Nos episódios anteriores: Sara e Marcelo encabeçam o projeto para uma Empresa Júnior na universidade. Fernando está trabalhando numa produtora de audiovisual.  Lucas sofre um acidente e Vitória passa a visitá-lo com freqüência. Carol vai ao interior e conhece toda a família de Roberto. Vera chama Davi para fazer uma campanha e promover a Quatro Estações. Nora e Davi estão cada vez mais próximos. Davi também se aproxima de Rebeca. Carlos descobre que Diego omitiu o fato de ter uma família e isso abalou um pouco a relação.

01. INTERNA – DIA – ÁGORA RJ – SALA DE REUNIÃO

Carol e seus colegas estavam reunidos para a divisão de pautas da semana. Selma, a editora de cultura, fazia as honras.

Selma: Então, Geraldo, tudo bem, você pode fazer a reportagem sobre os shows internacionais no país esse ano – Geraldo comemora com um empolgado “yeah” – Sofia, agende uma entrevista com os Titãs, abordando a saída de mais um integrante e como é envelhecer e amadurecer fazendo rock’n’roll, na estrada, lançando álbuns e lidando com esse tipo de perda e desafios criativos, de mercado e tal. Podemos citar outras bandas, Stones, Metálica, Barão…  Mas sem polemizar, ok? Geraldo pode te ajudar com a pesquisa. Quero algo bem consistente, talvez vire capa no caderno no final de semana. Então, capriche.

Sofia: Pode deixar, chefe! – fala, fazendo sinal de sentido.

Geraldo: Podemos falar também sobre o fim do Cordel do Fogo Encantado. Não é rock, mas tem a ver com a temática.

Selma: É uma boa, é bem essa linha que quero que sigam – faz uma pausa e continua – Que mais temos?

Bia: O CCBB está com uma nova exposição, posso ver o que podemos tirar de bom nisso.

Selma: Ótimo. Se liga também do Museu da República, estão com uns eventos interessantes. Talvez tenha algo para gente – Bia concorda com um gesto – Ah, Adriana e Fred, preciso que me preparem um especial divertido sobre as sogras mais marcantes da televisão e do cinema. Pro dia 28, ok? Mas quero ver até dia 27.

Fred: Dia 28 é o dia da sogra? – faz uma careta.

Carol também faz uma careta, e todos olham para ela.

Selma: Exato! Por falar em datas comemorativas, dia 23 é dia mundial do livro. Idéias? – ninguém respondeu, estavam trocando olhares suspeitos. Selma balança a cabeça, sabia do que se tratava, só Carol que não – Caberia aqui uma reportagem sobre a leitura e o mercado de literatura no Brasil, não acham? Otávio e Carol, vocês poderiam ficar com isso?

Otávio: Claro!

Carol concorda com a cabeça, ainda intrigada com os olhares curiosos sob sua pessoa.

Selma: Então é isso, pesquisem e tragam seus pontos que depois a gente conversa melhor, ok? – os jornalistas concordam.

Carol levanta-se pra deixar a sala. Seus colegas encaram Selma, cobrando por algum ato da editora.

Selma: Carol… – chama-a, e Carol detém-se e volta-se para chefe – Então você vai casar e a gente só fica sabendo pelo jornal concorrente? – tenta falar de uma maneira divertida.

Carol é pega de surpresa e fica sem compreender a pergunta. Achando que era uma piada, ela sorri. Nesse instante, Adriana passa a Carol uma página da coluna de fofocas de um jornal. Carol lê meio atônica.

Carol: Ei, isso é mentira! De onde tiraram isso?

Adriana: Você mora com o cara, namoram há um tempão… Quer o quê? – dá de ombros.

Geraldo: É, já não era sem tempo. Estava te enrolando até demais – brinca.

Selma: Bem-vinda ao time dos casados!

Sofia: Devíamos ter desconfiado. Aquela visita à família do noivo.

Carol: Noivo? – ri nervosa – Até parece.

Fred: Ei, Carolzinha, não precisa mentir pra gente.

Carol: Mas é sério!

Fred: Ahan, tá bom – irônico.

Sofia: A gente vai fingir que acredita.

E foram saindo na sala, Carol permaneceu, estática, ela ainda tentava se defender.

Carol: Vocês não podem acreditar nisso. Vocês são jornalistas, vocês sabem que a metade das coisas que a gente escreve é romanceada. E 90% dessas colunas de fofoca são mentiras! – nesse momento, ela já falava para as paredes.

02. EXTERNA – DIA – UFRJ

Enquanto lia o jornal, Sara andava distraída pelo campus da universidade, de repente, é abordada de surpresa por Marcelo.

Marcelo: Hey!

Sara: Oi! – surpreende-se.

Marcelo: Tudo bem? – diz beijando seu rosto.

Sara: Tudo… Mas acabo de ler no jornal que minha irmã vai casar – faz cara de chocada.

Marcelo: No jornal? – ele não entende – Ah, é aquela que namora o Deputado “pop” Pelegrini – Sara confirma com a cabeça – Mas o quê que tem?

Sara: Oiê!? Eu fiquei sabendo pelo jornal que minha irmã vai casar! – fala pausadamente – Minha única irmã! – faz uma pequena pausa – Pelo menos até dois anos atrás – completa em tempo.

Marcelo: Você não sabia que ela ia casar?

Sara: Não! Veja só que despautério! Preciso checar essa história agora! – diz sacando o celular.

Marcelo: Ok! – fala, fazendo sinal de rendido – Nos falamos melhor na reunião hoje à noite? – fala, aproximando-se dela com carinho. – Estou empolgado, os alunos estão interessados, todos querem participar do projeto, só se fala nessa empresa júnior de comunicação – fala com um sorriso no rosto.

Sara: É, é ótimo isso. Até mais! – diz, despedido-se dele com um selinho e já discando um número do telefone.

Marcelo continua parado, encarando Sara e esperando por mais. Sara, já com o telefone na orelha, percebe. Então, ela o puxa pelo braço e dá um beijo de verdade.

Marcelo: Agora sim, isso é um tchau! – diz com um sorriso no rosto.

Sara: Nós estamos num estabelecimento escolar, recomponha-se! – brinca.

Marcelo ri.

Marcelo: Até mais tarde! – pisca para Sara e em seguida se retira.

A pessoa pra quem Sara ligava não atendeu ao telefone. Ela disca outro número.

03. INTERNA – DIA – BARBOSA & LIMA

Carlos estava trabalhando no seu escritório quando seu celular tocou. Quando viu que era Sara, ele ignorou e voltou a seus afazeres. Estava ocupado revisando alguns processos. De repente ele toca mais uma vez.

Carlos: Espero que seja importante – fala assim que atende.

Diego: Carlos?

Carlos: Diego?! Desculpa! Pensei que fosse a minha irmã. – nervoso, tenta se justificar.

Diego: Seu celular não tem identificador de chamadas?

Carlos: Tem, mas é que a Sara estava me ligan… Enfim, tudo bem com você?

Diego: Tudo certo. Estou ligando pra te convidar para jantar hoje. Pode ser?

Carlos: Claro.

Diego: Ótimo. Estou preparando algo especial.

Carlos: Mesmo? – diz, surpreso.

Diego: Mesmo – ri nervoso – Quero te mostrar que isso é sério para mim.

Carlos: Diego…

Diego: Não diga nada.

Carlos: Tudo bem… – concorda apreensivo e nota que há uma nova chamada na linha – Tem alguém me ligando, deve ser minha irmã.

Diego: Certo, então, te ligo mais tarde pra passar os detalhes, ok?

Carlos: Ok, beijos! – desliga e passa para outra ligação – Diz, Sara… a irmã conta logo a nova fofoca – Mentira!

04. INTERNA – DIA – UFRJ / BARBOSA & LIMA / ÁGORA RJ

Carlos e Sara ainda conversavam por telefone.

Sara: Achou?

Carlos: Calma, ainda tô procurando.

Sara: Eu não acredito que VOCÊ não sabe onde fica a sessão de fofoca.

Carlos: Achei! – começa a ler.

Sara: E aí? – fala, ansiosa.

Carlos: Gente, será verdade?

Sara: Só há um jeito de saber, mas ela não atende minhas ligações. Tenta você.

Carlos: Mas o que te leva a crer que se ela não te atende, vai me atender?

Sara: Realmente… Mas, sei lá, não custa tentar.

Carlos: Ok, minha curiosidade é maior que meu medo de rejeição. Fica na linha que eu vou ligar do telefone daqui – fala já tirando o telefone do gancho e discando o número.

Na redação, Carol, impacientemente e nervosamente, ignora mais uma chamada de seu celular. Sabia que era do escritório do irmão.

Carlos: Ela não atende – ele informa a Sara – Aí tem! – diz ainda mais intrigado – Você tem o telefone do Jornal?

Sara: Já tentei, dizem que ela não pode atender. Será que a gente liga pro Roberto?

Carlos: Será? – avalia por uns segundos

Carlos e Sara:Não! – os dois falam ao mesmo tempo.

Carlos: É abuso de intimidade.

