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Nos episódios anteriores: Vitória sofre um acidente de carro e acaba perdendo o filho e ficando paraplégica. Júnior está cada vez mais entregue ao mundo das drogas e sentindo-se culpado pelo acidente da cunhada. Fernando e Sara tiveram uma conversa definitiva sobre o filho que perderam, e o clima ficou tenso entre eles. A Andanças recebeu uma proposta de fusão de uma grande livraria. Enquanto discutem política, Carol e Roberto flertam um com o outro e acabam se beijando. Carlos cadastra-se num site de namoro sob o codinome de C.A.

1. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES/COMITÊ ROBERTO PELEGRINI

Carol estava sentada no sofá em frente à TV. Com um laptop ligado nas pernas, ela acompanhava atenta as notícias sobre as eleições daquele domingo. Por perto, estavam Nora e Carlos, exibindo bottons de Roberto Pelegrini nas camisas. O telefone celular de Carol começa tocar.

Carol: Alô.

Roberto: Alô, Carol? É o Roberto.

Carol: Oi… – diz surpresa e afastando-se para que a mãe, nem o irmão ouvissem a conversa.

Roberto: Onde você está?

Carol: Em casa…

Roberto: Você não deveria estar trabalhando?

Carol: Eu estou trabalhando.

Roberto: Mesmo? E por que não está aqui cobrindo o meu dia?

Carol: Essa é uma das vantagens do jornalismo impresso. Não preciso necessariamente seguir candidatos prepotentes, posso vê-los pela TV.

Roberto: E eu estava bem?

Carol: Meu deus, Narciso perde feio! – fala em tom reprovativo, mas sorri de leve – Você não devia estar reunido com seus companheiros?

Roberto: Eles estão por aqui… mas você não – fala a última parte mais baixo como se fosse uma confissão.

Carol: Ótima dedução – ironiza.

Roberto: Eu só preciso de alguém que mantenha meus pés no chão, não de quem crie mais expectativas. Me mantenha na linha, sabe? – diz a última frase num tom mais galanteador.

Carol: E por que eu?

Roberto: E por que não você? Você não vota em mim, você não acredita na minha política, você não acredita em mim… – enfatiza a última frase – São ótimos pré-requisitos para tal tarefa.

Carol: Você gosta é de me provocar.

Roberto: Você é tão inteligente e tão irritante que me inspira. – brinca – Sabe quando você lê um livro ou vê um filme e gosta tanto que fica com vontade de escrever páginas e mais páginas sobre ele?

Carol: Sei, mas isso também pode ser motivado pelo ódio.

Roberto: Sim, claro. Mas uma coisa é certa: se não te interessa de nenhuma forma, você simplesmente ignora.

Carol: Bom, vou ter que entrevistar o vencedor… Pode ser que seja você.

Roberto: Eu realmente espero que sim. – abri um sorriso para si mesmo.

Carol desliga o telefone com um sorriso bobo no rosto.

Carlos: Quem era? – Carlos aproxima-se curioso.

Carol: Ninguém. – disfarça.

Carlos: Hum, isso significa que era um grande alguém. – fala desconfiado – Tchau, senhorita misteriosa! – despede-se da irmã com um aceno – Tchau, mãe! – vira-se pra mãe, despedindo-se com dois beijos.

Nora: Tchau, filho! E não se esqueça do almoço no próximo domingo! Nunca mais nos reunimos… Parece que estamos todos fugindo uns dos outros… Tomás precisa do nosso apoio. – fala tentando não aparentar tristeza.

Carol e Carlos abaixam as cabeças. O clima fica tenso na sala. Carlos sai imediatamente.

Nora: Bom, vou acordar o Júnior… – ela anuncia e também deixa a sala.

2. INTERNA – DIA – COLÉGIO MUNICIPAL EM IPANEMA

Sara e Fernando estavam no local onde votavam. A fila para seção eleitoral de Fernando estava menor, portanto, ele votou rápido, e, agora, estava acompanhando a esposa com os dois filhos menores a tira-colo.

Sara: Vou entrar com um dos gêmeos, senão é capaz de quererem me pegar para mesária de última hora.

Fernando: Que mania de perseguição… – balança a cabeça, reprovativo.

Sara: Mania de perseguição? Se aquela sua namoradinha estiver aí dentro, sem dúvida ela vai fazer isso.

Fernando prefere ficar em silêncio a começar uma nova discussão.

Eduardo: Mãe, eu posso votar? – pede empolgado.

Rafaela: Ah, não, é a minha vez! – reivindica chorosa.

Sara: Um vota em vereador, e o outro em prefeito. Sem brigas.

Fernando: Crianças não podem mais votar por adultos.

Sara: Como você sabe disso?

Fernando: Sabendo, ué.

Sara: Sei… – fala desconfiada – Que demora, senhor! – reclama, e Fernando revira os olhos, impaciente.

Os gêmeos distanciam-se e começam a brincar no playground da escola. Pouco depois, sai de dentro da sala, uma mulher loira e, ao notar a presença de Fernando e Sara na fila, vai até eles.

Kátia: Oi Nando! – cumprimenta muito simpática.

Sara a lança um olhar irritado e olha para Fernando como se isso fosse culpa dele.

Fernando: Olá Kátia, tudo bem?

Kátia: Ótima, e você? Como vai a Vértice?

Fernando: Bom, saí de lá. Aliás, saí do ramo de arquitetura por hora.

Kátia: Foi? Não me diga que voltou à vida de músico, rockstar famoso! – fala animada.

Fernando: Músico sim, famoso nem lá em casa.

Kátia ri e olha com desdém para Sara. Sara fita Fernando furiosa.

Sara: Olá Kátia. – intervém.

Kátia: Oi Sara – cumprimenta formalmente e com ar superior – Então, Nando Viana de volta aos palcos! Que maravilhosa notícia! Onde você está se apresentando? – volta a dar atenção apenas a Fernando.

Fernando: Estou mais dando aulas, na verdade. No entanto, estou topando tocar até em banda gospel – brinca.

Kátia: Não, por favor, não toque em igrejas – graceja, aproximando-se dele e tocando seu braço carinhosamente.

Sara: Por que não? Você não acredita em Deus? – intervém sarcástica.

Kátia: Não.

Sara: Não?! Faz sentido… – ironiza.

Fernando fita a esposa como se a alertasse para parar.

Kátia: Eu acredito numa energia superior…

Sara: Energia superior, hum, muita gente chama isso de Deus – continua irônica.

Fernando: Sara… – repreende a esposa.

Sara: Que foi, Fernando? Energia superior? É o quê então? Em nome do próton, do elétron e do nêutron?! – dispara em tom sarcástico.

Fernando tenta, mas não consegue conter o riso e praticamente gargalha pelo o que esposa disse. Kátia encara-os sem expressão.

Kátia: Sua vez – fala seca pra Sara apontando a porta.

3. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DO JÚNIOR

Nora batia mais uma vez sem sucesso na porta do quarto de Júnior. Ela começa a preocupar-se e grita cada vez mais alto o nome do filho. Carol ouve os gritos da mãe e chega assustada. Carol gira a maçaneta e abre a porta. Nora a olha constrangida. Elas entram no quarto e encontram Júnior deitado com fones nos ouvidos e um travesseiro no rosto. As duas correm afobadas e puxam o travesseiro. Júnior desperta assombrado e franze a cara pelos raios de sol que ofuscavam sua visão.

Júnior: O quê vocês estão fazendo aqui?!

Carol: Caramba, Júnior! Você não ouviu o escândalo que a mãe estava dando na porta do quarto?! – Júnior mostra os fones em resposta.

Nora: Levante-se daí, vá tomar um banho. Sua… – engole seco – Sua cara está péssima – diz séria e abalada, preocupada mais num tom firme.

Júnior lança um olhar de temor para mãe, revelando fragilidade.

4. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DA SARA – SALA

Fernando e Sara chegam a casa com os ânimos exaltados.

Sara: Muito lindo seu momento ternurinha com aquela Kátia – Sara volta a tocar no assunto, após os gêmeos retirarem-se da sala.

Fernando: Chega de ciúmes infantis, ok?

Sara: Eu tenho ciúmes infantis e os seus são maduros, é isso? E a questão não é essa, Fernando. Olha como aquela mulher me tratou, e você não fez nada! – fala praticamente gritando.

Fernando: O quê eu poderia fazer? Você está muito estressada…

Sara: Só posso estar mesmo. Às vezes você parece outra pessoa… Você dá liberdade para aquela mulher ainda achar que é o amor da sua vida e agir como se você só tivesse casado comigo porque eu fiquei grávida.

Fernando: E não foi isso?! Pelo menos eu não rejeitei filho nenhum… – fala irritado, e Sara fita-o sentida.

Gabriel, que tinha acabado de chegar à sala, choca-se com a resposta do pai e retira-se chateado.

Sara: Olha o que você fez! – aponta para Gabriel – Ridículo, Fernando… – diz com um tom de amargura na voz e vai atrás do filho.

5. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DA SARA – QUARTO DO GABRIEL

Sara entra no quarto do filho com cuidado. Gabriel mexia no computador, mantendo uma cara fechada.

Sara: Filho…

Gabriel: Agora não, mãe – fala irritado, mas num tom triste.

Sara: Seu pai não quis dizer aquilo, Gabs – aproxima-se passando a mão no cabelo do filho, mas Gabriel esquiva-se.

Sara: Olha, Gabs, eu quero que você entenda que eu e seu pai temos nossos atritos…

Gabriel: Por minha causa – interrompe seco.

Sara: Não, nunca!

Gabriel: Vocês não queriam que você engravidasse de mim, e então…

Sara o interrompe, sinalizando para que ele parasse de falar.

