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Nos episódios anteriores: Sara, Saulo e Tomás decidiram vender a casa de Petrópolis. Saulo encontrou com Vera e a beijou. Carlos perdeu o caso de divórcio por dormir com Camilo. Sara esqueceu do seu aniversário de casamento. Carol criou desconfiança sobre uma certa Larissa, na vida de Roberto. Tomás e Vitória descobriram que seu filho será menino e tentaram escolher o nome.

01. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Nora abre a porta e entra, segurando algumas sacolas de supermercado. Júnior, que via TV na sala, vai até a mãe.

Nora: Júnior, me ajude com as compras. – Ele vai até o carro.

Júnior: Nossa, mãe. Pra que tudo isso? – Diz entrando com outras sacolas.

Nora: Não! Essas não! Só as de geladeira. – Abre o eletrodoméstico e começa a colocar as compras lá dentro. – Estava pensando comigo mesma… Já que a casa de Petrópolis será vendida, nós precisamos fazer uma despedida. Daí eu comprei algumas coisinhas.

Júnior: Assim do nada?

Nora: Ah filho, se tem uma coisa que eu aprendi depois da morte do seu pai, é que nós temos que fazer o que queremos de vez em quando. Vamos amanhã cedo. – Ela faz uma pausa. – E ai de quem se recusar. Ninguém tem nada pra fazer no sábado! A Carol está em casa?

Júnior: Foi trabalhar.

Nora: Hm. Ligue para ela então, e para o Carlos. Eu vou avisar a Sara e o Tomás.

02. INTERNA – DIA – ANDANÇAS SEDE – ESCRITÓRIO DO TOMÁS

Sara está apresentando os números de sua unidade da livraria para Tomás, quando o telefone toca.

Tomás: Bom dia, Tomás Andrade.

Nora: Filho, sou eu!

Tomás: Imaginei. Pouca gente tem o número direto pra minha sala. – Vira para Sara. – Mamãe.

Nora: Está tudo bem? A Sara está com você?

Tomás: Está. Aqui do meu lado. Mandou beijos e disse que quer falar com você. – Sara olha brava para ele, que ri enquanto passa para ela.

Sara: Alô, mãe.

Nora: Oi, querida. Como você está?

Sara: Bem mãe, e a senhora?

Nora: Bem também, o que queria me dizer?

Sara: Fala primeiro.

Nora: Eu estava pensando… Depois que você, seu irmão e Saulo decidiram vender a casa de Petrópolis, nós bem que poderíamos passar um fim-de-semana lá, não? Como uma despedida.

Sara: Sim, mãe. Quando a senhora estava pensando…

Nora: Amanhã.

Sara: O quê?! – grita e coloca o telefone no viva-voz. – A mamãe quer que a gente vá para Petrópolis amanhã.

Tomás: Amanhã? Mas a Vitória estava planejando passar na casa dos pais dela no Domingo. A mãe dela queria dar umas roupas que eram do irmão dela quando pequeno para o bebê.

Nora: Você e a Vitória podem voltar mais cedo no Domingo. Vamos, vai ser uma ótima oportunidade de matar as saudades de lá. Além do que, sabe-se lá quando vai ter alguém interessado? E se esse alguém quiser a casa para o dia seguinte? Nós não podemos perder essa chance.

Sara: Não sei não, mãe…

03. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES/PRÉDIO DA BARBOSA-LIMA – SALA/ESCRITÓRIO DO CARLOS

Enquanto Nora conversa com Sara e Tomás, Júnior tinha acabado de desligar o telefonema com Carol e estava ligando para Carlos.

Júnior: Alô.

Carlos: Caiu da cama, Belo Adormecido?

Júnior: Bom dia pra você também, Carlos. – Carlos ouve um bipe.

Carlos: Jú, pera aí. É a Carol. – Coloca o caçula na espera e atende o outro telefonema. – Oi Carol.

Carol: Você não sabe como os seus ‘alôs’ personalizados são irritantes.

Carlos: Tudo bem com você? – Ignora a irmã.

Carol: Médio. Acredita que a mamãe resolveu realizar uma viagem em família para esse fim-de-semana?

Carlos: O quê?

Carol: O Júnior não te ligou ainda?

Carlos: Está na outra linha.

Carol: Então vai falar com ele, eu espero.

Carlos: Jú, que história é essa de viagem em família?

Carol: Ainda sou eu, Carlos.

Carlos: Ah, ok. – Se certifica de que apertou o botão certo. – Jú, que história é essa de viagem em família?

Júnior: A Carol te disse então, né? A mamãe quer ir pra Petrópolis, por causa da venda da casa.

Carlos: A troco de quê? Ela estava chorosa até ontem. Vai para Petrópolis e vai relembrar das bodas e de todas as outras comemorações de lá. Isso pra mim se chama masoquismo. Deixa eu falar com ela.

Júnior: Não dá. Ela tá no telefone com a Sara e o Tomás.

Carlos: Melhor ainda. Manda ela por no viva-voz e põe você também.

Nora: Bom dia, Carlos.

Carlos: Oi, mãe. Da onde você tirou essa idéia maluca?

Sara: A mamãe tá nostálgica, Carlos. Só pode.

Carlos: Isso todo mundo fica. Mas tem que ver que essa ida a Petrópolis pode trazer lembranças tristes.

Nora: Parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui! Essa viagem não tem nada a ver com seu pai, se é isso que você está pensando, Carlos Andrade! As coisas não têm que sempre ser relacionadas ao pai de vocês. Quero ir pra Petrópolis porque aquela casa representa muito para mim. Existem memórias com o Guilherme? Sim. Mas existem também memórias com os cinco e com meus netos. Quando Dudu falou a primeira palavra, nós estávamos lá, se lembra Sara? Chega de lembrar os mortos, e vamos festejar os vivos. – Nora pára e suspira. – Ufa. Agora vocês quatro vão, estão ouvindo?

Tomás, Sara, Carlos e Júnior: Sim.

Nora: E podem tratar de dizer a mesma coisa pra irmã de vocês.

Carlos: Eu digo.

Tomás: Mãe?

Nora: Fala, querido.

Tomás: Eu posso voltar mais cedo? Por causa da Vitória.

Nora: Pode. Agora continuem com as coisas que estavam fazendo. Não quero atrapalhar o dia de vocês.

Sara: Mãe, mãe! Espera, não desliga! Eu tenho que falar com o Júnior.

Todos tiram os telefones do viva-voz e Júnior e Carlos desligam seus telefonemas. Nora passa o telefone para Júnior.

04. INTERNA – DIA – PRÉDIO DA BARBOSA-LIMA – ESCRITÓRIO DO CARLOS

Carlos: Pronto.

Carol: Nossa. Demorou. E então?

Carlos: Nós vamos ter que ir, não tem jeito.

