103dmd11

Nos episódios anteriores:

Júnior e Rebeca se conheceram. Carlos teve um beijo roubado e seu pai foi testemunha do ‘assalto’ e Sara não acreditou no que o destino lhe aprontou.

 

 

1. INTERNA – MANHÃ – CASA DOS ANDRADES – SALA DE ESTAR

 

No dia seguinte ao encontro de Carlos, Sara e Carol já estavam animadas para encontrar o irmão e saber de todos os detalhes.

 

Sara: Por que o Carlinhos decidiu encontrar a gente aqui? Nós não íamos sair e fofocar?

 

Carol: A mamãe pediu que ele tomasse café aqui com a gente. No mínimo deve estar planejando algo para convencer o Carlos a trazer o affair de ontem para a família conhecer.

 

Júnior acorda cedo, surpreendo às irmãs.

 

Sara: Noooossaaaaa! Acordando antes das 10h. Teve pesadelo, caçula?

 

Carol: Aposto que é empolgação pelo novo trabalho! Me conta, como foi ontem?

 

Júnior: Foi ótimo! Não vai ser tão complicado quanto eu achei que seria. Já deu até pra fazer novas amizades. – fala se dirigindo à cozinha.

 

Sara e Carol se olham.

 

Sara: Amizade mulher ou amizade homem?

 

Júnior ri malicioso.

 

Carol: Ah, não, Ju! Assim também não. Eu me esforço pra conseguir algo que você goste e você já está dando em cima de estagiárias?

 

Júnior: Assistente!

 

Sara: Iiiii.. Já sabe até o cargo. Ele vai ficar com ela. Desiste. – diz Sara, dando um gole de suco de laranja.

 

Carol: Júnior, onde se ganha o pão, não se come a carne.

 

Tomás chega.

 

Tomás: Opa, quem está tendo um caso de abuso sexual no trabalho?

 

Sara: O Jú!

 

Tomás: Você? Desde quando o seu nome e a palavra trabalho convivem em harmonia na mesma frase?

 

Júnior: Ah, não! Andrade Express uma hora dessas, não!

 

Carol: Eu consegui com um amigo que o Ju compusesse jingles para uma campanha publicitária.

 

Tomás: Hummm. Que bom! Espero que tome gosto pela coisa.

 

Sara: Aaaah, eu tenho certeza que ele ta tomando muito gosto pela coisa… Qual o nome da coisa por sinal?

 

Quando Júnior vai responder, chega Carlos.

 

Carlos: Por que eu acreditei que o café-da-manhã seria só entre mim e a mamãe? Por que eu ainda me iludo?

 

Sara: E chegou a mais nova vítima dos ladrões de beijos em portas de restaurantes do Rio de Janeiro.

 

Carlos: Rá, rá, rá!

 

Carol: Ah, Carlos! Mas os beijos roubados são os mais marcantes para um casal! Anda, conta, como foi?

 

Tomás: Espera, espera. Não vai me dizer que você saiu com…

 

Tomás e Júnior: … O cara da Internet?

 

Sara e Carol: AHAM!

 

Tomás: Meu Deus, você tá desesperado.

 

Carlos: Não enche, tá bom? Já bastam essas duas aí…

 

Carol: Ok, ok… Vou ignorar as afrontas em nome da curiosidade jornalística… Ele é bonito?

 

Sara: Beija bem?

 

Júnior tosse para avisar aos irmãos de alguma coisa… Eles se viram e vêem Guilherme.

 

Guilherme: A mãe de vocês já está descendo, vamos para a mesa.

 

Todos se entreolham e seguem Guilherme.

 

 

2. INTERNA – MANHÃ – CASA DOS ANDRADES – MESA DO CAFÉ DA MANHÃ

 

O silêncio constrangedor impera e todos se sentem incomodados.

 

Tomás: Me passa a geléia, Carol, por favor – diz, tentando quebrar o gelo.

 

Carol: Finalmente alguém falando na mesa.

 

Carlos: Ok. É pra quebrar o gelo? Eu começo! Mamãe, qual o motivo obscuro do café da manhã em família?

 

Nora: Não posso mais reunir meus filhos para um harmonioso café da manhã? – diz, dando ênfase no adjetivo.

 

Carlos: Como se nós não te conhecêssemos.

 

Guilherme: Carlos! – gritou – Respeite ao menos a sua mãe.

 

Carlos: Como assim ao menos? E por acaso algum dia eu faltei ao respeito com o senhor?

 

Guilherme: Talvez ontem, se agarrando com um homem no meio da rua.

 

Nora: Guilherme!

 

Carlos não queria acreditar que aquilo estava acontecendo e se levanta da mesa. Todos os irmãos se olham, sem saber o que fazer.

 

Carol: Papai! Pelo amor de Deus, estamos no século XXI.

 

Guilherme: Volte aqui, Carlos. Nós precisamos conversar. – disse, se levantando também.

 

Nora segura o marido pelo braço.

 

Nora: Você não vai fazer isso, Guilherme.

 

Carlos: Sinto muito, Sr. Guilherme, mas eu não costumo conversar com homofóbicos.

 

Tomás: Carlos!

 

Carlos: O que é? Vai defender o papai agora? – diz, irritado.

 

Guilherme: Eu só quero que você entenda que expor a sua imagem assim pode prejudicar a livraria, os negócios da sua família. – diz, se desvencilhando de Nora e indo em direção a Carlos.

 

Júnior: Péssima desculpa, Sr. Guilherme.

 

Nora: Vamos vocês quatro! Façam alguma coisa.

 

Carlos: É com isso que o senhor está preocupado? Seria razoável pelo menos se o senhor se preocupasse com o que as pessoas iam pensar de mim, mas não! O senhor se preocupa com o que vão pensar do senhor! De como vão zombar do senhor!