Sara: Filho, você não pode pensar assim – ela senta na cama, de modo que fica de frente para Gabriel – Olha, Dudu e Rafa vieram numa época mais calma da nossa vida, quando tínhamos tudo sob controle e pudemos planejar o nascimento deles. Você não foi planejado, mas foi o melhor que poderia ter acontecido para mim… para nós .

Gabriel não parece muito convencido com aquilo e vira-se, voltando a mexer no computador.

Gabriel: Sei, como vocês dizem, os gêmeos foram uma descida de montanha russa, só alegria! – fala ressentido, sem tirar os olhos da tela.

Sara: Não, Gabs. Os gêmeos foram… são uma descida de montanha russa constante, um turbilhão de emoções, às vezes boas, outras nem tanto. Mas você foi a subida: tensa e dramática, no entanto, cheia de expectativas! E você superou todas elas. E os três agora são as minhas alegrias, proporcionando altas doses de adrenalina frequentemente!! – faz uma expressão elétrica e sorri ao ver que Gabriel amoleceu.

Sara levanta-se da cama, beija o filho no rosto e abraça-o, sendo correspondida. Sara olha para computador e vê o que o filho digitava.

Sara: A Barbie já vendeu mais carros que a General Motors – lê parte do que está escrito na tela e diverte-se com aquilo – Que é isso, Gabs?

Gabriel: Uma lista com 100 curiosidades que estou fazendo.

Sara: Que legal, vou querer ler tudo depois. – interessa-se.

Gabriel: Tem umas que você vai adorar… – anima-se, mas depois volta a ficar sério – Mãe, e por que você e o papai estavam brigando? – pergunta meio sem jeito.

Sara respira fundo antes de responder.

Sara: Bem, digamos que tudo começou com uma loira – brinca – Mas nada que você deva se preocupar.

Gabriel: Hum, loira verdadeira?

Sara: Ah, com certeza não! – desdenha.

Gabriel: É, imaginei, porque 16% das mulheres nascem loiras, mas 33% das mulheres SÃO loiras. – dita mais uma curiosidade, fazendo-a rir.

Fernando entra no quarto, segurando uma xícara de café. Sara olha para ele e faz sinal que está tudo bem.

Fernando: Posso falar com ele… a sós? – pede seco.

Sara simplesmente deixa o quarto em silêncio.

Gabriel: Tá tudo bem, pai. – adianta-se impaciente.

Fernando: Pare dois minutos de brincar no computador, e vamos conversar – fala rude. Gabriel bufa descontente. Fernando continua: – Olha, rapaz, eu ando nervoso ultimamente, com vários problemas… Às vezes posso falar coisas sem pensar. Mas quero que você saiba que você não é, e nem nunca foi um problema… Pelo contrário… Quando eu falei que eu e sua mãe nos casamos porque ela ficou grávida, é verdade. Você veio para avisar que o certo era ficarmos juntos e construirmos essa família… Eu sempre fui meio lerdo e não consegui enxergar isso até você chegar… Ok? – fala mais gentil e encara o filho com expectativa.

Gabriel: Ok… – confirma sentindo-se mais confortável – Comer uma maçã é mais eficiente que tomar café para se manter acordado. – fala apontando para xícara na mão do pai. Fernando olha-o intrigado – Estou fazendo uma lista com algumas curiosidades – Gabriel explica.

Fernando: Você é bem filho da sua mãe mesmo – sorri e passa a mão na cabeça do filho, bagunçando seu cabelo.

6. INTERNA – NOITE – COMITÊ ROBERTO PELEGRINI

Carol entra no comitê e depara-se com vários militantes sorridentes e levemente embriagados, erguendo bandeiras e entoando gritos de guerra. Roberto havia conseguido ir para o segundo turno, ficando apenas alguns porcentos atrás de Sebastião Ramos – com quem Carol já tinha pegado algumas declarações. Gabriel Marques, candidato que Carol mais simpatizava politicamente, tinha ficado em terceiro lugar.

No momento, ela já estava sentindo-se um peixe fora d’água e cogitando seriamente a possibilidade de sair de lá correndo. Foi aí que ela avistou Roberto, cercado de pessoas e cumprimentos. Ele, quando a notou, tratou logo de esquivar-se da multidão de efusivos apertos de mãos e abraços e aproximou-se dela, sorrindo, com a cara de “eu sabia que você viria”.

Carol: Parabéns! – diz formalmente.

Roberto: Obrigado. – ele agradece inclinando a cabeça – Agora eu posso tê-la? – diz quase em sussurro e mais próximo a ela.

Carol: Como? – surpresa e nervosa.

Roberto: Não é possível que você vá preferir apoiar Sebastião Ramos. – cruza os braços.

Carol: Ah… – tenta disfarçar o desapontamento – É, diante das opções… – dá de ombros.

Roberto: Não foi um dos apoios mais calorosos, mas obrigado.

Neste momento, Karen, secretária de Roberto, aproxima-se dos dois, requisitando que Roberto a acompanhe para alguma tarefa importante.

Roberto: Tenho que ir, mas fique por perto, ok? – diz a Carol.

Carol não responde nada, só conseguia lançar olhares mortíferos para Karen com seu sorriso cínico e seu decote. Instantes depois, o político inicia um discurso para alguns eleitores que se acumulavam no local.

Roberto: (…) O exercício democrático concreto requer escutar tanto quanto falar. É vital ser sensível às necessidades do povo. Abrir espaço para discussão coletiva, promover uma verdadeira Ágora (…)

Carol: Isso foi para me provocar?! – pensa alto.

Roberto: (…) A democracia vai além do voto, a democracia também é pra ser exercida após o pleito. Caso contrário, a democracia definhará. Vamos partir para segunda etapa da campanha, atentos que nossa vitória e, principalmente, nosso objetivo vai além das urnas (…)

Carol: Fala bem, o desgraçado! – resmunga sozinha.

7. INTERNA – NOITE – JAVA CAFÉ

Carlos estava no balcão mexendo na sua bebida, quando um jovem aproxima-se dele, procurando por algum sinal de reconhecimento.

Sérgio: C.A?

Carlos vira-se e olha para Sérgio, gostando do que via.

Carlos: Braga, suponho. – Sérgio balança a cabeça positivamente – Eu tenho a impressão que te conheço de algum lugar. – Carlos diz reparando melhor em Sérgio.

Sérgio: Le Petit Marceau. Vários almoços de negócios. – esclarece.

Carlos: Ah, verdade, você trabalha lá… Barman, certo?

Sérgio: Isso… – sorri.

Carlos: Carlos Andrade. – estende a mão para cumprimentá-lo.

Sérgio ri do cumprimento formal de Carlos.

Sérgio: Sérgio Bragança. – retribui o cumprimento sorrindo. Carlos fica sem jeito. Sérgio dá uma olhada geral no Café e acrescenta: – Você não pretende jantar pão de queijo, certo? – fala num tom reprovativo.

Carlos: Não sei, com você falando assim…

Sérgio: Bom, agora que a gente já sabe que nenhum de nós é um psicopata, nós poderíamos ir a um restaurante comer comida de verdade. Sei de um lugar aqui perto que tem um Peixe ao Gratin excelente!

Carlos: Peixe? – estreita as sobrancelhas.

8. INTERNA – NOITE – COMITÊ ROBERTO PELEGRINI

Carol estava sentada sozinha num banco no canto da parede, questionando-se por que diabos ainda estava ali. Nem entrevistado Roberto, ela tinha entrevistado, não fazia sentido permanecer naquela situação. Já tinha passado da fase ansiosa e agora só estava irritada. Portanto, resolveu ir embora.

Roberto: Nossa que difícil te encontrar. – ele aparece magicamente na sua frente, assim que ela levanta-se do banco.

Carol surpreende-se, mas logo fecha a cara.

Carol: Imagino, com aquela Karen na sua cola… – em tom de acusação.

Roberto: Se fosse só ela… – dá de ombros, visivelmente cansado, mas ainda radiante pelo resultado da eleição – Mas o que você tem contra a Karen? Sempre implica com ela ele diz preocupado.

Carol: É o nome. – Roberto olha-a confuso – Eu e minha irmã temos uma teoria sobre as mulheres que começam com K. – Carol explica.

Roberto: Escusa, eu imagino – ri.

Carol: É! Ela já lhe deu o bote, digo, o beijo da vitória? – diz sarcasticamente ácida.

Roberto: Beijo da vitória? O que está insinuando? Que eu e ela… – questiona rindo.

Carol: Você me entendeu… – diz aborrecida e fecha a cara.

Roberto a examina por uns instantes. Ele tem uma expressão feliz no rosto.

Roberto: O que está acontecendo com nós dois? – pergunta afetuoso.

Carol: Não existe nós dois, Roberto Pelegrini… – responde irônica.

Roberto: É claro que existe, Carol Andrade… – ele fala e segura-a pelos braços delicadamente, mas Carol tenta soltar-se, e ele põe mais força. – Carol… – diz suavemente e próximo ao ouvido dela – Eu não vou te soltar, não adianta tentar – ele completa e fita seus lábios.

Roberto fixa seu olhar no de Carol buscando aprovação. Ela respira fundo, nervosa, mas sustenta o olhar.

Karen: Roberto, o representante do sindicato dos servidores do município quer falar com você – chega interrompendo o momento. Roberto solta Carol, que imediatamente recompõe-se. – É urgente. – Karen frisa.

Roberto: Certo, estou indo – fala para Karen – Carol, nos falamos depois, ok? – diz virando-se para Carol, que concorda com a cabeça, atônica.

