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Nos episódios anteriores: Tomás e Vitória decidem o nome do filho em um sorteio. Sara e Saulo confrontam Tomás sobre os problemas da livraria. Nora decide aceitar a proposta de Walquíria. Carol entrevista Roberto Pellegrini. E os Andrades foram surpreendidos com o lado de Guilherme que eles não conheciam.

1. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES

Carol: Por que não fazem mais despertadores como antes? – diz Carol, descendo as escadas correndo, atrasada.

Júnior: Uma vergonha… Eu acordando primeiro que você! Decepcionante Ana Carolina. – diz, debochando.

Carol o fuzila com o olhar enquanto toma rapidamente um copo de suco. Nora chega e vê a cena.

Nora: Menina tome seu café direito, saco vazio não pára em pé.

Carol: Eu bem que queria mãe, mas hoje não dá. Cadê a minha agenda?

Júnior: Você deixou em cima da mesa da sala.

Carol corre para buscar a agenda. Ela lê seus compromissos em voz alta.

Carol: 9 horas: Caminhada de Luís Marques na Lapa; Meio-dia: Roberto Pellegrini tem almoço com moradores no Quintino; 3 da tarde: Sebastião Ramos visita uma Universidade. Olha! É a universidade que o Carlos se formou. Enfim, preciso ir. – diz, pegando a bolsa e a chave do carro.

Júnior: Antes de voltar pra casa, abastece pra mim?

Carol: Tudo bem! Beijos!

Nora: Beijo!

Júnior: Beijo!

Carol bate a porta da casa, e o telefone toca. Júnior atende.

Júnior: Alô?

Estagiária: Bom dia, a Carol está?

Júnior: Acabou de sair. Quer deixar recado?

Estagiária: Ai não…

Júnior: Algum problema?

Estagiária: Ela está com algum problema no celular? Não consigo falar com ela.

Júnior: Não sei, não comentou comigo. Mas, há algum problema?

Estagiária: Eu passei a agenda dos candidatos com um erro para ela, preciso corrigir urgentemente.

Júnior: Ops…

2. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

Sara: Eduardo Andrade Viana, calce os seus sapatos imediatamente.

Gabriel: Toda vez que ela chama a gente pelo nome completo, ela está nervosa de verdade. – diz Gabriel olhando para Rafaela.

Rafaela: Eu sei. O que a mamãe tem papai? – diz Rafaela olhando para Fernando.

Os três observavam Sara lendo alguns papéis numa mão, comendo uma torrada em outra, enquanto arrumava sua bolsa andando de um lado para outro.

Fernando: Uma coisa muito chata que vocês provavelmente não vão gostar de fazer quando crescerem: trabalho.

Os três riem, e Sara os encara.

Sara: Vocês bem que podiam cooperar comigo. – diz num tom de quem está chateada.

Fernando: Eu vou colocar as mochilas no carro.

Rafaela: Mãe, esse suco está muito doce.

Sara: Filha, você já está bem grandinha para pegar outro copo e colocar suco sem açúcar para você.

Gabriel: Esse suco era o meu, Rafa.

Rafaela: Não tinha seu nome nele.

Gabriel: Me dá o suco!

Rafaela: Não! Agora vou tomar até o fim!

Gabriel: Você não pode. – diz, avançando para tomar o suco da mão dela.

Sara: Eduardo, você já calçou o seu sapato?

Rafaela: Ai! Mãããe, o Gabs tá me machucando.

Sara ouve o som de algo quebrando e vê Dudu, descalço, diante dos cacos de um jarro que ele derrubou.

Sara: Agora chega! – diz, brava – Os três arrumando tudo e indo para o carro.

Os gêmeos olham para a mãe, com cara de choro.

Sara: Agora! Eu não vou pedir duas vezes.

Eduardo se calça, Rafaela devolve o suco para Gabriel e ele toma rapidamente. Gabriel e Rafaela saem, e Eduardo se prepara para juntar os cacos, mas Sara o impede.

Sara: Não filho, não precisa. Pode ir para o carro com seus irmãos.

Dudu: Desculpa, mamãe. – diz, dando um beijo em Sara.

Sara retribui o beijo, e Eduardo vai para o carro. Ela olha para seu apartamento, consideravelmente desorganizado, e respira fundo.

3. EXTERNA – DIA – CARRO DE JÚNIOR

Carol percebe que seu celular ainda não tocou e acha estranho. Aproveita que parou em um sinal e o retira da bolsa, tomando um susto quando o encontra desligado.

Carol: Droga! Deve ter umas 15 chamadas não atendidas do pessoal do jornal. – diz, ligando o aparelho.

O celular recebe uma mensagem, e ela lê em voz alta.

Carol: Carol, a estagiária ligou e disse que te deu as agendas erradas. Me ligue. Estou com a agenda certa. Júnior.

O sinal abre, e os carros começam a buzinar para Carol arrancar o carro.

Carol: Eu mato aquela mulher.

4. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA ADVOCACIA

Algumas semanas tinham se passado desde que Carlos passou o caso de Yolanda e Camilo para Valentina. Os sócios da firma estavam anunciando a promoção dela, pois venceu o caso Fontenelle, gerando um grande lucro para a firma e ganhando mais uma cliente. Carlos e ela eram os indicados para a promoção, e, com o caso, ela acabou tomando a frente.

Tiago: Eu sinto muito, Carlos.

Carlos: Ela mereceu, é uma excelente advogada.

Tiago: Você também.

Carlos agradece com um sorriso amarelo e volta para sua sala. Ele pensa em como foi inocente com Camilo e promete não se deixar mais enganar daquela forma. Seu celular toca.

Carlos: Oi Tomás!

Tomás: Planos para o almoço?