 

Nora: Carlos, por favor filho, acalme-se. O pai de vocês não sabe o que está dizendo. – diz, já aflita, querendo apaziguar.

 

Guilherme: É claro que eu sei. Eu sei que eu nunca vou aceitar a sua condição.

 

Sara: Papai, por favor, não volte a discussões que não levarão a lugar algum.

 

Guilherme: Cala a boca, Sara!

 

Sara toma um susto e fica muito ofendida. Todos ficam assustados.

 

Guilherme: Imagina se algum fornecedor estava no mesmo restaurante, Carlos? Com quem você acha que vão preferir fazer negócios? Com o pai de um hétero ou com o pai de um gay que se agarra com outro no meio da rua?

 

Carlos: Pra mim basta! – diz saindo visivelmente triste e irritado.

 

Nora: Filho, espera! – ela vai atrás.

 

Guilherme leva as mãos à cabeça e se volta para os outros filhos que o olham sem acreditar no que viram.

 

Guilherme: O que foi? Não me olhem assim!

 

Júnior: Nós só não achamos justo o Carlos ter que ficar trancado em casa porque o senhor não quer ser exposto. Não sei se o senhor sabe, mas ele não anda com uma placa escrita ‘Sou filho do dono de uma das maiores livrarias do Rio’. – diz se levantando e saindo.

 

Guilherme: Olha lá como fala comigo, rapaz. Eu ainda sustento você.

 

Guilherme respira fundo e volta para a mesa

 

Guilherme: Vocês não sabem o que é carregar o peso de ter um filho gay.

 

Tomás: Eu amaria um filho gay do mesmo jeito que amaria um filho vagabundo. Não entendo porque para o senhor é mais fácil renegar um filho gay, do que renegar um que não quer nada com a vida.

 

Carol: Tomás, você está sendo injusto.

 

Tomás: Quer saber? Perdi completamente a fome. Tchau meninas. – diz, indo embora.

 

Guilherme: Deus te abençoe – fala para chamar a atenção de Tomás, que não pretendia falar com o pai.

 

Tomás: Amém, Sr. Guilherme. Amém.

 

Carol: Eu vou para o meu quarto. – e se levanta, subindo as escadas.

 

Restam só Sara e Guilherme na mesa. Sara pega sua bolsa e se levanta sem falar nada.

 

Guilherme: Tchau!

 

Sara se vira e simula um zíper na boca, saindo.

 

 

3. EXTERNA – MANHÃ –  CASA DOS ANDRADES – JARDIM

 

Quando abre a porta, Sara encontra a mãe sentada no jardim, pensando.

 

Sara: Tudo vai ficar bem, mãe. É só ter calma.

 

Nora: Ele não tinha o direito de fazer isso com ele. Não tinha.

 

Sara: A senhora melhor do que ninguém sabe como o papai defende seus pontos de vista. Doa a quem doer.

 

Nora: Não aos meus filhos! Coitado do Carlos… ele saiu arrasado daqui.. Você acredita… – Nora se vira para a filha e percebe seu olhar perdido. – Sara?

 

Sara: Oi.

 

Nora: Algum problema, filha?

 

Sara: Não, não. Tudo bem, mãe. Só estava pensando no Carlinhos.

 

Nora: Não.. tem algo errado com você. Deixa eu te ver – diz Nora, analisando a filha de cima a baixo.

 

Sara: Mãe, para com isso! Eu estou ótima. Preocupe-se com o Carlinhos.

 

Nora: Oh! O Carlinhos.. acho que vou ligar para ele..

 

Sara: Eu acho que uma ligação da senhora agora não ajudaria muito.

 

Nora: Por que não????

 

Sara: Ok, mãe. Eu tenho que ir.

 

Nora: Está bem, mas você tem certeza que está tudo…

 

Sara: Mãe!

 

Nora: Ta bom.. ta bom..

 

Sara vai embora e Nora volta para casa.

 

 

4. INTERNA – NOITE – BOATE

 

Rebeca está sozinha tomando um drinque quando avista Júnior. Ela sorri e ele se aproxima.

 

Júnior: Oi assistente!

 

Rebeca: Oi carinha do jingle!

 

Júnior: Tá bom, me chamando assim você me convence de não termos apelidos carinhosos!

 

Rebeca: Nossa! Achei que você gostasse de compor. – fala, rindo.

 

Júnior: Na verdade, é uma coisa meio nova, sabe? Nunca ganhei dinheiro com música pra ser sincero.

 

Rebeca: Se te serve de consolo, nem eu com fotografia. Ainda!

 

Júnior pede uma tequila.

 

Rebeca: Tequila? Uau! Você sabe como se embriagar rápido!

 

Júnior: Confesso que tenho alguns anos de experiência.

 

A tequila chega e Júnior vira de uma vez. Rebeca fica só olhando. Júnior vai pedir outra e ela segura sua mão.

 

Rebeca: Calma, a noite ta só começando, pra que ir tão rápido?

 

Júnior a encara e adora o gesto dela. Ele não solta a mão dela e a puxa para a pista de dança.

 

 

5. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA E FERNANDO – SALA

 

Sara está ajudando Dudu com a tarefa, quando Fernando chega a casa.

 

Sara: Oi amor!

 

Fernando: Oi.

 

Os dois trocam um selinho

 

Sara: Demorou hoje. Ficou até mais tarde ou deu uma esticada com os amigos?

 

Fernando: Nenhum dos dois.

 

Sara: Hummm, me deixa adivinhar – Sara se pendura no pescoço de Fernando e fala baixinho para que as crianças não ouçam… – Então, você saiu com a nova assistente do seu chefe que é uma loira muito atraente.

 

Fernando levanta a sobrancelha querendo rir.

 

Fernando: De onde você tirou essa história de assistente?

 

Sara: O Ju… Tá ficando com a assistente de um fotógrafo de uma campanha publicitária… – Sara percebe Fernando aéreo – o que aconteceu?