Sara: E imagina se é mentira.

Carlos: Pois é…

Sara: E agora?

Carlos: Já sei! – fala empolgado e disca um ramal do telefone de sua mesa – Oi Mônica, você pode vir até meu escritório? E traga seu celular junto – fala do telefone fixo.

Sara: Boa, Carlos! – comemora.

Em instantes, Mônica aparece segurando seu celular e com cara de que não estava entendo a situação.

Carlos: Mônica, me empresta seu celular para fazer uma ligação?

Mônica: Sim, mas por que não usa o seu?

Carlos: Porque preciso de um número que não tenha na agenda minha irmã.

Mesmo ainda sem entender direito, Mônica deu seu celular a Carlos. Ele, ansioso, disca rapidamente o telefone de Carol.

Carol ao ver no visor um número desconhecido, mesmo desconfiada, resolve atender.

Carol: Alô…

Carlos: Carol, não desliga, é importante!

Carol: Carlos? O que você quer?

Carlos: Você vai mesmo se casar?

Atenta ao papo, Mônica senta-se ao lado de Carlos, curiosa.

Carol: Aí, sabia! Foi a Sara que te contou, né? Ela tá me ligando e mandando mensagens direto.

Carlos: Não foge.

Carol respira fundo.

Carol: Não, Carlos, claro que não vou casar!

Carlos: Não? – fala para Carol e logo muda de telefone – Sara, ela tá dizendo que não vai casar – diz no outro celular.

Carol: Aff, sabia!

Sara: Sei, e de onde saiu essa notícia? – pergunta em resposta ao irmão.

Carlos: É, Carol, e de onde saiu essa notícia? – volta a falar no celular de Mônica.

Carol: Não é notícia, é boato! Sabe a diferença?

Mônica: Pergunta como foi o pedido – Ela fala para Carlos, e Carol consegue ouvi-la.

Carol: E eu não quero mais falar sobre isso. Tchau! – enfatiza e desliga o telefone na cara do irmão.

Carlos: Carol? Carol?! – ele nota que ficou no vácuo e volta a falar com Sara – Ela desligou na minha cara! – fala indignado.

Sara: Mas o que ela disse?

Carlos: Disse que era um boato.

Sara: Estava nervosa?

Carlos: Muito!

Sara: Aí tem!

Carlos: Muito!

Sara: Precisamos averiguar.

Mônica pega um papel na mesa de Carlos e rabisca algo.

Carlos: Precisamos mesmo. – nesse instante Mônica levanta o papel e nele estava escrito “LEMBRETE: Reunião com a Guilhermina, agora!!!” – Só que agora eu tenho que entrar em reunião, mas qualquer novidade, me ligue!

Sara: Pode deixar! Vou ter que dar aula agora também, mas qualquer coisa, pode ligar. Vou deixar no silencioso.

Carlos: Certo, tchau!

05. INTERNA – DIA – RESTAURANTE

[¯- Wait For Love, Matt White]

Nora e Davi estavam almoçando quando o celular de Nora toca. Ela, ansiosa, pega o aparelho, mas ao olhar quem era no visor, ignora.

Davi: Não vai atender?

Nora: Não. É só mais uma amiga querendo saber do casamento da minha filha.

Davi: Ah, eu li, parabéns!

Nora: Leu? Aparentemente todo mundo sabe menos eu! Logo eu, a mãe da noiva!

Davi: Como assim?

Nora: Ela não me contou, simplesmente assim – fala, aborrecida.

Davi: Já falou com ela?

Nora: Não…

Davi: Não?

Nora: Eu não vou ligar para ela. Ela que devia me ligar, não é? Ter um pouco de consideração.

Davi: Provavelmente está ocupada.

Nora: Duvido muito.

Davi: Já tentou falar com os outros? Talvez eles saibam de algo…

Nora: É, você realmente ainda não conhece meus filhos direito… – tenta falar em tom de brincadeira, mas sai em tom de amargura.

Davi: Er, desculpa.

Nora: Não, a culpa não é sua, eu que tenho que pedir desculpas. – apressa-se em dizer – Vamos mudar de assunto.

Davi: Ok, então me diga, quais são seus planos para hoje à noite?

Nora: Além de descobri o que eu fiz de errado para não ser convidada pro casamento da minha própria filha? Nenhum…

Davi: Certo – ri da resposta dela – Então, vamos fazer planos a dois?

Nora ri meio envergonhada, mas encorajando a investida de Davi.

Nora: O que tem em mente?

06. INTERNA – DIA – HOSPITAL

Na recepção do hospital, Vitória se despede de Tomás e segue para visitar Lucas. Tomás senta-se em um dos sofás e pega um jornal próximo e começa a folheá-lo. Ao ver uma foto da irmã com o namorado, ele pára pra ler a nota. Fica um tanto quanto surpreso. Nesse instante, ele é atingido perto dos olhos por uma bola, no tamanho de uma bola tênis.

Tomás: Aí! – levanta a cabeça e dá de cara com um menino por volta dos quatro anos e atrás dele tinha um garoto mais velho.

Caio: Desculpa – fala o mais velho, puxando o braço do mais novo – Ele jogou sem querer.

Tomás: Tem que tomar cuidado, isso é um hospital! Cadê os pais de vocês?

Caio: A mãe dele foi buscar um lanche pra gente.

Tomás: Vocês não são irmãos?

Caio: Não, eu não tenho irmãos.

Tomás: E você tá sozinho tomando conta dele? Você tem quantos anos?

Caio: Eu já tenho sete – fala, como se já fosse um rapaz.

Tomás ri.

Tomás: Mesmo assim, não podia ficar sozinho com outra criança. O que você tá fazendo num hospital?

Caio: Vim visitar o meu pai. E o senhor?

Tomás: Me chame de Tomás. Eu vim visitar um amigo… Amigo da minha mulher. Qual é seu nome?

Caio: Caio.

Tomás: Caio, o que seu pai tem?

Caio: O carro dele bateu, ele se machucou. E seu amigo?

Tomás: Também. Seu pai tá bem? – Caio balança a cabeça negativamente e triste – Senta aqui. Os dois. – diz, indicando um lugar ao lado dele.

Caio fica um pouco cabreiro de se aproximar, Tomás nota.

Tomás: Tudo bem, rapaz. Não vou fazer nada com vocês – os dois se sentam – Qual é seu nome? – pergunta ao mais novo.

Henrique: Henrique.

Tomás: Vocês são amigos?

Henrique: Somos, mas ele é assim, mais amigo do meu irmão.

Tomás: Ah, você tem irmão… – Henrique faz um dois com uma das mãos, indicando o número de irmãos que tinha. – Quantos anos eles tem?

Henrique: O Pedro tem oito e a Diana tem 11.

Tomás: E onde eles estão?

Henrique: Na escola. A gente vai já buscá-los. Depois que o Caio ver o pai dele.

Tomás: Muito bem… E pra que times vocês torcem?

Henrique: Flamengo.

Tomás faz uma careta.

Caio: Fluminense.

Tomás: É isso aí, bate aqui, cara! – Caio bate, mas ainda um pouco desconfiado.

De repente Tomás se vê sem assunto com as crianças. Após alguns segundos de silêncio, ele parece ter uma idéia.

Tomás: Vocês querem uma bala? – fala, tirando um pacote de drops do bolso.

Henrique se empolga, Caio nem tanto.

Isabel: Henrique, Caio! – uma mulher chega e chama pelos meninos, nervosa – Por que vocês saíram do lugar que eu os deixei?

Tomás: Desculpe, eu estava conversando com eles. Eles podem? – pergunta indicando o drops.

A mulher parece reconhecer Tomás naquele momento.

Isabel: Ah, oi, tudo bem? – cumprimenta-o, mas Tomás não a reconhece, no entanto, não deixa transparecer isso e retribui o cumprimento – O Henrique não, é muito grande pra ele, pode engolir. Mas se o Caio quiser…

Caio: Não, obrigado. – fala para Tomás – Ele é um estranho, Isa. – sussurra a última frase pra mulher.

Tomás estava ouvindo e se diverte com aquilo.

Isabel: Tudo bem, querido. Ele é amigo do seu pai.

07. INTERNA – DIA – ÁGORA RJ – COPA

Adriana e Carol conversavam enquanto bebiam café.

Adriana: Eu acredito em você, mas você há de convir que é estranho ficarem especulando sobre isso do nada. É natural que todos acreditem. –Carol concordava – E o Roberto?

Carol: Que que tem ele? – Fala, engasgando-se com o café.

Adriana: O noivo, – brinca, e Carol revira os olhos – o que ele tá achando dessa história toda?

Carol: Não sei.

Adriana: Não falou com ele?

Carol: Não, vou falar o quê? “Olha, estão dizendo que a gente vai casar, não é engraçado? Já que nunca falamos disso”.

Adriana: Nunca? Mesmo?

Carol: Não seriamente.

Adriana: Vocês não pensam em casar?

Carol fica avaliando aquela pergunta, pensando em o que responder.

Carol: Pensamos, mas não agora – ela fala sem muita convicção.

