Nos episódios anteriores: Carol pesquisa sobre seu tio Paulo e acaba escrevendo um artigo sobre a Ditadura. Roberto pede Carol em casamento depois de rumores. Sara passa algum tempo com Fernando como sua musa, como antigamente. Lucas sofre um acidente e é internado. Tomás e Vitória conhecem o filho de Lucas, Caio. Júnior resolve prestar vestibular novamente. Carlos descobre que Diego tem uma ex-mulher e dois filhos. Nora têm tido constantes tonturas. Ela e Davi começam um relacionamento conturbado pela história dele com Vera. Esse passado afeta também a relação de Vera com Saulo e Rebeca.

01. INTERNA – DIA – CONSULTÓRIO

 

Nora chegou cedo ao consultório do seu cardiologista. Desde que marcou a consulta, tinha tido mais uma tontura, mas procurou mantê-la em segredo da família. Não queria preocupar ninguém. Estava ansiosa. Ela foi chamada pela secretária e entrou. Alguns minutos e exames depois…

 

Médico: Então, Nora, aqui está o aparelho que vai controlar os seus batimentos cardíacos. Você não pode tirá-lo para nada, nem na hora do banho. Recomendamos que você faça apenas um asseio. Não deve incomodar tanto. Como hoje é quinta, não abrimos amanhã, o único problema é que você terá que passar o fim de semana inteiro com ele, ok?

 

Nora: Ok. Nossa, mas é grande.

 

Médico: Acho que cabe na sua bolsa.

 

Nora: Só nela. É a única bolsa que tenho desse tamanho.

O médico cola alguns fios ao redor do coração de Nora, pluga-os no aparelho e o liga. O aparelho faz um bip. Nora não gosta.

 

Nora: Vai fazer sempre esse barulho?

 

Médico: De trinta em trinta minutos.

Nora se preocupa. Não queria que ninguém soubesse do aparelho. Aquele barulho seria o mesmo que o barulho de uma bomba relógio, prestes a explodir uma dor de cabeça na matriarca dos Andrades.

 

Médico: Tome. Aqui está a bateria extra. É assim que troca.

O médico explica para Nora todos os cuidados e manuseio que ela deve ter com o aparelho, a cumprimenta e a dispensa.

Ao sair do consultório, Nora olha para o aparelho e coloca na bolsa, tentando encontrar uma maneira de não ser vista com ele.

 

 

02. INTERNA – DIA – QUATRO ESTAÇÕES – ESCRITÓRIO

 

Vera, Saulo, alguns de seus funcionários e Davi estavam em uma reunião. Desde a intromissão de Davi na divulgação institucional e marketing empresarial, os contratos haviam crescido consideravelmente, diminuindo o prejuízo da editora. Apesar de se sentirem desconfortáveis com a presença dele ali, nem Saulo nem Vera poderiam despedi-lo agora, seria suicídio.

Davi: Estou com umas idéias ainda maiores. Vocês precisam de alguém para um cargo referente a eventos estratégicos. Precisamos catalogar e estar presente em todos os eventos relacionados a editoras e livrarias possíveis. Quanto mais contato, melhor. – Ele faz uma pausa. – Na outra ponta, vocês precisam de mais autores que se encaixem no perfil mercadológico consumido hoje no mercado brasileiro, eu encomendei uma pesquisa de mercado, está na página seis. Pensei em um concurso de autores no site de vocês. Vocês podem divulgar nessas comunidades do Orkut de autores amadores, ou em comunidades especializadas como Skoob e O Livreiro. Daí eles mandam textos, vocês selecionam, podem publicar antologias, com o custo dividido entre os autores para cobrir os gastos e vêem como eles vendem. E daí fique de olho aberto. Acho que é esse o caminho a seguir.

 

Ele termina de falar e todos ficam embasbacados. Saulo e Vera examinam os papéis mais uma vez e não acham uma falha na segunda etapa do plano de ação de Davi. Saulo se levanta e cumprimenta Davi. Vera fica tensa e Saulo percebe. Depois é a vez dela.

Vera: Meus parabéns, sua desenvoltura foi excelente. Tudo muito bem pensado, excelente plano. Não poderia estar mais de acordo. – Ela dá a mão para ele, que balança a mão dela.

Davi: Muito obrigado. Eu espero que esteja sendo útil para sua empresa. Agradeço a oportunidade. – Ele responde educadamente, mas frio. Vera abre a boca para dizer algo, mas é interrompida pelo bipar do celular de Davi. – Alô. Ah, oi Rebeca! Sim, sim, já já saio daqui. Nos encontramos lá no supermercado mesmo. Beijo!

 

Vera desiste de falar e sai para alcançar Saulo e sair com ele da sala de reunião.

 

 

03. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO – QUARTO DE CASAL

 

BIP! O despertador toca. Carol acorda e se espreguiça. Ela vira e acaba acertando algo com seu braço.

Roberto: Ai! Quando ouvia dizer que o amor dói, não achava que era literalmente. – Ele diz, sorrindo para ela, ao seu lado.

Carol: Bom dia. – Ela acorda sorrindo também.

Roberto: Bom dia! Ansiosa para hoje à noite, senhora Jornalista do Ano?

 

Carol: Eu ansiosa? E você, senhor Governador do Rio de Janeiro?

 

Roberto: Às vezes até eu me surpreendo como somos o casal ideal! – Ele vai até Carol para um beijo, mas ela o empurra.

Carol: Mesmo a mulher do casal ideal precisa escovar os dentes antes de dar um bom beijo. – Ela se levanta e anda em direção ao contrário.

 

Roberto: Tá certo! Eu espero. – Ele vira para cima e coloca os braços atrás da cabeça. – Quando você pretende contar para sua família do nosso casamento?

 

Carol para de escovar os dentes e olha para o espelho, pensando no que responder.

Carol: Não sei. Depois daquele rolo todo com os boatos, não sei se vai soar meio Pedro e o Lobo.

 

Roberto: Bom, você tem que contar eventualmente. Eu acho melhor contarmos para a sua antes da minha. – Ele pensa um pouco. – Podíamos contar hoje à noite.

 

Carol: Você é louco? Um evento de cada vez. Hoje já tem o Prêmio Esso. – Ela volta para a cama. – Mas ei, que tal deixar isso para depois? – Ela beija Roberto.

Roberto: Como a senhora quiser. – Ele bate continência. – Café da manhã?

 

Carol: Reforçado! Agora que desencalhei não tenho que me preocupar mais com o peso. – Os dois riem e vão para a cozinha.

04. INTERNA – DIA – COMITÊ DO PARTIDO

 

Roberto estava no comitê do partido defendendo sua candidatura ao governo.

 

Roberto: … Assim, quero levar a palavra do partido para o estado, propondo um modo de governo limpo, inteligente e, principalmente, eficaz. – Todos batem palmas.

Presidente do Partido: Certo, os dois candidatos já se pronunciaram. Abro agora para votação dos membros do partido.

 

Os membros recebem cédulas e preenchem de acordo com suas preferências. Roberto olha para Tadeu Mendes, seu adversário, que pisca para ele confiante, ele sorri e acena em resposta.

Roberto decidiu fazer leitura labial da banca que contava os votos. Conseguiu ler três vezes Tadeu e duas Roberto, depois desistiu de tentar. O presidente do partido iria anunciar o resultado.

 

05. INTERNA – DIA – AGÊNCIA VERITAS

Rebeca e Davi marcaram uma visita dela à agência dele. Chegou o dia e ela estava muito ansiosa. Ela estaciona o carro e, por coincidência, encontra Davi entrando.

 

Rebeca: Davi! – grita.

 

Davi: Ei! – acena.

Ela sai do carro rapidamente,  dirige-se ao homem e os dois se cumprimentam.

 

Davi: E então? Ansiosa?

 

Rebeca: Muito. Quero entender como funciona tudo…

 

Davi: Então vamos lá.

Rebeca e Davi entram na agência e começam a andar pelas salas.

 

Davi: Aqui é a edição de vídeos. A gente tem todos os equipamentos necessários para as campanhas de televisão. Pessoal, essa é a Rebeca, uma de nossas novas contratações no setor de Fotografia. – diz, mostrando Rebeca para as pessoas que estavam na sala. Ela cumprimenta a todos e é cumprimentada.

Os dois continuam a caminhada pela agência.

 

Davi: Em cima é a sala dos diretores e ali é a parte de fotografia. Lá você não quer ir, né? – diz, irônico.

 

Rebeca: Não, nem me interesso. – responde, igualmente irônica.

Os dois entram no setor de fotografia e os olhos de Rebeca brilham ao ver a estrutura do estúdio. Havia também uma sala reservada às revelações da maneira antiga e máquinas modernas para impressões de fotos digitais. Um ensaio estava sendo realizado, então os dois apenas observaram.

Alguns minutos, após poses da modelo e ordens do fotógrafo.

 

Davi: Murilo?

 

Murilo: Oi, Davi. Tudo bem?

 

Davi: Tudo. Olha, essa é a Rebeca, uma das nossas novas fotógrafas.

Murilo olha para Rebeca e a cumprimenta.

 

Murilo: Vocês estão tentando embelezar o casting de fotógrafos ou é impressão minha? Vou perder meu emprego? – diz, galanteador e brincalhão.

 

Rebeca: Obrigada pelo elogio, Murilo.

 

Murilo: E então? Fotografa desde quando?

 

Rebeca: Pouco tempo. Fiz o curso e comecei há pouco tempo. Graças a oportunidade do Davi, estou aqui.

 

Davi: Puro mérito dela.

