa do Roberrrrto!

Carol: Ai, pára… – diz com vergonha. – Ah! Te contei que vovó está morando aqui?

Sara: Aí, com mamãe? – e arregala os olhos.

Carol: É! Por causa da Vera. Parece que ela só volta a falar com tio Saulo depois que ele “tomar a decisão certa”.

Sara: Nem me fale daquela cobra manipuladora. Se eu a vir na minha frente, eu juro que… – Sara dá um chute no ar.

Carol: Vai com calma, Sara. Ah, e vovó está dando uma de Nora com mamãe! Ela não vai agüentar. – ri.

Sara: Conta!

Carol: Tudo o que ela acha ruim, ela diz que é culpa do papai. E ela está com “pena” da mamãe, você tem que ver!

Sara: Pena?! Vovó sempre foi tão amarga com mamãe. As únicas vezes em que as palavras “Diva” e “pena” estão juntas numa frase é quando tem um “não sente” no meio.

Carol dá uma gargalhada.

Carol: Eu pensava a mesma coisa. O pior é que eu fico no meio desse fogo cruzado e sei que cedo ou tarde vai sobrar para mim. Afinal,uma coisa em comum entre as duas é a capacidade de me irritar.

Sara: Aham. Claro, tadinha de você, tão perseguida…

Carol: Sou mesmo! Mas agora o principal alvo é o tio Saulo. Ele e mamãe discutiram hoje.

Sara: Não brinca!

Carol: Ele chamou ela de sonsa! E ela fechou a porta na cara dele!

Sara: Jura?!

Carol: Aham!

Sara: Nossa, eles são tão crianças…

Carol: E você é tão madura…

Sara: E você é cleptomaníaca!

Carol: E você namorou Pedro Amargoso!

Sara: Retire o que disse! – as duas riem.

Sara suspira.

Carol: Cansada?

Sara: Esgotada. Eu não estou dando conta…

Carol: Tenta acertar as coisas com o Fernando…

Sara: Não é só ele. É a livraria e…

Carol: A livraria está com mais problemas?

Sara: Não! Não, Deus que me livre! – as duas batem na madeira. ­– Não… O problema sou eu. Mas é só uma fase. Eu espero.

Sara ouve um barulho na porta.

Sara: Tenho que desligar. Tchau.

Carol: Noite!

Carol olha para sua bolsa, olha para porta, reflete por uns segundos e resolve sair.

20. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA ANDRADE – SALA

Gabriel entra em silêncio na sala. Sara o surpreende no corredor.

Sara: Aqui, você esqueceu em casa. – Sara lhe entrega o telefone, ameaçadora.

Gabriel: Desculpa, mãe.

Sara: Por que você não ligou do telefone dos seus amigos? – Gabriel ia começar a falar, mas Sara não deixa – De um telefone público? São onze horas, Gabriel, onze horas!

Gabriel: Mas mãe, eu ia…

Sara: Não tem desculpa. Da próxima vez, você não sai. De castigo.

Gabriel se irrita e vai para o quarto fazendo barulho. Sara começa a cheirar o ar.

Sara: Espera. Que cheiro é esse? – ela sobe as escadas e alcança o filho. – Cigarro e cerveja.

Gabriel: Entornou na minha camisa. Eu juro.

Sara: Ah, e o cigarro é “porque fumaram perto de você”.

Gabriel: É. – diz, sem força.

Sara: Você pro seu quarto, tomar um banho e ir dormir sem fazer um pio, está me entendendo?! E amanhã, eu e seu pai vamos ter uma conversa. Sem nenhum pio.

Gabriel sai, correndo. Sara passa a mão pelos cabelos e senta-se no chão, cansada.

21. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO PELEGRINI – SALA

Já era quase meia-noite quando Carol tocou a campainha do apartamento de Roberto. O próprio atendeu a porta com cara de sono e sem camisa.

Roberto: Juro que eu pensei que estava sonhando quando o interfone tocou e o porteiro anunciou que era você. – fala e a cumprimenta com um selinho.

