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Nos episódios anteriores: Júnior conheceu Bianca na reabilitação. Tomás revelou a Júnior que ele é adotado. Ele foi morar com Rebeca, que começou a estagiar com Carlos. Carlos terminou com Sérgio e começou terapia. O namoro de Larissa e Gabriel foi descoberto. Karina conseguiu transformar a vida de Carol no Ágora numa guerra diária. Roberto encontrou os restos mortais de Paulo. Saulo procurou superiores da Papier para aprovarem a proposta da Quatro Estações. E Nora recebeu a proposta de publicação de seus textos numa coletânea.

 

01. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS/CASA DOS ANDRADES – SALA

 

Carlos estava se arrumando para sair com Pâmela. Após muita insistência da vizinha, ele aceitou ir a um barzinho jogar conversa fora. Ele estava passando o perfume quando o celular tocou.

 

Carlos: Não… ela não vai estragar a minha noite… Não vai. – atende ao celular – Oi mãe…

 

Nora: Filho! Como está?

 

Carlos: De saída. – tenta cortar a mãe.

 

Nora: Vai fazer supermercado?

 

Carlos: Não… – responde sem entender – Por quê?

 

Nora: Você não tem tido muita vida social ultimamente, então pensei que só fosse fazer compras…

 

Carlos não acredita que a própria mãe tenha jogado na sua cara que ele estava praticamente um ermitão.

 

Carlos: Pois fique a senhora sabendo que eu estou indo a um barzinho, me divertir com uns amigos.

 

Nora: Ah claro! A Pâmela…

 

Carlos fica boquiaberto com a resposta da mãe.

 

Carlos: Mãe, afinal de contas, qual o motivo da ligação?

 

Nora: Ah sim! Eu decidi aceitar a proposta de publicação de meus textos na coletânea da terceira idade. – diz, empolgada.

 

Carlos: Já não era sem tempo. Mais de um mês depois de terem feito a proposta. Você estava muito estrela, mamãezinha…

 

Nora: Eu não vou aceitar as suas provocações, Carlos. Enfim, queria a sua ajuda tanto para escolher os textos, quanto para questões burocráticas. Preciso assinar o contrato.

 

Carlos: Quando?

 

Nora: Amanhã.

 

Carlos: Que horas?

 

Nora: Qualquer hora à tarde.

 

Carlos: Tudo bem. Eu vou.

 

Nora: Ótimo. Divirta-se filhinho. E manda um beijo pra Pâmela.

 

Carlos desliga o telefone sem se despedir da mãe, bravo.

 

Nora: Bem que você disse que responder ao Carlos no estilo Carlos dá certo, deixa ele desconcertado – ri, e Diva esboça um sorriso, enquanto lê uma revista.

 

No apartamento de Carlos…

 

Carlos: Já vai… – grita, respondendo à campainha que tocava.

 

Carlos abre e Pâmela está linda.

 

Carlos: Não sabia que nós íamos à caça.

 

Pâmela: Você eu não sei, mas eu pretendo sair desse marasmo. Um mês sem beijar na boca não é pra mim.

 

Ela e Carlos enroscam os braços e saem.

 

 

02. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA – SALA

 

Sara tinha aceitado trocar seus horários com outra professora no dia seguinte e precisaria deixar os filhos com Fernando. Já era a sexta vez que tentava falar com o ex-marido, mas ele não atendia.

 

Sara: Atende, Fernando… Atende.

 

Fernando: Alô?

 

Sara: Aleluia! Se fosse caso de emergência, tenho pena dos nossos filhos.

 

Fernando: Boa noite pra você também, Sara.

 

Sara: Preciso que você fique com os meninos amanhã. Vou precisar substituir uma professora e darei aula até o último horário.

 

Fernando: Tudo bem, eu pego eles na escola. Eles vão dormir aqui?

 

Mulher: Quem vai dormir aqui, hein?

 

Sara: Quem disse isso?

 

Fernando: Só um minuto, Sara. – Fernando tapa o telefone para que Sara não escute a conversa. – Meus filhos vão ter que dormir aqui amanhã.

 

Mulher: Hum…

 

Fernando: Oi, Sara. – destampa o telefone.

 

Sara: Quem era?

 

Fernando: Uma amiga. – desconversa.

 

Sara: Amiga? – pergunta, surpresa – Errr… Então, você pega os meninos no colégio e leva pra sua casa? Se eles não estiverem dormindo quando eu voltar, pego eles e eles dormem aqui mesmo.

 

Fernando: Tudo bem.

 

Sara: Tchau, então. – desliga, rapidamente.

 

Fernando: Tchau. – Ele nota que Sara acelerou o fim da conversa.

 

Sara sabia que não podia cobrar fidelidade de Fernando, mas não deixava de ficar balançada só de saber que Fernando estava seguindo em frente.

 

 

03. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO – QUARTO DE ROBERTO

 

Roberto entra no quarto bravo e Carol, que estava dormindo lá naquela noite, assusta-se.

 

Carol: O que foi, amor?

 

Roberto: Larissa…

 

Carol: E Gabriel também, presumo.

 

Roberto: Olha, amor… Não é nada com seu sobrinho. Pelo contrário, fico até tranquilo que o primeiro namorado dela seja alguém da sua família. Mas ela está levando isso a sério demais. Ela vai acabar se magoando…

 

Carol: A Lissa e o Gabs sempre foram assim, Roberto, à frente dos adolescentes aborrecentes com quem eles convivem. Natural que eles queiram levar o namoro a sério.

 

Roberto: Mas deixar de sair comigo para sair com ele? – senta-se na cama de costas para Carol.

 

Carol percebe que Roberto está tendo um ataque de ciúmes e começa a rir.

 

Roberto: Você acha engraçado? – vira-se pra ela.

 

Carol: Claro! Vai dizer que você não acha engraçado um pai querendo competir e se sentindo inseguro por causa do primeiro namorado da filha? Hilário!

 

Roberto: Mas ela ainda é tão novinha…

 

Carol: E ela ainda é a sua princesinha, eu sei. Mas mais cedo ou mais tarde ela ia começar a namorar. Você sabe disso. Tenta conversar com ela, fazê-la entender o seu lado. A conversa é sempre o melhor caminho…

 

Roberto: Hum… amanhã eu converso com ela. E você? Como foi no Ágora hoje?

 

Carol: Normal… A Karina botou o pé para eu cair, eu puxei o cabelo dela, rolamos escada abaixo. Tudo na santa paz de Deus.

 

Roberto: Por que você não tenta conversar com ela, fazê-la entender o seu lado? A conversa é sempre o melhor caminho…

 

Carol: Faça o que eu digo, não faça o que eu faço, Roberto Pellegrini. – fuzila Roberto com o olhar.

 

Roberto: Só acho que já chegou a hora de você se libertar do obstáculo Karina. Há meses essa picuinha entre as duas. Não dá.

 

Carol: E você acha que eu não tento? Toda vez que a matéria de capa é minha, ela faz um bico do tamanho do mundo.

 

Roberto: Ela nunca fica com a matéria de capa?