Carol: Mas você conversou com a mamãe? Falou que era muito precipitado?

Carlos: Ela é muito persuasiva, você sabe.

Carol: E vocês muito frouxos.

Carlos: Você só diz isso porque não estava na conversa.

Carol: Carlos, mudando de assunto… Eu precisava de uma ajuda sua, meu irmãozinho de esquerda.

Carlos: Ih, lá vêm as bicadas. Diga, tucaninha.

Carol: Eu estou apurando a vida do candidato Pelegrini, você sabe, para a minha reportagem, e surgiu um nome. Larissa. Você sabe de algo do tipo? Se ele está com alguém, namorando… – Carlos ri.

Carlos: Reportagem? Esse é um termo novo. – Ri mais. – Você está é interessada nele. Sempre que eu te vejo antes de ir a um evento do Roberto Pelegrini, está toda arrumada e perfumada.

Carol: Não inventa coisa, Carlos! Sabe ou não sabe dessa Larissa?

Carlos: Sei. – Carlos vê seu chefe se aproximando de sua mesa e fazendo menção de entrar. Carlos sinaliza para que ele entre. – Sim. Então quando a senhora quiser me ligar para combinar os termos de contrato, sinta-se à vontade.

Carol: Carlos! Carlos! Não faça isso comigo!

Carlos: Tchau. Tenha um bom dia. – Desliga, voltando a atenção para o chefe.

05. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Júnior: Oi, Sara. Tudo bem?

Sara: Tudo. E com você?

Júnior: Também. O que houve?

Sara: Eu precisava de um favor seu.

Júnior: Diga.

Sara: Eu preciso do telefone da Rebeca.

Júnior: O quê? Pra quê? – Júnior se choca. – Aposto que não é pra pedir desculpa.

Sara: Eu não fiz nada de errado pra pedir desculpa. Só me dá o número.

Júnior: Não sem saber antes o porquê.

Sara: Você não vai gostar. Pra que saber?

Júnior: Sara.

Sara: Eu vou convidá-la para um passeio comigo essa tarde.

Júnior: Passeio?

Sara: É… até o laboratório de exames.

Júnior: Você não pode estar falando sério. Você quer DNA? Ela é nossa irmã! Aceita isso!

Sara: E se você estiver errado? E se ela só quiser nosso dinheiro. Essas oportunistas são muito convincentes.

Júnior: Eu não vou mais discutir com você, Sara.

Sara: Mesmo se ela não estiver interessada no dinheiro do papai, a mãe dela pode ter mentido para ela por isso, entende? Eu vou fazer esse teste com essa menina. Se você não me passar o telefone, eu vou ligar para a Carol, descobrir o estúdio em que vocês se conheceram e pedir o telefone dela lá. O que você acha?

Júnior: Boa sorte. – Desliga.

O telefone toca logo em seguida e Nora o atende.

Sara: Mãe, o celular do Júnior está por aí?

Nora: O que houve, minha filha, que eu ouvi vocês brigando?

Sara: Nós não estávamos brigando. O Júnior é teimoso. Mãe, pega o celular dele e me passa o número da Rebeca?

Nora: Mas para que, filha? – Diz já pegando o celular do filho em cima da mesa.

Sara: DNA.

Nora: E você acha adequado esse teste agora?

Sara: Se não for agora, será depois. Ele tem que ser feito. Espero que ela não cause problemas.

Nora passa o número e as duas desligam.

06. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DO JÚNIOR

Júnior entra em seu quarto, fecha a porta. Tira um vidrinho de uma das gavetas do armário e engole dois comprimidos de lá de dentro. Se joga na cama e fica lá por um tempo. Depois desce, pega seu celular e liga para Rebeca.

07. INTERNA – DIA – ANDANÇAS CENTRAL – ESCRITÓRIO DO SAULO

Tomás bate na porta e entra em seguida.

Tomás: Bom dia, tio.

Saulo: Bom dia, Tomás.

Tomás: Vim lhe entregar os números da contabilidade.

Saulo: Ah sim, os deixe em cima da mesa, por favor. Como você está? Faz tempo que não conversamos.

Tomás: É verdade. Bom, eu estou bem. – Silêncio. – Se me der licença, eu tenho que resolver algumas coisas por aqui ainda, antes de ir para casa e ter que arrumar malas… – Tomás se arrepende logo depois de falar.

Saulo: Malas? Está planejando viajar no final de semana?

Tomás: A gente vai para Petrópolis.

Saulo: Só você e a Vitória? Sua mãe liberou as chaves?

Tomás: A família inteira.

Saulo: Ah, entendi…

Tomás: Olha, tio…

Saulo: Não, não! Tudo bem! Eu sou o traíra, não é? Tenha um bom fim-de-semana.

Tomás: Bom, não é como se você não tivesse consciência do que fez. Primeiro acobertou a traição do papai e depois convidou aquela mulher a um evento de família e sabe-se lá em que nível o relacionamento de vocês dois está agora.

Saulo: Eu tive plena consciência. Eu acobertei para proteger minha irmã. E a Vera não tem culpa de nada. O cafajeste aqui era seu pai, e não eu.

Tomás: Olha como fala do meu pai! Ele era um grande homem. Todo mundo comete erros.

Saulo: Parece que vocês esquecem desse chavão quando o assuntou sou eu.

Tomás fica um tempo parado, olhando para o tio.

Saulo: Você não tinha coisas para fazer?

Tomás sai.

08. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA – SALA

Rebeca está assistindo televisão e almoçando quando seu telefone toca. Ela atende.

Rebeca: Alô.

Júnior: Oi, sou eu. Tudo bem?

Rebeca: Oi Júnior, tudo bem e por aí?

Júnior: Bem também. Eu só liguei pra dizer que a Sara vai tentar falar com você em breve.

Rebeca: O quê? Por quê?

Júnior: Ela quer que você faça um teste de DNA. Eu tentei convencê-la de que isso é ridículo, mas ela está determinada.

Rebeca: Ai, desculpa Júnior. Eu sei que ela é sua irmã, mas ela não tem mais com o que se preocupar, não? Contas pra pagar, compras do mês, dever de casa dos filhos… Eu não pedi pra entrar nesse jogo de gato e rato. De verdade. A única pessoa com quem eu quero contato dos Andrades é você, e olhe lá! Já é difícil de manejar um.

Júnior: Sem problema. Eu só liguei pra te avisar e você ficar preparada.

Rebeca: Brigada.

Júnior: Nada. Tchau.

Uns cinco minutos após Júnior ter desligado, o telefone toca de novo.

Sara: Alô, Rebeca? É a Sara Andrade.

Rebeca: Eu sei. O Júnior me disse que você ligaria.

Sara: Te contou sobre o que era?

