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Sinopse: O começo da segunda temporada! Todos os personagens ficam entre seu passado e seu futuro. Júnior encara a realidade que descobriu no último episódio e com isso, envolve toda a família. Nora está preocupada com o filho, e faz de tudo para fazer com que ele se sinta bem. Tomás se arrepende e seus problemas se somatizam de uma forma muito mais grave. Sara e Carol tem que lidar com suas escolhas profissionais e pessoais. Carlos sofre com o fim de namoro. Rebeca, Vera e Saulo descobrem novos caminhos a seguir.

Na temporada anterior: Júnior conta que estava envolvido no acidente de Vitória. Tomás, raivoso, revela que Júnior é adotado e ele procura Rebeca, atordoado. Sara consegue o emprego de professora numa faculdade e ela e Fernando sofrem uma recaída. Diva briga com Saulo por causa de seu namoro com Vera e se muda para a casa de Nora. Roberto e Carol começam e avançam na procura por Paulo. Ela se muda para o Rio definitivamente e se muda para a editoria de Cidades. Sérgio acha que Carlos o traiu com Pâmela e eles brigam feio. Carlos vai pedir desculpas, e mesmo, ele não tendo feito nada, os dois terminam de vez. Vera e Saulo decidem abrir uma editora, e ele se demite da Andanças.

01. INTERNA – DIA – ORFANATO SANTA CLARA

Nora estava no orfanato, corrigindo alguns trabalhos das crianças. Desde que Tomás havia contado a Júnior sobre a adoção e ele havia saído de sua casa, ela tem ficado mais tempo no orfanato e voltado para casa só quando necessário, fazendo hora extra.

Ela sabia que Júnior estava na casa de Rebeca, pois a menina havia ligado para ela no dia seguinte ao que ele foi para lá, a contragosto dele. Como ele se recusava a falar com a mãe, o canal de contato entre os dois era Rebeca.

Nora dá uma pausa na correção dos trabalhos e liga para a filha ilegítima do ex-marido.

02. EXTERNA – DIA – CAMPUS DE DIREITO DA UFRJ

Rebeca está na faculdade, indo à sala de aula, quando escuta seu celular tocar.

Rebeca: Alô?

Nora: Rebeca? Bom dia, aqui é a Nora. Tudo bem com você?

Rebeca: Tudo bem e com a senhora?

Nora: Também. Eu liguei para saber se você tem alguma notícia do Júnior.

Rebeca: Não desde ontem à noite, dona Nora. – Ela responde e depois percebe que a resposta pode ter sido grossa. – Olha, desculpa. É só que eu tento e tento e ele ainda se recusa a falar com vocês. Eu não sei o que fazer. O máximo que consegui foi fazer ele me deixar pegar as coisas dele e contar pra vocês que ele estava comigo.

Nora: Eu sei querida, só queria que tivesse algum jeito de fazer ele voltar a falar com a gente. Não com Tomás, é claro que ele não vai querer ver o irmão por um tempo… Eu só queria explicar tudo pra ele.

Rebeca: Olha, dona Nora, eu sei que disse antes que eu achava que ele precisava desse tempo, mas agora, eu acho que tudo o que ele realmente quer é que a senhora e os irmãos dele vão atrás dele para falar que tudo vai ficar bem. Ele quer se sentir querido. Pelo menos é isso que eu acho.

Nora: Ah, se você soubesse quantas vezes eu pensei em fazer isso! Mas achei que talvez fosse piorar tudo.

Rebeca: Por que a senhora não aparece hoje lá no apartamento mais tarde? Eu vou falar com o porteiro para deixar você subir sem ter que pedir ao Júnior.

Nora: Muito obrigada, Rebeca. Espero que dessa vez funcione!

Rebeca: Eu também! – Ela escuta o sinal tocar. – Minha aula vai começar, dona Nora. Tenho que ir. Até outra hora! Beijos! – E desliga. No caminho, passa pelo mural de oportunidades de estágio. Destaca alguns números de algumas possibilidades e entra na sala.

03. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DE CAROL

Carol se levanta assustada, ela olha para o relógio de cabeceira e pula da cama.

Carol: Despertador filho-da-mãe! Droga, droga! Ótimo, Ana Carolina Andrade, atrasada no seu primeiro dia no trabalho novo! – Ela diz enquanto entra no banheiro e liga o chuveiro para o banho.

Ela então leva um choque ao girar a torneira de água quente e no ímpeto de se afastar dela, acaba caindo no chão, com vários frascos de xampu na sua cabeça.

04. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA – COZINHA/SALA

Sara estava tomando o café da manhã com Gabriel quando a campainha toca, ela vai atender. Era Fernando trazendo os gêmeos de volta do passeio de Carnaval.

Sara: Até que enfim! Achei que eles não vinham mais. Eles têm aula hoje, sabia?

Fernando: Eu sei e eles tão bem descansados, né? – Ele diz passando a mão na cabeça dos dois filhos menores e depois desvia a atenção para o primogênito. – E você como foi de feriado?

Gabriel: Foi tudo bem, pai. Fiquei aqui, curtindo com o pessoal.

Fernando: Parece divertido. – O filho não parece querer estender muito o assunto.

Sara: Bom, agora, corram os três e fiquem prontos porque eu vou levar vocês pra escola! – Eles obedecem e Sara fica a sós com Fernando. Eles se sentem desconfortáveis. – E aí? Eles deram trabalho?

Fernando: De jeito nenhum, eu tô acostumado com esses dois pestinhas.

Sara: Hm… – Ela sorri sem graça.

Fernando: Acho melhor eu ir indo, então. Não quero atrapalhar você.

Sara: Ok, até mais então. – Eles se despedem e percebem que os rostos iam automaticamente para um beijo na boca. Param no meio do caminho e vão ambos para o mesmo lado tentar um beijo na bochecha, depois se entendem e conseguem se despedir.

05. INTERNA – DIA – BARBOSA-LIMA – ESCRITÓRIO DE CARLOS

[♫ – Misunderstood, Bon Jovi]

Carlos está sentado de frente à porta com alguns papéis sobre a mesa. Ele tem a cabeça apoiada nas mãos e o olhar fixo para frente. Na realidade, ele estava pensando em Sérgio, coisa que ele fazia todo dia desde que eles haviam terminado. Ele relembrava os momentos felizes e lamentava o fim de um relacionamento que ele estimava muito. Carlos sempre teve relacionamentos conturbados, mas nenhum tão verdadeiro quanto esse. Pelo menos, era isso o que ele achava.

De repente, a porta se abre com um estrondo e por ela, entram Sérgio e Mônica, a secretária de Carlos.

Mônica: Seu Carlos, eu tentei impedir, mas ele fez questão de entrar sem ser anunciado e eu não consegui segurá-lo.

Carlos: Tudo bem, Mônica, obrigado. – Ele disse surpreso. – Agora, feche a porta ao sair, por favor. – Ela obedece e ele se vira para Sérgio – O que é isso? Você não pode entrar quando quiser, como quiser… E se eu estivesse em reunião, com um cliente, sei lá…!

Sérgio: Esse sei lá seria outro homem? – Ele interrompe o falatório de Carlos.

Carlos: E por acaso você se incomodaria com isso? – Ele diz seco.

Sérgio: Carlos, me escuta…

Carlos: Pra ser humilhado de novo? Não, brigado.

Sérgio: Fica quieto e me escuta! – O Andrade se surpreende e se cala. – Eu estou muito arrependido de ter dito o que eu disse a você. Nós dois realmente precisamos crescer e amadurecer, mas eu te amo e não posso ficar sem você. – Sérgio vai em direção a Carlos e o beija com força. Carlos primeiro fica surpreso, mas depois se entrega. Ele se apóia em sua mesa e derruba tudo que estava em cima dela com a mão. Ele se senta sobre a mesa, desfazendo o nó da gravata enquanto Sérgio desabotoava a camisa, quando…

O telefone toca e Carlos acorda de seu devaneio diurno, frustrado com si mesmo e com a certeza, mesmo que momentânea, de que Sérgio e ele nunca mais ficariam juntos.

06. INTERNA – DIA – ÁGORA RJ – EDITORIA DE CIDADES

Carol abre a porta do seu novo local de trabalho com pressa, ainda perdida. Ela está visivelmente cansada. Ela avista um grupo saindo de uma das salas de reunião. O burburinho cessa para poder olhar para a recém-chegada. Ela procura com os olhos Horácio Guerra, aquele que será seu novo editor e com quem ela já tinha conversado. Quando o acha, ela dá um sorriso.

Carol: Horácio, desculpa o atraso. Meu despertador não tocou! Essas tecnologias, sabe como é…

Horácio: Não sei. Sei como é gente descompromissada e com preguiça de trabalhar. – Ele diz sério e o sorriso de Carol murcha. Todos ficam um tempo em silêncio antes do próprio Horácio dar uma risada alta. – Brincadeira, Carol! Eu entendo perfeitamente. – Carol abre um sorriso incerto. – É só garantir que isso não se repita com freqüência.