 

Carol: Fica, fica.

 

Roberto: E o que você faz quando ela ganha a matéria de capa?

 

Carol encara Roberto, tentando não responder.

 

Roberto: Responde, Ana Carolina!

 

Carol: Um bico do tamanho do mundo, mas é diferente!

 

Roberto: Diferente? Por quê? – pergunta, rindo – Por que é você?

 

Carol: Não é uma boa razão?

 

Roberto: É! Mas enfrentar mal com mal, não dá certo.

 

Carol: Você está insinuando que eu devo ser gentil com aquela aprendiz de jornalista? – debocha.

 

Roberto: Poderia começar já cortando os apelidos…

 

Carol: Boa noite, Roberto. – vira-se para dormir, inconformada com a sugestão do namorado.

 

Roberto: Boa noite, meu amor. – diz, rindo e dando um beijo na bochecha dela.

 

 

04. INTERNA – NOITE – BARZINHO

 

Pâmela tinha ido ao banheiro e Carlos estava na mesa com os amigos dela. Conversava animado com eles, quando avistou uma conhecida.

 

Carlos: Só um minuto, por favor. – pede licença aos amigos de Pâmela e se levanta, indo em direção à mulher.

 

Ele se aproxima e tem certeza que é a mulher que encontrou no consultório da psicóloga, na sua primeira visita. A mulher estava rodando o canudo de sua bebida, olhando para o nada, sem rumo. Tinha olheiras profundas e um cabelo despenteado.

 

Carlos: Oi.

 

Mulher: Oi – diz, sem reconhecer Carlos.

 

Carlos: Lembra de mim? Do consultório da doutora Ruth?

 

A mulher demora a lembrar de Carlos, mas recorda.

 

Mulher: O novato! Lembro sim… e, então? Já acostumado?

 

Carlos: Mais ou menos… Prazer, Carlos Andrade.

 

Mulher: Ingrid Meirelles, prazer. Senta comigo. – pede, apontando a cadeira.

 

Carlos: Eu estou com uns amigos. Na verdade, amigos de uma amiga. Não quer se juntar à gente?

 

Ingrid: Não… não to muito no espírito de confraternização.

 

Carlos: Tudo bem… Até a próxima, então.. – dá um sorriso amarelo.

 

Ingrid: Até.

 

Carlos volta para a mesa, Pâmela já havia voltado.

 

Pâmela: Quem era?

 

Carlos: Uma conhecida.

 

Pâmela: Ah sim! Já achei que você estava dando em cima dela, garanhão.

 

Carlos sorri, sem graça. Ele voltou a observar Ingrid, que a esta altura já havia acendido um cigarro e pedido uma nova bebida. Ele sabia que algo a incomodava, mas não tinha liberdade para perguntar. 

 

 

05. INTERNA – NOITE – CARRO DE SARA/APARTAMENTO DE FERNANDO

 

Sara entrou no carro e ligou logo para Fernando.

 

Sara: Ferdi? E, então? Dormindo ou acordados?

 

Fernando: Dormindo e acordados.

 

Sara: Deixa eu adivinhar: Rafa dormindo e Dudu e Gabs acordados.

 

Fernando: Errou. Só o Gabs acordado.

 

Sara: Ele não quer dormir aí?

 

Fernando: Eu acredito que não. – diz, seco.

 

Sara: Aconteceu alguma coisa? – pergunta, notando o tom do ex-marido.

 

Fernando: É melhor você vir buscá-lo. Ele mesmo te explica.

 

Sara: Tudo bem.

 

Ela liga o carro e parte para o apartamento de Fernando.

 

 

06. INTERNA – NOITE – CARRO DE GIOVANNI

 

Giovanni estaciona o carro na frente do prédio de Rebeca. Os dois voltavam do cinema.

 

Rebeca: Obrigada. – diz, já se despedindo.

 

Ele rouba um beijo dela, pegando-a desprevenida.

 

Rebeca: Uh! Calma…

 

Giovanni: Eu não gosto de ter calma.

 

Rebeca: Mas é sempre bom ir devagar com certas coisas. – esquiva-se.

 

Giovanni: Eu gosto de velocidade. – retruca, sedutor.

 

Rebeca: Então eu começo a achar que nós não combinamos tanto.

 

Giovanni: Mas e quem disse que eu quero uma mulher parecida comigo?

 

Rebeca: Melhor eu entrar. Boa noite. – dá um selinho nele, descendo do carro em seguida.

 

Giovanni: Espera! – desce do carro também.

 

Giovanni rouba uma flor de um dos canteiros do prédio.

 

Giovanni: Namora comigo? – pergunta, dando a flor a Rebeca.

 

Rebeca pega a flor, mas não sabe o que responder.

 

Rebeca: Gio…

 

Giovanni: Eu sei, eu sei. To fazendo um papel idiota, mas é que eu não sabia como fazer isso…

 

Rebeca: Não, não. Foi lindo, mas é que…

 

Giovanni: Não diz mais nada. – interrompe – Pensa e depois você me diz. Prometo esperar sem cobranças.

 

Rebeca: Tudo bem. Eu prometo pensar.

 

Giovanni: Então, até amanhã no estágio.

 

Rebeca: Até.

 

Giovanni joga um beijo para Rebeca e vai embora, deixando uma Rebeca sem saber o que fazer.

 

 

07. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA

 

Gabriel chega ao apartamento em silêncio, do mesmo jeito que esteve desde a saída do apartamento do pai. Sara conhecia o filho e sabia que aquela não era a melhor hora para interrogatórios, mas preferiu arriscar.

 

Sara: Gabs, você não deu uma palavra desde que saiu do apartamento do seu pai. Estou preocupada, o que aconteceu?

 

Gabriel: Nada.

 

Sara: Eu não quero ter que ligar para o seu pai para entender. Prefiro ouvir de você.

 

Gabriel: Você e o papai não vão mais voltar, né?

 

Sara toma um susto com a pergunta.

 

Sara: Por que isso agora, filho?

 

Gabriel: Porque ele foi buscar a gente com uma namorada nova.

 

Sara fica desconcertada e tenta acalmar Gabriel.

 

Sara: Filho, o seu pai tem o direito de seguir em frente.

 

Gabriel: Mas não é justo com você.

 

Sara fica tocada com a atitude do filho.

 

Gabriela: Ela deve ter a mesma idade… – vacila, procurando um exemplo. – da Rebeca.

 

Sara não esperava que Fernando namorasse alguém tão jovem.

 

Sara: Nossa… seu pai, hein?

 

Gabriel: Eu vou ligar para a Larissa.

 

Sara: Tudo bem.

 

Sara dá um beijo no filho mais velho. Gabriel vai para o quarto e Sara caminha pela sala. Pára em frente ao espelho e se encara. Não sabia entender o que sentia, se era ciúme, raiva, inveja. Ou se sentia apenas que era hora de seguir em frente também.

 

 

08. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA

 

Júnior tomava o café da manhã quando a campainha tocou.

 

Júnior: Já vai. – grita.