 

Murilo: Eu imagino. Seja bem-vinda.

 

Rebeca: Obrigada.

 

Rebeca e Davi saem da sala de fotografia e continuam o passeio pela agência.

 

 

06. INTERNA – DIA – COMITÊ DO PARTIDO

 

O presidente do partido vai em direção ao palanque.

 

Presidente do Partido: Independentemente do vencedor dessa disputa, tenho absoluta certeza que nosso partido estará bem representado nessas eleições, levando nossas crenças para o estado do Rio de Janeiro. – Ele pega a folha de caderno que levou consigo e olha para ela, já sabendo o resultado, mas introduzindo o anúncio. – Com 58% dos votos, parabéns… Roberto Pelegrini! O mais novo candidato a governador pelo estado do Rio de Janeiro! – Roberto se levanta e é aplaudido por todos, com os braços abertos, sorrindo de orelha a orelha.

07. INTERNA – NOITE – COPACABANA PALACE – AUDITÓRIO

Toda a família Andrade compareceu ao evento que premiaria Carol. Estavam reunidos na área do salão quando Nora chega com Davi, chamando a atenção dos filhos. Mas não pelo acompanhante, e sim pela bolsa que carregava consigo. Era a única que cabia o aparelho que media seus batimentos cardíacos, uma bolsa amarela com detalhes em prata, um pouco grande.

 

Carlos: Desde quando ela perdeu a noção de moda? – sussurra para Sara.

 

Sara: Ela era meu exemplo de classe. – responde.

 

Carlos: O meu também.

 

Júnior: A vovó deixou ela sair com isso?

 

Tomás: Essa bolsa não está combinando, né Vi? – pergunta, encostando no ouvido da esposa.

 

Vitória: Não, amor. Mas não comenta, tá?

 

Nora: Boa noite.

 

Todos: Boa noite, mãe.

 

Vitória: Boa noite, Nora.

 

Carlos: Que bolsa linda, mãe.  Combinando muito com seu vestido roxo.

Nora sente que foi uma crítica velada, mas para não se justificar, apenas agradece.

 

Nora: Obrigada, Carlos. E a homenageada da noite? Onde está?

 

Rebeca: Ainda não chegou.

Quando todos silenciam, o aparelho de Nora dá o seu bip dentro da bolsa. Todos escutam e olham seus celulares para verificarem se há alguma chamada ou mensagem. Nora, sabendo que é o aparelho, procura o celular dentro da bolsa e finge olhar.

 

Sara: É o seu?

 

Marcelo: Não. É o seu?

 

Júnior: Também não.

 

Nora: Enfim, há alguma mesa reservada para familiares?

 

Carlos: É um auditório, mãe.

 

Nora: Ah!

 

Gabriel: Olha a Larissa. E a tia Carol.

Carol, Roberto e Larissa chegam ao local do evento.

 

Nora: Filha! Que orgulho! – diz, abraçando a filha.

 

Carol: Obrigada, mãe. – agradece, reparando na bolsa da mãe.

 

Sara: Irmã!

 

Carol: Oi. – diz, ao abraçar Sara. – Que bolsa é aquela? – sussurra no ouvido da irmã.

 

Sara: Ninguém entendeu também.

 

Larissa: Meu Deus. A bolsa da sua avó vai chamar mais atenção que o prêmio da Carol.

 

Gabriel: Não fala assim… – diz, rindo.

 

Roberto: Vamos entrar ou não?

 

Carol: Vamos. – ela aperta a mão de Roberto.

 

Roberto: Nossa, como sua mão está gelada.

 

Carol: Nervosa. Muito nervosa.

Os Andrades entram, sentam-se, e a premiação começa. Alguns premiados depois…

 

Apresentador: E a próxima categoria premia os jornalistas que não se contentam com as editorias de jornais e correm atrás de pautas que mexem com a história do Brasil, com a sociedade e, quem sabe, com você. Premiaremos agora a categoria Jornalismo Investigativo. E os indicados são: Amélia Mendonça, pela matéria ‘Infância Roubada: a realidade da prostituição nas estradas brasileiras’; Carol Andrade, pela matéria ‘Desaparecidos: um retrato dos “inexistentes” da ditadura’; e Júlio Sá, pela matéria ‘Raves: perigosa diversão’.

Toda a família se mostra ansiosa pelo anúncio.

 

Apresentador: E o Prêmio Esso de Jornalismo vai para… – ele abre o envelope. – Carol Andrade.

Os Andrades vibram pelo prêmio de Carol. Ela se levanta, emocionada e ganha um beijo de Roberto. Os fotógrafos avançam em cima da cena. Nora também levanta, com a bolsa amarela, e é fotografada abraçando a filha.

Carol sobe ao palco para agradecer e receber o prêmio.

 

Carol: Bem, boa noite. Primeiro, eu queria agradecer a todos que sempre acreditaram e confiaram no meu trabalho, todos do Ágora, mas, principalmente, meu eterno amigo Frank Lemos. Em segundo, à minha família e ao meu companheiro Roberto, obrigada pela paciência. E eu queria dedicar o prêmio ao meu tio Paulo, onde quer que ele esteja. Você foi a motivação, a procura e o resultado de tudo o que escrevi. Descanse em paz, tio. E que todos que possuem familiares desaparecidos da época da Ditadura, que não desistam de procurá-los. Eu encontrei meu tio e vocês podem encontrar também. Obrigada.

Carol é muito aplaudida e sai do palco, muito emocionada.

08. INTERNA – NOITE – COPACABANA PALACE – SAGUÃO

 

Sara e Marcelo andavam abraçados em direção a saída. Gabriel andava com Eduardo e Rafaela atrás. Os gêmeos faziam pirraça.

Rafaela: Mãããe! Olha o Dudu!

 

Eduardo: A Rafa começou!

 

Sara: Ah não! Não comecem agora, por favor… Eu tô exausta. – Ela olha pra trás. E os dois param de brigar.

Marcelo: Sua irmã escreve bem, né? Foram só elogios… – Ele comenta depois de um tempo.

 

Sara: Pois é, foi um trabalho muito comprido, tomou muita dedicação dela, noites e noites só na base do café e de eventuais ligações para a irmã insone. – Ela ri.

Marcelo: É uma família muito talentosa mesmo… – Ele diz sedutor. – Em todos os ramos.

 

Sara: Hm, não sei se fico lisonjeada ou cabreira com a Carol… Quem sabe o Carlos? – Os dois riem e se beijam.

Nisso, Rafaela e Eduardo começam a brigar e se bater. Gabriel, então, para resolver, começa a falar alto e grosso. Antes que Sara pudesse fazer alguma coisa, Marcelo se vira e anda em direção aos filhos. Ele segura a mão de Eduardo com força, que estava com a mão levantada para bater em Rafaela.

Marcelo: Eduardo, sua mãe trabalhou o dia inteiro e agora está aqui nesse evento, você tem noção como ela tá cansada? – Eduardo olha para o namorado da mãe assustado com o tom de voz dele. Rafaela e até Gabriel e Sara também olham surpresos. – Pare com essa briga agora! Ou vou ter que tomar providências maiores!

 

Sara e seus filhos ficam quietos, em parte chocados com a atitude de Marcelo. Ele volta para perto de Sara e coloca a mão sua cintura.

Marcelo: Vamos? – Eles caminham. Eduardo e Rafaela ficam calados, assustados. Gabriel, também calado,  irrita-se, controlando a vontade de responder ao homem. Sara fica incomodada, mas não diz nada.

09. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO – SALA

 

Carol, Roberto e Larissa chegam em casa do jantar de comemoração que tinham feito depois, tanto do prêmio de Carol quanto da candidatura de Roberto. A menina vai logo para seu quarto, enquanto os dois jogam seus pertences na sala.

Carol: Roberto, estou tão contente que você conseguiu a candidatura, mas eu pensei numa coisa lá no carro…

 

Roberto: O quê foi?

 

Carol: Na verdade é mais uma preocupação. E se resolverem te atingir de novo, por causa das suas lutas políticas? E se conseguirem pegar Larissa de novo? Foi horrível como foi, mas todos nós sabemos que poderia ter sido pior.

 

Roberto: Eu sei… – Ele senta-se no sofá, reflexivo – Já pensei nisso. Família vem em primeiro lugar. De jeito nenhum vou arriscar perder Larissa de novo. Mesmo que isso signifique fingir que sou cego.

 

Carol: Fico mais tranqüila. – Ela sorri. – Agora outro assunto quase tão assustador quanto: Os Andrades.

 

Roberto: Uau. Desde que me familiarizei com o conceito de Andrade Express, esse é o primeiro que conseguiu envolver todos os membros da família.

 

Carol: Estou impossível hoje, o que dizer? – Ela joga os cabelos para trás, fazendo cara de esnobe. – Mas então, que tal juntarmos a família no fim de semana e contar para eles todos juntos. A regra dividir para conquistar não se aplica nesse caso.

 

Roberto: Por mim, fechado. Poderíamos chamar a Lílian também. – Carol concorda e continua falando.

Carol: Mas isso não inclui a Larissa. Ela é diretamente envolvida no nosso casamento e temos que contar para ela antes de todo mundo. Eu sugiro agora, que acha?

 

Roberto: Eu acho que amo você. Acho não, tenho certeza. Vamos contar agora sim. Não se preocupe, eu tenho certeza que ela vai amar a idéia. – Ele diz sorrindo, sabendo que Larissa já sabia.

 

Carol: Que bom, porque namorada do pai é uma coisa, madrasta é outra, né?

 

Larissa: Uhum, madrasta é malvada. – Ela chega à sala e se senta, séria.

