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Nos episódios anteriores: Tomás e Vitória descobrem que vão ter um menino. Fernando vê Sara e um escritor conversando e os dois discutem. Na festa da livraria, Vera aparece e provoca uma discussão com a família Andrade. Júnior tenta consolar Rebeca e Saulo leva Vera em casa. Nora visita o túmulo de Guilherme, e Sara descobre documentos que podem abalar as finanças da livraria.

1. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Nora terminava de tomar o café da manhã quando Carol entra na cozinha, já pronta para o trabalho.

Nora: Bom dia, filha. O café está pronto. Tem leite e suco na geladeira. Os pães, bolo e biscoitos estão na mesa.

Carol: Nossa, que saudades de morar em casa. Em São Paulo, café da manhã era um cafezinho na lanchonete perto da redação.

Nora: Não é à toa que você está magrinha desse jeito. Eu estou saindo, mas vê se toma seu café direito antes de sair.

Carol: Onde você vai tão cedo assim?

Nora: O advogado que está cuidando da divisão dos bens que o Guilherme deixou, me ligou marcando uma reunião para tratar sobre a pensão.

Carol: Não seria melhor o Carlos ir também?

Nora: Por quê? Por um acaso eu sou incompetente e não sei cuidar dos meus assuntos? – ela pergunta um pouco irritada.

Carol: Não é isso, é que o Carlos poderia ajudar a traduzir o quê o advogado estiver falando.

Nora: Eu preciso retomar minha vida. Descobrir tudo o que Guilherme fez a mim e a nossa família foi difícil, mas eu não posso me escorar no Carlos ou em nenhum de vocês o resto da minha vida.

Carol: Muito bem, dona Nora, tenha um bom dia.

Nora: Você também. – ela vai saindo, mas volta e emenda – Coloca um brinco e passa um pouco de batom, está muito pálida. Precisa causar uma boa impressão no Roberto Pellegrini, sabe o quê falam: a primeira impressão é a que fica.

Carol: Então ele deve me achar uma idiota. – ela murmura baixinho.

Nora: Falou alguma coisa?

Carol: Não, só estava repassando meus afazeres do dia em voz alta.

Nora saiu, e Carol fica pensando no que a mãe disse. Depois que toma o café, volta ao quarto e pega um brinco discreto e passa um pouco de blush e batom. Ele já tinha visto-a cometendo uma gafe na televisão e suada com um galo na testa depois de um esbarrão. Aquela entrevista não poderia ser o pior encontro deles, essa entrevista não poderia ser o pior momento dela.

2. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DO TOMÁS – COZINHA

Vitória está sentada comendo uma torrada e Tomás carrega a jarra de suco de laranja para a mesa. Ele senta do lado da esposa e começa a tomar seu café da manhã.

Vitória: A gente precisa resolver logo o nome do nosso filho.

Tomás: Eu sei, mas é uma decisão difícil escolher um nome que nosso filho goste depois que crescer.

Vitória: Você sabe que podemos ficar com o nome do seu pai. Eu entenderia se quisesse fazer esta homenagem a ele.

Tomás: Acho melhor não. Já tem o Júnior, que dividiu o nome com ele a vida inteira. E depois de descobrir que ele traia a mamãe por tantos anos, não quero que nosso filho carregue no nome essa herança do meu pai.

Vitória: Eu sei que você está com raiva do que ele fez, mas depois que o tempo passar…

Tomas: Eu não estou com raiva, estou decepcionado. Eu segui os passos e os ensinamentos dele. Eu aprendi a ser homem, marido e pai com ele. Fico imaginando que péssima imagem você deve ter de mim agora.

Vitória: Você não é o seu pai, Tomás. Eu sei disso. – ela passa a mão no rosto dele e dá um beijo de leve em seus lábios – Tenho certeza que vai ser um ótimo pai, como é um ótimo marido.

Tomás sorri para a esposa e repousa a mão na barriga sentindo o bebê mexer.

Vitória: Então, como vamos decidir qual o nome dele?

Tomás: Podemos fazer um sorteio como nos filmes. – ele fala rindo.

Vitória pensa na sugestão do marido e acaba achando que é uma idéia a se pensar.

Vitória: Não é má idéia, é diferente e seria uma história para contar no futuro.

Tomás: Eu estava brincando. Imagina se sai um nome que a gente não gosta?

Vitória: Mas a idéia é boa. A gente pode selecionar uns nomes antes de fazer o sorteio, e vamos nos divertir fazendo isso.

Tomás: Mas escolhemos quantos nomes?

Vitória: Podemos escrever uma lista com dez nomes, cada um pode sugerir cinco nomes. Quando a lista tiver os dez nomes, sorteamos.

Tomás: E se um de nós não gostar do nome sugerido pelo outro para a lista?

Vitória: Todos os nomes da lista precisam ser aceitos pelos dois. Ah Tomás vai ser divertido. Assim dividimos a responsabilidade de escolher o nome do bebê.

Tomás sorri vendo a felicidade da esposa e se convence que a idéia pode ser divertida. Os dois terminam de tomar café da manhã juntos antes de saírem para trabalhar.

3. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DA SARA – COZINHA

Sara termina de preparar o lanche dos gêmeos. Gabriel já está com o dinheiro para comprar seu lanche na escola. Os três filhos terminam de tomar café da manhã. Ferdi entra na cozinha, mas os carinhos matinais que eram de costume deles, já não faziam parte do dia-a-dia desde a briga na livraria.

Eduardo: Mamãe! E o livro que a professora pediu pra levar?

Rafaela: E o meu?

Sara: Já está na mochila de cada um. Se bem que poderiam ler juntos, não sei pra que dois livros iguais.

Fernando não fala nada, termina de tomar o café puro, levanta-se e pega a velha pasta, com partituras de composições conhecidas e de composições próprias.

Sara: Você vai sair depois de deixar as crianças na escola?

Fernando: Hoje eu começo a trabalhar no conservatório de música Maria Inês de Carvalho.

Sara: Não sabia que já iria começar. – ela pergunta surpresa – Por que não me contou?

Fernando: Não achei que se importava, não mais. – ele vira para as crianças e os apressa – Vamos logo, ou vocês chegam tarde pra escola e eu tarde no trabalho.

Sara fica triste ao perceber a distância entre ela e o marido. Em quatorze anos de casamento, eles já tinham discutido algumas vezes, mas nunca tão grave. Ela resolve dar uma trégua e vai correndo para alcançar o marido antes que ele pegue o elevador.

Sara: Ferdi, espera um pouco.

Fernando: O que foi, Sara? Nós estamos atrasados.

Sara: Boa sorte no novo emprego. – e sorri triste para ele.

Fernando não responde, mas sorri para a esposa, agradecendo o gesto e entra no elevador. Sara fecha a porta e pega a agenda. Ela e Ferdi estariam completando catorze anos de casamento em dois dias, e ela queria planejar algo especial para os dois. Ela tinha tempo para pensar, mas antes precisava enfrentar Tomás sobre os papéis encontrados na livraria. Não queria acreditar que ele tinha sido tão descuidado e até desonesto, deixando a empresa em sérios problemas.