 

Júnior abre a porta e dá de cara com…

 

Júnior: Bianca! – surpreende-se

 

Bianca: Surpresa!

 

Ela pula em seu pescoço, matando a saudade.

 

Júnior: Uau! Como você me encontrou? Como você está? Nossa, que surpresa mesmo.

 

Bianca: Eu fui até sua casa e sua avó disse que você tinha se mudado para cá. Por que você se mudou? – pergunta, analisando o ambiente.

 

Júnior: Longa história. Senta aqui que eu te conto tudo e você me conta tudo também.

 

Os dois conversam, colocando o papo em dia.

 

 

09. INTERNA – DIA – REDAÇÃO ÁGORA

 

Horácio: E a matéria principal de ‘Cidades’ hoje fica com a Karina. – sentencia, olhando para Carol, esperando uma reação. – ‘Festival de harpas atrai multidões na capital do samba’, ok?

 

Karina: Ok. – responde, olhando para Carol em seguida, que se esforçava para não esboçar nada.

 

Horácio: Então é isso. Mãos à obra.

 

Todos saem da sala e Karina senta-se em sua mesa. Carol decide ir até ela. Todos observam os passos de Carol em direção à rival, como se estivessem se preparando para presenciar uma batalha feroz.

 

Carol: Quer ajuda?

 

Todos se assustam com a pergunta de Carol e aguardam a resposta de Karina, ansiosos.

 

Karina: Não, obrigada. É claro que eu dou conta… sozinha. – rebate, bem enfática na última palavra.

 

Todos fazem uma cara feia e sons de dor, como se Carol tivesse levado um golpe.

 

Carol: Eu sei, não duvido disso. É que as minhas matérias são bem curtas e a sua é muito grande. Cobrir todo o evento é dose. Como eu termino rápido, pensei em te ajudar.

 

Karina fica sem entender e se levanta para encarar Carol.

 

Karina: O que você quer, hein? Roubar de vez o meu lugar? Não se conforma que a matéria principal de hoje seja minha? Conforme-se, Carol.

 

Carol, que a esta altura já emanava um mantra na sua cabeça, pensava na conversa que tivera com Roberto na noite anterior.

 

Carol: Só acho que somos boas no que fazemos, e juntas seríamos melhores ainda. – ela faz uma pausa. Meu Deus, eu disse isso? – pensa.

 

Karina fica intrigada com o argumento de Carol.

 

Carol: Mas, como você mesma disse, você dá conta. Beijos, querida.

 

Karina não acredita no que Carol disse e se senta. As outras pessoas do jornal agora observam Carol voltando para sua mesa, com uma mistura de alívio e triunfo.

 

 

10. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

 

Nora chega do supermercado com algumas sacolas e as deposita na bancada da cozinha. Encontra uma Diva distraída e um sudoku jogado na mesa, em branco.

 

Nora: Perdeu o Brito Júnior hoje?

 

Diva: Ela agora apresenta aquele reality show das vacas. Essa troca de emissoras desses artistas acabou com minha manhã.

 

Nora: E o sudoku, nível dificílimo?

 

Diva: Não. Só estou sem paciência.

 

Nora: Sem paciência ou nervosa pelo enterro do Paulo amanhã?

 

Diva: Nora! Desde quando você me interroga assim?

 

Nora: Desde que você ficou sabendo que o corpo seria liberado hoje, depois de tanto tempo esperando, ficou assim.

 

Diva: E você queria o quê? Eu nunca enterrei um filho para saber como agir e reagir. ­– reage, brava e ríspida.

 

Nora: Tudo bem, mãe. Eu compreendo.

 

Diva: Você avisou ao seu irmão?

 

Nora: Já.

 

Diva: E pediu que ele fosse sozinho?

 

Nora: Não. Claro que não. Quero evitar conflitos. Amanhã vai ser um dia bastante difícil para nós. Quanto menos aborrecimento melhor.

 

Diva: Se tem uma coisa que eu não preciso amanhã é ver aquela loira de farmácia.

 

Nora: Eu não deixo ela chegar perto da senhora, combinado?

 

Diva: Você não leva jeito para segurança particular, Nora. – diz, retirando-se.

 

Nora, compreensiva, dá um leve sorriso do mau-humor de Diva.

 

 

11. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA

 

Rebeca chega para almoçar e escuta vozes vindas da cozinha. Ela, curiosa, dirige-se até lá.

 

Júnior: E a Ana Paula me trata super bem, mesmo quando eu me atraso. – comenta do trabalho na APAE.

 

Bianca: Que legal, fico feliz de saber que você está gostando. Eu escolhi um asilo. Prefiro algo mais calmo. Sabe como é, né? Crianças não são meu forte.

 

Rebeca dá uma leve tossida para que os dois notem sua presença.

 

Júnior: Beca! Deixa-me apresentar. Rebeca, essa é a Bianca, minha amiga da reabilitação. Aquela que eu te falei, lembra? Bianca, esta é a Rebeca.

 

Rebeca/Bianca: Prazer. – dizem, cumprimentando-se.

 

Rebeca: E então, saiu quando da reablitação? – diz, um pouco incomodada com a presença dela lá.

 

Bianca: Ontem.

 

Rebeca: E já veio ver o Júnior? Nossa, quanta saudade, não?

 

Bianca: Aham. Muita. – diz, abraçando o rapaz, deixando Rebeca um pouco desconfortável.

 

Rebeca: Bem, eu vou tomar meu banho que eu tenho que ir pro estágio. Fica a vontade.

 

Bianca: Na verdade, eu já estava de saída. Tenho que rever outros amigos também.

 

Júnior: Almoça com a gente!?

 

Bianca: Obrigada, mas melhor não. Preciso mesmo ir. Ainda tenho que passar no asilo. Mas vamos sair hoje? Meu irmão vai tocar numa casa de shows no centro.

 

Rebeca, que ainda não tinha ido tomar banho, não gosta do que ouve.

 

Júnior: Pode ser. Assim fico conhecendo o famoso Yuri.

 

Bianca: Ótimo. ­– ela dá um beijo no rosto de Júnior. – Tchau. Tchau, Rebeca.

 

Rebeca: Tchau.

 

Júnior leva Bianca até a porta e, voltando à cozinha, encontra Rebeca, que ainda não tinha ido tomar banho.

 

Rebeca: Você tem certeza que vai?

 

Júnior: Claro. Ela sempre falava do irmão na clínica.

 

Rebeca: Mas ela acabou de sair da clínica, não seria prudente para ela já sair para um lugar cheio de tentações. Nem para você.

 

Júnior: Rebeca?! Eu sei me controlar. Não é justo você fazer esse tipo de comentário.

 

Rebeca: É só… preocupação.

 

Júnior: Por que você não vai então? Leva o… como é mesmo o nome?

 

Rebeca: Giovanni.

 

Júnior: Isso. Vamos. Os quatro.

 

Rebeca: Corta essa, Júnior.

 

Júnior: Vocês não estão mais se vendo? – dá as costas e começa a lavar a louça.

 

Rebeca: Pelo contrário. Ontem ele me pediu em namoro.