Carol: Larissa? Você está aqui há quanto tempo? – Ela pergunta preocupada.

 

Larissa: Tempo suficiente. – Ela se mantém séria. Roberto disfarça o riso, sacando a da filha.

Carol: E o que você acha disso?

 

Larissa permanece séria por alguns segundos e depois cai na gargalhada. Roberto não se segura e ri também. Carol olha para os dois, confusa.

Larissa: Eu amei a novidade, Carol! Meu pai me contou todo o plano antes de propor para você! Não foi lindo?

 

Carol: Seu cafajeste! – Ela dá um tapa de brincadeira em Roberto. Depois se direciona à Larissa. – E você também! Fiquei toda preocupada! Isso não se faz! – Roberto e Larissa ainda riam.

Roberto: Eu disse amor, que ela não ia se importar.

 

Larissa: Eu amo a idéia de vocês dois casados, Carol. Vai calar a boca de um monte daqueles primos invejosos do meu pai. Além do quê, você já está tão presente na minha vida, que é impossível que isso seja um problema. – Ela se levanta e dá um abraço em Carol e outro em seu pai. – Parabéns! E boa sorte com seus irmãos, Carol.

 

Os três riem, satisfeitos.

 

 

10. EXTERNA – DIA – RESTAURANTE HONG-LI

Carol e Sara almoçavam juntas no dia seguinte à premiação.

 

Sara: Achei! Meu Deus… – diz, folheando um jornal.

 

Carol: Aqui também tem. – responde, navegando na internet pelo seu notebook.

 

Sara: Carol Andrade recebe Prêmio Esso de Jornalismo, mas o que chamou atenção foi a combinação de sua mãe, que usava um acessório nada discreto. – lê a legenda de uma das fotos.

 

Carol: Aqui ela está entre as mais mal vestidas do evento. O que deu na mamãe de usar aquela bolsa, Sara?

 

Sara: Só perguntando pra ela. Vou mandar mensagem para o Carlos, mandando olhar esse site.

Enquanto Sara digita a mensagem, Carol fecha a janela e vê uma foto que ela e Roberto tiraram no dia que ele a pediu em casamento.

 

Carol: Sá…

 

Sara: Pronto. Enviei. O Carlos vai morrer de rir com esse site.

 

Carol: Vai, vai… – responde, quase desistindo de puxar o assunto com a irmã. – E você e o Marcelo, como vão?

 

Sara: Bem. Alguns problemas de casal formado por pais separados, mas nada insuperável.

 

Carol: Problema com os meninos?

 

Sara: É, o Marcelo tentou dar ordens para eles e eles não reagiram bem. Nem eu, pra ser sincera.

 

Carol: Complicado. Você quer que eles o respeitem, mas ao mesmo tempo…

 

Sara: ‘Em filho meu…’

 

Carol: ‘… quem bate sou eu’, já dizia a mamãe.

 

Sara: Espero que eles não comentem nada com o pai, senão nem sei o que pode dar.

 

Carol: Mas foi tão grave assim?

 

Sara: Não. Mas você não conhece os seus sobrinhos criativos demais?

 

Carol: Ainda bem que a Larissa já é bem grande quanto a isso e não precisa de ordens da… nova mãe, aqui. – diz, tentando dar uma indireta para a irmã, mas um bip do celular de Sara interrompe a tentativa.

 

Sara: É o Carlos. Ele já viu o site. Está imprimindo e vai levar para a mamãe.

As duas riem e Carol prefere não tentar mais conversar com sua irmã sobre seu casamento.

11. INTERNA – DIA – HOSPITAL

Tomás e Vitória estavam no hospital para visitar Lucas. Vitória já estava na UTI, enquanto Tomás a aguardava. Desde o dia que o viu debilitado, Tomás nunca mais tinha entrado na UTI para ver Lucas. Apenas recebia as notícias que Vitória levava.

 

Caio: Oi. – diz, sorridente, aproximando-se.

 

Tomás: Ei, rapaz! Tudo bem? – diz, fazendo um carinho na cabeça do menino.

 

Caio: Tudo.

 

Isabel: Oi, Tomás.

 

Tomás: Oi, Isabel, tudo bem?

 

Isabel: Na medida do possível.

 

Tomás: Algum problema?

 

Isabel: Nada demais. Alguma novidade sobre o Lucas?

Tomás e Isabel percebem que Caio estava atendo à conversa.

 

Tomás: Caio, por que você não vai ali na máquina e compra um refrigerante?

 

Caio: Oba!

Tomás dá moedas para Caio e o menino sai correndo.

 

Isabel: Não corre, Caio! – alerta. – E então? Alguma novidade?

 

Tomás: Ele piorou. Continua respirando por aparelhos, mas agora os rins estão falhando.

 

Isabel: Ai, meu Deus. Ele está acordado?

 

Tomás: Os médicos o mantêm sedado ora sim, ora não. Acredito que eles devem acordá-lo na hora da visitas. A Vitória me disse que ele não fala nada, só olha e escuta.

 

Isabel: Oh, meu pai. O que vai ser desse menino se o pai dele não sair dessa?

Caio volta com o refrigerante e é observado por Tomás.

 

Tomás: Não sei. Não sei.

 

Caio: Quer? – diz, oferecendo refrigerante a Tomás.

 

Tomás: Não, obrigado. Pode beber tudo.

Caio suga a bebida pelo canudo, fazendo barulho. Tomás ri.

 

Caio: O meu preferido é o de uva.

 

Tomás: É? O meu é o de guaraná.

 

Caio: Eca.

 

Isabel: Caio!

 

Tomás: Ah, Caio. Você é uma figurinha, sabia? – diz, rindo

Nesse instante, Vitória sai da UTI.

 

Vitória: Caio!

 

Caio: Oi!

 

Isabel: Vamos lá ver o papai, Caio?

 

Vitória: Na verdade, Isabel, o Lucas pediu que o Tomás entrasse.

Tomás e Isabel não entendem.

 

Tomás: Por quê?

 

Vitória: Ele disse rapidamente que quer falar com você.

 

Isabel: Ele está falando?

 

Vitória: Sussurrando. Pedi ao médico que me ajudasse a entender.

 

Tomás: Tudo bem, eu vou lá. – diz, dirigindo-se à porta.

 

Caio: Ei. – grita, correndo até Tomás. – Entrega pra ele? – diz, dando um desenho num papel para Tomás.

Tomás se emociona com o gesto.

 

Tomás: Entrego sim.

Caio sorri para Tomás, e o Andrade entra para falar com Lucas.

 

12. EXTERNA – DIA – RESTAURANTE VILLAGIO DI ROMA

 [♫ – Só tinha que ser com você,  Elis Regina]

Nora e Davi também almoçavam naquela tarde. Ela estava com sua bolsa amarela, escondendo o aparelho. Davi já havia notado a repetição da bolsa, mas preferiu não comentar.

 

Nora: Davi?

 

Davi: Não, nada. Só estava reparando uma coisa, mas deixa pra lá. E a noite de ontem? Orgulhosa da filha?

 

Nora: Muito, muito. Quando chegar em casa vou ver as notícias na internet. Deve estar cheio de fotos da Carol e da nossa família.

 

Davi: Com certeza.

De repente, um bipe.

 

Davi: Acho que foi o seu celular.

 

Nora: O quê?

 

Davi: O bipe.

 

Nora: Que bipe?

 

Davi: Você não ouviu?

 

Nora: Não… – se faz de desentendida e finge olhar o celular para ter certeza.

 

Davi: Hum. – diz, não ligando mais para o assunto. – Sua família é muito espirituosa. Pareciam torcedores fanáticos ontem torcendo pela irmã, se pudessem levar cornetas e apitos para fazer barulho quando ela ganhou, teriam levado.

 

Nora: Eu não diria espirituosos, diria competitivos. – diz, rindo.

 

Davi: Você tem sorte, Nora. Uma família grande, unida, que se preocupa com você.

 

Nora: Por que você não teve filhos?

 

Davi: Eu nunca senti que encontrei a pessoa certa.

 

Nora: Nossa. – surpreende-se.

 

Davi: É verdade. Dizem que todo mundo tem a sua metade da laranja. Eu digo: eu não achei a minha.

 

Nora: Não diga isso! Somos jovens ainda. – diz, pegando na mão de Davi.

 

Davi: Talvez. Podemos fazer muito suco de laranja juntos ainda, não é mesmo?

Os dois riem e continuam o almoço.

13. INTERNA – DIA – UTI DO HOSPITAL

Tomás entra na UTI e procura pela maca de Lucas. Ele havia sido trocado de lugar desde a última vez que Tomás esteve lá. Quando o avista, vai ao seu encontro.

 

Tomás: Lucas?

Lucas abre os olhos e encara Tomás.

 

Tomás: Você queria falar comigo?

Lucas faz um esforço e tira a máscara de oxigênio, respirando fraco.

 

Lucas: Tomás… eu não vou agüentar…

 

Tomás: Lucas, põe isso, por favor, você pode piorar. – diz, tentando colocar a máscara de novo em Lucas. – Enfermeira!

Uma enfermeira vem e coloca a máscara em Lucas e pede que ele se acalme. Quando ela sai, Lucas repete o gesto.

 

Lucas: Eu… nunca esqueci… a Vitória. – diz, respirando fundo entre as palavras.

 

Tomás: Eu sei, Lucas. Mas você não precisa dizer isso agora, descanse.

 

Lucas: Eu só… queria dizer… que eu perdi… tudo na vida… e a Vi… foi a maior perda… de todas.