Carol: Você estava dormindo? – Roberto levanta as mãos em sinal de obviedade – Desculpa…

Roberto: Tudo bem, pelo o que me lembro, eu já fiz isso com você antes. – sorri – Mas a que devo a visita?

Carol: Saudades! – diz pendurando-se no pescoço dele.  E os dois começam a se beijar.

Roberto: Hum, adoro… – diz sentando-se no sofá ainda abraçado a Carol. Enquanto acaricia seu rosto, Roberto analisa sua expressão. – Você quer comer ou beber algo? – oferece já se preparando para levantar-se.

Carol: Não, não, só quero ficar aqui com você…

Roberto: Ok – Roberto a deita sobre o seu corpo, deixando-a envolta nos seus braços.

Carol: Eu poderia ficar aqui para sempre.

Roberto: Eu também.

Carol: É sério!

Roberto: Como assim? – estranha.

Carol: Minha avó surtou e se mudou lá para casa… Daí você imagina.

Roberto: Duas Noras.

Carol: Não, pior, uma Nora e uma Diva ocupando o mesmo lugar no espaço. Você não tem idéia como elas brigam.

Roberto: Melhor entre si do que com você, né?

Carol: Não, você não entende o grau da coisa.

Roberto: Eles já sabem que você mudou de editoria?

Carol: Bem, er, não… – Carol fica pensativa por um instante, Roberto desconfia – Mas não é isso… É que não sou muito bem quista pela minha avó. Principalmente desde a famigerada entrevista com o Rodolfo Antunes.

Roberto: O deputado?

Carol: Isso. Foi ele que delatou o irmão da minha mãe para os militares na época da Ditadura. Eles eram amigos e, depois do Rodolfo entregá-lo, ele foi preso e nunca mais tivemos notícias dele.

Roberto: Nossa. E o que teve de demais nessa sua entrevista?

Carol: Aí é que tá, nada, mas as duas acharam que eu estava me aliando ao “inimigo” ou algo do tipo. Foi uma revolução, quase fui posta para fora da família.

Roberto: Não exagera, meu amor. – ele beija o alto da cabeça de Carol, que faz cara de abusada – Entenda o lado delas… Perder um filho assim…

Carol: Ok, mas e o meu lado?! Eu só estava fazendo meu trabalho – irrita-se.

Roberto: Compreendo… – Tenta acalmá-la. Roberto levanta-se com jeito e vai até uma estante e tira algo de dentro de uma caixa. Carol o observa sem entender – Aqui… – ele lhe entrega uma chave – para sempre que você quiser fugir dos Andrades. – Carol fica sem reação – Você não quer? É só para você entrar aqui quando quiser.

Carol: E a Lissa?

Roberto: Ela tem uma também. Direito iguais para ambas. – brinca.

Carol: Sério, Roberto.

Roberto: Tranqüilo, já conversei com ela. Faz tempo que quero te dar essa chave. Lissa gosta de você e não se sente desconfortável com sua presença aqui, mas se você não quiser… – ele ia guardar a chave no bolso, mas Carol a pega antes, Roberto sorrir.

Carol: Bom, não espere que, em troca, eu lhe dê a chave da casa da minha mãe.

Roberto: Não, obrigado. – ri e senta-se novamente no sofá, abraçando-a – Vem cá, me conta mais sobre a história do seu tio.

22. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE COZINHA

[♫ – I could say, Lily Allen]

Nora: Já está de pé?

Diva: Sim. Quer um suquinho?

Nora: Quero.

Diva serve um copo para Nora e um para si. A torradeira apita e duas fatias de pão saltam. Diva as pega.

Diva: Que cara é essa?

Nora: Saulo me chamou de sonsa ontem.

Diva: Eu ouvi. Atitude muito reprovável da parte dele.

Nora sorri para a mãe.

Nora: O pior é que eu acho que ele tem razão. Odiar a Vera perdeu a razão. Virou um hábito. Eu a convidei para a ceia de Natal. Eu queria dar uma chance a ela, eu acho. Mas as crianças apareceram, você apareceu e ela apareceu e eu… Bem, eu tentei agradar a todos e deu no que deu.