 

Júnior deixa um copo cair na pia e se vira pra Rebeca.

 

Júnior: E você aceitou?

 

Rebeca: Não. Ainda não.

 

Júnior: Hum… – tenta encerrar a conversa.

 

Rebeca: Eu vou tomar banho, vou acabar me atrasando e seu irmão odeia atrasos. – diz, indo para o banheiro.

 

Júnior: É seu também – grita, um pouco irritado.

 

Júnior fica pensando em Rebeca, incomodado.

 

 

12. INTERNA – TARDE – APARTAMENTO DE TOMÁS

 

Tomás foi em casa almoçar e aproveitou e capturou Vitória no banco.

 

Vitória: Vamos nos atrasar.

 

Tomás: Ah! Um dia de atraso nosso não vai parar a economia mundial.

 

Vitória: É por pensamentos assim que o Brasil não vai pra frente. Ô meu Deus…

 

Os dois riem do comentário de Vitória e depois se olham.

 

Vitória: Há quanto tempo que nós não riamos juntos, não é mesmo?

 

Tomás: Verdade…

 

Vitória pega na mão do marido.

 

Vitória: Eu te amo, mesmo você sendo o homem mais teimoso que eu conheço.

 

Tomás dá um sorriso sem graça.

 

Tomás: Eu queria tanto que o Tiaguinho estivesse aqui. Hoje ele ia completar 8 meses. Já ia estar durinho, reconhecendo a gente.

 

Vitória: Ele ia ficar muito orgulhoso de você como pai, tenho certeza.

 

Tomás: Obrigado.

 

Vitória: E ficaria mais orgulhoso ainda se visse o pai perdoando o tio.

 

Tomás: Amor…

 

Vitória: Tomás… pensa um pouco.. E se o nosso filho estivesse aqui com a gente? Você não ia querer que ele convivesse com o Júnior? O Júnior é um excelente tio para os filhos da Sara. Tenho certeza que ele amaria o nosso filho do mesmo jeito.

 

Tomás fica calado, como sempre ficava quando este era o assunto.

 

Vitória: Amanhã é um enterro do seu tio. Um momento de reflexão que você devia aproveitar.

 

Tomás encara Vitória, bebe o seu suco e se levanta da mesa. Vitória respira fundo, já cansada de toda essa história.

 

 

13. INTERNA – TARDE – ANDANÇAS MATRIZ – SALA DE SARA

 

Fernando entra na sala de Sara.

 

Fernando: Conversou com o Gabs?

 

Sara: Sim. Ele me contou o motivo da raiva dele.

 

Fernando: Sara… eu queria evitar, mas a Keila…

 

Sara: Keila? Ai meu Deus…

 

Fernando: O que foi?

 

Sara: Não, nada… – desconversa, lembrando-se da teoria do K.

 

Fernando: Não comece com as suas implicâncias, por favor.

 

Sara: Não é implicância, Ferdi. Só não gostei dos meus filhos conviverem com seus… casos.

 

Fernando: Aaaah entendi! Ciúmes! – ironiza.

 

Sara: Me poupe, Fernando. – irrita-se. – Só peço, de novo, que você seja mais responsável com nossos filhos. Nós nos separamos e não é fácil para eles nos ver com outras pessoas.

 

Fernando: E você já tem outra pessoa?

 

Sara fica perturbada com a pergunta.

 

Sara: Eu não quero conversar sobre isso.

 

Fernando: Tudo bem. Eu vou tomar mais cuidado, então. Tchau. – sai.

 

Sara: Tchau.

 

Sara se senta à frente do computador e começa a digitar. Sem querer, comete um erro e bate na mesa. Está desconcentrada e brava consigo mesma.

 

 

14. INTERNA – TARDE – EDITORA ATUAL

 

Como havia prometido, Carlos leu os textos de Nora e foi com ela assinar o contrato.

 

Carlos: Aquele texto em que há uma comparação do mau humor dos jovens com o humor dos mais velhos, não tem mesmo nada a ver comigo? – pergunta para Nora, enquanto esperam ser chamados.

 

Nora: Eu já disse que não.

 

Carlos: Mas me pareceram tão familiares as respostas ríspidas que a senhora citou no texto… E o modo como disse que os jovens rabugentos se tornariam velhos piores ainda, me lembrou a vovó.

 

Nora: Carlos!

 

Carlos: Admita!

 

Nora: Sim, foi pensando em você e na mamãe. Agora chega, sem mais perguntas.

 

Carlos: Sabia! Sabia.

 

A secretária observava os dois.

 

Carlos: Só fique sabendo que eu tenho as minhas razões para ser assim.

 

Nora: Eu sabia que não devia ter deixado você ler… Sabia…

 

Carlos: Ele não vai ser publicado, não é?

 

Secretária: Com licença. Vocês já podem entrar.

 

Nora: Obrigada. – diz, levantando-se rápido para fugir da pergunta de Carlos.

 

Carlos e Nora entram na sala do editor chefe, Flávio Moraes.

 

Flávio: Boa tarde.

 

Nora: Boa tarde, Flávio. Esse é meu filho e meu advogado, Carlos Andrade.

 

Carlos e Flávio se cumprimentam.

 

Flávio: E então? Vamos direto ao ponto? Aqui está o contrato. Pode ler e sugerir o que quiser.

 

Nora pega o contrato e o passa direto para Carlos.

 

Nora: Ele entende mais disso do que eu. – ri.

 

Carlos lê o contrato e sentencia que está tudo certo, perguntando a Nora apenas se ela queria mudar algo referente a valores, mas Nora não fez nenhuma objeção.

 

Nora assina o contrato e aperta as mãos de Flávio, em sinal de parceria. Carlos o cumprimenta e os dois fazem menção de sair do escritório. Nora vai na frente e deixa Carlos a sós com Flávio.

 

Carlos: Flávio… só uma ressalva. Eu, como mentor da minha mãe e grande fã dos textos maravilhosos que ela escreve, só queria que antes da publicação dela, eu também fosse informado dos textos que ela vai publicar, certo?

 

Flávio: Se ela permitir…

 

Carlos: Ela vai… ela vai… Obrigado. – diz, seguindo a mãe, com seu ar peculiar de vitória.

 

 

15. INTERNA – NOITE – ÁGORA

 

Horácio: Karina!!!!

 

Todos na redação tomam um susto e olham para Karina, que está visivelmente preocupada.

 

Karina: Sim?

 

Horácio: Pelo amor de Deus, o que falta para fechar essa matéria? Já está quase na hora de mandar o jornal para impressão! – diz, bravo.

 

Karina: Falta só a assessoria do evento mandar a lista de patrocinadores. Eles pediram para publicar.

 

Horácio: Isso é pra ontem, Karina! Se eles não mandarem, vai sem mesmo!

 

Karina: Tudo bem.

 

Horácio se tranca em sua sala após uma batida de porta que doeu nos ouvidos de Karina. Ela não sabia mais o que fazer. A assessoria do evento não atendia e o seu tempo estava se esgotando. Vendo o sofrimento da jornalista, Carol se aproxima.