Tomás não consegue não se emocionar com aquela cena.

 

Lucas: Não deixa… ela sofrer. – diz, perdendo o fôlego.

O aparelho de Lucas emite seguidos BIPs e Tomás fica alerta. Ele coloca a máscara de oxigênio em Lucas de novo.

 

Tomás: Eu conheci o seu filho. Ele te mandou isso. – diz, abrindo o papel que Caio mandou para Lucas olhar.

Tomás vê uma lágrima caindo do rosto de Lucas quando ele mostra o desenho.

 

Tomás: Eu vou deixar aqui para, quando você sair, ficar com ele.

 

Enfermeira: Senhor, o paciente já se agitou demais por hoje, melhor terminar a visita.

Tomás olha para Lucas e se despede, saindo.

14. INTERNA – DIA – HOSPITAL

Vitória estava com Isabel e Caio, esperando o retorno de Tomás.

 

Vitória: E seu time?

 

Caio: Fluminense! – responde, animado.

 

Vitória: Ah, é? O mesmo do Tomás, sabia?

 

Caio: Eu sei! – diz, esperto.

 

Vitória: Ele é fanático.

 

Caio: O Fluminense é o melhor time do mundo.

Vitória dá um sorriso e observa Tomás sair da UTI.

 

Vitória: E então? O que era?

 

Tomás: Ele só queria saber a verdade sobre o quadro dele. Achava que estavam enganando ele.

 

Vitória: E você?

 

Tomás: Disse o que sabia, que não era diferente do que ele sabia também.

 

Vitória: Hum…

 

Vitória encara Tomás, que não estava com uma expressão muito boa e tem uma idéia.

 

Vitória: Isabel, a gente pode levar o Caio para comer uma pizza amanhã? Que tal?

Tomás não entende a sugestão da mulher, mas não vê problema.

 

Isabel: Você quer Caio?

 

Caio: Pode ser…

 

Vitória: Vamos, Caio. Vai ser divertido.

 

Isabel: Ah, por mim tudo bem.

 

Vitória: Então nós passamos pra te pegar às 20h.

 

Caio: Você dirige? – pergunta, espantado.

 

Isabel: Caio! – chama a atenção do menino.

 

Vitória: Não, não dirijo. É o Tomás que vai dirigindo.

 

Caio: Aaah…

 

Isabel: Então, vamos? Amanhã esse garotinho vai estar pronto às 20hs.

 

Tomás: Até lá, então.

Os quatro se despedem e saem do hospital.

15. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS – QUARTO

 

Carlos e Diego estavam na cama, abraçados.

Carlos: E você não queria comprar aquele chantilly… Brega, cafona, ridículo? Olha aqui, tá vazio. – Ele balança a lata que estava em cima do criado-mudo.

Diego: Tenho que lembrar de escovar os dentes depois, se não dá cárie. – Os dois riem.

Carlos: Como é bom uma noite de paz sem o bipe do teu pager. Aquela praga dos infernos.

 

Diego: Amanhã é outra noite que não vou dar plantão.

 

Carlos: Acha que consegue ficar a noite inteira sem receber nenhuma chamada?

 

Diego: Ah, isso é imprevisível, né Carlos? Mas as chances aumentam…

 

Carlos: Hm, temos que começar a noite de amanhã desde já, então.

 

Diego: Pensei em um jantarzinho lá em casa. Quase sempre sou eu que estou aqui.

 

Carlos: Uau, que Casanova você. Sua casa, fechado! Dessa vez eu levo calda de chocolate. – Ele pisca e os dois riem.

 

 

16. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA – SALA

 

Sara estava no sofá da sala, ainda de pijama, com um prato de torradas com manteiga na mesa de centro. Ela comia e assistia à TV. Enquanto isso, seus três filhos se arrumavam  para esperarem o pai ir buscá-los para passar o . Ela escuta a campainha.

Eduardo: Pai! Pai! – Ele surge correndo ainda sem camisa e abre a porta antes de Sara poder chegar nela. Quando Fernando aparece atrás da porta, Dudu o abraça. E Sara fica observando.

Sara: Oi, Ferdi. – Ela cumprimenta de longe, sorrindo. Fernando se aproxima e a beija no rosto. – Por que esse ânimo todo?

 

Eduardo: Papai vai nos levar no Jardim Botânico. Ele disse que dessa vez ele me deixa levar caramujos pra casa. – Sara olha pra Fernando, achando graça.

Fernando: Dudu! Era nosso segredo. – Ele olha para Sara. – Lá pra casa, não pra cá, certamente.

 

Sara: Então tá, pode levar os caramujos para sua casa, desde que eles não acabem parando na roupa da Rafaela. – Eduardo não esconde sua decepção com essa última ordem da mãe. Gabriel aparece acompanhado de Rafaela. Os dois cumprimentam o pai.

Fernando: Vocês estão prontos?

 

Rafaela: Uhum! – Ela diz com uma mochila rosa nas costas.

Eduardo: Você pegou os potinhos que o Gabs deu pra gente?

 

Rafaela: Peguei, peguei! Você que é o esquecido, Dudu! E o binóculo?

 

Eduardo: Tá aí. – Ele mostra a língua pra irmã, demonstrando que não gostou de ser chamado de esquecido.

Os dois adultos se entreolham, curiosos.

Gabriel: É aquele binóculo que a gente ganhou de brinde do McDonald’s. – Ele diz pros pais rindo. – Eles querem explorar o Jardim Botânico.

 

Fernando: Explorar é uma ótima idéia. Aposto que eu vou ver o jardim como nunca vi. Você bem que podia ir, não é, Sara? – A Andrade fica surpresa com a proposta.

Sara: Isso é um convite?

 

Fernando: Mas é claro que é. Quer ir ao Jardim Botânico comigo e com nossos filhos? – Ele sorri, meio galanteador. Sara ri de volta. Gabriel percebe um clima estranho no ar.

Sara: Hm, não sei! A idéia de ficar aqui em casa, feia e acabada, deitada no sofá e assistindo séries me parecia tão confortável.

 

Eduardo e Rafaela: Vamos, mãe! Vamos! Vamos! – Eles olham para ela com cara de dó.

Gabriel: A gente pode tomar aquele sorvete de tiramisú depois… – Ele pisca para o pai, que sorri pro filho, e depois faz cara de desentendido.

Sara: Ai, sorvete de tiramisú é sacanagem… Ok, só esperem eu tomar um banho rapidinho. – Ela parte em direção ao banheiro. Enquanto o resto da família se senta na sala e muda de canal.

 

 

17. EXTERNA – DIA – FEIRA

 

Nora e Diva saíram para fazer compras numa feirinha perto de casa. Nora colocou o aparelho para medir seus batimentos dentro da sacola de compras, para Diva não descobrir.

 

Diva: Incrível como o preço do maracujá só aumenta. Nunca mais comi uma boa mousse de maracujá por causa disso.

Nora entende a indireta e pega alguns maracujás na banca.

 

Diva: E como vai o seu romance com o Davi? Você me ama tanto que escolheu um homem com o nome com as mesmas letras que o meu. Me diga, ele é a minha versão masculina?

 

Nora: Eu juro que foi aleatório. – ironiza – Mas estamos bem, se é isso que a senhora quer mesmo saber.

 

Diva: Tomates. – diz, apontando uma banca. – Você viu o papel que o Carlos deixou na sua cama ontem?

 

Nora: Vi, mãe. Se não fosse meu filho, eu já teria expulsado ele do Rio de Janeiro, se pudesse.

 

Diva: Mas, convenhamos, onde você estava com a cabeça quando usou aquela bolsa horrenda, Nora?

 

Nora: Eu tive meus motivos, mamãe.

 

Diva: Alzheimer?

Nora para e encara Diva, reprovando o comentário.

 

Diva: Anda, menina. Pegue alface. Estamos também sem temperos. Acabou o cominho.

 

Nora: Assim eu não agüento carregar essa sacola.

 

Diva: Como você é fraca. Anda, me dá essa sacola que eu mostro para você do que uma senhora de mais de 80 é capaz.

Diva tenta pegar a sacola de Nora a força e a filha tenta impedir, com medo que a mãe descubra o aparelho.

 

Nora: Não precisa, mãe. – diz, puxando.

 

Diva: Claro que precisa, você só fica ai reclamando. – devolve, puxando.

 

Nora: Eu já disse que não precisa, mamãe. – dá um puxão mais forte.

 

Diva: Menina teimosa. – puxa mais forte e derruba tudo no chão.

 

Nora: Mãe! Olha o que a senhora fez?!

 

Diva: O que é isso? – diz, apontando para o fio pendurado no peito de Nora.

Nora olha para o fio e vê que o aparelho está pendurado. Ela se abaixa para recolher o aparelho e as coisas que caíram, recebendo a ajuda das pessoas.

 

Nora: Satisfeita?

 

Diva: Você não precisa se envergonhar disso, Nora.

 

Nora: Não é vergonha.

 

Diva: Eu sei. É medo.

Nora encara Diva, que se vira e continua a andar.

 

Nora: A senhora não pode tratar isso de forma normal. Eu posso estar doente. – diz, fazendo a mãe parar de andar.

 

Diva: Nora, por favor. Doentes todos nós ficamos. Você não precisa encarar isso como o fim do mundo. Quase tudo tem cura hoje em dia. – vira-se para a filha.

 

Nora: Eu tenho medo pelos meus filhos. Não quero preocupá-los.

 

Diva: Aposto que esse exame não vai dar nada e você vai sair disso como eu, uma rocha. Você tem meu gene, menina. Não se abate por qualquer coisa. E vamos que eu já estou com vergonha por todo esse barraco que você armou.