Carol: De jeito nenhum! Foi só dessa vez!

Horácio: Bom, agora coloque suas coisas na mesa e vamos conhecer seus colegas de trabalho. – Ele se volta àqueles observando Carol. – Esse na sua mesa a direita é o Renan, o senhor da diagramação; do lado dele está a Babi que é a fotógrafa principal aqui da nossa editoria. – Babi acena feliz para Carol dizendo “oi” e Renan sorri e a cumprimenta com a cabeça. – A Karina, a sua esquerda, uma de nossas repórteres e, por último, temos o Zé, o pobre estagiário da redação. Pessoal, essa é a Carol, nossa mais nova repórter.

Zé: É um prazer, Carol! – Ele diz lhe cumprimentando com um aperto de mão. Ela sorri.

Karina: Seja bem-vinda, querida. – A repórter cumprimenta analisando Carol de cima a baixo.

Carol percebe o olhar de Karina e o tom do seu “querida”. Assim que se senta em sua cadeira, ela tira o celular da bolsa e manda uma mensagem para a irmã: Depois preciso te contar uma coisa. Me lembre. Tem a ver com a teoria do K. Beijos.

07. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA – SALA

[♫ – Stop and Stare, OneRepublic]

Júnior estava dormindo no sofá, como tem feito desde que se mudara para lá. Ele suava e se revirava, tendo um pesadelo.

Um Júnior de 5 anos estava na formatura de Tomás, vestido de terno e com a gravata machucando o pescoço. Tomás estava sentado na frente com os outros formandos. Enquanto os Andrades estavam sentados de frente para o palco.

Júnior: Pai, pai! Tira a gravata? Tá doendo! – Ele pede para Guilherme, que estava do seu lado.

Guilherme: Que gravata, filha? – De repente, ao lado de Guilherme, estava uma Rebeca de 5 anos, com um vestidinho florido. Ela se levanta e vai até em frente aos bancos dos formandos, onde alguns pais (incluindo Nora) estão ajoelhados, tirando fotos. Ela começa a acenar para Tomás e rebolar, mostrando a língua, o provocando. Os colegas do irmão mais velho começam a rir enquanto ele fica rubro de vergonha.

A cena se esvanece e Rebeca, agora com 10 anos, estava na sala da casa dos Andrades, com Carol, Sara, Tomás, Nora e Guilherme. Carlos havia assumido a sua homossexualidade para a família havia dois anos e agora tinha combinado de falar com a família inteira. Ele, então com 19 anos, entra pela porta acompanhado de outro garoto.

Carlos: Pessoal, esse é o Jorge. – Ele sorria nervoso com a situação. Jorge estava com os braços para trás. – A gente está namorando.

As reações foram diversas. Carol, Tomás e Sara que já sabiam da situação fizeram um joinha para o irmão em sinal de que tudo havia dado certo. Nora fora a primeira a levantar e ir abraçar o filho e seu namorado e o convidar para sentar e jantar com eles. Guilherme se levantara e fora para a cozinha exaltado, seguido de Nora. Os três que já sabiam cumprimentaram Mário logo em seguida. Rebeca foi a última a falar com ele.

Rebeca: Hm… O Carlos finalmente tá namorando… Então, do que você gosta? – Ela pergunta, ciumenta do irmão.

Há um corte de cena e Rebeca aparece agora com 18 anos na casa dos Andrades novamente.

Sara: Minha irmãzinha fazendo dezoito anos! Que absurdo! – Ela diz dando um abraço na irmã caçula.

Carlos: O papai e a mamãe que se cuidem! – Repete o gesto da irmã mais velha, seguido por Carol.

Tomás: Gente, o papai tá chamando. Eu acho que é pra dar o presente da Beca. – Ele passa o braço esquerdo pelos ombros dela e a guia até a garagem.

Rebeca: Ah, mentira que eu vou ganhar um carro! – Ela sorria.

Carol: Eu não teria tanta certeza… – Ela assobia.

Quando eles abrem a porta da garagem e Rebeca olha para dentro, seu sorriso murcha. No lugar do carro, Guilherme e Nora segurando uma caixa de presente.

Guilherme e Nora: Feliz aniversário, filha! – Eles a abraçam e beijam.

Rebeca: Brigado, pai, mãe. – Ela retribui.

Guilherme: Não quer seu presente? – Ela sorri um sorriso fraco.

Rebeca: Lógico. – Ela pega a caixa e a abre. Dentro, uma chave de carro. O sorriso volta ao rosto. Ela pula nos pais, os beijando. – Brigada, brigada, brigada, brigada, brigada!

A cena muda para o funeral de Guilherme. Rebeca estava chorando sentada num canto a morte do pai. Sara, Tomás, Carlos, Carol e Nora se juntam a ela, chorando também, eles se abraçam. Júnior então aparece, andando devagar. Se aproxima do caixão de Guilherme e sente uma lágrima escorrer. Ele então se aproxima do grupo para dividir a dor também. Ele se senta ao lado deles.

Carol: Com licença, quem é você?

Nora: Por favor, saia daqui! A gente está muito triste.

Tomás: Você não é da família! Sai! Sai! – Todos os outros fazem coro a ele.

Júnior então acorda no sofá de Rebeca. Ele estava suando e ofegando. Ao perceber que tudo fora um pesadelo, leva a mão ao rosto e se dirige à cozinha para um copo de água.

08. INTERNA – DIA – ORFANATO SANTA CLARA/BARBOSA-LIMA ADVOCACIA

Nora estava com a conversa dela e de Rebeca na cabeça e pensando como faria para ir atrás de Júnior. Ela então pega o telefone e disca o número de Carlos.

Carlos: Alô.

Nora: Oi filho, tudo bem?

Carlos: Não e a senhora?

Nora: Ai filho, não fala assim. Você vai ficar bem. Você vai ver, tudo vai se resolver.

Carlos: Eu espero… Enfim, por que mesmo eu estou falando disso com a minha mãe?

Nora: Porque eu sou muito importante pra você e você gosta de dividir o que acontece na sua vida comigo.

Carlos: Olha, dona Nora e seus Andrades Express sofisticados.

Nora: Filho, escuta. Eu falei com a Rebeca. Ela me disse que mesmo ele dizendo que não quer nos ver, ela acha que no fundo ele só precisa sentir que nós nos importamos com ele.

Carlos: Mãe, a gente já foi atrás dele mais de uma vez. Ele não quis nos ver.

Nora: E por isso a gente deveria ignorá-lo?

Carlos: Eu não disse isso. Só acho que tem que ser bem preparado isso.

Nora: Então precisava da sua ajuda. Até porque eu queria que você propusesse ajudá-lo na questão do processo. Já seria ruim o suficiente se fosse um processo comum, imagina envolvendo o Tomás e a Vitória.

Carlos: Ou seja, a senhora está pedindo que eu crie briga com o Tomás também.

Nora: Você realmente acha que o Júnior tem culpa de alguma coisa?

Carlos: Não, não acho que ele tenha culpa do acidente. Mas acho que ele deveria ter nos contado antes sobre o que aconteceu. Iria poupar muita coisa.

Nora: Você vai ajudar ou não? – Ela rebate.

Carlos: Vou, claro. – Ele diz depois de suspirar.

Nora: Então ponha suas irmãs na linha e vamos combinar isso de uma vez!

09. INTERNA – DIA – ÁGORA RJ

Carol está em sua mesa, escrevendo para a edição do dia seguinte do jornal.

Carol: Karina, você pode me mandar o material da entrevista com o governador, por favor? – Ela pede se dirigindo à repórter que fecha a janela do Orkut rapidamente.

Karina: Já tá saindo, Carol… – Ela diz com descaso, deitando na cadeira e abrindo o Microsoft Word.

Carol: Ok, só não demora muito, tá? A Babi já mandou as fotos e o Zé fez o clipping. Só falta você.

Karina: Já falei que já vou, Carol. Só esperar. – Carol fica brava, mas suspira, tentando não se exaltar. Horácio sai de sua sala e vai até Carol.

Horácio: Tudo certo aí, Carol, com o andamento da matéria?

Carol: Tudo ótimo. Só tá faltando o material da reportagem, né Karina? – Ela diz sorrindo enquanto Karina abre o email e envia um para Carol.

Karina: Ué, mas eu já mandei faz tempo. Tá no seu email, Carolzinha… – Ela sorri descarada.

Horácio: Ótimo. Que bom que vocês tão se entendendo tão bem. Sinergia é uma característica importante aqui na redação. – A repórter e a redatora sorriem falsamente e o editor sai. O celular de Carol toca.

Carol: Alô?

Carlos: Oi, seu irmão preferido.