Diva: Isso é bem típico de você. Mas você não é obrigada a aceitá-la.

Nora: Eu sei. Mas como eu disse, eu acho que não tem mais motivo, entende.

Diva: No que você fizer, eu te apoio, mas faça por você. A melhor parte é que eu ainda tenho motivos. Logo, aquela Capitu ainda vai ter que aturar muito de mim!

Nora: Já estou até com pena. – ri.

Diva: Atrevida! – e também ri.

Nora: Obrigada, mãe. – Nora vai até ela e a beija.

23. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA ANDRADE

Naquela mesma noite, Sara ligou para Fernando e contou o que aconteceu. Fernando apareceu na casa de Sara logo no começo da manhã, como Sara havia pedido.

Sara: Entra. Fiz café.

Fernando: Obrigado.

Fernando entra e Sara o acompanha até a cozinha. Lá, ela lhe conta tudo o que aconteceu na noite anterior.

Fernando: Ele pode estar falando a verdade. Ele nunca deu problemas.

Sara: Tem razão.

Fernando: Mas você agiu certo ao repreendê-lo.  Eu vou conversar com ele depois.

Sara: Obrigada.

Sara bebe o café.

Sara: Mas como vão as coisas?

Fernando: Melhorando…

Sara: Que bom… Que bom…

Fernando: O que foi?

Sara: Nada.

Fernando: Sara. Eu te conheço.

Sara: São só problemas. Nada de novo.

Fernando: Se quiser conversar, conta comigo. – Ela agradece e fica em silêncio. – Eu vou ver o Gabs.

24. INTERNA – DIA – CASA DE VERA SANTOS – COPA

Vera estava na cozinha fazendo o café da manhã quando Rebeca acordou.

Rebeca: Nossa, que frio! E pensar que ontem fez um calor insuportável.

Vera: Fiz um café quentinho.

Rebeca senta-se a mesa junto com a mãe.

Rebeca: Saulo ligou?

Vera: Não. E vamos falar de coisas mais alegres. Quero esquecer dos Andrades.

Rebeca sorri. Seu celular começa a vibrar. Seu sorriso aumenta ao ver quem é.

Rebeca: Eu vou atender rapidinho, tá? – diz para a mãe. – Oi, Ed!

Ela sai por alguns segundos enquanto Vera beberica o café, pensativa. Quando Rebeca volta, as duas retomam a conversa.

Vera: Então, posso saber com que você estava falando e porque você ficou tão feliz? – diz, alegre.

Rebeca: Mãe! É só um amigo da faculdade.

Vera: Amigo, sei… – e pisca para a filha.

Rebeca: Mãe! Eca. – diz, rindo.

A campainha toca.

Rebeca: Eu atendo. – aproveita.

25. INTERNA – DIA – CASA DE VERA SANTOS – SALA

[♫ – Soulmate, Natasha Bedingfield]

Rebeca vai até a porta. Para sua surpresa, ela encontra Nora a esperar.

Rebeca: Bom dia.

Nora: Bom dia, Rebeca. Como vai?

Rebeca: Bem. É… O Saulo não está aqui.

Nora: Na verdade, eu vim aqui falar com sua mãe. Se importa em chamá-la?

Rebeca: Olha, eu não sei se é uma boa idéia…

Nora: Por favor, Rebeca. É importante…

Rebeca: A ceia também era importante e…

Nora: Eu sei, eu sei… E é por isso que eu estou aqui.

Rebeca: Talvez outro dia, Dona Nora.

Nora começa a argumentar, mas se dá por vencida.

Nora: Pode avisar a ela que estive aqui?

Rebeca: Posso sim.

Vera aparece.

Vera: Rebeca, o que está acontecendo? – ela vê Nora do lado de fora. – Ah, entendi. Beca, termine o seu café, sim?

Rebeca: Mas mãe… – Vera lhe olha repreensiva. – Está bem. – sai, vencida.

Vera fecha a porta, deixando as duas do lado de fora.

Vera: Bom dia.

Nora: Bom dia.

As duas continuam em silêncio, se encarando. Nora toma as rédeas da conversa.