 

Carol: Quer ajuda?

 

Karina: Você deve estar adorando me ver assim…

 

Carol estava mesmo adorando, mas não podia admitir.

 

Carol: Karina… essa guerrinha entre nós duas já deu o que tinha que dar. Deixa eu te ajudar…

 

Carol pega o telefone e liga para Tomás.

 

Carol: Tomás? Você comentou comigo que ao evento das Harpas aqui no Rio, lembra?

 

Tomás: Lembro… Sou amigo do organizador. Lembra dele? É o Diniz…

 

Minutos depois, Carol consegue um outro telefone para falar com a assessoria da Senadora. Ela e Roberto eram do mesmo partido e foi fácil para Lílian conseguir o número.

 

Carol: Em poucos minutos acho que a resposta chega.

 

Karina: Hum… obrigada. – diz, tímida.

 

Carol: De nada…

 

Carol volta para sua mesa sabendo que Karina lhe devia um favor, mas não pensava em cobrá-lo. Estava se sentindo melhor de não ter brigado com ninguém ao menos um dia.

 

 

16. INTERNA – NOITE – ANDANÇAS

 

Sara pedia um cappuccino na lanchonete da Andanças, quando uma cliente a abordou.

 

Mulher: Os seus funcionários me disseram que você é a gerente.

 

Sara: Sim, sou eu. Algum problema?

 

Mulher: Não, não. Pelo contrário. Queria dar os parabéns. Sou do Rio Grande do Norte e nunca tinha entrado numa livraria tão organizada e tradicional quanto a Andanças.

 

Sara: Ah! Obrigada. – agradece, envaidecida.

 

O cappuccino de Sara fica pronto.

 

Mulher: Cappuccino… minha bebida preferida. Posso pedir um para te acompanhar? – diz, galanteadora.

 

Sara percebe as intenções da mulher e avista Lílian chegando na cafeteria também.

 

Sara: Na verdade, eu prefiro sentar com uma amiga minha. Com licença e fique a vontade, viu? – diz, correndo até Lílian.

 

Lílian: Sara! Já ia até sua sala te cumprimentar.

 

Sara: Bem, no momento eu só peço que você sente comigo nessa mesa e finja que combinamos algo. – diz, dando dois beijinhos falsos em Lílian.

 

Lílian: Meu Deus, mas por quê? O que aconteceu?

 

Sara: Você acredita que aquela mulher deu em cima de mim? Que absurdo!

 

Lílian se ofende um pouco, mas entende Sara.

 

Sara: Ai! – diz, levando as mãos ao rosto. – Desculpa, Lílian. Eu não lembrei, juro.

 

Lílian: Não tem problema. Mas, Sara, você, uma mulher tão bem resolvida, não imaginava que tivesse esse tipo de preconceito.

 

Sara: Ah, Lílian! Não é preconceito. É que eu fiquei assustada! Faz muito tempo que eu não recebia uma investida assim.

 

Lílian: E ficou com medo? – ri.

 

Sara: Não!

 

Lílian: Não se pode julgar o que não se conhece por medo, Sara.

 

Sara: Mas eu não fiquei com medo, Lílian. Quer ver? Vou lá me desculpar com ela.

 

Lílian: Ta bom. Mas solta o cabelo antes.

 

Sara: Como?

 

Lílian: Nada, nada.

 

Sara vai até a mulher.

 

Sara: Oi…

 

A mulher olha para Sara e a ignora.

 

Sara: Então, eu vim me desculpar. Fui muito ríspida com você a pouco. – diz, sedutora. ­- ­Perdão.

 

Mulher: Não precisa me bajular. Eu já comprei um livro, e nem moro aqui mesmo para você se preocupar.

 

Sara: Não é por isso. Eu realmente fui precipitada. – diz, dando um sorriso.

 

Mulher: Com licença. – ignora Sara completamente.

 

Lílian, que assistia à cena, ri da irmã de sua cunhada.

 

Sara: Gente… nem pra lésbica eu sirvo.

 

 

17. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO

 

Carol usa a chave que Roberto havia lhe dado e entra falando ao celular, sem ser percebida.

 

Carol: Dando em cima de uma mulher? – diz, caindo na gargalhada. – Meu Deus, a minha irmã ainda me surpreende.

 

Logo, escuta a discussão entre Larissa e Roberto.

 

Carol: Lílian, eu vou ter que desligar agora. Beijo! – Ela desliga e vai para o quarto.

 

Roberto: Você não vai a cinema algum após o enterro do tio da Carol.

 

Larissa: Pai, eu já terminei as provas dessa semana. Não é justo.

 

Roberto: Não interessa, Larissa. Você não vai e pronto.

 

Larissa vê Carol e apela para a jornalista.

 

Larissa: Carol, diz para ele que o que ele está fazendo é ridículo.

 

Carol: O que você está fazendo é ridículo, Roberto.

 

Roberto e Larissa se espantam, pois não esperavam que Carol dissesse aquilo.

 

Roberto: Como?

 

Carol: Onde está o discurso do diálogo que nós conversamos hoje de manhã?

 

Roberto: Eu tentei…

 

Larissa: Mentira. Eu pedi para ir ao cinema após o enterro e ele já disse um não.

 

Carol: Escutem vocês dois. Larissa, é seu primeiro namoro, totalmente compreensível que o seu pai aja como um ditador. Roberto, é o primeiro namoro da Lissa, ela está feliz e quer apenas curtir o namorado, que a propósito é um ótimo garoto.Que tal se vocês combinasse alguma coisa? Durante a semana, só estudos e um telefonema de 20 minutos à noite; fim de semana, um cinema, uma piscina… Hum? O que acham?

 

Larissa e Roberto se olham, sem concordar muito, mas não vêem outra saída.

 

Roberto: Tudo bem. Mas se alguma regra for desobedecida, já sabe, né?

 

Larissa dá um pulo de felicidade e corre para abraçar Carol, saindo do quarto em seguida.

 

Roberto: Desde quando você é tão segura e direta?

 

Carol: Ah querido! Uma nova Carol está nascendo…

 

Roberto: Jura? – desdenha e sai do quarto, após dar um selinho nela.

 

Carol realmente se sente mais segura, mas dá um passo, enrosca o pé no tapete e cai no chão.

 

Carol: Ai.. algumas coisas nunca mudam…

 

 

18. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE BRUNO

 

Os estagiários estudavam juntos um processo que Carlos havia passado.

 

Bruno: Vou buscar comida.

 

Giselle: Ah! Boa idéia, estou morrendo de fome!

 

Bruno e Giselle se levantam, deixando Rebeca e Giovanni a sós.

 

Giovanni: E então?

 

Rebeca: Não sei… eu não acho que vai ser tão fácil essa defesa como o Carlos sugeriu.

 

Giovanni: Eu não estava falando do caso.

 

Rebeca olha de canto de olho para Giovanni.

 

Rebeca: Engraçado, eu pensei ter ouvido um ‘sem pressão’ ontem…

 

Giovanni ri, enquanto Bruno e Giselle voltam com a comidas. Ele e Rebeca trocam olhares, e todos voltam a discutir Direito.

