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Nos episódios anteriores: Tomás seguiu Vitória até um shopping center por achar que ela o traia com Lucas, seu ex-namorado. Ela sofre um acidente de carro e acaba perdendo o filho e ficando paraplégica. Júnior decide ir para reabilitação. Sara e Fernando estão passando por momentos difíceis no casamento. Carol e Roberto começaram a namorar. Sara e Rebeca fizeram exame de DNA para saber se ela é mesmo filha de Guilherme. E Saulo e Vera retomaram algo que há muito não sentiam.

1. INTERNA – DIA – RODOVIÁRIA DO RIO DE JANEIRO

Uma das amigas de Carol do jornal havia sido convocada para ajudá-la na cobertura das eleições. Carol foi buscá-la.

Carol: Polly!

Pollyana: Carolzinha, quanto tempo!

Carol: Pois é! Como você está?

Pollyana: Ótima e você?

O celular de Carol toca. Ela pede licença e atende.

Carol: Oi. – diz, com voz doce.

Roberto: Está onde?

Carol: Na rodoviária. Vim buscar uma amiga que vai me ajudar na cobertura.

Enquanto isso, Pollyana sofria para carregar a mala, que estava muito pesada.

Roberto: Tudo bem. Mais tarde eu ligo.

Carol: Ei! Espera! Me ligou só para saber onde eu estava.

Roberto: Também. Beijo. Vai dar atenção para a sua amiga.

Carol: Até parece. Ela está bem. – ela se vira e vê Pollyana suada de tanto carregar a mala, procurando um carrinho bagageiro. – Ou não. Beijo!

Carol desliga e vai ajudar Pollyana. Ela pega o carrinho, as duas colocam a mala e começam a empurrá-lo.

Pollyana: E então, a Dona Nora ainda faz aquele nhoque ao sugo delicioso?

Carol: Com certeza! É o prato preferido do Rober… Do namorado do meu irmão. – corrige-se, não querendo que a amiga saiba.

Pollyana: Do namorado do seu irmão ou do seu namorado?

Carol: Eu? Namorando? Até parece, né, Polly? Esquece que eu sou a que vai ficar para a titia? – diz, rindo de si mesma.

Pollyana faz cara de quem não achou graça, pois também está solteira.

Carol: Ok. É o prato preferido do meu namorado.

Pollyana: Quer dizer então que é verdade. Carol Andrade namorando Roberto Pellegrini. Quem diria… Esquerda e direita convivendo.

Carol: Como você sabe que é ele?

Pollyana: Não se fala em outra coisa na redação.

As duas chegam até o carro e param.

Carol: E o que tanto falam? – Carol destrava o porta-malas.

Pollyana: Nada, menina. Bobagem!

Pollyana vai abrir o porta-malas, mas Carol não deixa.

Carol: O que tanto falam? – repete incisiva.

Pollyana: Falam que você não devia se envolver com um dos candidatos à eleição. É como se você tivesse que defender a sua mãe, diante do Brasil inteiro. É óbvio que você não vai mais escrever falando mal do partido do Roberto.

Carol fica pensativa, enquanto a amiga põe a mala no porta-malas.

Carol: Mas vocês estão colocando em pauta a minha credibilidade como jornalista.

Pollyana: Vocês não! Eles! Eu não falo nada, só ouço. Odeio fofoca. Até porque eu sei que é só um casinho, não é Carol. Você não consegue manter namorados mesmo! – ri.

Carol ri em resposta, constrangida.

Pollyana: E então, vamos?

Carol: Va… Vamos, vamos!

Pollyana entra no carro e Carol fica a ver navios, não acreditando no que acabou de escutar.

2. INTERNA – DIA – ANDANÇAS – MATRIZ – SALA

Sara tinha saído para uma reunião com o presidente da Livraria Midas para discutir a proposta de fusão das empresas.

Tomás: Que demora…

Saulo: Calma, Tomás. Até parece que você não sabe como essas reuniões são. – diz, andando pela sala.

O celular de Saulo toca. Ele vê que é Vera e recusa a chamada.

Tomás: O problema é que eu deixei a Vitória me esperando, tio. Não quero que ela fique muito tempo sozinha nessa fase de adaptação à cadeira de rodas.

Saulo: Claro, claro! Como ela está?

Tomás: Na medida do possível, bem.

Sara: Bom dia. – diz, entrando na sala.

Tomás: Já era hora!

Sara: Poupe-me, Tomás. – senta-se.

Saulo: E então, o que temos?

Sara: Bem, como nós já esperávamos, a fusão vai acarretar na perda de muitos privilégios nossos, mas salvará a empresa do buraco.

Tomás: Quanto de perda?

Sara: Perderíamos o poder de decisão quanto a fornecedores e investimentos e, quando acabarem os contratos dos nossos fornecedores, teríamos que fechar contratos com os mesmos fornecedores da Midas.

Tomás e Saulo olham-se.

Sara: E, quando fosse anunciada a mudança, mudaríamos a nossa logomarca junto com eles.

Tomás: A logo? Que o papai tanto gostava?

Sara: Uma logo que, como nós dois já discutimos, precisava ser mudada há muito tempo.

Saulo: Tornando as duas livrarias uma empresa só, quantos por cento nos caberiam, Sara?

Sara: Quarenta e nove.

Tomás: Esse Daniel é esperto, né?

Sara: É um homem de negócios, só. – diz, virando-se para os papéis.

Tomás pesca algo diferente na voz de Sara.

Sara: Bem, aqui está a proposta deles. Tirei uma cópia para cada um. Nós analisamos e tomamos a decisão de aceitar ou não. Vamos pensar com carinho, não é mesmo?

Tomás: Tudo bem.

O celular de Saulo toca de novo. Ele pega a sua cópia da proposta e sai da sala para atender.

3. INTERNA – DIA – ANDANÇAS – MATRIZ – CORREDOR

Saulo: Oi.

Vera: Que demora a atender!

Saulo: Estava numa reunião importante.

Vera: Vai passar aqui hoje? Queria fazer uma comidinha especial para nós.