Nora: Eu queria pedir desculpas pelo meu comportamento na ceia.

Vera: Eu também não fui feliz naquele dia. Não precisava ter anunciado a saída de Saulo da livraria.

Nora: É, não precisava. – pausa. – Entenda que eu estou aqui por ele, inteiramente. Está claro que ele gosta muito de você.

Vera: Eu gosto dele também. Muito.

Nora: É o que parece, né?

As duas se olham num silêncio constrangedor.

Vera: Então, amigas?

Nora: Não força.

Vera: Desculpa. Ahm… Cunhadas?

Nora: Cunhadas.

As duas se olham nos olhos, firmemente, sorrindo de leve. Nora então vira-se e vai embora e Vera entra e fecha a porta.

26. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE

Carol chegou em casa e foi tomar café.

Carol: Bom dia, vó.

Diva: Bom dia. Sua mãe saiu. Disse que ia à padaria. E isso já faz mais de uma hora. Quer que eu prepare algo para você? Nora já me disse que você e cozinha não combinam.

Carol: Ela é que não gosta de mim. – ri.

Diva: Sei… Mas tenho certeza que você deve ser boa em outras coisas. A natureza sempre arranja um jeito de equilibrar as coisas.

Carol: Brigada, vó! Mas não se preocupe, eu já tomei café da manhã.

Diva repara melhor em Carol, e nota que ela está com a mesma roupa de ontem.

Diva: Em casa é que não foi, né? – provoca.

Carol: Não, vó, eu dormi no Roberto. diz firme.

Diva: Hum… – Diva lança um olhar reprovador para Carol, mas muda de assunto – Eu nunca mais te vi na televisão. Sempre ligo na Pólis para ver se te vejo, mas você não está lá.

Carol: Ah, vó… Aquilo foi uma vez só. E pelo mico que paguei, é claro que não iam me convidar outra vez.

Diva: Querida, não se culpe. A culpa foi toda daquele perverso!

As duas ouvem barulhos de uma pessoa chegando.

Diva: Deve ser sua mãe. Nora?

Tomás aparece na cozinha.

Carol: Tomás?

Tomás: Oi. Tá no Rio agora? Roberto veio para ficar então, hein? Mamãe já chegou? – ele cumprimenta a irmã e a avó. – Ela me ligou do carro.

Carol: Como vai Vitória?

Tomás: Bem. Está com os pais hoje.

Diva: Já tomou café, Tomás? Você está tão magrelo…

27. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE CARLOS ANDRADE

Carlos dormia no sofá de sua casa. Ela acorda de repente achando que ouviu alguma coisa e vai até a porta. Não havia ninguém. Ele volta para o sofá, pega o celular e liga de novo para Sérgio.

28. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SÉRGIO BRAGANÇA

Sérgio pega o celular e vê que Carlos está ligando para ele pela 20.º vez. Ele rejeita a ligação.

29. INTERNA – DIA – CENTRO DE REABILITAÇÃO RENASCER – ALA PSIQUIÁTRICA

Júnior foi visitar Bianca depois do incidente na noite anterior. Quando ela o vê, ela cobre o rosto com as mãos.

Júnior: Não precisa disso.

Bianca: Precisa sim. Desculpa por ontem.

Júnior: Eles me deram um quarto novo e maior, então, eu só tenho o que agradecer. – Ele pensa: “Apesar que não vai ser por muito tempo” e sorri.

Bianca ri.

Bianca: É sério. Você deve ter me achado uma louca.

Júnior: Talvez…

Bianca: Viu?!

Júnior: Foi brincadeira. Mas então, seu irmão tem uma banda… Você também está nela?

Bianca: Não. Eu viajei com eles, só. Uma vez. É bem legal… – Eles continuam a conversa.

30. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA ANDRADE – QUARTO DE GABRIEL

Fernando entra no quarto de Gabriel e encontra o filho arrumando a cama.

Fernando: Tentando compensar por ontem, né? – brinca.

Gabriel: Pai!

Os dois se abraçam.

Gabriel: Mamãe já te contou, né?