08. INTERNA – DIA – QUATRO ESTAÇÕES

Davi passava instruções para Rebeca.

Davi: As fotografias são bem burocráticas. Da fachada, dos ambientes, dos funcionários. A idéia é fazer algo institucional mesmo, para apresentar a editora para as empresas, clientes, escritores em potencial. E também colocar no site da empresa, formar um banco de imagem, uma galeria. Entende?

Rebeca: Sim, não é nada demais.

Davi: Eu sei que não é tão empolgante quanto fazer um ensaio artístico, mas é uma experiência.

Rebeca: Claro. E não deixa de ser interessante. Gosto dessa sua idéia de algo institucional aliado a uma campanha de divulgação da marca e da proposta da Quatro Estações.

Davi: Nossa, você está falando igual a um publicitário.

Rebeca ri.

Rebeca: Só estou me enquadrando no perfil do cliente. Não é isso que vocês pregam?

Davi ri, concordando com ela. Nesse momento, Vera chega acompanhada de Saulo e incomoda-se com a intimidade dos dois. Ela se aproxima deles, enquanto Saulo mantém-se perto da secretária, conferindo alguns papéis.

Vera: O que você tá fazendo aqui, Rebeca?

Davi: Soube de seus dons e a chamei para me ajudar no trabalho aqui com a Quatro Estações.

Rebeca: É, vou fazer umas fotos de vocês – diz ao mesmo tempo em que tira uma foto da mãe, fazendo o flash incomodar seus olhos.

O celular de Rebeca toca e ela se afasta para atender. Saulo permanece perto dali, observando de canto de olho a cena.

Vera: Davi, eu falei pra você não se aproximar dela.

Davi: Não estou fazendo nada demais, Vera. Só dando asas para a menina.

A ligação de Rebeca não completa, e ela fica observando, indignada, o comportamento da mãe. Resolve abrir a boca pra falar algo, mas novamente seu celular toca e a ligação cai mais uma vez e ela percebe que Davi e a mãe ainda discutiam.

Vera: Não sei qual é a sua, Davi.

Davi: Eu é que não sei qual é a sua, acha ruim eu conversar com a Rebeca, sair com a Nora… – provoca.

Vera fica possessa. Saulo sai de perto, chateado, e Vera resolve segui-lo. Rebeca faz menção de segui-los, mas seu celular volta a tocar, vendo que a chamada não dava certo mais uma vez, ela resolve discar pro número. Era Júnior.

Rebeca: Que foi Júnior? A ligação está caindo toda hora.

Júnior: Eu estava te dando toque, tô sem crédito. Sou um estudante.

Rebeca ri, revirando os olhos.

Rebeca: Mas o que era?

Júnior: Não tá sabendo?

Rebeca: De quê?

Júnior: Carol vai casar.

Rebeca: Como?

Júnior: Tô aqui lendo no Ego.

Rebeca: Peraí que é muita informação chocante de uma vez só – diz, afastando-se para fofocar melhor.

09. INTERNA – DIA – QUATRO ESTAÇÕES

Saulo e Vera entram no escritório.

Saulo: Não entendo porque tanta raiva do Davi.

Vera: Não tenho raiva.

Saulo: Então, é ciúmes.

Vera: Por favor, né, Saulo – diz, titubeando.

Saulo: Ele não pode se aproximar da Rebeca que te deixa nervosa.

Vera: Ah, que ridículo, eu com ciúmes dele com a minha filha?!

Saulo: Não, com a minha irmã! – Vera se retrai – Você não o quer perto da Rebeca, ainda não sei por que, mas foi só ele falar da minha irmã, que você ficou ainda mais nervosinha.

Vera: Nada a ver, Saulo, você é que tá com ciúmes!

Saulo: Será? Ando pensando que talvez a questão seja a Nora.

Vera: Como assim?

Saulo: Você tem inveja dela, quer tudo que ela tem.

Vera: Não ouse! – altera o tom de voz, precavendo Saulo.

Saulo: Guilherme, eu e agora esse Davi!

Vera: Saulo, não acredito, você passou dos limites!

Saulo: Eu? Se dê pelo menos o respeito. Seja honesta! Admita!

Vera: Não tenho nada para admitir, isso está na sua cabeça. E você tá sendo rude.

Saulo balança a cabeça, nervoso e inconformado.

Saulo: Eu te conheço, Vera! – fala num tom mais baixo, mas ainda cheio de raiva.

Aquelas palavras abalam Vera. Em seguida, Saulo sai da sala, batendo a porta.

10. INTERNA – DIA – ÁGORA RJ – COPA

Sofia, carregando algumas revistas, aproxima-se da mesa de Carol.

Sofia: Olha esse vestido, não é fabuloso? – fala apontando para um vestido de noiva.

Carol: Tá mais pra escandaloso.

Sofia: Você tá pensando em algo mais discreto?

Carol: Eu não tô pensando nada, Sofia.

Sofia: Tá bom, tá bom – faz sinal de rendida – Continue mantendo essa postura, mas já deu até no Ego.

Assim que Sofia se afasta, Carol entra no tal site e constata o fato.  Com cara de desespero, ela se vira para Adriana que acompanhava a cena.

Carol: Agora ferrou tudo de vez.

Adriana concorda, consternada.

Adriana: Já falou com o Roberto? Vão desmenti?

Carol faz sinal de “deixa pra lá”, como se não ligasse pro caso. No entanto, é só Adriana se virar, que ela pega seu celular e sai da sala pra fazer uma ligação.

Carol: Oi amor – diz quando Roberto atende ao telefone – Tudo mais ou menos, não viu os boatos sobre nós?  (…) Hum… – ela engole seco, nervosa – Que a gente vai casar. (…) É, não é? Muito estranho, também achei… Absurdo – apesar de parecer concordar com o que Roberto falava, Carol terminou a ligação intrigada com a reação do namorado.

11. INTERNA – DIA – HOSPITAL

Tomás e Vitória se despedem de Isabel e das crianças e seguem em direção a saída.

Tomás: Então, o Lucas tem um filho! – fala ainda impressionado – Você sabia disso? – ele pergunta à esposa quando eles se distanciam.

Vitória: Não, fiquei tão surpresa quanto você. Enquanto você estava lá dentro, eu soube que essa Isabel é vizinha dele e tá cuidando do menino. A mãe já o abandonou, Lucas não tem mais pais e ele é filho único. Parece que o garoto não tem ninguém. Coitado.

Tomás: Coitado mesmo. Ele parece esperto, maduro pra idade.

Vitória: Também achei. Já passou por tanta coisa, não merece mais isso. E é uma graça, né?

Tomás concorda com a cabeça.

12. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

Sara separava alguns livros e anotações e guardava em sua bolsa.

Sara: Gabs, vou indo pra faculdade – diz quando passa em frente ao quarto do filho.

Gabriel: Já? A reunião não era só à noite?

Sara: É, mas marquei de encontrar o Marcelo antes – hesita um pouco em falar.

Gabriel: Ah, tá…

Sara: Tudo bem ou você quer fazer algo? Porque eu posso fica aqui com você e…

Gabriel: Eu estou fazendo um trabalho da escola – fala, evasivo.

Sara: Precisa de ajuda? – Gabriel nega com a cabeça – Certo, qualquer coisa, me ligue. Volto cedo.

Gabriel: Essas reuniões sempre demoram…

Sara fica olhando para o filho, queria falar algo, mas não sabia bem o quê.

Eduardo: Mãe, papai no telefone – o garoto chega segurando o telefone sem fio e entregando a mãe.

Sara: Oi Ferdi. (…) Eu tenho um reunião daqui a pouco (…) É rápido? (…) Tá bom, eu passo aí. (…) Inté! Beijos – finaliza a ligação e nota que Gabriel está lhe encarando – Seu pai quer que eu escute uma música que ele fez pra trilha de um filme, precisa de uma opinião. Não é no caminho da faculdade, mas vou passar rápido por lá. Quer ir junto?

Gabriel: Eu já ouvi essa música, e você não vai ter tempo de me deixar em casa. E continuo tendo trabalho de Geografia para fazer.

Sara: Certo, então – aproxima-se do filho e beija o alto de sua cabeça – Te amo.

Gabriel não fala nada, e Sara deixa o recinto.

13. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO

[¯- Chasing Cars, Snow Patrol]

Roberto chega em casa e encontra Carol no quarto, vendo televisão, mas sem se concentrar muito nela. Seus pensamentos estavam em outro lugar.

Roberto: Dia longo, – diz ao entrar no quarto, beijando o alto da cabeça de Carol – difícil e estranho – completa, folgando o nó da gravata e tirando os sapatos.

Carol: É mesmo, por quê?

Roberto: O Tadeu Mendes realmente está disposto a concorrer ao governo pelo partido. Essa disputa com ele vai ser ingrata. Gosto do cara, mas me sinto mais preparado e com mais chances de competir. Isso tá dividindo o partido, fico nessa berlinda. Situação delicada, enfim… – termina num suspiro e continua se despindo.

Carol: Ah, isso.