09. INTERNA – NOITE – RESTAURANTE SUPREMA GULA

Sérgio: Ninguém dá nada por esse lugar, mas a comida é excelente.

Carlos: É, eu já conhecia… Minha família mora aqui perto. – Carlos fala meio nervoso. Os dois já estavam sentados à mesa.

Sérgio: Posso te contar uma coisa? – Carlos assente com a cabeça – Foi uma surpresa agradável ver que você e C.A. eram a mesma pessoa.

Carlos: Mesmo? Oh… – fica lisonjeado – Também foi bom encontrar uma cara conhecida. Nunca sei o que esperar. Já encontrei cada figura.

Sérgio: Eu que o diga… – ri.

Carlos: Por que ainda fazemos isso? Digo, pode ser muito constrangedor.

Sérgio: Porque como diria Canclini: “A fascinação frente à beleza anula o assombro frente ao diferente”.

Carlos: Nossa, não faço a mínima idéia de quem seja esse poeta, mas isso é bonito.

Sérgio: Ele não é poeta, é antropólogo.

Carlos o olha impressionado.

Carlos: Você é mesmo surpreendente.

Sérgio: Ah, não… Só fiz alguns semestres de Ciências Sociais antes de decidir que queria virar Chefe de Cozinha.

Carlos: Chefe de Cozinha, verdade, você havia me dito… Vou querer provar dos seus dons culinários, hein.

Sérgio: É, quem sabe… – sorri misterioso – Mas, então, por que você resolveu apelar pra Internet? Não tem cara de quem precise.

Carlos: Ah, não se iluda… Bom, não sei… Às vezes é mais fácil, sabe… E você? – fala nervoso.

Sérgio: Eterna busca de alguém para dizer “Boa Noite” no final do dia. – ri.

Carlos: Boa noite, certo, hum – diz e toma um gole da sua bebida sem tirar os olhos de Sérgio.

Nora: Carlos? Carlos! – Nora aproxima-se de repente.

Carlos: Mãe?! – assusta-se e engasga-se com a bebida.

Nora: Carlos, querido, não sabia que estaria aqui.

Carlos: O que a senhora está fazendo aqui? – tenta se recompor do susto.

Nora: Vim comprar meu jantar. É muito triste ter que cozinhar só para mim. Todos os seus irmãos me abandonaram hoje – ela lamenta, Carlos revira os olhos, ainda apreensivo, e Nora vira-se para Sérgio, apresentando-se: – Olá, sou Nora, a mãe do Carlos.

Sérgio: Muito prazer, sou Sérgio, – hesita olhando para Carlos amigo do seu filho.

Nora: Ah! Entendi. Amigo… Bem, Sérgio, é um prazer conhecê-lo. Você não quer almoçar lá em casa próximo domingo?

Carlos: O quê?! – arregala os olhos surpreso e assustado.

Sérgio: Não sei… – olha para Carlos buscando algum sinal.

Carlos: Ele não pode, mãe.

Nora: Não responda por ele Carlos! Não é assim que um relacionamento saudável funciona.

Nesse momento o garçom traz o pedido.

Nora: Carlos, você vai comer peixe?! – pergunta espantada ao ver o prato.

Carlos: Não… Não, mãe!

Sérgio: Não? – estranha.

Nora: Ele é alérgico a qualquer coisa vinda do mar.

Sérgio: É? – olha pra Carlos preocupado.

Nora: Bom, vou deixar vocês à vontade. Aqui, Sérgio, meu endereço e telefone – diz escrevendo no guardanapo – Te vejo domingo. Prazer.

Sérgio: Igualmente, Dona Nora.

Nora: Tchau, filho!

Carlos acena desgostoso.

Sérgio: Você devia ter me dito que era alérgico. – fala depois que Nora sai.

Carlos: É que você estava tão empolgado com o Peixe ao Gratin – ri nervoso.

Sérgio: Eu poderia ter te matado.

Carlos: Ah, eu não iria comer.

Sérgio: E ia fazer o quê?

Carlos: Correr?! – ri, mas Sérgio olha pra ele em busca de uma resposta séria, e ele fala: – Ok, talvez tivéssemos que terminar a noite no hospital.

Sérgio: Então, ainda bem que sua mãe apareceu, porque não é assim que eu espero terminar a noite – sorri, e Carlos sorri de volta.

Sergio e Carlos se aproximam um do outro e, sem quebrarem o contato visual, beijam-se suavemente. Sérgio faz menção de querer prolongar e esquentar o beijo, mas Carlos se afasta com cuidado, olhando para os lados, no entanto, sorri fazendo cara de quem gostou.

10. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DA CAROL

Carol desistira de esperar pela atenção de Roberto no comitê e foi para casa. Estivera com ele duas vezes e não fizera nenhuma pergunta de cunho profissional. Sem contar todo aquele clima estranho entre os dois. Desde o rápido beijo no dia do seu aniversário, as coisas andavam ainda mais esquisitas entre eles, mas sem nenhum acontecimento ou esclarecimento mais concreto.

Já era madrugada, e Carol estava dormindo tranqüila na sua cama quando seu celular tocou. Sonolenta, ela tateia o criado-mudo ao lado da cama em busca do aparelho e derruba seus óculos no chão. Atordoada, ela senta-se na cama, segura o telefone e lê com dificuldade o que está escrito no visor, sem conseguir raciocinar direito.

Carol: Alô – atende sonolenta e depois de atrapalhar-se com os botões.

Roberto: Carol Andrade, por que você não me esperou?

Carol: Quem está falando? – pergunta ainda brigando com o seu sono.

Roberto: É o Roberto… Desculpa, você estava dormindo?

Carol: Mais ou menos – respondeu num bocejo.

Roberto: Ótimo, então. Pois eu estou passando por aí agora, ok?

Carol: Ãh? – sonolenta.

Roberto: Daqui uns cinco minutos. Me espera na calçada. Tchau!

Carol, confusa, desliga o telefone e volta a deitar-se. Segundos depois, ela desperta alarmada. Levanta-se num pulo, praticamente arranca o pijama do corpo e veste a primeira roupa que vê na frente. Depois vai até o banheiro e lava o rosto apressada. Repara que a luz do quarto da mãe está acesa, mas antes que pudesse imaginar o motivo, seu celular volta a tocar. Era Roberto que já estava do lado de fora da casa.

11. EXTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – CALÇADA

Roberto esperava em pé, encostado no carro. Com os braços cruzados e com um sorriso no rosto, ele admirava Carol vindo em sua direção. Carol, que ainda absorvia aquela situação surreal, tinha uma expressão confusa.

Roberto: Boa noite!

Carol: Ok, eu estava ignorando o fato, mas agora eu preciso perguntar: Como você conseguiu meu endereço? – dispara.

Roberto: Karen. Ela tem os contatos da imprensa. – Carol olha-o com desdém – Não me venha com sua teoria dos nomes com K., a Karen me ajuda bastante.

Carol: Imagino em quê… – provoca, e Roberto faz cara de quem não gostou da insinuação – E obviamente ela não sabia das suas intenções – Carol fala firme, mas em tom de brincadeira.

Roberto: E quais seriam? – ele descruza os braços e aproxima-se dela.

Carol: Eu…er… eu não sei – fica nervosa – Você que devia saber…

Roberto: Hum… – faz cara de pensativo, encarando-a.

Carol: Você está louco… ou empolgado demais com os números da eleição de hoje… O que faz aqui a essa hora? – esquiva-se.

Roberto: É, bem, quanto ao horário, desculpa, mas só consegui ficar livre agora. De resto, pensei que já estivessem claras as minhas intenções, Carol Andrade. – sorri malicioso e decidido.

Carol abaixa a cabeça tímida. Roberto segura as mãos de Carol e sente que ela está suando frio.

Roberto: Pensei que só eu estive nervoso aqui – sorri.

Carol: Está frio… – é o que ela consegue falar.

Roberto: Ok, quer sair daqui e dar uma volta? – propõe aproximando seu rosto do dela.

Carol faz menção de responder negativamente, mas antes que ela pudesse falar algo, Roberto segura seu rosto com as duas mãos e a beija ternamente, mas intenso. Ela amolece e deixa-se envolver pelos braços dele, e o beijo vai esquentando. Ao final do beijo, Roberto volta a perguntar se ela quer sair dali, apenas com um gesto e já se adiantando para abrir a porta. Carol entra automaticamente no carro.

12. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Nora levanta-se mais uma vez da cama e resolve agora ir até a sala. Um tempo depois, a porta da casa se abre, e Júnior entra.

Nora: Onde você estava, menino?! – pergunta firme.

Júnior: Mãe? – estreita os olhos tentando enxergá-la.

Nora liga a luz da sala, Júnior fecha os olhos por reflexo. A luz o incomoda.

Júnior: Vai dormir, mãe! – grita irritado.

Nora: Não sem antes você me dizer o que estar acontecendo com você.

Júnior: Deixa de drama, minha senhora!

Nora: Me respeite! – altera o tom de voz.

Júnior faz menção de deixar a sala.

Nora: Espere! – Nora grita.

Júnior: Estou cansado, ok? – Nora aproxima-se dele segurando seu braço – Me deixe em paz! – ele diz puxando com força seu braço da mão da mãe. Nora desequilibra-se, e Júnior dá as costas.

Nora: Guilherme Andrade Júnior, pare!

Júnior não dá ouvidos e continua andando. Nora pega um copo com água que estava na mesa e corre em direção ao filho, jogando a água no seu rosto. Júnior fica injuriado e faz menção de atacar a mãe, mas se contém. Nora assusta-se e dá um passo para trás. Júnior desaba no degrau da escada.

Nora: Meu filho, o que está acontecendo com você? – pergunta quando nota que ele está mais calmo.

