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Nos episódios anteriores: Sara encontra discrepâncias graves nos relatórios da livraria. Júnior, depois de desmaiar na festa de bodas de seus pais, começa a repensar seu comportamento e arruma um emprego. Carlos sai com um homem que conheceu na Internet e se arrepende. Tomás e Vitória anunciam gravidez. Nora recebe uma proposta para trabalhar num orfanato. Carlos aceita um caso de divórcio litigioso. Carol comete gafes num programa ao vivo. Sara descobre estar grávida e perde o bebê algumas semanas depois. Guilherme falece após uma briga com Vera e o caso que eles tinham é exposto.

1. Interna – Dia – Casa dos Andrades

Carol acaba de chegar à casa de sua mãe. Depois de tocar a campainha várias vezes, quem atende a porta é seu irmão, Carlos.

Carlos: É a Carol, mãe! Você tem a chave.

Carol: E educação também.

Carlos: Ih… TPM.

Carol: Ih… TPM. – Carol retruca. – Por que demorou tanto?

Carlos: Você não ligou dizendo que vinha, então, não sabíamos que era você. Achamos que fosse outra pessoa qualquer e fingimos que não tinha ninguém em casa. Mamãe não está a fim de receber ninguém hoje.

Carol: Ela tá onde? E o Júnior?

Carlos: Na cozinha. E o Júnior saiu. Disse que tinha um trabalho novo. – Carlos pára e segura o braço da irmã. – Ela não tá pronta ainda, tá?

Carol faz que sim com a cabeça. Carlos segue para a cozinha, mas Carol ainda fica na sala, pensando no que vai dizer. De repente, ouve sua mãe:

Nora: Tá fazendo o quê que não vem falar comigo?!

Carol: Mãe! Tudo bem? Tava com saudades!

Nora: Também filha. – As duas se abraçam. – Como foi de viagem? Não sabia que você vinha. – Nora pergunta voltando para a cozinha. Carol a segue.

Quando Carol entra na cozinha, ela se espanta com a quantidade de bolos, tortas e doces que sua mãe estava fazendo.

Carol: Foi boa. Desculpa não ter ligado… Vim porque vou cobrir as eleições daqui.

Carlos: Cuidado com o que fala dessa vez, hein!

Nora: Não ouça seu irmão, querida. Vai ficar muito tempo aqui?

Carol: É, um tempo… Pra que tanta comida, mãe?

Nora: Vai ter uma festinha no orfanato. Fiquei de levar algumas coisas… Bom, terminei com você! – Disse admirando a decoração do último bolo. – Acho que vou tomar um banho. Não posso me atrasar. – E sai apressada.

Carlos: Imagina isso todos os dias. – Diz depois que a mãe sai. – Ela não parou nem por um segundo. E já faz quatro meses.

Carol: Vai ver ela já superou. Ela já tirou o luto…

Carlos: Não superou. – E fez sinal que a seguisse.

2. Interna – Dia – Casa dos Andrades – Corredor

Carlos pára próximo à porta trancada do banheiro e faz sinal de silêncio para Carol, que encosta o ouvido na porta e ouve com clareza o que estava acontecendo: sua mãe estava chorando.

3. Interna – Dia – Livraria Andanças Central – Escritório de Saulo

Saulo marcara uma reunião extraordinária com Tomás e Sara para discutir os futuros rumos da livraria. Tomás já chegara, mas Sara está atrasada.

Saulo: Já se passou meia hora. Não seria melhor ligar para ela? – Saulo pergunta meio impaciente. – Ou começar sem ela?

Tomás: Não, tio. É melhor esperar por ela. Vou ligar.

Sara adentra a sala naquele instante meio afobada.

Sara: Mil desculpas, gente. Desculpa mesmo…

Saulo: Tudo bem, tudo bem. – Tomás concorda. – O que importa é que você chegou. Podemos começar. Eu os chamei aqui, pois precisamos decidir os rumos da livraria.

Sara: Como assim?

Saulo: Temos questões que urgem de serem tratadas. A primeira diz sobre nossos números. Eles andam caindo. E estão ocorrendo informações dispersas. Precisamos consertar isso. Por isso, informatizaremos todo o nosso sistema de informações.

Sara: Tio, nós não temos dinheiro para isso. – Diz incrédula.

Tomás: Papai não apoiaria essa idéia.

Saulo: Acredito que estamos aqui para discutir o melhor para a livraria. – Diz olhando nos olhos de Tomás. – E, se vocês olharem na página 7, – diz entregando a cada uma pasta – vocês verão que seria lucrativo investir nisso agora. Não faríamos cortes, apenas realocações de cargos. Na página 10, eu construí um novo organograma, com as funções realocadas. Assim, não perderíamos dinheiro, ganharíamos mais agilidade. Inicialmente a informatização seria um dispêndio, mas que seria contornado.

Sara: Você criou uma seção no Departamento de Marketing? “Seção de Marketing Online”?

Saulo: Nossos eventos são tradicionais na cidade, mas precisamos de maior divulgação. Essa seção se encarregaria de tudo isso.

Tomás: Pensarei no assunto, tio Saulo. Para quando você quer uma resposta?

Saulo: O mais urgente possível. – Tomás mantém o olhar indagador. – Amanhã.

Sara concorda com o prazo. Tomás faz menção de se levantar, mas pára.

Saulo: Eu ainda não terminei, Tomás.

Fica um clima pesado na sala. Tomás estava claramente desconfortável com a presença de seu tio. Ao ver que ninguém disse nada, Saulo prosseguiu.

Saulo: Outros pormenores estão na proposta que entreguei a vocês. Agora, quanto à presidência. Já se passaram quatro meses. Gostaria de saber…

Tomás: Marcaremos uma reunião com mamãe e os outros o mais breve possível. – Interrompe. – É só?

Saulo faz que sim com a cabeça. Tomás sai bate a porta com força. Sara se assusta.

Saulo: Tomás! – Grita.

Tomás: Achei que tivesse terminado. – Volta e diz com rispidez.

Saulo: Escute: aqui eu não sou teu tio, sou teu chefe, então trate-me como tal.

Tomás: Porque eu e Sara assim quisemos!

Sara: Tomás!

Saulo: Eu entendo o que está sentindo. É perfeitamente normal e…

Tomás: Você não sabe de nada!

Saulo: Essa empresa é o único legado do seu pai que não está corrompido. Eu entendo que você fique assim…

Tomás: Não meta meu pai nessa história!

Saulo: Foi você que o trouxe. Tomás, minhas decisões não foram para afrontá-lo ou ao teu pai, e sim visando o bem da empresa, e você deveria fazer o mesmo!

Tomás: E o fato de tudo o que você fez e pretende fazer ir de contra o que ele pensava é só coincidência!

Sara: Tomás, calma…

Saulo: Você quer falar dele? Então vamos falar dele! Ele foi quem puxou essa empresa pra baixo com suas idéias retrógradas! Ele foi que humilhou sua mãe mais que qualquer outra pessoa!

Sara: Tio!

Tomás: Você sempre soube do caso dele com Vera. Por que não fez nada?

Saulo não responde. Tomás sai irritado e bate a porta com ainda mais força. Sara ainda estava perplexa com tudo o que ouvira. Aos poucos foi se recuperando.