 

Fernando: Hã?

 

Sara: O que cê tem, amor? Tá estranho…

 

Fernando: É só uma dor de cabeça.

 

Sara: Então eu vou pegar um remédio…

 

Fernando: Não precisa, é só dormir que vai passar.

 

Sara: Tá bom, então… Amanhã a gente conversa e eu descubro. – ela sai dando uma piscadinha.

 

Fernando respira fundo e olha para os filhos, agora brincando.

 

 

6. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DE CAROL

 

Carol está arrumando as malas. Nora entra de surpresa e não gosta do que vê.

 

Nora: Eu espero que você esteja apenas organizando suas coisas.

 

Carol: E estou. Dentro da minha mala que vai estar no bagageiro de um ônibus amanhã.

 

Nora: Mas já? Por quê?

 

Carol: O editor me ligou e pediu que eu voltasse, pois uma das meninas da equipe caiu de cama, e ele precisa de alguém que consiga fazer dois trabalhos ao mesmo tempo. – explica.

 

Nora: Vai embora brigada com seu pai?

 

Carol: Com todos os irmãos brigados com ele, eu não estou com tanto remorso. Mas, convenhamos, o papai foi deprimente.

 

Nora: Olha! Não fale assim dele. Não esqueça que foi pela concepção dele de respeito que isso tudo começou.

 

Carol: Até a Sara calar a boca, ele mandou. Estava descontrolado.

 

Nora: Perdoa…

 

Carol: Não, mãe. Esse é o problema: o papai ofende o Carlos e a família toda e a senhora sempre manda que nós relevemos.

 

Nora: Carol, nós já estamos velhos, minha filha…

 

Carol: E isso não é desculpa. É sério, mãe. Ou o papai trata o Carlos como o Tomás e o Ju, ou a senhora vai ter sérios problemas na família. – fala, fechando a mala.

 

Percebendo que foi atacada, Nora tenta contra-atacar.

 

Nora: Por que você não vai de avião? Se o seu chefe está precisando de você, não devia deixá-lo esperando tanto tempo.

 

Carol a encara com raiva

 

Carol: Eu não acredito que a senhora está fazendo isso. Aliás, eu acredito sim.

 

Nora: Foi apenas uma sugestão. – diz, com ar de quem venceu e saindo.

 

Carol bate a porta e ameaça um choro, mas engole e vai para o banheiro.

 

 

7. INTERNA – NOITE – BOATE

 

Rebeca e Júnior saem da pista de dança.

 

Rebeca: Uh! Há quanto tempo que eu não dançava assim?

 

Júnior: Acho que o mesmo tempo que eu? Muito!

 

Os dois riem e rola um clima. Júnior tenta beijá-la, e ela se vira para o barman pedindo uma caipirinha.

 

Júnior: É… você sabe como se embriagar devagar! – diz, constrangido por ter tentado beijá-la.

 

Rebeca: Eu só não gosto de dar trabalho pros outros. E também não suporto cuidar de bêbados. Vai logo sabendo, viu?

 

Júnior a observa tomando a caipirinha e se vira para o barman

 

Júnior: Uma água sem gás, por favor.

 

Rebeca adora o que Júnior faz, mas disfarça. Ele a encara e os dois brindam. Ela com a caipirinha e ele com a água.

 

 

8. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS

 

Toca a campainha. Carlos sai apressado e assustado por causa da hora. Ele olha pelo olho mágico.

 

Carlos: Você?

 

Tomás: Surpresa!

 

Carlos: Sabe que horas são?

 

Tomás: E desde quando eu preciso de hora marcada pra visitar meu irmão?

 

Carlos: Foi a mamãe que pediu que você viesse, não foi?

 

Tomás ri, denunciando.

 

Tomás: O que tem pra comer aqui?A Vitória estava tão enjoada que não conseguia nem sentir cheiro de comida.

 

Carlos: Fiz uma macarronada, mas nem comi direito. Aliás, não comi nada durante o dia todo.

 

Tomás: Ow, mano, você sabe que a gente te ama. Gay ou hétero, rico ou pobre, feio ou…  Feio.

 

Carlos: Prazer, Brad Pitt. Carlos Andrade.

 

Tomás: Ou C.A., para os mais íntimos. – diz, debochando.

 

Carlos: Ah não, não! Não começa, por favor.

 

Tomás: Qual é? Você ia fofocar com as meninas se o papai não tivesse começado aquilo. E eu ia saber de qualquer jeito, você sabe.

 

Carlos: Eu não quero contar. Da noite de ontem, eu só quero esquecer. – relembra, triste. – Se ele não tivesse me beijado, tudo teria sido diferente.

 

Tomás: Beijo roubado, né?

 

Carlos: Tenha certeza que seria a única maneira dele conseguir algo comigo, me roubando ou me dopando.

 

Tomás ri, enquanto põe macarrão num prato.

 

Carlos: Sabe, Tomás – Carlos ensaia um desabafo – às vezes eu sinto que eu nunca vou poder amar alguém para todo mundo saber.

 

Tomás: Como assim? Tá pensando em guardar segredo da gente?

 

Carlos: Como se isso fosse possível. Tô dizendo que eu nunca vou poder levar um namorado para a mamãe conhecer. O Sr. Guilherme vai sempre me recriminar, me repudiar como se eu tivesse uma doença.

 

Tomás segura a mão de Carlos

 

Carlos: Mas pelo menos é muito bom saber que eu tenho vocês nesses momentos.

 

Tomás e Carlos se abraçam.

 

 

9. EXTERNA – NOITE – PORTÃO DO PRÉDIO DE REBECA

 

Rebeca: E… É aqui! – diz, dando um pulo em direção à entrada.

 

Júnior: Belo prédio.

 

Rebeca: Nem tanto, mas aconchegante.

 

Os dois ficam sem assunto e fica um clima estranho.