Fernando: É. Mas agora eu queria que você me contasse. O que você fez ontem à noite?

Gabriel: Eu não fumei. Eu juro. O Bernardo é que começou a fumar e…

Fernando: E a cerveja?

Gabriel demora a responder.

Gabriel: Um copo. Eu só queria experimentar.

Fernando: Você sabe que se quiser experimentar é só falar comigo ou com sua mãe. Você a deixou preocupada ontem. Sua mãe ainda não esqueceu o assalto.

Gabriel: Desculpa.

Fernando: Eu sei. Pede para ela também. E não fume!

Gabriel: Não vou!

Os dois riem.

Fernando: Tem mais alguma coisa que eu deva saber? Camisinha?

Gabriel: Paaaai!

31. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA ANDRADE – COZINHA/CARRO DE NORA ANDRADE/CASA DE GABRIELA

Sara não sabia se acompanhava o marido na conversa com Gabriel ou não. Ela preferiu ficar ali. Ainda estava irritada e teve medo de descarregar no filho. De repente, seu celular toca e o telefone fixo também. Sara corre e pega o fixo.

Sara: Alô? – diz, correndo, procurando o celular.

Nora: Oi, filha. Olha, eu estava pensando…

Sara: Só um minuto, mãe – ela pega o celular. – Oi, Gabi!

Gabriela: Sara! Tudo bem?

Sara: Tudo! Só um instante. Pronto, mãe?

Nora: Então, eu estava pensando e queria muito conversar com você e com seu irmão.

Sara: Qual dos três?

Nora: Tomás.

Sara: Só um instante. Pronto, Gabi.

Gabriela: É uma hora ruim? Eu posso ligar mais tarde…

Sara: Não, não, pode falar.

Gabriela: Ok. Só liguei para papear.

Sara: Ah, ótimo. Como você tá?

Gabriela: Eu estou bem, esse é um período calmo na universidade… Férias, né?

Sara: Ah, maravilha! Só mais um minutinho, Gabi. Desculpa, mãe. O que tem o Tomás?

Nora: Não é só o Tomás. É você também. E o Saulo. E a livraria.

Sara: Mãe, você não vai fazer aquelas “armadilhas”, colocando todos nós juntos para conversar não, vai? Por que eu não estou com cabeça para isso.

Nora: Eu não faço esse tipo de coisa…

Sara: Aham. – Ela diz irônica – Espera mais um pouco. Desculpa, Gabi. Onde estávamos?

Gabriela: Você tá hiperocupada, depois te ligo.

Sara: Não, é só minha mãe minha enchendo a paciência. Até ela agora quer se meter nos problemas da livraria. Espera só mais uma vez? Vou dispensar a Dona Nora…  Mãe, diz.

Nora: Então, Sara, a livraria, como vai ficar?

Sara: Pode ficar tranqüila, mãe, eu e o Tomás resolveremos tudo.

Nora: Mas Sara…

Sara: Mãe, eu estou em outra ligação aqui, depois te ligo, ok? Beijo! – desliga o telefone e volta a falar com Gabriela – Gabi, quero férias, quero trocar de vida com você! – brinca.

Gabriela: Até parece.

Sara: Mas, sério, preciso de uma mudança de vida, dar uma levantada, sabe? Tá tudo muito parado, preciso de algo que me instigue, uma nova paixão.

Gabriela: Já?!

Sara: Não nesse sentindo. – retrai-se – A coisa com o Fernando ainda tá complicada demais para eu pensar em homens agora.

Gabriela: Então, tipo uma viagem?

Sara: Ah, quem dera! Bem que eu queria, mas sem condições no momento. Na verdade, eu estava pensando em fazer um curso, fazer doutorado, sei lá, voltar ao seu mundo acadêmico. Mas é tudo complicado, falta tempo, dinheiro…

Gabriela: Você já pensou em dar umas aulas?

Sara: Eu? Imagina!

Gabriela: Ah, Sarita, você sempre quis isso!

Sara: Muito tempo atrás! Minha vida tomou rumos bem diferentes após o mestrado.