Roberto: E você? Tudo certo no jornal? – Carol titubeia, dando de ombros e fazendo sinal de “mais ou menos” com um maneio de cabeça – Ah, não precisa acompanhar a Lissa amanhã na terapia. Os pais da Mariana vão com ela e de lá já ficam com ela pro final de semana. É aniversário do Seu Alberto, quer é a neta por perto. Daí você pode voltar cedo pra casa – pisca pra Carol.

Carol fica um tempo em silêncio. Roberto percebe a introspecção dela.

Roberto: Ei, tá tudo bem?

Carol: Ah, Roberto, não é possível que você não tenha sido incomodado durante o dia por aqueles boatos – despeja.

Roberto: De que vamos nos casar?

Carol: Sim, o que mais seria? Eu passei o dia sendo bombardeada com perguntas e sugestões de vestidos, bolos, igreja, cerimonial e todas essas firulas. Não agüento mais.

Roberto: Imagino. Você odeia essas coisas, né? – diz sério.

Carol: Não é que eu odeie, mas nem é verdade. Não é? – fita Roberto, esperando por alguma reação, mas não houve – Ninguém te incomodou?

Roberto: Ah, lá na Assembléia ninguém leva colunas de fofoca muito a sério – brinca.

Carol: É, porque realmente é uma piada o fato da gente se casar, né? – fala irônica e chateada.

Roberto: Ei, o que você quer dizer com isso?

Carol: Nada, Roberto – continua num tom chateado.

Roberto: Fala, Carol – diz com delicadeza.

Carol: Casar, Roberto, falando sério, você não pensa em casar de novo?

Roberto a avalia por uns instantes.

Roberto: Eu já me considero casado com você.

Carol fica um tempo considerando aquela declaração e pensando no que iria falar.

Carol: Você é um político, não te incomoda de viver… hum, enrolado? Estado Civil: Enrolado. Não se preocupa com o que os eleitores vão pensar?

Roberto ri do jeito que ela fala.

Roberto: Não vejo problema nisso, me considero um homem casado, comprometido com você, Carol, não preciso que um papel ateste isso, você precisa?

Carol fica sem saber o que dizer. Não estava gostando daquela posição de Roberto.

Roberto: Olha o Ciro Gomes e a Patrícia Pillar nem são casados oficialmente e isso nunca atrapalhou nada. – tenta brincar.

Carol: Tenho certeza que já oficializaram – fala séria.

Roberto: Pode ser, mas demorou pra isso acontecer.

Carol: Olha quem é ligado nas colunas de fofoca – fala ácida.

Roberto: Você quer casar, é isso? Oficializar? Porque podemos fazer isso amanhã mesmo. É só irmos a um cartório.

Carol toma aquilo como insulto.

Carol: Esquece, Roberto – diz,retirando-se do quarto.

14. INTERNA – NOITE – PRODUTORA – ESTÚDIO

[¯- Anos Dourados, Chico Buarque]

Fernando, nervoso como um principiante, mostrava uma música para Sara.  Ao final, ele pausa o som, e vira-se para ela, ansioso.

Fernando: E aí?

Sara: Eu gostei… – fala titubeando.

Fernando: Mas?

Sara: Achei algumas rimas meio repetidas. Talvez se trocasse algumas palavras… A melodia tá bacana, mas pelo que você me falou do filme, talvez pedisse algo mais forte, mais rock’n’roll, sabe? Romântico, mas com peso. Entende?

Fernando: Acho que sim. Posso trabalhar na música. – ele a encara com uma cara de súplica –Você poderia pensar em idéias para letra?

Sara consulta o relógio.

Sara: Pode ser, mas talvez eu estrague. O que você escreveu tá muito lindo, Ferdi.

Fernando: Tenho certeza que não vai estragar. Você sempre teve a manha de editar minhas letras. Vamos lá?

Fernando passa a Sara uma folha com a letra e uma caneta, enquanto ele pega o violão. Os dois juntos vão tocando e cantarolando a canção.

15. INTERNA – NOITE – RESTAURANTE

Carlos e Diego estavam sentados no bar do restaurante, esperando por sua mesa. Enquanto isso, bebiam um drinque.

Diego: Antes que ela chegue, queria te dizer que teremos uma convidada.

Carlos: Como assim?

Diego: Convidei minha ex, quero apresentá-lo.

Carlos não acreditava naquilo.

Carlos: Você tá brincando, né?

Diego: Não – responde, já nervoso.

Carlos leva uns segundos pra processar tudo.

Carlos: Por que isso, Diego? – pergunta sério.

Diego: Eu te falei, quero que você acredite que isso é sério pra mim. Você ficou bolado pelo fato de eu ter uma família. Quero fazer a coisa certa, quero que os conheça. Bom, meus filhos não vêm hoje. Só a Ingrid.

Carlos: Eu a conheço, Diego.

Diego: Não formalmente. Bom, você entende. Você encontrá-la na sala de espera da terapeuta não é conhecê-la de verdade. Quero que vocês conversem, se conheçam melhor.

Carlos: Então, ela topou de boa esse encontro?

Diego: Bom, ela não sabe que você tá aqui.

Carlos: Ah, então somos dois pegos de surpresa.

Diego: Por favor, Carlos, colabora – pede com jeito.

Carlos apenas balança a cabeça, consternado. Nesse instante uma garçonete se aproxima deles, informando que a mesa já estava desocupada. Os dois terminam seus drinks e quando se levantam e viram-se dão de cara com Ingrid.

Ingrid: Oi Diego – fala cumprimentando o ex. Ao ver Carlos ao seu lado, estranha – Carlos? O que você tá fazendo aqui?

Diego aproxima-se de Carlos. Carlos hesita. Ingrid, então, percebe algo, embora não queira aceitar.

Diego: Ingrid, esse é o Carlos. Sei que vocês já se conhecem, mas ele, bom, ele é…

Ingrid morde os lábios, engolindo seco.

Ingrid: Seu namorado?

Diego confirma com a cabeça. Ingrid recompõe-se do choque, tentando aparentar que está tudo bem.

Ingrid: Mundo pequeno, hein!

Carlos: Minúsculo! – ri nervoso.

Ingrid: Você sabia que eu era esposa dele? – pergunta na lata, ainda nervosa.

Carlos: Não, quer dizer, sim. – nervoso – Eu não sabia quando te conheci lá na clínica, apenas quando te encontrei na praia.

Ingrid balança a cabeça afirmativamente, processando as informações.

Ingrid: Eu não sabia que esse jantar seria a três.

Carlos: Em minha defesa, nem eu! – fala em tom de brincadeira.

Ingrid sorri amarelo.

Diego: Bom, vamos sentar? Nossa mesa é ali. – fala, indo na frente.

16. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA / APARTAMENTO DE ROBERTO

Gabriel estava em seu quarto deitado na cama e conversava por telefone com Larissa.

Gabriel: Então, tudo bem pra você se seu pai casar com a Tia Carol?

Larissa: Claro, por que não? Eu gosto dela, ela já tá morando aqui, tem mais que casar mesmo. Meu pai já tá a enrolando demais – brinca.

Gabriel: Nossa, mas eles nem namoram há tanto tempo assim.

Larissa: 1 ano e 7 meses. Isso na idade deles é muito, né?

Gabriel: Ainda bem que você pensa assim, não quero casar tão cedo.

Larissa: E quem disse que eu vou casar com você?

Gabriel: Ah, não? – fica um pouco abalado com o que ouve.

Larissa: Tô brincando, bestão.

Gabriel: Menos mal… – ri, e logo em seguida fica sério – Ei, Lissa…

Larissa: Que foi?

Gabriel: Você sempre se deu bem com a tia Carol?

Larissa: Sim, mais ou menos, você sabe como era. Por quê?

Gabriel: É… é o namorado da minha mãe, o Marcelo.

Larissa: Que que tem?

Gabriel: Não posso nem ouvir o nome dele que já fico com raiva. Acabo descontando na minha mãe.

Larissa: Mas por quê?

Gabriel: Não sei, ele é até legal… E eu nunca fui assim com as namoradas do meu pai, que eram um saco.

Larissa: Ciúmes?

Gabriel: Eu não tenho ciúmes.

Larissa: Claaaro – ironiza – Eu tinha ciúmes da Carol, muito. Mas meu pai sempre conversava comigo, me babava, pra eu não sentir que estava sendo trocada, mas mesmo assim eu tinha ciúmes. Mas tentava não demonstrar, porque, depois de tanto tempo, meu pai estava feliz outra vez. Sua mãe tá feliz?

Gabriel: Parece que tá.

Larissa: Então…

Gabriel fica pensativo.

17. INTERNA – NOITE – TEATRO – BILHETERIA

[¯- Wait For Love, Matt White]

Nora e Davi pegavam seus ingressos na bilheteria. Antes que Nora pegasse o dinheiro para pagar por eles, Davi se adianta e paga por ela.

Nora: Obrigada, mas não precisava.

Davi: Foi um prazer. Vamos? – diz, oferecendo o braço à Nora, que aceita.

Os dois seguem juntos para dentro da sala onde veriam a peça Amadeus.