Sara: Você não tinha o direito.

Saulo: Você também?! Depois de tudo o que teu pai fez com tua mãe, achei que…

Sara: Aqui não é o lugar ideal para isso, tio.

Saulo: Foi ele quem trouxe.

Sara: Você também! Como você mesmo disse, aqui você não é nosso tio, é nosso chefe. E deveria ter agido como tal. Avaliarei suas propostas e trago amanhã meu parecer. Tenha um bom dia.

Saulo: Você também.

Sara: O meu já está estragado, obrigada.

4. Externa – Dia – Jardim Botânico

Júnior estava andando à toa pelo Jardim. Os bancos estavam molhados, pois chovera a pouco, mas sentou-se mesmo assim. Depois de um tempo, pega seu telefone e liga para Rebeca.

Rebeca: Júnior, eu tô em aula. Te ligo mais tarde. – Sussurra.

Júnior: Não, não, não! Não desliga! Eu… é…

Rebeca: O que é?

Júnior: Vai ter um evento na livraria! Na livraria do meu pai… e… eu queria saber se você não gostaria de… sei lá… aparecer por lá?

Rebeca: Júnior…

Júnior: Não aceito não como resposta! E vai ser legal. Não vai ter problema nenhum.

Rebeca: Tem certeza?

Júnior: Tenho.

Júnior ouve risadas e vozes afobadas no celular.

Rebeca: É meu professor! Eu vou, então! Tchau! – E desliga.

5. Interna – Dia – Casa dos Andrades – Sala

Nora ainda estava se arrumando no andar de cima. Carlos e Carol estavam ajeitando os bolos e doces, esperando que a mãe descesse para que Carlos a levasse ao orfanato. Enquanto faziam isso, conversavam sobre o estado de sua mãe, sussurrando, para que ela não ouvisse.

Carol: Você vai levá-la ao teatro hoje? – Pergunta assombrada.

Carlos: Vamos ver a montagem da Bela e a Fera. Ela insistiu…

Carol: Manipulou, você quer dizer.

Carlos: Eu sei! Mas assim ela se mantém ocupada.

Carol: E isso é melhor que pensar em você-sabe-o-quê? – Carlos não responde. – Não é, Carlos! Ela tem de parar, pensar e digerir aquilo para enfim seguir em frente!

Carlos: Ela estava “pensando e digerindo” você-sabe-o-quê no banheiro, se você não percebeu.

Carol: Eu percebi! – Carol se senta no chão. – Por que ele fez isso com ela?! Com a gente!

Carlos fica parado, tentando encontrar o que dizer para confortar a irmã. Não encontra. Ele senta-se ao lado dela e passa o braço por trás, abraçando-a.

Carol: Sabe, eu fico tentando me convencer de que ele era um bom pai, um bom marido. Ele sempre foi bom pra mamãe, não foi?

Carlos: Foi. Ele foi tudo isso. Ele também foi um desgraçado que teve a coragem de trair mamãe.

Carol: E cretino.

Carlos: E pulador de cerca.

Carol: E safado.

Eles param de falar por alguns minutos. Carlos olha para trás para ver se sua mãe estava vindo, mas não estava.

Carlos: Se sente um pouco melhor agora?

Carol: Aham. – Eles ficam em silêncio por um tempo. – Eu nem falei com ele direito, sabe… na última vez… Só disse que estava vindo pra cá em poucos dias.

Carlos: Eu falei.

Nora: Estão fazendo o quê que não levaram as coisas pro carro ainda? – Indaga descendo as escadas. – Vamos, vamos, já estou atrasada! – Carlos se levanta e começa a levar as coisas para o carro. – Carol, nós vamos ver a montagem de Bela e a Fera! Não quer ir conosco?

Carol: Hoje? Não sei se vai dar…

Nora: Ah, tudo bem. Lembra que você sabia de cor todas as músicas dos musicais da Disney?

Carol: Era o Carlos.

Nora: Você também! – Carol sorri para a mãe. Sabia exatamente o que ela estava fazendo.

Carol: Pensando bem… Acho que eu vou.

Carlos: Que pena. – Nora ri, e Carol pega uma das almofadas do sofá e joga em seu irmão.

6. Interna – DIa – Orfanato Santa Clara – Pátio

A festa acabara a meia hora. Nora estava ajudando os funcionários a limparem o pátio quando a diretora aparece.

Walquíria: Nora, guardei uma fatia de bolo para todos. Essa é a sua.

Nora: Ah, obrigada! Mas deixa para as crianças. Não tem problema.

Walquíria: Tem certeza? Então tá. Digo às crianças que foi você quem deu a elas. – Nora sorri e continua a limpar a bagunça que as crianças fizeram. – Nora, lembra da proposta que te fiz há alguns meses?

Nora: Walquíria, eu…

Walquíria: Não precisa responder agora. Só quero dizer que a oferta ainda está de pé.

Nora fica em silêncio, contida em seus pensamentos. Walquíria se afasta e sai.

7. Interna – Noite – Apartamento de Sara – Sala de Jantar

Sara está pondo a mesa enquanto Fernando conversava com Gabriel sobre uns CDs. Rafaela e Eduardo estão assistindo televisão.

Sara: Venham jantar, crianças! – Os gêmeos vêm correndo. Fernando e Gabriel vêm andando logo atrás.

Eduardo: Mamãe! A gente pode comer vendo tevê hoje?

Rafaela: É, mãe, deixa!

Sara: Não, não. Vocês vão comer à mesa. Depois podem assistir televisão.

Eduardo: Ah, mãe, deixa!!! Todo mundo na escola faz isso!

Rafaela: É, mãe!

Sara: Fernando? – Sara o olha, esperando que ele manifeste sua opinião perante aos filhos.

Fernando: O que foi? – Sara franze as sobrancelhas. – Ah, tá. Crianças, se sua mãe não quer que vocês comam na sala de estar, vocês tem de obedecer. É só gravar o programa.

Sara não acreditou no que o marido acabara de dizer. Jantaram em silêncio, todos os cinco. Assim que terminaram, as crianças foram correndo para a sala de estar e ligaram a televisão. Fernando saiu da cozinha e foi para o quarto. Sara pode ouvi-lo subindo as escadas. Gabriel já estava na sala, quando se conteve e voltou para a cozinha.

Gabriel: Quer ajuda? – Ele pega a toalha e começa a secar a louça.

Sara: Não, tudo bem. Pode ir ver televisão com seus irmãos. – Sara queria, precisava ficar um pouco sozinha.

Gabriel: Eu te ajudo. Eles tão vendo desenho.

Sara: E você já é grande demais pra isso… – Diz sorrindo.

Gabriel: É! – Ri. Sara continua a lavar a louça enquanto Gabriel a secava. Quando estavam a ponto de terminar, Gabriel perguntou: – Mãe, você e papai tão brigados?

Sara pára de lavar o prato. Em segundos, várias respostas lhe vêm à mente. Ela acaba por escolher a mais simples.

Sara: Não… Está tudo bem. – Recebe com surpresa a pergunta do filho.

Gabriel: É que eu senti um clima estranho no jantar e…

Sara: Clima estranho? – Diz rindo, se esforçando para parecer natural.