Júnior a avalia por uns instantes.

Júnior: Vocês nunca me perdoariam se soubessem o que eu fiz. – diz amargurado, sem conseguir encará-la. Nora fica sem ação.

Nora: Tenho certeza que o que quer que você tenha feito não foi tão grave assim. – diz depois de um tempo, sentando-se ao lado dele. Júnior bufa descrente e balança a cabeça negativamente. – O maior mal que você sempre fez foi a você mesmo. ela completa ternamente.

Júnior: Claro que não, mãe! Já fiz muita besteira na vida. Já dei preocupação demais a senhora, já causei danos demais a essa família… – fecha a boca pressionando os lábios um no outro com força.

Nora: E você tem consciência disso, você sempre pensou nos outros. Isso é importante. Você é incapaz de machucar alguém intencionalmente.

Júnior: Não, mãe! Você não sabe! – começa a se desesperar e tampa o rosto com as duas mãos.

Nora: Filho, não quero saber o que você fez – segura com força as mãos de Júnior, tirando-as de seu rosto, encara-o firme e fala: – Eu sei que você se arrepende disso – Júnior a olha receoso, e ela prossegue: – Eu quero é saber o que você fará para acabar com esse tormento que se transformou a sua… a nossa vida. – ela diz, e ele desvia o olhar. Nora solta as mãos do filho e continua: – Não há nada que eu possa fazer, por mais que eu queira, é algo que depende de você antes de tudo. – Júnior volta a encarar a mãe, refletindo – Mas eu sempre estarei aqui… – Nora fala mais próxima a ele, e Júnior respira fundo e frágil. Nora o puxa para perto de si e o envolve em um abraço forte – Sempre… – ela diz já derramando lágrimas e sente que o filho também faz o mesmo.

13. INTERNA – DIA – HOSPITAL – QUARTO

Tomás: Bom dia. – ele diz dando um beijo no rosto de Vitória, que estava deitada na maca.

Vitória permanece calada e com um olhar distante.

Tomás: Dormiu bem?

Vitória responde dando de ombros, claramente triste. Tomás senta ao seu lado, e os dois fitam a TV sem prestar realmente atenção no que ela transmitia. Na maior parte do tempo em que Tomás a visitava, o silêncio predominava, cada um ocupado com sua dor, sem conseguirem conversar. Era o que estava acontecendo nesse momento.

Vitória: Não é muito cedo? – ela corta o silêncio.

Tomás: Vou ter que passar na livraria hoje, então vim mais cedo.

Vitória: Hum, certo.

Tomás: Em breve você vai poder voltar pra casa.

Vitória respira fundo.

Vitória: Talvez seja melhor eu ir para casa dos meus pais.

Tomás: Não, não quero você longe de mim.

Vitória: Tomás, – respira fundo – vamos encarar os fatos, eu serei… um fardo para você – ela engole seco – Você tem sua vida… – Tomás a silencia colocando delicadamente o dedo em sua boca.

Tomás: Não fala isso, Vitória. Você é minha vida, eu preciso mais de você do que você vai precisar de mim.

Vitória: Mas você tem que trabalhar e…

Tomás: Eu me viro. – interrompe-a.

Vitória fecha os olhos e serra os lábios.

Vitória: Aí, Tomás, isso tudo é tão injusto… Por que isso aconteceu comigo? Com a gente? Nosso filho… – ela se altera e começa a chorar.

Tomás: Calma, Vi. Eu sei que não é justo, nem fácil, mas eu estou aqui – Tomás a abraça com cuidado, tentando passar confiança.

Em seguida entra uma médica, anunciando que está na hora dos exercícios de fisioterapia matinais de Vitória.

Tomás: Volto mais tarde, ok? – ele enxuga algumas lágrimas do rosto da esposa, beija a mão dela e afasta-se.

Vitória desvia o olhar, encarando a parede. Aquilo corta o coração de Tomás.

14. INTERNA – DIA – HOSPITAL

Tomás caminha angustiado pelos corredores do hospital, entra rapidamente em um dos banheiros e tranca-se em uma cabine. Sentado no vaso, ele passa a mão no rosto e sem conseguir mais se conter, começa a chorar compulsivamente, tentando abafar o som dos soluços.

15. INTERNA – DIA – CASA DO ROBERTO – QUARTO

Carol acorda ao lado de Roberto na cama. Ela vira-se delicadamente, tentando levantar-se sem deixar o lençol cair. Ela tentava fazer movimentos suaves, em vão, porque estava mais parecendo que estava tendo uma convulsão por baixo dos lençóis. No meio do processo, ela vira-se e dá de cara com Roberto observando-a e parecendo se divertir com aquilo.

Roberto: Bom dia, Carol Andrade!

Carol: Ai meu deus – sussurra assustada.

Roberto: Desculpa, não queria te assustar… Dormiu bem? – pergunta, e Carol faz cara de apreensão – Nossa, a noite foi tão ruim assim?

Carol: Não, não… er.. uh – engole seco – foi ótima, mas, aí meu deus, como isso aconteceu? – senta-se na cama, meio desajeitada.

Roberto: Hum… posso te explicar na prática se você quiser – diz sentado-se ao lado dela na cama e beijando seu pescoço. Carol amolece.

Carol: Não! – tenta desviar de suas carícias – Você não entende o que isso significa? – volta a si e fala gaguejando.

Roberto sorri achando engraçado o jeito dela e continua beijá-la. Carol passa a mão no cabelo, angustiada.

Roberto: Com o quê você tanto se preocupa, Carol? – pergunta sério, parando com as carícias.

Carol levanta-se, ainda envolvida no lençol, e começa a procurar suas roupas.

Roberto: Carol, acho que a gente precisa conversar – também levanta-se.

Carol: Eu entendo, foi só uma noite, ótima noite, culpa da minha ineficiência de racionalizar de madrugada, mas… – fala freneticamente.

Roberto segura o braço de Carol, firme, puxando-a para si, e fazendo-a calar-se. Com a aproximação de seus corpos, ambos podiam sentir a respiração ofegante e a temperatura um do outro. Roberto consegue passar sua mão por uma das brechas do lençol, abraçando Carol.

Roberto: Acontece que eu… fala enquanto alisa as costas de Carol por baixo do lençol racionalizo bem… sempre. – completa e beija-a.

16. INTERNA – DIA – LIVRARIA ANDANÇAS CENTRAL – CORREDOR

Tomás sai de sua sala atordoado e cruza com Sara no corredor.

Tomás: Que bom que você está por aqui – diz irônico.

Sara: Reunião, lembra? – estranha o comportamento do irmão.

Tomás: Preparada para seu showzinho, então? – continua irônico.

Sara: Do que você está falando, Tomás? – estreita as sobrancelhas.

Tomás: Eu acabei de saber que você anda se encontrando às escondidas com o Daniel Motta da Midas. O que você tá aprontando?

Sara: Primeiro, não foi às escondidas. Eu só não te disse antes porque… por tudo que aconteceu – tenta falar com jeito – Segundo, eu estava me encontrando com o Motta para discutir aquela proposta de fusão da Midas que o Tio Saulo apresentou.

Tomás: Você vai mesmo apoiar essa idéia idiota?!

Sara: Não é idiota, e não estamos em condições de sermos tão exigentes. Na reunião de agora, eu vou apresentar uma proposta concreta e mais favorável a Andanças, se a Midas não topar, podemos levar a outras empresas – Sara tenta manter a conversa no tom sereno e profissional, mas Tomás está claramente impaciente.

Tomás: Que mais você acha que posso suportar perder, hein, Sara?

Aquelas palavras tocam Sara, que permanece calada e olha para os lados. Alguns funcionários já estavam observando a discussão.

Sara: Nós conversamos melhor sobre isso na reunião. Vamos?

Tomás ri insatisfeito.

Tomás: Tem que ser tudo do seu jeito, né? – acusa – Deixa de ser controladora e querer se meter na vida dos outros! – estoura e sai bufando, deixando Sara atônita.

17. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DA SARA – QUARTO

Sara e Fernando estavam tendo mais um bate-boca, algo que se tornou uma constante em seus dias.

Sara: Está difícil conversar com você sobre coisas sérias. Aliás, agora você vive assim, com pensamentos inacessíveis… – diz irônica, mas sentida.

Fernando: Você também nunca foi um livro aberto, Sara. Cansei de tentar adivinhar o que você sente e servir de airbag para suas batidas quando nem sei a causa delas.

Sara: Pois somos dois! E não é verdade que eu escondo as coisas de você. Você é que de repente não está mais interessado no que acontece comigo.

Fernando: Que absurdo! Mas, quer saber, realmente cansei dos seus dramas andradianos. Com qual irmão você brigou dessa vez? Você está cansada de saber que essas brigas de vocês não duram mais que um jantar.

Sara olha incrédula para ele.

Sara: Era exatamente disso que eu estava falando.

Fernando: Sara, parece que você quer sempre arrumar uma briga comigo, pelo amor deus! – exalta-se.

Sara: É realmente isso que você pensa? – também se altera.

Fernando: É o que parece… – continua provocando.

Sara: Muito bem, então pode sair, vá! – diz furiosa e apontando para a porta, tentando não chorar – A Carol me ligou, ela está vindo aqui agora… Pode deixar que vou arrumar briga com ela, já que gosto tanto disso – provoca irônica, e Fernando sai do quarto nervoso.

Algum tempo depois, Carol entra no quarto e encontra a irmã abalada.

Carol: Tá tudo bem? – pergunta sentando-se ao lado da irmã na cama.

Sara só balança a cabeça positivamente, estava triste e cansada.