Carlos: Nada ainda… Talvez uma salada de cicuta…

Tomás: Meu Deus, Carlos… É só um caso. Você vence outro depois fácil, fácil.

Carlos: É… Eu sei. – diz, ainda triste.

Tomás: Então, que tal almoçarmos? Já convidei o Júnior, faz tempo que os homens dessa família não saem juntos.

Carlos: Pode ser, estou mesmo precisando me distrair.

Tomás: Tem um restaurante muito bom perto de onde a Vitória trabalha, inaugurou recentemente. O nome é Oriente.

Carlos: Mas não éramos só nós três?

Tomás: Não. A Vitória não vai, prometo.

Carlos: Tudo bem, então. Que horas?

Tomás: Às 13h, tá bom?

Carlos: Vou chegar mais cedo, ok?

Tomás: Tudo bem, até mais!

Carlos: Té!

5. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DE JÚNIOR

Júnior: Mãe! Essa camisa não é aí!

Nora: E alguma coisa nesse quarto tem local definido? Isso aqui está uma bagunça!

Júnior: Também não é pra tanto.

Nora: Seu celular tocou enquanto você estava no banho. Era a Rebeca.

Júnior: E você atendeu?

Nora: Claro que não. Ao contrário do que vocês pensam, eu respeito a privacidade dos meus filhos.

Júnior pega o celular e liga para Rebeca na frente de Nora.

Júnior: Me ligou?

Rebeca: Sim… Liguei pra saber como você estava, faz tempo que não nos falamos.

Júnior: Bem, bem. E você? – diz, andando pelo quarto.

Nora o seguia com o olhar.

Rebeca: Confusa. Queria conversar com você.

Júnior: Tudo bem. O meu irmão me chamou para almoçar, podíamos nos ver à noite. Tudo bem pra você?

Rebeca: Não… Tenho um evento para fotografar, um bico que tô fazendo pra não ter que correr pedindo dinheiro para a minha mãe.

Júnior: Então amanhã?

Rebeca: Amanhã está ótimo.

Júnior: Beijo!

Rebeca: Beijo!

Júnior desliga o celular, e Nora já o encarava.

Júnior: O que foi, mamãe?

Nora: Eu não gosto da sua aproximação com essa menina.

Júnior: Você não conhece a Rebeca, portanto não devia julgá-la por causa da mãe dela.

Nora: Filho de peixe… – ironiza.

Júnior: Pra sua informação ela saiu de casa assim que soube de tudo, não fala com a mãe há um bom tempo e está trabalhando para se sustentar.

Nora: Como todo adulto devia fazer…

Júnior: Mãe…

Nora: Ah, Júnior! Me entenda, filho! Ela é a prova concreta de que seu pai me traiu. Não me peça para conviver e aceitá-la facilmente. – diz rígida.

Júnior: E não me peça para não conviver com a minha meia-irmã, que é a única que não me lembra de cinco em cinco minutos como eu sou despreocupado, imaturo e irresponsável etc, etc e etc. – enfrenta.

Nora: Enfim, eu vou para o orfanato. Mande um beijo para seus irmãos.

Júnior observa Nora sair e começa a se arrumar.

6. EXTERNA – DIA – BAIRRO DO QUINTINO

Carol estava com a agenda errada dos candidatos por uma confusão da estagiária do jornal. Quando achava que deveria ir a uma caminhada na Lapa do candidato Luis Marques, na verdade, deveria estar no bairro do Quintino para uma caminhada de Roberto Pellegrini.

Carol: Eu mato aquela mulher. Eu mato aquela mulher. Eu mato aquela mulher. – diz, dirigindo-se ao local onde Roberto discursa. – Pelo visto cheguei ao fim do discurso. Droga.

Carol vê Lílian de longe e acena. Ela faz menção de quem vai se dirigir até a irmã de Roberto, mas um carro passa por cima de uma poça d’água e molha Carol inteira.

Carol: Filho da… Lílian… Tudo bom? – diz, estendendo a mão para cumprimentar Lílian, mas a retira em seguida, pois percebe que não seria educado cumprimentar alguém com a mão molhada, sabe-se lá do quê.

Lílian: Tudo bem comigo, mas você parece que está com um pequeno probleminha.

Carol: Você não sabe o quanto.

Roberto: Carol Andrade. Nossa! O que aconteceu com você?

Carol: Um pequeno incidente. Mas, candidato, um saldo positivo da caminhada?

Roberto a olha intrigado.

Roberto: O corpo a corpo por mais de 30 minutos rodando por Quintino? Excelente. Você não achou?

Carol: Caminhadas são realmente uma boa estratégia.

Lílian ri, e Roberto acompanha a irmã. Carol fica sentindo-se deslocada e esboça um sorriso amarelo.

Carol: Algum problema? – diz, rindo constrangida.

Lílian: Não houve caminhada, Carol.

Carol: Não?

Roberto: Não, sinto desapontá-la. Foi apenas um comício matinal.

Carol mais uma vez sente vontade de matar a sua estagiária.

Carol: Eu peço perdão. A nova estagiária trocou as agendas dos candidatos.

Roberto: Não se preocupe, nós já sabemos que você adora trocar nomes, lugares, cargos, não é mesmo?

Carol ri, ironicamente.

Carol: Pois bem, Lílian – enfatiza – eu vou indo, já que não há mais nada para se cobrir aqui.

Roberto: Claro que há!

Roberto tira o blazer de Lílian e cobre Carol.

Roberto: Uma mulher de roupa branca e molhada sempre precisa cobrir alguma coisa.

Carol olha para a parte de sua roupa que não foi coberta pelo blazer e vê que está transparente. Ela se despede rapidamente e sai correndo para seu carro, disfarçando.

Lílian: Me devolve depois! – grita, Lílian.