 

Rebeca: Pois é, né? Tá tarde. Hora de entrar.

 

Júnior: Tudo bem! Até que nos divertimos muito para um primeiro encontro. O segundo promete.

 

Rebeca: Segundo?

 

Júnior: O que foi? Você achou mesmo que eu ia deixar barato você ter recusado a minha proposta de vermos o nascer do sol bebendo tequila?

 

Rebeca ri e coloca a chave na porta. Ela abre a porta e se vira para se despedir de Júnior. Quando vai cumprimentá-lo, Júnior tenta roubar um beijo dela e ela se esquiva de novo.

 

Rebeca: Boa noite, Júnior – diz entrando na casa.

 

Júnior: Boa noite, Beca. – diz, novamente constrangido.

 

Da janela do apartamento, Vera observava a cena, sem gostar do que via.

 

 

10. EXTERNA – MANHÃ – CASA DOS ANDRADES – JARDIM

 

Tomás: Cadê a Carol? Daqui a pouco o taxista não espera mais.

 

Nora: Não sei por que chamar um táxi com quatro irmãos que podem levá-la. Mania de independência que essa menina tem.

 

Tomás: A quem será que ela puxou, né mamãe?

 

 

11. INTERNA – MANHÃ – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DE CAROL

 

Sara bate na porta e Carol não abre. Sara tenta entrar e encontra a porta aberta.

 

Sara: Alooow?? Alguém aí?

 

Sara caminha mais um pouco e encontra Carol sentada no chão do banheiro, triste.

 

Sara: Ei! O que foi?

 

Carol: Nada… bobagem.

 

Sara: Não… Você está triste demais. Olha essas olheiras – Carol tenta esconder – Você dormiu essa noite?

 

Carol: Não. Tive pesadelos horríveis.

 

Sara: Com o que?

 

Carol: Com o acidente.

 

Sara: Hum.. Carol, eu estava pensando sobre isso um dia… Eu entendo que ver um avião explodindo na sua frente não é a melhor visão do mundo, mas tragédias acontecem e você nem se machucou. Eu sei que ver pessoas morrendo e não poder fazer nada dá uma sensação de impotência, mas você tem que dar graças a Deus que nem você, nem algum conhecido morreram.

 

Carol faz força para não chorar e Sara nota

 

Sara: Ou morreu?

 

Carol começa a chorar e corre para os braços de Sara. Ela se espanta com a reação da irmã.

 

Sara: Tem algo que eu deva saber a respeito, Carol?

 

 

12. INTERNA – MANHÃ – APARTAMENTO DE VERA – SALA

 

Rebeca: Bom dia!

 

Vera: Bom dia, flor do dia!

 

Rebeca se senta à mesa

 

Vera: Que horas você chegou ontem? Dormi feito uma pedra, nem ouvi a porta abrindo.

 

Rebeca: Acho que 2h… 2h30 no máximo.

 

Vera: E com quem era o encontro?

 

Rebeca: Quem disse que era um encontro?

 

Vera: Pela sua felicidade hoje de manhã, só pode ser um encontro.

 

Rebeca: Ok, Dona Vera Santos, eu vou acreditar que a senhora não ficou acordada me esperando e que não viu com quem eu cheguei.

 

Vera: Até que ele é bonito.

 

Rebeca: Mãe! Pára!

 

Vera: Qual o nome dele?

 

Rebeca: Guilherme… Guilherme Júnior.

 

Vera reage.

 

Vera: E… Vocês já ficaram?

 

Rebeca: Não… – responde, intrigada pelas perguntas da mãe, já que as duas nunca entraram nesse detalhes.

 

Vera: Hum.. Melhor mesmo. Vai ver nem vai dar certo e você fica se iludindo.

 

Rebeca: Credo, mãe.

 

Vera: Eu só quero te proteger.

 

 

12. INTERNA – MANHÃ – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DE CAROL

 

Carol, já mais calma, decide contar a Sara o real motivo de estar traumatizada com viagens de avião.

 

Carol: Não foi só porque eu vi aquele avião da TAM caindo que eu me abalei tanto…

 

Sara: Tinha algum amigo no vôo. – instiga Sara.

 

Carol: Mais que amigo.

 

Sara: Um namorado? – pergunta, bastante surpresa.

 

Carol começa a lacrimejar.

 

Carol: Tudo estava indo tão bem, Sara. Dois meses felizes, sem ninguém para atrapalhar. Eu já podia chamá-lo de namorado, sabe? – respira fundo – Pela primeira vez em tanto tempo, eu senti a minha vida tomando um rumo. Eu senti que eu ia ter alguém pra passar o resto da minha vida – relata, desabando em choro. – Eu sei que era cedo para isso, mas eu sentia algo especial por ele.

 

Sara a abraça.

 

Carol: Ele não merecia aquilo. Ele era tão jovem. Nós já tínhamos decidido assumir e apresentar um ao outro às nossas famílias. Ele tava voltando de uma viagem para Gramado. E eu não pude fazer nada. Nada, Sara. Nada…

 

Sara não diz nada e só abraça a irmã. De certa forma, ela sentia que a irmã precisou daquele abraço durante muito tempo e que não precisava dizer mais nada. De repente, Tomás bate na porta.

 

Tomás: Carol, o taxista não quer esperar mais!

 

Sara: Ela já vai!

 

Sara enxuga as lágrimas da irmã e dá um beijo em sua testa.

 

Sara: Quem disse que a sua vida não tem rumo? Carol, de todas as mulheres que eu conheço, você é a mais determinada! Ah! Quem me dera ter metade da sua determinação. Você é feliz, e sabe disso. Só precisa encontrar alguém para dividir isso, mas o tempo ainda não chegou. Agora, vamos. Vamos se não eu vou ter que te levar à rodoviária e eu já estou atrasada.

 

Carol segura à mão da irmã.

 

Carol: Obrigada.