 

 

19. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SAULO

 

Vera: E.. esse! – diz, mostrando mais uma resposta de fornecedores para a Quatro Estações.

 

Saulo: Uau! Eu realmente não esperava que a Report fosse aceitar nossa proposta!

 

Vera: Não é o máximo?

 

Saulo: Demais!

 

Vera se senta no colo de Saulo e o beija, em comemoração.

 

Vera: Hum.. agora me ajuda em uma coisa.

 

Saulo: No que?

 

Vera se levanta e traz do quarto dois vestidos, um roxo e um preto.

 

Vera: Preto ou roxo? Nunca sei o que usar em enterros.

 

Saulo fica desconcertado, sem saber o que responder.

 

Vera: O que foi? Não gostou?

 

Saulo: Vera… eu não queria que você fosse ao enterro do meu irmão.

 

Vera faz uma cara de decepção.

 

Saulo: Tente entender. Minha mãe com certeza vai passar por um dos momentos mais difíceis da vida dela. Ela te ver lá, não sei como ela pode interpretar…

 

Vera: Eu entendo.

 

Saulo: Entende?

 

Vera: Entendo.

 

Saulo: Nossa…

 

Vera: Então… mande as condolências por mim… – diz, se dirigindo para o quarto.

 

No quarto, ela guarda os vestidos com um pouco de mágoa.

 

 

20. INTERNA – NOITE – CASA DE SHOWS

 

Bianca e Júnior estavam sentados, tomando refrigerantes, e conversando. O irmão de Bianca e os outros amigos da banda se aproximam. Bianca se atira nos braços do irmão, dando-lhe um forte abraço.

 

Bianca: Vem, deixa eu te mostrar o Ju…

 

Yuri: O famoso…

 

Júnior: Famoso? – diz, apertando a mão de Yuri.

 

Yuri: Essa menina não parava de falar de você a tarde toda. Disse que eu precisava te conhecer. Gosta do tipo de música que a gente faz, não gosta?

 

Júnior: Sim sim, gosto. É o meu estilo mesmo.

 

Yuri: Ai pessoal! Ele curte nosso som! – diz, gritando para o resto da banda.

 

Bianca: Esse é o Renato, o Guto, o Mike e a Jéssica, namorada do Guto.

 

Júnior: Oi pessoal!

 

Todos cumprimentam Júnior e se sentam, começando a conversar sobre música. O tempo passa e chega a hora deles se apresentarem.

A banda deles, a Smarts, já era conhecida no cenário alternativo do Rio de Janeiro. No meio do show, começam a tocar uma música com letra romântica e Bianca e Júnior se aproximam na mesa, terminando num ardente beijo.

 

 

21. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE REBECA

 

[♫ – “O que tiver que ser” – Marjorie Estiano]

 

Já passava das três da manhã quando Júnior volta para o apartamento. Ele abre a porta devagar para não fazer barulho e nota que Rebeca estava dormindo no sofá. Ele deixa cair o tênis que estava na mão e Rebeca acorda.

 

Rebeca: Ju… – diz, ainda acordando.

 

Júnior: Beca, desculpa, eu não queria te acordar. Mas porque você ta dormindo ai?

 

Rebeca: Eu estava te esperando.

 

Júnior: Me esperando?

 

Rebeca: É, eu estava preocupada.

 

Júnior: Sem razão. Estava só com a Bianca.

 

Rebeca: E eu não sei?

 

Júnior: Beca…

 

Rebeca: Ah Ju! Essa menina acabou de sair da reabilitação e já está saindo para boates? Cadê o padrinho dela? Ela não devia fazer isso e ainda te levar…

 

Júnior: Nós só bebemos refrigerante. Eu juro.

 

Rebeca: Tá… o que eu disser não vai adiantar mesmo.

 

Júnior: E onde você estava? Eu liguei para cá pra saber se você já tinha chegado e chamou e ninguém atendeu. Seu celular desligado…

 

Rebeca: Eu estava estudando com os outros estagiários…

 

Júnior: Sei… o nome dos estagiários é Giovanni?

 

Rebeca sente uma pontada de ciúme no que Júnior disse.

 

Rebeca: Isso é ciúme?

 

Júnior: Não é ciúme o que você sente da Bianca?

 

Rebeca: Não! – responde, ofendida.

 

Júnior: Então o que é?

 

Rebeca: Eu não sei…

 

Júnior: Beca… eu acho que nós estamos confundindo as coisas entre nós.

 

Rebeca: É… é melhor a gente esfriar a cabeça.

 

Os dois vão, cada um para seu quarto, pensando no que estavam sentindo, sem saber se conseguiriam dormir ou não.

 

 

22. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA

 

Júnior já estava tomando café, quando Rebeca chega da padaria com pães e suco.

 

Rebeca: Bom dia.

 

Júnior: Bom. – diz, sem ânimo.

 

Rebeca: Pêssego. Seu favorito. ­­– diz, tirando o suco da sacola.

 

Júnior: Beca… eu pensei muito durante a noite e… – respira fundo – Eu acho que não é mais tão conveniente eu morar aqui.

 

Rebeca fica surpresa e triste com a conclusão.

 

Júnior: Nós estamos nos relacionando com outras pessoas. Vai chegar o tempo em que cada um vai querer a sua privacidade e vamos acabar tendo mais discussões como essas.

 

Rebeca: Tudo bem… – responde, cabisbaixa.

 

Júnior: É só o tempo de ver pra onde eu vou…

 

Rebeca: Ta..

 

Rebeca sai da mesa e vai para o quarto, triste. Júnior fica igualmente triste, levanta e vai para a APAE.

 

 

23. INTERNA – DIA – CARRO DE TOMÁS

 

Tomás deixa Vitória no Banco e segue o caminho pensando na conversa que teve com sua esposa. Ele imagina como seria se seu filho tivesse sobrevivido. Tiago no seio da família, brincando com os primos e os tios. Ele imagina, principalmente, Júnior brincando com seu filho. Tomás pára o carro e respira fundo.

 

 

24. INTERNA – DIA – APAE

 

Tomás entra na APAE e procura por Júnior. Quando o avista, Júnior brincava com uma das crianças. Aquela criança, em especial, o deixava mais atencioso, mais prestativo. Era um menino que, assim como ele, havia sido abandonado pelos pais biológicos e freqüentava a APAE através de um Orfanato. Júnior joga uma bola para o garotinho, que não a alcança a tempo. A bola para no pé de um homem que a pega. É Tomás. Júnior e Tomás se encaram pela primeira vez depois de tudo.

 

Tomás: Toma. – aproxima-se e estende a mão, devolvendo a bola para o irmão.

 

Júnior: Obrigado. – diz, seco e ainda sem acreditar que estava perto de ter uma conversa duríssima com Tomás.

 

Tomás: Será que a gente podia conversar?

 

Júnior: Pode ser….