4. INTERNA – DIA – LIVRARIA ANDANÇA CENTRAL

Saulo organiza uns documentos à espera da reunião com os sobrinhos e recebe uma chamada de Rebeca no celular.

Saulo: Oi Beca.

Rebeca: Oi Saulo, tudo bem?

Saulo: Sim, a que devo essa surpresa?

Rebeca: Eu sempre te liguei, nem é tão surpresa assim.

Saulo: Não nos últimos meses, você não me ligou mais.

Rebeca: Você sempre foi como um tio pra mim, mas essa história toda da minha mãe me deixou muito confusa. Mas estou ligando para pedir um favor.

Saulo: O que você precisa?

Rebeca: Uma carona? – ela dá risada – é que preciso fazer umas compras pra casa.

Saulo: Não precisa falar mais nada. Eu tenho uma reunião de negócios agora pela manhã, mas que tal na hora do almoço? Você faz suas compras e depois a gente conversa um pouco durante o almoço.

Rebeca: Boa idéia. Minha aula acaba meio-dia e quarenta.

Saulo: Eu te pego na universidade. Até mais tarde.

5. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA ADVOCACIA

Nora é levada até a sala de Raul Alcântra, o advogado que estava cuidado dos assuntos legais da família após a morte de Guilherme. Ele era colega de Carlos do escritório.

Raul: Bom dia, senhora.

Nora: Bom dia, doutor Alcântra.

Raul: O Carlos não vai se juntar a nós nessa reunião?

Nora: Hoje não. Além do mais, eu posso cuidar disso sozinha. Se meu filho confia no seu trabalho, então eu também confio.

Raul: Muito bem, mas eu temo que as notícias não são boas. Quando dei entrada no INSS para pedir a pensão que pertence à senhora por direito, descobri que seu marido não contribuía com a previdência social há 15 anos.

Nora: E o que isso quer dizer?

Raul: Pelo tempo que seu marido contribuiu com o INSS e o teto que ele pagava sendo o menor, a senhora terá direito a uma pensão de um salário mínimo.

Nora fica sem ação. Ela não estava preparada para mais aquela má notícia.

Raul: A senhora quer que chame o Carlos?

Nora: Não, não precisa. Eu só não acredito que ele tenha sido tão descuidado. Como pôde me deixar sem qualquer alternativa de sustento?

Raul: Essas coisas acontecem, principalmente com contribuintes autônomos. Mas a senhora tem direito a metade dos lucros da livraria, não precisa se preocupar.

Nora: Talvez a livraria não dure para sempre, mas eu nem devia me surpreender. Desde que meu marido morreu, há quatro meses atrás, eu só tenho recebido más notícias. – Nora levanta-se e estende a mão para o advogado – Obrigada de qualquer forma, é sempre melhor saber do que viver na mentira.

Ela sai da sala do advogado e resolve ir até ao orfanato. Nos últimos meses, era o único lugar que a deixava tranqüila.

6. INTERNA – DIA – COMITÊ DE CAMPANHA DE ROBERTO PELEGRINNI

Carol chega cedo para a entrevista, logo é recebida por uma mulher jovem e muito bonita.

Lílian: Bom dia, você deve ser Carolina Andrade, a repórter do Ágora.

Carol: Sim, mas pode me chamar de Carol, é como todo mundo me conhece.

Lílian: Tudo bem, Carol, eu sou Lílian, sou responsável pela parte audiovisual da campanha do Roberto. Ele está terminando uma reunião com o chefe de campanha e já vai falar com você. Você quer uma água ou um café enquanto espera?

Carol: Não, obrigada, mas você pode me contar um pouco da campanha.

Lílian: Claro, vamos até o escritório dele e podemos conversar com mais calma.

As duas sentam-se e Lílian conta como Roberto pretende fazer uma campanha limpa e sem ataques pessoais aos seus adversários. As duas logo percebem uma grande afinidade e mudam o foco da conversa. Roberto entra em seu escritório e encontra as duas dando risadas.

Roberto: Espero que não tenha denegrido minha imagem, Lílian.

As duas se viram, Carol pára de rir no mesmo instante. Ela tinha o dom de se atrapalhar perto de Roberto, na verdade, tinha sido só uma vez, mas o vídeo já era embaraçoso o suficiente para ela ficar envergonhada por muitos anos.

Lílian: De forma alguma. Eu e a Carol nem estávamos falando sobre você.

Roberto: Não sei se fico aliviado ou chateado por não ser o assunto de vocês.

Carol: Deveria ficar aliviado.

Roberto: Por quê?

Pega em flagrante, ela pensa. Mais uma vez estava sem fala, e ela é sempre muito bem articulada. Ele parecia ter o dom de deixá-la encabulada.

Lílian: Roberto, deixa a Carol em paz. Ela já foi gentil o suficiente de ficar esperando por você por mais de meia hora. – ela vira pra Carol e continua – Não se preocupe, ele é bastante brincalhão, mas estava nervoso com essa entrevista.

Ela dá uma piscada cúmplice para Carol e sai da sala deixando os dois sozinhos para a entrevista.

Roberto: Então… Podemos começar?

Carol: Claro, mas não é preciso ficar nervoso, eu não vou publicar nada que você não disser.

Roberto: O problema é você conseguir arrancar de mim alguma coisa que eu não quero falar.

Carol: Você tem algum segredo escondido?

Roberto: Por que você não tenta descobrir?

Carol poderia estar enganada, mas ela e Roberto estavam flertando e ela não podia negar que ele era bem bonito e esperto. Roberto sentou em sua cadeira e Carol ficou de frente para ele para começar a entrevista.

7. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA ADVOCACIA

Carlos revisa os últimos documentos antes de entregar o processo na justiça para o divórcio de sua cliente, Yolanda Fontenelle. Seu celular toca e ele atende sem reconhecer o número de quem ligava.

Carlos: Alô?

Camilo: Carlos, aqui é Camilo Fontenelle. – Carlos já ia desligar o telefone quando escuta a voz do marido de sua cliente – Não desliga, estou ligando para pedir desculpas pela maneira que tenho agido com você.

Carlos: Você pedindo desculpas?

Camilo: Por incrível que pareça, sim. Não fui muito cordial com você nos últimos meses, mas demonstrou ser um homem de caráter e fibra, e gosto de pessoas assim. Estou ligando também porque o processo de divórcio já foi longe demais. Resolvi pagar o que a Yolanda está pedindo e acabar logo com essa guerra de egos.

Carlos: Você vai aceitar nossa proposta? Então peça a seu advogado para marcar uma reunião, para a assinatura do acordo.

Camilo: Não. Os papéis estão assinados, mas quero me desculpar com você pessoalmente. Estou ficando no apartamento da Barra, você pode aceitar meu convite para um jantar de desculpas e já levar os documentos assinados.

Carlos: Não sei…

Camilo: Eu não me desculpo facilmente. E quando o faço, gosto que seja bem feito.

Carlos: Tudo bem. Quando?

Camilo: Hoje à noite, às oito.

Carlos: Estarei lá.

08. INTERNA – DIA – LIVRARIA ANDANÇA CENTRAL

Sara chega na livraria para a reunião que ela marcou. Ela vai até a sala de reuniões onde Saulo já está sentado.

Sara: Então, ele já chegou?