Gabriela: Mas você tem jeito para coisa. E tem muita faculdade procurando pessoas com conhecimento de mercado…  Faz assim, eu vou tentar me informar de alguma vaga e qualquer coisa te falo, ok?

Sara: Ok! – Sara anima-se um pouco.

32. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE CARLOS ANDRADE

Carlos estava tentando ligar para Sérgio mais uma vez. Sérgio não atende e ele joga o telefone no sofá e da um soco na almofada.

Pâmela: Carlos, a sua porta está aberta. Posso fechar?

Carlos: Ele não vem mesmo…

Pâmela: Vocês… terminaram?

Carlos: Não, eu o pedi em casamento!

Pâmela o ignora e vai até ele.

Pâmela: Você não gosta de mim, né?

Carlos a encara com os olhos inchados.

Carlos: Não do jeito que você gostaria.

Carlos se levanta e pega a almofada que ele socou. Pâmela dá uma risada fraca. Era de um amarelo marca-texto. Ele dá a almofada para ela.

Carlos: Eu sei que eu sou grosso às vezes…

Pâmela: Você não é grosso, é engraçado…

Carlos ri alto.

Carlos: Você é incrível.

Pâmela começa a andar de costas, sem deixar de olhar para Carlos. Ela levanta a almofada e sussurra um obrigado.

33. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE – ESCRITÓRIO

Tomás esperava por Nora, que acabara de chegar.

Nora: Tomás, que bom que chegou. Sua irmã não vai poder vir…

Tomás: O que é tão importante?

Nora: Eu sei que deve ser difícil entender o porquê por trás da decisão do seu tio, mas eu queria muito que você compreendesse.

Tomás: Mãe…

De repente, Diva chama a filha.

Diva: Nora, a campainha!

34. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE – SALA

Nora, Tomás, Carol e Diva vão até a porta.

Silveira: Bom dia, eu sou o detetive Silveira. Estou procurando Guilherme Andrade Júnior.

Nora: Detetive? Mas, do que isso se trata?

Silveira: Estamos investigando um atropelamento. Há indícios de que Guilherme Andrade Júnior esteja envolvido.

Os Andrades olham para o detetive sem saber o que dizer.

35. INTERNA – DIA – PRÉDIO DE CARLOS ANDRADE

Sérgio andava decidido pelo corredor do andar de Carlos. Ao chegar à porta, ele pensa duas vezes. Ele mudava de idéia a cada segundo e decide voltar.

Quando Sérgio entrou no elevador, Pâmela estava saindo do apartamento de Carlos e o vê. Ela pensa se deveria ir atrás dele ou não. E contar a verdade.

Ela corre até o elevador de serviço. Ao chegar ao térreo, ela vê Sérgio já saindo, próximo ao portão.

Pâmela: Sérgio!

Sérgio pára e vira-se para ver quem o chamou. Pâmela o alcança.

Pâmela: Não vai embora. Vai lá falar com ele…

Sérgio: Isso não é da sua conta. – e volta a andar.

Pâmela: Ele não te traiu!

DUAS SEMANAS ANTES

36. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE CARLOS ANDRADE

[♫ – Breathe (2 a.m.), Anna Nalick]

Carlos: Eu… acho que… terminei com o Sérgio.

Pâmela: Vocês brigaram?

Carlos: Não! Eu só bebi metade de um bar porque me deu na telha!

Pâmela se assusta.

Carlos: Desculpa. Você não tem culpa de nada. – Diz mais calmo, olhando nos olhos dela. – Você está sempre por perto quando eu preciso. Obrigado.

Pâmela: De nada.

Os dois continuam se olhando, enquanto a água caía. De repente, Pâmela se inclina e beija Carlos. Ele a afasta.

Carlos: Pâmela…

Pâmela: Desculpa, eu… eu…

Os dois não conseguem falar e ficam se olhando em silêncio novamente. Pâmela se levanta.

Pâmela: Deixa eu pegar uma roupa seca para você.

Ela volta rapidamente com um short. Ela o deixa na pia e sai do banheiro, fechando a porta. Carlos se seca, se veste e sai do banheiro, encontrando Pâmela, molhada, em pé, encostada num canto.