 

Júnior pede que outro voluntário cuide do menino enquanto ele conversa com Tomás. Júnior e Tomás sentam, olham-se, mas não conseguem iniciar uma conversa. Até que Júnior toma a iniciativa.

 

Júnior: É difícil pra você, não?

 

Tomás: O quê? – indaga.

 

Júnior: Pedir desculpas.

 

Tomás: Ju..

 

Júnior: Sempre foi… você nunca pedia desculpas quando pegava algo do Carlos e ele não gostava, quando me dedurava pra mãe e pro pai. Nunca…

 

Tomás: É muito diferente.

 

Júnior: Diferente por quê? Você nunca se arrependia. Você está arrependido agora?

 

Tomás: O que você é agora, um carrasco?

 

Júnior: Não! Eu sou o cara que você jogou na cara que viveu numa mentira a vida inteira!

 

Tomás: Júnior… eu estava revoltado.

 

Júnior: Eu sei, Tomás. Mas isso não te dava o direito…

 

Tomás: Eu sei, eu sei.. – diz, abaixando a cabeça.

 

Júnior: E o pior de tudo, é que mesmo depois de você saber que eu não tinha nada a ver com o acidente, você me virou a cara. – Júnior começa a se emocionar. – Quando eu descobri que eu não era o culpado, sabe qual foi a primeira coisa que eu pensei? Num abraço seu me pedindo desculpas e na gente se acertando!

 

Tomás começa a lacrimejar.

 

Júnior: Mas você… você não viu necessidade… você simplesmente disse que não ia me pedir desculpas e não pediu. Tomás, você é meu irmão mais velho, depois do pai, o homem a quem eu mais admirava…

 

Tomás: Me perdoa… – diz, interrompendo Júnior.

 

Júnior fica sem ação e começa a chorar.

 

Júnior: Eu tive tanta raiva de você…

 

Tomás se levanta e Júnior o abraça. Os dois choravam e colocavam todo o peso dos acontecimentos para fora.

 

 

25. INTERNA – DIA – UNIVERSIDADE

 

Rebeca estava caminhando distraída pelos corredores da Universidade, quando Giovanni a aborda com mais uma flor.

 

Giovanni: Essa é bem melhor do que a anterior.

 

Rebeca: Sim. – diz, recebendo a flor.

 

Giovanni: Olha… finalmente concordando em alguma coisa.

 

Rebeca: Eu não estou falando da flor.

 

Giovanni faz cara de quem não entende e Rebeca faz cara de esperta para ele. Após alguns segundos, Giovanni abre um sorriso e abraça Rebeca, dando-lhe um beijão no meio do corredor.

 

Giovanni: Eu te adoro, sabia?

 

Rebeca: Hum… bobo. – Os dois riem e caminham, agora de mãos dadas.

 

 

26. EXTERNA – TARDE – CEMITÉRIO

 

Todos já se aproximavam do túmulo de Paulo. Nora vê o carro de Saulo se aproximando e começa a rezar para que Vera não desça dela também.

 

Nora: Ufa. – suspira quando vê apenas Saulo saindo.

 

Roberto, abraçado a Carol, observava Larissa cochichando com Gabriel, fazendo-o rir.

 

Carol: Por favor, aqui não. Eles são um casal, tanto quanto nós. – diz, chamando a atenção do namorado.

 

Sara se aproxima dos dois com Carlos, ficando entre os irmãos mais novos.

 

Carol: Carlos, você gosta de Ana Carolina?

 

Carlos: Gosto, por quê?

 

Carol: Acho que a Sara quer uns CDs emprestados.

 

Sara: Meu Deus, o gene da fofoca já contaminou até quem não é da família?

 

Carlos: Só se ela me ensinar a abordagem IN-FÁ-LI-VEL dela.

 

Carol, Roberto e Carlos caem na risada e Sara se mantém séria. Nora se aproxima dos filhos, deixando Diva só, sentada perto do caixão.

 

Nora: O Tomás vem?

 

Sara: Vem. Só disse que tinha algo a resolver antes.

 

Nora: Como sempre…

 

Saulo aproveita que a mãe está a sós e se aproxima dela.

 

Saulo: Mãe?

 

Diva: Deus te abençoe.

 

Saulo: Um belo caixão, a senhora que escolheu?

 

Diva: Claro! Pela sua irmã teríamos um caixão branco com abas douradas.

 

Saulo: Ele merecia…

 

Diva: Merecia… meu amado filho.

 

Diva e Saulo se emocionam.

 

Saulo: Mãe… volta a morar comigo?

 

Diva: Por que isso agora?

 

Saulo: Não sei… mas acredito que o Paulo não deve estar feliz com essa nossa distância. Nem eu.

 

Diva: Não, meu filho. Você não vai largar a cobra loira, então eu prefiro continuar com sua irmã.

 

Saulo: Tudo bem…

 

Diva: Mas..

 

Saulo: Mas..

 

Diva: Mas apareça mais na casa da Nora… Você faz falta. – diz, sem tirar os olhos do caixão.

 

Saulo fica feliz com a retomada da relação com a mãe. Sem dúvida, aquele era um dia para o perdão.

 

Nora: Mãe? Podemos começar?

 

Diva: Faltam dois de seus filhos! Eu não disse que queria a família completa?

 

Nora: Mas mãe… você sabe como está a situação do Júnior.. sabia que ele não viria.

 

Saulo: Olha.. o Tomás chegou.

 

Todos observam Tomás se aproximar com o carro. Eles só não esperavam ver Júnior descendo do carro junto com ele. Todos os Andrades se olhavam, sem acreditar que finalmente Tomás tinha se entendido com Júnior. Nora fica visivelmente emocionada. Após tirar Vitória do carro, os três se aproximam e Nora corre para dar um abraço em Júnior.

 

Nora: Obrigada por ter vindo, meu amado.

 

Júnior: Oi mãe. – diz, ainda desconfortável.

 

Tomás e Vitória passam direto de Nora e Júnior.

 

Nora: Tomás. – Nora chama o filho. Todos ao redor ficam tensos. Tomás se vira para mãe. – Obrigada por ter vindo, também.

 

Tomás: Por nada, mãe.

 

Todos se acomodam e Nora pede ao padre que comece.

 

Diva, Nora e Saulo se emocionam muito com a cerimônia do enterro de Paulo. Muitas histórias vividas passavam pela cabeça dos três.

 

Os cinco irmãos Andrade estavam enfileirados. Carol, Sara, Carlos, Júnior e Tomás.

 

Carlos: Vocês se entenderam? – cochicha para Júnior.

 

Júnior: Sim. – cochicha para Carlos.

 

Sara: Aleluia. – cochicha para todos.

 

Tomás: Nem um enterro vocês respeitam. – cochicha para todos também.

 

Carol: É.. deu muito trabalho para encontrar o tio Paulo, então, façam silêncio os quatro.

 

Tomás: Os quatro? Eu estava calado!

 

 

27. EXTERNA – TARDE – CEMITÉRIO

 

Todos se encaminhavam para os carros.

 

Nora: Filho, e quando você vai voltar para casa?

 

Júnior fica constrangido e encara Saulo.