Gabriel: E eu percebi que já tá assim faz um tempo… Desde que papai perdeu o emprego.

Sara olha séria para o filho.

Sara: Gabriel, isso não tem nada a ver com seu pai estar sem emprego. É comigo… Eu ando estressada e acabo descontando um pouco em seu pai. Mas vai passar, tá?

8. Interna – Noite – Apartamento de Sara – Quarto

Depois de colocar seus filhos na cama, Sara vai dormir. Ao entrar no quarto, vê Fernando já deitado. Ela tira os sapatos e entra no banheiro para escovar os dentes e colocar o pijama.

Sara: Ferdi… tá tudo bem? – Diz enquanto se deita.

Fernando: Tudo ótimo. – Sara acaricia o rosto de Fernando. – Eu tô com sono… Vamos dormir?

9. Interna – Noite – Casa dos Andrades – Calçada

Carlos estava voltando com sua mãe e sua irmã da peça. Estaciona o carro.

Carlos: Pronto.

Nora: Ah, foi ótimo! Podemos ir de novo amanhã? É sexta, então, Rafa e Dudu devem ter a noite livre! Eles vão adorar! Ou então ver a Noviça Rebelde. Vi que estava em cartaz também.

Carlos: Amanhã eu não posso, mãe, tenho trabalho demais pra fazer. E nem no sábado, pois temos a festa na livraria.

Nora: Ah, é. Vai passar aqui na hora do almoço de novo? Posso fazer um nhoque… Ou outra coisa que você queira. – Nora e Carol estão saindo do carro.

Carol: Carlos, você está uma bola de gordo e ainda assim vai se encher de nhoque?

Carlos: Pra sua informação, magrela-de-ruim, eu não estou gordo. E posso comer carboidratos pois estou malhando. Me espera ficar sarado pra você engolir tudo o que tá dizendo. E mãe, não vou poder passar aqui no almoço porque vou almoçar com o advogado adversário. Caso importante.

Carol: Desculpa esfarrapada. E não é carboidrato, é proteína!

Nora: Não ouça sua irmã, meu filho. Então a gente se vê quando der.

Carlos: Tá ok, mãe. E você tem a cleptomaníaca pra ficar aí com você! – Carol fica boquiaberta. Carlos começa a sair com o carro. – Tchau, mãe!

Carol: Isso foi uma vez! Uma vez!!! – Grita para Carlos. Depois sussurra: – Bicha chata.

Nora: Olha a boca, menina!

Carol: Não foi um xingamento…

Nora: Sei. E você, não vai ficar num hotel? – Carol olha para a mãe indignada. – Desculpa, desculpa, foi brincadeira. – As duas entram.

Carol: Ai, que sono. – Diz bocejando. – Mãe… Tá tudo bem?

Nora olha com compaixão para a filha.

Nora: Não se preocupe. Estou ótima. – Ela pára e pensa um pouco. – Vou ficar.

1o. Interna – DIa – Livraria Andanças Central

Durante a manhã Sara e Tomás trabalharam nos preparativos para uma festa de lançamento de um livro que acontecerá na noite seguinte. Ele fez tudo em silêncio. Depois de uma manhã inteira de preparativos Sara vê Tomás saindo.

Sara: Tomás! Espera! – Tomás pára e espera por sua irmã. – Valeu. Aqui, você tá indo almoçar?

Tomás: Não. – Sara espera que o irmão complete a resposta, mas ele não o faz.

Sara: Ah, tá… Você já respondeu tio Saulo sobre a proposta? – Tomás nega. – Olha, eu sei que você está chateado…

Tomás: Eu não tô chateado! – Interrompe-a.

Sara: Desculpa, desculpa, você não está chateado. E tio Saulo agiu muito errado em ter dito o que disse, mas… eu acredito nele. E nas idéias dele. Por isso, eu aceitei as propostas dele e vou votar para que ele continue como presidente.

Tomás: Você está de brincadeira! Ele… Ele… Ele vai destruir tudo! Tudo o que papai construiu! Ele vai desfigurar a Andanças, Sara. Será que você não vê isso?!

Sara: Tio Saulo está pensando na livraria, e não na honra de papai. Você acha que eu não fico chateada? Ele era meu pai também. Mas por enquanto, eu procuro não pensar na livraria como dele, ou nunca mais poria os pés aqui.

Tomás: Não é pra tanto assim, Sara.

Sara: Tomás! Ele traiu mamãe!

Tomás: Eu sei o que ele fez. E não aprovo, se é isso que está pensando.

Sara: Eu sei que não.

Tomás: É que… a livraria… ela é a única coisa que me impede de só sentir raiva dele… Foi o que tio Saulo falou. A livraria é a única coisa que ele não maculou. É ela que me faz lembrar das coisas boas que papai fez.

Sara: Entendi… Mas Tomás, lembre-se que papai confiava em tio Saulo. Sempre confiou. Ele é o irmão de mamãe. Nosso tio. Pensa nisso, tá? – Tomás olha enquanto sua irmã sai em direção ao estacionamento.

11. Interna – DIa – Livraria Andanças Central – Bar

Sara está no bar da livraria almoçando, pois precisava terminar muitas coisas para o evento. Seu telefone começa a vibrar. Era Carol.

Sara: Não tô falando com você. – E vira-se para o atendente: – Boa tarde, Flávio… Me vê um suco de tangerina e um sanduíche natural. E, os carregamentos já chegaram?

Flávio: Sim, senhora.

Carol: Ah, Carlos já te contou, né? Fofoqueiro! – Sara, não responde. – Sara, deixa de criancice. – Sara não responde. – Tá… Desculpa. Mas em minha defesa, eu não tive tempo de ligar! Tá uma correria só no jornal… E ontem deu tempo de ligar depois porque mamãe me arrastou pro teatro com ela pra ver um “musical”. Eca

Sara: Uhm! Tá perdoada. Mas da próxima vez que vier ao Rio e não me avisar, vou te encher tanto de Andrades Expresses que você vai desejar não ter feito isso. Como mamãe está?

Carol: É um trato. Tá bem… Ela continua meio abalada… Carlos e eu a ouvimos ela chorando no banheiro…

Sara: Eu tô sabendo. Não sei como ela está agüentando tudo isso. Não sei se eu conseguiria… Mas não vamos começar a falar de você-sabe-o-quê agora, ok? De problemas eu estou cheia.

Carol: Quer falar sobre eles?

Sara: Não por telefone.

Carol: Ok. Tá livre pra almoçar?

Sara: Só se for aqui na livraria… E se o almoço for um sanduíche.

Carol: Tã-dã! – Carol aparece atrás da irmã e diz para Flávio que quer o mesmo que ela. As duas começam a conversar.

12. Interna – DIa – Consultório de obstetrícia – Sala de espera

Tomás apareceu atrasado no consultório. Sua esposa já havia deixado uma paciente entrar em seu lugar.

Tomás: Me desculpa. Me atrasei.

Vitória: Não tem problema, amor. – Beijam-se. – Tudo bem?

Tomás: Tudo na mesma… – Vitória segura a mão do marido e recosta a cabeça em seu ombro. Ele estava tenso. Depois de meia hora, chega a vez de Vitória. Eles entram no consultório.