Rebeca: Sim, vamos direto ao assunto. Eu vou com você fazer esse teste. Diga onde e quando.

Sara: Assim tão fácil?

Rebeca: Se é pra vocês pararem de encher meu saco e eu poder provar pra vocês que eu não dou a mínima pro dinheiro Andrade, então que seja feito esse teste.

Sara: Ótimo. No Laboratório Genesis, rua Nabuco de Araújo, número 103. Hoje, às três horas, você pode?

Rebeca: Posso. Até lá.

As duas desligam.

09. INTERNA – DIA – RESTAURANTE TUDO DE BOM

Carol está esperando seu prato chegar e liga para o escritório do candidato Pelegrini.

Karen: Boa tarde, comitê de campanha de Roberto Pelegrini. Karen falando. No que posso estar ajudando?

Carol: Querida, primeiro você pode parar de falar com gerúndios. Depois, eu gostaria de ser informada da agenda do senhor Pelegrini. É para divulgação. Eu sou a Carol Andrade, do jornal Ágora.

Karen: Sinto muito, senhora. Eu não posso estar providenciando essa informação para a senhora sem eu estar visualizando a sua identificação.

Carol: Ai, to vendo que isso não vai dar certo. Será que você poderia me passar pro Roberto, ou para a irmã dele, Lílian?

Karen: Só um minutinho, senhora. Vou ver se isto estará sendo possível. – Ela sai da linha e uma música irritante da propaganda eleitoral de Roberto começa a tocar. Dali a pouco, outra pessoa atende.

Lílian: Oi, Carol!

Carol: Ufa. O que vocês estavam pensando quando contrataram essas secretárias? Eu vou estar matando a que me atendeu. – Lílian ri.

Lílian: No que eu posso te ajudar, Carol?

Carol: Olha, eu queria a agenda do Roberto, pra divulgação.

Lílian: Tem divulgação da agenda dos candidatos do Rio no Ágora? Não tava sabendo…

Carol: É novidade. – Lílian ri novamente.

Lílian: De qualquer jeito, eu não sei a agenda profissional dele. Você pode tentar ligar daqui a pouco. – Faz uma pausa. – Mas eu sei que ele não tem nada programado para Sábado ou Domingo à noite.

Carol: O que você está querendo dizer?

Lílian: Eu? Nada. Só comentando.

Carol: Bom, obrigado Lílian. Até mais.

Lílian: Até. – Ela desliga e ri.

10. INTERNA – DIA – LABORATÓRIO GENESIS

Rebeca já está esperando na porta. Sara chega, estaciona o carro e vai em direção a Rebeca.

Sara: Oi, desculpa a demora.

Rebeca: Sem problemas. Vamos entrar logo e acabar com isso? – Rebeca entra e Sara a segue. Sara vai até o balcão de atendimento.

Laís: Olá, boa tarde. Meu nome é Laís, no que posso ajudá-las?

Sara: Nós viemos para o exame de DNA.

Laís: Ah sim. Qual é a relação de vocês duas, para eu já ir encaminhando.

Sara: Supostamente irmãs.

Laís: Ok, agora eu preciso que você preencham essa ficha e aguardem. Já chamo vocês para o recolhimento de saliva.

Sara e Rebeca se sentam nos sofás de espera e preenchem suas fichas. Depois, aguardam olhando para as pinturas nas paredes e eventualmente seus olhares se encontram.

Rebeca: Olha, eu não sei o que tanto vocês têm contra mim…

Sara: Não mesmo? Não é tão difícil assim de imaginar.

Rebeca: Eu nunca quis que isso acontecesse. Por mim, eu ficava fora desse esquema familiar, mas parece que vocês fazem questão.

Sara: Não se pode simplesmente passar uma borracha nisso tudo que aconteceu.

Rebeca: Eu, por acaso, já dei a entender que queria qualquer dinheiro que fosse do Guilherme? Já pedi alguma coisa pro Júnior?

Sara: Não, mas aparentemente você é a única que conseguiu algum dinheiro com a morte dele. Nem minha mãe, que foi casada com ele durante quarenta e cinco anos conseguiu algum dinheiro.

Rebeca: Você está insinuando que eu quis a morte do Guilherme? Você está maluca. Eu não sei nem porque eu vim! Ah, sei sim, pra nunca mais ter que ver vocês novamente, ou nem mesmo ouvir falar dos Andrades.

Laís: Desculpa interromper, mas vocês já podem vir.

Rebeca: Eu vou primeiro. – Segue Laís. – Faça bom proveito desse dinheiro que vocês vão conseguir. – Deixa Sara sozinha na sala de espera.

As duas realizam a coleta de saliva e vão embora, com a informação de que quando o resultado saísse, elas seriam comunicadas por telefone.

11. INTERNA – NOITE – CASA DA SARA – SALA

Fernando está sentado no sofá, vendo TV. Os gêmeos estão brincando com bonecos. Gabriel está no seu quarto. Sara chega.

Eduardo e Rafaela: Mãe! – Saem correndo e abraçam a mãe. Ela os beija.

Sara: Tudo bem com vocês? O que vocês ficaram fazendo de tarde?

Eduardo: O Gabs deixou a gente jogar o videogame dele e depois a gente ficou brincando.

Sara: Que legal. – Ela sorri para os filhos. – Agora vão chamar o irmão de vocês pra gente poder comer.

Os dois sobem as escadas e ela se senta ao lado do marido.

Fernando: O que houve? Eu te conheço…

Sara: Eu preciso da sua opinião. – Hesita antes de continuar. – Eu liguei para a Rebeca e a levei para fazer o teste de DNA.

Fernando: Hmm. – Ele estava calmo. – Já imaginava que você fazer isso. Do jeito que você tava.

Sara: Você acha que eu fui muito precipitada? Não sei direito porque, mas eu estou me sentido culpada de alguma coisa. E não devia, eu sei, mas me sinto.

Fernando: Deve ser por causa da pressão do Júnior e dela mesmo. Aposto que eles não ficaram felizes. E sua mãe e seus irmãos?

Sara: Minha mãe acreditou em mim e me ajudou, os outros não sabem.

Fernando: Não tem porque você se sentir culpada. É uma situação complicada, que envolve emoções, mágoas e dinheiro. Você fez o que julgou certo para melhorar a situação. – Ele diz com a mão no ombro dela. Os dois ficam assim por um tempo. Ela coloca a mão em cima da dele e ele retira a sua, se levantando.

Fernando: Já arrumei a mala das crianças. O Gabs disse que arrumaria a dele. Vou separar algumas roupas, já desço pra comer.

Sara: Ok.

Ela deita no sofá, pensativa.

12. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DO JÚNIOR

Júnior sai do banheiro, enrolado em uma toalha, entra em seu quarto e tranca a porta. Enquanto separa roupas para colocar em uma mochila, Nora bate à porta.