Pâmela: Eu fiz sua cama. Tenta dormir um pouco.

Ela faz menção de ir embora.

Carlos: Eu não quero ficar sozinho. Fica aqui comigo.

Ele vai até o banheiro, pega seu roupão e uma toalha e os entrega a ela. Ela começa a se secar e vai até ele. Os dois caminham juntos para o quarto. Pâmela deita na cama e Carlos deita do lado dela e a abraça. Carlos adormece rápido e Pâmela se aconchega mais ao lado dele,

Continua…

Trilha sonora

▪ Breathe (2 a.m.) – Anna Nalick

▪ Signs – Bloc Party

▪ I could say – Lilly Allen

▪ Soulmate – Natasha Bedingfield

▪ Amour du sol – Yelle

9 Respostas to “A Medida do Sofrimento”

  1. Samila Says:

    É a primeira vez que eu comento, mas acompanho a série de vocês desde o primeiro episódio, e digo com toda a certeza que este foi um dos melhores episódios. Porque além de mostrar os problemas de todos os personagens, também foi mostrado possíveis soluções para a maioria deles, deixando um gostinho de quero mais, principalmente no caso de Carlos – que é meu personagem preferido – e Sérgio. Coitadinho do Carlos, fiquei na maior dó! Mas porque ele simplesmente não explicou para o Sérgio que ele estava bêbado e não teve intenção de traí-lo? Tá bom, eu sei que se tratando de Carlos nada pode ser ” simples” , ele é complexo demais, mas agora eu senti muita verdade nos sentimentos dele, principalmente na parte em que diz que ele olha para Pâmela com os olhos inchados, vejo na hora a imagem dele passando a madrugada no sofé chorando, coitadinho. Mas depois de tantas briguinhas à toa e algumas sérias, Carlos e Sérgio merecem passar pelo menos um episódio inteiro totalmente bem, porque vamos combinar, aqueles dois começam a brigar do nada e depois tem gente que ainda diz que é a mulher a pessoa “difícil” da relação, tá vendo homens criam picuinha por muito menos rsrsrsrs Valeu gente, o episódio foi mara . Estou aflita pelo próximo.
    t +

    1. osandrades Says:

      Oi Samila, exato, um homem complica, mas dois homens complicam muito mais…rs Brincadeira. Acho que o que complicou o relacionamento dos dois foi o time. Apesar de se gostarem muito, talvez Carlos não estivesse preparado para um Sérgio, nem o Sérgio para um Carlos. O que a gente tenta mostrar é que nenhum dos dois é tão culpado, nem tão inocente assim. E, confesso, tb torço por eles. Inté! Samara

  2. Carine Dávalos Says:

    OMJC! Final perfeito, eu vizualizei essa cena! A trilha tbm, hummm… maravilhosa!

    Em fim…
    Junior praticamente reabilitado e problemas crescendo enquanto ele se ausenta! Ele vai ser descoberto…OMJC [2]

    Sara, dando uma de mae que nao ouve… Como lembrei da minha durante a leitura!
    Carol, desabafando com o namorado, esse Roberto me deixa cada vez mais *melted*!
    Tomas impedido de fazer coisas legais com a mulher, por causa de uma dor nas costas, e cada uma q me aparece!!!
    Enquanto ao Carlos, eu fico com a descriçao da Nora de “duas pessoas apaixonadas”… porque so isso pra resolver os males dele!

    Sabe, eu nao quero que acabe essa temporada! Eu me sinto em casa enquanto leio… =/
    Em fim…
    ate o ultimo episodio!

    1. osandrades Says:

      Olá Carine, primeiro de tudo, adorei o “OMJC”. Acho que vou adotar, rs.
      A falta de audição materna da Sara deve ser por causa do stress, mas ela é um tipo de mãe que um dia eu quero ser.
      Cá entre nós mulheres, Roberto é tudo, né? Adoro! E só ele mesmo para aguentar os surtos da Carol. rs
      E, não se afobe, mesmo com o fim da temporada, vc pode sempre aparecer, já é de casa 😉 Além do que, o último episódio é duplo!
      Inté,
      Samara

  3. Gustavo Says:

    Salve galera!!!