Carol: Sabe, o silêncio é algo muito perigoso, geralmente significa que a pessoa está pensando em alguma coisa que não pode ou não consegue dizer

Sara: Então, ignore meus gritos, mas preste atenção no meu silêncio. – completa a frase da irmã – Você ainda lembra disso? – sorri de leve.

Carol: Como não? Você tinha naquele seu caderno de pensamentos. E você vivia repetindo isso sempre que me encontrava calada demais, me arrancando assim os segredos mais escusos – Sara ri lembrando-se do fato – Então, o que tá acontecendo? – Carol pergunta fraternal.

Sara, então, conta para irmã sobre o bebê que perdeu meses atrás e também fala por cima sobre as discussões com Tomás e Fernando.

18. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES/APARTAMENTO DA REBECA

Júnior: Algo sobre aquele assunto? – Júnior conversava com Rebeca pelo telefone.

Rebeca: Não sei, acho que sai esses dias, mas sua irmã sabe melhor do que eu. Ela deve até sonhar com esse D.NA! – ironiza.

Júnior: Desculpa por isso.

Rebeca: Tudo bem, caso dê positivo é algo que vou ter que me acostumar. E você, o quê conta? Sumiu…

Júnior: O clima aqui em casa ainda tá pesado… e – engole seco e faz menção de falar algo, mas pára.

Rebeca: Imagino, Ju. diz em tom sentido Deve ser difícil ver seu irmão nessa situação. Nossa, muito triste! Como você tá com tudo isso?

Júnior: Péssimo pra falar a verdade e eu, er… hum… Ah, eu não tenho passado muito tempo consciente, se é que você me entende. – fala triste.

Rebeca: E você acha que isso é o melhor a se fazer?!

Júnior: Sem lições de moral, ok?

Rebeca: Certo, também acho que você já tem idade o suficiente para entender isso.

Júnior fica em silêncio por um tempo. Rebeca também não diz nada.

Júnior: Eu sei, eu estou exagerando, mas é algo que não consigo evitar.

Rebeca: Júnior, posso correr o risco de parecer chata, mas tenho um amigo que já passou por isso, e não foi nada bom. Você tem que colocar um limite, antes que isso estrague sua vida.

Júnior: Acho que já estragou o bastante… – murmura.

Rebeca: Então… – fala depois de um tempo em silêncio – Eu posso te indicar tratamentos…

Júnior: Tratamentos?! – Júnior interrompe não gostando do que ouviu.

Rebeca: Sim – fala paciente – Não seja relutante… Vou te mandar algumas coisas por e-mail, você lê e pensa sobre o assunto, certo?

Júnior: Ok, vou pensar… – fala depois de um tempo.

19. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DA SARA – QUARTO

As irmãs continuavam conversando. Sara ainda estava um pouco triste, mas o desabafo com a irmã ajudara.

Sara: Ok – diz esfregando o rosto e tomando ar – Chega dos meus problemas, vamos conversar sobre algo feliz. Me fale de você. O que queria me contar? – diz e tenta esboçar um sorriso incentivador.

Carol: Algo feliz, eu?!

Sara: Sei lá, qualquer coisa, algo novo, empolgante! Nenhum escândalo sexual político rolando por aí? Hum? – pisca pra irmã.

Carol avalia a situação antes de começar a falar.

Carol: Sara, sabe como você é bem melhor do que eu em certas coisas?

Sara: Não é bem assim. Temos talentos diferentes. Por exemplo: eu sei cozinhar, você sabe programar o videocassete. – tenta descontrair.

Carol: Você também sabe programar o videocassete.

Sara: É verdade, mas você não devia se nivelar por alto – brinca.

Carol: Mas não era disso que eu falava… – toma coragem e continua: – Relacionamentos, namorados, esse é meu ponto. – fala incerta – Sempre foi fácil para você, para mim é um tormento.

Sara: Nem tão fácil assim, querida, principalmente agora… – diz triste, e Carol arrepende-se do que falou Mas, uau, namorado! Como chegamos a esse ponto de um dia para outro? – Sara procura não se abalar.

Carol: Não sei se é bem na-mo-ra-do...

Sara: É o que então? – fita-a desconfiada.

Carol: Não sei… Acho que gosto dele, mas não tenho bons precedentes. Você sabe, sou a campeã da paixonite instantânea e sempre quebro a cara. – faz uma pausa E envolve questões profissionais também.

Sara: Normal, você sempre envolveu com os caras com quem trabalha.

Carol: Não é bem esse o caso. É diferente.

Sara: Você está sendo muito misteriosa, preciso de mais detalhes. – coloca a mão no queixo, prestando ainda mais atenção.

Carol: A questão é que não sei se devo arriscar, me deixar levar… Pode ser complicado. E eu não quero sofrer de novo, mas às vezes acho que ele quer algo mais sério, digamos assim, mas a gente mal se conhece e só ficamos umas duas vezes praticamente… – fala compulsivamente.

Sara: É assim que começa, minha irmã… – brinca, mas diante do olhar de Carol, Sara continua: – Ok, pode ser que seja cedo. Sendo assim, das duas uma: ou ele é um psicótico ou ele está enfeitiçado pelo seu talento na cama… – brinca.

Carol: Quem falou em cama aqui?

Sara: Brincadeira… Então, concluímos que o cara é um psicótico, certo?

Carol: Bem…

Sara: Não acredito! – tampa a boca surpresa e dá uma tapa de leve na irmã – Ana Carolina Andrade, quem é o cara?!

Carol: Ainda não estou preparada para compartilhar isso com o mundo. – desconversa fazendo suspense.

Sara: Nem com sua irmã, sua ídola?! – aponta pra si mesma – Vai, me diz, quem te fez desistir do Deputado? Aí, eu achava que era tão promissor esse flerte de vocês dois…

Carol: Bem…

Sara: É o Deputado?!! – Sara fala quase gritando de animação, e Carol confirma com a cabeça – Não acredito! Minha irmã, minha ídola!! – Sara comemora e abraça a irmã empolgada.

Carol: Calma, Sara… – fala contendo o riso.

Sara: Calma?! Carol, ele é lindo! E ótimo também… Nossa, Roberto Pelegrini, nosso futuro prefeito e meu futuro cunhado!!

Carol: Sabia que devia ter conversado com alguém que não fosse cabo eleitoral dele. – revira os olhos.

20. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Domingo, a família está reunida na casa dos Andrades para o almoço promovido por Nora. Eles divertiam-se com as curiosidades de Gabriel, enquanto esperavam o almoço ser posto na mesa.

Júnior: Eu só digo uma coisa: na próxima encarnação eu quero ser um porco!

Fernando: Ele te contou do orgasmo de 30 minutos de um suíno? – Fernando chega à sala com os gêmeos, e tampa os ouvidos deles quando fala.

Júnior: Exato, incrível! – diz empolgado.

Gabriel: É impossível espirrar com os olhos abertos.

Carlos: O que deu nesse menino hoje?! – pergunta para irmã, e Sara dá de ombros.

A campainha toca, Júnior adianta-se para atender. Fica surpreso ao abri-la e dá de cara com Roberto Pelegrini. Volta para sala e anuncia a visita, fazendo Carol engasgar com o chiclete que mascava. Ela levanta-se assustada e parte para cima de Roberto.

Carol: O que você está fazendo aqui?! – pergunta aflita entre os dentes.

Roberto: Eu vim te ver… Eu estava em campanha aqui por perto, e aproveitei esses minutos de folga… Tá tudo bem? – ele diz e olha para todos que os observava surpresos.

Carol: Claro que não, ninguém sabe de… – ela fala sussurrando e apontando para ele e depois pra si própria em sinal de “nós dois”.

Sara: Bem… – Sara dá de ombros, aproximando-se dos dois – Sabe como as notícias rolam por aqui… ela diz, e Carol a lança um olhar mortífero Tudo bem, Deputado? – Sara cumprimenta-o simpática.

Roberto: Por favor, me chame de Roberto. Prazer em conhecê-la… Sara, certo? – ela confirma com a cabeça – A mente por trás da teoria do K. – ele fala, e é a vez de Sara estranhar a conversa.

Enquanto Carol entrava em desespero, todos se apresentavam a Roberto. Carlos, que a princípio não estava gostando daquela aproximação da irmã com um político, teve que dar o braço a torcer à beleza do Deputado. Carlos dá uma bela conferida em Roberto, admirando sua beleza e, em seguida, faz sinal de aprovação para Carol e depois um gesto de faca no pescoço, simbolizando que ela estava ferrada. Foi, então, que Nora chegou à sala e também ficou surpresa com presença do político.

Carol: Aí meu deus! – ela murmura ao ver a mãe abrir um sorriso.

Nora: Oh, Deputado, eu não sabia que a Carol tinha lhe convidado para almoçar conosco.

Carol: E eu não sabia que você poderia cogitar essa possibilidade… – Carol resmunga baixo.

Roberto: Na verdade, ela não me convidou. Desculpa, estou de penetra, não sabia que estava havendo um encontro da família.

Nora: Não, que é isso. Faço questão que fique e almoce conosco.

Carol: Não! – Carol fala de repente.

Nora: Carol, não seja mal-educada!

Carol: Não, o Roberto, digo o Deputado, deve ter outros compromissos –olha para ele, ansiando por uma confirmação.

Roberto: Na verdade, eu tenho um tempinho sim, e adoraria almoçar com vocês. Será um prazer.

Nora sorri feliz. Carol puxa Roberto para o canto.

Carol: Você não pode ficar. Não vai querer, acredite. – sussurra.

Roberto: Por que não? Eu tenho crédito com eles que eu sei! Mais do que eu tinha com você – pisca para ela, e Carol desiste de persuadi-lo.