Nora: Filho, você está pronto? Só falta você! Eu e sua irmã já estamos te esperando lá embaixo!

Júnior: Já vou, mãe!

Júnior termina de arrumar suas roupas na mochila, tira de uma das gavetas o vidrinho de remédio e o arruma atrás das roupas, na mochila, se troca e desce.

13. EXTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – GARAGEM

Nora e Carol estão colocando as malas no carro de Júnior, quando vêem outro carro estacionar.

Carol: Carlos!

Carlos: Bom dia.

Nora: O que você está fazendo aqui? – Pergunta enquanto Júnior desce com sua mochila.

Júnior: Carlos! – Diz, e complementa dando um tapinha no ombro do irmão.

Carlos: Bom, eu não queria ir sozinho pra Petrópolis. Vocês sabem, a Sara tem o Nando e as crianças, o Tomás tem a Vitória. E vocês três, agora, se têm mutuamente. Eu queria companhia. Quem se habilita?

Júnior: Olha, foi mal, mano, mas não vai dar. Eu combinei de sair com a galera amanhã e queria voltar antes. O Betão vai comemorar que ele conseguiu tirar a carteira e ganhou um carro do pai.

Carlos: Que ótimo. Ele tirou a carteira, e vocês vão beber.

Carol: Super responsável. – Júnior responde fingindo resmungar. – Eu vou com você, Carlos.

Nora: Eu iria também, querido, mas não vou deixar o Júnior sozinho.

Carlos: Tudo bem, mãe. Vamos?

Os quatro entram nos respectivos carros e dirigem em direção a Petrópolis.

14. EXTERNA – DIA – ESTRADA PARA PETRÓPOLIS – CARRO DA SARA

Rafaela: Hm… Tem quatro patas?

Eduardo: Uhum.

Rafaela: Cachorro.

Eduardo: Acertou. Agora é a vez do Gabs. Vai Gabs, pensa num animal.

Gabs está ouvindo música com seu MP4 e ignora o irmão.

Fernando: O Gabs é um adolescente agora, Dudu. Ele não brinca mais dessas coisas. – Diz, tirando sarro do filho.

Eduardo e Rafaela: Adolescente! Adolescente! – Berram enquanto fazem caretas para o irmão e tentam tirar os fones de ouvido dele.

Gabriel: Tá, tá! Eu penso… Pronto.

Rafaela: Mãe, sua vez de perguntar.

Sara: Vive em zoológico?

Gabriel: Não.

Fernando: Voa?

Gabriel: Sim.

Rafaela: Tem pena?

Gabriel: Não.

Eduardo: É morcego?

Gabriel: Não.

Rafaela: Ah, que é? Não existe, não vale!

Gabriel: É um vampiro! – E parte para cima dos irmãos, com os dentes de cima para frente, fingindo ir morder o pescoço de Eduardo que está mais próximo, e fazendo cócegas nos dois, que gargalham.

Sara e Fernando riem também, orgulhosos da relação que os filhos têm.

15. EXTERNA – DIA – ESTRADA PARA PETRÓPOLIS – CARRO DO TOMÁS

Tomás e Vitória estão conversando e rindo, discutindo o futuro do filho.

Vitória: E então?

Tomás: Daí, quando ele tiver com 12 anos, vai dar o primeiro beijo…

Vitória: Tá louco? O primeiro beijo só com 25 e olhe lá! – Ela diz rindo.

Tomás: No ensino médio, o apelido dele vai ser ‘Tiago, o pegador’. Vai arrasar corações das menininhas.

Vitória: Ah é, é?

Tomás: É. – Ele diz, fazendo cara de safado.

Vitória: Isso tá me soando coisa de pai recalcado, que não conseguiu o que queria quando era jovem e projeta o desejo no filho. – Ela ri.

Tomás: É nada. Você não conhece meu passado, Vitória Passos. – Ela dá um tapinha no braço dele.

Vitória: Sei… E então?

Tomás: Daí ele vai conhecer uma mulher linda na faculdade, de administração, lógico, e vai se apaixonar e eles vão se casar.

Vitória: Ai que dor no coração! E ele nem nasceu! Ainda bem que até lá tem uns bons 20 anos.

Tomás: É, quem mandou casar com o garanhão aqui? Agora que nosso filho vai ter os meus genes, ele será irresistível!

Vitória: Convencido! – Os dois riem e se beijam.

16. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE VERA – SALA

Vera está sentada em seu sofá, olhando para as fotos de Guilherme e Rebeca e lembrando como tinha sido nos anos anteriores. Era seu aniversário naquele dia, e ela lembrava como Rebeca lhe tinha feito um bolo há dois anos e que Guilherme costumava escapar do escritório após o almoço e passar por sua casa para um beijo e deixar seu presente. Em meio a devaneios, ela escuta a porta bater. Ela atende e vê Saulo.

Vera: O que você está fazendo aqui? – Ela pergunta surpresa, ainda mais ao ver que ele está segurando um buquê de rosas.

Saulo: É seu aniversário. Vim te desejar felicidades. – Ele dá um beijo no rosto dela e lhe entrega as flores.

Vera: Entra e se senta. Eu vou preparar um café pra gente e guardar essas flores. – Ele faz o que ela sugeriu, e ela enche uma garrafa com água para colocar as flores. Depois começa a preparar café.

Saulo: Além do mais, eu fui banido do programa Andrade.

Vera: Que programa?

Saulo: Eles viajaram pra Petrópolis, por causa da anunciada venda da casa.

Vera: Ah, Petrópolis. Era uma delícia lá. Me lembro da primeira vez que Guilherme me levou…

Saulo: Vera.

Vera: Desculpa, que insensibilidade a minha. – Ela mexe em um dos armários da cozinha. – Vai querer açúcar ou adoçante?

Saulo: Escuta, Vera, sobre o nosso último encontro…

Vera: Tudo bem. – Ela diz prestando atenção na cafeteira.

Saulo: Não, não tá tudo bem. Desculpa por eu ter sido precipitado. Mas não pelo beijo, dele eu não me arrependo.

Vera: Saulo… Eu não posso. O Guilherme morreu recentemente.

Saulo: Fazem cinco meses!

Vera: E eu não posso dar garantia nenhuma sobre a Rebeca.

Saulo: Não me importo. – Ela fica em silêncio. – Você promete que reconsidera?

Vera: Não prometo nada, você sabe como eu sou. – Ela diz sorrindo. Ele se aproxima dela, e a beija na face novamente.

Saulo: Pensa com carinho.

Vera: Já vai? E o café?

Saulo: Vai te ajudar a pensar.