18. INTERNA – NOITE – PRODUTORA – ESTÚDIO

[¯- Anos Dourados, Chico Buarque]

Sara ouvia Fernando e os colegas finalizarem a execução da música. Ao final, bate palmas, empolgada.

Sara: É isso aí, tá ótima!

Fernando: Graças a você.

Sara: Até parece, não fiz nada.

Norton: Você não faz idéia. A gente estava quebrando a cabeça com essa trilha há quase um mês. Você salvou a lavoura inspirando nosso amigo aqui – diz, batendo no ombro de Fernando.

Sara fica um pouco constrangida, mas estava gostando daquele clima de composição e produção musical.

Vítor: Temos que agradecê-la, minha cara. Aceita sair para comemorar com a gente?

Sara: Ah, não posso… Aliás, acho que perdi minha reunião – fala, consultando o relógio.

Vítor: Então, o que tem mais a perder? Vamos lá, esse é um grande projeto para nós e sem você teríamos que adentrar a madrugada e sem garantia que íamos conseguir tirar algo bom.

Fernando: É verdade, Sá. Vamos lá, só uma rodada, pra relaxar.

Fernando estava feliz e esperava que Sara aceitasse o convite, e tenta passar isso pelo olhar.

Sara: Tá bom, vamos – rende-se.

Norton e Vítor comemoram, Fernando apenas sorri.

Antes de sair, Sara tira o celular da bolsa e nota que tem algumas chamadas não atendidas, todas de Marcelo. Preocupa-se, mas guarda o celular e segue com Fernando e os colegas.

19. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA / APARTAMENTO DE ROBERTO

Gabriel e Larissa ainda conversavam por telefone.

Gabriel: Amanhã vamos nos ver – fala feliz.

Larissa: Sim, temos terapia.

Gabriel: E até que não tá tão ruim isso de conversar com um psicólogo.

Larissa: Eu gosto. Sempre saio de lá mais leve.

Gabriel: É verdade. – concorda, pensativo.

Larissa: Nossa, já estamos há mais de uma hora no telefone. Incrível como o meu pai ainda não veio reclamar.

Gabriel: Só estou com os pivetes em casa, então, tá tranqüilo.

Larissa: Sorte sua.

Nesse instante Eduardo e Rafaela entram em disparada no quarto.

Gabriel: Foi só eu falar, os pivetes chegaram aqui.

Larissa: Não fala assim, eles são fofos.

Gabriel: Fica com eles pra você… – os gêmeos começam a pular e a gritar pra chamar a atenção do irmão – Peraí, Lissa, eles estão querendo se comunicar. – tampa o bocal do telefone e fala com os irmãos – Que foi??!

Rafaela: Vamos jogar mau-mau?

Gabriel: Não.

Eduardo: Por favor, Gabs! – pede, fazendo dengo. Rafaela faz coro.

Rafaela: Não tem graça jogar de dois – faz manha – E você prometeu que depois que terminasse o trabalho, ia brincar com a gente.

Gabriel: Tá bom, tá bom, vão lá pra sala que eu já vou.

E os dois saem comemorando.

Gabriel: Vou ter que ir, Lissa.

Larissa: É, eu ouvi, você não resisti ao apelo deles.

Gabriel: Você sabe como eu sou coração mole. Te amo, linda. Beijos.

Larissa: Também te amo. Se cuida. Boa noite. Beijos!

Gabriel: Pra você também. Bons sonhos… comigo! Beijão!

Larissa: Desliga primeiro.

Gabriel: Ah, isso não! – brinca – Vamos desligar juntos, no 3… 1, 2 – antes de terminar a contagem, Larissa já tinha desligado o telefone, Gabriel apenas ri, balançando a cabeça, sorrindo apaixonado.

Assim que Gabriel desliga o telefone, ele toca.

Gabriel: Alô – atende furtivo, pensando que era Larissa.

Marcelo: Alô, Gabriel? É o Marcelo. Sua mãe está?

Gabriel: Não. Ela não tá com você?

Marcelo: Não, não veio pra reunião.

Gabriel: Não? Ela saiu daqui cedo.

Marcelo: Não… Será que aconteceu alguma coisa?

Gabriel: Já tentou ligar pro celular dela?

Marcelo: Já, ela não atende.

Gabriel: Vou ligar pro meu pai.

Marcelo: Calma, não precisa, deve tá tudo bem com ela.

Gabriel: Não, é que ela saiu para encontrar com ele antes.

Marcelo: Ah, certo… – engole seco – Bom, então se conseguir falar com ela, pede para ela me ligar, por favor?

Gabriel: Claro. Er… – fica pensando em o que falar – Er… Tchau, cara. Abraço.

Marcelo estranha, mas retribui o cumprimento.

Marcelo: Abraço.

No quarto de Larissa, quem adentra o recinto é Roberto.

Larissa: Oi pai, estava demorando – resmunga baixo a última parte – Tá aqui o telefone. Foi o Gabs que ligou – vai logo dizendo.

Roberto: Não é isso, filha. Você tem um tempo? Quero conversar com você.

Larissa assente com a cabeça. Roberto senta-se perto da filha, tomando coragem pra começar a falar.

Roberto: Amanhã tem terapia de novo – Larissa concorda com obviedade – Está indo tudo bem? Tá gostando? – pergunta com jeito.

Larissa: Sim. Acabei de comentar com o Gabs, sempre saio mais leve de lá.

Roberto: Bom – ele fica genuinamente feliz – Então, estamos indo bem? Sabe que pode contar comigo pra tudo, né? Se quiser desabafar, conversar, falar mal dos outros – brinca – qualquer coisa. Estou aqui.

Larissa: Sei, pai, obrigada – sorri de leve e emocionada.

Roberto fica a encarando.

Larissa: Era só isso?

Roberto: Na verdade, não. – um pouco encabulado, ele toma ar pra começar a falar, mas a filha se adianta.

Larissa: Sim, eu acho que você deve casar com a Carol.

Roberto ri.

Roberto: Que é isso? Até você, minha filha? Propagando boatos por aí.

Larissa: Aí, pai, tá na hora e seria lindo vai. Eu podia ser madrinha ou dama surpresa. Já sou grande demais pra dama de honra. Talvez a Rafa pudesse ser a daminha.

Roberto: Ok, é melhor você não chegar com todos esses planos pra Carol, acho que ela não quer ouvir mais sobre casamento hoje. – brinca – Mas tem uma coisa que quero te contar.

Larissa: Sou toda ouvidos.

20. INTERNA – NOITE – RESTAURANTE

O silêncio reinava na mesa onde estavam sentados Diego, Carlos e Ingrid.

Diego: Então, vocês costumavam conversar muito lá na clínica?

Ingrid encara Diego, mas permanece calada. Carlos resolve se manifestar.

Carlos: Não muito, eu sempre chegava em cima da hora. Ingrid é que era adiantada.

Diego: Sempre. Aprendi a ser pontual com ela.

Carlos: É, quando não tem plantão, você até que chega na hora – tenta descontrair.

Diego: Eu nem sempre fui assim obcecado por trabalho. Tenho a Ingrid como prova – ele vira-se para ela, esperando apoio, ela permanece calada – Ingrid?

Ela respira fundo. Carlos se ajeita na cadeira, nervoso.

Ingrid: Que foi, Diego? – ignorante.

Diego: Ingrid, por favor.  Que é isso?

Ingrid: Você quer o quê? Que eu fique aqui sentada, fingindo que está tudo bem? Fazendo de conta que tudo isso é normal?

Diego: Isso é normal. Eu só quero deixar as coisas claras entre nós.

Ingrid: Normal? Eu jantando com meu ex e seu amante, que, por sinal, é o cara que conheço da terapia, que sabe mais de mim do que eu gostaria. Não consigo imaginar uma situação mais constrangedora. Desculpa, Carlos, nada contra você, mas não estou preparada para isso. – fala, já se levantando – Com licença.

Diego: Ingrid… – ele faz menção de se levantar e segui-la, Carlos o detém com o braço – Eu preciso falar com ela.

Carlos: Eu sei, só vai com calma. Ela tá nervosa e… bem, essa noite foi realmente estranha. É muita informação nova para ela processar e, claramente, ela ainda não aceitou o fato de vocês terem se separado e muito menos de você ser gay e estar namorando.

Diego encara Carlos.

Diego: Você é sempre tão compreensivo assim?

Carlos: Não, mas venho tentando.

21. INTERNA – NOITE – LANCHONETE

[¯- Wait For Love, Matt White]

Após o teatro, Nora e Davi tomavam sorvete numa lanchonete.

Nora: É incrível a linha tênue entre a genialidade e a mediocridade humana. Achei incrível como eles trataram isso na peça.

Davi: Então, gostou?

Nora: Sim – ela diz, parando de tomar o sorvete – quase tanto quanto estou gostando desse sorvete.

Davi sorri.

Davi: É o melhor jeito de finalizar essas noites de superverão carioca. Sério, me desacostumei com o calor.

Nora limpa a boca com guardanapo.