Roberto: Tão atrapalhada…

Lílian: Tão debochado… Ai ai… Como se eu não te conhecesse, Roberto Pellegrini…

Roberto ri e logo depois é abordado por um eleitor. Ele segue com a irmã e os seguranças para o carro.

7. INTERNA – DIA – ESCRITÓRIO DA ANDANÇAS – MATRIZ

Sara: Tomás! Reunião às 13h30 para falar daquele assunto. – diz, referindo-se às dívidas.

Tomás: Uma e meia, Sá?? Eu combinei de almoçar com o Ju e o Carlos.

Sara: Poxa, nem convida!

Tomás: Programa dos homens da família! – diz, dando um beijo na testa da irmã.

Sara: E as mulheres que se matem de trabalhar, né? Isso é injusto. – diz, aborrecida. Manda um beijo pra eles e não se atrase!

Tomás dá um tchau de costas para Sara, que o observa ir.

8. INTERNA – DIA – ORFANATO SANTA CLARA

Nora: Muito bem, alunos. Os que forem terminando podem colocar a redação em cima da mesa e sair para o almoço.

Os alunos aproveitam e mais da metade da sala levanta-se correndo para deixar a redação na mesa de Nora e ir almoçar.

Nora: Mas o que é isso? Aposto que não terminaram.

Bruna: Tchau, tia Nora. – diz, dando um beijo nela.

Nora: Tchau, minha querida.

Um dos órfãos aproxima-se de Nora e entrega a redação em suas mãos.

Felipe: Toma, tia Nora.

Nora: Ah! Obrigada, meu filho! Agora vá para o almoço.

Felipe: A senhora vai ler quando?

Nora: Hoje mesmo!

Felipe: Então tá! – ele dá um abraço em Nora e sai.

Nora observa o menino correr para almoçar.

9. INTERNA – TARDE – RESTAURANTE ORIENTE

Júnior: Por que o Tomás marcou com a gente nesse restaurante?

Carlos: Comida japonesa… Ele gosta de comida japonesa?

Júnior: Não que eu me lembre… Olha, lá vem ele!

Tomás aproxima-se.

Carlos: Qual o bom motivo que você tem para marcar com a gente num restaurante japonês se você não sabe comer com pauzinho?

Júnior: Sentiu a ambigüidade no tom de voz dele?

Carlos ri, cínico.

Tomás: Ah, manos! Fazia tanto tempo que não saíamos juntos. A última vez foi quando fomos ao Maracanã.

Carlos e Júnior se olham, desconfiados.

Júnior: É… Até que você tem razão.

Carlos: Então, vamos sentar?

Tomás: Sim, sim. Eu reservei essa mesa perto da porta.

Júnior e Carlos olham-se novamente, mais desconfiados ainda. Carlos vai sentando de frente para a porta, mas Tomás coloca-se a sua frente e toma seu lugar.

Carlos: Tá bom, Tomás, agora chega! Por que você trouxe a gente aqui?

Júnior: Aquela ali não é a Vitória?

Carlos e Tomás viram-se para a porta, e Tomás levanta-se acompanhando os passos da esposa. De repente, ele pega os irmãos pelos braços e os arrasta até a saída.

Júnior: Espera, espera, espera. O que a gente está fazendo, afinal? – diz, soltando-se do irmão.

Tomás: Tá bom, o plano é o seguinte: Nós vamos seguir a Vitória e…

Carlos: Vamos o quê????

Tomás: Seguir a Vitória…

Júnior: Mas por quê?

Tomás: Porque.. porque..

Carlos: Ela está te traindo?

Tomás: Não sei…

Júnior: Sério?? Caramba.. a Vitória…

Tomás: Mas calma, é só uma suspeita…

Carlos: Ela entrou no carro…

Os três se olham.

Júnior: Vamos!

Os três correm para os carros.

Carlos: Mas não é melhor num carro só?

Júnior: Ela ligou o carro!! – grita.

Tomás: Pssssh! Discrição! Vamos para o carro do Carlos – sussurra Tomás para Júnior.

Júnior e Tomás colocam os óculos escuros e se dirigem ao carro de Carlos. Eles entram no carro e começam a seguir Vitória.

10. INTERNA – TARDE – BANCO

Nora tinha saído do Orfanato para fazer algumas compras e aproveitou para pagar uma conta sua no banco. Estava parada na fila, esperando a sua vez. Mesmo tendo sessenta anos, Nora não se aproveitava disso, pois acredita que a fila de idosos é para pessoas que realmente não podem ficar em pé por muito tempo esperando. Nora paga a sua conta e quando se vira para ir embora, é surpreendida com uma cena que preferia não acreditar.

Vera: A senhora poderia pagar essa conta para mim? – diz, entregando um papel e dinheiro para uma senhora bem idosa que estava na fila para idosos. – É que eu estou muito atrasada e não posso enfrentar essa fila imensa.

Nora: Vera?

Vera e Nora se encaram, e Nora dá um sorriso terno.

Nora: Você não tem vergonha de pedir para uma senhora que poderia ser sua mãe pagar uma conta para você?

Vera: Eu estou atrasada e essa bela senhora não vai se importar, não é mesmo?

A senhora olha para Vera, depois olha para Nora e não sabe o que fazer.

Nora: Minha senhora, essa mulher que lhe pede para pagar a conta era amante do meu marido. Só por essa informação eu acredito que ela não merece a sua confiança. A senhora é casada? – ironiza.

Vera: Nora Andrade?

Nora: Pois não?

Vera: Isso não é assunto para se tratar aqui.

Nora: Tudo bem. Voltemos ao assunto desta bela senhora. Eu não acho que você deva fazê-la pagar essa conta. Afinal, todas essas pessoas estão enfrentando esta imensa fila – Nora aponta para as pessoas na fila que, a esta altura, já observavam a cena – para fazer a mesma coisa que você. Por que você, uma ex-chacrete – algumas pessoas na fila riem ­– cheia de vida e saúde não pode fazer o mesmo? A senhora não concorda?