Nora: E sua mãe!

Carol: Ai Jesus, só um instantinho que eu vou pro meu coffee break.

10. INTERNA – DIA – ANDANÇAS-PAPIER CENTRAL/BARBOSA-LIMA ADVOCACIA/ÁGORA RJ/ORFANATO SANTA CLARA

Carol: Pronto. Qual é a tramóia da vez?

Nora: Que imagem péssima você tem da sua família, Ana Carolina!

Carol: Verdadeira.

Carlos: Pera um pouco que eu vou ligar para a Sara também.

Sara: Alô?

Carol e Carlos: Oooi Sara!

Sara: Oh não! Fui pega numa armadilha Andrade!

Nora: Não acredito que vocês falam assim dessa família um para o outro.

Carlos: Depois perguntam de onde que eu peguei meu gene dramático.

Sara: Sério, gente, eu não quero ser a estraga-prazeres, mas a gente pode ir direto ao assunto? O Tomás vai chegar daqui a pouco e eu queria resolver algumas coisas antes dele chegar com aquele clima super agradável que ele tem transmitido ultimamente. – Ela pára rapidamente. – Ele não tá nessa conversa, né?

Nora: Não! Eu queria resolver a questão do Júnior. Falei com a Rebeca hoje mais cedo e ela me disse que ela tem a impressão que mesmo com o discurso de não querer nos ver, o que o Júnior realmente quer é que nós nos mostremos interessados por ele.

Carol: E a Rebeca é a pessoa mais indicada para fazer essa avaliação porque…

Nora: Vocês podem subestimá-la, mas ela sempre pareceu entender o Júnior, é amiga dele há quase um ano, foi a quem ele recorreu quando aconteceu o incidente e está morando com ele há uma semana.

Carol: E nós moramos com ele há 25 anos. Eu acho que ele precisa desse tempo para pensar, colocar a cabeça no lugar. Ele virá nos procurar quando se sentir confortável.

Nora: Você também achou que ele deveria largar a faculdade e deu no que deu! Ele não é você, Carol! – Carol se sente indignada do outro lado da linha.

Sara: A mamãe tem razão nesse ponto, Carol. O Jú sempre foi mais emotivo do que você, com mais necessidade de demonstrar e receber afeto.

Carlos: Não custa tentar. Mesmo que ele queira ficar sozinho, pelo menos vai saber que nós estamos atrás dele.

Carol: Façam como preferir. Eu estou fora dessa. Só peço uma coisa, se ele realmente se sentir como a Rebeca disse, digam que eu não fui porque discordava, mas que eu o amo. – Eles concordam. – Agora com licença que eu preciso terminar uma matéria e verificar se a minha repórter não envenenou minha água.

Sara: Ah, o que era aquilo sobre a teoria do K?

Carol: Depois eu explico. Beijos. – Ela desliga.

Nora: Ok, então temos uma a menos. Vocês dois estão comigo, certo?

Carlos: Você já me fez prometer que sim.

Sara: Vou sim… Calma, para quando a senhora estava planejando isso?

Nora: Bom, a Rebeca não especificou horário, mas para garantir que o peguemos em casa é melhor no começo da noite.

Sara: Putz, não vai dar! É minha primeira aula hoje.

Nora: Verdade, querida, boa sorte.

Sara: Brigada. – Ela pausa um tempo. – Droga! Eu ia pedir para você tomar conta dos três hoje a noite. Uma coisa é deixar os gêmeos com o Gabs de tarde, mas de noite, eles precisam de um adulto por lá.

Carlos: E você pensou nisso só agora?

Sara: Realmente, Carlos, minha vida tem estado um poço de calmaria ultimamente. – Ele faz um som de deboche.

Carlos: Você pode pedir para a Carol ou o Tomás.

Sara: A Carol tem um encontro com o Roberto, já me falou sobre isso e não acho que o Tomás ou a Vitória estarão com cabeça para cuidar dos meus filhos.

Nora: Querida, você pode falar com a Rebeca, tenho certeza que ela não se importaria…

Sara: Mãe, não força.

Carlos: Você sabe com quem isso te deixa, né?

Sara: Uhum. Não queria, mas é o jeito. – Há um barulho do outro lado. – Ok, fechado então. Aham. Tchau, tenha uma boa tarde. – E desliga.

Nora: O que foi isso?

Carlos: Com certeza, o Tomás. Como faremos então? Passo e pego você que horas? – Ele pára e depois completa. – Que tristeza eu falando isso para a minha mãe.

11. INTERNA – DIA – ANDANÇAS-PAPIER CENTRAL

Tomás entra no escritório de Sara e ela desliga o telefone.

Tomás: Quem era?

Sara: Um fornecedor. – Ela responde rapidamente.

Tomás: Mesmo? Qual? – Ele pergunta desconfiado.

Sara: Questionário a essa hora? Sem nem perguntar como eu tô? – Ela tenta mudar de assunto. – Bom dia, Tomás, como vai você?

Tomás: Era uma reunião dos Andrades, né? O que foi dessa vez? Um plano para resgatar o Júnior das garras de seu irmão cruel e insensível?

Sara: Quase. – Ela percebe que essa conversa ia num caminho desagradável e tenta mudar de assunto novamente. – Você recebeu o memorando da Papier?

Tomás: Não é possível que vocês não entendam que o que ele fez é imperdoável!

Sara: O que você fez foi imperdoável!

Tomás: O que eu fiz foi um favor! Pelo menos ele não fica vivendo na mentira como ele deixou vivendo desde o acidente!

Sara: Ah, me poupe do melodrama, Tomás! Ele estava desacordado no momento do acidente! Nem testemunha ele foi!

Tomás: Ele me viu sofrer e omitiu essa informação de mim! – Ele dá um soco na mesa ao dizer isso, sente as costas doerem e se senta.

Sara: Provavelmente ele imaginou qual seria a sua reação. O que ele não imaginava é que fosse adotado! Mas você tinha que estragar tudo.

Tomás: Acho engraçado como vocês têm tendência a proteger o Júnior como se ele vivesse numa redoma de vidro. Agora o meu lado da história ninguém está disposto a escutar. A mamãe nem fala mais comigo direito. Quando liga, é para saber da Vitória.

Sara: Eu sei que o que você passou foi difícil. Muito difícil. Mas você estava procurando alguém para culpar. Desde o começo. Ficou violento com a sua família, louco para achar o culpado e então soube do Júnior e encontrou o que precisava. Mas ele não é o culpado disso tudo, é quem dirigia aquele carro. – Tomás fica em silêncio. – Eu vou almoçar, você vem?

Tomás: Agora não, brigado. – Ela vai até o irmão e beija sua cabeça. Depois, sai.

12. INTERNA – DIA – EDITORA EM REFORMA

Vera estava nas obras do prédio que será em algum tempo sua editora com Saulo. Ela anda pelas obras ao lado do arquiteto, assistindo aos pedreiros trabalharem e palpitando em algumas coisas. Seu celular toca.

Vera: Alô.

Saulo: Oi, amor.

Vera: Oi! Tô aqui na editora!

Saulo: Ótimo, e como estão as coisas aí na Paulo Novaes? – A feição de Vera muda.

Vera: Tudo bem, as obras estão avançando bem rápido até. Acho que logo logo teremos que começar a procurar funcionários e oficializar o nosso organograma e todo o resto da papelada. Aliás, estava pensando em irmos juntos à Receita Federal para registrar nosso empreendimento juntos, que acha? Vou dar entrada hoje, já estou com os papéis.

Saulo: Claro que sim! É só combinarmos quando. Assim que você sair de lá, me liga.

Vera: Ótimo! – Eles se despedem e desligam. Vera abre sua bolsa/pasta para guardar o celular e em um conjunto de papéis está escrito: Editora Quatro Estações.

13. INTERNA – DIA – PRÉDIO DE CARLOS – CORREDOR

Carlos está chegando em casa. Como seu cliente de depois do almoço havia cancelado a reunião, ele estava aproveitando para almoçar em casa. A porta da frente se abre e de lá sai Pâmela.

Pâmela: Carlos! Tudo bem? – Ele se cumprimentam com beijos no rosto.

Carlos: Não e você?

Pâmela: Ai, Carlos, não fica assim… Vai dar tudo certo, vocês vão se acertar.

Carlos: Eu espero que isso aconteça, mas acho que não… De qualquer jeito, obrigado. – Ele destranca sua porta e faz menção de entrar.

Pâmela: Eu estou indo almoçar, porque você não vem comigo e a gente almoça junto? A não ser que você tenha outra coisa para fazer, claro.

Carlos: Não, vou sim… Calma, você entende que isso não significa que eu esteja afim de você, né?

Pâmela: Eu sei, você é gay. Já entendi. Além do mais, já saí dessa. – Ela ri e ele retribui.

Carlos: Que bom.

14. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA

Rebeca chega em casa e vê Júnior cozinhando.

Rebeca: Cheguei!

Júnior: Oi, o prato de hoje é macarrão ao molho… do que tinha na cozinha. – Ele ri, meio triste. Ela retribui. – Escuta, tem uma coisa que eu queria falar com você.

Rebeca: Diga.

Júnior: Você nunca pensou como seria saber desde o começo que o meu pai era seu pai?

Rebeca: Lógico que já. Mas porque isso agora?

Júnior: Não seria muito melhor?

Rebeca: Não sei, talvez eu me distanciasse dele e nunca conheceria você.

Júnior: Eu queria que eles tivessem me contado sobre ser adotado desde o começo. Ia me dar mais tempo pra aceitar tudo e agir sobre isso.

Rebeca: Agir como? Eles te criaram, Júnior. Eles são seus pais. Eles que te amam.

Júnior: Por obrigação. Você que deveria ter estado ali e dividido tudo com eles.

Rebeca: Não fala besteira!

Júnior: É sério! – Ele fica em silêncio, ela espera ele falar. – Sabe, eu tive um sonho. Nele, eu via diversos momentos que vivi com eles e era você no meu lugar.

Rebeca: E você vai levar um sonho tão a sério?

Júnior: Não foi só um sonho! Ele representa o que eu estou sentindo, Rebeca!

Rebeca: Nas não deveria! Eles te amaram e te amam e é isso que deveria importar! Se você não está disposto a escutar, eu vou tomar um banho enquanto o almoço não fica pronto. – Ela então sai, deixando Júnior pensativo.

15. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Nora chega em casa e encontra Diva esquentando algumas tigelas com comida no microondas.

Diva: Até que enfim! Achei que fosse ficar sozinha o dia inteiro!

Nora: Até parece, quando que eu fiz isso?

Diva: Sabe-se lá! Sumiu hoje antes de eu acordar. Só conseguir falar com a Carol, mas ela estava numa correria. E eu acabei a minha revista de sudoku. Fiquei assistindo Ana Maria Braga a manhã inteira, vê se pode! Descobri que gosto mais da Ana Hickmann na Record, muito mais jovem e bonita.

Nora: E quais são seus planos para a tarde?

Diva: Eu estava pensando em ir ao supermercado, afinal, você está precisando, né Nora?

Nora: Eu te dou carona, então, quero comprar coisas para fazer um bolo para o Júnior. – Ela ignora o comentário da mãe.

Diva: Você vai visitá-lo?

Nora: Eu e o Carlos.

Diva: Não vai me chamar mesmo?

Nora: É melhor que vá pouca gente, mãe.

Diva: Acho isso um absurdo, mas não há nada que vá te convencer do contrário, conheço. E conforme a Ana Maria, pessoas do meu signo não devem se exaltar hoje.

16. EXTERNA – DIA – RUAS DO RIO DE JANEIRO

Sara caminhava até o restaurante “por quilo” em que ela iria almoçar e resolver ligar de vez para Fernando.

Sara: Alô, Fernando? Tá ocupado?

Fernando: Não. O que houve, Sara? Algum problema? As crianças tão bem?

Sara: Ah, tão. Tudo bem. A minha mãe acabou de pegá-los na escola e deixá-los em casa. O problema é que eu me toquei só agora que não tenho com quem deixá-los hoje a noite. – Fernando ia responder alguma coisa, mas ela interrompe. – Antes de qualquer coisa, eu tinha um plano. Ia pedir a minha mãe ou ao Carlos ou à Carol, mas nenhum deles pode. E como o Tomás e o Júnior não são uma opção. Eu só posso recorrer a você, desculpa atrapalhar seus planos.

Fernando: Em primeiro lugar, não tinha planos para hoje. Em segundo lugar, é sempre bom ficar com meus filhos, não precisa pedir duas vezes. E por último, não entendi porque eu fui a última opção.

Sara: Ah, Ferdi, você não vai fingir que não aconteceu nada entre a gente no meu aniversário e que não foi perturbador.

Fernando: Nossa, perturbador?! Estou tão mal assim?

Sara: Você entendeu! Depois de meses tentando se acostumar à separação a gente vai e faz isso?!

Fernando: Sara, aconteceu uma vez. Não quer dizer que vá se repetir. Olha, estarei lá às 18, ok?

Sara: Ok, beijos!

Fernando: Beijos!

17. INTERNA – DIA – RESTAURANTE PETIT MARCEAU

Carlos e Pâmela almoçavam.

Carlos: Esse restaurante é tão nostálgico.

Pâmela: Você quem escolheu.

Carlos: Eu sei. – Eles ficam em silêncio. – Pâmela, porque você não me contou antes que não tinha acontecido nada entre a gente? Teria me poupado muito dinheiro em aspirina.

Pâmela: Eu fiz muita burrada. Não sei se minhas desculpas são suficientes. Acho que ainda tinha esperança de…

Carlos: Ficar comigo.

Pâmela: Você gosta de frisar isso, né?

Carlos: Eu perdi o Sérgio, posso, ao menos, massagear meu ego?

Pâmela: O quanto quiser. – Ela sorri. – Eu não entendi porque vocês terminaram. Eu fui atrás dele, explicar que nada tinha acontecido.

Carlos: Pelo jeito, não foi o suficiente, mas obrigado. Eu também não entendo. Eu gostava tanto dele, sabe?… – Ela faz que sim com a cabeça e ele escuta o telefone tocar, vê o visor e lê Sérgio. Ele mostra o celular para a vizinha. – Tá escrito Sérgio aqui mesmo, né? Não estou louco?

Pâmela: Sim, sim! É ele! Atende! – Ela sorri esperançosa, ele mais ainda.

Carlos: Sérgio?

Sérgio: Oi, Carlos. Como vai?

Carlos: Ele perguntou como eu vou. Como eu vou? – Ele pergunta para Pâmela, tapando o bocal do celular. – Bem para mostrar que não fiquei abalado ou falo a verdade?

Pâmela: A verdade, a verdade!

Sérgio: Carlos?

Carlos: Oi, perdão. Acho que a ligação ficou ruim. Eu estou naquelas… Você sabe. E você?

Sérgio: Sei. Eu também estou na mesma.

Carlos: Então por que a gente não tenta de novo?

Sérgio: Carlos, não faz isso mais difícil do que já é. – Carlos fica com uma expressão horrível. O sorriso de Pâmela também murcha ao ver a expressão do vizinho.

Carlos: Se não era para recomeçarmos, por que você me ligou, então?

Sérgio: Eu deixei algumas coisas na sua casa. E achei de muito mau gosto passar lá e pegá-las sem avisar a você. Será que você poderia…

Carlos: … Separá-las para você?

Sérgio: Isso. Eu já arrumei umas coisas que tinham suas aqui e levo quando for pegar as minhas.

Carlos: Claro. Eu ligo quando for para você ir buscá-las. – Ele faz um esforço para não chorar. Pâmela percebe e segura sua mão que não está ao telefone.

Sérgio: Certo. Até mais. – Carlos desliga o telefone e deixa uma lágrima cair. Ele a seca com as mãos.

Carlos: Então… mais vinho? – Ele pergunta para Pâmela, forjando um sorriso.

18. INTERNA – DIA – ÁGORA RJ

Carol estava lutando para terminar seu primeiro artigo quando recebe um telefonema.

Carol: Graças a Deus! Me tira daqui!

Roberto: Calma, hoje a noite, lembra? Comemorar o primeiro dia de trabalho…

Carol: Não sei se tem muito para comemorar.

Roberto: O que você prefere? PS: Eu te amo, Sociedade dos Poetas Mortos ou Rambo?

Carol: O primeiro. Amor, choro, beijo… Tudo que eu preciso.

Roberto: Porque eu sabia que você não ia escolher Rambo? – Os dois riem. – Ok, te vejo mais tarde e daí você me conta do seu dia de trabalho. Beijo!

19. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE TOMÁS ANDRADE

Tomás e Vitória chegam em casa após ele passar no banco para pegá-la. Ele está curvado, carregando Vitória no colo. Ele a deixa no sofá e vai buscar a cadeira de rodas. Nisso, demora um pouco mais para conseguir se levantar totalmente.

Vitória: Tudo bem? – Ele se joga no sofá ao lado dela.

Tomás: Tudo… Só preciso de um tempinho.

Vitória: Se eu conseguisse, te levava arrastado nesse ortopedista! Você é muito teimoso!

Tomás: Ah, você não. Já basta todo mundo da minha família!

Vitória: Você sabe o que eu acho. E eu nem estava falando disso…

Tomás: Por favor, Vitória.

Vitória: Tomás, eu fui a mais prejudicada na história inteira. E ele não tem culpa. Ele não viu nada, não estava dirigindo nem nada. E por favor, né? A gente não tem nem certeza que foi ele.