Nora: Bom, por falar nos seus tempos de carioca. Eu queria dizer que a Vera me contou sobre o passado de vocês e o que o Guilherme fez.

Davi: Certo, ela me poupou de uma conversa chata – brinca, mas sabe que o tom de Nora era sério.

Nora: É, verdade – ri e volta logo a ficar séria – Mas posso ser sincera?

Davi: Claro.

Nora: Eu não quero que isso entre nós dois seja alguma forma de provocá-la. Eu e ela tivemos também nossas diferenças, mas creio que já superamos isso.

Davi: Não se preocupe. Minha relação com você não tem nada a ver com ela. Aliás, diferente do meu relacionamento com você, o meu atual relacionamento com ela é extremamente profissional. Isso não te incomoda, né?

Nora: Não, não faço a linha ciumenta.

Davi: Bom. E já que estamos sendo sinceros aqui, posso fazer o que estou louco pra fazer há tempos?

Nora: O quê?

Davi: Isso – diz e beija-a em seguida.

22. INTERNA – NOITE – BAR

[¯- Anos Dourados, Chico Buarque]

Numa mesa de bar, Sara, Fernando, Norton e Vítor bebiam cerveja.

Sara: Nossa, nem sei há quanto tempo eu não bebo cerveja.

Fernando: A gente parou depois que entrou na academia.

Sara: Para evitar a barriguinha, eu lembro.

Fernando: Pelo menos essa meta a gente conseguiu manter, ir à academia é que era difícil.

Sara: Verdade. Preciso voltar, aliás.

Vítor: Você? Tá ótima! Com todo respeito, Fernando.

Sara e Fernando ficam um pouco desconfortáveis. Sara finaliza mais um copo, Fernando, que estava bebendo refrigerante, toma a palavra.

Fernando: Tudo bem, cara. Nós somos separados, mas ela já tá comprometida. Tira o olho – brinca.

Vítor: Ah, desculpa.

Sara: Sem problemas.

Vítor: Você é idiota, meu caro. Deixou essa mulher escapar.

Fernando dá de ombros, entrando na brincadeira. Sara também estava mais relaxada e apenas ri.

Norton: Então, peço mais um rodada? Vamos aproveitar que hoje o Fernando é quem dirige.

Sara ergue o copo.

Sara: Quero saber é como eu vou voltar para casa.

Fernando: Eu te deixo. Levo você no seu carro, depois volto de táxi, não tem problema. É o mínimo que posso fazer depois do que me fez hoje.

Sara: Você é um anjo. Diga se existe melhor ex-marido? – pergunta aos demais, dando os primeiros sinais que a bebida já estava fazendo efeito.

Norton: E se toda ex fosse como você, o mundo seria perfeito – brinca – Viva a Sara! – puxa um brinde.

Todos os outros erguem seus copos e entram no coro.

23. INTERNA – DIA – ÁGORA / BARBOSA & LIMA / APARTAMENTO DE SARA

Na sua mesa, Carol pega seu celular e faz uma conferência com Sara e Carlos.

Carol: Queridos irmãos, estão na escuta?

Carlos: Sim.

Sara: Sim – fala quase resmungando. Estava sofrendo com uma dor de cabeça chata. Reflexos da noite anterior.

Carol: Estava pensando na melhor forma de propagar uma fofoca sobre minha pessoa na família. Claro que só podia ser contando para vocês dois.

Carlos: Não estou com cabeça para piadinhas matinais.

Sara: Nem eu. Fala logo, Carol… Ai, acho que vou vomitar. – sente náuseas.

Carol: Ok, Carlos, não vai perguntar se a Sara tá grávida?

Carlos: O que eu falei sobre as piadinhas?

Carol: O que deu em vocês? Ontem me perturbaram o dia inteiro e hoje ficam aí esnobando.

Carlos: Ontem eu não tinha as preocupações de hoje.

Sara: Idem.

Carol: Ok, eu só quero ratificar o que eu disse ontem, eu realmente não vou me casar.

Carlos: E a novidade?

Carol: Só espero que agora vocês acreditem e deixem de me atormentar. Não há casamento.

Carlos: Melhor assim, minha irmã. Você é uma sábia. Não queira ser a esposa de ninguém.

Sara: Nem ex – fala tão baixo que os irmãos nem escutam.

Carlos: Mesmo que ele seja lindo e inteligente.

Carol: Ok, querido irmão rabugento.  Poderiam avisar o restante da família? Tomás, Júnior e Rebeca também me ligaram ontem.

Carlos: Tudo bem, falo com eles. Sara fala com a mamãe.

Sara: Eu?  Tá bom, não vou nem discutir. Não estou em condições. Aliás, Carol, o que ela achou disso tudo?

Carol: Não sei, ela não me ligou.

Carlos: Isso sim é uma novidade.

Sara: Estranho.

Carlos: Muito!

Carol: Preciso averiguar.

24. INTERNA –DIA – CASA DE NORA ANDRADE

Era por volta da hora do almoço quando Carol chegou à casa da mãe.

Nora: Você? – fala surpresa quando abre a porta.

Carol: A boa filha a casa volta.

Nora: Sei… Tudo bem?

Carol: Na medida do possível, e a senhora?

Nora: Ótimo.

Carol: Mesmo?

Nora: Sim, perfeito.

Carol: Não tem nada que queira me perguntar?

Nora: Não.

Carol: Mesmo? – ainda desconfiada.

Nora: Hum… – pensa por uns instantes – A que devo a honra de sua visita?

Carol: Não posso almoçar com a minha mãe?

Nora: Assim inesperadamente… é de se estranhar.

Carol: Bom, eu ia almoçar com o Roberto, mas estou o evitando.

Nora: Ah, não me diga que os noivos brigaram! – ironiza.

Carol: Ahá! Eu sabia que você sabia!

Nora: Claro, Ana Carolina. Então, você nunca ia mesmo me contar que ia se casar?

Carol: Não – Nora fica ainda mais indignada – Porque eu não vou me casar.

Nora: Mesmo? – desconfia.

Carol suspira.

Carol: Mesmo. Aquilo foi só um boato. E tá sendo um martírio ficar negando isso para todo mundo, porque acho que, no fundo, eu queria que essa fofoca fosse verdade. Pronto. Você queria uma notícia de primeira mão? Tá aí. Estou confessando que quero casar, mas meu namorado não.

Nora: Ah, minha filha… – sensibiliza-se e começa a consolá-la – Mas por que ele não haveria de querer casar com você, querida?

Carol: Na verdade, ele já acha que é casado comigo. Assim, simples. Sem pedido, aliança, festa, igreja, nada.

Nora: Você? Festa? Igreja? – estranha, e Carol lhe lança um olhar de indignação – Olha, não que eu seja a favor. Mas não é o que chamam de casamento moderno? As pessoas não precisam de um papel para se sentirem casadas, nem mesmo legalmente. Vai ver assim que o Roberto pensa.

Carol: Mãe, até você?! A questão não é o papel, ok? É sentir que ele quer se comprometer comigo, assumir o compromisso… Aí vou ser piegas, mas é o jeito. A questão é saber que ele está disposto a tentar o “felizes para sempre comigo”, sabe?

Nora: Ah, minha filha, se você tá se sentindo assim, você deveria falar com ele. Homens podem ser meio insensíveis mesmo. São desligados dessas coisas.

Carol: Ah, não… Acho que tô exagerando. No fundo acho que só tenho ciúmes porque ele fez tudo isso com a Mariana. É claro que ele não quer repetir tudo. Não faz sentido. Preciso aceitar isso, não sou mais nenhuma adolescente. Isso! – fala se levantando e recompondo-se – Sou uma mulher e sei que ele me ama, não preciso de um vestido de noiva ou um papel que ateste isso.

De repente Carol pega sua bolsa e se prepara para sair.

Nora: Não íamos almoçar juntas?

Carol volta, rindo sem jeito.

Carol: É mesmo. Posso fazer a pose mulher independente e bem-resolvida depois. Vamos almoçar.

Nora: E rápido, porque tenho que ir ao médico daqui a pouco.

Carol: Algo de grave?

Nora: Não, só rotina.

E as duas seguem para cozinha.

25. INTERNA –DIA – QUATRO ESTAÇÕES

Receosa, Rebeca, carregando uma pasta com fotos, entra na Quatro Estações e, como temia, dá logo de cara com a mãe, então, desvia o olhar e segue para falar com a secretária.

Rebeca: Oi, o Davi já chegou?

Vera: Ainda não – ela responde pela secretária.

Rebeca finge que não a escuta.

Rebeca: Vou esperar por ele lá fora, então – diz para secretária.

Vera: Rebeca – a garota continua andando sem responder a mãe – Rebeca! – aumenta o tom de voz, e Rebeca vira-se mesmo sem querer – Vem cá, precisamos conversar – e a conduz ao seu escritório.

Assim que chega ao escritório, antes da mãe falar, Rebeca dispara.

Rebeca: Eu só vim pra falar com ele, espero que você não atrapalhe dessa vez.

Vera: Não vou. Não gosto dessa aproximação de vocês, mas já vi que não posso fazer nada. Só tenha cuidado.