A senhora olha assustada para Nora.

Vera: Esse foi o seu erro, Nora. Sempre tão certa, correta, recatada. Você não tinha o espírito do Guilherme, não conseguia acompanhá-lo como eu. A ambição, a vontade de ter mais que ele tinha. Ele encontrou tudo isso em mim. – diz baixo, só para Nora e a senhora escutarem.

Aquelas palavras doeram em Nora. Levando em consideração o que ela sabia de Guilherme, percebeu que Vera se parecia mesmo com ele nesse sentido.

Nora: Quer dizer que a idéia de não pagar o INSS foi sua, então?

A senhora na fila espanta-se.

Vera: Eu não sei do que você está falando, não fale besteiras!

Nora: Pois bem, não vou mais me prolongar nisso. Boa tarde, minha senhora.

A senhora balança a cabeça, em sinal de cumprimento. Nora sai e Vera ri para a senhora, dando a conta para ela pagar. A senhora vira a cara para Vera e é chamada para ser atendida. Vera observa todos no banco olhando-a, coloca seus óculos escuros e sai de fininho.

11. INTERNA – TARDE – CASA DOS ANDRADES

Carol voltou para casa para tomar um banho e almoçar, mas Nora não estava em casa para preparar o almoço.

Carol: Onde a mamãe guarda o açúcar?

Carol começa a abrir os armários e acha o açúcar. Ela adoça o seu suco e dá um gole.

Carol: Droga! – cospe o suco – Era sal!

Carol joga o suco fora e coloca o copo em cima da mesa. Ela se distrai e começa a pensar no que Roberto disse sobre ela sempre se confundir. Carol dá um discreto sorriso ao lembrar do político.

Nora: Carol? Filha? diz, colocando as compras na mesa.

Carol: Ai mãe! O que foi?

Nora: Eu que pergunto?! Esse sorriso de mulher apaixonada…

Carol: Apaixonada? Eu?

Nora: Claro! Esse sorriso e esses olhinhos apertados. Conheço você.

Carol: A senhora não sabe o que está falando. Enfim, não há mais comida nessa casa? Só porque voltou a trabalhar já está esquecendo que tem cinco filhos que precisam de sua atenção?

Nora vira-se para começar a cozinhar, e Carol ri de novo, do mesmo jeito apaixonado que sua mãe flagrou.

12. EXTERNA – TARDE – CARRO DE CARLOS

Tomás: Vai mais rápido, Carlos!

Júnior: Tomás, ela está a um carro à nossa frente.

Tomás: Mas tem um semáforo lá na frente.

Carlos: Olha, ela entrou no estacionamento do shopping.

Tomás: Shopping… Muita gente… Não vai ser notada… Perfeito para um encontro.

Júnior: Você ao menos cogita a hipótese de estar errado?

Carlos também entra no shopping e estaciona um pouco distante do carro de Vitória. Ela desce e os irmãos também.

13. INTERNA – TARDE – ANDANÇAS

Saulo: Sara, o Tomás não vem? – diz, usando um tom de cobrança.

Sara: Ele foi almoçar com os meninos, mas já deve estar a caminho. ­– não dá muita atenção, pois está analisando alguns papéis.

Saulo: Liga pra ele.

Sara pára o que está fazendo e observa o ar mandão do tio. De repente, ela sentiu vontade de não fazer o que ele pediu, mas reconsiderou.

14. INTERNA – TARDE – ESTACIONAMENTO DO SHOPPING

Sara liga para Tomás, e o celular dele toca, ecoando no estacionamento. Vitória vira-se para ver de quem é o celular, e os três se escondem. Ela fica desconfiada, e Tomás atende o celular.

Tomás: O que foi, Sara?

Sara: Está lembrando da reunião?

Tomás: Eu não vou poder ir, se reúnam sem mim, beijo! – desliga o celular, e os três voltam a seguir Vitória.

15. INTERNA – TARDE – ANDANÇAS

Sara: Desligou na minha cara, pode isso?

Saulo: Ele não vem?

Sara: Não. O que um almoço tem de mais? Não pode comer e voltar? Tem que fazer alguma coisa depois? Será que ele não percebe que não é o momento para ficar disperso? Ah! Isso me irrita!

Saulo: Vamos começar, então! Sara, analisei o quadro que o Guilherme nos deixou. As dívidas são grandes e precisamos pagá-las, pois corremos o risco dos parceiros pararem com o fornecimento.

Sara: Eu sei… eu estava analisando o patrimônio da família. Acho que vamos ter que vender alguns bens.

Saulo: Eu acho que tenho outra solução.

Sara: Qual? – pergunta, desacreditada.

Saulo: Ainda é muito incerto, mas eu recebi a proposta de uma fusão com uma outra livraria. Maior que a nossa.

Sara: Fusão… – pensa – pode ser uma boa saída, nos deixaria maiores, pagaríamos as dívidas…

Saulo: Porém perderíamos o poder de decisão sobre muitas coisas.

Sara: É, eu sei. Qual a livraria?

Saulo: A Midas.

Sara: Uma proposta e tanto. Mas precisamos ver o que o Tomás acha. Você não…

Saulo: Eu sei, eu sei. – interrompe Espere um pouco para ver se precisaremos mesmo vender bens, acho que pode ser precipitado.

Sara: Tudo bem. Mas…

Saulo: Ficamos por aqui? – interrompe de novo

Sara: Pode ser, não íamos decidir muita coisa sem o Tomás mesmo.

Saulo: Ótimo, eu também preciso sair.

Sara: Todos os homens dessa família resolveram aflorar a sua vida social hoje. – diz irônica.