Tomás: Ele mesmo confessou.

Vitória: Só estou dizendo que enquanto não houver provas…

Tomás: Bobagem!

Vitória: Ótimo, me ignore então. Mas até a polícia confirmar, eu tenho minhas dúvidas.

Tomás se levanta e vai buscar a cadeira de rodas. Enquanto isso, o telefone toca e Vitória atende.

Vitória: Alô. Ah, oi Luc!

Lucas: Oi, Vi! Liguei para avisar que foi marcada uma audiência com os envolvidos no acidente amanhã. – Vitória concorda e se despede do amigo. Dividindo, posteriormente, a informação com Tomás.

20. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE REBECA

Júnior estava usando o computador de Rebeca, quando a vê passando pelo corredor com o cabelo molhado.

Júnior: Ué, vai sair?

Rebeca: Uhum. As meninas da faculdade me chamaram pra ir no bar.

Júnior: Hmm… E não vai me chamar? – Ele diz sorrindo, oferecido.

Rebeca: Ah, é que é uma coisa de menina.

Júnior: Ah, tudo bem… Ficarei aqui sozinho, isolado no mundo…

Rebeca: Você sabe que não precisa ser assim…

Júnior: Ok, vai se arrumar. Você não quer se atrasar… – Ela sai e deixa ele sozinho. O telefone toca.

Correa: Júnior, a audiência pro seu caso foi marcada para amanhã. – Júnior engole em seco.

Júnior: Tudo bem, estarei lá.

21. EXTERNA – NOITE – RUAS DO RIO DE JANEIRO/ APARTAMENTO DE SAULO

Vera acabara de sair da Receita Federal e liga para Saulo.

Vera: Oi, amor. Saí do aqui da Receita. Amanhã teremos nossa empresa registrada! – Ela vibra.

Saulo: Ótimo! Passa aqui, preparei um jantarzinho para nós. – Eles se despedem e ela pega o carro e se dirige ao prédio de Saulo.

22. EXTERNA – NOITE – RUAS DO RIO DE JANEIRO

Nora e Diva estão saindo do supermercado e colocando as compras no porta-malas. Enquanto dirigiam, conversavam.

Diva: Nora, sabe em quem eu venho pensando muito ultimamente?

Nora: Em quem?

Diva: No seu irmão.

Nora: Por quê? O que Saulo fez?

Diva: Não, não Saulo. Paulo.

Nora: Também tenho pensado nele. Mas por que será que isso tem acontecido, mãe? – Ela pergunta se lembrando imediatamente da pesquisa que Carol e Roberto estavam comandando. Sua mente estava tão atormentada pelo problema de Júnior e Tomás que ela havia se esquecido.

Diva: Não seja tonta, Nora. Eu sei que você tem um monte de informações guardadas em casa sobre ele e nunca dividiu comigo.

Nora: Não é nada disso! A Carol e o Roberto, namorado dela, estão procurando o Paulo e me deram aquela caixa com as informações que eles já haviam conseguido.

Diva: E por que eles fariam isso?

Nora: O ex-cunhado do Roberto trabalha no Governo e poderia ter algumas pistas então eles começaram a fazer isso. Para me agradar, para te agradar, para colaborar com a história dessa família. Sei lá por quê. Só sei que é uma coisa boa que eles estão fazendo e você deveria ficar feliz por isso.

Diva: Só vai trazer mais sofrimento.

Nora: Sofrimento a senhora já tem bastante sem saber o que aconteceu com ele. É melhor encarar e tirar essa dúvida, mesmo que ele não esteja mais vivo, do que ficar assim para sempre. – As duas ficam caladas, tristes, por um bom tempo. Diva chora em silêncio um pouco. Ela, então, tenta mudar de assunto.

Diva: Nora, você pode me deixar no apartamento de Saulo? Eu deixei um par de tênis na casa dele que era muito bom e confortável. Estava querendo ele de volta, para poder andar e tudo o mais…

Nora: Mas daí você vai voltar como?

Diva: Eu pego um táxi.

Nora: Você não vai brigar com ele?

Diva: Vou tentar. – Nora olha com um olhar reprovativo. – Não, não vou brigar com ele.

Nora: Então, tudo bem. – Ela segue em direção à casa de Saulo.

23. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO PELEGRINI – SALA

Carol e Roberto estavam abraçados, assistindo a um filme no DVD. Larissa estava com os avós maternos durante a semana. Roberto pára o filme com a idéia de fazer pipoca para os dois.

Carol: Sabe, isso era tudo o que eu queria… Pra completar só falta uma massagem. – Ela fala sorrindo.

Roberto: Calma, a massagem tá inclusa no pacote. Vem depois do filme. – Ele aparece da cozinha e responde piscando. – Mas me conte do seu dia, o que houve de tão horrível?

Carol: Lembra da teoria do K que eu tenho com a minha irmã?

Roberto: Lembro. – Ele ri.

Carol: Então, provou-se correta mais uma vez. Tem uma tal de Karina lá na redação, ela é a repórter, invejooosa…

Roberto: Isso deve ser coisa da sua cabeça!

Carol: Não é, Roberto! Essa mulher quer me ver no chão! Tô te falando…

Roberto: Eu também quero te ver no chão, e nem por isso sou uma pessoa má. – Ele aparece novamente na sala e sorri, com cara de safado. Carol ri. – Sério, fica de olho nela, então. Gente desse tipo é um perigo.

Carol: Bom, chega de falar de mim e meu dia desanimador e chato. O que você fez hoje?

Roberto: Bom, de manhã eu trabalhei com uma papelada e à tarde eu fui atrás do seu tio. Eu acho que a gente tá bem perto de localizá-lo, Carol. – Ele reaparece, dessa vez com um pote de pipocas. Ele se senta ao lado de Carol. – Fiz umas entrevistas hoje e daqui a pouco vai ser possível saber onde ele foi preso.

Carol: Me mostra esse material!

Roberto: Calma, depois do filme! – Ele aperta o “play”

Carol: Depois eu é que queria assistir esse filme romântico…

24. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS – QUARTO

Carlos estava em casa, esperando dar a hora de ir buscar Nora para os dois irem atrás de Júnior. Ele tinha acabado de tomar banho e se trocado. Como precisava matar tempo, resolver procurar as coisas de Sérgio pelo apartamento e reuni-las numa caixa. Agora ele estava sentado de frente para a caixa, a observando.

Ele se aproxima da caixa, pega uma camisa de Sérgio e a leva ao rosto. Ele, então, sente a textura e cheira a camisa, reconhecendo o perfume do ex-namorado. Ele devolve a camisa à caixa e pega o celular, fazendo menção de liga para Sérgio para que ele vá buscar suas coisas.

Carlos: Alô, Sérgio? Oi, as suas coisas estão aqui numa caixa.

Sérgio: Que bom, quando eu posso passar aí para pegar? – Carlos se lembra do devaneio que tivera mais cedo e de como seria ruim ver Sérgio de novo sabendo que não voltariam a ser o que eram.

Carlos: Quando você quiser. Eu vou deixar na portaria. – Ele muda a estratégia de aproximação e começa a responder mais rispidamente. – Se você puder, deixa as minhas coisas quando vier pegar as suas.

Sérgio: Ok. – Ele parece meio desapontado. – Tchau.

Carlos: Tchau. – Ele fica arrependido de ter mudado de atitude para não se sentir mal ao sentir o tom do ex-namorado. O Andrade se lembra do primeiro encontro dos dois. – E Sérgio… Boa noite.

Sérgio: Boa noite. – Os dois sorriem tristes com os olhos molhados.

25. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SAULO

Saulo estava na sala de jantar, arrumando a mesa para ele e Vera, com velas e uma toalha de mesa elegante. A campainha toca, ele não estranha, pois ele já havia dado direções ao porteiro para que ele deixasse Vera subir sem ser necessário avisar. Ele abre a porta e dá de cara com Diva.

Saulo: Mãe! O que a senhora está fazendo aqui?

Diva: Vim buscar um par de tênis que deixei aqui. E acho que deixei uma bijuterias também… – Ela diz entrando no apartamento.

Saulo: A senhora não quer vir outra hora? Sabe, eu ia… ia… tomar um banho agora. – Diva pára e olha para ele, séria.

Diva: E daí? Pode tomar, à vontade. – Ela volta a andar pelo apartamento.

Saulo: Mas eu não quero deixar a senhora sozinha aqui e depois, você sabe como eu sou com segurança. Não vou conseguir tomar banho sem ter garantia que você vai trancar a porta ao sair. – Ele tenta impedi-la sem sucesso. Olha para o relógio para conferir em quanto tempo Vera chegaria.

Diva: Saulo, eu vou trancar a porta ao sair. Te garanto. – Ela percebe que os tênis não estão em seu antigo quarto, então resolve procurar na sala. Ao passar por Saulo, ela dá um tapinha em seu rosto. – Bom banho.