Saulo: Não vai dar, Vera. Hoje vai ter um jantar de despedida para o meu sobrinho, tenho que comparecer.

Vera: Tudo bem, então. Nos vemos amanhã. Beijo!

Saulo: Beijo!

Tomás: Namorada nova, não é? – diz, saindo da sala.

Saulo: Até parece, Tomás. – ri, constrangido.

4. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Carol chega a casa após buscar Pollyana, arrasada pelo comentário da amiga.

Nora: Filha, chegou uma carta para você.

Carol: Hum… – não dá muita importância.

Júnior: Nossa, carta! Há quanto tempo eu não vejo alguém enviando uma carta! – fala enquanto toma água e observa a irmã abrir a mesma.

Nora: Algumas pessoas preferem o manuscrito ao digitado, meu querido. – diz, observando Carol ler a carta.

Carol lê e guarda a carta.

Júnior: E?

Carol: E o quê?

Nora: De quem é?

Carol: É da ‘Secretaria Estadual do Direito a Privacidade’ – alfineta, se levantando.

Júnior: Grossa.

Nora: Mal criada. – dizem ao mesmo tempo, contorcendo-se de curiosidade.

Carol: Com licença. – levanta-se e vai para o quarto.

Júnior: Só pode ser do Roberto.

Nora: Não tenho dúvidas. Além de tudo, é romântico.

5. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DE CAROL

Carol está no seu quarto escolhendo uma roupa.

Carol: Ai meu Deus… – passa a mão pelas suas roupas, e aproveita para olhar a hora. – É esse. – diz, pegando um vestido.

Ela experimenta o vestido e gosta.

Carol: Brincos!

Ela escolhe o par de brincos e vê de novo a hora.

Carol: Droga… – Ela sai correndo do quarto.

Ela passa como um vendaval pela sala.

Júnior: Uaaaaaau!

Ao ouvir o elogio de Júnior, ela pára.

Carol: Gostou?

Júnior faz um positivo com a mão e Carol ri.

Júnior: Mãe, a Carol não vai dormir em casa. – grita.

Carol: Júnior!

Nora: O quê? – grita, pois não escutou direito.

Ao ouvir a voz da mãe, Carol sai correndo para que ela não a veja. Carol vai para a porta e um carro importado aproxima-se.

Carol: Nossa. – espanta-se.

O chofer abre a porta para ela.

Chofer: Bom dia, senhorita Andrade.

Carol, por um instante, pensa nas palavras que ouviu de Pollyana mais cedo e sente vontade de mostrar aquele momento à amiga.

Carol: Bom, excelente dia. – diz, entrando no carro.

Nora e Júnior observavam pela janela e batem as mãos em sinal de comemoração.

6. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DO TOMÁS

Tomás chega ao apartamento e vai direto ver Vitória, sem nem cumprimentar a enfermeira, no quarto deles.

Tomás: Oi, amor! – dá um selinho nela.

Vitória não corresponde.

Tomás: O que foi? Aconteceu alguma coisa? – diz compreensivo.

Vitória: O prédio tem adaptações muito precárias para cadeirantes. A rampa que dá acesso ao elevador está com o corrimão quebrado e eu não me arrisquei a subir só com a enfermeira me empurrando por ela.

Tomás: Mas, amor. Ela estudou para isso.

Vitória: Tomás! E se eu virasse e caísse? E se ela se desequilibrasse? Não… Prefiro não arriscar.

Tomás: E como você subiu?

Vitória: Me ajudaram na escada. Incrível como esse síndico não olha essa coisas.

Tomás: Amor, nós nunca nos iludimos que seria fácil. Mas nós também não podemos dificultar as coisas.

Vitória: Nós ou eu?

Tomás respira fundo.

Tomás: Quer saber? Mesmo você não querendo, nós vamos à reunião que a mamãe está planejando para a despedida do Júnior. – diz, e levanta-se.

Vitória: Não. Eu não quero ir.

Tomás: Mas vai. – grita do banheiro.

Vitória: Você não pode me obrigar. Não é porque agora eu sou uma inválida que você pode me obrigar a fazer tudo o que você quiser.

Tomás: Não é esse o ponto, Vitória. O meu irmão finalmente decidiu dar um rumo a sua vida, e eu acho que ele precisa do apoio de todos nesse momento.

Os dois se encaram e Tomás pega em sua mão.

Tomás: Você não pode ficar aqui para sempre, meu amor. – dá um beijo nela. – Pode ir escolhendo sua roupa. Assunto encerrado.

Vitória faz cara de contrariada, e Tomás vai para a sala. A campainha toca e a enfermeira abre.

Lucas: Bom dia, aqui é o apartamento da Vitória?

Tomás e Vitória ouvem a voz de Lucas, cada um onde está e vão para a sala. Vitória se esforça com a cadeira de rodas. Tomás e Lucas se encaram.

Lucas: Tomás! – diz, estendendo a mão para um cumprimento.

Tomás pensa duas vezes antes de cumprimentá-lo, mas estende a mão também.

Vitória: Lucas!

Lucas: Vi!

Tomás odeia escutar Lucas chamando Vitória pelo diminutivo. Lucas vai até Vitória.

Lucas: Eu não acreditei quando me contaram.

Tomás: Uma fatalidade… – diz, tentando se intrometer.

Lucas: Eu vim aqui prestar a minha solidariedade a vocês. Qualquer coisa, se vocês precisarem, estou à disposição.

Vitória: Obrigada, Luc. – Tomás reage – É sempre bom ter o apoio de velhos amigos nessas horas. – Ela estende a mão e Lucas a beija.

Tomás vê e não acredita. Vitória percebe e muda de assunto.

7. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Júnior desce as escadas e Nora esconde o frango que estava temperando. Ele vê e não entende.

Júnior: A senhora acha que eu devo levar roupas de frio?

Nora: Filho, você não sabe quanto tempo vai passar lá. É melhor prevenir do que remediar. Mas, qualquer coisa, se você esquecer alguma coisa, eu levo em alguma visita.