Saulo ri e sai. Sara fica pensativa, olhando para os papéis com os números da dívida da Andanças.

16. INTERNA – TARDE – SHOPPING

Carlos: Dona Ângela, por favor, desmarque a reunião que eu teria às 16h. Vou ficar o dia todo fora, ok? Obrigado! – Desliga o celular e vira-se para os irmãos Vocês sabiam que isso é violação de privacidade? – diz, passando entre as mesas da praça de alimentação.

Tomás: Você sabia que a minha mulher pode estar me traindo? – diz, desviando de uma criança.

Júnior: Vocês sabiam que uma investigação assim exige silêncio?

Carlos: Olha, ela entrou numa loja.

Vitória vira-se, e os três se sentam numa mesa na praça de alimentação.

Garçom: Aqui está o cardápio.

Júnior: Ah Obrigado! Me dá um chopp?

Tomás: Vamos!

Tomás e Carlos vão para perto da loja.

Júnior: Deixa pra depois – e corre para alcançar os irmãos.

Vitória está numa loja de roupas e escolhe vários modelos para provar.

Júnior: Ela entrou no provador.

Carlos: Nós vimos.

Júnior: Por que você é tão grosso?

Carlos: Grosso? Eu? Você fica narrando a perseguição e eu sou grosso?

Tomás: Olha! – Tomás chama a atenção dos irmãos que olham para a loja.

Os três vêem um homem, sem nenhuma roupa para provar, entrar no corredor de provadores femininos.

Carlos e Júnior se olham e Tomás não acredita no que vê.

17. INTERNA – TARDE – APARTAMENTO DE SARA

Sara voltou mais cedo do trabalho e passou no supermercado para comprar algumas frutas.

Sara: Cheguei!

Eduardo: Mãe!!

Rafaela: O que a senhora comprou? – os gêmeos avançam nas sacolas.

Eduardo: Ah! Nem tem chocolate…

Rafaela: Nem meu doce diet…

Eduardo: Eu quero meu chocolate! – brada e derruba uma maçã no chão.

Sara: Eduardo pegue essa maçã do chão agora.

Dudu: Não! Eu quero chocolate.

Sara pega o filho pelo braço e obriga-o a pegar a maçã do chão. Rafaela observava. Gabriel, ouvindo, o choro do irmão, dirigiu-se até a sala.

Sara: Escutem vocês três. Eu não vou mais aceitar que vocês me desobedeçam. Eu sou a mãe de vocês e exijo o devido respeito. Se eu não comprei o chocolate, foi porque sei que vocês não precisam desse chocolate e quem decide o que se come nessa casa sou eu. E vão os três para o quarto agora, e, Eduardo, você está de castigo.

Os três vão para seus quartos, e Sara guarda as frutas, brava.

18. INTERNA – TARDE – PROVADOR

Júnior, Tomás e Carlos estão sentados um pouco distantes da loja.

Tomás: Desgraçados! – ele avança para entrar na loja.

Carlos e Júnior o seguram.

Carlos: Calma, Tomás! Isso não se resolve assim!

Tomás: A minha mulher está se agarrando com um homem num provador de loja e você quer que eu tenha calma, Carlos?

Júnior: Mas você não estava desconfiado que ela estivesse te traindo com o Lucas?

Tomás e Carlos se olham e olham para Júnior.

Carlos: É verdade, Tomás. Aquele não é o Lucas.

Tomás: Já sei…

Tomás puxa Carlos pela mão, e os dois entram na loja. Júnior não entra, enquanto Tomás e Carlos abordam uma vendedora.

Tomás: Você poderia ver se tem um número maior… é… dessa camisa? – diz, pegando uma peça qualquer.

Vendedora: Claro!

A vendedora vira-se, e Tomás empurra Carlos para dentro do provador feminino.

Carlos: Você tá louco???? – diz, cochichando, e tentando sair do provador.

Tomás: Vai! Procura a Vitória! – diz, empurrando Carlos de volta para dentro do provador.

Carlos: Eu não vou fazer isso, Tomás!

Tomás: A vendedora está voltando. Vai logo!

Carlos: Droga…

Carlos começa a procurar pelos provadores, abaixando-se para achar Vitória. Quando olha para o lado, vê as pernas de uma mulher entrelaçadas às de um homem num dos provadores.

Carlos: Jesus… – diz, aproximando-se do provador para ver quem estava lá dentro.

Vitória: Carlos?

Carlos assusta-se e bate a cabeça na porta do provador, abrindo-a. Vitória havia surgido atrás dele, e o casal que lá estava junta as roupas do chão e vestem-se rapidamente.

Carlos: Vitória? Mas você não… ai meu Deus…

Mulher: Vamos embora. – A mulher pega o homem pela mão, e os dois saem do provador, passado por Tomás, que reconhece o homem. Tomás observa os dois, e a vendedora assusta-se.

Vendedora: Mas o que está acontecendo ali?

Tomás: Não deve ser nada. Você não teria essa camisa em outra cor? Um vermelho, talvez?

A vendedora pega a camisa da mão de Tomás e vai para o provador feminino.

Vitória: Será que você pode me explicar o que está fazendo xeretando as pessoas se trocando num provador? Ainda por cima feminino? Se fosse masculino eu até entenderia…

Carlos: Sem Andrade Express, ok?

Vendedora: Senhor, isto é um provador feminino. Peço que se retire. – diz, chegando com Tomás.

Vitória: Tomás? Ok, agora isso ficou mais estranho ainda. O que vocês dois estão fazendo aqui?

Vendedora: Vocês já se conhecem? – diz, espantada.

Vitória: Meu marido e meu cunhado. Vocês me seguiram?

Tomás: Não.

Carlos: Sim – responde ao mesmo tempo em que o irmão.