 

Sara: Eu te amo.

 

Carol sorri para a irmã, mais calma.

 

 

13. INTERNA – MANHÃ – CASA DOS ANDRADES – SALA DE ESTAR

 

Sara e Carol estão descendo as escadas e Tomás com as malas, quando Guilherme aparece.

 

Guilherme: Ia embora sem se despedir de mim?

 

Tomás e Sara não param para falar com o pai e vão para o táxi.

 

Carol: O senhor há de convir que esteja merecendo.

 

Guilherme: Você não muda.

 

Carol: Mas o senhor bem que podia mudar com o Carlos.

 

Guilherme dá um sorriso amarelo e um beijo na testa de Carol.

 

Guilherme: Vai com Deus, filha.

 

Carol não gosta da atitude do pai e só sai, sem dizer nada.

 

 

14. EXTERNA – MANHÃ – TÁXI

 

Tomás e Sara abraçam Carol e chega a vez de Nora se despedir.

 

Carol: Tchau, mãe.

 

Nora a puxa e lhe dá um abraço longo.

 

Nora: Volte mais vezes, por favor. Seu quarto vai estar sempre aqui.

 

Carol olha para a mãe, emocionada e se emociona também.

 

Carol: Eu sei. Eu sei que não precisa pedir, também, mas cuida bem de todos, ta?

 

Nora faz um sim com a cabeça. Carol entra no táxi e segue em direção à rodoviária.

 

Sara: Bem, eu preciso ir.

 

Tomás: Você vai para a livraria?

 

Sara: Não agora. Preciso fazer umas coisas antes.

 

 

15. INTERNA – MANHÃ – ESCRITÓRIO DE CARLOS

 

Carlos está no escritório pensando na discussão com Guilherme quando seu telefone toca.

 

Carlos: Ok, Deus, eu não preciso que seja minha mãe agora, por favor, tenha piedade!

 

Ele olha o visor e vê que é um número desconhecido:

 

Carlos: Alô?

 

Joana: Carlinhos?

 

Carlos: Eu… Quem é?

 

Joana: Joana. Ainda lembra-se dessa velha amiga?

 

Carlos: Jô! Claro! Como esquecer a única mulher que tirava notas mais altas que eu na classe?

 

Joana: Ah! Bons tempos, querido.

 

Carlos: Mas a que devo a honra da ligação?

 

Joana: Eu sei que isso parece egoísta, que eu só te ligo quando preciso de algo, mas como eu sei que você faria o mesmo, não pensei duas vezes!

 

Carlos: Meu Deus, qual a imagem que as pessoas têm de mim?

 

Joana: De um advogado, talentoso e prestativo, que não deixa uma velha amiga na mão!

 

Carlos: Tá bom chega de babação, qual o caso?

 

Joana: É o seguinte: Comprei um pacote caríiiissimo para a Europa e na véspera da minha viagem, uma das minhas maiores clientes resolveu se separar. E eu preciso de alguém que me cubra nessa. E então?

 

Carlos: Uau! Que chique! Ela paga tão bem assim?

 

Joana: Isso é um sim?

 

Carlos: Joaaaana…

 

Joana: Que tal um encontro para eu apresentá-los? Vocês já vão se conhecendo e você tomando noção das proporções do caso.

 

Carlos: Ok, mas eu ainda me reservo no direito de recusar se ela for uma daquelas dondocas cheia de botox.

 

Joana: Que tal um almoço hoje às 13h?

 

Carlos: No restaurante de sempre? Aquele dos nossos áureos tempos de bacharéis em Direito recém saídos da Universidade?

 

Joana: Fechado!

 

 

16. INTERNA – MANHÃ – HOSPITAL

 

Recepcionista: Pois não?

 

Sara: Oi… Eu vim buscar um exame de gravidez.

 

Recepcionista: Qual o nome, por favor?

 

Sara: Sara Andrade Viana.

 

A recepcionista começa a procurar e Sara acompanha o movimento dos dedos dela passando os envelopes.

 

Sara: Tudo isso são exames de gravidez?

 

Recepcionista: Não, não. Temos vários tipos de exames aqui. Por quê? Está com medo que seu filho nasça junto com muitos outros?

 

Sara: A senhora já sabe o meu resultado?

 

A recepcionista encontra o exame de Sara

 

Recepcionista: Não, mas estou louca pra saber!

 

Sara pega o envelope e abre.

 

Recepcionista: E então? Vai ser mamãe?

 

Sara se emociona e a recepcionista a parabeniza

 

Sara: Não… Isso não podia estar acontecendo – sussurra.

 

Recepcionista: O que foi? Não está feliz? Eu sei que uma gravidez nem sempre é motivo de alegria, mas um filho é sempre uma bênção.

 

Sara: Eu sei… Três vezes eu sei. Obrigada pelo exame – diz Sara se levantando e estendendo a mão para a recepcionista.

 

A recepcionista segura Sara pela mão e a encara

 

Recepcionista: Espero ver você aqui ainda com um barrigão. Prazer, meu nome é Janete.

 

Sara: Prazer, Janete. Obrigada.

 

 

17. INTERNA – MANHÃ – ÔNIBUS

 

Carol sai do banheiro do ônibus e se encaminha para o seu lugar. No meio do caminho, o ônibus passa em um buraco e Carol se desequilibra, caindo no colo de um homem. Carol e o homem se encaram, constrangidos, mas Carol se encanta pelos olhos verdes do rapaz e não faz menção de se levantar do colo dele.

 

Tato: Eeer… Moça… O meu lanche.

 

Carol: Hã? – diz Carol, hipnotizada.

 

Tato: Você… Sentou em cima do meu lanche.

 

Carol dá um pulo e se levanta.

 

Carol: Ai Meu Deus, me perdoa. Eu juro que não foi minha culpa. Foi um buraco.

 

Tato: É, eu vi. Tudo bem, eu sei que não vai acontecer de novo.