Júnior: Ah mãe! A propósito, as visitas só vão ser permitidas depois da desintoxicação.

Nora: Aaah. – diz, frustrada – Mas, nem a mãe pode visitar antes?

Júnior: Não, mãe. São as regras. – diz, lamentando também.

Nora: Enfim, se é para o seu bem, eu vou entender.

O telefone toca.

Júnior: Alô.

Carlos: Ju, a mamãe ta aí perto?

Júnior: Tá sim. – passa o telefone para Nora – Carlos.

Nora: Oi, filho.

Carlos: Mãe, tem vinho aí?

Nora: Não e nem vai ter.

Carlos: Por quê?

Nora: Você quer mesmo que eu responda essa pergunta?

Carlos: Qual o problema? Quem está indo para a reabilitação é ele, não nós.

Nora: Eu criei um egoísta. Ok, Carlos, a resposta é não e ponto.

Carlos: Espera! Só mais uma pergunta. É surpresa?

Nora revira os olhos, querendo desligar logo.

Nora: Sim, meu filho!

Carlos: Aaaah sim! Agora deu pra entender porque a senhora quer que eu desligue logo.

Nora desliga o celular, enquanto Júnior a encara.

Júnior: O que ele queria?

Nora: Nada, nada.

Júnior: Sei, sei. Mãe?

Nora: Oi.

Júnior: O frango.

Nora: Que frango?

Júnior: Esse que a senhora ta escondendo de mim por alguma razão.

Nora vê o frango quase caindo do esconderijo e corre para segurar. Júnior sai rindo da cozinha.

8. INTERNA – MANHÃ – APARTAMENTO DE TOMÁS

Tomás: E então? Você já casou?

Lucas: Não, não.

Vitória: Solteiro até hoje? Nossa… Como você consegue, Lucas?

Lucas: Bem, eu sou da filosofia, solteiro sim, sozinho nunca!

Lucas e Vitória riem. Tomás toda hora olha o relógio, incomodando Vitória. Lucas percebe.

Lucas: Já está na minha hora.

Ele se levanta para ir embora e Tomás levanta-se também, pronto para abrir a porta do apartamento.

Lucas: Tudo vai dar certo, viu? – fala e dá um beijo na testa de Vitória.

Lucas cumprimenta Tomás, que não diz nada. Lucas vai embora e Tomás bate a porta e vira-se para Vitória.

Tomás: Feliz com a visita?

Vitória: Não comece, por favor.

Tomás: Você contou quantos beijos ele te deu? Não… Pelo amor de Deus! Aquele beijinho na sua mão foi a atitude mais ridícula que ele podia ter tido. Desprezível!

Vitória: Tomás! Será possível? Há anos eu não o via! Ele só veio prestar solidariedade por tudo o que aconteceu!

Tomás: Uma ligação era suficiente.

Vitória: Ele não é você, que se contentaria com uma ligação e acha que qualquer um faria o mesmo.

Tomás: O que você disse? –vira-se para Vitória, sem acreditar.

Vitória: O que você ouviu. – termina a discussão e sai.

Tomás fica na sala, sem acreditar.

9. INTERNA – TARDE – CASA DE SAULO E DIVA

Saulo: Mãe? Cheguei!

Diva: Oi filho. Tem uma mulher esperando por você na sala. Não a conheço, quem é?

Saulo estica-se para ver a sala e encontra Vera sentada.

Saulo: Vera? –assusta-se – Você por aqui?

Vera: Resolvi fazer uma surpresa. – tenta dar um selinho em Saulo, mas ele se esquiva.

Saulo: Realmente é uma surpresa e tanto. – fuzila Vera com o olhar, que o enfrenta, sabendo que fez algo que não o agradou.

Diva: Filho, devo colocar mais um prato à mesa?

Saulo: Não, mãe. É só uma conversa rápida. Negócios, apenas. –vira-se para Vera após a saída da mãe. – O que diabos você está fazendo aqui?

Vera: Negócios!

Saulo: Hã? Não me diga que você quer entrar de sócia na Andanças? – debocha.

Vera: Não. Melhor e maior!

Saulo: Agora é que eu não estou entendendo mais nada.

Vera: Podemos ao menos sentar?

Saulo: Não. Você não vai demorar.

Vera sente que incomodou mais do que pretendia e vai direto ao ponto.

Vera: Pois bem. Fiz umas pesquisas e acho que seria uma boa começarmos um novo negócio. Você mesmo disse que a Andanças não estava indo bem

Saulo: Prossiga.

Vera: Eu pensei de nós dois abrirmos uma editora juntos! A Santos Novaes! O que acha?

Saulo: Nossa… Que avançado! Já tem até nome! – ironiza.

Vera: É sério, Saulo. Olha. – tira papéis da bolsa – fiz várias pesquisas sobre como as atuais editoras brasileiras começaram.

Saulo: Vera entenda. Se tem uma coisa que eu não preciso agora é começar um novo negócio. Não sem antes salvar a Andanças.

Vera: E depois de salvar a Andanças?

Saulo: Posso pensar… – diz, para que Vera vá logo embora, afinal, ainda não se sentia confortável com a presença dela em sua casa, principalmente com Diva por perto.

Vera: Ótimo.

Vera dá um selinho nele e vai embora. Saulo pega os papéis da pesquisa de Vera e coloca em cima da mesa. Diva espera o filho se afastar e pega os papéis para ver o que é.

10. INTERNA – TARDE – ANDANÇAS – MATRIZ

Sara está sozinha em seu escritório, quando alguém bate à porta.

Sara: Pode entrar.

A porta se abre e entra Daniel Motta, o presidente da livraria Midas, que propôs a fusão a Andanças.

Sara: Daniel?

Daniel: Sara!

Sara: Nossa… Que surpresa. –cumprimentam-se com beijos no rosto.

Daniel: Aproveitei uma vinda ao shopping para conhecer melhor a matriz das Andanças. Uma excelente instalação.

Sara: Obrigada. Meu pai era muito cuidadoso, pensou nos mínimos detalhes.

Daniel: Isso só me dá a certeza de que faremos um excelente negócio.