Vitória fuzila Tomás com o olhar.

Tomás: Não exatamente.

Vendedora: Senhores, peço que se retirem, por favor.

Tomás: Estou conversando com minha esposa, pode ser?

Vitória: Nós terminamos essa conversa em casa, Tomás Andrade. Em casa. – diz, deixando as muitas peças que provou no chão. Tomás observa que eram só roupas de grávida.

Na saída da loja, Vitória ainda encontra Júnior.

Vitória: Você também?

Júnior: Roupas ótimas aqui, não?

Vitória o ignora e vai embora. Tomás e Carlos saem do provador, escoltados pela vendedora. Júnior sai, fingindo que não os conhece.

Carlos: Guilherme Andrade Júnior. – grita, de propósito.

19. INTERNA – INÍCIO DA NOITE – APARTAMENTO DE SARA

Sara: Pega uma faca pra mim, Ferdi.

Fernando: Essa está boa?

Sara: Sim.

Sara pica uma cenoura muito rápido, impressionando Fernando.

Fernando: Em anos de casamento eu nunca vi você picando uma cenoura assim.

Sara: Não estou com muita paciência hoje.

Fernando: Eu notei, em menos de 24 horas, duas broncas severas no Dudu.

Sara: Mas ele mereceu, ai de você se não concordar. – diz e sem querer aponta a faca para ele.

Ele faz gesto de quem se rende, e ela percebe o que está fazendo. Os dois riem.

Fernando: Eu concordo, mas acredito que você ainda precise conversar com ele e explicar, dialogar.

Sara: Quando eu chegar da casa da mamãe faço isso. Faz tempo que eu não converso com ela e com a Carol. Pronto. Terminei de picar tudo, agora é só você colocar para ferver.

Fernando: Tudo bem!

Os dois dão um selinho e ela sai.

20. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Carol chega exausta da cobertura da agenda dos candidatos.

Carol: Ai! Meus pés estão me matando.

Nora: Se quiser eu fervo uma água para você mergulhar os pés.

Carol: Eu adoraria.

Carol vê as redações dos alunos de Nora.

Carol: O que é isso?

Nora: São as redações das crianças do orfanato.

Carol: Hum – diz, não se interessando muito.

As duas escutam a porta abrindo e uma discussão.

Carlos: Eu disse que não devíamos ter feito isso!

Júnior: Pra quem se empenhou tanto, você não parecia relutante.

Tomás: Vocês não sabem ser discretos. Impossível investigar algo desse jeito.

Nora: Mas o que é isso? Já estão discutindo?

Carol: O que vocês estavam investigando?

Carlos: Se a Vitória está traindo o Tomás.

Carol e Nora: O quê?

Júnior: Calma, gente… era só uma suspeita.

Sara: Suspeita de quê? – chega já se metendo na conversa.

Carol: De a Vitória estar traindo o Tomás.

Sara: Mentira?

Tomás: Chega, viu? Não quero ninguém fazendo piadinha com isso.

Júnior: Mas fazer piada com o Carlos no provador feminino dando um flagra num casal no maior amasso pode?

Nora: Carlos… – dando um tapa no braço do filho.

Carlos: Mas o Tomás me obrigou…

Nora dá um tapa no braço de Tomás, que está visivelmente irritado e afasta-se.

Sara: Eu até ia falar com ele sobre a livraria, mas não é uma boa hora.

Nora: Eu vou conversar com ele.

Nora afasta-se de todos e vai à direção de Tomás. Sara deixa sua bolsa na mesa e vai para a cozinha. Carol fica com Carlos e Júnior para saber mais detalhes da perseguição à cunhada. Quando Sara retira o celular da bolsa, encontra as redações dos alunos de Nora na mesa. Ela pega a primeira redação e começa a ler. A redação fala sobre a relação de uma mãe e de um filho e sobre a falta que o autor sente de não ter uma mãe. Ele termina a redação dizendo que os garotos da idade dele, que tem mães, são sortudos, pois elas devem fazer tudo por eles.

Sara termina de ler o texto e emociona-se ao lembrar de como tratou Eduardo no dia. Pairava uma dúvida se devia ou não pedir desculpas para o filho, se estava certa ou errada, ou se os problemas na Livraria havia interferindo tanto assim na sua vida.

Angustiada, Sara pega sua bolsa e sai, sem se despedir dos irmãos, que se olham sem entender.

21. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Nora: Filho?

Tomás: Oi.

Nora: Quer conversar?

Tomás: Talvez de todos, a senhora é a que melhor sabe o que estou sentindo.

Nora: Ou você pode estar sendo equivocado.

Tomás: Ela queria dar o nome do ex-namorado dela para o nosso filho, mãe. Lucas! Seria a mesma coisa se o papai quisesse chamar uma das suas filhas de Vera.

Nora: Por favor, não repita este nome dentro do nosso lar. Tomás, você sempre foi tão racional. A Vitória está grávida, meu filho. É na gravidez que ficamos mais sensíveis, intolerantes, chorando por tudo. O que nós menos precisamos é dos nossos maridos desconfiando dos nossos atos e do nosso amor. Um nome é um nome, Tomás. Uma vida é uma vida, e a criança que vai nascer não merece desde a barriga passar por isso.

Tomás ameaça um choro.

Nora: Volta pra casa, filho. Conversem e se entendam. Tenho certeza que a Vitória vai ser compreensiva e vai explicar tudo.

Tomás olha para a mãe, e ela lhe dá um beijo e um carinho.

22. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA

Sara bate a porta do apartamento e corre para o quarto de Eduardo, mas encontra-o dormindo no colo de Fernando. Ela acha linda a cena, mas entristece-se por não ter encontrado o filho acordado.

Sara: Ele estava chateado comigo?