13. Interna – DIa – Restaurante Le PETIT MARCEAU

Carlos não acreditava que um divórcio litigioso lhe traria tanta dor de cabeça. O advogado do marido de sua cliente marcara fazia uns dias uma reunião para discutir um possível acordo. Ao sondar o restaurante e ver que o advogado ainda não chegou, dirige-se ao bar.

Carlos: Bom dia…

Barman: Boa tarde, senhor, o que deseja?

Carlos: Era só o que me faltava… – Diz para si.

Barman: Como?

Carlos: Nada. Gim tônica, uma azeitona.

Carlos toma sua bebida. Depois de uns 10 minutos aparece no bar, não o advogado, mas Camilo Fontenelle. Carlos não o vê chegando.

Camilo: Boa tarde.

Carlos: Esta atra… Cadê seu advogado?

Camilo: Ele não vem. – Vira-se para o barman. – Você, cosmo.

Carlos: Sinto muito, mas não é adequado que conversemos.

Camilo: Vou repetir o que já disse antes. Abandone o caso enquanto ainda pode.

Carlos: Traz mais uma, por favor? – Diz para o barman, ignorando Camilo.

Camilo: Me ignorar não vai adiantar. Sei que escuta tudo que eu digo. Se você não largar o caso, você vai perder e…

Carlos: Você acha mesmo que eu vou perder? Porque eu sei que não vou, mas você… você parece… “preocupado” demais pra alguém tão confiante que vai ganhar. – Camilo percebe que ameaçar Carlos não foi a estratégia certa.

Camilo: Eu pago os honorários. Quanto que você está ganhando defendendo minha mulher?

Carlos dá um sorriso. Camilo abaixara totalmente a guarda; estava desesperado.

Carlos: Você paga a mim, mas não a tua mulher? Acho que não há mais o que falar.

Camilo: Eu vou perder!

Carlos: Por isso sua mulher me contratou.

Carlos não iria ceder por dinheiro, Camilo percebera. O que ele não esperava era que a solução para seu problema estava para chegar.

Alexandre: Carlos? Você não me ligou, C.A.? Ficou me devendo a saideira, lembra? – Carlos não sabia o que dizer.

Carlos: Eu… andei ocupado. Eu estou ocupado.

Alexandre: Ah, entendi. – Diz olhando para Camilo.

Camilo: Você acha que eu… e… ele…

Alexandre: Ah, vocês não estão juntos? – Carlos estava morrendo de vergonha e Camilo deu um sorriso malicioso.

Camilo: Não.

Alexandre: Carlos, eu… sinto muito. – E sai envergonhado.

Camilo: Acho que vou também, C.A.

Carlos pega sua bebida e vira num só gole. O barman, que entreouviu a conversa, se aproxima de Carlos.

Barman: Dia ruim, hein.

Carlos: Ano ruim.

Barman: Quer alguma coisa? Alcoólica? – O barman diz com um sorriso, mas Carlos nega. – Por conta da casa?

Carlos: Não… Mas… valeu… eh…

Barman: Sérgio. Muito prazer, Carlos.

Carlos: Prazer.

14. Interna – DIa – Livraria Andanças Central – Sala De Guilherme

Sara e Carol pegaram seus almoços e procuraram uma sala vazia para conversarem com mais privacidade. Acabam percebendo que era a antiga sala de seu pai. Alguns dos pertences dele ainda estavam na sala, outros em caixas. A cadeira dele estava num dos cantos.

Carol: Nossa, faz muito tempo que não venho aqui. – Carol se senta na cadeira do pai e começa a girá-la. – Eu adorava essa cadeira.

Sara: Dá dor nas costas. – Diz emburrada. – Vamos mudar de assunto? Como anda o trabalho?

Carol: Trabalho? Ah, eu vou cobrir as eleições. Vou fazer entrevistas com os candidatos, pesquisas de intenção, essas coisas… Já sabe em que candidato vai votar? – Pergunta rindo.

Sara: Em mim! – As duas riem. – Já entrevistou alguém?

Carol: Por enquanto é só pesquisa. Mas semana que vem eu vou entrevistar o Roberto Pellegrini.

Sara: Uh, o candidato bonitão. Pergunta se ele usa botox! Tenho certeza que usa!

Carol: Nossa! Não posso me esquecer disso! – Ri.

Sara: Falando em bonitões…

Carol: Sem bonitões. Muda de assunto.

Sara: Que isso Carol! Não tem nenhum jornalista charmoso no jornal? Ou no canal…

Carol: Não, não, nada de bonitões. – Carol suspira. – Acho que vou ser solteira pra sempre! É capaz de Carlos se casar e eu ficar pro resto da vida como tia Carol!

Sara: Meu Deus, Carol!

Carol: Meu Deus o quê, Sara?! Eu já tenho quase 40! Mais um pouco e nem filhos eu vou ter.

Sara: Você quer filhos?

Carol: É ruim? Você parece gostar…

Sara: É claro que não é ruim! Meus filhos são o melhor presente que já recebi. É claro que tem horas que dá vontade de devolvê-los. – As duas riem.

Carol: As coisas andam ruins em casa?

Sara: É, um pouco. Mas não são as crianças… Sou… sou eu. A livraria anda me esgotando.

Carol: É coisa séria?

Sara: Não, nada que eu não resolva. Mas eu não quero falar disso agora. Quero falar de coisa boa!

Carol: Nada de família, trabalho ou bonitões.

Sara: Concordo plenamente. – As irmãs se entre olham. – Vamos falar sobre o quê?

15. Interna – DIa – Casa dos Andrades – Quarto de Júnior

Júnior ainda não acordara. Nora, então, resolvera levar o almoço até ele.

Júnior: Mãe, você pode bater na porta antes de entrar. Eu poderia estar ocupado.

Nora: Você não ouviu, mas eu bati na porta sim. Sei respeitar a privacidade dos meus filhos. – Júnior fica boquiaberto. – Mas asseguro minha autoridade de mãe entrando mesmo assim.

Júnior: Tá explicado. – Júnior se sentou e começou a comer.

Nora: Como foi o trabalho ontem? Eles gostaram do jingle?

Júnior: É, acho que gostaram…

Nora: Voltou tarde…

Júnior: É… Eu encontrei uns amigos depois…

Nora: Tudo bem. Você tem visto a Rebeca? – Júnior pára de comer e pousa o garfo no prato.

Júnior: Algumas vezes só. A gente meio que perdeu o contato…

Nora: Entendo…

Júnior: Você vai à festa da livraria?

Nora: Acho que não. Bem, eu vou deixar você almoçar. Leve a bandeja quando terminar. E se vista logo, pois teu tio ligou há pouco. Ele quer todos lá pra uma reunião. – Júnior consente e Nora se levanta da cama. Ao chegar à porta, Júnior à chama.

Júnior: Mãe. – Eles se olham por um tempo. – Nada não.

Assim que Nora sai, o telefone de Júnior começa a tocar. Era um amigo seu, Renato.

Júnior: Manda!

Renato: A parada tá comigo. Traz o dinheiro.

Júnior desliga. Ao se levantar, começa a procurar sua carteira. Troca de roupa, grita para sua mãe que está saindo e sai.

16. Interna – DIa – Apartamento de Tomás

Tomás e Vitória estão chegando a casa com várias sacolas.