Sara ri constrangida.

Sara: Sente-se, por favor.

Daniel: Não, não. Não precisa. Não vou demorar e também nem quero te atrapalhar.

Sara: Imagina.

Daniel a encara, aproxima-se e lhe dá um beijo. Sara não resiste e entrega-se. De repente, Sara acorda de um cochilo com as mesmas batidas na porta do começo do sonho.

Sara: Uh… – diz, se abanando. – Pode entrar.

Daniel: Oi Sara.

Sara não acredita no que vê.

11. INTERNA – TARDE – ANDANÇAS – MATRIZ

Sara: E essa é a nossa seção de livros infantis. – diz, mostrando para Daniel.

Daniel: Sem dúvidas, são instalações ótimas. Vocês se modernizaram, mas não perderam a tradição.

Sara: Era o que o meu pai mais queria. Perder o tradicionalismo jamais.

Os dois riem.

Daniel: Você mostrou a proposta ao seu irmão e ao seu tio?

Sara: Sim, sim. Ficaram de pensar.

Daniel: Nenhum comentário?

Sara: Prefiro não falar nada antes da resposta definitiva deles.

Daniel: Você, realmente, é uma mulher de negócios. – ri, para ela. – Mulheres como você, determinadas e lindas, são o maior temor dos empresários.

Sara: Obrigada. – fica balançada e tímida.

Daniel: Agora eu já vou, estou atrasado. Até mais

Os dois cumprimentam-se.

Sara: Volte sempre, por favor.

Daniel: Pode deixar. – diz galanteador.

Sara ri, percebendo, e gostando do galanteio.

12. INTERNA – DIA – RESTAURANTE DO RIO

Sérgio: Mas porque eu não posso ir?

Carlos: Vai ser só uma reunião rápida, não precisa se preocupar.

Sérgio: Mas eu gostei do seu irmão, acho que ele precisa do máximo de apoio possível nessas horas.

Carlos: Já eu acho que ele precisa do apoio da família.

Sérgio sente-se excluído e respira fundo.

Sérgio: Ok.

Carlos percebe que magoou Sérgio e tenta consertar.

Carlos: Desculpa. Eu não quis dizer que você não é da família. Só que eu acho que realmente é uma coisa muito íntima. É o meu irmão indo para uma reabilitação por uso de drogas. Nós não estamos festejando.

Sérgio: Eu sei. Só que namorados também costumam participar dessas coisas.

Carlos perde-se no olhar.

Sérgio: O que foi? Ai meu Deus… Não… Eu não acredito que você ainda não contou para eles que nós estamos namorando

Carlos: Não é isso. Eu só não tive oportunidade.

Sérgio: Você mesmo disse que não existem segredos assim na sua família.

Carlos: Tecnicamente…

Sérgio: Pois bem. Se você não quer contar, eu também não tenho porque continuar nesse almoço.

Carlos: Sérgio!

Sérgio: Tchau, Carlos.

Carlos leva as mãos ao cabelo e não acredita ao ver Sérgio indo embora.

13. EXTERNA – TARDE – COPACABANA PALACE – ENTRADA

O carro com Carol chega e ela não acredita ao ver que Roberto vai levá-la ao Copacabana Palace. O chofer abre a porta e entrega a ela um outro envelope. Carol lê o bilhete.

“Desculpe te fazer dar tantas voltas pelo Rio dentro do carro, é que não gostaria de me atrasar. As recepcionistas já sabem que você chegou…”

14. INTERNA – TARDE – COPACABANA PALACE – RECEPÇÃO

Carol chega à recepção e conversa com a recepcionista, que lhe entrega a chave de um dos quartos. Carol dirige-se ao elevador, seguida pelo olhar de alguns homens. Ela fica envergonhada, mas adora. Ela sobe pelo elevador.

15. INTERNA – TARDE – COPACABANA PALACE – CORREDOR DO 3º ANDAR

Carol pára na porta do quarto e não acredita no que está vivendo. De certa forma, ela estava apostando suas fichas no relacionamento com Roberto e sentia-se correspondida. Ela se enche de coragem e abre a porta.

Ela começa a procurar por Roberto no quarto e se depara com a cama coberta por pétalas brancas. Ela pára na frente da cama e esboça um sorriso de quem não acredita no que está acontecendo. Enquanto isso, Roberto passa por trás dela, com uma rosa na mão.

Roberto: Tão vermelha quanto a sua face. – diz, passando a rosa pela sua bochecha, que estava mesmo tão vermelha quanto a rosa.

Carol pega a rosa e vira-se para Roberto, que a abraça.

Carol: Eu não sei o que dizer…

Roberto: Não precisa.

Os dois se beijam e caem na cama.

16. INTERNA – INÍCIO DA NOITE – APARTAMENTO DO TOMÁS – SALA

Vitória vem para a sala empurrada pela enfermeira, enquanto Tomás tomava uma cerveja na sala.

Vitória: Bebendo?

Tomás: Só uma. Como o Júnior vai para a reabilitação, a Dona Nora proibiu as bebidas.

Vitória: Isso não justifica. Você vai dirigir.

Tomás: Amor… Só uma não vai fazer diferença.

Vitória: Sabe-se lá se aquele maluco que estava dirigindo aquele carro não estava bebendo ‘só uma’. – diz, encarando Tomás, magoada.

Tomás coloca a cerveja na mesa e abre a porta para que Vitória passe. Os dois saem do elevador e chegam à rampa que dá acesso à garagem.

Vitória: Eu não quero ir de rampa.

Tomás: Vamos enfrentar esse medo. – diz, seguindo com a mulher para a rampa.

Vitória: Eu já disse que eu não quero. – diz brava, freando a cadeira com as mãos.

Tomás, que vinha empurrando, tromba na cadeira e Vitória quase cai.

Tomás: Amor, tá tudo bem?

Vitória: Eu quero ir de escada. – diz incisiva e fazendo Tomás entender que ela não pretende continuar mais uma discussão.

Tomás: Tudo bem. – pega Vitória e dirige-se a escada.

17. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – VARANDA/SALA

Júnior estaciona o carro, e o celular toca.

Júnior: Oi!

Rebeca: Oi! Tudo bem?

Júnior: Tudo e com você? – Ele sai do carro e vai à direção da casa.

Rebeca: Não muito. Acabei de receber uma ligação do laboratório. O resultado do DNA saiu.

Júnior pára.

Júnior: E?

Enquanto isso, na sala da casa, Sara ao celular.

Sara: Do laboratório? – fala com a pessoa que ligou.

Carlos: Lá vem ele.

Nora: Mas a Carol e o Tomás não chegaram…

Carlos: Ninguém mandou a senhora não planejar nada para tirá-lo daqui. Onde já se viu, mandá-lo comprar ovos! Só a senhora, Dona Nora.

Todos posicionam-se e aguardam Júnior abrir a porta.

Funcionária da clinica: O resultado do DNA saiu, Senhora Sara Andrade Viana. Gostaria de saber logo ou esperar até pegar o envelope amanhã.

Sara: Logo, logo.

Funcionária da clínica: Ok. Pois bem, de acordo com o exame realizado, a senhora e a senhorita Rebeca Santos são mesmo irmãs.

Júnior entra em casa.

Todos (menos Sara): Surpresa!

Sara: Surpresa… – sem empolgação e ainda não acreditando no resultado do DNA. Por mais provável que fosse, Sara ainda tinha uma ponta de esperança de que Rebeca não fosse sua irmã e que o pesadelo chamado Vera não continuasse.

Júnior assusta-se, mas fica feliz e tocado com a surpresa, mas ainda falava com Rebeca ao telefone.

Rebeca: O que foi isso?

Júnior: Eu te ligo depois, minha, oficialmente, irmã. – desliga. – Poxa, pessoal. Não precisava.

Nora: Filho…

Júnior começa a abraçar sua família.

Júnior: Cadê a Carol? O Tomás?

Carlos: Ela não atende ao celular e o Tomás já está chegando.

Nora: Filho…

Júnior: Oi, mãe.

Nora se aproxima do filho.

Nora: Eu só quero que você saiba… – engasga, as lágrimas já vem – que nós sempre, sempre, sempre estaremos te apoiando em cada passo desse novo caminho.

Nora e Júnior olham-se e abraçam-se, chorando, emocionados. Sara observa a cena e prefere não contar para a família que Rebeca, agora é, oficialmente, uma Andrade.

A campainha toca e Carlos abre. São Tomás e Vitória. Todos silenciam quando Vitória entra. Ela fica constrangida, e Nora quebra o gelo, dirigindo-se até Vitória e deixando Júnior a sós.

Nora: Minha nora preferida!

Vitória: E única! – as duas riem, e cumprimentam-se.

Júnior fica paralisado ao ver a cunhada na cadeira de rodas. Tomás aproxima-se para falar com ele. Os dois se abraçam e Júnior fica sem muita reação, estupefato.

Tomás: Cara, eu queria que você soubesse que me deixou muito, mais muito orgulhoso com essa decisão.

Júnior sorri constrangido para Tomás e Vitória aproxima-se.

Vitória: Júnior…

Júnior: Vitória… – engole seco.

Vitória: Tudo vai dar certo, viu?

Júnior: Tomara… Tomara…

Ela abre os braços para um abraço, e ele a abraça muito constrangido.

18. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Diva e Nora estão na cozinha, separando a torta de sobremesa que Nora preparou para levar para os outros na sala.

Diva: Acho que seu irmão vai sair da Andanças. – dispara.

Nora: O quê? – espanta-se.

Diva: Achei uns papéis de abertura de editoras na mesa…

Nora: Achou? – duvida.

Diva: Sim, achei! Você está insinuando que eu peguei sem permissão? Estavam lá. Jogados!

Nora: E ele trouxe esses papéis de repente? De repente, eles surgiram na sua sala?

Diva: Não! Foi uma loira que deixou.

Nora: Loira? – estranha.

Sara entra na cozinha falando ao celular.

Sara: Tudo bem. Ele vai entender. Beijo. Ah! Tenta não voltar tarde pra casa. – desliga o celular.

Nora: Fernando?

Sara faz que sim com a cabeça.

Diva: Quando começa a demorar a chegar em casa, é bom começar a se preocupar, minha neta. – diz, saindo.

Nora começa a arrumar algumas coisas, e Sara olha fixo para a mãe, preparando-se para contar sobre o DNA. Nora vê a filha a encarando.

Nora: O que foi? Você tem algo ruim a me contar. Seu olhar não nega.

Sara: É sobre o DNA da Rebeca.

Carlos: O resultado do DNA saiu?

Tomás: E o que deu? – dizem os dois, chegando à cozinha.

Só de ver a expressão no rosto de Sara, Nora já sabia que o resultado era positivo. Ela abre um terno sorriso no rosto e acalenta a filha.

Nora: Eu nunca tive dúvidas desse resultado, meus filhos.

Sara: Eu sei. Mas é que… É que eu ainda tinha uma esperança.

Nora: Filha… Nunca esperei passar por essa situação, então não sei direito o que dizer. Só que ela não tem culpa. Se é que há uma culpa! A Rebeca agora é uma Andrade, e se ela quiser fazer parte do nosso mundo, do nosso agitado mundo, nós não devemos impedir. Tenho certeza que o pai de vocês a amava tanto quanto amava vocês e nós não devemos ser hostis com ela.

Sara e Nora se olham.

Nora: Agora me deixa ir servir a torta.

Nora sai e Sara respira fundo, olhando para os irmãos, que também ficam pensativos.

19. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

Vera abre a porta e vê Rebeca.

Vera: Beca!

Rebeca: Oi. – responde tímida.

Vera: Entra, minha filha!

Rebeca: Sua e do Guilherme.

Vera a encara e entende que o resultado do DNA saiu.

Vera: Eu te disse.

Rebeca: Eu sei. E eu só vim aqui para pedir desculpas por não acreditar em você.