Vera: Sabe o que ia me ajudar a pensar? Você aqui. – Faz uma pausa. – Agora que a Rebeca saiu de casa, estou me sentindo tão sozinha…

Saulo: Melhor não, apesar de a tentação ser grande. A distância vai fazer você pensar mais rápido.

Eles se despedem e Vera bebe o seu café.

17. EXTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – PISCINA

Gabriel, os gêmeos e Júnior estavam na piscina. O mais velho brincando com os outros três. Nora, Carlos, Carol, Tomás e Vitória estavam na beira da piscina. Fernando e Sara estavam descarregando as bagagens.

Júnior: Eu sou um tubarão e vou comer vocês! – Júnior mergulha e vai atrás dos sobrinhos.

Vitória: Vocês podem falar o que quiserem, mas o Júnior é um ótimo tio.

Tomás: Seria melhor ainda se tivesse um emprego e juízo.

Nora: Deixa o menino! Ele sabe de tudo isso que nós vivemos repetindo. Uma hora ele se encontra.

Carol: Ai que assunto chato e repetitivo. Vamos falar de outra coisa?

Carlos: Eu tava lembrando… O papai me ensinou a nadar nessa piscina. – Tomás ri.

Tomás: É, eu lembro. Você morria de medo de água.

Nora: É verdade. Não sei como que tomava banho todo dia.

Carlos: Sempre valorizei a higiene pessoal. Ao contrário de certas pessoas… – Olha para Carol.

Carol: Ei! – Todos riam.

Tomás: Carol, mal-cheirosa! Fedida e sebosa! – Carol lança um olhar de desprezo para o irmão.

Carol: Como vocês eram maus! Cantar isso para uma garota de oito anos…

Nora: Ah, mas você bem que demorava uns três dias para tomar um novo banho.

Carlos: Três? Semanas só se for! Se ninguém obrigasse, ela ficava um mês sem banho. – Carol fuzila a todos com o olhar.

Vitória: Eu adoro as reuniões dos Andrades! – Diz entre risos.

Tomás: Ah, esses Andrades Express surgiram faz tempo! Está no berço da família.

Nora: O Guilherme costumava fazer fondue no inverno, lembram? Depois a gente vinha aqui pra fora pra curtir o frio com uma xícara de chá ou chocolate quente…

Carol: Verdade… E no verão, ele fazia vários churrascos aqui na piscina. Era muito gostoso.

Tomás: Tinham uns bem embaraçosos também, né? Me lembro quando a mamãe disse pra gente convidar amigos. Eu trouxe o Marcos, da faculdade já… E daí quando ele saiu do quarto, onde ele tava se trocando pra ir na piscina, ele encontrou você e o Carlos tentando olhar pela fechadura e por baixo da porta. Super embaraçoso. – Todos riem.

Rafaela: Vó! Eu preciso da minha insulina! – Diz já saindo da água.

Nora: Seus pais estão lá dentro. Devem estar no quarto. – A menina entra na casa.

18. INTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – QUARTO DOS VIANA

Sara e Fernando deixam as bagagens dos filhos no chão e se deitam na cama.

Sara: Nossa, que sol! Odeio fazer esforço físico sob sol quente.

Fernando: Sabe que esse sol me animou?

Sara: É? – Ela olha pra ele com um sorriso.

Fernando: Uhum, esse ar puro de Petrópolis, o clima… Acho que o que a gente precisava era sair de casa, das brigas um pouco.

Sara: Hm… Precisava mesmo. Perdi a conta dos dias que a gente não se animava.

Fernando: Águas passadas. – Ele se vira e fica em cima dela.

Fernando beija a mulher, passando a mão por seus cabelos e a outra em uma das pernas. Ela coloca as mãos nas costas dele e as desce. O clima esquenta. Fernando está desabotoando a camisa quando Rafaela entra e os dois se sentam na cama. Sara endireita o cabelo.

Rafaela: Mãe, tá na hora da minha insulina.

Sara: Vai indo pra sala, Rafa, eu já levo a insulina. – A menina sai.

Sara se levanta e procura o kit de insulina na bagagem da filha, depois que acha, se vira para o marido e pisca.

Sara: Esse assunto ainda não acabou.

19. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE VERA – SALA

Vera abre a geladeira e tira de lá um bolo pequeno e o coloca em cima da mesa. Abre a gaveta da cozinha, pega uma faca e uma vela comum. Coloca a vela em cima do bolo e escuta a campainha tocar. Abre a porta e vê Rebeca.

Vera: Filha? – Depois do choque inicial, ela abraça Rebeca, que retribui.

Rebeca: Parabéns! Já cortou o bolo?

Vera: Não! – Vera diz sorrindo e fecha a porta. – Vou por mais um prato na mesa!

Elas cantam ‘Parabéns pra Você’ e Vera serve os pedaços de bolo. As duas comem.

Vera: E então? O que te fez mudar de idéia?

Rebeca: Eu fiz o exame de DNA hoje.

Vera: O quê? Te obrigaram? Eles não têm um pingo de moral!

Rebeca: Eu fui porque quis, mãe. Sob muita insistência da Sara, é verdade. Mas eu queria acabar com isso de uma vez por todas. Eu só queria que tudo voltasse a ser como era antes, sabe?

Vera: Sei… Se você parasse com essa teimosia poderia voltar pra casa. Eu sinto sua falta.

Rebeca: Não é fácil assim. Você mentiu pra mim e isso dói. E não foi uma mentira boba, foi algo enorme. – Ela se levanta e coloca o prato na pia. – Eu te amo, é claro, você é minha mãe. Mas não me peça pra te perdoar. Ainda não.

Vera: Você não entende que eu fiz isso pra te proteger!

Rebeca: Você tem um conceito bem diferente de proteção. – Silêncio. – Eu vou embora, tenho alguns trabalhos da faculdade pra finalizar.

Vera: Mas já? Você nem me contou da faculdade, do relacionamento com o Júnior… Como está? Conseguiram se ajustar?

Rebeca: Eu realmente tenho que ir. – Abraça a mãe. – Feliz aniversário. – Sai pela porta.

Vera: Rebeca! – Ela se vira. – Quando sai o resultado do exame?

Rebeca: Você é inacreditável! Inacreditável! – Sai andando e entra no elevador, deixando Vera mais uma vez sozinha.

20. INTERNA – NOITE – CASA DE PETRÓPOLIS – SALA

Os Andrades acabaram de jantar e estão se reunindo na sala. Apenas Nora continua na cozinha, arrumando a mesa. Carlos, Carol e Gabriel estão sentados em um sofá. Júnior e os gêmeos estavam sentados no chão. Fernando e Sara sentados em outro sofá, e Tomás e Vitória em duas poltronas.

Fernando: Então? O que vamos fazer pra passar a noite?

Carol: Isso me lembra quando a gente era adolescente e fazia a brincadeira do copo e contava história de terror.