Saulo: Sim, está no escritório fazendo alguns telefonemas e já vem.

Sara: Eu ainda não tenho certeza se estamos fazendo a coisa certa.

Saulo: O que mais podemos fazer? Só exigimos a verdade, afinal é o nosso emprego que está em risco. E essa livraria é herança da família toda.

Sara: Eu sei, só não posso acreditar no que está acontecendo.

Saulo: Não se precipite, Sara, ninguém foi acusado de nada.

Tomás entra na sala de reuniões e senta no lugar que já é seu de costume.

Tomás: Bom dia. Desculpem o atraso, mas estava conversando com alguns fornecedores.

Sara: Tudo bem, eu também acabei de chegar

Tomás: Então, qual o motivo dessa reunião extraordinária?

Sara: Você já vai saber.

Sara e Saulo entreolham-se, e ela começa a explicar o motivo da reunião.

Sara: Há uns dias atrás, o tio Saulo recebeu uma ligação interessante. Aparentemente não estamos pagando os fornecedores há oito meses. O saque para estes pagamento foi feito normalmente, mas não foram utilizados para essa finalidade.

Tomás: Como assim?

Sara: Nós queremos saber isso de você, Tomás. As notas foram todas assinadas por você.

Tomás: Espera um pouco, vocês estão me acusando? Achando que eu roubei a livraria? – ele se levanta um pouco alterado.

Sara: Não estamos acusando, queremos explicações. Afinal de contas, é sua assinatura que está nas notas.

Saulo: Tomás, está tudo bem, se acalme

Tomás: Não está tudo bem nada. Eu estou sendo acusado de roubar minha própria família!

Tomás começa a andar de um lado para outro.

Sara: Essas notas dizem o contrário, como podemos não pensar que esteve roubando a livraria?

Saulo: Tomás?

Tomás: Eu assinei isso, mas eu não paguei.

Sara: Onde está o dinheiro então, se você não pagou?

Tomás: Não está comigo, eu assinei essas notas, mas o pai era o responsável pelos pagamentos. Ele pedia minha assinatura nos papéis, me dizia para que eram.

Saulo: Assinava sem ler?

Tomás: Era o meu pai, por que eu iria precisar ler? Eu confiava nele. – ele abaixa a cabeça se sentindo culpado por não ser profissional como deveria ser.

A sala fica em silêncio, todos caindo na realidade que Guilherme os enganou mais uma vez, agora nos negócios da família.

Tomás: Eu não acredito que ele fez mais essa… Quem era nosso pai?

Saulo: Não é hora para isso, esse dinheiro foi parar em algum lugar, precisamos descobrir onde.

Tomás: Eu acho que sei onde, ou melhor com quem está esse dinheiro. – ele se levanta sai apressado.

Sara: Tomás, espera…

Ele sai com tanta pressa que não escuta Sara o chamando.

09. INTERNA – DIA – COMITÊ DE CAMPANHA DE ROBERTO PELEGRINNI

A entrevista ia muito bem, Carol questiona algumas propostas do seu plano de governo e Roberto responde com bastante conhecimento de causa.

Carol: Muito obrigada pela entrevista, boa sorte com a campanha.

Roberto: Então conseguiu descobrir algum segredo?

Carol: Segredo… Não. Mas confirmei duas suspeitas que eu tinha de você.

Roberto: Quais suspeitas? Que eu sou bonitão e que você quer sair comigo? – ele pergunta em tom de brincadeira.

Carol: Haha, não. Confirmei que você usa seu charme para conquistar o voto feminino e que pelo menos metade das suas visões políticas é completamente diferente das minhas.

Roberto: E a outra metade?

Carol: É utópica e nunca será posta em prática.

Roberto: Se o problema for só a política, quer dizer que ainda me acha bonitão e quer sair comigo.

Carol: Qual é o seu problema?

Roberto: Nenhum problema, a não ser conhecer uma mulher bonita como você, com visões políticas tão antiquadas.

Carol: Não são antiquadas, são tradicionais e dão certo.

Roberto: Dão certo mesmo? Se você acha que o quê vem sendo feito no país correto, então deve ficar tranqüila. Eu vejo um país cheio de potencial pouco aproveitado. E minhas idéias não são utópicas, são diferentes, por isso causa estranhamento em quem não tem a mente aberta para o novo. – ele estica a mão para cumprimentar Carol – Foi um prazer conhecê-la pessoalmente, bom trabalho durante a campanha e espero que até o final consiga convencê-la que eu sou sim um bom político com boas idéias.

Ele sai do escritório e deixa Carol lá parada. Ele realmente conseguia ser irritante, mas ao mesmo tempo charmoso. Ela vê Lílian entrando na sala e deixa as divagações para mais tarde.

Lílian: Então, ele é ótimo não é? Tem idéias ótimas pra cidade.

Carol: Você trabalha pra ele, não pode dizer outra coisa, mas ele é arrogante e prepotente. Acha que pode mudar o mundo. E aposto que usa botox pra ter aquela pele perfeita!

Lílian: Ele sempre foi idealista, desde ainda jovem, nos grêmios estudantis, no diretório acadêmico durante a faculdade, como professor e finalmente na política. Foram esses ideais que o trouxeram até o lugar que está hoje.

Carol: Você fala como se o conhecesse há muito tempo.

Lílian: Há trinta e três anos. Nós somos irmãos. – ela sorri vendo a cara de surpresa de Carol – e não, ele não usa botox. A pele saudável é resultado de boa alimentação, bastante água e genética.

Carol: Uhm… Eu lamento o que disse, é melhor eu ir embora, já falei demais por hoje.

Carol sai apressada e Roberto se aproxima de Lílian.

Roberto: Por que ela saiu apressada daquele jeito?

Lílian: Eu contei que sou sua irmã, depois que ela me falou o que achou de você.

Roberto: O que ela disse?

Lílian: Você está interessado nela, não é?

Roberto: Talvez… Ela é interessante, inteligente, bonita e esperta.

Lílian: Eu pago o almoço e você me conta como foi essa entrevista. Ah e ela acha que você usa botox.

Roberto dá risada e passa o braço pelos ombros da irmã. Eles resolvem almoçar mais cedo.

10. EXTERNA – DIA – SUPERMERCADO

Rebeca e Saulo conversavam animados enquanto ela escolhe o que comprar.

Saulo: Eu não acredito que está até hoje no curso de direito.Achei que fosse desistir.

Rebeca: Por quê? Achou que eu não iria conseguir?

Saulo: Não, só nunca imaginei você fazendo direito, não com sua espontaneidade ou seu olho artístico.

Rebeca: Eu preciso de uma profissão que dê futuro, Saulo. Por enquanto, eu posso trabalhar meio período com a fotografia e depois pode ser um hobby.

Saulo: Se você acha que vai ser feliz assim. Só quero que saiba que vai sempre ter meu apoio, no que for.

Rebeca solta o carrinho, abraça Saulo e dá um beijo em seu rosto.

Rebeca: Se eu pudesse escolher, queria que você fosse meu pai, e não o Guilherme. Ele sabia que eu era filha dele, e nem assim tentou se aproximar, ser um pai pra mim. E minha mãe foi pior, aceitando ser amante de um homem casado.