Tomás: Não acredito que vamos ter um menino, Vitória! Um menino! – Tomás não conseguia conter sua empolgação.

Vitória: Eu sei! Agora nós já podemos comprar o enxoval! Decorar o quarto! Dar um nome! Um nome pro nosso bebê!

Tomás: Amor, do enxoval já temos metade. – Vitória ri. – É verdade!

Vitória: Eu sei! Compramos a loja inteira!

Tomás: Então, com o enxoval feito, e a decoração com um profissional, falta…?

Vitória: O nome?

Tomás: Que tal… Gustavo?

Vitória: Eu gosto de Luis. Gente! Eu não contei pros meus pais ainda!

17. Interna – DIa – Livraria Andanças Central

Durante a manhã Saulo ligara para todos os membros da família Andrade para uma reunião à tarde entre os sócios da Andanças.

Saulo: Desculpem ter avisado tão em cima…

Nora: Está tudo bem. Não é nada sério, é?

Sara: Não, mamãe, a livraria está bem.

Saulo: A livraria está mesmo ótima. – Sara olha para Saulo e revira os olhos. A livraria não estava bem, muito menos ótima, ela tinha certeza. – Eu e seus irmãos convocamos essa reunião para discutir acerca da presidência da livraria.

Júnior: Eu achei que nós já tínhamos decidido isso. Você é o presidente, tio.

Tomás: Tio Saulo foi alçado ao posto numa atitude emergencial. – Diz indiferente. – Portanto, temporariamente.

Carlos: Eu voto em mim!

Nora, Júnior e Carol esboçam um sorriso, mas os outros três permanecem sérios, visivelmente incomodados.

Carlos: Já vi que só tenho um voto.

Carol: Bem, eu acho que tio Saulo pode continuar.

Júnior: Eu também. Tudo continua do jeito que está.

Nora: Posso me abster? É tão estranho ter que escolher entre meus filhos e meu irmão e…

Carol: Vota logo, mãe!

Nora: Saulo.

Carlos: Eu nem queria ser presidente mesmo… Tio Saulo.

Sara: Idem. Acho que isso resolve a questão.

Nora: Sara, minha filha, você esqueceu do Tomás.

Todos olham para Tomás esperando que se pronunciasse. Sara lhe dá um chute por baixo da mesa e ele se ajeita na cadeira.

Tomás: Meu voto seria irrelevante.

Nora: Claro que não, meu filho. O voto de todos tem igual importância.

Tomás: Voto em mim. Pronto. – E sai da sala.

Nora: O que houve? Foi uma coisa que eu disse?

Carlos: É sempre uma coisa que você diz, mãe. – Diz, rindo.

Carol: Carlos!

Sara: Não é nada, mãe, é só um dia ruim. Ele andou mal-humorado o manhã inteira.

Carlos: Mãe, você vai querer carona pra casa?

Júnior: Eu levo, A gente veio junto.

Carlos: Então eu vou-me. Tchau, gente. – E sai. Sara sai em seguida. Júnior e Carol estavam esperando pela mãe.

Júnior: Vamos, mãe?

Nora: Vão indo, quero falar uma coisa com seu tio. – Eles se vão. – Saulo, não minta: está mesmo tudo bem aqui? – Saulo faz que sim com a cabeça.

18. Interna – DIa – Casa dos Andrades

Júnior havia deixado sua mãe em casa e saiu. Nora, portanto, ficou sozinha em casa. Ela começa a vagar pelos cômodos da casa, sem realmente pensar no que está fazendo. Começa a pensar no quão grande era sua casa. E vazia. Esse sentimento nunca lhe ocorrera antes. Ela pára diante uma fotografia de Guilherme e a observa por um tempo. De repente a campainha toca, assustando-a.

Nora: Mãe? O que você está fazendo aqui? – Saulo estava logo atrás.

Diva: Preciso de um motivo?

Nora: Não, mas isso não a impede ter um. E eu sei que você tem. – Nora a encara, mas sem resultados. – Saulo?

Saulo: Não se preocupe, Nora, ela só quer conversar. Ela ligou há pouco e pediu para que eu a trouxesse. – Nora fica mais aliviada pela mãe não saber que o marido não a traiu.

Diva: Não, senhora. Vai falar comigo. Sente-se, sente-se. – Nora e Saulo se sentam. – Quanto tempo faz que não sai de casa? – Nora revira os olhos. – Não revire os olhos pra mim. Responda!

Nora: Eu saio de casa. Anteontem fui ao teatro com Carlos.

Diva: Mesmo? – Nora faz que sim com a cabeça. – Droga. – Saulo começa a rir. – Rindo de sua mãe? – Saulo pára. – Foi o que pensei. Nora, minha filha, como você está?

Nora: Com raiva. Mas vai passar.

Diva: Não, não vai. Sei que é duro ouvir isso, aceitar isso, mas acredite. Alguns dizem que com o tempo melhora. Eu prefiro entender a situação como a chuva. Quando ela vem, ela nos renova, levando toda a nossa mágoa e luto. Mas ela não os leva embora, ela apenas os muda de lugar. Algumas vezes, quando chover, algumas coisas poderão voltar ao lugar primordial delas… E vai ser doloroso. Mas é uma dor necessária. É preciso senti-la para seguir em frente. Algumas vezes com raiva, compaixão, saudade… E quando a chuva vem de novo, ela a leva embora. Por enquanto. E, eu também queria me desculpar com você por ter sido um tanto relutante com Guilherme. Você gostava muito dele e eu sei que era recíproco.

Nora: Obrigada, mãe.

Diva: De nada. – Levanta-se suspirando. – Dever cumprido.

Saulo: Ela nunca vai mudar. – Sussurra para Nora, rindo.

Nora: É. Nem você! – Diz dando um tapa de leve no ombro do irmão. – Podia ter me avisado que ela vinha!

Saulo: E você iria fazer o quê? Se esconder? – Zomba. Nora também ri.

Nora: Ela não sabe mesmo, né? – Diz mais baixo.

Saulo: Não, não sabe.

Nora: É melhor assim.

Diva: Nora, querida! Sua mãe adoraria um chá de maçã!

Nora: É, ela não muda nunca.

Nora se levantou e foi fazer o chá de sua mãe. Estava feliz por sua mãe ter vindo. Estava feliz por ela ter dito o que disse sobre Guilherme. Estava feliz por ter se lembrado, depois de quatro meses, que apesar de tudo o que aconteceu, seu marido sempre gostara dela.

19. Externa – DIa – Praia de Ipanema

No sábado, Carol estava, mais uma vez, tentando levar uma vida mais saudável, correndo na orla de Ipanema.

Carol: Por que… eu… ainda… tento? – Carol arfava mais que corria. Detestava exercícios. O fone de um dos ouvidos cai pela milionésima vez e ela acaba desistindo de ouvir música. – Esse… troço… só… cai… comigo… – De repente seu celular toca. Era Tomás.

Tomás: Carol? Tá fazendo o quê?

Carol: Correndo. – Diz arfando; continuava correndo.

Tomás: Você corre com o celular? Que seja, olha, tem como você passar na casa de mamãe agora? Vai tá todo mundo aqui.

Carol: Aconteceu… alguma… coisa?