Ela vai até a sala e passa pela sala de jantar, onde vê a mesa pronta romanticamente para dois, Saulo estava em sua cola. Ela se vira para ele.

Diva: Não me diga que aquela mulherzinha… – Antes de ela completar a frase, a campainha toca. Diva vai até a porta, atender.

Saulo: Não, mãe! Você não vai fazer isso! Essa mulherzinha é minha namorada! – Ele tenta impedi-la de abrir a porta. Antes que qualquer um possa fazer alguma coisa, a porta se abre pelo lado de fora.

Vera: Saulo? Desculpa entrar assim, mas eu toquei a campainha e ninguém… – Ela vê o namorado e a sogra e pára, sem saber o que fazer. Depois, resolve sorrir e ser simpática. – Boa noite, dona Diva.

Diva: Não me venha com essa falsa simpatia!

Vera: Falsa simpatia? Por que a senhora diz isso?

Diva: Ora, não se faça de boba!

Vera: Saulo? Não vai dizer nada? Já não basta o natal?

Diva: Não precisa, eu não vou brigar com você. Já estava de saída. Não achei o que vim procurar e no lugar achei coisa bem pior. – Ela se aproxima de Vera. – Escuta só uma coisa. Não vai ser uma rapariga qualquer que nem você que vai acabar com essa família, ouviu bem? – Ela então abre a porta e sai. – Até mais ver, Saulo.

26. INTERNA – NOITE – FACULDADE BULEVARES

Sara estava suando e com um frio na barriga. Ela já tinha imaginado diversas possíveis situações para a sua primeira aula. Os alunos a adorariam e ficariam todos quietos, mas daí havia o risco de nenhum deles participar da aula e ela ficar monótona, pensou que eles fariam uma rebelião contra ela, jogando bolas de papel flamejantes em direção à mesa da professora. Seja como fosse, ela iria descobrir agora, pois estava entrando na sala de aula em que lecionaria como professora substituta pela primeira vez.

Ao entrar, vê os alunos conversando em grupinhos e rindo. Ela pensa em dar meia volta e ir embora, mas continua. Entra e quando os alunos percebem a movimentação se calam e viram para a frente para ouvi-la.

Sara: Boa noite! – Alguns alunos respondem. – Não sei se já te falaram, mas o cargo que eu estou ocupando não é meu, é de outra professora que está de licença… Isso não deve atrapalhar nada porque eu devo ficar com vocês a maior parte do semestre de qualquer jeito. – Ela então anda um pouco mais para a frente e se apóia na mesa, feliz que os alunos estejam a ouvindo – Então, pensei em fazermos o seguinte na aula de hoje, eu me apresento primeiro, depois passo o plano de aulas e daí abro espaço para vocês se apresentarem e me dar tempo de decorar nomes e outras informações – Ela sorri e vê que alguns alunos também.

Sara: Meu nome é Sara Andrade, sou formada em Administração pela UFRJ e meu mestrado foi em Gestão Aliada a Marketing. E acho que é por esse motivo que estou lecionando Administração e Marketing aqui. – Ela brinca. – Bom, que mais falar sobre mim? Bom, tenho três filhos… – Alguns alunos começam a sussurrar. – Sim, três filhos. Vocês tão chocados com a minha boa forma, né? – Ela sorri e alguns alunos riem. – Sou péssima em falar sobre mim, então os assuntos vão surgir com o decorrer das aulas. Agora, vamos falar do plano de aulas… – Ela vai para a lousa e anota alguns tópicos e começa a explicar o roteiro que ela havia planejado.

27. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE REBECA – SALA

Júnior continua no computador, quando a campainha toca.

Júnior: Ué… Quem pode ser? – Ele pensa um pouco. – Putz, só falta ser a Vera atrás de Rebeca. – Ele até a porta e olha pelo olho mágico. Vê Nora e Carlos.

Nora: Júnior, nos deixe entrar, por favor!

Júnior: Eu pedi que vocês não viessem! – Ele diz ligeiramente incomodado, mas feliz de ver a mãe e o irmão.

Carlos: Ah cara, qual é? Eu tô esperando em pé aqui e você sabe que eu já sou velho pra isso. Além do que, a mamãe fez bolo.

Júnior destranca a porta e deixa os dois entrarem. Nora corre até o filho mais novo e o abraça com força, demorando muito para soltar. Enquanto isso, Carlos deixa o bolo em cima da mesa de jantar de Rebeca. Quando Nora o solta, é vez de Carlos abraçar Júnior e demorar, menos que Nora, mas ainda assim demorar.

Carlos: A gente tem saudades, sabia? É uma sacanagem isso que você tá fazendo.

Júnior: Vocês sabem o porquê de eu ter feito isso. Não é fácil descobrir uma coisa dessas, ainda mais com o histórico que eu tenho…

Nora: Você não voltou a usar, não é? – Ela pergunta apreensiva.

Júnior: Não, mas por muita força de vontade, porque era tudo o que eu queria. – Eles ficam em silêncio. – Cadê a Sara e a Carol?

Nora: A Sara está na primeira aula dela, não deu pra vir, mas mandou beijos e disse que estava morrendo de saudades. E a Carol…

Carlos: Bom, Jú, foi o seguinte. A Rebeca que sugeriu que você queria nos ver. Nós, apesar de morrermos de saudades, queríamos respeitar o seu espaço e tempo. Mas com a sugestão da sua roommate, combinamos de vir. A Carol discordou, disse que você precisava desse tempo para refletir e que nos procuraria quando estivesse bem. Mas ela disse que se o seu desejo fosse o mesmo que o da Rebeca, a gente deveria dizer que ela te ama e sente sua falta na casa da mamãe.

Júnior: Ela está certa. Vocês não deveriam ter vindo. – Ele diz ríspido, mas sensibilizado. Nora fica visivelmente chateada.

Carlos: Sabe, não custa nada dizer um obrigado.

Júnior: Não tenho por que. Por causa desse bolo? Porque foram os únicos dois que vieram me ver?

Carlos: Não, porque a gente está tentando te agradar, mesmo com você sendo estúpido.

Nora: Carlos! Não precisa. – Ela pára e se vira para Júnior, os olhos molhados. – Eu e seu pai o criamos como nosso filho e o amamos tanto quanto amamos Carlos, Carol, Sara e Tomás. Apesar de que agora eu estou muito brava com esse último pelo que ele fez a você. – Júnior se sente mal. No fundo ele queria que ela ficasse brava com ele, para facilitar as coisas e organizar melhor seus sentimentos.

Carlos: É nada… vocês sempre amaram o Júnior mais! Ele sempre foi o preferido. – Ele diz meio emburrado e Júnior ri, sem poder controlar a saudade do irmão e de toda a família.

Júnior: Eu sei disso tudo, não tenho dúvida que vocês me amam e nem que eu amo vocês como uma família também. É só ver tudo que a gente passou… – Ele engole em seco, lembrando do sonho que teve. – Mas ainda não tô pronto pra voltar a conviver em família. Não posso evitar me sentir um estrangeiro.

Nora: Pura bobagem! Mas promete que vai pelo menos quebrar esse muro que você construiu e se comunicar com a gente?

Júnior: Vou tentar. – Eles sorriem.

Carlos: E como vai esse negócio do processo?

Júnior: Me ligaram agora há pouco da polícia. Tenho uma audiência marcada para amanhã.

Carlos: Como você não me ligou?! Eu vou com você.

Júnior: Não precisa, Carlos.

Carlos: E eu vou deixar você falar besteira? Não, não. Vou com você.

Júnior: Vocês não concordam nem um pouco com o Tomás?

Nora: De jeito nenhum! Você estava desacordado. Não tem culpa nenhuma.

Carlos: Eu até entendo o lado dele, mas ele passou dos limites fazendo o que fez. Além do que, ele é muito teimoso.

Júnior: Brigado… Então, o bolo é do que? – Eles mudam de assunto e comem bolo, enquanto conversam.

28. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA – SALA

Sara chega em casa, feliz consigo mesma após a aula. Ela abre a porta e vê Fernando sentado na sala, vendo TV. Ele a ouve chegar.

Fernando: Oi! Como foi?

Sara: Ah, foi ótimo! Adorei essa primeira aula! Têm uns alunos bem espertos pelo que dá pra ver logo de cara. – Ela diz sorrindo.

Fernando: Que bom que você ficou feliz. – Ele sorri também. Ele se aproxima dela, os rostos próximos. Ele passa a mão no queixo dela, os lábios se juntam e eles se beijam. Sem nenhuma vontade de parar, eles se entregam, se beijando com mais ardor. Um com a mão dentro da camisa do outro, os dois vão para o quarto.