Nora encara a cena de sua mãe dar as costas e observa o aparelho na sacola. Bip.

18. EXTERNA – DIA – JARDIM BOTÂNICO

 

A família Andrade-Viana saía do jardim japonês e caminhava em direção à fonte principal. Eduardo já tinha um caramujo dentro de um dos potinhos e um tatuzinho em outro. Rafaela, com nojo dos animais,  limitava-se a procurar com o binóculo os bichos-preguiças que dizia-se habitarem o Jardim Botânico e catalogar no seu caderninho os tipos de planta que via. Os dois contavam sempre com o auxílio de Gabriel.

Sara: Gente, há tempos que eu não me divertia tanto assim num passeio ao ar livre. Bem que você disse, esses dois fazem você ver a natureza com outros olhos. De Indiana Jones. – Ela sorria, caminhando ao lado de Fernando.

 

Fernando: Pois é, eu fico o tempo todo de olho por passagens secretas, cavernas escondidas, mapas do tesouro. – Os dois riem tranquilamente. – Agora me diz se não valeu a pena sair de casa. Bem melhor que chorar as mágoas dos pacientes e doutores de Grey’s Anatomy, não é?

 

Sara: Bem… – Ela finge hesitar. – Cada um tem seu momento, né?

 

Fernando: Trocado por um seriado água com açúcar. Estou ofendidíssimo. – Ele faz caras e bocas. Sara ri.

Rafaela: Olha, pai! – Ela grita lá da frente, com o binóculo em uma mão e a outra apontando para cima.

Fernando e Sara correm até a filha, curiosos.

Sara: Achou o bicho-preguiça?

 

Rafaela: Não, mas olha, é um pavão em cima da árvore! – Ela comenta animada.

Fernando: Olha que legal, filha!

 

Sara: Que lindo, não é? – Os dois estavam realmente interessados.

Eduardo: Mas Gabs, pavão voa?

 

Gabriel: Não sei. Acho que voa, né? Pra chegar ali em cima…

 

E assim ficaram os cinco, por algum tempo, fazendo nada mais que observando aquela ave tão exótica. Quando Sara tirou a atenção do bicho por um momento, percebeu que ali eles estavam, agindo como uma família novamente. No primeiro instante, teve medo do que poderia ser, mas então simplesmente sentiu-se feliz.

BIP! Era o celular de Sara interrompendo a corrente de pensamentos. Ela viu o visor e atendeu.

Sara: Alô, Carol!

 

 

19. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE TOMÁS

 

Tomás e Vitória estão em casa se arrumando para buscar Caio.

 

Tomás: Em qual pizzaria vamos?

 

Vitória: A Vinolli. Estou louca para comer aquela massa.

 

Tomás: Tudo bem.

 

Vitória: Será que ele vai gostar?

 

Tomás: Criança adora pizza.

 

Vitória: Eu sei. Mas eu queria que fosse especial, sabe? Criança não tem dimensão do que está acontecendo. Ele acha que o pai está apenas machucado, dodói, como ele mesmo diz.

 

Tomás: Eu sei. Para criança é mais fácil lidar. No dia seguinte só fica a lembrança, não sofrem.

 

Vitória: Nossa. Estamos falando como se…

 

Tomás: Verdade.

BIP. O celular de Tomás bipa e vibra.

 

Tomás: Oi maninha premiada.

 

Carol: Oi. Então, quero conversar um assunto com vocês. Casa da mamãe?

 

Tomás: Ih, não vai dar. Eu e Vi estamos de saída.

 

Carol: Poxa, estou me sentindo uma velha querendo reunir a família num sábado à noite e todos saindo para fazer alguma coisa. Até o Carlos está com um programa hoje. Romântico.

 

Tomás: Ele o Diego estão bem?

 

Carol: Acho que sim. Enfim, então fica para amanhã, fechado? Já falei com a Sara.

 

Tomás: Ok.

 

Carol: Beijo.

 

Tomás: Beijo.

Tomás desliga.

 

Tomás: Reunião Andrade amanhã.

 

Vitória: Tá… Separa meu dorflex.

Tomás olha para a mulher, espantado com o comentário.

 

Vitória: Brincadeira, bobo. Vamos?

 

Tomás: Vamos.

Tomás empurra a cadeira de Vitória até a porta e os dois saem.

20. INTERNA – NOITE – PRÉDIO DO CARLOS – HALL

 

Carlos está fechando a porta do apartamento, quando Pâmela aparece na porta do dela, só de baby-doll.

 

Carlos: Sábado à noite e você em casa?

 

Pâmela: Dor de cotovelo. Fui abandonada.

 

Carlos: Por quem?

 

Pâmela: Ah, um carinha ai que conheci na balada. Achei que fôssemos prolongar, mas…

 

Carlos: Hum.

 

Pâmela: Mas, pelo visto, parece que alguém teve mais sorte que eu. Casa do Diego?

 

Carlos: Pois é, né…

 

Pâmela: Camisa nova, não é?

 

Carlos: Você anda mexendo no meu guarda-roupa?

 

Pâmela: Qual é, Carlos? Há quanto tempo moramos um de frente pro outro?

 

Carlos: Olha, hoje passa a reprise da series finale de Sex and the City. Trate de gravar pra gente ver depois. Não ache que eu esqueci do nosso programinha semanal. – Ele pisca para ela.

 

Pâmela: Sim, senhor.

Carlos e Pâmela jogam beijos um para o outro e ele vai embora.

BIP.

 

Pâmela: Meu jantar! – ela sai correndo para tirar a lasanha do microondas.

21. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE DIEGO

 

Carlos e Diego estavam jantando. O médico havia cozinhado uma refeição completa com salada, pasta e pavê de sobremesa, regado a muito vinho. Os dois agora deliciavam-se com a sobremesa.

Carlos: Não conhecia esse seu lado gourmet. Já pode casar, viu?

 

Diego: Isso é uma indireta? – Ele arqueia uma sobrancelha. Os dois riem. – Além do mais, eu já fui casado, esqueceu? – Ele brinca.

Carlos: Como esquecer? Nós dividimos a mesma psicóloga. O que ela deve ouvir falar de você, não é fácil.

 

Diego: Quer dizer que você fica falando de mim, então? – Ele provoca.

Carlos: Falar, eu falo. A questão é se bem ou mal. – Ele responde. – Daí depende de como você se comporta.

Diego: E como eu tenho me comportado? – Ele se inclina sobre a mesa, se aproximando de Carlos.

 

Carlos: Hm… Deixa eu pensar. – Enquanto Carlos finge pensar, Diego se aproxima cada vez mais para beijá-lo.

BIP. Campainha.

Carlos: Ué? Quem é?

 

Diego: Talvez seja o porteiro para avisar alguma coisa. Vai ver o interfone quebrou. Deixa eu ver… – Ele se levanta e vai até a porta. Carlos vai atrás.

Quando Diego abre a porta, dá de cara com Ingrid, seguida de seus dois filhos, Fábio e Micaela.

 

 

22. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

Vera e Rebeca estavam assistindo à TV no apartamento de Vera. Elas tinham planejado pedir uma pizza mais tarde e assistir a um filme em DVD. Vera sentia que precisava relaxar e tirar o pensamento de Davi e Saulo e aproveitou para passar mais tempo com sua filha.

Vera: Ok, qual é a ordem da noite? O Ilusionista, pizza e depois O Grande Truque?

 

Rebeca: Por mim, a gente pede a pizza já. Estou morrendo de fome. Depois que cheguei em casa lá da agência do Davi, super legal aliás, almocei e fiquei a tarde toda estudando com o Júnior. Não comi até agora.

 

Vera: Pega o telefone, que eu vou pegando os cardápios. – Ela se levanta para ir até a cozinha quando ouve o bipe da campainha.

Vera abre a porta. Saulo está do outro lado, segurando uma garrafa de vinho.

Saulo: Boa noite. – Ele sorri.

Vera: Saulo! Que surpresa! Não te esperava aqui.

 

Rebeca: Saulo! – Ela se levanta e o cumprimenta.

Saulo: Rebeca! Oi, não sabia que você estava aqui.

 

Rebeca: Hm, entendi. Jantar romântico. – Saulo cora.

 

Vera: Não, não! Não planejei nada! Nem sabia disso.

 

Saulo: Pensei em fazer uma surpresa, mas esperava que sua mãe estivesse sozinha.

 

Rebeca: Não por isso. – Vera olha para a filha, dando a entender que preferia passar a noite com ela, ao invés de com Saulo. – Aproveitem! – Ela pega suas coisas e sai. Vera resmunga alguma coisa.

Vera: Você realmente sabe fazer uma entrada, né? – Ela diz se distanciando da porta. – Entra.

 

Saulo: Se você quiser, eu vou embora. – Ele diz meio grosso. – Quem deveria não querer te ver, sou eu, Vera.

 

Vera: Desculpa, Saulo. Eu quero jantar com você sim. Que vinho é esse?

 

 

23. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA – SALA

 

Mal Sara havia chegado em casa do passeio com os filhos e o ex-marido, já havia ido se arrumar para sair com Marcelo mais tarde. Fernando tinha compromisso com a gravadora (“Essas correções fora de hora são o ponto fraco”, ele disse), logo Gabriel e os gêmeos ficariam sozinhos.

Marcelo já tinha entrado e cumprimentado os filhos de Sara que estavam assistindo à TV e agora esperava a namorada colocar um par de brincos.

Sara: Olha, eu não vou demorar muito. Mas qualquer coisa, você coloca os dois para dormir, né Gabs?