    Tá acabando… :´(

    Diva e Nora, essa dupla ainda vai dar muito o que falar, isso se as duas não sairem antes no tapa.(risos) Não queria estar na pele da Vera.

    Gostei de Tomás e Vitória voltarem às boas, só espero que o problema de coluna dele não seja sério… Vamos dar um tempo pros dois curtirem né.

    Bem, Júnior tomando jeito, seguindo a risca o tratamento. Mas qual será a reação dele quando descobrir que sua participação no acidente está prestes a ser descoberta? Mais uma bomba a ser jogada na cabeça da família.

    Carol e Roberto praticamente vivendo em lua de mel. Engraçado com a entrega da cópia da chave da casa é sempre carregada de simbolismo… Quem já passou por isso (eu sei, XD) sabe muito bem o que significa.

    Sobre o Carlos e o Sérgio, o que comentar?? O arranhão na relação dessa ver foi feio e mesmo a Pâmela ter contado a verdade (será?!), haverá reconciliação?? Se o amor que um sente pelo outro for verdadeiro, tudo pode acontecer. Estou na torcida para que eles voltem. E mais, espero que o Carlos tenha aprendido a lição: “Nunca minta e omita nada para a pessoa amada”.

    Bem, é isso, que venha o último episódio… Já estou com saudades…

    Beijos!!!!!

    1. osandrades Says:

      Salve Gustavo!

      Que bom que comentou sobre Diva e Nora, para mim foi um dos pontos altos do episódio. Amei as cenas das duas e a Diva dentro da casa dos Andrades. Lipe escreve tão bem a Diva. Adorei tb a sugestão das duas se juntarem contra a Vera, rá!

      Roberto e Carol estão construído uma relação bem forte e significativa, e vc tem razão, a chave veio simbolizar isso.

      Quanto ao Carlos, acho que acontece com todos nós, mesmo a verdade sendo o ideal, omitir é tão tentador, parece mais fácil, mas no final pode complicar mais ainda, né? Vamos ver onde isso vai dar… em breve!

      Beijos,
      Samara

  4. Natie Says:

    Uauuuuu! Varias coisas nesse episodio… E concordo com o comentario acima: um dos melhores…
    Eu nao posso deixar de falar de novo o quanto eu admiro a Nora. Serio! Ir na casa da amante do marido pedir desculpas… Alguem da uma medalha pra essa mulher! hehe…
    E parece q jah vao descobrir o involvimento do Junior do atropelamento neh? Ai ai… Falando nele, adorei a cena no centro…
    E no final a Pamela nao era tao bitch assim! haha… Fiquei feliz dela ter decidido contar a verdade… (finalmente!)
    E a melhor parte da Diva ter brigado com o Saulo foi essa aproximação com a Nora (quem diria?)! Apesar de agora a Carol ter mais chances de enloquecer… hehe… Quer dizer, se nao fossem as chaves do ape do Roberto (ameiii!)
    Eu adoroooo a familia da Sara e todos os problemas reais q acontecem com eles… Fernando conversando com o filho foi mtuu legal! E a Sara querendo uma nova paixao!!! Que bom… 🙂
    E Saulo ta mesmo fora da Andanças?

    P.S.: A DIVA VÊ GREY’S ANATOMY!!! hahaha…

    Beijooos…

    1. Samara Says:

      Oi Natie!

      Nossa, Nora é ídola demais mesmo! E também sou fã da família Andrade-Viana, mesmo com Sara e Ferdi separados, eles ainda são unidos.

      Também acho que Carol vai penar com essas duas juntas, mas qualquer coisa, ela pode correr para os braços do Roberto, né? Maravilha, rá!

      No mais, algumas das suas dúvidas serão respondidas no último episódio.

      Beijos,
      Sam

  5. Laís Says:

    Então não rolou nada entre Pâmela e Carlos, ótimo !

    Se eu fosse a Nora, já tinha arrebentado a Vera em mil pedaços…

    Nossa, o Junior vai tomar no nariz né? coitado

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