Nora: Carlos, por que o Sérgio ainda não chegou?

Carlos: Por que ele não vem?! – diz baixo e tenta não chamar a atenção dos demais para aquela conversa.

Nora: Claro que vem. Ele me disse que vinha.

Carlos: Aliás, por que você fez aquilo?! – irritado.

Sara: Ok, quem é Sérgio? – pergunta confusa e curiosa.

Nora: O namorado do Carlos, oras. – sorri cúmplice para o filho.

Carlos: Mãe!! – explode.

Fernando começa a distrair os gêmeos para desviarem a atenção da briga que se anunciava. E Roberto olha assustado para Carol.

Carol: Eu avisei – ela responde ao olhar do Deputado.

Sara: Mãe! Por que a senhora não me contou que o Carlos estava namorando? Eu te falei da Carol… – fala a última frase mais baixo para que Carol e Roberto não ouvissem, mas Carol escuta e bufa.

Nora: Ah, Sara, eu já sabia da Carol. Eu a vi saindo de madrugada com o Deputado domingo passado.

Carol olha surpresa para mãe, faz menção de falar algo, mas desiste, fazendo bico.

Sara: Carlos, por que você não me contou que estava namorando?!

Carlos: Não tem namorado nenhum! Mamãe enlouqueceu!!

Nora: Ele é uma graça, gente. Encontrei com eles no Suprema Gula

Carlos: Mãe, pára! Foi a primeira vez que saí com ele.

Sara: Ah, entendi… Foi o C.A., né, Carlinhos?

Nora: C.A.? – estranha o termo.

Júnior: Carlos andou marcando encontros pela Internet…

Nora: Meu filho, você não precisa disso! Você é lindo, inteligente…

Carlos: Ah, mãe, você não sabe de nada. – diz chateado.

Júnior: Pra quê tanto drama, Carlos?

Carlos: Por que vocês estão pegando no meu pé por causa de algo hipotético? Devíamos estar discutindo o novo affair da Carol.

Carol: Como é que é?! – mete-se na conversa.

Carlos: Ah, por favor, como uma jornalista política se envolve com um POLÍTICO?! Ainda mais candidato a eleição que ela está cobrindo? Cadê a ética?! – dispara abusado.

Sara e Júnior: Carlos! – repreendem o irmão.

Roberto esquiva-se. Carol ameaça falar algo. A campainha toca novamente, calando todos.

Nora: Eu atendo. Tomara que seja o Tomás. Tive que insistir muito para que ele viesse. Comportem-se, viu?

Nora abre a porta e depara-se com Sérgio do outro lado.

Sérgio: Dona Nora! Como vai? Trouxe sobremesa!

Nora: Ah, obrigada!

Carol analisa Sérgio da cabeça aos pés e faz sinal de aprovação para Carlos, seguido de um gesto de faca no pescoço, da mesma forma que o irmão havia feito quando viu Roberto. Gabriel ao ver a tia fazer aquilo e a cara de irritado e de sem jeito de Carlos, começa a rir compulsivamente. Sara tampa a boca do filho e arrasta-o para fora da sala. Sara também estava tentando disfarçar o riso.

21. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA DE JANTAR

Logo depois, estavam todos mais calmos e sentados à mesa, comendo. A campainha toca novamente. Nora olha para Gabriel, que entende o recado e levanta-se para atender a porta. Em seguida, volta com Tomás.

Tomás: Não sabia que teríamos um evento – fala abusado ao notar todas aquelas pessoas. – E obrigado por esperarem – irônico.

Nora: Oh, filho, você demorou, mas que bom que veio. Venha, sente-se ao meu lado. – diz apontando a cadeira vazia perto de si.

Tomás: Mãe, você sabe que por minha vontade não estaria aqui.

Um silêncio constrangedor instala-se na mesa.

Sara: Vamos, filha, coma. Você já não comeu nada no café-da-manhã. Precisa se alimentar. – Sara quebra o silêncio tentando fazer Rafaela comer alguma coisa.

Rafaela: Un, un, mãe, não quero. Não estou com vontade.

Fernando: Você tá bem? – pergunta à filha.

Gabriel: Nesse exato momento há mais de 100.000.000 de microorganismos se alimentando, se reproduzindo, nadando e depositando detritos na área em volta dos seus lábios. – fala para Rafaela, que faz cara de nojo.

Júnior ri. E Nora sorri pra Júnior, gostando de ver o filho rindo.

Nora: Gabriel, não fale essas coisas à mesa.

Gabriel: Desculpa, vovó.

Carlos: Alguém pode desligar esse Guia dos Curiosos!

Sara: Olha quem fala! Você é um Vade Mecum ambulante! – diz rindo.

Carlos: Falou a Momentos de Sabedoria.

Nora olha para os filhos reprovando a briguinha infantil entre eles.

Fernando: A banda do Gabs vai tocar na festa de fim de ano da escola – anuncia orgulhoso e para mudar de assunto.

Todos parabenizam Gabriel com sorrisos e cumprimentos.

Tomás: Pelo visto, somos praticamente a Família DÓ RÉ MI, só que sem o sucesso deles – fala em tom de provocação.

Nora: Então, Deputado, estou confiante que agora a gente chega a prefeitura. – muda de assunto.

Roberto: É o que eu espero, Dona Nora. – abre um sorriso.

Carlos: Eu também. Quanto mais políticos que apóiam a diversidade melhor. Chega de conservadores. – Carlos diz casualmente, e Sérgio sorri pra ele, fazendo Carlos arrepende-se de ter tocado naquele ponto.

Tomás: Uma posição conservadora às vezes, quase sempre, é a mais sensata, como na questão da legalização da maconha… – fita Júnior de forma reprovativa. – O acesso já é fácil o bastante, legalizar só vai piorar a situação – olha para Roberto, desafiando-o.

Roberto: Bem, na verdade, o ponto é a descriminali…

Carlos: Não liga, ele é do lado das aves. Sabe, fumar, mas não tragar. –interrompe provocando o irmão.

Tomás fica perturbado, e Roberto desconfortável.

Nora: Meninos, chega! – briga, mas tentando ser discreta.

A partir daí o almoço decorre em silêncio. Júnior mantinha-se calado e pensativo e também mantinha o copo vazio, enquanto todos bebiam algo. Nora resolve puxar assunto.

Nora: Nós tínhamos uma vizinha, a Dona Tassa, se lembra, Tomás? – pergunta ao filho sentado mais próximo a ela, mas Tomás nega com a cabeça, ainda com cara de poucos amigos – A Sara com certeza lembra…

Sara: Tassa? Não, acho que não, mãe…

Nora: A esposa do Luiz! Aquele que trabalhava no IBAMA – Sara continua negando com a cabeça – Carlos, Carol, vocês brincavam com as filhas deles, a Marga e a Ninha, não lembram? – Nora insiste.

Carlos: Não, mãe – responde seco, e Carol também nega com um gesto.

Nora: Sara, você lembra, Anastácia, Tassa… Ela fazia um bolo de cenoura que você adorava, morava perto da livraria.

Carol: Mãe, não adianta, desista, ninguém vai lembrar – fala bruscamente.

Nora: Ave Maria… – olha chateada pra Carol – Não liga, Deputado.

Roberto: Sem problemas, já estou me acostumando – brinca, mas Carol não gosta do comentário – E, por favor, pode me chamar de Roberto.

Sara: Enfim, mãe, o que tinha essa tal de Dona Tassa?

Nora: Então, ela foi ao orfanato essa semana. Eles estão querendo adotar uma criança. – Tomás a fita triste de canto de olho, Nora prossegue: Olha que interessante, adotar uma criança na idade deles! Eles dizem que sentem falta do movimento, se sentem sozinhos…

Carlos: Ah, não, mãe, não me diga que você está pensando em adotar uma criança também?

Nora: Isso, por acaso, seria tão terrível, Carlos?

Tomás: Lembre-se que você ainda tem o Júnior para criar – alfineta.

Júnior exalta-se e deixa derramar a água que colocava no copo.

Nora: Minha nossa senhora, desisto, meus filhos não sabem ter uma conversa civilizada, nem mesmo fingir uma. – bate na mesa – Roberto e Sérgio, desculpe-me mais uma vez. – os dois fazem sinal de que ela não precisa se preocupar – Eles não são sempre assim, só quando querem me fazer passar vergonha – respira fundo e levanta-se – Eu vou arrumar as coisas na cozinha. Quando eu voltar, eu espero que vocês não tenham se matado.

Júnior: Eu vou com a senhora.

22. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Júnior ajudava Nora com os pratos. Ambos se mantinham num silêncio seguro, mas cheio de expectativas.

Júnior: Mãe… – Nora vira-se para olhá-lo, ele prossegue: – Conversei com a Rebeca, sabe… Ela conhece pessoas que passaram pelos mesmos… mesmos problemas que eu… – Nora o incentiva a continuar com o olhar – Ela me falou de algumas alternativas… – ele engole seco de tratamento, e…

Nora: E você já sabe o que vai fazer, certo? – procura parecer confiante, mas tinha um tom de preocupação.

Júnior: Sim, acho que sim… Pensei bastante. Talvez o melhor seja eu ir para uma clínica de… de reabilitação – fala com dificuldade.

Nora: Bom. Muito bom mesmo. – emociona-se, mas tenta disfarçar.

Júnior: Mesmo? A senhora sabe que isso envolve eu passar várias semanas fora de casa, longe da senhora, certo? – brinca

Nora: Eu sobreviverei – brinca também – Só quero o melhor para você – sorri confiante, e Júnior sorri de volta – Bom ver esse sorriso de volta ao seu rosto. Não há nada que combine tão bem com ele. – ela fala sorrindo.

23. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Após o almoço, todos estavam na sala, com exceção de Nora e Júnior. Sérgio e Carlos estavam um pouco mais isolados dos demais.

Sérgio: Desculpa eu ter vindo aqui hoje.

Carlos: Tá tudo bem… – fala distraído.

Sérgio: Claro que não. Você não me olhou direito um instante. Eu pensei que você tivesse gostado do nosso encontro tanto quanto eu.

Carlos reflete por alguns segundos.

Carlos: Me desculpa. Fui pego de surpresa. Tem muitas coisas acontecendo por aqui. Não tem nada a ver com você…

Sérgio: Mesmo assim, não sei, melhor eu ir… Se despede da sua mãe por mim, por favor.

Carlos: Ok… Me liga?

Sérgio: Não… Melhor não… – sorri triste e caminha em direção à porta. Antes de sair, despede-se rapidamente dos demais.

Carlos fica abatido, mas após a saída de Sérgio, volta a juntar-se aos irmãos. Eduardo e Rafaela escreviam algo em seus cadernos.

Sara: Eles estão escrevendo histórias para o livro da turma que vai ser distribuído na festa de fim de ano – explica orgulhosa.

Carol: Qual é o título da sua, Rafa?

Rafaela: O triângulo, o quadrado e uma história.

Carol: Hum… que interessante. – fala não muito certa.

Carlos: Para um matemático… – desdenha visivelmente aborrecido.

Roberto, sentado ao lado de Carol, ri e passa a mão por cima do ombro dela, que se sente desconfortável.

Carol: E a sua, Dudu? – diz afastando-se um pouco de Roberto.

Eduardo levanta sua folha para que a tia leia o título, e lá está escrito: “Uma caza legal”.

Rafaela: Que burro, escreveu casa com Z! – ri do irmão.

Fernando: Não falem assim com seu irmão, ele ainda está aprendendo.

Sara também repreende Rafaela, mas apenas com o olhar e vai para perto de Eduardo, que estava chateado e envergonhado.

Sara: Filho, errar é normal. – fala acariciando a cabeça do filho – É errando que a gente aprende. Não se preocupe se você trocou as letras, o importante é se fazer entender. – fala gentil, alisando o braço do filho, que em resposta lhe lança um sorriso confiante.

Tomás: É impressionante como você é tão sensível para algumas coisas e para outras não. – diz provocativo.

Carol: Tomás, você não precisa falar assim com a Sara.

Carlos: É, a gente entende que você está passando por um momento difícil, mas não é só você que tem problemas.

Tomás: Não, nenhum de você sabe o que é perder um filho! – exalta-se.

Sara olha para ele e para as demais pessoas que estavam por ali, respira fundo, mas antes que ela falasse alguma coisa, Fernando adianta-se.

Fernando: Não fale algo que você não sabe, Tomás. – diz firme.

Sara olha assustada pra ele, repreendendo-o.

Carlos: Exatamente! Você não faz idéia, Tomás.

Sara fita Carlos e depois Carol que se denunciam por suas expressões suspeitas.

Sara: E o quê você sabe, Carlos? Carol, o que você disse para ele?! – pergunta agoniada.

Carlos: Sara, você não precisa mais esconder da gente o que aconteceu.

Sara: Minha nossa, Carol, eu não acredito que você fez isso! – levanta-se exaltada do sofá.

Carol: Sara… Já faz tempo… Somos seus irmãos, pelo amor de deus!

Sara: Ferdi, leva as crianças lá pra cima, por favor… – diz desabando no sofá.

Fernando: Certeza?

Sara faz que sim com a cabeça.

Gabriel: Eu quero ficar!

Fernando: Isso não é assunto para você, vamos – fala firme.

Roberto: Bom, acho melhor eu ir também. Está na minha hora. – diz levantando-se. Despede-se de Carol com um beijo no rosto e acena de leve para os demais, meio sem jeito diante da situação.

Carol: Viu a cena que vocês fizeram na frente do Deputado? – fala depois que o político sai – Por isso que eu não apresento vocês a nenhum dos meus namorados… Não que ele seja meu namorado – adianta-se.

Tomás: Sei… – desdenha – Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? – pergunta já preocupado.

Carol respira fundo.

Carol: A Sara teve um aborto espontâneo há alguns meses.

Tomás: Como? Você estava com quantos meses? – vira-se para Sara.

Sara: Uns dois meses. Eu não quis preocupar ninguém.

Tomás: Ah, desculpa, mas está longe de ser a mesma coisa. – ironiza.

Carlos: Tomás, por favor, não seja insensível.

Tomás: Insensível, eu?! Vocês querem mesmo comparar?!

Sara: Eu não estou querendo competir sofrimento, Tomás. Pois cada um sabe a dor que carrega. Mas não é porque você está sofrendo que pode agir assim com a gente.

Tomás bufa, abrindo a boca para falar.

Nora: O que está acontecendo aqui?– chega acompanhada de Júnior.

Tomás: Eu vou embora!

Nora: Pare Tomás! Ninguém sai daqui sem me contar o que está acontecendo.

Tomás: Sinceramente, mãe, eu não preciso mais agüentar isso…

Nora: Eu já falei que você fica! – diz firme, e Tomás recua.

24. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Os filhos acabaram de explicar toda a situação a mãe.

Nora: Ok, estou assimilando... – respira fundo – Sara, você não precisava carregar esse fardo sozinha – fala segurando a mão da filha e olhando-a nos olhos – Claramente foi algo que lhe abalou bastante, você precisava do nosso suporte. Nunca mais me esconda algo do tipo.

Sara: Eu não queria preocupá-la, mãe… – disse enxugando algumas lágrimas que teimavam em cair – Enfim, já passou, não quero mais revirar isso. – respira fundo.

Nora: Você tem toda razão! Não deixe te machucar mais do que já machucou. E você, Tomás… – vira-se pra Tomás – Meu filho, todos nós compartilhamos a sua dor e a da Vitória, mas isso não lhe dá o direito de nos tratar como você vem tratando.

Tomás: Mas mãe…

Nora: Somos sua família, não seu saco de pancadas, embora estejamos aqui para levar pancadas por e com você. – Nora continua, sem dar chances para Tomás falar algo – Seus irmãos estão fazendo o possível para te apoiar, mas se torna ainda mais difícil para todos, principalmente para você, se você continuar agindo assim. – pára alguns instantes, olha nos olhos de Tomás e completa: – Também não guarde tudo para você, ok? Eu te amo tanto… – passa a mão no rosto do filho, delicadamente.

Tomás fica tocado com as palavras da mãe, mas não é capaz de falar nada. Apenas olha para os irmãos, com uma expressão cheia de significado.

Fernando: Desculpa, gente – chega à sala interrompendo o momento – Sara, Rafa não parece bem, acho melhor irmos para casa – fala com a filha nos braços, sonolenta.

25. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DO CARLOS/ APARTAMENTO DO SÉRGIO

Carlos pega o seu celular e, receoso, disca um número. Sérgio, do outro lado da linha, atende não muito empolgado.

Sérgio: Oi Carlos.

Carlos: Oi… – sem jeito – Er… Liguei pra te desejar boa noite.

Sérgio abre um sorriso e demora alguns segundos para responder.

Sérgio: Boa noite…

Carlos sorri, sentindo-se aliviado e mais confiante para prosseguir.

Carlos: Você não sabe a sorte que deu saindo cedo do almoço hoje…

26. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DO JÚNIOR

Júnior estava mexendo algumas coisas no seu guarda-roupa quando Nora entra.

Nora: O que está fazendo?

Júnior: Imaginando aqui o que eu devo levar para clínica. Se seria uma mala para uma viagem cheia de atividades e passeios, onde eu não teria tempo ocioso, ou uma mala Big Brother, com muitos livros para passar o tempo e fotos de vocês para matar a saudade.

Nora: Numa viagem você não sentiria falta da gente? – Júnior finge estar pensando, e ela fala: – Ok, você não pode levar nada que tenha álcool, como perfume. Também não pode levar objetos cortantes, nem…

Júnior: Mãe… – Júnior a interrompe rindo – Andou pesquisando, hein!

Nora: Sim, admito. Queria saber onde meu filho estava indo. Posso?!

Júnior: Pode! – ri e levanta os braços, rendendo-se.

Nora: Filho, – aproxima-se de Júnior – estou orgulhosa da sua decisão e acredito em você. – alisa o braço de Júnior, depois o aperta forte.

Júnior: Você é incrível, mãe! – segura a mão dela e sorri tímido em sinal de agradecimento. – Ah! Eu preciso falar com os outros a respeito disso tudo. – lembra-se de repente, um pouco receoso.

Nora: Ah, eu acabei de contar a Carol. Tenho certeza que todos ficarão sabendo até amanhã de manhã no máximo!

27. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES/CASA DO ROBERTO

Carol: Você viu a pior face dos Andrades. Nós não somos sempre assim – Carol conversava por telefone com Roberto.

Roberto: Imagina, me senti em casa, em família já. – brinca.

Carol: Mas Roberto, você realmente não devia ter ficado para almoçar…

Roberto: Por que não?

Carol: Porque é muito cedo, oras… – reflete e completa: – Se tivesse uma alface no seu dente, eu não me sentiria confortável para te alertar.

Roberto: Tinha algo no meu dente? – brinca.

Carol: Sério…

Roberto: Ok, entendi seu ponto. Você acha que ainda não estamos íntimos o bastante para a fase “conheça minha família”.

Carol: Minha surtada e complicada família.

Roberto: Como toda que se preze… – brinca.

Carol: E o meu irmão tem razão, eu não devia me envolver com meu objeto de trabalho.