 

Gabriel: Hum. – Ele se limitou a acenar com a cabeça, sem tirar os olhos da TV.

Sara: Rafa, você não acabou o dever de matemática. Quando eu chegar, vou conferir se você fez, hein? Então nada de ficar enrolando! Gabriel, fica de olho nisso?

Gabriel: Hum. – A mesma atitude. Marcelo andava inquieto, frente a porta de entrada.

Sara: Tem o almoço na geladeira, é só esquentar. Ou se vocês quiserem, tem pão, queijo e presunto também. Faz um misto, Gabs, acho que é melhor pra essa hora.

 

Gabriel: Hum.

 

Sara: E não vai ficar na TV ou no computador até tarde! Depois você desestabiliza todo seu sono e fica ruim de acordar na segunda.

 

Gabriel: Hum. – Ele responde, sem se mexer. Marcelo, irrequieto vai até em frente à TV, pega o controle remoto e desliga.

Marcelo: Custa você responder para sua mãe, Gabriel? Não tá vendo que ela tá falando com você? – Todos os outros param, em choque.

Gabriel não sabe o que fazer. Ele sente uma corrente de adrenalina atravessar seu corpo e milhares de respostas atravessadas lhe vêm à mente. Tudo que ele faz é rir irônico, desacreditando, e levantar.

Gabriel: Com licença, mãe.

 

Antes que Sara pudesse dizer alguma coisa, Marcelo a interrompe.

Marcelo: Perdão? Que falta de educação é essa? Eu estou falando com você. E o que eu disse de tão engraçado para você rir?

 

Gabriel: Escuta. Você pode ser namorado da minha mãe, mas não é meu pai. Ou sequer alguém que eu respeite. Os dois – Ele diz sem apontar pros irmãos, que estavam um pouco assustados – são muito pequenos para fazer qualquer coisa, mas eu não sou obrigado a ouvir as grosserias que saem da sua boca. – Um breve silêncio se instaura. Todos ainda mais assustados, inclusive Gabriel que só percebeu o que disse depois de dizer.

Sara: Chega! Gabriel, essa não foi a educação que eu te dei. – Ela diz firme.

Gabriel: Mas mãe, ele…

 

Sara: Quieto. – Ela se vira para Marcelo. – E você, chega também. Não te dei liberdade para falar assim com meus filhos. As suas intenções podem ser boas, mas os nossos métodos e conceitos de educação são totalmente diferentes. – Ela diz a próxima parte pausadamente, para frisar sua idéia – E eu não quero você agindo desse jeito com meus filhos, está entendido?

 

Marcelo: Perfeitamente claro. – Diz a contragosto. Depois se vira para Gabriel e os gêmeos. – Me desculpem se fui grosso ou intrometido em qualquer momento.

 

Rafaela: Tudo bem.

 

Eduardo: Não tem problema.

 

Gabriel: Eu também peço desculpas pela minha atitude de agora há pouco. Não deveria ter dito o que disse. – Marcelo aceita as desculpas com um meneio e vai para perto de Sara.

Sara: Acho que nosso passeio já era por hoje, não é? – Ela diz ainda séria, abrindo a porta.

Marcelo pega sua carteira no balcão e sai sem mais uma palavra. Sara olha para os filhos, que olham de volta com um olhar culpado. Ela vai para seu quarto, também calada.

 

 

24. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE DIEGO

 

Carlos estava na sala, esperando com Fábio e Micaela, enquanto Ingrid e Diego conversavam na cozinha, com as portas fechadas. Volta e meia se ouvia a voz mais exaltada de um dos dois. Carlos resolve quebrar o gelo.

Carlos: Fábio e Micaela, hein? Bonitos nomes. – Os dois adolescentes olham para o homem e voltam o olhar para a TV ligada, sem realmente prestar atenção no programa. Os três estavam desconfortáveis. – Eu já tive um namorado chamado Fábio. – Micaela dá um risinho debochado, enquanto Fábio olha para Carlos sério. O Andrade logo se arrepende do que disse. – Quantos anos vocês têm?

 

Micaela: 15.

 

Fábio: 17.

 

Carlos: Hm, meu sobrinho tem 15 também. – Ele sorri, tentando ser simpático. – Você deve estar no terceiro ano do ensino médio, Fábio. Já sabe o que vai prestar de faculdade?

 

Fábio: Você trabalha com o que?

 

Carlos: Sou advogado. – Contente, achando que tinha conseguido criar um diálogo.

 

Fábio: Então, com certeza não vai ser Direito. – Micaela ri. Carlos fica sem graça.

Carlos: Uma pena, com esse gênio e retórica, você seria um ótimo advogado. – Fábio fica sem saber o que dizer e o sorriso de Micaela murcha.

 

Fábio: Você se importa se a gente só assistir à TV? – Ele responde atravessado.

 

Carlos: À vontade. – Ele se levanta e vai em direção ao banheiro, com intenção de lavar o rosto.

Quando passa pela porta da cozinha, ele pára para escutar, curioso.

Diego: Eu gosto muito dele, Ingrid. – Ele diz calmamente. – Ele é meu namorado e tem todo direito de vir para cá a hora que quiser.

 

Ingrid: Eu não estou me colocando entre vocês dois. Você que viva essa sua fase de experimentação livremente, mas você há de concordar que não é adequado ele estar aqui quando eu trago nossos filhos. Não vou expô-los a esse ambiente promíscuo, Diego.

 

Diego: Alto lá! Primeiro de tudo: não tem nada de promíscuo nessa casa. Você acha o quê? Que eu organizo orgias? Eu tenho um quarto, Ingrid, pelo amor de Deus! E em segundo lugar, eu não sabia que você viria trazê-los hoje. – Ingrid ia dizer alguma coisa, mas Diego o interrompe. – Não estou reclamando. É muito bom eles estarem aqui, eu estava morrendo de saudade e eu sei que nossa relação não tem sido a mesma desde a separação e eu quero muito mudar isso, mas eu não posso parar de viver minha vida esperando que você me traga meus filhos de surpresa.

 

Há um breve silêncio. Carlos estranha, e se senta, pois estava ficando com as costas doloridas. Ele então escuta a voz de Ingrid chorosa.

Ingrid: Até quando isso vai durar, Diego? É muito desgastante.

 

Diego: Para sempre, Ingrid! Isso que você não entende. É pra sempre. “Isso” sou eu e vai durar até o dia que eu morrer. – Carlos ouve um soluço. – Eu sei que é difícil pra você, pra mim também é. Mas o Carlos está me ajudando a superar isso tudo. Ele é um cara maravilhoso. Preciso que você dê uma chance para ele.

 

Ingrid: E as crianças? Levo elas de volta? – Ela diz enxugando as lágrimas.

Diego: Não, deixe elas aqui. Vai ser bom passar a noite com eles. E quero que eles conheçam o Carlos direito, também.

 

Ingrid: Como você quiser. É melhor eu ir, então. – Carlos ouve passos e se levanta rapidamente. Ingrid abre a porta. – Ah, oi Carlos.

 

Carlos: Ingrid. – Ele sorri.

Diego: Tem certeza que não quer tomar um café?

 

Ingrid: Não, estou bem. Obrigada. – Ela anda até a sala. – Eu estou indo. A gente se vê amanhã.

 

Fábio e Micaela: Tchau, mãe! – Eles se voltam e vão falar com a mãe.

Fábio: Dorme bem. Qualquer coisa me liga, tá? Vou deixar o celular do lado da cama. – Ele diz a abraçando.

 

Micaela: Te amo. – Dá um beijo na bochecha da mãe.

Ingrid: Também amo vocês.

 

Ingrid se despede de Diego e Carlos e sai.

Diego: E aí? Vocês estão com fome? Ainda tem macarrão!

 

 

25. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

 

O jantar de Vera e Saulo rolava há algum tempo. Eles conversavam banalidades, os dois no fundo desconfortáveis e com várias coisas que gostariam de dizer. Saulo é o primeiro a fazer isso.

Saulo: Vera, – Ele bebe um gole de seu vinho. – quero explicar porque eu estou aqui de verdade.

 

Ela sinaliza que está ouvindo.

Saulo: Eu fiquei muito mal depois daquilo que Nora me disse e da conversa que tivemos, mas muito pensativo também. – Ele toma ar, pensando em como colocar as próximas frases. – Eu decidi te dar uma chance. Eu sei como é complicado quando um ex aparece e mexe com sua cabeça. Mesmo que ele tenha aparecido por sua causa. Eu cansei de pedir para você ser sincera, então resolvi deixar rolar, porque percebi que Davi está bem com Nora, e não acho que ele represente perigo. – Vera escuta tudo com um semblante sério.

 

Vera: Saulo, escuta. Em primeiro lugar, você não precisa confiar só no Davi. Eu nunca teria nada com ele estando com você, mas de qualquer jeito, eu não acho que esteja no momento certo para ficar com você. – Ela bebe um gole para tomar coragem. – Eu gosto muito de você, mesmo. Amei cada segundo do tempo que ficamos juntos, mas tudo isso que vem acontecendo ultimamente me deixa pensando se, no fundo, eu não sou só uma invejosa, como Nora acha. Se não projetei nela tudo que eu queria ser na época do Guilherme, e agora continuo com isso, ficando com você e agora que ela está com Davi, com ciúme dele também. Eu preciso me colocar nos eixos antes de tentar qualquer coisa.

 

Saulo: Eu tentei… Não diga que eu não tentei. – Ele se levanta. – O jantar estava muito bom. Espero que tenha gostado do vinho. Até segunda, Vera. – Ele anda em direção a porta, sai e a fecha.