Vera: Mães estão sempre prontas para perdoar suas crias.

Fica um silêncio constrangedor.

Rebeca: Eu já vou.

Vera: Espera. Eu fiz ravióli, entra e janta comigo..

Rebeca: Obrigada, mãe. Estou sem fome.

Vera percebe que Rebeca está triste e não prolonga. Rebeca vai embora. Quando ela sai, Vera senta-se em seu sofá, com um sentimento misto de alívio e poder.

20. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Sara vê Eduardo dormindo no sofá com a cabeça encostada em Júnior e ele abraça o sobrinho, para fique mais confortável. Sara vê a hora e decide ir embora.

Sara: Bem, eu já vou. O Dudu já dormiu, a próxima é a Rafa.

Tomás: Eu também. Estranho a Carol não ter chegado.

Carlos: Deve estar com o Roberto.

Sara: E o Sérgio? Por que não veio?

Carlos: Ah! Por que. Por que…

Tomás: Porque vocês brigaram.

Sara: Meu Deus, mas que mania, Carlos! Toda vez que a família vai se reunir, você briga com os seus namorados só para eles não virem!

Carlos: Namorados? Quem disse pra você que nós estamos namorando?

Sara e Tomás se olham e riem, cúmplices.

Carlos: Mas espera, eu não contei pra ninguém.

Sara e Tomás batem as mãos, em sinal de vitória.

Tomás: Adoro o jeito Andrade do Carlos de cair nas nossas armadilhas para descobrir os segredos dele.

Carlos: Odeio vocês.

Sara: Está mesmo na minha hora. Gabs, pega seu irmão pra mim, filho?

Gabriel: Cadê o papai, mãe?

Sara: Está trabalhando, filho.

Tomás: Trabalhando? Onde?

Sara: Está tocando na noite com a banda de um amigo. Eles convidaram e ele aceitou. – diz, expressando descontentamento.

Carlos: Sei…

Sara: Vamos, filha? Despeça-se dos seus tios.

Rafaela começa a se despedir de Tomás, Vitória, Carlos e Júnior.

Júnior: Sara, a gente podia ter uma conversa rápida?

Sara faz que sim com a cabeça, e os dois saem da casa.

Júnior: Eu não queria ir para lá sem antes me desculpar com você e com o Fernando. Eu sei o quanto eu sou irresponsável, imaturo, mas eu quero que você saiba – começa a lacrimejar – que eu momento algum eu quis expor a Rafa e o Dudu a qualquer coisa que seja. Eu amo meus sobrinhos.

Os dois se olham, e Sara percebe que Júnior está sendo sincero.

Júnior: Me perdoa?

Sara: Ju… Eu sabia que você estava arrependido desde o momento que você decidiu se cuidar. Não se preocupe, eu sei que isso não vai mais se repetir.

Os dois se abraçam, e Gabriel, carregando Eduardo, e Rafaela aparecem na porta.

Rafaela: Pronto, mãe. Já me despedi de todo mundo.

Júnior: Ei! E de mim?

Sara: Fica com eles enquanto eu me despeço da mamãe?

Júnior: Pode deixar!

Sara sai e Júnior fica a sós com os sobrinhos.

Rafaela: Tio Ju, quanto tempo o você vai ficar fora viajando?

Júnior: Não sei, minha querida, não sei.

Ele dá um beijo nos três, enquanto aguardam o retorno de Sara.

21. INTERNA – COMEÇO DA MADRUGADA – APARTAMENTO DE TOMÁS

Tomás tira Vitória da cadeira de rodas e a coloca na cama.

Vitória: Boa noite. – diz seca.

Tomás: Espera. Eu queria te falar umas coisas. Primeiro, me desculpa por ter tentado te forçar a fazer algo que você não queria. Eu fui estúpido de não entender o seu medo. E quero que você saiba, mais uma vez, que nós vamos nos adaptar a isso juntos.

Vitória: Ok. – responde magoada ainda.

Tomás: E a segunda é sobre a visita do Lucas.

Vitória: Ah não, Tomás. Esse assunto não!

Tomás: Vitória, eu não quero ele próximo de você. Eu não gosto dele.

Vitória: Por uma bobagem. Nós já discutimos isso antes e não tenho boas lembranças dessa discussão.

Tomás: Você gosta dele, não gosta?

Vitória: Tomás, pelo amor de Deus, vamos dormir.

Tomás e Vitória se olham, calam-se e ele deita na cama para dormir.

22. INTERNA – MADRUGADA – APARTAMENTO DE SARA

Sara está com o celular na mão, preocupada com Fernando, que até aquela hora não tinha chegado. É quando ouve alguém mexendo na maçaneta. Ela vai até a sala e espera ele abrir a porta. Ela nota certa dificuldade em encaixar a chave. Então, Fernando consegue finalmente abrir a porta.

Fernando: Oi, amor.

Ele se aproxima para dar um selinho na esposa, quando ela nota o cheiro de bebida.

Sara: Onde você estava?

Fernando: Na churrascaria, tocando com os caras. Esqueceu?

Sara: E esse cheiro de bebida? Algum garçom derramou cerveja em você?

Fernando: Ah! É isso? – ele ri um pouco – O dono da churrascaria é amigo da Kátia e do Alex, o vocal. Depois chamou a gente para tomar uma cervejinha com eles.

Sara: Amigo de quem?

Fernando: Dá Kátia e do… Ah não! Ciuminho agora, não, Sara. Eu estou com muito sono.

Sara: Fernando, essa é a terceira vez que você chega esse horário em casa em uma semana. Eu entendo que você ame tocar, que no momento é o que está te dando dinheiro, mas são ensaios e mais ensaios, apresentações e mais apresentações…

Fernando: E? Também são reuniões e mais reuniões. Livros e mais livros. Eventos da livraria e mais eventos da livraria.

Sara: Mas sempre foi assim e você sabe disso! Foi o seu lado que mudou. Mudou de um jeito que não está correto, porque você tem uma família para cuidar junto comigo. Aposto que aquela Kátia não tem marido, nem filhos, nem nada, por isso te chama para sair com ela.