 

Saulo: Na verdade, Nora, o Júnior vai sair da casa da Rebeca e pediu para morar comigo.

 

Nora toma um baque, mas compreende o filho, sabia que não adiantava forçar nada.

 

Nora: Só quero que você saiba que seu lugar lá em casa vai estar sempre arrumado, te esperando.

 

Júnior: Eu sei, mãe. Eu sei.

 

Rebeca chega para buscar Júnior.

 

Carlos: Você não devia estar no estágio? – diz, implicante.

 

Rebeca: Sim, mas antes o Júnior só pediu uma carona.

 

Carol: Mas eu não vejo necessidade de você morar com o tio Saulo.

 

Sara: Parecia mais perto de nós ficando com a Rebeca.

 

Rebeca: Mas ele volta para casa sim, Nora. Um dia ele volta.

 

Todos os Andrades a olham, estranhando o comentário.

 

Júnior: Viram? Metida como um Andrade. Você é mais parecida com eles do que imagina…

 

Rebeca se sente constrangida.

 

Diva: Aquela é a cobrinha loira? – diz, apontando para Rebeca.

 

Vitória: É a Rebeca, Dona Diva.

 

Diva: Hum… – desdenha.

 

Diva entra no carro de Nora e deixa Tomás e Vitória a sós.

 

Vitória: Eu estou muito orgulhosa de você.

 

Tomás dá um leve sorriso e depois uma pontada nas costas.

 

Vitória: Só não mais porque não cuida da saúde, mas tudo bem… Carlos!! Me ajuda a entrar no carro, o seu irmão travou.

 

Os irmãos se prontificam a ajudar Tomás e Vitória, e começa o costumeiro barulho Andrade quando eles se encontram.

 

Nora se afasta dos filhos e entra no carro com sua mãe, olhando a bagunça dos filhos pelo retrovisor. Apesar de ainda estar chateada com Tomás, seu coração não podia estar mais feliz ao ver a família junta de novo.

 

Continua…

In Memoriam: Edízio Moura e Maria Luzanira Jorge, pais tão competentes que conseguiram criar filhos como o Edízio e a Samara, duas das pessoas mais íntegras que eu conheço.

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6 Respostas to “Bandeira Branca”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera!!!

    Vc´s vão me desculpar, mas esse episódio a Carol e a Sara roubaram a cena.

    As tiradas da Carol, tanto no trabalho quanto com o Roberto foram as melhores. Ri muito.

    A cena da Sara sendo cantada foi muito boa tb.

    Júnior e Rebeca. Veremos até onde essa história irá. Não gostaria que os dois namorassem. Tipo assim, nada haver né. Quem bom que o Júnior resolveu sair da casa dela, pois só assim as coisas entrarão nos seus devidos eixos.

    D. Diva como sempre mandando seus petardos. Ri muito com o comentário dela sobre “A Fazenda”.

    E o Carlos?! Será que o coração dele tá começando a ficar mole, a ponto de querer ajudar os outros? Se eu fosse ele, eu teria sentado na mesa com a Ingrid e conversado com ela.

    Enfim Tomás e Júnior sentaram, conversar e se acertaram. Já não era sem tempo.

    Bem, é isso. Que venha o próximo episódio.

    Abraços a todos!!!

    P.S.: Obrigado pela citação à minha pessoa na página principal.

    1. Edízio Andrade Says:

      Oi Gustavo! Você não sabe o quanto a cena da Sara dando essa cantada deu trabalho! HEHEHE

      Sobre Júnior e Rebeca… tem tanta coisa pra acontecer ainda!

  2. Natie Says:

    Ei gente! 😀 Cá estou eu pra comentar mais um episodio, mas primeiramente queria agradecer IMENSAMENTE à citação do meu nome no post… E vcs não tem o q agradecer! Vcs são fenomenais msm e o brilhantismo de vcs q me faz ficar cada vez mais viciada ao passar dos episodios…

    Aaaaaah esse epi foi TÃOOOOO legaal… Acho que é um dos melhores…

    No começo, eu soh ri!

    O que foi aquela cena de ciumes do Roberto? hehehe… Eu falei sozinha e em alto tom: “Que bonitinhoooo!”. hahah…

    E parece ateh brincadeira que outra ‘K’ bitch esteja na vida das Andrade! Quase não acreditei qdo li! E o q foi a Sara dizendo ‘perdão’, sedutora, para a mulher? hahah… Adorei tbm as piadinhas dos irmãos no final em relação a isso…

    E Carol deixando literalmente toda a redação de boca aberta querendo ajudar a Karina! Adorei ela ter ficado por cima da situação… E depois ela caindo na casa do Roberto e dizendo q algumas coisas não mudam, foi demais tbm…

    Rebeca e Junior… Não vai sair desse lugar por um tempo né? (e eu sooooh na espera…)

    Carlos e Nora esperando pra falar com o cara da editora! hehe… Ele questionando os textos dela… Adorooo!

    Diva citando o lendááááário Brito Junior! Eu particularmente achava ele beeeem mais legal qdo apresantava aquele programa de manhã… heheh…

    Agora, não tem como negar q as melhores cenas foram as que me deixaram emocionada e sim, me fizeram chorar…

    ALELUIAAAAAAAAAA!!!! Tomas e Junior se acertaram! Imaginei a cena dele chegando e eles conversando… Aaaaah q bom ver q eles jah se entenderam… Vou dormir mais aliviada… hehe… E legal foi ver o pessoal chocado qdo viu eles saindo juntos do carro… Finalmente né Dona Nora?

    E o enterro, finalmente tbm, do Paulo… Deixando o passado ficar no passado né?

    É isso… Consegui me atualizar finalmente e to esperando pelo 2×06…

    BEIJOOOOO!

    1. Edízio Andrade Says:

      Oi Natie!!

      Agradeço novamente os elogios e digo que sem vocês, nada disso seria possível!

      É sempre bom o passado ficar no passado, mas, infelizmente, ele sempre volta pra nos assombrar! Seria isso um gancho pros próximos capítulos? ahuhus

  3. Lenon Fernandes Says:

    Finalmente os Andrades estão de bem de novo. Apesar de toda a confusão de Tomás e Junior, a volta deles foi emocionante.
    Morri de rir com Sara. Aquele comentário “Nem para lésbica eu sirvo” vai entrar para a história… kkkk
    Júnior e Rebeca já estão confusos sobre o que sentem, procurando outras pessoas, mas será que isso vai dar certo?
    Carol dando pitaco na vida de Roberto e Larissa, adorei ela gritando com os dois…

    1. Edízio Andrade Says:

      Oi Lenon!

      Finalmente, né? E foi uma reconciliação bonita, eu achei. Foi logo a primeira cena que eu escrevi, porque eu não aguentava mais os dois brigados! eheheh

      Não sei ainda se Junior e Rebeca com seus amores novos dará certo… Talvez sim, talvez não.. talvez só pra um, não pro outro… Como disse ali em cima, muita coisa ainda vai rolar!

      Até o próximo e obrigado pelos comentários!

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