Vera permanece só, com a cabeça apoiada nas mãos,  sentindo-se vazia. Ela vai para o quarto e se deita na cama, ainda de roupa de sair, sem arrumar nada.

 

 

26. INTERNA – NOITE – PIZZARIA VINOLLI

 

Tomás, Vitória e Caio já estavam na Pizzaria. A pizza metade calabresa, metade mussarela.

 

Vitória: Qual sabor você quer primeiro, Caio?

 

Caio: Calabresa.

Vitória põe a fatia de calabresa no prato de Caio e corta em pedaços. Tomás observava o gesto da mulher.

 

Vitória: Pronto. Pode comer tudo.

Caio avança no prato de pizza com muita fome.

 

Tomás: Ê rapazinho, vai com calma. – alerta, fazendo os dois rirem. – Você gosta mesmo de pizza, hein?

 

Caio: É o meu jantar preferido.

 

Vitória: Jantar? Como assim? Você só almoça pizzas e essas comidas nada saudáveis, Caio?

 

Caio: O meu pai não sabe cozinhar, então ele compra um montão de pizza pra gente. – diz, metendo o garfo em mais um pedaço de pizza.

Vitória e Tomás se olham, com um olhar de pena.

 

Tomás: E como é a vida com seu pai?

 

Caio: Legal. – responde, sincero como toda criança.

 

Tomás: Ele te leva pra assistir ao jogo do Fluminense?

 

Caio: Não. Ele é Flamengo.

 

Vitória: E como você virou torcedor do Fluminense?

 

Caio: Por causa da minha mãe. – responde, dando mais uma garfada.

Tomás e Vitória preferem não tocar no assunto da mãe de Caio.

 

Caio: A minha mãe fazia uma pizza ótima. – diz, com a boca cheia.

 

Tomás: E eu aposto que ela não gosta que você fale com a boca cheia, mocinho.

 

Caio: Ela não liga. Ela nunca me vê, mesmo… – dá outra garfada.

 

Vitória: Quer suco, Caio?

 

Caio: Refrigerante.

 

Vitória: Refrigerante não faz bem para criança.

 

Caio: Mas o Tomás me deu um ontem.

Tomás assovia para disfarçar e Vitória ri.

 

Vitória: Tá bom, tá bom. – Ela se vira para o garçom. – Uma Coca, por favor.

 

Tomás: Nanana. Fanta Uva. – Ele sorri pra Caio.

O menino abre um sorriso, arrancando mais dois de Tomás e Vitória.

 

 

27. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS

 

Pâmela está em seu apartamento vendo Sex and the City e gravando a reprise do episódio final, como Carlos havia pedido. Ela ouve o BIP da campainha de Carlos tocar e vai ver quem é.

 

Pâmela: Oi. – diz, abrindo a porta do seu apartamento.

 

Júnior: Oi, Pâmela. Tudo bem?

 

Pâmela: Tudo, Júnior. O Carlos saiu.

 

Júnior: Ah, foi? Poxa… eu vim devolver a gramática que ele me emprestou.

 

Pâmela: Ah, deixa comigo.

Júnior vai entregar a gramática para Pâmela, mas escorrega da sua mão. Os dois abaixam ao mesmo tempo para pegar e se encaram. Rola um clima.

 

Júnior: Então eu já vou. Você entrega, né?

 

Pâmela: Entrego.

 

Júnior: Tá.

Os dois continuam abaixados,  olhando-se, sem querer ir embora.

 

Pâmela: Você não quer entrar? Acabei de preparar o jantar. – propõe, sem tirar os olhos do irmão de Carlos.

 

Júnior: Não… não sei… – responde, sem tirar os olhos da vizinha do irmão.

 

Pâmela: Espera o Carlos voltar…

 

Júnior: Tem certeza?

 

Pâmela: Toda. – diz, partindo para o beijo.

Júnior e Pâmela se beijam, abaixados, no corredor do prédio.

 

28. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE DIEGO – QUARTO

 

Os filhos de Diego já dormiam no quarto de visitas. Diego trocava de roupa em seu quarto, enquanto conversava com Carlos.

Diego: A noite até que foi agradável.

 

Carlos: Claro, se você gosta de ser um alvo de dardos venenosos. – Diego olha para ele com um olhar reprovador, mas rindo. – Não, brincadeira, poderia ser bem pior.

 

Diego: Com o tempo eles vão se acostumando com a sua presença.

 

Carlos: Claro, assim que a Ingrid se acostumar também. Eles são os olhos e ouvidos dela.

 

Diego: Ah, não exagera.

 

Carlos: Quando você foi ao banheiro, eles me disseram que ela levou os dois na Igreja. Agora adivinha por quê?

 

Diego: Não acredito que ela fez isso. – Carlos faz que sim com a cabeça. – Bom, não tem muito o que ser feito, né? É só dar tempo ao tempo. Agora vamos dormir, vamos? – Ele diz se sentando na cama, ao lado de Carlos e lhe beijando.

Carlos: O quê? Nós dois aqui? Nem sonhando. Imagina os dois acordando e vendo nós dois aqui? Não, eu vou pra casa.

 

Diego: Ah, mas e a calda de chocolate?

 

Carlos: Guarda num armário, não estraga tão rápido. Pode deixar que eu não esqueço as coisas facilmente. – Ele pisca. – Antes de ir, deixa eu dizer uma coisa.

 

Diego: Sou todo ouvidos.

 

Carlos: Eu ouvi sua conversa com a Ingrid na cozinha. Você também é um homem maravilhoso. Não deixa ninguém nunca te dizer o contrário. – Eles se beijam.

Diego: Nem se for você? – Ele diz rindo, entre beijos.

Carlos: Se for eu é bom você escutar bem. – Ele ri. – Mas vou embora agora. Você tem dois adolescentes para encarar amanhã de manhã. É melhor estar descansado.

 

Eles se beijam e Diego leva Carlos até a porta.

29. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

 

Rebeca estava atrasada para a reunião Andrade marcada por Carol no dia anterior. Ela estaciona o carro na frente da casa de Nora e percebe os carros de seus irmãos estacionados ao redor. Ela fica tensa, definitivamente não queria ser a última. Ela abre a porta.

Carlos, Sara e Júnior: ÃÀÃÃÃH!

 

Júnior: Aleluia, hein?!

 

Carlos: Tava na cama com quem? Achei que não ia chegar nunca. – Sara dá um tapa na coxa de Carlos.

Sara: Carlos! Meus filhos!

 

Carlos, Júnior e Sara estavam sentados em um dos sofás. Gabriel e Larissa estavam sentados juntos no chão, apoiados em um dos sofás, enquanto os gêmeos brincavam no meio da sala. Nora, Diva e Tomás estavam em outro sofá, Vitória na sua cadeira, ao lado de Tomás. Lílian estava em pé, apoiada no sofá onde também estava Carlos. Roberto e Carol estavam sentados cada um em uma poltrona, olhando para todos os outros. Rebeca se junta a Lílian.

Rebeca: Desculpa, desculpa! Me atrasei porque dormi demais mesmo, não vou colocar a culpa em ninguém. Podem começar.

 

Carol: Tio Saulo não vem?

 

Nora: Não, ele disse que não estava muito disposto.

 

Carol: Bom, então agora que estão todos aqui. Eu e Roberto temos um anúncio a fazer.

 

Nora: Oh meu deus! Você está grávida! – Ela sugere, quase se levantando para comemorar.

Carlos: Carol, não acredito que você embuchou! Não consigo te ver grávida.

 

Sara: Eu tenho um monte de coisa da gravidez do Dudu e da Rafa, se você precisar…

 

Júnior: Gente, deixa eles falarem. Ninguém disse nada sobre gravidez!

 

Roberto: Brigado, Júnior. Não, a Carol não está grávida! Amor… – Ele incentiva.

Carol: Sim, eu e Roberto vamos nos casar! – Ela diz sorrindo, procurando a reação nas caras dos Andrades.

Os olhos de Nora e Diva se enchem de lágrimas. Gabriel abraça Larissa, que estava mais perto. Júnior levanta e bate uma palma, entusiasmado. Carlos faz cara de choque e depois sorri quando garante que a irmã está o vendo, ele soletra parabéns. Tomás, Lílian e Rebeca são os primeiros a andar em direção ao casal para congratulá-los.

Sara: Como assim? E toda aquela história de ser mentira e invenção do povo do jornal, do partido, que seja?

 

Tomás: Não acredito que você mentiu pra gente, Carol!

 

Carol: Não, não menti! Era realmente invenção. Mas daí o Roberto se inspirou… – Ela faz uma pausa e olha pra Roberto, buscando ajuda. – Com um pouco da minha pressão, é bem verdade, e me pediu em casamento!

 

Roberto: Não é como se o texto já não estivesse na ponta da minha língua. – Ele pega a mão dela. – Já tinha até comprado o anel! – Ela exibe para os familiares.

Nora: Filha, que momento lindo! Estou tão orgulhosa de você. – Ela diz quando abraça e beija a filha. As duas choravam. – Você vai ser uma noiva linda!

 

Carlos: Quem diria, você casando! – Carol ri, secando as lágrimas, assim que a mãe vai falar com Roberto. – Também, podendo ser primeira-dama, né? Quem negaria? – Ele olha para ela, cúmplice. – Parabéns.

 

Sara: Minha irmã, minha ídola! Fisgou o deputado bonitão. – Ela ri. – Estou tão feliz por você, imagino como você está se sentindo! Seu casamento vai ser lindo! E eu te mato se não for madrinha!