Fernando: Sair com ela? Ok, Sara. Essa discussão sem fundamento termina aqui.

Fernando vai para o quarto, e Sara fica um tempo na sala, pensando. Ela ouve o barulho do chuveiro, espera um pouco e vai para o quarto. Quando chega, encontra as roupas de Fernando jogadas. Ela pega sua camisa e cheira, esperando sentir perfume de mulher. Mas só encontrou o perfume do marido.

23. INTERNA – MADRUGADA – APARTAMENTO DE CARLOS

Carlos não pára de pensar na discussão que teve mais cedo com Sérgio e resolve ligar para ele.

Sérgio: Alô… – diz, acordando ainda.

Carlos: Te acordei, não é?

Sérgio: Por que toda pessoa que acorda alguém faz essa pergunta tola?

Carlos: Ainda muito bravo comigo?

Sérgio: Bravo não. Magoado.

Carlos: Eu contei para eles hoje que estamos juntos. Eu estava só esperando o momento certo.

Sérgio: Agora eu já estou credenciado para as suas reuniões familiares? – diz irônico.

Carlos: Não faz isso.

Sérgio: Eu só queria que você percebesse que não é só por causa das reuniões, nem por uma nomenclatura de namorado. É porque eu estou gostando muito de você e quero me entregar mais e mais ao nosso relacionamento. Mas você não facilita… Eu não posso namorar sozinho, Carlos. E é isso que me parece.

Carlos: Desculpa. – diz sentido, mas sabendo que Sérgio tinha razão.

Sérgio: Desculpado.

Carlos desliga e deita-se, pensativo e quase chorando.

24. INTERNA – MADRUGADA – COPACABANA PALACE

Carol e Roberto se jogam na cama.

Carol: Chega! Eu não agüento mais!

Roberto: Uau.

Roberto a olha.

Roberto: Uau!

Carol ri e olha para o teto, pensativa.

Carol: Você acha errado namorar o alvo do meu trabalho?

Roberto: Como?

Carol: Responda de forma imparcial, por favor.

Roberto: Bem, eu confio que você vai saber diferenciar.

Carol: Pois é, eu também. Mas o meu chefe não.

Roberto: Por quê? Ele disse alguma coisa?

Carol: Não, ele fez. Mandou aquela minha amiga para “me ajudar”. Me ajudar.. Até parece! Veio foi me espionar! Aposto que a primeira matéria a seu respeito no segundo turno será dela. Só estou aguardado a ligação dele.

Roberto: Mas é a tendência. Espera só até casarmos.

Carol arregala os olhos. Roberto vira-se e ri do seu espanto.

Roberto: Eu só estou brincando. – dá um selinho nela.

Carol: Que horas são? – pega o celular para ver a hora e encontra 20 chamadas não atendidas. – Meu Deus! – grita – A despedida do meu irmão!

Roberto: Para onde ele vai?

Carol: Depois eu explico. A gente tem que ir agora.

Carol levanta-se apressada, catando e vestindo suas roupas.

Roberto: Carooool…

Ela vira-se e vê Roberto rodando seu sutiã na ponta do dedo. Ela pega o sutiã da mão dele e os dois se arrumam.

25. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DO JÚNIOR

Amanhece. Júnior termina de arrumar-se e pega um envelope em uma gaveta. Ele beija o envelope e o coloca debaixo da porta da mãe. Descendo as escadas, pega suas malas e chama seu táxi. Ele caminha pela casa, observando fotos e móveis e lembrando-se de como era feliz. Ele vê uma garrafa de vinho pela metade e fica tentado a beber, mas resiste. Ele ouve um carro aproximar-se da casa.

Júnior: Nossa, que rápido…

Ele sai e vê Carol descendo toda desarrumada do carro.

Júnior: Ana Carolina!

Carol: Ju… Me perdoa! Não deu para chegar a tempo.

Júnior: Sei, sei. – diz, rindo. – Não tem problema, mas eu espero que tenha sido por uma boa causa.

Carol ri, apenas.

O táxi de Júnior chega.

Júnior: Deixa eu ir.

Carol abraça o irmão.

Carol: Mais uma vez, eu estou do teu lado, viu? Nunca esquece disso.

Júnior: Eu sei.

Os dois se abraçam mais uma vez, e Carol fica observando Júnior entrar no táxi. Ele dá um tchau, acena e vai embora. De repente, Nora abre a porta, de camisola, e grita pelo filho.

Carol: Mãe. Calma. Ele já foi.

Nora: Droga. Eu queria levá-lo. Menino teimoso. – diz, chorando.

Carol: Mãe… –abraça-a.

Nora: Olha o que ele me deixou.

Nora mostra para Carol uma foto de Nora e Júnior, quando ele tinha 10 anos de idade. Atrás da foto, um recado dele, dizendo que voltaria a ser o filho daquela foto, que Nora sempre amou. Carol se emociona também.

Nora: A propósito, onde você estava menina?

Carol: Tava demorando…

26. INTERNA – MANHÃ – BARBOSA LIMA ADVOCACIA

Dona Ângela: Senhor Carlos, há um rapaz aqui fora querendo falar com o senhor.

Carlos: Quem é?

Dona Ângela: Sérgio Bragança.

Carlos: Pode deixar entrar. – Ele se assusta com a visita surpresa de Sérgio.

Sérgio: Surpresa!

Carlos: Nossa… Não esperava te ver aqui.

Sérgio e Carlos dão um selinho.

Sérgio: Tava passando e resolvi subir. Mas não vou demorar. Só vim saber se podemos continuar o almoço de ontem.

Carlos: Claro. Fico livre às 12h30.

Sérgio: Ótimo… Te espero lá.

Beijam-se de novo e Sérgio vai embora. Carlos observa-o, mais tranqüilo.

27. INTERNA – MANHÃ – CEMITÉRIO

Rebeca está diante do túmulo de Guilherme, olhando a lápide.

Rebeca: Então, eu sou sua filha mesmo. Incrível como eu nunca desconfiei, Guilherme. Todos esses anos, as presenças constantes, os presentes, os conselhos. Você e a mamãe esconderam tudo muito bem. Ela então… Nem se fala.