Roberto: Objeto de trabalho?! – ri com malícia – Não quero forçar nada, Carol, mas eu realmente gosto de você. – sério – A gente vai conseguir administrar a questão profissional, – pausa – e uma hora ou outra ia surgir o momento de conhecer a família da minha namorada – brinca.

Carol: Namorada? – surpresa – Roberto Pelegrini, não é muito cedo para isso? – zomba.

Roberto: Carol Andrade, nós estamos namorando, aceite isso.

Carol: Você é muito mandão!

Roberto: Não, sou um líder nato – sorri vitorioso.

28. INTERNA – NOITE – HOSPITAL – QUARTO

Tomás entra no quarto com cuidado, com medo de acordar Vitória, mas a mesma estava acordada, lendo um papel. Tomás se aproxima.

Tomás: Oi meu bem, o que é isso? – pergunta referindo-se ao papel.

Vitória: Um cartão da sua família… – ela ergue a cabeça, e Tomás percebe que ela tem os olhos cheios de lágrimas.

Tomás: O quê? – fica surpreso e angustiado – Eles mandaram isso hoje?!

Vitória: Não, é antigo, veio com umas flores que chegaram no dia que eu saí da U.T.I… Lê… – passa o cartão para ele.

Tomás lê e também se emociona. Além da mensagem de esperança impressa do cartão, havia algo escrito de caneta. Ele reconheceu a letra de Sara na escrita: “Se palavras pudessem expressar o que sentimos agora, se sintam abraçados por uma rocha e inundados de fé. Amamos absurdamente vocês”. Seguida da assinatura de cada um de seus irmãos, da sua mãe, da sua avó e de seu tio. Tomás respira fundo.

Tomás: Vi, vou contratar uma enfermeira no começo, depois a gente vai se adaptando. Você tem que ser forte… Nós precisamos ser. Isso não é fim. – segura com força a mão da esposa e, olhando nos seus olhos, fala quase sussurrando: – Eu te amo.

Vitória dá um meio sorriso, e apesar de não ser grandioso, é verdadeiro. Ela se sentia confiante pela primeira vez desde o acontecido. Tomás solta a mão dela, sorrindo por ter a visto sorrir. Ele começa a preparar o sofá para se deitar. Vitória o chama com um gesto para se juntar a ela. Ele vai até a maca, deita-se e abraça a esposa com cuidado para não machucá-la, beijando o topo de sua cabeça.

29. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DA SARA – QUARTO

Sara arrumava algumas coisas na cômoda antes de dormir e encontrou o caderno de anotações de Fernando. Resolveu abri-lo, folheando displicentemente as folhas, parou numa página marcada com uma foto. A foto era dos dois bem mais novos: Fernando tinha cabelo desgrenhado propositalmente e esbanjava charmosamente uma barba por fazer. Seus olhos estavam semicerrados pela luz do sol e o sorriso era tímido, mas intenso. Sara estava agarrada ao seu pescoço, com cabelos ao vento e com um largo sorriso, tão natural, que quase fez Sara chorar agora. Ela ficou perdida naquele momento nostálgico em algum ano da década de 90 até perceber que tinha algo escrito na página do caderno que a foto marcava. Então, ela lê:

“(…) Estamos sempre no fim do mundo.

As frases não têm mais força da sentença de outrora

quando a voz soava ou se calava ao coração, agora

sua ausência faz silêncio no meu lugar de partida e de chegada

e eu quase te enxergo, a meia luz, através de uma fresta

Enxergo turvo por uma porta onde não penetro.

Seu ser ausente presente.

O mesmo ser que acalenta, repele. (…)”

Fernando chega de repente, saído do banho, e flagra a esposa lendo suas escritas. Fica surpreso, mas não diz nada. Sara nota sua chegada, e Fernando nota que ela tem os olhos cheios de lágrimas.

Fernando: Os meninos dormiram? Rafa estava melhor?

Sara: Sim, acho que sim. Espero.

Fernando: Tenho a impressão que você nunca mais dormiu direito depois que descobrimos que a Rafa tinha diabetes. Parece estar sempre de vigília, com medo que ela passe mal à noite.

Sara: É, acho que vou ter sempre essa preocupação – dá de ombros triste – Bonito isso… É uma canção? – pergunta apontando para a página.

Fernando: Não sei ainda… Só alguns pensamentos desconexos, divagações… – fala desanimado e pega o caderno das mãos dela, mas deixando a foto escorregar e cair nas mãos de Sara.

Sara: Hum… – ela nota que ele não quer prolongar o assunto – E isso? – Ela segura a foto com as duas mãos, dando mais uma longa olhada – No carnaval, certo? De quando mesmo?

Fernando: Acho que tem escrito no verso… – diz virando-se para guardar o caderno.

Sara vira a fotografia e lê o que está escrito com a caligrafia de Fernando: “Sorriso de brilhar os olhos” no topo, e embaixo: – “Ouro Preto-MG – Fev/94”. Ela fecha os olhos como se sentisse alguma dor.

Sara: Ferdi… – chama atenção do marido e respira fundo quando ele se volta para ela, então, Sara completa: Eu não quero que nossos filhos um dia não entendam como os pais se apaixonaram, ou porque continuam juntos só por conveniência.

Fernando: Nós não somos seus pais, Sara. – diz seco.

Sara: Um dia eles também já juraram amor eterno e fidelidade, Ferdi – fala quase em suplicio para que aquela conversa também não terminasse em mais uma briga. Fernando capta.

Fernando: Desculpa… – respira fundo – É que ultimamente parece que estamos sempre brigando, mesmo quando estamos calados.

Sara: Eu sei… – senta-se na cama.

Fernando também se senta na cama, mas mantém um ar distante.

Sara: Sabe, Ferdi, quando você foi em minha defesa hoje com o Tomás… foi, foi… Eu não me senti sozinha. Obrigada, significou muito. – Fernando permanece em silêncio e desvia o olhar da esposa. – Ferdi? – chama atenção do marido – Diz alguma coisa… – pede dolorosamente.

Fernando: O que você quer que eu diga? – fala desanimado, aproxima-se da esposa e repousa sua mão em cima da dela.

Sara: Não sei… Apenas diga…

Continua…

Trilha Sonora

Cenas 09 e 25: Paradise – Matt White

Cenas 14 e 28: Underneath – Hanson

Cenas 12, 24 e 26: Sometimes You Can’t Make it on Your Own – U2

Cenas 06, 08 e 15: Fire – Bruce Springsteen

Cena 27: Quase Nada – Zeca Baleiro

Cenas 05 e 29: Go – Hanson

4 Respostas to “Sorriso de Brilhar os Olhos”

  1. Carine Dávalos Says:

    Estou fascinada!!! Absolutamente!
    Tudo bem que ir rápido demais no relacionamento é ruim, mas a Carol tá ficando chata se fazendo de difícil e aceitando tudo do mesmo jeito! O Roberto me encanta… ah*
    Espero que o Tomás e a Vitória se recuperem de tudo, e a Sara e o Fernando se entendam de uma vez e que “pensamentos desconexos” mais lindos… =D !
    Quanto ao Junior, ele podia contar a verdade, aí a consciência dele ia ficar leve e mesmo que todos se revoltem com ele no começo, poderiam aceitar a dependência mais rápido!
    Acho que eu tenho que justificar meu último comentário… Depois de ler tudo aquilo, fiquei extremamente sentida e não consegui organizar os pensamentos e só saiu aquilo >.<
    Ansiosa pelo próximo!

  2. Gustavo Says:

    Salva galera.

    Depois do último episódio, foi bom ter sorrido nesse, apesar de algumas lágrimas derramadas.

    Que bom que o Junior caiu na real e resolveu buscar tratamento. Espero que ele consiga contar sobre o acidente para a família, apesar dele não ter culpa direta pelo acontecido. O problema todo vai para a questão do acobertamento, mas isso é outra história. Ah, forte a cena dele com a mãe, mas bem conduzida e dentro do contexto.

    E a Carol?! Não “racionaliza direito de madrugada”?! Sei!!!(risos) Espero que o namoro dos dois dê certo.

    Será que desta vez o Carlos se arranja? Pelo visto ele ficou balançado com o Sérgio.

    Muito boas as cenas do almoço. Como sempre as reuniões de família rendem assunto.

    Sobre a Sara e o Tomás não tenho muito o que comentar, pois eles estão ficando um tanto quanto chatos, usando os problemas (que não são poucos, reconheço) como desculpa para tudo, seja para brigar, seja para se esconder. Espero que eles caiam na real e não se escondam mais.

    Bem, é isso…

    Até o próximo galera.

  3. Natie Says:

    Suspirei mil vzes com as cenas de Carol e Roberto nesse epi! 😀 Mtu naturais e lindas as cenas deles. Adorei a teoria do ‘K’ (aquela Karen era meio chata msm!!) e o Roberto ter acabado numa reunião da familia Andrade! rsrs…
    Vibrei com a decisão do Junior! Dona Nora sempre do lado dele! Espero q ele volte melhor do tratamento.
    Tomara que a Sara e o Fernando se acertem logo e parem de brigar tanto! E q melhorem as coisas pra Tomas e Vitoria e a livraria!
    E sera q essa é a alma gemea do Carlos? haha… Pelo menos ja entrou no clã dos Andrade.
    Ah, me diverti com as curiosidades do Gabs e com a possivel ideia da Nora adotar! Queria ver uma criança no meio desses irmãos.
    E quero ver logo o resultado do DNA!!! Espero q seja no prox…

    Beijos e parabens pelo episodio Sam!!!!

    Até…

  4. Laís Says:

    O casamento que achei tão bonito está por um fio…

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