 

O ônibus passa em um buraco de novo e Carol cai de frente para ele, novamente.

 

Carol: Comigo tudo sempre pode acontecer de novo, pode acreditar.

 

Tato: Bem… Prazer, Tato.

 

Carol: Ai que nome su-ges-ti-vo! Carol.

 

Os dois apertam as mãos e o celular de Carol toca.

 

Carol: Vou ter que atender.

 

Carol sai de cima de Tato e volta para o seu lugar.

 

Carol: Você tinha que atrapalhar.

 

Carlos: Atrapalhar o quê?

 

Carol: Uma visão privilegiada de um belo par de olhos verdes.

 

Carlos: Você está dando em cima de alguém no ônibus?

 

Carol: Você não quer mesmo que eu te lembre do significado de C.A., quer?

 

Carlos: Até quando vocês vão me perseguir por isso? Eu posso virar um mártir com irmãos como vocês.

 

Carol: Ah! Mas ele é lindo – diz Carol, observando Tato tirar um cochilo.

 

Carlos: Pega o telefone dele. Pergunta se ele mora em São Paulo.

 

Carol: É… É isso que eu vou fazer, mas só quando o ônibus parar.

 

 

18. INTERNA – TARDE – ORFANATO SANTA CLARA DE ASSIS

 

Toda semana, Nora ia a este orfanato para levar alguma doação e passar um tempo com os órfãos de lá.

 

Nora: E então, veio o caçador e tirou a vovó e a Chapeuzinho Vermelho de dentro da barriga do lobo. O caçador e a Chapeuzinho se casaram e viveram felizes para sempre!

 

As crianças aplaudem e Nora abre um sorriso. Depois, Nora se encaminha para a sala da diretora. Ela bate na porta.

 

Walquíria Matos: Pois não?

 

Nora entra

 

Nora: Com licença. Eu só vim me despedir.

 

Walquíria: Ah Nora! Quero que você conheça esse casal. Pais, essa é a Senhora Nora Andrade, uma de nossas colaboradoras. Nora, estes são Angélica e Antônio Torres. Eles são os pais que vão adotar a Paulinha.

 

Nora: Oh! Meus parabéns, a filha de vocês é uma das crianças mais atenciosas do orfanato. Um doce de menina!

 

Paulinha entra correndo na sala.

 

Walquíria: Pronto! Agora vocês já podem ir!

 

Paulinha dá um abraço em Walquíria e Nora e vai embora com seus novos pais. Nora observa a cena, emocionada.

 

Nora: A adoção é um ato tão lindo não é mesmo?

 

Walquíria: Com certeza. Ainda mais quando o casal não se importa com a idade da criança. O importante é ter um filho, se sentir pai e mãe. E amar a criança sem importar como ela seja.

 

Nora pensa nas palavras de Walquíria e se despede, saindo apressada.

 

 

19. INTERNA – TARDE – RESTAURANTE

 

Carlos está sentado bebendo um suco no restaurante quando avista Joana. Carlos acena e Joana o vê. Ela se aproxima sozinha. Eles se cumprimentam.

 

Carlos: E a sua cliente?

 

Joana: Está vindo logo atrás. Ah! Esse lugar não mudou nada. Ainda posso ouvir nossas risadas eufóricas de anos atrás.

 

Carlos: Bons tempos.

 

Carlos se vira para a porta e vê uma mulher com um vestido preto brilhante e luvas.

 

Carlos: Meu Deus! Avisaram para aquela mulher que vestido preto com brilho pela manhã é como branco em casamento? E aquelas luvas? Coitada…

 

Ele a percebe se aproximando e se vira para Joana, que já está rindo.

 

Carlos: Não… Você não fez isso comigo…

 

Joana: Pode apostar que sim! Dona Yolanda, que prazer em revê-la. Esse é meu amigo de quem lhe falei. Carlos, Yolanda. Yolanda, Carlos.

 

Carlos: Muito prazer – diz, envergonhado.

 

Yolanda: Ah querido, o prazer é todo seu, tenho certeza, afinal vai ganhar um bom dinheiro com meu divórcio.

 

Carlos fica visivelmente constrangido

 

 

20. EXTERNA – TARDE – RODOVIÁRIA

 

Carol vê por um espelho em seu estojo de maquiagem Tato se levantando para descer e se levanta propositalmente na sua frente. Ela pega sua bagagem de mão e ele tenta passar por trás dela.

 

Carol: Você pode me ajudar?

 

Tato puxa a bolsa de Carol.

 

Carol: Obrigada.

 

Ele sorri e os dois descem do ônibus. Ele fica esperando a bagagem mais pesada, quando ela dá falta do celular e volta correndo para pegar dentro do ônibus.

Ela acha o celular e volta. Quando se prepara para descer, vê Tato beijando sua namorada. Carol se desequilibra e cai da mini-escada do ônibus, dando um grito alto. Tato e a namorada se aproximam para ajudar.

 

Tato: Você tem labirintite?

 

Carol: Hã?

 

Tato: É… Labirintite… Aquela doença que as pessoas ficam tontas e sem equilíbrio, sabe?

 

Carol: Eu já disse que as duas outras vezes que eu caí foram por conta dos buracos da estrada. Aliás, – fala se virando para a namorada de Tato – você não acha que as estradas do Brasil são bem esburacadas?

 

Namorada de Tato: Realmente.

 

Carol: Pois é, com licença, vou pegar minha bagagem.

 

Tato: Você não quer uma carona?

 

Carol: Não! Obrigada, você já me ajudou bastante hoje – diz, desolada.

 

Tato: Tudo bem, então. Foi um prazer!

 

Carol: O prazer foi meu.

 

Carol observa Tato e a namorada se afastando e pensa alto.

 

Carol: Um dia eu consigo. Um dia eu consigo.