Fernando: Nem lembrava mais…

Sara e Fernando abraçam-se e observam o caçula dormir.

23. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

Desde que encontro Rebeca no supermercado, e ela disse que gostaria que ele fosse seu pai, Saulo não parava de pensar na possibilidade de Rebeca ser sua filha, fruto de uma antiga e inesquecível noite com Vera. Com a dúvida pairando na mente, ele resolveu tira-la de uma vez.

Saulo: O melhor Martini do Rio de Janeiro.

Vera: Poupe-me, Saulo. Você diz isso para qualquer barman.

Saulo: Você sabe que eu não minto para você.

Vera ri, e os dois se sentam lado a lado.

Saulo: Sabe, Vera, tenho pensado muito numa coisa ultimamente e gostaria de compartilhar.

Vera: Sou toda ouvidos. – desdenha.

Saulo: Você acha que eu seria tão bom pai quanto o Guilherme?

Vera: Você? Pai? Sinceramente, essa é uma coisa que eu nunca imaginei.

Saulo: Isso é um ‘não’?

Vera ri.

Saulo: O que foi?

Vera: Desculpa, mas é que eu não visualizo você acordando às 3 da manhã para trocar uma fralda.

Saulo: Mas claro que eu não acordaria. Você teria feito isso. – diz, surpreendendo Vera.

Vera: Como? Você queria ter tido um filho comigo?

Saulo: Ou tive?

Vera assusta-se com a investida de Saulo.

Vera: Não há nenhuma possibilidade da Rebeca ser sua filha, se é isso que você quer saber.

Saulo: Tem certeza, Vera? Eu fiz as contas. Exatamente a época daquela sua violenta briga com o Guilherme. Ele passou semanas sem vir aqui e você sabe como eu estive presente para você.

Vera: Isso não quer dizer nada!

Saulo: Há uma chance?

Vera o encara, brava.

Saulo: Prometo que se você confirmar, eu nunca mais toco no assunto.

Vera vê que não vai ficar livre de Saulo.

Vera: Há. Há uma chance. Remota, mas não descartável. Ah, Saulo! Para que lembrar disso agora? Para que lembrar daquela época?

Saulo: Quem sabe porque tenha batido uma saudade?

Vera surpreende-se e o encara. Saulo percebe que mexeu com ela, aproveita e rouba um beijo. Vera começa a se entregar ao momento, mas pára e afasta-o.

Vera: Não! Nós não devíamos fazer isso. Por favor, vá embora. – ela se levanta e vai para o quarto.

Saulo ri, satisfeito.

24. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DO TOMÁS

Tomás chega em casa e encontra o sofá já arrumado para que ele durma. Ele bate na porta do quarto, e Vitória não responde.

Tomás: Vi… nós precisamos conversar. Eu sei que eu errei, fui estúpido…

Vitória: Vai pra sala, Tomás.

Tomás: As coisas não vão se resolver assim, Vitória.

Vitória: E você acha que me seguir é a melhor saída? Pelo amor de Deus, Tomás. O Lucas saiu da minha vida há muito tempo. Eu sinceramente não acredito que nós estamos passando por isso. Nós vamos ter um filho.

Tomás: Me perdoa.

Vitória não responde.

Tomás: Ao menos deixa a porta destrancada. Não é prudente uma grávida ficar trancada no quarto.

Tomás sai da porta e vai para a sala. Ele tira os sapatos e ouve Vitória destrancar a porta. Tomás olha para a porta e fica mais aliviado.

25. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES

Júnior desce as escadas todo arrumado para se encontrar com Rebeca.

Nora: Isso tudo é para ela? Ontem quando foi almoçar com seus irmãos não se arrumou tanto.

Júnior ignora a mãe.

Nora: Vão aonde?

Júnior: Ao shopping. Ela tem algumas fotos para revelar. – diz e sai.

26. INTERNA – DIA – ESCRITÓRIO DA ANDANÇAS

Sara: Então é isso, Tomás.

Saulo: O que achou?

Tomás: Não sei. Uma fusão… não sei. É algo tão grande. O papai não iria concordar.

Sara: Tanto não pensou que nos colocou nesse abismo. Nós não podemos pensar assim.

Tomás: Mas perderíamos nossa característica principal que é o requinte somado à simplicidade. Uma fusão acabaria com esse padrão.

Sara: Tomás, nós temos que vender bens para pagar as dívidas que o papai deixou e ainda dar alguma coisa para a sexta Andrade. Você parou para pensar o quão rápido nós chegamos a esse ponto? Para piorar a situação, não demora! Se a Vera decidir incomodar mais ainda a nossa vida, ela vai conseguir. Nós temos que nos prevenir.

Saulo fica um pouco constrangido.

Tomás: Isso é sobre a Andanças ou sobre a Vera e a Rebeca?

Saulo: Eu garanto que se depender da Rebeca, nada será feito.

Sara: Eu não acredito.

Saulo: Bem, antes que a reunião tome um rumo que não deve, eu a encerro. Pelo visto não vamos decidir nada hoje, não é mesmo? Sugiro que você pense mais no assunto, com calma, Tomás.

Tomás: Vou fazer isso, tio.

Sara: Eu não acredito! Vocês simplesmente fecham os olhos para o que está na frente de vocês! diz, irritada.

Tomás: Sara, as coisas não são como você pinta.

Sara: Nunca são, não é Tomás? Eu sempre estou errada, estressada, nervosa, não é mesmo? Pra mim chega.

Sara pega sua bolsa, levanta-se e vai embora. No caminho, seu celular toca.

Sara: Oi mãe!

Nora: Oi filha. Escuta… encontrei com aquela mulher em um banco.

Sara: Com a Vera?

Nora: Isso.

Sara: E como foi?