29. INTERNA – DIA – FÓRUM

Júnior e Carlos estão no fórum quando cruzam com Tomás, Vitória e Lucas. Júnior e Tomás se encaram. Tomás desvia o rosto. Vitória faz menção de ir falar com Júnior e Tomás segura sua cadeira de rodas. Ela vira para trás, brava.

Vitória: Tomás, você não vai me impedir de fazer o que eu quiser! Solta a minha cadeira. – Ele obedece, contrariado. Ela vai até Júnior.

Júnior: Vitória, eu sinto muito…

Vitória: Não precisa disso, Júnior. Eu não compartilho das impressões de Tomás. Você estava desacordado quando tudo aconteceu, e nem estava dirigindo estava ali só de carona, como isso pode te condenar?

Júnior: Eu omiti o que realmente aconteceu.

Vitória: Você ficou com medo. Totalmente compreensível. Eu quero que você vá para essa audiência tranqüilo… – Eles são interrompidos por dois policiais que os acompanham para salas diferentes.

30. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA – QUARTO

Sara e Fernando estão dormindo na cama de Sara, quando o despertador do celular dela toca e faz coro ao chamado dos gêmeos de ‘MÃE!’. Sara acorda com um pulo e percebe a situação.

Sara: Droga! Droga! – Ela vira para o ex-marido e começa a sacudi-lo. – Ferdi! Ferdi! Acorda! – Ele também acorda rapidamente.

Fernando: O quê? Que foi?

Sara: As crianças acordaram! Elas vão vir aqui daqui a pouco, pular na cama e me levar para a cozinha. Você tem que se esconder!

Fernando: Ahn? Sara, você sabe como isso é infantil? – Ele pergunta chocado.

Sara: Já foi difícil o suficiente para eles entenderem que a gente se separou, imagina agora? Vão pensar que a gente voltou de vez, vai, vai! Pro armário!

Fernando: Pro armário? Tô me sentindo um amante de uma mulher casada! – Ele diz pegando as roupas que ficaram no chão e indo para o armário.

Sara: E como você sabe como um amante de uma mulher casada se sente? – Ela diz, fingindo estar indignada. Ele ri.

Fernando: Eu não caibo no armário!

Sara: Engraçado, o Ricardão coube! – Eles riem e escutam as crianças. – Pra debaixo da cama então! Vai, rápido! – Ele entra debaixo da cama com as roupas quase ao mesmo tempo em que as crianças entram no quarto e pulam em cima da cama.

Eduardo: Mãe, mãe! O que a gente vai comer de café-da-manhà hoje?

Sara: Ah, não sei, queridos. O que vocês querem?

Rafaela: Você podia fazer misto quente!

Sara: Então será misto quente! Agora, vão indo chamar seu irmão, ele deve ter desligado o despertador e dormido de novo! – Os dois saem correndo berrando “Gaaaabs!”. Fernando sai de debaixo da cama.

Fernando: Ufa, foi por pouco. E agora o que eu faço?

Sara: Agora você vai esperar eu sair de casa e vai embora, oras.

Fernando: Fácil assim?

Sara: A gente precisa de alguma coisa fácil na nossa vida, Ferdi. – Ela sai do quarto para preparar o café-da-manhã.

31. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA

Rebeca estava lendo, deitada no sofá, quando seu telefone toca. Ela atende.

Rebeca: Pois não?

Giovana: Oi, sou funcionária do RH aqui da Barbosa-Lima. A senhora é Rebeca Santos?

Rebeca: Sim, sou eu mesma.

Giovana: Parabéns, você passou pela primeira fase do processo seletivo! Nós ligaremos em breve para marcar uma entrevista. Tenha uma bom dia.

Rebeca: Bom dia! – Ela desliga e faz uma dancinha da vitória.

32. INTERNA – DIA – FÓRUM – SALA1

Júnior, Carlos, detetive Corrêa e um outro advogado estão em uma sala. O advogado e Carlos estão conversando em um canto, enquanto o detetive e Júnior estão esperando sentados. Os dois advogados retornam à mesa. Carlos está visivelmente abalado, não demonstrando se para o bem ou para o mal.

Carlos: Jú, informações novas. Bombásticas. – Ele diz, tenso.

Júnior: O quê? Por que você tá sorrindo? O advogado é gay e pediu seu número?

Carlos: Ha ha. – Ele finge rir. – Não, a mulher que o Betão atropelou não foi a Vitória. Quem atropelou ela foi outro cara. A mulher que Betão atropelou está bem, sofreu algumas fraturas e só. Você vai ser testemunha no caso.

Júnior: Sério? – Ele pergunta descrente e surpreso. – Como assim?

Carlos: Sim! Você vai ter que pagar no máximo pouquíssimas cestas básicas, isso se for condenado! É verdade, Júnior! Você não atropelou a Vitória! – Eles se abraçam emocionados. Júnior suspirava aliviado, tirando o fardo de ter atropelado Vitória das costas.

Os dois discutem mais um pouco questões burocráticas com o detetive e o outro advogado e depois saem.

33. INTERNA – DIA – FÓRUM – SALA 2

Tomás, Vitória, Lucas e um detetive estão sentados em outra sala.

Lucas: Tomás, Vitória, há uma novidade no caso. Não sei se vocês vão gostar muito.

Tomás: O que foi agora? – Ele pergunta irritado.

Lucas: Aquela suspeita que vocês me apresentaram, do motorista ser Roberto Bergo, não condiz. Ele realmente atropelou alguém, mas foi outra mulher.

Tomás: Como?

Lucas: Ele confessou e todas as provas confirmam. O seu irmão está lá para depor sobre esse mesmo caso.

Vitória: Eu te disse! – Ela fala com Tomás. – E quem foi o culpado pelo meu caso?

Detetive: Ele deveria estar aqui, mas ainda não apareceu. Vou entrar em contato com seu advogado agora mesmo. – Ele sai. E Vitória repara que Tomás está olhando para baixo, pensativo.

Vitória: Lucas, você se importa em me deixar com o Tomás rapidinho?

Lucas: Claro. – Ele sai.

Tomás: Ele não tava envolvido no acidente.

Vitória: Eu sei, você teve seus motivos para se sentir como se sentiu, mas agora você precisa pedir desculpa.

Tomás: Não.

Vitória: Como não? – Ela pergunta irada.

Tomás: Ele mesmo contou que havia participado do acidente. Como ele esperava que eu ficasse?

Vitória: Bravo, magoado, não que revelasse que ele é adotado!

Tomás: Eu exagerei, admito. Mas não tenho cara para pedir desculpas pra ele por isso. Não agora.

Vitória: Ah, Tomás, volte a falar comigo quando você descer do seu pedestal! – Ela sai da sala, seguida por ele.

Quando estão do lado de fora, vêem Carlos e Júnior se aproximando deles. Tomás faz menção de sair, mas os outros são mais rápidos.

Carlos: Então, Tomás, ouviu as boas novas? – O outro só concorda com a cabeça enquanto continua andando.

Vitória: O Tomás se recusa a pedir desculpas, então, eu sei que não é a mesma coisa, mas quero pedir por ele, Júnior. Desculpa.

Júnior: Tudo bem, Vitória. Ele não precisa.

Carlos: Claro que precisa! Que bobagem é essa! Lógico que precisa! – Ele se indigna e pára na frente de Tomás e o empurra de leve no ombro. – Você vai pedir desculpas, não vai?

Tomás: Ele mesmo admitiu ter culpa. Eu confesso que errei, mas não vou pedir desculpas.

Júnior: Carlos, deixa pra lá. Vamos embora. – Ele sai, puxando Carlos, que cede.

34. INTERNA – DIA – ÁGORA RJ – SALA DE REUNIÃO

Carol estava na reunião de pauta de sua editoria.

Horácio: Ok, então isso nos deixa com mais um assunto para o jornal de amanhã, alguma sugestão? – Carol se manifesta.

Carol: Bom, fiquei sabendo que a polícia está em processo de desmascarar algumas quadrilhas…

Horácio: Já aconteceu? Quanta informação nós temos?

Carol: Não, ainda não foi completa, mas está em processo e a gente sempre pode falar com policiais e…

Horácio: Carol, eu não vou dar aos leitores informações incompletas, assim que isso se completar, você fale mais. Alguma outra idéia? – Carol se sente frustrada.

Karina: Bom, a Vera Fischer lançou seu último livro ontem. A gente tem algum material.

Horácio: Hm… Bom o material? – Karina concorda com a cabeça. – Alguém vê algum problema? – As pessoas sentadas à mesa fazem que não.

Carol: Desculpa, Horácio, mas como o lançamento do segundo livro da Vera Fischer é mais relevante do que o fim de mais de uma quadrilha de tráfico no Rio de Janeiro? A gente tá na Caras ou no Ágora?

Horácio: Carol, eu já te expliquei os motivos do porquê é inviável escrever sua matéria. E como todos os outros concordam, não vejo problema em continuar com a idéia da Vera Fischer. Agora, com licença e mãos na massa. – Ele sai e deixa Carol sentada, frustrada. Ela se levanta em seguida e fica para trás junto com Karina.