Sara: É… Não muito apropriado – Olha para os dois filhos brincando no chão.

Júnior: A gente podia brincar de Eu Nunca. – Diz rindo.

Carlos: Não é uma má idéia. Envolve álcool.

Tomás: Vindo do Júnior, só podia…

Vitória: Adorei! Faz muito tempo que eu não brinco disso!

Sara: Eu também! Nossa, desde a faculdade.

Júnior: Vocês tão falando sério? Eu tava brincando quando sugeri.

Carol: Eu gostei… Só temos que despachar os baixinhos aqui.

Eduardo: Ei, eu não sou baixinho! – Ele responde fazendo cara de bravo.

Carlos: E dona Nora também, né? Não vou revelar coisas na frente da minha mãe.

Nora: O que tem sua mãe? – Ela surge na porta da cozinha.

Sara: Ah, mãe! O Dudu e a Rafa tavam falando que eles querem que você conte uma história para eles no quarto e fique com eles lá um pouco.

Nora: Que ótimo! A vovó só vai guardar esse pano e eu vou com vocês, tá?

Nora vai para o quarto com os gêmeos e fecha a porta. Júnior começa a vasculhar no armário de bebidas.

Carol: Ótimo, Sara! Matou dois coelhos com uma cajadada só!

Sara: Eu sou demais. – Diz rindo e se vira para o outro filho. – E quanto a você?

Gabriel: O que tem eu?

Sara: Não sei não se eu deixo você brincar com a gente…

Gabriel: Que brincadeira é essa?

Júnior: É assim… A gente pega alguma bebida e deixa com a gente. E então começa. A primeira pessoa diz alguma coisa que nunca fez e se os outros que estão no mesmo lugar fizeram, têm que beber.

Gabriel: Parece divertido. – Diz sorrindo.

Fernando: É, garotão, mas se você for brincar vai ser com água. Refrigerante no máximo.

Gabriel: Tá. Eu brinco, mas daqui a pouco vai começar o show do Oasis na TV, e eu quero ver.

Sara: Ok.

Júnior: Achei! Tequila!

Tomás: Tequila?

Carlos: Por que raios o papai tinha tequila em casa?

Gabriel: Tem uma estatística que diz que tequila é a bebida que mais faz as mulheres quererem ir pra cama. – Faz uma pausa. – Não dormir, vocês entenderam.

Sara: Bonito, senhor Gabriel.

Júnior: Já ouvi alguma coisa parecida mesmo.

Carlos: Então tá explicado o porquê.

21. INTERNA – NOITE – CASA DE PETRÓPOLIS – SALA

Os Andrades restantes estão sentados nas mesmas posições, cada um com seu copo. Ao lado de Júnior, a garrafa de tequila, e uma de água, para Vitória e Gabriel.

Júnior: Então, quem começa?

Carol: Normalmente é quem pergunta.

Vitória: Começa você Júnior, daí a gente vai na ordem.

Júnior: Eu nunca… Hm, dancei até o chão.

Sara: O quê? – Ela dizia enquanto todos riam.

Júnior: É, poxa. Assumam.

Os Andrades se entreolham. Carol e Carlos bebem. O resto volta a rir.

Tomás: O quê?

Carol: Festa de confraternização do Ágora. E um pouco de vodka.

Carlos não diz nada e os outros ficam olhando.

Carlos: O que foi? A gente não é obrigado a explicar.

Sara: Nesse caso é sim! Eu não sabia que tinha um irmão dançarino.

Carlos: Boate gay, há vários anos atrás. Você não sabe o que a gente é induzido a fazer lá dentro.

Tomás: É mesmo. Por isso eu deixei de acompanhar o Carlos. – Diz enquanto todos riem.

Fernando: Bom, sou eu? Eu nunca… nadei pelado.

Novamente, todos se entreolham. Júnior bebe.

Júnior: Era tarde da noite, casa de uma namorada… Longa história. Próximo.

Sara: Eu nunca fui perseguida por um cachorro na rua.

Todos olham espantados para Sara e surpresos por o que ela disse.

Carol: Nossa, Sara, que falta de criatividade. – Diz e depois bebe. Todos riem.

Gabriel: Eu nunca… me casei. – Todos olham pra ele.

Tomás, Vitória, Sara e Fernando bebem.

Carol: Obrigada por jogar na cara, Gabs.

Gabriel: Eu sei que é bobo, mas é só pros quatro beberem.

Carol: Minha vez. Vejamos… Algo que eu não beba, né? Pelo amor de Deus. – Ela para e pensa um pouco. – Eu… Nunca me vesti de Madonna.

Gabriel: O quê?

Tomás: Meu Deus! Vocês inventam umas coisas!

Júnior, Sara, Carlos, Fernando e Vitória bebem.

Júnior: Carnaval… Sabe como é.

Sara: Como assim você não me contou isso? – Dá um tapinha no braço do marido.

Gabriel: Pai! – E ri.

Fernando: Festa de faculdade… Era trocado.

Vitória: Festa à fantasia.

Sara: Eu e o Carlos também, né Carlos? A mesma fantasia.

Carlos: Uhum. A Madonna com sutiã de cone.

Carol: Meu Deus! Eu não esperava tanta gente!

Carlos: Ok, minha vez! Eu nunca vi pornografia na Internet.

Gabriel e Júnior bebem.

Carlos: Sabia que ele ia beber com essa! Você não tinha bebido nada ainda, Gabs.

Tomás: E o Júnior também!

Júnior: Não vem não, porque se existisse internet quando você tinha a minha idade mais ou menos, um pouco menos, você ia se esbaldar. Herdei várias Playboys de você. – Vitória ri.

Sara: Ok, vamos passar pra próxima porque isso foi embaraçoso o suficiente pra mim…

Gabriel: É… eu acho melhor ir ver meu show.

Gabriel sai e deixa cair algo no sofá.

22. INTERNA – NOITE – CASA DE PETRÓPOLIS – SALA

Tomás: Eu! Eu nunca roubei. – Todos bebem, com exceção de Tomás. – Meu Deus! Eu vivo entre criminosos! Minha própria mulher. Que exemplo meu filho vai ter?

Carlos: Relaxa, ele não vai se tornar o novo Al Capone. A gente só roubou doces quando era criança, caneta de loja, quando eles dão pra assinar… E obviamente várias coisinhas de hotéis.

Tomás: Sei…

Vitória: Eu nunca saí na rua com roupa transparente.

Carol e Carlos bebem.

Carlos: Clichê? Eu sei. Foi uma vez, anos 80… Não conta.

Júnior: Olha, sou eu de novo. Hm… Eu nunca tirei fotos reveladoras.

Sara: Isso é um Andrade Express, Júnior? Porque não teve nenhuma graça.

Fernando: Ahn? Do que você ta falando, Sá?