Nora conta sobre a discussão com Vera e, quando desligam, Sara passa em frente à loja que Rebeca e Júnior coincidentemente estão. Vê Rebeca com Júnior, exatamente depois de discutir com seu irmão e seu tio a respeito de Vera e de ter ouvido o que sua mãe relatara, parecia querer confirmar tudo o que alertara. Sara não se contém e aproxima-se dos dois.

Sara: Oi Ju.

Rebeca fica visivelmente incomodada e não cumprimenta Sara.

Júnior: Oi Sara! Indo embora, já? Tão cedo?

Sara: Pois é. Cuidar do patrimônio da nossa – enfatiza – família é difícil e cansa às vezes.

Júnior percebe o que a irmã quis dizer.

Júnior: E o Tomás?

Sara: Está lá! Rodeado de papéis, decidindo o que vender para arcar com as surpresas que o papai deixou.

Rebeca fica constrangida.

Rebeca: Júnior, eu já vou.

Júnior: Mas já? Ainda íamos comer pizza.

Rebeca: É melhor assim.

Júnior: Então tá. Tchau, caçula.

Sara fica surpresa com a maneira que Júnior trata Rebeca.

Sara: O caçula é você – diz, seca.

Rebeca: É… o caçula é você.

Sara: Odeio gente que concorda com os outros só para ganhar simpatia.

Rebeca: Escuta aqui, Sara. – surpreendendo-a – Eu cresci a minha vida toda acreditando que meu pai tinha morrido. E pra mim ele sempre esteve morto. Não é porque o Guilherme agora é supostamente o meu pai que eu vou de repente querer conviver com você e a sua família e usufruir do dinheiro de vocês. Eu nuca faltei ao respeito com nenhum de vocês e gostaria que fosse recíproco.

Sara: Não parece. Saindo com o Júnior.

Rebeca: Eu e o Júnior nos conhecemos muito antes disso e, enfim, eu não devo satisfação alguma da minha vida a uma pessoa que se acha responsável pelo mundo como você. Cuida da sua vida e deixa a minha em paz.

Rebeca despede-se de Júnior e vai embora.

Sara: Volta aqui, sua…

Júnior: Agora chega, Sara! Satisfeita?

Ele segue Rebeca, fuzilando Sara com o olhar.

28. INTERNA – DIA – COMITÊ DE ROBERTO PELLEGRINI

Carol: Com licença, onde fica a sala da Lílian?

Assessor: Só ir direto.

Carol: Obrigada.

Carol dirige-se até a sala de Lílian, mas no meio do caminho escuta a voz de Roberto e pára.

Roberto: Larissa, meu amor. Eu não posso sair do escritório só para pagar uma roupa para você. Eu sou muito ocupado e você sabe disso. Espero que você me entenda. Beijos. Amo-te mais que tudo, minha rainha.

Carol fica completamente desolada ao constatar que ele tem uma namorada, quando é surpreendida por Lílian.

Lílian: Carol?

Carol assusta-se.

Carol: Opa! Oi Lílian.. eu vim devolver o blazer. Muitíssimo obrigada.

Lílian: Ah sim! Por nada.

Carol devolve o blazer, despede-se de Lílian e vai embora, pensando em Roberto. E agora na Larissa também.

Continua…

Trilha sonora

Cena 20 – Broken – Lifehouse

Cena 21 – Primeiro de Julho – Cássia Eller

Cena 23 – Skap – Zeca Baleiro

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5 Respostas to “Dúvidas”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera.

    Estou sem palavras!!!

    Foi o melhor episódio até agora. Ri muito com a caçada empreendida pelos três à Vitória. Fiquei o tempo todo imaginando a cena e as caras e bocas dos três. E o deboche do Júnior?! As cenas dele pedindo o chopp e depois falando das roupas com a Vitória foram demais. E a Caral?! Coitada, além de somente dar bola fora com o Roberto, ainda tem uma estagiária para derrubá-la ainda mais. D. Nora como sempre não passando recibo, foi lá e colocou a Vera no lugar dela. Alías, essa aí não é mole não hein… Para finalizar, que tal vc´s pegarem um pouco mais leve com a Sara… Coitada, está numa montanha-russa de emoções daquelas.

    P.S.: A redação foi de partir o coração.

    Abraços a todos.

  2. Natie Says:

    Fofo e engraçado? Acho que sim.
    Nossa, a melhor cena foi a dos irmaos Andrade seguindo a Vitoria… rsrsr… Incrivel!!! Até imagino os 3 na loja!
    Carol, coitada, passando por mais uma vergonha neh? haha… Adorei as cenas dela!
    E a parte fofura ficou pra redação da criança! Mas eu queria ter visto a Sara no final com o filho. Tadinha, totalmente estressada.
    Aaah, outra cena incrivel foi o embate Nora vs. Vera no banco! Go Nora! haha…

    Beijooos!

  3. Carine Says:

    Go Nora![2] Cada episódio meu nojo da Vera aumenta, como assim pedir a uma velhinha que pague suas contas?!?! Ridículo!
    Adoro cenas de maridos dormindo no sofá por fazerem merda… odeio homens desconfiados demais! Mas confesso que os deboches do Júnio são tudo, racho sempre!
    Ahhhh… “Eu sempre me calo quando alguém afirma algo categoricamente” kekeke³²¹
    Rebequinha jorrando verdades em Sara… ADOOOOORO³²¹
    Episódio com pedidos de “bis”

    até dia 30…
    o/

  4. Carine Says:

    Esqueci de uma coisa:
    Pelo amor dos minha futura filhinha, digam-me que Larissa é filha do Roberto e não namorada! Caramba, essa Carol tá pior que eu emocionalmente! Deixem-na “fall” direitinho pelo Roberto! Pronto, falei!
    =*

  5. Laís Says:

    Divertidíssimo esse episódio. Adorei

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