Saulo: O errado era o Guilherme, ele que tinha uma esposa e os filhos em casa. Sua mãe se apaixonou por ele e se entregou a esse amor, ela não tem culpa.

Rebeca não teve chance de responder quando escutou a voz de sua mãe chamando seu nome.

Vera: Rebeca, filha. O que está fazendo aqui?

Rebeca: Compras, o que mais poderia ser?

Vera: É claro. – ela percebe Saulo perto e acena a cabeça o cumprimentando. – Saulo, não esperava que justamente você estaria afastando minha filha de mim.

Saulo: Eu só estou ajudando ela com as compras.

Rebeca: Você não vai falar assim com o Saulo, ele só está me ajudando e você não tem direito de cobrar nenhuma atitude de ninguém, ainda mais depois do seu casinho com o Guilherme

Vera: Rebeca…

Rebeca: E o que está fazendo? Me seguindo? Vigiando o que eu faço e deixo de fazer?

Vera: Eu sou sua mãe menina, você não tem o direito de falar assim comigo, me deve o mínimo de respeito.

Rebeca: O mesmo respeito que você teve por você mesma?

Saulo: Beca… É a sua mãe, não deve falar assim com ela.

Rebeca: Que belo exemplo de mãe. E você não deveria defendê-la, foi amante do seu cunhado, traiu sua irmã e seus sobrinhos.

Algumas pessoas que passavam pelo corredor olhavam para as três pessoas paradas, discutindo. Alguns diminuíam o passo para escutar a conversa.

Saulo: Só não quero que você fale algo que se arrependa algum dia. E gostando ou não, ela é sua mãe, te criou e te deu tudo que precisava.

Rebeca: Só não me deu o pai e a família que eu queria, e precisava. Vamos embora, eu já peguei tudo que precisava.

Vera vê a filha indo embora com Saulo. Ele acena e diz que liga mais tarde para conversarem. A ela só restava esperar que o tempo fizesse que sua filha a procurasse e perdoasse.

11. INTERNA – DIA – LIVRARIA ANDANÇA CENTRAL

Saulo e Sara estavam procurando entre os documentos de Guilherme uma explicação para aquela dívida. O dinheiro foi retirado para os pagamentos das editoras, mas não tinha sido usado para tal finalidade.

Sara: Eu não consigo acreditar que papai foi tão descuidado. Como ele pode fazer isso, tio Saulo?

Saulo: Eu venho me perguntando a mesma coisa. Tem alguma explicação para isso, precisamos encontrar.

Os dois continuam procurando. Saulo vai até um dos arquivos antigos. Ele encontra várias pastas. Dentro de uma delas, ele encontra papéis de empréstimos.

Saulo: Sara encontrei alguma coisa. Parece que o Guilherme fez um empréstimo para comprar o imóvel onde hoje é nossa terceira loja.

Sara: Papai fez um empréstimo? Mas eu lembro dele falando que tinha o dinheiro aplicado.

Saulo: Esses documentos provam o contrário. Ele fez um empréstimo para essa finalidade. De duas, uma: ou ele mentiu sobre ter o dinheiro para não nos preocupar, ou ele usou o dinheiro de outra forma.

Sara: Onde você encontrou isso? – Saulo aponta para o arquivo – precisamos olhar tudo que tem nele e encontrar alguma pista para desvendar esse problema.

12. EXTERNA – DIA – PRÉDIO DE VERA

Tomás está sentado no carro reparando na vizinhança. Crianças voltando da escola para almoçar, outras saindo para estudar. Ele se distrai e quase não percebe quando Vera chega em casa. Ele sai correndo do carro.

Tomás: Vera, espera um pouco! – ele fala acenando para chamar a atenção da mulher.

Vera: Tomás? O que está fazendo aqui?

Tomás: Eu preciso falar com você, é urgente. Pode ser?

Vera: Aconteceu alguma coisa com a Rebeca?

Tomás: Ãhn? Não, eu não sei nada da sua filha. É sobre meu pai que eu quero falar.

Vera: Vem comigo, é melhor tratarmos esse assunto dentro de casa.

Tomás segue Vera e sobe até o apartamento dela. Enquanto ela guarda as compras na cozinha, Tomás aproveita o tempo para reparar nas fotos espalhadas pela sala. Na maioria ele vê Rebeca em várias fases da vida, mas uma chama a atenção, Vera e Guilherme, um em cada lado de uma sorridente Rebeca, e um bolo de aniversário.

Vera: Essa foto foi no aniversário de oito anos da Rebeca. Guilherme sempre vinha visitá-la.

Tomás: Ela é filha do meu pai?

Vera fica surpresa com a pergunta, ela não esperava por ela.

Vera: Foi pra isso que você veio?

Tomás: Na verdade, não. Onde está o dinheiro?

Vera: Que dinheiro?

Tomás: Não estou pra brincadeiras e charadas, Vera. Eu não quero me meter nessa história ridícula sua e do meu pai. Mas agora está prejudicando a livraria, e eu não vou aceitar.

Vera: Não foi uma história ridícula, eu amava seu pai e ele me amava.

Tomás: Não! Ele amava minha mãe, você foi uma distração. Caso contrário, ele teria largado ela para ficar com você.

Vera: Uma distração de mais de 20 anos? Pense bem, Tomás, você é mais esperto que isso.

Tomás: Exatamente. – ele balança a cabeça tendo uma idéia que o problema poderia ser pior. – Uma distração, um caso qualquer que ele tentou esconder, mas você estava extorquindo ele não é mesmo? E a única opção que ele teve, foi tirar dinheiro da livraria e entregar pra você, te manter aqui nesse apartamento, manter sua filha…

Vera: Chega!! Eu não vou aceitar desaforo.

Tomás: Desaforo é o que você fez. Onde está o dinheiro?

Vera: Você pode falar o que quiser, mas eu nunca pedi dinheiro a seu pai, qualquer coisa que ele tenha dado pra mim ou pra Rebeca, foi por vontade própria.

Tomás: Claro, porque você iria aceitar ficar como a amante por mais de 20 anos para ganhar “presentes” quando meu pai quisesse dar.

Vera: Por favor, vai embora. Eu não vou aceitar ser insultada dentro do meu apartamento, que eu comprei com meu dinheiro. Pode acreditar ou não, mas eu nunca estive com seu pai por causa do dinheiro. E pode me investigar, o quanto quiser. Não vai achar prova nenhuma.

Tomás: A livraria pode até fechar. A livraria, que era a coisa mais importante pro meu pai. Se você realmente o amou em algum momento, você vai me dizer a verdade sobre o dinheiro.

Vera: Eu não sei de dinheiro algum, Tomás. Se quiser eu abro todas as minhas contas para você e sua família perceberem que eu não fiz nenhuma fortuna à custa do seu pai.

Tomás olha firme para Vera e depois dá as costas, indo embora.

Vera: Ele me amava, mas amava mais você e seus irmãos, por isso ele nunca saiu de casa.

Tomás: Por favor não apareça na livraria. Já causou dano suficiente à minha família.

Ele vira e sai sem falar mais nada. Tomás sai do apartamento de Vera em estado de choque. Ele não queria acreditar, mas seu pai, seu exemplo, era um traidor e pelo que tudo indicava, um fraudador.

13. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DO TOMÁS – QUARTO

Tomás entra em casa devagar e segue em direção ao quarto onde escuta as risadas de Vitória. Ele chega no quarto e ela está sentada na cama de costas para ele. Vitoria conversa no telefone.

Vitória: Você é impossível, não acredito que tá falando isso.

Ela dá outras risadas. Tomás ajoelha na cama devagar e dá um beijo na nuca dela que se assusta.

Vitória: Meu marido chegou, eu preciso desligar, a gente se fala depois.

Ela desliga o telefone rapidamente e Tomás fica curioso.

Tomás: Quem era que você precisou desligar tão rápido?

Vitória: Uma amiga da época de faculdade. Então, já vamos escolher o nome do nosso filho? – os olhos refletiam a animação dela.

Tomás concorda com a cabeça ainda achando estranha a atitude da esposa encerrando a ligação de forma rápida.

Vitória: Não vem?

Tomás: Só vou trocar de roupa e já vou.

14. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DO CAMILO FONTENELLE

Camilo tinha recebido o aviso da portaria que seu convidado estava chegando. Depois do encontro no restaurante, ele soube que se não conseguiria persuadir Carlos com dinheiro, então seria com chantagem, e seu plano era perfeito. Carlos toca a campainha, e logo Camilo abre a porta. Eles se cumprimentam com um aperto de mão, e logo já estão com uma bebida na mão.

Carlos: É um belo apartamento, a vista então, nem se fala.

Camilo: Esse foi o motivo de comprar esse imóvel.

Carlos: Um belo investimento, e foi útil já que precisou sair de casa. – Camilo riu da tentativa de humor de Carlos – Por falar nisso, onde estão os documentos assinados?

Camilo: Nossa que pressa, minha companhia é tão desagradável assim?

Carlos: Por incrível que pareça, de todas as vezes que nos encontramos, essa é a mais agradável. O senhor é quase outra pessoa.

Camilo: É Camilo, não precisa do senhor. Eu te devo desculpas, Carlos. Agi de forma inconveniente com você, tentando te comprar, mas você mostrou ser um homem de caráter. Eu sinto muito as coisas que falei com você, mas só entre nós dois, eu trabalhei bastante para ter o que tenho, e não acho justo minha mulher ficar com metade do que eu conquistei sem nunca ter trabalhado um dia da sua vida.

Carlos: Infelizmente essa é a lei, Camilo. Deveria ter assinado um acordo pré-nupcial. No próximo casamento, arrume um bom advogado e seja mais esperto.

Camilo: Não vai haver próxima vez, não pelo estilo de vida que quero levar.

Carlos: Vai mudar seu estilo de vida após o divórcio?

Camilo: Nem tanto, mas não vou mais ter uma esposa com quem me preocupar.

Camilo dá risada, e Carlos fica um pouco inconfortável. Quando ele pegou o caso, Camilo parecia ser uma pessoa muito desagradável e sem escrúpulos, mas na verdade aquela noite ele se comportava de maneira diferente e até simpática.

15. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DO TOMÁS – SALA

Vitória estava acomodada no sofá, e Tomás traz os papéis e as canetas para o sorteio do nome do bebê. Vitória nota que Tomás está distante e pensativo.

Vitória: Algum problema? Você estava tão animado hoje de manhã.

Tomás: Só uns problemas na livraria. Mas nada que você precise se preocupar.

Vitória: Eu não estou doente, sabia? Você pode me contar como foi seu dia ou o que está errado que eu não vou desmontar. – com a mão na barriga ela continua – Nós estamos bem, você ouviu o que a médica disse!

Tomás: Você é a única pessoa que consegue me manter em pé nesse momento sabia? Você e nosso filho. – ele sorri triste para ela – Mas vamos decidir qual o nome dele logo.

Eles começam a sugerir nomes para a lista.

Vitória: Pedro

Tomás: Gostei, pode anotar. Que tal Raul?

Vitória: Anotado. Eu gosto de André, o que acha?

Tomás: É um bom nome. Igor.

Vitória: Não sei, posso pensar um pouco?

Tomás: Claro, sua vez então.

Vitória: Gosto de Lucas também.

Tomás: De jeito nenhum.

Vitória: Qual o problema? É o nome do meu pai.

Tomás: É o nome do seu ex-namorado. Aquele que disse que iria te esperar, no dia do nosso casamento.

Vitória: Você ainda lembra disso? Era só uma brincadeira.

Tomás: Brincadeira de mau gosto.

Vitória: Tudo bem, nosso filho não precisa chamar Lucas.

Tomás: Se for meu. – ele fala para si.

Vitória: Então que tal Bruno?

Tomás: É… Pode entrar na lista – diz, ainda pensando nas lembranças do ex-namorado de Vitória.

Os dois continuam o sorteio. Tomás sem qualquer entusiasmo e Vitória chateada com a falta de entusiasmo do marido. Depois de alguns minutos, sorteio realizado, ficou decidido que o primeiro filho deles se chamaria Tiago.

16. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DO CAMILO FONTENELLE

Eles terminam de jantar e vão até o escritório. Camilo assina o acordo de divórcio e fica olhando

Carlos: É melhor eu ir embora, já está ficando tarde.

Camilo: Espera. – ele pega no braço de Carlos e puxa para perto de si – eu quero fazer isso desde o outro dia no restaurante.

Camilo puxa Carlos para perto de si e o beija. Carlos tenta resistir a princípio, mas Camilo não desiste e Carlos corresponde ao beijo com vontade.

Carlos: Você é…

Camilo: Isso não faz nenhuma diferença.

Camilo leva Carlos até o sofá do escritório onde os dois sentam. Os beijos se intensificam, junto a eles, as mãos percorrem os corpos intensamente. Camilo deita por cima de Carlos, as pernas entrelaçadas e sussurra no ouvido dele.

Camilo: Você vai ficar?

Carlos só assente com a cabeça e os beijos recomeçam.

17. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DA REBECA

Rebeca está estudando para uma prova no dia seguinte quando o interfone toca. Na primeira vez ela não se mexe para atender, quando a pessoa insiste, ela atente.

Rebeca: Pronto?

Júnior: Oi Beca, é o Júnior. Posso subir?

Ela não responde nada, mas a porta abre. Em pouco tempo Júnior sobe os dois lances de escada. Rebeca está na porta esperando e sorri quando o vê mostrando a caixa de pizza na mão.

Rebeca: Uma oferta de paz? – ela pergunta sorrindo.

Júnior: Era só uma pizza, mas pode ser.

Os dois entram. Enquanto ela pega os pratos e os copos na cozinha, Júnior dá uma espiada nos livros e papéis em cima da mesa.

Júnior: Nossa, não sei por que você está fazendo direito. Não existe coisa mais chata.

Rebeca: Todo mundo precisa de uma profissão na vida Júnior, até você.

Júnior: Eu já tenho uma profissão, sou músico. E a fotografia?

Rebeca: Minha mãe achou que eu não teria futuro como fotógrafa, e achou melhor eu fazer direito.

Júnior: Ela te obrigou a fazer direito? – ele pergunta levantando a sobrancelha surpreso com a novidade.