 

O motorista está esperando Carol pegar a bagagem e a observava falando sozinha.

 

Carol: O que foi? Perdeu alguma coisa? Eu hein…

 

Carol entra em um táxi e seu celular toca. Ela olha o visor e respira fundo.

 

Carol: Olá, querido chefinho!

 

Frank: Carolzinha, minha querida! Já em São Paulo?

 

O táxi faz uma curva e Carol avista um senhor engarrafamento.

 

Carol: Pode apostar que sim!

 

 

21. INTERNA – TARDE – RESTAURANTE

 

Yolanda: Então é basicamente isso: o cretino me traiu e agora eu quero tudo o que tenho direito. Simples.

 

Joana: Bem, eu já expliquei que não é tão simples assim, Dona Yolanda, até porque o adultério não dá ao conjugue traído o direito de ter tudo do outro.

 

Yolanda: Querida, até parece que você não me conhece… Quando eu quero, eu tenho. E então, meu querido, aceita ou não aceita ser o meu advogado nesse caso.

 

As duas se voltam para Carlos e ele se mostra assustado

 

Carlos: Errr… Bem… Eu preciso analisar… Não sei se vou ter tempo para…

 

Yolanda o interrompe

 

Yolanda: Quanto?

 

Carlos: Também não é assim, Dona Yolanda. Não é uma questão financeira. É uma questão de prioridades. Me dê um tempo para pensar. Prometo que vou pensar com carinho.

 

Yolanda se levanta

 

Yolanda: Tudo bem. Agora eu tenho que ir, pois tenho uma aplicação de botox marcada para as 15h.

 

Carlos: Botox? Mas a senhora nem precisa!

 

Yolanda: Gays… Mentem tão bem. – diz, saindo.

 

Carlos: Como ela sabe que eu sou gay? Você contou?

 

Joana: Aham! Ela me perguntou se dormindo com você ela não conseguiria que você a defendesse de graça.

 

Carlos: Meu  Deeeeus! Ela é uma vaca, então.

 

Joana: Tanto quanto o marido foi um cachorro com ela. Mas e então, promete que vai pensar?

 

Carlos respira fundo.

 

Carlos: Prometo.

 

Joana: Yes!

 

 

22. INTERNA – TARDE – ESCRITÓRIO DA ANDANÇAS – MATRIZ

 

Nora surpreende Guilherme no escritório.

 

Guilherme: Meu bem! Que surpresa boa!

 

Nora: Eu precisava conversar com você e eu preferia que não fosse à nossa casa.

 

Guilherme: Não precisa nem dizer o motivo.

 

Nora: Você acha mesmo que está com a razão? Você tem noção das coisas terríveis que disse ao Carlos?

 

Guilherme: Ok. Eu me exaltei, exagerei. Mas eu precisava dizer aquilo, e se tivesse mesmo algum fornecedor naquele restaurante?

 

Nora: Pouco me importa os seus fornecedores, seus negócios. É isso que traz dinheiro para a nossa família? É! Mas isso não te dá o direito de pôr isso à frente do direito dos nossos filhos de buscarem a felicidade.

 

Guilherme: A felicidade de um homem é ao lado de uma mulher!

 

Nora: A felicidade de uma pessoa é ao lado de quem ela escolheu para si. Seja ela quem for.

 

Guilherme e Nora se encaram.

 

Nora: Hoje eu estava no orfanato e vi um casal adotando uma menina já crescidinha. Achei aquilo tão lindo. Uma nova família se formando, sem preconceitos, estereótipos, começando do zero. – diz, dando uma indireta.

 

Guilherme e Nora se encaram de novo.

 

Nora: Eu só queria que você soubesse que eu estou muito magoada com você e que eu nunca vou concordar com isso. – diz, saindo.

 

Guilherme leva as mãos à cabeça e respira.

 

 

23. INTERNA – TARDE – ANDANÇAS – MATRIZ

 

Tomás: Mãe! Mãe, espera!

 

Nora: Oi filho, eu já estou atrasada.

 

Tomás: O que aconteceu? – pergunta, angustiado.

 

Nora: Eu e seu pai discutimos, só isso.

 

Neste momento, Vera surge e se aproxima.

 

Vera: Olá, Tomás!

 

Tomás: Vera! Deixa eu te apresentar a minha mãe. Mãe, essa é a Vera, uma das clientes mais fiéis à livraria.

 

Nora e Vera apertam as mãos.

 

Nora: Prazer, Vera, mas eu já estava de saída.

 

Vera: Sem problemas, foi um prazer também.

 

Nora dá um beijo em Tomás e vai embora.

 

Vera: E então, alguma novidade para mim?

 

 

24. INTERNA – FIM DE TARDE – ESCRITÓRIO DE CARLOS

 

Alguém bate na porta e Carlos vê que não conhece a pessoa. Ele abre a porta e diz que já estava indo embora. Um homem mais velho, bonito pede para conversar alguns minutos com Carlos. Ele deixa e o homem entra.

 

Carlos: Nós já nos conhecemos?

 

Camilo: Não! Mas a minha esposa você já conhece. Prazer, Camilo Fontenelle…

 

Carlos: Ah! Claro! O marido de Dona Yolanda.

 

Camilo: Futuro ex, se Deus quiser.

 

Carlos: A que devo a visita?

 

Camilo: Eu só vim aqui para alertá-lo. A Yolanda é muito deslumbrada e acha que vai ser fácil arrancar alguma coisa de mim. Um caso de pessoas tão poderosas e famosas no high society do Rio pode arranhar a sua carreira, rapaz.

 

Carlos: Pelo visto, onde o senhor descobriu meu nome e escritório também não tinha o meu currículo junto. Com o perdão da palavra, Sr. Camilo, mas a minha fase de temer ameaças e casos como o seu, já passou.

 

Camilo: Tenho que admitir que você esbanja confiança

 

Carlos: E você petulância.