Ela não agüenta e começa a chorar.

Rebeca: Por que vocês dois fizeram isso comigo? Me fazer acreditar em tantas mentiras! Por quê? Me privar de ter um pai, de saber que eu tinha um. Não foi justo comigo. Não foi justo.

Ela limpa as lágrimas.

Rebeca: Não vai ser fácil daqui pra frente, mas se eu sou mesmo sua filha, eu devo tirar de letra conviver com duas famílias, não é mesmo?

Ela coloca uma flor no seu túmulo.

Rebeca: Tchau, Guilherme.

Continua…

TRILHA SONORA

Cena 15 – Case-se comigo – Vanessa da Mata

Letra: http://vagalume.uol.com.br/vanessa-da-mata/case-se-comigo.html

Música: http://www.youtube.com/watch?v=pUu6DZJf_bM

Cena 22 – Amor Grand’hotel – Kid Abelha

Letra: http://vagalume.uol.com.br/kid-abelha/grand-hotel.html

Música: http://www.youtube.com/watch?v=KKu9Ru45MXk

Cena 27 – For The Widows In Paradise – Sufjan Stevens

Letra: http://vagalume.uol.com.br/sufjan-stevens/for-the-windows-in-paradise.html

Música: http://vagalume.uol.com.br/the-music/videos/d4tkiGvV_ek-for-the-widows-in-paradise-for-the-fatherless-in-ypsilanti.html

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8 Respostas to “Surpresa!”

  1. Em Família Says:

    […] Para ler o episódio, clique aqui. […]

  2. Carine Dávalos Says:

    Aconteceu de novo: comecei a ler e quando me dei conta estava lendo “continua…” no canto direito da minha tela… =/

    A Vera tá cada episódio mais invejosa… aff³

    Aprovei a vontade do Junior, muito boas as reuniões de família, tomara que dê certo entre o Carlos e o Sérgio, torcendo aqui!
    A notícia tão esperada finalmente saiu, espero que a Rebeca possa interagir melhor com os outros Andrades e que se unam a ela!
    Tomás e Vitória tem muito a conquistar ainda, força pra eles também!
    Quanto a Roberto e Carol… aaaaaaaah, adoooooooooooro! Tudo certinho… Que Feliz!

    Cheiro…*

    o/

  3. Douglas Says:

    Ótimo episódio. Só acho muito curtas as cenas do Carlos, poderiam explorar mais o personagem.

  4. Cássia Says:

    Oooo dízio, que orgulho e q felicidade ter uma coisa q vc faz c tanto carinho e que lhe tem tanta importância, dedicada À mim.. fico mais feliz ainda de ver seu desenvolvimento e saber q vc n está deixando de lado aquilo que realmente lhe alimenta.. te amo dízio, obrigada por tudo.

  5. Natie Says:

    Ah… :/ Fiquei tao triste qdo li q a Rebeca eh msm filha do Guilherme… Mas… Td bem neh? rsrs…
    Q lindinhu do Junior deixar a foto pra mae com aquelas palavras… Me emocionei! E legal ele ter se desculpado com a Sara!
    ahhaha… Entao a Sara tava sonhando neh? Vcs me pegaram dessa vez no sneak peek! E pelo visto o casamento dela tah nas ultimas neh?
    Adorei os momentos C&R!! Bem inicio de namoro mesmo… E as rosas brancas… Lindo!
    Carlos e Sergio!!! Adorei as cenas, apesar da insegurança do Carlos e q bom q ele assumiu o namoro! 🙂
    Outro casamento em crise eh do Tomas neh? Algo me diz q esse Lucas vai dar o ponta pé final pro pau da barraca cair… haha…
    Eu quero ver como vai ficar essa historia da Vera querer abrir um negocio com o Saulo! E se a Nora vai querer investigar isso depois do comentario da mae…

    É isso pessoal… Parabens pelo 1×12!

    Beijooos…

  6. Gustavo Says:

    Salve galera.

    Depois de 2 episódios “casca grossa” tivemos um bem leve.

    Gostei do devaneio da Sara, será que vem coisa por aí?!

    Enfim Junior irá se tratar, mas e a questão do acidente? Será que ele terá coragem de contar tudo?

    A carta-despedida para a mãe foi tudo, espero que ele realmente se recupere.

    A nota destoante vai para o exame de DNA, ele acabou ficando perdido no meio do episódio e praticamente ninguém deu muito atenção à ele, meio que como todos já tivessem certeza do resultado. Ele poderia ter ficado para outra ocasião.

    Abraço a todos.

  7. Alice Says:

    Tava ansiosa por esse episódio!! Mesmo não gostando disso, vi um pedaço dele sendo escrito em alguma cena do Sérgio e tava curiosa pra saber quem ele era [o que já aconteceu no episódio passado]!!
    Pra mim, foi o episódio que passou mais rápido, mesmo sabendo que outros foram bem menos calmos [e esses são os que eu mais gosto]!!
    Lamentando muuuuito por Sara e Fernando.. Quando li o primeiro episódio eles se tornaram um dos poucos casais modelo na minha opinião!!
    Não vou mentir que me decepcionei com a Rebeca sendo uma Andrade.. Torcia pra que ela e Junior ficassem juntos [e ainda na esperança por algum erro – o que é quase impossível, eu sei]!!
    Nos últimos dias tenho me visto as vezes em algumas situações meio “em família” [nas menos dramáticas, claro].. O que eu acho legal.. Legal ler algo que tu possa te identificar!!
    Um elogio à trilha sonora desse episódio.. Adoro essas músicas!!
    E parabéns mais uma vez
    =**

  8. Laís Says:

    Carol fazendo a festa…haha
    E estou orgulhosa do Junior, espero que ele consiga, não deve ser nada fácil carregar a culpa pelo acidente, mas, convenhamos, é nisso que dá ser meio inconsequente, embora a culpa não seja diretamente dele.
    Adoro o realismo de vocês, muito bom…

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