Sara: Fotos é uma clara referência à Rebeca, e reveladoras então!

Carol: Sara, não viaja.

Júnior: Nossa, não mesmo! Eu não me referi à Rebeca, e nem a você e essa sua idéia estúpida de DNA.

Tomás: Como assim DNA?

Júnior: A Sara resolveu induzir a Rebeca a fazer um teste de DNA com ela sem avisar ninguém.

Sara: A gente precisa saber! Confirmar que ela é mesmo filha do papai ou não.

Carlos: Você podia ter consultado a gente.

Sara: Não tinha tempo.

Vitória bebe água e bate o copo na mesa. Todos olham para ela.

Vitória: Eu nunca tirei fotos reveladoras, só quero mudar de assunto e continuar o jogo. Fernando, é você. – Ele agradece a cunhada silenciosamente.

Fernando: Eu nunca subi num palco para dançar.

Todos se olham e ninguém bebe.

Carlos: Qual é, Tomás? Não vai beber?

Tomás: Ué, por quê?

Carlos: Me lembro muito bem! Numa das primeiras baladas que você foi comigo, a drag queen que era a hostess da noite te chamou no palco junto com os go-go-boys e você foi. – Todos riem. – Foi a coisa mais engraçada da minha vida! Acho que ganha de todos os micos da Carol, e olha que isso é difícil.

Tomás bebe.

Vitória: Tomás Andrade e seu passado secreto. Playboys, dança com go-go-boys… O que eu vou dizer para o nosso filho?

Tomás: Eu sei que eu vou dizer que a mãe dele é uma ladra perigosa.

Sara: Eu nunca enchi a cara a ponto de ir pro hospital. – Faz uma careta de superioridade e vingança para Júnior.

Carol: Sara, corta essa!

Júnior: Não, tudo bem. Assim, eu bebo mais. – Retribui a careta e bebe.

Carol: Já que tá na linha dos Andrades Express, eu nunca tive encontros pela internet.

Carlos: Nossa, engraçadíssimo. – Diz sério e bebe. – A fonte de graça dessa piada já esgotou. Inventem outra. Minha vez? Eu nunca tive ciúmes da filha do meu interesse amoroso.

Júnior: Ahn?

Carlos: Perguntem pra Carol.

Carol: A Larissa é filha do Roberto? – Ela bebe com vontade.

Carlos: Admitiu o interesse agora?

Carol: Não admiti nada. Ele é muito charmoso, mas só.

Sara: O Roberto Pelegrini? – Ela faz cara de chocada e joga uma almofada na irmã. – E como você não ia me contar isso?

Tomás: O candidato da oposição, Carol?

Carol: Meu Deus! Eu não tenho nada com ele! Tomás, é você!

Tomás: Eu nunca levei surra da minha mãe.

Fernando, Sara e Carol bebem, enquanto isso Nora chega na sala devagar.

Nora: Nossa, acabei dormindo junto com eles! O que vocês ficaram fazendo? O que é essa tequila?

Tomás: Nós estávamos brincando, mãe. De Eu Nunca.

Nora: Ah, que ótimo! Vou me juntar a vocês. – Se senta ao lado de Sara.

Carol: Na verdade a gente já tava indo dormir.

Sara: É, desculpa mãe.

Todos, com exceção de Júnior se levantam. Sara dá um beijo na testa da mãe. Ela, Fernando, Carol e Carlos vão para o lado de fora da casa, ver a lua. Tomás e Vitória vão para o quarto.

Nora: Então eu acho que também vou. – Diz um pouco decepcionada.

Júnior: Calma, calma. Deixa eu pegar o celular no quarto, pra ver se tem alguma mensagem.

23. INTERNA – NOITE – CASA DE PETRÓPOLIS – QUARTO DO JÚNIOR, NORA E GABRIEL

Júnior entra no quarto, abre sua mochila e tira de dentro o seu vidro com comprimidos. Escuta Nora entrando e o guarda no bolso.

Nora: Boa noite, filho. – Dá um beijo nele.

Ele sai do quarto e pára no corredor para tirar um comprimido do vidro. Escuta passos e entra no quarto em que Eduardo e Rafaela estão dormindo. Toma o comprimido e esconde o vidro na bagagem dos sobrinhos.

24. INTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – COZINHA

Nora foi a primeira a acordar no dia seguinte, tomou café da manhã e foi para o lado de fora, cuidar das plantas, ou se despedir delas. Tomás e Vitória acordaram em seguida, tomaram café e foram se encontrar com a matriarca dos Andrades.

Tomás: Mãe, a gente tá indo.

Nora: Mas já, tão cedo.

Vitória: A gente tem que passar na casa dos meus pais ainda.

Nora: Ok, então. Tchau, filho. – Dá um beijo nele. E depois se volta para a nora, dá um beijo nela e se direciona a sua barriga. – Tchau, Vitória. Tchau, Tiaguinho. Já tô me acostumando.

Eles se despedem e vão embora.

25. INTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – SALA

Gabriel está pegando algo no sofá e Carol passa e fica olhando. Ela vê que é um gravador.

Carol: Olha isso! O mais novo jornalista dos Andrades. Vai ultrapassar sua tia, hein? Tudo bem que isso seria ilegal e anti-ético no mundo real, mas… – Gabs ri.

Gabriel: Promete que não conta pra minha mãe, tia?

Carol: Prometo.

26. EXTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – PISCINA

Sara: O quê?

Carol: Um gravador. Ele gravou toda nossa brincadeira ontem. Olha que safado.

Sara: Demais até pro meu gosto. E depois era o filho do Tomás que ia virar o Al Capone.

Carol: Você não vai falar nada pra ele, né?

Sara: Lógico que vou! Tem coisa ali que ele não pode ouvir.

Carol: Mas e a minha credibilidade como tia, como fica? Eu prometi pra ele que não ia falar nada.

Sara: Ah, ótimo exemplo.

Carol: Até parece. Ele ia acabar virando fofoqueiro de qualquer jeito. Tá nos nossos genes. – Sara se manifesta. – E eu não me referi à Rebeca. É só você ir no quarto dele de noite e sumir com a fita um dia.

Sara: E que lição ele vai aprender com isso?

Carol: Tá, então dá um tempo e dá um flagra nele.

Sara: Ok, ok. Não vou te dedurar.

Carol: Brigada.

Sara: Já volto. Tá na hora da insulina da Rafa.

27. INTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – QUARTO DOS VIANA

Sara entra e mexe na mala dos filhos para pegar a insulina da Rafaela. Sente algo diferente e o tira da bagagem. É um vidro de remédios, lê o nome escrito no rótulo: Juzão. Tira um comprimido de dentro e o reconhece como uma anfetamina, com ajuda das informações no rótulo.

28. INTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – SALA

Sara: Júnior Andrade! – Diz alto e firme enquanto anda com passos fortes em direção ao irmão. – Você pode ter a sua imaturidade, irresponsabilidade. Pode ter até um charminho, eu realmente não me importo, enquanto você é feliz, mas agora você passou dos limites.

Todos escutam o começo de briga e vão para a sala.

Fernando: Calma Sara, o que houve?

Sara: Eu achei na bagagem da nossa filha um vidro de remédios com comprimidos de anfetamina dentro. No vidro tinha escrito ‘Juzão’. Deduzo que seja você. – Diz se virando para o irmão. – Como se não bastasse encher a cara e usar esta porcaria, – Joga o vidro não chão. Ele não se quebra. – colocando sua própria vida em risco, você colocou em risco a vida dos nossos filhos.

Fernando: Escuta aqui! – Ele segura o braço de Júnior com força. – Eu não me importo se você e a sua irmã estão com rixas, mas eu me importo com a segurança dos meus filhos. Enquanto você não parar com isso, antes que tome proporções desastrosas, você não dirige a palavra aos meus filhos.

Os gêmeos e Gabriel assistem chocados. Carol os tira da sala.

Sara: Carol, aplica a insulina da Rafa, tá no quarto. – Ela se aproxima do marido e do irmão, e tira a mão do marido do braço do irmão, que está com uma cara assustada. – Chega. Eu tô muito decepcionada, Júnior.

Júnior: Eu… Desculpa! Não quis, mas eu ouvi passos e daí entrei no quarto de vocês e deixei lá. Desculpa. Eu amo os três demais. Nunca faria nada a eles.

Sara: Você sóbrio, nunca faria nada a eles.

Eles ouvem buzinas. O celular de Júnior toca.

Sara: Vai embora, antes que eu me irrite de novo. Aproveita bem sua saída. – Diz irônica.

Júnior sai e vai embora com seus amigos.

29. INTERNA – DIA – CASA DOS PASSOS – SALA

Vitória está sentada com sua mãe na sala. Tomás tinha voltado para casa para deixar a mulher e a sogra sozinhas. Ela estava com seu carro.

Vitória: É lindo, mãe! – Diz, segurando uma macacãozinho de bebê.

Regina: Não é? A coisa mais fofa! Tem mais alguns pra eu te mostrar.

Vitória: Nossa, mais? Acho que já o suficiente. Nosso filho vai ter mais roupa que ocasião para vesti-las. – Ela ri. – Além do que, eu tenho que ir já. Eu e o Tomás ficamos de jantar em algum lugar romântico.

Regina: Tudo bem, filha. Volta semana que vem e eu te mostro o resto das roupas. – Dá um beijo na filha. – Te amo e estava morrendo de saudades!

Vitória sai.

30. INTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – QUARTO DOS VIANA

Gabriel está ouvindo as gravações do gravador quando Nora entra e ele pára a gravação.

Nora: O que é isso?

Gabriel: Eu gravei a brincadeira deles ontem.

Nora: Que ótimo! Vamos escutar.

Eles escutam e riem junto com os gravados.

31. EXTERNA – DIA – RUAS DO RIO DE JANEIRO

Vitória estava atravessando a rua para ir ao lugar onde ela tinha estacionado, quando um carro desgovernado passa, buzina bem em cima dela e a acerta com tudo. Ela cai no asfalto e bate a cabeça, perdendo a consciência.

32. INTERNA – DIA – CASA DE PETRÓPOLIS – QUARTO DOS VIANA

Nora e Gabriel ainda estão rindo das gravações. Carol entra no quarto, aflita.

Carol: O Tomás acabou de ligar do hospital! A Vitória sofreu um acidente! Vamos logo!

CONTINUA…

TRILHA SONORA

Cena 16

Love is a Losing Game – Amy Winehouse

Cena 17

Águas de Março – Tom Jobim

– Cena 20, 21 e 22

Keep It Simple – Cobra Starship

5 Respostas to “Eu Nunca…”

  1. Carine Says:

    Odeeeeio com todas as minhas forças pessoas que mendigam amor! Aff³²¹ gigante pro Saulo!
    Adorei a brincadeirinha deles! kekeke³²¹
    Eu aqui pensando que o Fernando era meio banana, enfrentou legal o Júnior e sobre este, como assim se encher de porcaria, que falta de maturidade! ¬¬’

    Esperando ansiosa pra saber o que aconteceu com o Andrade que ainda nem nasceu!
    o/

  2. Alice Says:

    Quando vi o nome do episódio pensei que fosse ficar todo mundo bêbado [e as histórias dos bêbados são as melhores].. Seria engraçado os irmãos bêbados!!
    Minha suspeita de Larissa ser filha de Roberto se confirmou
    \o/
    Torcendo pro exame de DNA da Rebeca dar negativo e ela se acertar com o Junior e dar um jeito nele!! Torço muito por eles.. E só vou deixar de torcer quando/se tiver certeza que eles não são irmãos!!
    Na espera pelo próximo

  3. Gustavo Says:

    Salve galera.

    “Restaurante Tudo de Bom”?! De onde tiraram essa ideia?! Adorei os gerúndios, bem coisa de atendente de telemarketing.

    Fiquei com pena da Vera… tá tudo bem que ela não é nenhuma santa, mas ninguém merece passar o aniversário só. Será que ela não tem nenhuma amiga??

    Gostei da atitude do Fernando com o Junior. Será que agora ele toma jeito??

    E a Vitória?! Coitada, espero que nada de grave tenha acontecido com ela e com o bebê, apesar da pancada na cabeça…

    Que venha o próximo episódio.

  4. Natie Says:

    Ah, adorei! 😀
    Eu adorooooo qdo essas brincadeiras sao envolvidas em reunioes familiares… rsrs… E com os Andrade era certo q ia ser MTUUU legal… Altas revelações!
    Tio Saulo ja ta mala hien? Nossa… Tomara q ele arrume uma ocupação pra parar de ficar atras da Vera…
    Finalmente o DNA vai acabar com o suspense!!! (torcida p/ o NAO!! :D)
    Bem desconfortavel a situação do Junior com a Sara e o Fernando ne? Espero q ele melhore e pare com os remedios…
    Fiquei feliz pela Carol! 🙂 E adorei a cena com a mulher do escritorio do Roberto! Esses gerundios realmente irritam!
    E eu espero q a Vitoria fique bem!!!

    Beijooos

  5. Laís Says:

    “Carol: Querida, primeiro você pode parar de falar com gerúndios. Depois, eu gostaria de ser informada da agenda do senhor Pelegrini. É para divulgação. Eu sou a Carol Andrade, do jornal Ágora.”

    Muito bom, odeio quem fala com gerúndios…

    E coitada da Vitória, putz…

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