Rebeca: Não obrigou, mas sugeriu, e ela tem razão. Eu preciso me formar em algo que me dê mais oportunidades de emprego.

Júnior: Você quem sabe, acho melhor sua versão fotógrafa que sua versão advogada. É mais divertida.

Rebeca: A vida não é só diversão Júnior, pelo menos não para mim.

Júnior: Vamos comer antes que a pizza esfrie.

Os dois sentaram para comer. A conversa flui fácil. Os dois falam sobre cinema, música, notícias do cotidiano. Já era pouco mais de dez da noite quando o telefone de Júnior toca. Depois de uma conversa rápida, ele desliga e se levanta.

Rebeca: Já vai pra casa?

Júnior: Não, uns amigos vão passar aqui pra gente sair, não quer ir?

Rebeca: Eu tenho que terminar de estudar, não posso.

Júnior: Deixa de ser nerd e vamos sair, viver a vida.

Rebeca: Ser irresponsável, você quer dizer.

Júnior: É isso que você acha que eu sou?

Rebeca: Não, você só está agindo como um. Devia arrumar algum emprego, ganhar a vida.

Júnior: Olha Rebeca, eu não vim aqui para receber sermão seu. Já basta meus irmãos e minha mãe. Não quer ir mesmo?

Rebeca: Não.

Júnior: Tudo bem, então tchau.

Ele já está abrindo a porta do apartamento quando Rebeca fala com ele.

Rebeca: Obrigada pela pizza e pela companhia.

Júnior: Não foi nada, afinal de contas, somos quase que família.

Rebeca: É imagino que isso possa ser verdade. Volta outra hora?

Júnior: Claro. Qualquer coisa que precisar, me liga, você agora é a caçula da família.

Os dois dão risadas sem graça, ainda desconfortáveis com a situação.

Rebeca: Não se preocupe, sua família nunca vai tirar esse seu posto.

Os dois se despedem e Rebeca volta aos estudos, pensando por um momento que seria bom fazer parte de uma família grande como os Andrades.

18. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DO CAMILO FONTENELLE

Camilo estava só com a calça e de costas para o sofá, onde Carlos abotoava a camisa.

Carlos: Acho que agora está na minha hora. Amanhã ligo para dona Yolanda, ela assina os papéis do acordo e em pouco tempo vai ficar livre para viver sua vida.

Camilo: Espera só um momento. – ele caminha até Carlos – Você acha mesmo que vai sair daqui com esses papéis assinados?

Carlos: Claro, você assinou.

Camilo: Meu advogado não estava presente, eu fui induzido a assinar esse acordo. Tenho certeza que meu advogado não vai ficar nada satisfeito em saber que seu melhor cliente foi induzido a assinar um acordo completamente desfavorável. Acho que o juiz do caso também não vai gostar e é capaz do caso parar na OAB. Uma pena que um advogado tão bom como você fez uma besteira dessas.

Carlos: O quê?

Camilo: Você acreditou mesmo que eu tinha aceitado o acordo? Que estava tão desesperado para me livrar da minha mulher? – ele pergunta com um sorriso cínico – Eu te avisei Carlos, várias vezes. Até ofereci uma recompensa para abandonar o caso. Você foi tão ético não aceitando, mas tão inocente.

Carlos: Isso é chantagem, extorsão.

Camilo: E o que você acabou de fazer, indo pra cama com o marido da sua cliente, é certo?

Carlos: Você é muito baixo, não tem escrúpulos.

Camilo: Eu disse que sempre consigo o que eu quero. Eu vou atrás dos meus objetivos, foi assim que eu me fiz na vida.

Carlos não tinha nada mais para falar. Ele realmente tinha sido inocente e agora tinha que abandonar o caso. Ele escuta as risadas de Camilo enquanto fecha a porta do apartamento.

19. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA ADVOCACIA

Carlos estava reunido com sua cliente Yolanda Fontenelle e outra advogada.

Carlos: Senhora Yolanda, infelizmente eu preciso me retirar do caso.

Yolanda: Mas Carlos, você é ótimo!

Carlos: Minha família está passando por alguns problemas após a morte do meu pai. Mas a doutora Valentina já está a par do seu caso, e ela já ganhou outros casos importantes iguais ao da senhora.

Yolanda: Que pena Carlos, mas eu entendo. O Camilo não ameaçou você, não é?

Carlos: Que isso, dona Yolanda? Eu só não vou poder cuidar do seu caso com o cuidado que gostaria.

Os dois se despedem, e Yolanda segue Valentina até o escritório dela.

20. INTERNA – NOITE – LIVRARIA ANDANÇA CENTRAL

Sara, Tomás e Saulo estavam sentados em volta da mesa e cada um com vários papéis e documentos, tomando conhecimento de todos os negócios que Guilherme tinha feito.

Tomás: Não acredito que papai não pensou em falar com a gente sobre essa dívida enorme.

Saulo: Seu pai era orgulhoso, ele provavelmente não queria que vocês e seus irmãos soubessem que ele tinha errado nos negócios.

Tomás: E como ele pôde ter investido o dinheiro do empréstimo num negócio de alto risco? Ele esqueceu o que ensinou pra gente sobre como comandar um negócio?

Sara: Não importa o que papai fez ou deixou de fazer, o problema está em nossas mãos. Nós temos a dívida com os fornecedores, temos o empréstimo do banco. Vamos precisar nos desfazer de alguns imóveis, talvez até de uma das livrarias.

Tomás: Não. Nós vamos continuar com as três.

Sara esfrega os olhos, nos últimos dois dias ela mal tinha tempo para comer ou dormir, ela saia cedo de casa e voltava tarde. Os problemas com Ferdi foram deixados de lado.

Saulo: Acho melhor nós encerrarmos por hoje. Na segunda-feira recomeçamos, com a cabeça mais descansada. Precisamos encontrar alguma maneira de saldar essa dívida.

Tomás: Tudo bem. – ele olha para a irmã e vê como ela está cansada – Sara, vou te levar pra casa.

Sara: Eu vim com meu carro.

Tomás: Mas não está em condições de dirigir. Eu te levo, e amanhã eu te pego em casa.

Os três saíram da sala de reuniões e foram embora.

21. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DA SARA

Já passava da meia-noite quando Sara entra em casa. A sala está mais arrumada que o normal. Sem os brinquedos dos gêmeos espalhados, ou a guitarra de Gabriel em algum canto da sala. Ela coloca sua bolsa e sua pasta em cima do sofá e olha para a sala de jantar.

Fernando está sentado em seu lugar habitual. A mesa posta com cuidado, velas apagadas e no cento da mesa um buquê de rosas. Ela leva a mão até a boca, tinha esquecido que era o dia de seu aniversário de casamento.

Fernando: Você acabou de se lembrar.

Sara: Ferdi, me desculpa. A livraria…

Fernando: Não. Eu não quero saber. Você só tem tempo pros negócios. Eu sei que a morte do seu pai causou transtornos pra você e sua família, que os negócios estão difíceis, até assumo um pouco da culpa do seu estresse por causa do tempo que fiquei desempregado. Mas hoje, ou melhor, ontem, era nosso dia.

Sara: Eu sinto muito, Ferdi.