Rebeca: Com o quê?

Vera: Não sei, Rebeca.. Não sei qual é a do Davi, se aproximando de você, da Nora…

Rebeca: O que tem, mãe? Até onde eu sei, ele conheceu a Nora por acaso. E eu, bom, ele soube que eu me interessava por fotografia e resolveu ajudar. Você deveria agradecê-lo por isso.

Vera: Ele está iludindo você. Isso – fala, apontando para a pasta de fotos nas mãos de Rebeca – não é esse mar de rosas, glamour, que ele tá pitando. Essa carreira não é fácil.

Rebeca balança a cabeça incrédula.

Rebeca: Eu sei disso, mãe. E, como eu disse, ele só tá me ajudando.

Vera: Minha filha, eu tenho medo de ele querer fazer algo com você para me atingir.

Rebeca: E por que ele ia querer isso, mãe?

Vera fica um tempo em silêncio até ter coragem para falar.

Vera: Eu e ele temos um passado.

Rebeca: Sabia – fala irônica e decepcionada.

Vera: Não me julgue!

Rebeca: Quando foi isso?

Vera: Pouco depois de você nascer.

Rebeca: Então, você já estava com o Guilherme? – Vera fica em silêncio e isso responde – Inacreditável.

Vera: Eu e o Guilherme não estávamos bem, estávamos num momento turbulento. Conheci o Davi e me encantei. Tivemos um breve relacionamento. Quando o Guilherme soube – ela faz uma pausa, avaliando as palavras – Quando ele soube, ficou com raiva por eu estar com outro cara. Tentou suborná-lo, mas Davi não aceitou. Então, deu um jeito do Davi ser transferido para São Paulo. Ele era conhecido do dono na empresa onde o Davi trabalhava… Fez isso só para nos afastar.

Rebeca: Nossa… Que baita sacanagem vocês fizeram com ele, hein! Não me surpreende ele ainda guardar rancor.

Vera: Eu não fiz nada, Rebeca.

Rebeca: Exatamente. Você poderia ter evitado.

Vera: Eu só soube depois, foi tudo muito complicado. E na verdade, essa mudança fez muito bem à carreira dele. Talvez ele não tivesse chegado aonde chegou se tivesse continuado no Rio.

Rebeca: Talvez, mesmo assim, vocês não tinham o direito. Tudo poderia ter sido diferente.

Vera: Isso não vem o caso… Só quero que fique atenta.

Rebeca avalia a mãe por um tempo.

Rebeca: Tudo bem, mas algo me diz que você escolheu o cara errado.

Vera: Não me venha falar de más escolhas, Rebeca. – a filha entende a provocação – E eu amava o seu pai.

Rebeca: E eu amo fotografia, com licença – diz, retirando-se com raiva da sala.

26. INTERNA – DIA – UFRJ – SALA DOS PROFESSORES

Estava terminando mais uma reunião de departamento. Cada professor ia deixando o recinto. Marcelo e Sara ficam enrolando. Demoram-se a arrumarem as coisas, fazendo hora em seus lugares. Claramente ambos queriam ficar a sós. Quando isso acontece, Sara aproxima-se de Marcelo.

Sara: Desculpa por não ter vindo ontem.

Marcelo: Certo. E por que não veio? – fala ressentindo.

Sara: Eu sei que o Gabriel te contou que eu estava com o Fernando.

Marcelo: É, eu só não sei fazendo o que ou por que não me atendeu.

Sara: Não estava fazendo nada demais. Ele me chamou para eu ajudá-lo num trabalho. Acabou que demorou demais e quando eu vi, já não daria tempo para eu pegar a reunião. O local era do outro lado da cidade. E eu estava num estúdio, música alta, não ouvi meu celular tocar.

Marcelo: E não me ligou para avisar que não vinha por quê?

Sara: Eu pensei que você não ia gostar do fato de eu estar com meu ex, preferi não criar atrito. Queria conversar pessoalmente.

Marcelo: Claro, porque assim eu fico como o ciumento da história. A gente tem um projeto juntos, além de um relacionamento.

Sara: Não, Marcelo. Eu sei que a errada aqui fui eu. Não devia ter faltado a reunião e devia ter te avisado, não levado pro lado pessoal. Eu misturei você, meu namorado, com você, meu colega de trabalho. Desculpa.

Marcelo: Tudo bem, Sara, confesso que também misturei as coisas. Mas não quero mais discutir isso – diz depois de um tempo em silêncio.

Sara: Certo, nem eu. Você tem um tempo?

Marcelo: Pra quê?

Sara: Quero que você me passe o que aconteceu na reunião de ontem. E também tive algumas idéias novas para empresa, quero te mostrar.

Marcelo: Ok, vamos lá, colega de trabalho.

Sara aproxima-se com jeito.

Sara: E se você quiser, como meu namorado, tomar um café depois. – deixa o convite no ar por um tempo, e os dois ficam se encarando –Eu estou com saudades – completa.

Em resposta, Marcelo a abraça.

27. INTERNA –DIA – HOSPITAL

Sentada em frente à mesa do médico, Nora narrava seus sintomas e como andava se sentindo mal nos últimos dias.

Médico: Olha, Dona Nora, diante dessas suas fraquezas, desmaio, queda de pressão, dores e também devido sua idade, o ideal é fazermos um check up geral. Vou passar um rol de exames para senhora,  daí com os resultados, se tiver alguma alteração, podemos nos guiar melhor no diagnóstico. Eletrocardiograma, hemograma, glicemia…

Nora apenas concordava com a cabeça, um pouco apreensiva com aqueles nomes.

28. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS – CORREDOR

Carlos levava Júnior até a porta. Júnior carregava consigo uma gramática.

Júnior: Valeu, brô!

Carlos: Só tenha cuidado, tá? É filha única.

Pâmela: Carlos sempre cuidadoso e mesquinho – ela aparece no corredor, estava chegando ao apartamento.

Carlos: Ei Pâmela, esse é o Júnior, meu irmão mais novo. Júnior, essa é “A” Pâmela.

Júnior: A famosa Pâmela, prazer.

Pâmela: É todo meu. E nossa, essa família é abençoada. Só tem homem lindo.

Júnior: Obrigado. Você é que é linda.

Pâmela sorri e os dois ficam se encarando. Carlos finge que está tossindo para chamar a atenção dos dois.

Carlos: Então, o Júnior já estava de saída. Tchau, rapaz, e se cuida. – fala, praticamente empurrando o irmão.

Júnior: Tchau, valeu mais uma vez. E prazer, Pâmela, espero que a gente se esbarre mais vezes – diz, despedindo-se dela com dois beijos no rosto.

Pâmela: Digo o mesmo.

Júnior sai, e Pâmela o acompanha com o olhar. Quando se vira dá de cara com Carlos a encarando.

Pâmela: O que foi?

Carlos: Cuidado com a vida, dona Pâmela. Eu te conheço!

Pâmela: Relaxa, baby. – solta de longe um beijinho para ele – Não precisa ter ciúmes.

Carlos: Ai, já vi que você quer entrar na família de qualquer jeito, hein! – brinca – Boa noite!

Pâmela: Buenas!

E os dois entram nos seus respectivos apartamentos.

29. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO

[¯- Chasing Cars, Snow Patrol]

Roberto andava impaciente, dando voltas pela sala, atento a porta. Fica assim até ela se abrir e Carol adentrar o apartamento. Ele sorri, nervoso e encantado. Carol estranha.

Carol: Que foi? Tá tudo bem?

Roberto: Ótimo.

Carol: E essa cara de bobo? Te escolheram para ser candidato ao Governo?

Roberto: Ainda não.

Carol: Ganhou na loteria?

Roberto levanta as sobrancelhas, fazendo mistério.

Carol: Ganhou?!

Roberto: Sim. Você é o prêmio.

Carol: Aí, bobo! Por um momento eu pensei que você estivesse milionário.

Roberto: Já tenho muita sorte na vida. Nunca vou ganhar na loteria. É a lei da compensação. – brinca.

Carol: Sei…

Roberto aproxima-se dela e segura sua mão. Carol fica nervosa, estranhando aquilo.

Roberto: Carol, eu já me sinto casado com você por…

Carol o interrompe.

Carol: Tá tudo bem, Roberto.

Roberto: Posso falar? – Carol concorda com a cabeça – Então, como eu estava dizendo. Eu me sinto casado com você porque toda vez que te vejo entrar por essa porta, eu me sinto o homem mais sortudo do mundo. – segurando a sua mão, ele a conduz para cozinha – Eu me sinto casado com você porque apesar de você ser uma lástima como cozinheira, faz o melhor café do mundo toda manhã. E podemos beber xícaras e xícaras de café enquanto discutimos política e nunca vamos perder o sono, nem a esportiva.

Roberto levava Carol para outro cômodo quando ela o interrompe.

Carol: Entendi, amor.

Roberto: Eu não terminei, calma.

Carol: Não precisa, Roberto, sério, eu entendi. Desculpa se ontem pareceu outra coisa, estava meio surtada.