Tomás: Eu te explico tudo em casa. É surpresa! ­– E desliga.

Carol: Tomás! Tomás!!! AAAAAAAHHHHH!!! – Carol dá um encontrão com um outro corredor e cai no chão.

Roberto: Você é maluca?! Quem corre falando ao celular? – Diz dando a mão para que ela se levantasse.

Carol: Eu estou bem, obrigada por perguntar. – Já se formava na testa de Carol um galo enorme.

Roberto: Ei, você não trabalha na TV Pólis? A apresentadora que trocou os cargos do ex-Ministro?

Carol fica boquiaberta. Além do corredor ser o Roberto Pellegrini, um dos candidatos à prefeitura do Rio, e ele ainda havia se lembrava do desastre que foi sua primeira entrevista ao vivo.

Carol: Eu… Eu… Eu não era a apresentadora.

Roberto: Tá, mas foi você que entrevistou, né? Só pode ser você. Minha filha me fez ver teu vídeo no YouTube milhares de vezes!

Carol: YouTube?! – Carol estava vermelha de vergonha e com dor de cabeça.

Um transeunte acaba de parar e cumprimenta Roberto.

Transeunte: Ô, seu Pellegrini! Como é que vai?

Roberto: Muito bem. Obrigado.

Transeunte: Menina, que troço é esse na sua testa? Péra, tu não é aquela menina que entrevistou aquele cara de Brasília? O Robson?

Carol: Eu tenho que ir… – Ela sai e volta em seguida. – Muito prazer em conhecê-lo pessoalmente. – Diz para Roberto e sai correndo.

20. Interna – DIa – Casa dos Andrades

Carol acaba de chegar à casa de sua mãe. Estava suada e com um pouco de areia no corpo, o braço ralado e um galo na testa. Todos os seus familiares já estavam lá, inclusive sua avó, que passara a noite lá.

Carol: Oi, oi. Desculpem o atraso.

Carlos: A gente entende. Esse ovo gigante na sua testa deve estar pesando bastante. – Os irmãos riem.

Nora: Carlos! Carol, você está bem? Não foi assaltada, foi?

Carol: Não! Não, graças a Deus, não! Eu… tava correndo e dei uma trombada em outra pessoa e caí.

Sara: Ela só ralou o braço, mãe. Tomás, Vitória?

Vitória: Bem, ontem eu e Tomás ficamos sabendo que nós vamos ter… um menino!

Todos gritam de alegria, compartilhando suas felicidades com Tomás e sua esposa.

21. INterna – Noite – Livraria Andanças Central

Começava a anoitecer e começava também, na Andanças, a festa de lançamento mais aguardada do ano. Tomás e Saulo estavam conversando.

Saulo: Tomás, eu queria me desculpar pelo que disse antes.

Tomás: Tudo bem.

Saulo: Não, não está. Eu passei dos limites e reconheço isso.

Tomas: Eu exagerei também. E eu tenho a resposta. Eu aceito suas propostas, com algumas ressalvas. Está tudo aqui – E entrega a pasta – E aceito suas desculpas também.

22. INterna – Noite – Livraria Andanças Central

Sara estava conversando com Diego Veiga, o escritor que está para lançar seu livro na Andanças. No livro, ele fala sobre música e sobre suas experiências com várias bandas famosas. Sara pede um autógrafo.

Sara: É pro meu marido. Ele é muito fã do seu trabalho.

Diego: Ele vem à festa?

Sara: Não.

Diego: Ele deixou uma mulher bonita como você ir a uma festa sozinha?

Sara: Obrigado pela parte que me toca, – ri – mas eu sou bem grandinha. Sei me cuidar sozinha.

Diego: Não disse que não sabia. – Diz entregando o exemplar autografado a ela. – Mas, ao estar sozinha, as pessoas, como eu, podem presumir que você seja solteira e…

Fernando: Mas ela não está.

Fernando já estava entreouvindo a conversa há um tempo.

Sara: Ferdi? O que você está fazendo aqui? – Fernando não responde e Diego faz um pigarro. ­– Esse é meu marido, Fernando. Ferdi, esse é…

Fernando: Sei quem ele é.

Diego: Eu sinto muito. É… Preciso ir. A noite de autógrafos… Muito prazer, Fernando. – Ele acena para Sara e sai.

Sara: Eu estava…

Fernando: Achei que nós precisávamos conversar, me desculpar pelo modo como venho agindo, mas me arrependi.

Sara: Ferdi… Você está com ciúmes? Mas… Mas… Não tem motivo…

Fernando: Não tem? Você esconde um filho de mim…

Sara: Ferdi, aqui não. Eu já disse que fiquei com medo…

Fernando: Medo de quê? Do filho não ser meu?

Sara pára e dá um tapa no rosto de Fernando, que vai embora.

23. INterna – Noite – Livraria Andanças Central

Carlos acabara de chegar à livraria e encontra Carol bebendo no bar. Carlos pede uma cerveja. Sara chega.

Carol: Que cara é essa? Fernando tava te procurando, já te encontrou?

Sara: Já. E já foi embora. – A bebida de Carlos chega, mas Sara a tira de suas mãos. – Nada disso. Você tem que me levar pra casa hoje. Por favor. – E dá um gole enorme de cerveja, ignorando os comentários de Carlos.

Carol: Tá tudo bem?

Sara fica boquiaberta.

Sara: Estava.

Rebeca havia acabado de entrar e estava vindo na direção deles.

Rebeca: Oi. – Diz afável. Os três a cumprimentam meio secos. – Eu tô procurando o Júnior. Ele já chegou?

Júnior aparece junto com Tomás.

Júnior: Você veio. Você lembra dos meus irmãos, né? Sara, Carol, Carlos e Tomás

Rebeca: Lembro sim. É um prazer ver vocês de novo. Júnior, você…

Carlos: É claro que é um prazer. Por que a gente ainda te chama de Júnior? Só tem um Guilherme agora, né? – Júnior olha feio para Carlos. – Rebeca, por que você não dá uma… circulada, enquanto a gente conversa com nosso irmão?

Rebeca: Claro. Desculpem.

Nora aparece de repente.

Nora: Não foi assim que eduquei vocês. Fique Rebeca.

Todos: MÃE!­ – Saulo estava com ela.

Júnior: Você disse que não vinha!

Rebeca: Não, tudo bem, Dona Nora. Eu vou dar uma olhada por aí. – Sai.

Nora: Sinceramente!

Júnior: Concordo totalmente! Ela não tem culpa de nada.

Sara: Nem a gente!

Carol: A gente não precisa de mais problemas.

Tomás: A gente nem sabe se ela é filha dele mesmo. Ela não trabalha, deve ter vivido de amantes.

Júnior: Então o problema de vocês é com a mãe dela, e não com ela. Então por que não dar uma chance a ela?

Carlos: Chance de quê? De ela jantar com a gente? Sair com a gente? Passar o Natal com a gente? E ser lembrado a cada minuto do que papai fez com mamãe?

Nora: Basta! Já chega! O pai de vocês foi um homem bom. Ele amava todos vocês demais. E me amava também. E é desse pai que vocês devem tentar se lembrar. – Nora estava chorando. Saulo a chama para sair dali.

Saulo: Vamos, Nora. Vem comigo.