 

Camilo: Nós ainda vamos nos encontrar muito, Carlos Andrade. E você não vai gostar dos encontros.

 

Carlos aponta a porta e Camilo sai. Carlos fica inquieto e não se contém.

 

Carlos: Alô? Joana? Carlos… Eu aceito o caso da Dona Yolanda, sim. Nós vamos acabar com o marido dela!

 

 

25. INTERNA – FIM DE TARDE – CASA DE VERA

 

Rebeca está chegando, quando o telefone toca.

 

Rebeca: Oi!

 

Júnior: Oi! E aí? Como está?

 

Rebeca: Bem e você?

 

Júnior: Bem também. Algum plano para hoje?

 

Rebeca: Sim! Estudar! E você?

 

Júnior: Eu deveria compor o jingle, mas acho que prefiro a companhia de alguém.

 

Rebeca: Pois esse alguém sou eu?

 

Júnior: Tecnicamente, sim.

 

Rebeca: Pois esse alguém não quer ser culpada pelo fracasso do jingle da propaganda. Pode ir trabalhar, Sr. Júnior.

 

Júnior: Incrível como você me convence a fazer as coisas. Minha mãe morreria de inveja.

 

Rebeca ri e desliga o telefone. Júnior fica com o celular na mão, pensativo.

 

 

26. INTERNA – COMEÇO DA NOITE – APARTAMENTO DE SARA

 

Sara chega e encontra Fernando dedilhando o violão.

 

Sara: Chegando primeiro que eu? Que milagre!

 

Dudu: O papai não foi trabalhar hoje! – passa correndo.

 

Sara: Ah não?

 

Fernando: A dor de cabeça não me largou.

 

Sara: Dor de cabeça? Sei…

 

Sara tenta ficar de frente para Fernando, mas ele foge da mulher.

 

Sara: Ok, você está mentindo para mim. Agora ou você fala, ou você fala.

 

Fernando a encara e respira fundo.

 

Fernando: Eu fui demitido.

 

Sara tapa a boca com as mãos num sinal de espanto.

 

Sara: Meu Deus… Quando? Por quê?

 

Fernando: Ontem, discuti com meu chefe e ele não gostou do que eu disse.

 

Sara: E o que você disse?

 

Fernando: Que ele não pode se associar a uma empresa que constrói casas com um material vagabundo para economizar. Seria um suicídio, iria sujar o nome da empresa e a credibilidade de quem está lá dentro. – conta, um pouco exaltado.

 

Sara não consegue encarar Fernando e passa as mãos no ventre rapidamente. Ele se levanta e a abraça por trás.

 

Fernando: Mas tudo vai dar certo – diz tentando não deixar a esposa preocupada.

 

Sara se vira e o abraça. Ela percebe que Fernando está triste. Ela o olha nos olhos.

 

Sara: Eu tenho certeza disso! Você vai conseguir algo muito melhor!

 

Eles se dão as mãos e um selinho e ele sai para o quarto.

 

Fernando: Há quanto tempo você não me via triste desse jeito? – gritando do quarto.

 

Sara: Desde que você perdeu o último show do U2 aqui no Brasil.

 

Sara pega o exame de gravidez e fica em dúvida se conta ou não para Fernando. Ela decide não contar a verdade, liga o fogo do fogão e queima o exame ali mesmo. Fernando volta do banheiro e vê a cena.

 

Fernando: O que você está queimando?

 

Sara se assusta e deixa o exame cair. Pisa nele e apaga o fogo, deixando ele queimado pela metade. Fernando se aproxima e se abaixa para pegar e Sara se abaixa também. De repente, Sara sente uma pontada e segura em Fernando para não cair.

 

Fernando: Amor? Tudo bem?

 

Sara: Não, não ta. Me leva para o hospital. – diz, gritando de dor logo em seguida.

 

 

Continua…

 

 

 

 

Trilha Sonora

 

Cena 4: Keep on ridin’ Champion

 

Cena 9: Perfect Strangers Emma Bunton

 

Cena 12: Minha herança: uma flor – Vanessa da Mata

 

Cena 17: Miss halfway Anya Marina

6 Respostas to “De Mãos Dadas”

  1. Carine Dávalos Says:

    Isso tá ficando muito emocionante… não consigo mais parar de ler e quando eu me dou conta acabou! =/
    Ai ai… não é por nada não, mas tinha que ter um barraco no episódio que edízio escreveu!!! A tirada do possivel incesto… eu quero maaaaaaaaaaaaaais!!!
    esperando pelo próximo!!!
    o/

  2. nanny Says:

    ahhhhh….eu adorei, e claramente perceptivel que tu que escreveu, todas as jogadas de palavras, jeito, tudo…ficou otimoooooooo=)
    e super ansiosa já=/
    e é a mais pura verdade, vc vai lendo lendo, se emocionando, e poft…acaba….=/
    adoreiiiiii

  3. Natie Says:

    OMG! Vcs tem talento… 🙂
    Minhas cenas preferidas desse episodio foram as de Junior e Rebeca! Q legal ver a Rebeca começando a dar um jeito nele e ver ela tao responsavel… Ja gostei dela!
    Adorei a cena com os irmãos: Sara e Carol no banheiro e Tomás e Carlos no apt do Carlos! Mais a briga no café, claro!
    Carol lembrando do trauma do aviao foi excelente tambem!
    Ta ficando cliche, mas espero ansiosa pelo proximo!
    Beijoos…

  4. Karen Says:

    Eu continuo adorando essas historias…
    tow ansiosa pra ver o Carlos com esse caso e a Carol encontrar logo alguem!!!

    kkkk

    O que vai acontecer c a Sara aiaiai…
    esperando o proximo!
    bjsss

  5. Caroline Says:

    Já estou na espera pelo próximo episódio. Gostei bastante!!!

  6. Laís Says:

    Cada vez mais emocionante, estou amando!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s