 

Tomás: Carolzinha! Não é novidade que você iria se comprometer antes do Carlos e do Júnior, mas não esperava que fosse tão cedo! Meus parabéns, irmã!

 

Júnior: Minha irmã mais velha cresce, ganha prêmio, casa. Sei que a mamãe já deve ter dito isso, mas sou tão orgulhoso. Muito feliz de ter irmãos como vocês, que me fazem querer ser uma pessoa melhor. E com certeza seu casamento vai ser de muito sucesso. Te amo. – Ele diz a abraçando.

30. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES

 

Os Andrades e seus adjacentes circulavam pela casa, comendo e bebendo aperitivos e conversando em grupos. Sentados a uma mesa, estavam Sara e Carlos.

Sara: Que loucura Carol se casar, né?

 

Carlos: Bom, se você pensar bem, eles estão juntos há quase dois anos, né?

 

Sara: É, mas a gente nunca espera. – Eles bebericam seus drinks. Sara se lembra da situação de Marcelo com seus filhos. – Que bom que ela se dá bem com Larissa, né?

 

Carlos: Nossa, ainda bem! Ela está se livrando de um trabalho! – E ele de Diego e seus filhos. – Ser padrasto é horrível.

 

Sara: É nada, horrível é ser a mãe dos filhos.

 

Carlos: Por que eu sinto que essa conversa não é mais sobre a Carol?

 

Sara: Acompanhe a dinâmica Andrade, maninho. – Eles vêem Júnior passar por eles.

Carlos: Hey, Ju! – O caçula pára e se aproxima. – E a minha gramática? Outro dia estava escrevendo um processo super complicado, fui pegar e me lembrei que tinha te emprestado.

 

Júnior: Eu… é, devolvi ontem à noite. – Ele diz, falhando a voz. Estava sem jeito de admitir seu beijo com Pâmela. Carlos e Sara desconfiam de alguma coisa. Como num raio, a idéia atinge Carlos.

Carlos: Oh não! Ela te fisgou, né?

 

Sara: Quem? Quem? Pamela Anderson?

 

Carlos: Ela mesma.

 

Júnior: Eu a beijei ontem, sim. – Carlos olha reprovativo. – Ah, Carlos, ela é linda e estava ali me achando lindo também e foi. Não me julgue! – Ele diz e sai andando. Sara e Carlos se entreolham.

Dali um tempo, Larissa e Gabriel estavam em um sofá, quando Carlos, Lílian e Tomás passam por eles e se sentam perto, conversando.

Lílian: Sabe o que é engraçado?

 

Tomás: O quê?

 

Lílian: Larissa e Gabriel se tornaram oficialmente primos agora. – Os dois focam a atenção nos tios, não achando graça.

Carlos: Nossa, verdade. Uma coisa meio incestuosa, uuuh. – Ele tira sarro.

Tomás: É nada, super comum ficar com prima…

 

Carlos: Você e a Gabi? Ew. Ela é filha da tia Maíra.

 

Lílian: Sim, Tomás e Gabi e agora Gabriel e Larissa. – Ela lança um olhar cínico para os dois. – Pensa pelo lado bom, vocês podem ter filhos com segurança, não dividem genes.

 

O casal se levanta irritado e sai andando. Os três adultos riem.

Em outro ponto da casa, Rebeca, Vitória e Diva conversavam.

Rebeca: Vocês viram no jornal que o Roberto conseguiu a candidatura? Que bom, né?

 

Vitória: Será que terei uma cunhada primeira-dama? Que chique!

 

Diva: Ele conseguiu? Oh, que maravilha! – Ela se vira para o outro lado e dá um grito. – Nora! Roberto conseguiu a candidatura! Já temos em quem votar nessas eleições!

 

Nora: Conseguiu! Roberto, que beleza! Meus parabéns! – Ela se aproxima de Roberto e Carol que conversavam num cantinho. Roberto se levanta.

Roberto: Muito obrigado, Nora! Obrigado, dona Diva. Quanto mais votos, melhor. – Ele brinca.

Nora: Quero fazer um brinde! – Alguns não a escutam. – Um brinde! – Ela diz mais alto e bate em seu copo com um talher. Todos fazem silêncio.

BIIIIIIIIIIIIIP!

Todos os Andrades ficam com cara confusa, sem saber o que significava aquele barulho. Eles se entreolham. Nora fica nervosa, sem saber o que inventar dessa vez. Estava claro que não era um celular, ou o microondas.

Diva: Praga de TV! – Ela havia se aproximado da televisão e agora dava um tapa nela. – Está fazendo esses barulhos de vez em quando.

 

Rafaela: Mas biza, ela tava desligada.

 

Diva: É, ela liga sozinha, faz esse barulho e desliga. É uma loucura. Nós ficamos de levar pro técnico. – Todos continuam em silêncio, tentando entender a lógica no problema da televisão. – Nora, seu discurso.

 

Nora: Obrigado, mãe. – Ela olhava para a mãe, realmente agradecida. – Queria oferecer um brinde à minha filha querida e ao meu mais novo genro! Que eles encontrem a felicidade em sua vida de casados daqui

para frente, assim como estão a encontrando em suas vidas profissionais! E deixe que os Andrades virem Pelegrinis e os Pelegrinis virem Andrades!

 

Todos aplaudem, sorrindo. Larissa, Lílian, Roberto e Carol se entreolham, com muito medo da última previsão de Nora.

Anúncios

3 Respostas to “BIP!”

  1. Julia Says:

    Aaii como demoorou pra chegar esse ep!!
    Mais então!!

    A Sara A-rra-sou! Deu mó fora.. Nunca vi!!! Muti folgado o Marcelo mesmo! Amei!!
    A Vitória tá tendo uma tiradas ótimas, ri muito!!!
    A Diva foi um amor neh! Nunca esperaria isso!!
    Não me sinto confortável com Davi-Nora.. Mas consigo esperar pra ver no que vai dar!

    Maaaaaaaiis o que eu sempre mais amei e continuo amando! Carol e Sara-Ferdi!
    Geeento como o meu coração tá com esperanças de novo da Sara e do Ferdi! Não me decepcionem, ham!
    E a Carol e o Roberto são muito lindo juntos né.. A família toda junta..
    É lindo!!!

    Amei o ep! Mesmo!

    Beijo

  2. Gustavo Says:

    Salve galera!!

    Penúltimo episódio da temporada!!
    Já estou com saudades dos Andrades…

    Mas vamos iniciar os trabalhos agora.

    Meus caros amigos Edízio e Rodrigo, vc´s vão me desculpar mas achei esse episódio morno, sem grandes acontecimentos, mas alguns deles merecem comentar.

    Estou gostando muito das atitudes do Tomás com o Caio, pelo visto ele tem mesmo jeito pra ser pai. Só não entendi uma coisa, pra mim quando o Lucas quis falar com ele, era pra pedir que ele e a Vitória tomassem conta do Caio e não pra falar o que ele falou. Enfim, o garoto tem a mãe ainda, mas isso é uma outra história…

    Vem cá, o que era esse aparelho que a Nora estava usando??? Gente, os que eu conheço são pequenos, que a pessoa usa pendurado na cintura e cabendo dentro de uma espécie de pochete. Mas eu sei que o lance aqui era chamar a atenção, então, tá valendo a bolsa amarela horrenda…

    E a Sara??? Pelo visto a relação dela com o Marcelo não irá muito longe, ainda mais depois das atitudes dele com os filhos dela. Grosseira foi pouco… Tomará que ela e o Fernando voltem, gostei muito do passeio em família ao Jardim Botânico.

    Carlos e Diego. Quando eu falo que o Carlos tem que pular dessa canoa furada o mais rápido possível vc´s falam que estou sendo implicante. Quer prova mais maior de que a relação deles nunca será tranquila após o fuzuê que a Ingrid aprontou? Ah, mais uma coisa, chantili e caldo de chocolate e em casa?? Gente, isso faz uma lambrequeira sem tamanho… Um oleozinho às vezes tudo bem, mas mesmo assim fica tudo melado…

    D.Diva como sempre dando show. Adorei ela berrando que elas já tinham um candidato pra votar…

    Pam e Junior?! Boto fé nesses dois.

    No mais, agora é aguardar o episódio final.

    Abraços a todos.

  3. Natie Says:

    Oi gente! 😀 Demorei, mas cheguei! hehe…

    Então, adorei a ideia do BIP! hehe… Quem diria q ele poderia representar tantas coisas, né?

    Aaah que legal Carol e Roberto terem divulgado o casamento pra familia Andrade! Agora parece mais oficial…

    E pq será q eu jah não gosto do Marcelo? Como assim ele tratar os filhos da Sara daquele jeito? Geralmente vc tem mais paciencia com os filhos dos outros, imagina como seria com os dele… E torcendo demais pra um comeback de Sara e Fernando! 😀

    Situação chata q o Carlos passou! Já imagino o qto deve ser dificil conhecer os filhos do namorado, ainda mais os filhos adolescentes!

    Gostei das cenas de Tomas-Vitoria-Caio… Acho q esse trio ainda vai passar mais tempo junto… hehe

    E acabou rolando Junior e Pamela, né? Só quero ver no q vai dar…

    Por ultimo adorei a Diva dando uma cobertura lá pra Nora qdo o BIP tocou… E fico imaginando o qto deve ser chato ter algo tocando no seu ouvido de 30 em 30 min!!

    Bjs gente!!!

    PS: Adorei as referências às séries! Mas Grey’s não é água com açúcar não, Fernando! rsrs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s