Ele não fala nada e vai até o quarto. Sara vai atrás dele. Ele pega o pijama. Os dois se encontram na porta, Sara entrando e ele saindo.

Sara: Onde você vai?

Ferdi: Eu vou dormir no quarto do Gabs. Ele e os gêmeos estão com sua mãe. Achei que uma noite sozinhos poderia ajudar a gente, ajudar nosso casamento, mas pra você os negócios são mais importantes.

Sara: A livraria está cheia de dívidas, Fernando. O que você quer que eu faça? Nossa família precisa da livraria.

Fernando: Nosso casamento precisava dessa noite.

Os dois ficam em silêncio. Ferdi vira e segue para o quarto do filho. Sara volta até a sala de jantar para admirar todo o cuidado que o marido teve e não consegue evitar que algumas lágrimas caiam, mas ela as enxuga rapidamente. Uma boa noite de sono iria reorganizar seus pensamentos e ela encontraria uma forma para se desculpar.

22. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Júnior entra em casa cambaleando. Ele assusta-se quando a luz da sala acende. Ele pisca para se acostumar com a claridade

Nora: Isso não horas?

Júnior: Não enche, mãe.

Nora: Teus sobrinhos estão em casa, você esqueceu que prometeu a eles o campeonato de vídeo game?

Júnior: Ah! Eles nem lembram.

Nora: Você não conhece crianças o suficiente, eles te esperaram até não agüentar mais. E você já está abusando, Júnior. Praticamente toda noite é isso! Nessas horas que seu pai faz falta.

Júnior: Só se for pra você, eu não sinto nenhuma falta

Nora: Não fala assim do seu pai.

Júnior: Falo! Ele foi um traidor, desonesto e mentiroso! EU ODEIO ELE!

Nora: Júnior?!

Carol aparece na sala esfregando os olhos para ajustar à claridade e escuta o irmão falando alto e sem controle.

Carol: Júnior não grita com a mamãe, e olha como fala do pai.

Júnior: É claro que você ia defendê-lo, era a filhinha favorita!

Carol: Vai dormir e amanhã a gente conversa. E não faz barulho que seus sobrinhos estão em casa e não precisam ver o estado que o tio chegou da rua.

Júnior sobe as escadas, calado. Carol senta ao lado da mãe.

Carol: Ele está fora de si, não teve intenção de falar isso.

Nora: Teve sim. E nem posso culpá-lo por se sentir assim.

Carol: Vamos dormir, e amanhã lidamos com isso. – Carol põe um braço em volta dos ombros da mãe e a leva para cima.

23. INTERNA – MANHÃ – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DO JÚNIOR

Júnior acorda com a cama mexendo e risadas de crianças. Ele abre o olho e vê Rafaela e Eduardo pulando na cama. Ele puxa o travesseiro e cobre a cabeça.

Rafaela: Acorda, tio Ju.

Eduardo: Nós vamos ao parque. Você vai levar a gente.

Júnior: Quem disse?

Eduardo: A vó Nora, ela disse que você falou isso quando chegou ontem. Como a gente dormiu antes do campeonato de videogame.

Júnior destapa a cabeça e olha pros sobrinhos. Ele gostava bastante dos gêmeos.

Júnior: Desculpe, eu precisei cuidar de uns assuntos e não pude chegar cedo. Eu vou tomar um banho rápido e vamos passar o dia fazendo o que vocês quiserem.

As crianças recomeçam a pular na cama, e Júnior vai lentamente para o banheiro.

24. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DA SARA – COZINHA

Fernando entra na cozinha e encontra Sara sentada e folheando um álbum de fotografia. Ele percebe os olhos vermelhos, provavelmente de uma noite mal dormida e choro. Ele tinha escutado os soluços que vinham da sala e por várias vezes quis ir para junto dela, consolá-la, só segurá-la em seus braços, mas o orgulho ferido o impediu.

Sara: Tem café pronto. Dormiu bem?

Fernando: Não muito, você?

Sara: Quase nada. Ferdi, me desculpa…

Fernando: Ainda não Sara, é muito recente.

Sara balança a cabeça, ela sabia que tinha ferido os sentimentos do marido, mas ela esperava pelo menos ter a oportunidade de se desculpar. O sono, a culpa e o estresse com os problemas financeiros da livraria estavam deixando ela bastante emocional e os olhos se encheram de água.

Sara: Eu preciso do meu melhor amigo para conversar. – ela fala olhando para o marido.

Fernando puxa a cadeira de frente para Sara, olha para ela e espera que ela comece a falar. Ele sabia que ao falar em melhor amigo ela se referia a ele.

Sara: Eu sinto muito que eu esqueci do nosso aniversário de casamento. Você tem todo direito de ficar magoado, mas eu não fiz por mal.

Fernando: Eu sinto sua falta, Sara, falta de nós dois. Foram tantos problemas seguidos. E você não conversa mais comigo, sabe quanto tempo eu espero que você venha até mim para conversar, desabafar, ouvir conselhos?

Sara: Eu sei, e me desculpa por isso. A morte do meu pai e os segredos que a gente descobriu. Agora a livraria com problemas financeiros, não sei se vou conseguir resolver isso.

Fernando: Você precisa dividir os problemas, o Tomás e o Saulo estão lá junto com você, divida os problemas com eles. E aqui em casa, divida os problemas comigo.

Sara: Eu te mantive afastado não foi?

Fernando: Sim, e nem quando eu tentei me aproximar você deixou.

Sara: Você ainda é feliz ao meu lado?

Fernando: Eu já fui mais, e você também já foi mais. – ele olha e vê o rosto sereno, mas triste de Sara – Mas nada impede que voltemos a ser felizes como éramos.

Sara: Você acha?

Fernando: Claro. Precisamos conversar mais e ficar mais tempo sozinhos, só nós dois.

Sara: Eu sinto muito por ontem, e pelos últimos meses.

Fernando: Vem aqui.

Fernando afasta a cadeira e Sara senta em seu colo. Os dois se abraçam e ele dá um beijo na testa de Sara, que retribui com um beijo nos lábios dele. Sara apóia a cabeça no ombro do marido e os dois ficam abraçados, aproveitando aquela proximidade que tanta falta fez nos últimos meses.

25. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – ESCRITÓRIO

Júnior procura por Nora. Escuta sua voz no escritório e vai até lá. Ele não entra, mas escuta um pedaço da conversa.

Nora: Walquíria, eu resolvi aceitar sua oferta. Vai ser ótimo voltar a trabalhar de novo.

Júnior fica intrigado com aquilo e continua escutando a conversa. Não demora muito Carol chega.

Carol: Ju, o que você tá fazendo?

Júnior: Shhhh… Mamãe está falando com alguém sobre voltar a trabalhar.

Carol: O que? Quando? Onde?

Júnior: Não sei. Vou ligar pro Carlos perguntar se ele sabe de alguma coisa.

Carol: Eu ligo pra Sara.

Os dois sobem para o quarto de Carol, cada um liga com seu telefone.

Júnior: Carlos, é o Júnior. Você tá sabendo alguma coisa da mamãe trabalhar?

Carlos: O que? Trabalhar onde? Com que?

Ao mesmo tempo, Carol tinha uma conversa parecida com Sara.