Os irmãos ficam se olhando por um tempo, pensando no que a mãe havia dito. Mas não deu muito tempo, pois outra pessoa acabara de chegar à festa.

Carol: Ai-meu-Deus!

Tomás: Mamãe não pode vê-la.

Sara: Por que ela está de preto?

Carlos solta um palavrão.

Carlos: A vaca está de luto!

24. INterna – Noite – Livraria Andanças Central – Corredor

Saulo e Nora estão sozinhos no corredor escuro.

Saulo: Você pensa mesmo no Guilherme daquele jeito?

Nora começa a chorar.

Nora: Não! – Saulo tenta confortá-la. – Toda vez que eu penso nele, eu penso naquela Vera e na filha dela… Eu não agüento mais.

Saulo: Seria melhor você ir pra casa. Descanse um pouco.

Nora: Não. Eu quero ficar.

Saulo: Não sei se é uma boa idéia. Vera pode aparecer aqui.

Nora: Você acha? – Saulo faz que sim com a cabeça. – Eu, eu… é melhor eu ir, então.

Saulo: Quer que eu te leve em casa?

Nora: Eu vou de táxi, obrigada.

25. INterna – Noite – Livraria Andanças Central

Carlos estava tentando ir falar com Vera, mas seus irmãos não estavam deixando.

Carlos: Ela está de luto, gente! E quando mamãe ver isso? Hein?

Júnior: Você falar com ela vai resolver muita coisa!

Sara: Colocá-la pra fora daqui iria.

Tomás: Ela é cliente daqui. Não podemos mandá-la embora. E ninguém precisa de convite para entrar.

Carol: Olha só! Ela está olhando toda cínica pra gente! Pra mim já chega, eu vou até lá.

Os irmãos vão atrás dela.

Vera: Boa noite.

Carol não esperava pelo “boa noite”.

Carol: Ah, boa noite. – Diz com um risinho fraco. – Olha, eu sei que você… É… O problema é que… É…

Carlos: Tá fazendo o que aqui? De preto?

Vera: Eu entendo o que vocês devem estar sentindo…

Carol: Não parece.

Júnior: Gente, pega leve.

Carlos: Pega leve? Júnior, por causa dela você quase cometeu incesto!

Rebeca: Mãe?!

Vera: Filha, onde você esteve?! Estava preocupada com você.

Rebeca: Eu não estou falando com você.

Carlos: Tão preocupada que veio a uma festa.

Vera: Aqui não é o lugar adequado, minha filha. Venha comigo, por favor.

Rebeca: Adequação nunca te impediu de nada. Agora me deixa em paz. – Os Andrades se espantam com a atitude de Rebeca.

Nora aparece com Saulo.

Nora: O que está acontecendo aqui? Todo mundo está olhando… – Nora vê Vera. – O que faz aqui?

Vera: Me desculpe, Nora, não sabia que estaria aqui.

Nora: Não acho que isso te impediria. – Os filhos de Nora se olham apreensivos.

Saulo: Nora, acalme-se.

Nora: Eu estou calma, Saulo. – Vera olha apreensiva para Saulo. – Você, você a chamou aqui?

Saulo: Nora…

Nora: Meu marido, meu irmão… Que belo exemplo você dá a sua filha.

Vera: Não ponha minha filha nisso. – Rebeca sai e Júnior vai atrás dela. – Rebeca, espera!

Nora: Então vá embora.

Vera: Você não pode me mandar embora.

Nora: Não posso. Mas se o seu caráter e amor-próprio forem maiores que sua cara-de-pau, você nunca mais volta aqui. E fique longe da minha família.

Vera sai humilhada. Saulo faz menção de ir atrás dela.

Nora: Saulo… – Saulo olha para a irmã, mas continua mesmo assim. Nora começa a chorar.

Carlos: Vem mãe, eu te levo pra casa. – Diz abraçando-a.

26. Externa – Noite – Ponto de ônibus

Rebeca estava andando rápido, quase correndo. Estava chorando. Assim que chegou à calçada, olhou para trás e viu Júnior correndo tentando alcançá-la. Rebeca continua a andar, indo em direção ao ponto de ônibus. Júnior a alcança.

Júnior: Rebeca…

Rebeca: Júnior, não!

Júnior: Por favor…

Rebeca: Eu disse não!!!

As pessoas do ponto começam a olhar o que estava acontecendo.

Júnior: Rebeca, desculpa. Eu só queria que a gente… conversasse.

Rebeca: Eu sei. Talvez tenha sido melhor assim.

Júnior: Assim como?

Rebeca: Assim como?! Júnior, minha mãe teve um caso com teu pai! – Rebeca começara a falar mais baixo.

Júnior: Eu sei disso.

Rebeca: Seus irmãos devem me odiar! Sua mãe!!! E você ainda quer andar comigo?!

Júnior: Eles sabem que você não tem culpa de nada.

Rebeca: Eles também não tem culpa. – O ônibus dela chega e ela faz sinal. – Tchau, Júnior.

Rebeca embarca no ônibus. Da janela, Rebeca percebe Júnior olhando para ela. Ela vira o rosto e se força a olhar para frente. O ônibus faz a curva, e Júnior não pode mais vê-la.

27. Externa – Noite – Carro de Saulo

Saulo estava levando Vera para casa. Ao chegarem, ele estaciona o carro e olha para Vera.

Vera: Obrigada. – Vera diz meio ríspida.

Saulo: O que foi agora?

Vera: O que foi?! Tudo foi, Saulo, tudo!

Saulo: Eu não sabia que Nora estaria lá. Ela disse que não iria.

Vera: Mas os filhos dela estavam! E você não fez nada!

Saulo: E o que eu deveria ter feito?

Vera: Eu não sei! – E começa a chorar. – Minha filha me odeia, Guilherme se foi e… Eu estou sozinha. Sozinha. – Saulo a abraça.

28. INterna – Noite – Apartamento de Sara – Sala de Estar

Já era tarde e a festa havia acabado há quase uma hora. Sara chega a casa e vê o marido com um travesseiro e um lençol nas mãos, ajeitando-os no sofá.

Sara: O que você está fazendo?

Fernando: As crianças já estão dormindo. Boa noite.

Sara: Ferdi, nós precisamos conversar. – Fernando a ignora. Ela pega o travesseiro de sua mão. – Agora. – Fernando e Sara se sentam. – Ferdi, eu nunca traí você. Nunca. – Sara espera, mas Fernando não diz nada. – Fiquei muito ofendida com o que disse hoje. Nunca esperei ouvir isso de você. E, desculpa pelo tapa.

Fernando: Não precisa pedir desculpas.

Sara: Preciso sim. – Ela pega sua bolsa e retira o livro. – Toma. Quando eu estava conversando com o autor, eu apenas pedi que ele fizesse uma dedicatória a você.

Fernando avalia por uns instantes o livro em sua mão, depois encara a esposa.

Fernando: Olha, eu entendo tudo isso. O que não consigo entender é você esconder um filho de mim.

Sara: O bebê não veio numa hora boa, Ferdi.

Fernando: Quando você ficou sabendo que estava grávida?

Sara: O que isso importa agora?

Fernando: Quero saber se você não me contou porque eu disse antes que havia perdido o emprego.