Roberto: Adoro você surtada. Mas vamos combinar de você não me atrapalhar mais? Passei muito tempo planejando esse momento. Não se preocupe, eu te concederei a réplica. Pode ser?

Carol apenas balança a cabeça afirmativamente. E ele a leva até o escritório, onde havia uma mesa, um computador, estantes empilhadas de livros e um sofá.

Roberto: Sinto que somos um casal e tanto quando passamos o dia trancados aqui, lendo, abraçados. Nossas discussões literárias são as melhores. A sua habilidade em organizar os livros me encanta. Cada vez que venho aqui descubro um detalhe novo. Adoro as notas que você deixa dentro deles. Impressões e pensamentos. Às vezes parece que não tem nada a ver com o livro, mas é exatamente por isso que parece que estou falando contigo. Você é peculiar… E todos esses livros que você trouxe para cá e ficam, lindamente, empilhados no canto da parede por falta de espaço, simplesmente me fazem ficar ainda mais apaixonado. – Carol abre a boca para falar algo, e Roberto a detém, colocando o dedo nos seus lábios – E as correções que você faz nos meus discursos, todas as críticas e dicas. A melhor editora de todas. Sem contar quando me faz testá-los com você. Porque se realmente eu te conseguir convencer de algo, convenço qualquer um – pisca pra ela, Carol revira os olhos.

Roberto agora a conduz até o quarto de Larissa.

Roberto: Tenho certeza que você é a mulher da minha vida, porque além de mim, você faz minha filha feliz.

Carol se emociona. Roberto também.

Carol: Ah, amor…

Roberto: Ei! – adverte – Só falta mais um lugar.

Então eles seguem até o quarto.

Roberto: Bom, aqui é nosso mundo e ele tem sua cara. Seja pelas suas roupas e sapatos que já tomam conta de quase todo o guarda-roupa se misturando com as minhas coisas, seja pelo copo d’água na cabeceira que você acorda de madrugada para tomar. Sou só um coadjuvante e adoro isso. Aqui no banheiro – diz, levando-a até lá – Inesquecíveis banhos juntos! – sorri malicioso – E na cama, bem, muitas noites vendo telejornal ou assistindo a filmes. Reclamando da vida, contando sobre nossos dias, fazendo planos, sonhando e nos amando. – Carol, de costas para Roberto, fica encarando a cama, pensativa – Enfim, desde que você aceitou chamar tudo isso de lar, me considero casado com você.

Ele diz e pega algo no bolso da calça. Quando Carol vira-se, ela se depara com ele de joelhos, segurando uma aliança. Ela é pega totalmente de surpresa.

Roberto: Eu só queria saber se você também se sente casada comigo.  Se aceita ser minha mulher… para sempre.

Carol: Aí, não acredito. Você só tá fazendo isso porque eu disse aquilo ontem? – estava emocionada, mas ainda desconfiada.

Roberto: Não, Carol. Eu já vinha planejando isso há muito tempo.

Carol: Mesmo?

Roberto: Onde há fumaça, há fogo. O boato deve ter nascido porque alguém soube que eu comprei uma aliança e, bem, comentei com alguns assessores na Assembléia.

Carol: Oh, então, o povo da Assembléia é que são os fofoqueiros, hein. Quem diria.

Roberto ri. Carol já tinha lágrimas nos olhos.

Roberto: Bom, eu ainda estou de joelhos, esperando uma resposta. Esse é o momento da sua réplica.

Ela pega a aliança e coloca no dedo, em seguida, puxa Roberto pela mão e o beija, apaixonada.

Carol: Sim, eu aceito ser sua mulher para sempre. – fala, ainda junto a ele.

Roberto: Está certa disso? – Carol balança a cabeça confirmando. Roberto sorri, feliz – Mas você sabe que isso significa que você vai virar uma Pelegrini, né? – Carol dá uma gargalhada. – É sério, quero tudo como manda o figurino, vamos casar, no papel, com festa e tudo mais. E você vai usar meu nome. Sou um homem à moda antiga.

Carol: Tá bom, mas só se você colocar Andrade também – brinca.

Roberto: Tudo bem.

Carol ri. Roberto se mantém sério.

Carol: Você tá falando sério?

Roberto: Claro, acho justo.  Na alegria e na tristeza… – brinca.

Carol ri. Os dois se abraçam.

Roberto: Ana Carolina Andrade Pelegrini – diz no pé do ouvido de Carol, quase em sussurro.

Carol faz o mesmo.

Carol: Roberto Andrade Pelegrini.

Continua…

Trilha Sonora

– Wait For Love, Matt White

– Anos Dourados, Chico Buarque

– Chasing Cars, Snow Patrol

7 Respostas to “Corações e Mentes”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera!!

    UAU!!!!!

    É o que posso dizer desse episódio!!! Matou a pau!!!

    Gostaria de ter visto a cara da Carol quando descobriu sobre o seu “casamento”. As cenas seguintes foram as melhores que já li aqui, muito divertidas!!!

    E mais, o que foi esse pedido de casamento feito pelo Roberto???? PERFEITO!!!!! Fiquei emocionado!!!! Posso copiar? Ou terei que pagar royalties???

    Gostei da cena no hospital. O Tomás leva jeito com crianças. O que será que virá por aí? Será que eles tomarão conta do Caio? Que surpresas o destino aguarda pra eles??? O jeito é esperar…

    E a Sara e o Fernando??? Será que ficaram mesmo somente nas biritas??? Hum!!!! Sei não hein…

    E as atitudes de Vera com o Davi?? Estão cada vez mais estranhas… Tudo bem que eles tiveram um caso no passado, mas porquê isso tudo agora?? E por que ela o chamou?? Estranho…

    Para finalizar e eu já falei isso pro Rodrigo ontem no Twitter. Cada dia que passa eu odeio mais o Diego. O que ele tem na cabeça pra ter feito uma miséria dessas com o Carlos e com a Ingrid? Nenhum dos dois mereceu passar por tal situação!!! Coitada da Ingrid… Vai ser muito difícil mudar minha opinião sobre ele. É derrapada atrás de derrapada… Só mais uma coisa, CADE O SÉRGIO????

    Ah, será que a Pam vai passar o rodo no Junior?? Cada vez mais eu gosto dela!!!

    Abraços a todos!!!

    1. mariasamara Says:

      Fala Gustavo,

      Que feliz que tu gostou assim do episódio, obrigada:)

      Claro que pode copiar o pedido de casamento. Depois nos conta como foi a reaçao, rs

      Acho bom ver Sara e Ferdi aos poucos se aproximando, mas se isso vai ser mais que amizade, só o tempo dirá.

      Eu gosto muito do Sérgio, mas aos poucos to aprendendo a gostar do Diego, dá uma chance ao rapaz, rs

      O que esta havendo com Vera é estar confrontando um passado mal resolvido. Daí tudo ser confuso.

      Pamela e Junior, entao, vc gosta desse possivel casal?

      Beijos!

  2. Julia Says:

    Só comentarei a última cena.
    Chorei.
    Perfeito.
    Queria que existisse no mundo real.

    Mais o ep. tá muito bom!
    Algumas coisas me irritam.. Maaaais esqueci tudo com a última agr..

    1. mariasamara Says:

      Oi Julia,

      quem nao quer uma cena assim na vida, né? Mas, posso soar um pouco otimista ou piegas demais, mas tem que existir algo assim no mundo real. Não é só a Carol que merece, rs

      No mais, que bom que gostou do ep e obrigada pelo comentário, mas pode dizer o que está te incomodando.

      inté!

  3. Natie Says:

    Ai Sam!!! Que epi mais LINDO!

    Pra começar eu adoro a Carol e adorei o fato do epi ter sido focado nela e no Roberto… Todas as fofocas geradas e me emocionei com o pedido de casamento, claro! Lagriminhas quase cairam… rsrs… E mal posso esperar pela cerimônia…

    Bom, falando dos outros agora…

    Tenho q concordar com o Carlos e a Ingrid! Como assim um jantar com o namorado e a ex? Megaaaaaaaaa estranho!!
    E sempre adoro as cenas Carlos/Pâmela, mas Pâmela e Junior? Não sei… Um pouco esquisito…

    Aaaaah como eu queria ter visto Sara bêbada com Fernando! hehe… Fica pra próxima…

    Davi gerando polêmicas ainda né? E vai rolar algo sério com a Nora? Alias, meio preocupada com os mil exames dela…

    Supeeeer fofa a conversa de Gabriel e Larissa… Adoro o casal!

    E teve pouco Tomás, né? (missed him!) E achei bonitinha a cena dele com as crianças no hospital…

    Beijooos!

    1. Samara Says:

      Oi Natie,

      Roberto e Carol são fofos, né? Já estava mais no que na hora de eles darem esse passo.

      Diego foi mesmo sem noçao armando esse jantar, mas repara como Carlos foi maduro. Um avanço, concorda?

      Sara bebada com Ferdi, hum, acho que isso teria consequencias, mais do que uma ressaca…rs

      Logo terá mais Tomás e crianças, aguarde.

      Beijos e obrigada pela leitura e comentário 😉

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