Sara: Não tô sabendo de nada. Já perguntou pro Carlos?

Carol: Ele não sabe de nada, o Júnior tá com ele no telefone.

Sara: Vou ligar pro Tomás e perguntar pra ele.

Assim que Tomás atende o telefone, Sara dispara a pergunta.

Sara: Você tá sabendo que a mamãe quer voltar a trabalhar?

Tomás: O quê? De onde você tirou isso?

Sara: O Júnior e a Carol escutaram uma conversa dela no telefone agora de manhã.

Tomás: Ela tá sabendo da livraria?

Sara: Acho que não. Eu tenho que ir buscar as crianças na casa dela hoje, vou procurar saber.

Tomás: Eu também vou passar lá.

Júnior já tinha terminado a conversa com Carlos e conversava com Carol enquanto ela esperava Sara voltar, a ligação já estava na viva-voz.

Júnior: O Carlos disse que vem aqui mais tarde.

Sara: Carol, tá aí?

Carol: Fala, o Tomás tá sabendo de alguma coisa?

Sara: Não, mas ele disse que vai passar aí, e eu tenho que pegar as crianças.

Júnior: Olha o escândalo que essa família tá armando!

Sara: Júnior, tá aí também? Que escândalo?

Carol: É que o Carlos também vai vir.

Sara: Ela vai achar que é uma intervenção.

Os irmãos se despedem. Júnior e Carol saem com os sobrinhos para se divertirem na manhã de sábado.

26. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Júnior e Carol voltam do passeio com os sobrinhos e encontram os carros dos irmãos parados na porta de casa.

Júnior: Eles não são nem um pouco discretos.

Carol: Quando algum membro dessa família foi discreto com assuntos importantes?

Júnior: Tem razão.

As crianças entram na frente, correndo para abraçar a mãe. Carol e Júnior entram depois e encontram os irmãos sentados na sala. Os cinco se entreolham, esperando alguém falar primeiro

Carol: Vocês tinham que aparecer todos de uma vez?

Carlos: Você e o Júnior não precisavam ligar pra gente.

Tomás: E acha que a gente ia sentar e esperar para saber o que está acontecendo?

Júnior: Onde ela está?

Sara: Atrás de você.

Nora: O que vocês estão aprontando dessa vez?

Carol: Nada!!

Nora: Eu conheço vocês, não iriam aparecer todos aqui de uma vez por nada.

Júnior: Eu moro aqui. E a Carol, até o final das eleições, também.

Sara: Eu vim buscar meus filhos.

Carlos: Já que todo mundo está arrumando uma desculpa, eu falo. O Júnior escutou que você vai voltar a trabalhar.

Nora: Sim, eu vou.

Tomás: Mãe…

Nora: Eu não falei nada até agora porque sabia que vocês iriam fazer um escândalo, mas essa semana eu fui ver o advogado.

Carlos: Por que não me falou nada?

Carol: Ela que ser independente dos filhos.

Nora: Eu não falei isso, eu só disse que preciso seguir minha vida. E eu posso cuidar dos meus assuntos.

Tomás: Se você prefere assim, tudo bem. Mas o que tem o advogado a ver com você resolver voltar a trabalhar?

Nora: Seu pai não pagava a previdência há 15 anos. Então eu tenho direito a uma pensão mínima.

Sara: Mais essa? Quem era nosso pai?

Tomás: Me faço essa pergunta todos os dias. Só queria saber quando vamos parar de descobrir os segredos dele.

Carlos: Parece que nunca mais. Vivemos nossa vida inteira no Fantástico mundo de Guilherme Andrade.

Júnior: Depois quando eu falo que é melhor ele estar morto.

Carol: Não fala assim do papai, Júnior.

Nora: Vocês cinco, parem com essa discussão inútil! Seu pai morreu e agora temos que lidar com os problemas que ele nos deixou. Eu vou voltar a lecionar. O orfanato está precisando de uma professora, e eu resolvi aceitar a proposta da diretora. E não é porque não tenho uma pensão do seu pai, ela me ofereceu o cargo há alguns meses atrás.

Tomás: Você não precisa trabalhar mãe, a livraria é sua, sabe disso. – e olha para Sara para ela não contar os problemas da livraria.

Nora: Eu fico em casa o dia toda fazendo o quê? Olhando o tempo passar? Não, eu não vou ficar igual minha mãe, que ficou remoendo as mágoas e se tornou amarga e seca. Eu sou melhor que isso. Eu posso fazer diferença na vida daquelas crianças. Eu posso fazer mais na minha vida.

Os filhos olham para Nora, orgulhosos. Eles tinham uma mãe forte e decidida.

Sara: Tenho muito orgulho de ser sua filha, Nora Andrade.

Os outros irmãos concordam com a cabeça. Um a um eles foram abraçando a mãe, ficaram todos juntos, num abraço coletivo. Apesar dos problemas, era hora de superar as decepções e seguir adiante, como uma família.

Continua…

Trilha Sonora

Cena 03, 20 e 23: Forgive Me – Evanescence

Cena 02, 13 e 15: Skap – Zeca Baleiro

Cena 06 e 09: Superficial – Ira!

Cena 17: End of Innocence – Don Henley (The Eagles)

Cena 22: Vai Acontecer de novo – Paulo Miklos

Cena 26: Além do que se vê – Los Hermanos

4 Respostas to “Seguindo em Frente”

  1. Gustavo Says:

    Caramba!!!!! Vc´s voltaram com a corda toda das festas de final de ano. No minha humilde opinião, esse foi o melhor episódio até agora. Espero que a Sara o e Fernando se acertem e o que o Tomás não fique de bobeira achando que a Vitória está traíndo-o. E D. Nora?! Essa tem fibra e realmente é o pilar da família. Que venha o próximo episódio.

  2. Carine Says:

    Camillo filho de uma ****, des*******, malandro, crápula! [Pronto, relaxei!]
    Eu quero esganar esse cara… ai ai!!!
    Adorei esse episódio, demorou muito mas chegou e é maavilhoso! Torcendo aqui pra Sara e o Fernando se acertarem e pra Nora no emprego novo!
    Cada dia mais viciada nisso aqui!
    esperando o próximo…
    cheiro…*

  3. Natie Says:

    Ah saudades de epi novo! 😀 Então, muito bom esse hien? Surpresas… Mas fiquei mais intrigada com a ligação da Vitoria! OMG! Esse filho eh msm do Tomas?? Adorei as cenas de Carol e Roberto (torcendo por um romance…), achei ótimo a Nora trabalhar no orfanato! E o Carlos hien? Meu Deus!!! Esse truque da conquista é tão velho… hahah… Faço minhas as palavras do Gustavo acima. Espero que Sara e Fernando se acertem! 14 anos não é pra qualquer casal! E eu realmente queria q Junior e Beca nao fossem irmaos… rsrs…

    Beijos e até a próximaa!

  4. Laís Says:

    Apesar da minha ausência por MUITO tempo, gosto muito disso aqui, admiro a capacidade que vocês têm de me emocionar, com risadas e arrepios. É muito bom, estou gostando mesmo. E esse casamento da Sara, que bonito…

    Beijos e até o próximo episódio, tardo mas não falho.

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