Sara: Não, não foi por isso… – Diz incerta.

Fernando: Então meu desemprego não afetou você em nada? – Pergunta incrédulo.

Sara: Mas é claro que não!

Fernando: Eu significo tão pouco assim pra você?

Sara: Não, não foi isso que eu quis dizer.

Fernando: Então o que você quis dizer?

Sara: É claro que eu senti quando você foi demitido! Nossa renda caiu pela metade! Pela metade! E isso já faz quatro meses! E você não arrumou um emprego ainda e está descontando sua angústia em mim e nas crianças! – Fernando engole seco. – Era isso que você queria ouvir?! Era? Mas eu sei que você não tem culpa, que você está procurando um novo emprego… E que tal juntar a todos esses problemas um bebê! Com você sem emprego eu não poderia parar de trabalhar, eu…Eu vou dormir. – Fernando faz menção de pegar o travesseiro, resignando e como se quisesse estender a conversa. – Se importa em dormir aqui hoje? Por favor.

Fernando: Não, nem um pouco. – Ele tenta beijá-la, mas ela vira o rosto. Ele a beija mesmo assim, no rosto. – Boa noite.

29. INterna – Dia – Casa dos Andrades – Cozinha

Carlos passara a noite na casa de sua mãe, com Carol e Júnior. No domingo, ao acordar, Júnior encontrou Carlos fazendo café e Carol tirando duas torradas queimadas da torradeira.

Júnior: Até as torradas, que nem é você quem faz, você queima.

Carol: Então não come. – Diz com um sorriso amarelo.

Carlos: Mal-humor matinal, cuidado.

Júnior: Cadê mamãe? – Diz bocejando. Carlos pega um pedaço de papel e entrega a Júnior, onde se lia “Bom dia! Precisei fazer compras. Fiquem longe da cozinha. Beijos, mamãe.” – Ela não foi fazer compras mesmo!

Carlos: Disso a gente sabe. Já tentei ligar pra ela, mas ela deve ter desligado.

Carol: Não acho que ela tenha ido falar com chacrete.

Carlos e Júnior: Chacrete?!

Carol: Eu não contei pra vocês? Eu fiz umas pesquisas e descobri que a Vera era chacrete!!!

30. eXterna – Dia – cEMITÉRIO

Era a primeira vez que Nora visitava Guilherme desde o dia no velório. Nora anda até a lápide, um quadrado de mármore talhado sobre a relva verde.

Nora: Boa dia. – Ela deposita as flores em cima da lápide. – Foi difícil encontrar as flores… Eu nem tinha a obrigação de trazer, você bem deve saber… Crápula! – Nora suspira. ­– Eu devia ter te cremado. Talvez seria mais fácil… pra mim… É diferente a sensação, entende? Quando se enterra, é mais difícil de se desapegar, pois você sabe que a pessoa está ali, só que enterrada. – Nora pega uma das flores do buquê e começa a girá-la nas mãos. – Saulo agora é o presidente da livraria. Ele, Sara e Tomás organizaram um evento magnífico ontem. E Tomás vai ter um filho! Um menino! Ele está tão feliz… Ana Carolina veio cobrir as eleições aqui do Rio. Carlos está trabalhando bastante e tem passado bastante tempo comigo. Júnior! Ele está trabalhando! Estou tão orgulhosa! Está escrevendo jingles publicitários. Ele… está bem próximo da Rebeca… – Nora pára. – Eu só queria saber o porquê. O porquê de você ter feito o que fez. Você magoou a todos nós. A mim, a seus filhos, a sua outra filha. E ainda tem essa! Tem sido muito desgastante. – Ela olha para a lápide e lê a inscrição: – “Guilherme Andrade – Marido amado, um bom pai, e um verdadeiro amigo”. E mentiroso. – Nora coloca a flor novamente no buquê e vai embora.

31. interna – Dia – Livraria Andanças Central

Por ter passado os últimos dias indo e voltando da sua filial da Andanças à central, Sara esquecera uns papéis num dos escritórios. Sara já havia ido à sua filial, mas não os encontrou. Decidiu verificar na central. Procurou nos lugares onde ficou, porém não encontrou nada. Resolveu, então, procurar no último lugar que restava, na sala de Saulo.

Ao entrar na sala, sentou-se a mesa e encontrou a pasta das propostas de Saulo. Era a que havia sido entregue a Tomás. Ela a abriu e começou a ler suas análises das propostas de Saulo, quando dela caíram algumas folhas. Ela as pegou e notou que eram notas de pagamentos de fornecedores, assinadas por Tomás.

Sara: Não pode ser…

Sara percebeu que o que as notas descreviam não batia com os dados que ela tinha.

Continua…

Trilha Sonora

Cena 14: Happiness – Goldfrapp

Cena 19: Make it Mine – Jason Mraz

Cena 27: You Could Be Happy – Snow Patrol

6 Respostas to “Epitáfio”

  1. Natie Says:

    Nossa adoreiii Epitafio!!
    Vamos lá…
    Carlos arrasando corações hien? Uau! Até o barman? hehe… Adorei ele indo ao musical com a mãe e a Carol…
    Carol esbarrando com o Roberto e sabendo do video do Youtube foi demais tbm! Por que sera q eu jah vejo futuro ai entre C&R? hahaha…
    Sara… Nossa, que sacanagem q o Fernando fez! Eu nao perdoava tao cedo…
    Tomás e o problema da empresa… Pq sera q nao estou gostando do tio Saulo na presidencia? Esse final então… Pra contrabalencear veio a noticia do bb… Q legal q vai ser um menino!
    Junior! Ah, a Beca nao pode ser irma dele…

    Eu queria q a Nora tivesse virado a mao na cara da Vera… hahaha… Mas ela eh chique! Ta certo… 🙂

    Adorei a parte da mae da Nora com ela e do final no cemiterio… Nora, alias, arrasou nesse episodio!

    Bom, AMEIII! Beijos e ateh o proximo epi! 😀

  2. Gustavo Says:

    Estou adorando ler os episódios e sempre fico imaginando as cenas, as pessoas e por mais que eu não queria, as cenas do original sempre aparecem na minha mente.
    Que venha o próximo episódio.

  3. Carine Says:

    Antes de qualquer comentário sobre o episódio, que trilha sonora maravilhosa a de hoje!!!! \o/
    Bem, eu odeie a suposição do Ferdi, bem dado aquele tapa, até eu fiquei com vontade de bater nele! A Carol precisa logo se acertar com alguém. e eu preciso logo matar minha curiosidade de saber se a Rebeca é irmã ou não deles!
    Alguém espanca essa cara-de-pau da Vera por favor! Eu pago pelo serviço!
    Hj eu estou meio radical

  4. julia Says:

    como assim soh dia 10 de janeiro.. vc estao de piadinha cmg!!
    ai ai ai
    ¬¬

    ;*

  5. Alice Says:

    Também achei nada a ver ser só dia 10 o próximo
    ¬¬
    Gostei demais.. Principalmente do final [adoro quando deixa aquele suspense pro episódio seguinte]!!
    E tô aqui na torcida pra Carol desencalhar
    \o/

  6. Laís Says:

    Chacrete????!!!!

    hahahaha….

    e eu, devagar e sempre…

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