Karina: Não fica assim, querida… Quando você tiver mais experiência aqui, tenho certeza que uma das suas propostas será aceita. – Ela sai e é seguida por uma Carol muito irritada.

35. INTERNA – DIA – ESCRITÓRIO DO CNPJ

Vera e Saulo estão com uma advogada assinando os papéis para abrirem seu próprio negócio. Ambos lêem as cláusulas.

Saulo: Ué. Tem algum erro aqui. Diz que o nome da nossa editora é Quatro Estações.

Vera: Bonito, né? – Ela sorri e vê Saulo ficando bravo.

Saulo: Vera, você não fez isso. Você não mudou o nome da nossa editora sem me questionar.

Vera: Saulo, vamos concordar que você não é a pessoal mais imparcial pra decidir se Paulo Novaes é o melhor nome para uma editora.

Saulo: Foi o único pedido que eu te fiz.

Vera: Eu já desenvolvi até o logo, Saulo.

Saulo: Não me interessa. Se você quer fazer tudo sozinha, abra esse negócio sozinha, sem o meu apoio, sem meu know-how, sem meu dinheiro… – Ele se levanta.

Vera: Saulo… Se senta. Me desculpa, não fiz para te magoar. Tenho certeza que seu irmão foi um homem maravilhoso, mas ele não foi editor, nem escritor, nem mesmo um grande mecenas. Não faz sentido nós darmos o nome dele à editora. – Ele se senta e escuta. – Quatro Estações simboliza o recomeço, do inverno à primavera, a flexibilidade, a busca pelo novo.

Saulo: Hm…

Vera: E esses são os valores que nós estamos procurando. Eu prometo que assim que obtivermos um grande sucesso, iremos criar uma instituição de apoio à cultura chamada Paulo Novaes.

Saulo: Ele iria gostar disso.

Vera: Estamos de acordo, então?

Saulo: Bom, Quatro Estações é realmente um nome interessante. Nós precisamos trabalhar mais no conceito e depois você me mostra o logo. Mas o fundamental é que você pare de agir por contra própria, sem me consultar.

Vera: Eu juro.

Eles então, assinam o contrato e se beijam.

36. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Nora está em casa, escrevendo no computador. Quando não fica no orfanato, essa é a outra coisa que ela fazia. Agora, falava sobre amor incondicional de mãe para filhos. O telefone toca e ela sai correndo para atender pois tinha combinado com os filhos na noite anterior que eles ligariam para ela quando a audiência acabasse.

Nora: Alô.

Carlos: Mãe, você não vai acreditar. – Ele diz ainda irritado.

Nora: O que, filho?

Carlos: O acidente do Júnior não teve relação nenhuma com o acidente da Vitória. A mulher que o Betão atropelou sofreu somente algumas fraturas.

Nora: Mas isso é ótimo! Bom, não que a mulher tenha sofrido fraturas, mas que não sejam o mesmo. Agora ele e Tomás podem fazer as pazes.

Carlos: Foi o que pensei, mas adivinha?

Nora: O quê?

Carlos: Tomás se recusa a pedir desculpa!

Nora: Como assim?

Carlos: Diz que sabe que errou, mas não reconhece a culpa.

Nora: Filho, brigado por me contar o que aconteceu. Eu vou falar com seu irmão agora mesmo. – Ela diz irada, se despede e desliga, discando outro número. – Sara, sou eu. Seu irmão foi trabalhar hoje?

Sara: Não, mãe. Ele ligou dizendo que ia para a casa depois da audiência. Por quê? Você sabe como foi?

Nora: Liga para o Carlos que ele te explica tudo, querida. Obrigada. – Ela desliga e vai pegar as chaves do carro.

37. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE TOMÁS – SALA

Vitória estava no banco, trabalhando, então Tomás estava sozinho em casa. Ele esperava a mãe, porque o porteiro havia interfonado para avisar que ela subiria. Ela toca a campainha e ele abre a porta.

Tomás: Mãe, se você veio aqui para pedir que eu…

Nora: Tomás Andrade! Não fale NADA enquanto eu não deixar. – Ela briga, brava. – O que você fez na semana passada foi inadmissível! Seu irmão não sabia dessa situação e a única pessoa com direito de contar era eu!

Tomás: Mas…

Nora: Cala a boca! – Ela se irrita mais ainda. – Eu disse para me esperar acabar de falar e é bom que você preste atenção! De qualquer jeito, nós entendemos você, apesar de não concordar com a sua atitude. A situação era realmente constrangedora e sofrível para você, mesmo ele não tendo participado do acidente, estava presente e não disse nada. Mas agora, agora que está provado que não há relação nos dois acidentes, isso filho nenhum meu faz! Você vai se desculpar com seu irmão agora mesmo e vai dizer que o ama!

Tomás: Mãe… – Ele quase chorava.

Nora: Eu ainda não acabei! Seu irmão sofreu muito pela sua atitude! Ele ficou com minhocas na cabeça, achou que nós não o amávamos, que era diferente, que você, principalmente, não o amava e não o considerava um irmão! Você tem noção de que ele quase voltou para as drogas? Como você se sentiria se isso acontecesse? Se ele começasse a usar algo pior? Ele sofreu muito, Tomás, e você tem que ajudá-lo a retomar sua vida dentro dessa família. Esse é o seu papel. – Ela tinha os olhos lacrimejados.

Tomás: Eu também sofri muito, mãe! – Ele agora chorava de fato. – A Vitória ficou paraplégica, o Thiago morreu, a Andanças estava afundando! E depois ainda teve o período de adaptação dela à cadeira de rodas, o luto pelo meu filho que não chegou a aproveitar nada da vida! É tudo muito difícil, tudo! Mas parece que só o Júnior importa agora, porque ele enfrentou uma verdade! Uma hora ou outra ele teria que saber! – Ele seca as lágrimas com a parte de trás da mão.

Tomás: Tudo bem, talvez não da forma como eu disse e não no momento que eu disse, mas eu estava com tudo aqui na cabeça e ele confessou fazer parte do crime. E não interessa se os acidentes não foram os mesmos! Ele realmente achou que era o mesmo e não me contou nada por meses!

Nora: Será que você não percebe o medo que ele devia estar da sua reação? Justamente porque ele te ama e não queria te perder como irmão e amigo e o que você faz? O empurra pra longe!

Tomás: Queria o quê? Que eu o abraçasse e desse uma medalha de Andrade mais honesto de todos? – Ele vai até a cozinha para pegar um copo de água com açúcar para se acalmar. Quando se dobra para pegar um copo no armário de baixo, sua coluna trava e ele não consegue se mexer, sentindo uma dor fortíssima. Ele cai no chão, se contorcendo.

Nora: Tomás, Tomás, que foi esse som? Está tudo bem? – Ela vai correndo até a cozinha e vê a situação. Se ajoelha ao seu lado, colocando a mão em sua mão. – Fica bem aqui, filho. Eu vou chamar uma ambulância! – Ela sai correndo em direção ao telefone.

Continua…

Trilha Sonora

Misunderstood – Bom Jovi

Stop and Stare – OneRepublic

6 Respostas to “Futuro do Pretérito”

  1. Natie Says:

    CARACA!!!!!! rsrs…
    Tava ansiosa pra ler esse capitulo! 😀
    Surpresa enorme saber que o Junior nao foi o culpado pelo acidente… Alias, ele ja nao era diretamente, mas eu nem desconfiava q o carro nao tinha sido o dele! Tadinho… depois de um tempão se culpando… E q orgulho eh esse do Tomas pra nao pedir desculpas? Afinal, ele revelou o segredo q ele sabia q mudaria a vida do Junior pra sempre…
    Carlos… Adorei o sonho! rsrs… Por um momento, achei q fosse verdade… E q saco ele deixar as coisas na portaria! Bem que podia rolar um encontro. Tá na hora de amadurecer! E eu quero ver a cara dele ao ver a Rebeca na Barbosa-Lima!
    Sara… Sabia que ela ia ARRASAR dando aula… hehe… E mais uma recaida com o Ferdi neh? Cruzando os dedos pra eles voltarem logo!
    Carol… Adorei a 1ª cena dela! Mostrando logo de cara q ela continua a mesma… hehe… E mais uma ‘mulher K’ na vida das Andrade neh? Tem sempre uma pessoa assim na nossa vida… E eu sempre AMO demais as cenas dela com o Roberto independente dos q eles estão fazendo… E P.S. Eu Te Amo eh LINDOOO! 😀
    Tomás… Espero que ele peça logo essas desculpas e quero MUITO saber no q vai dar esse final… Essa coluna ja vem incomodando ele faz tempo…
    Junior… Agora livre de culpas, espero q ele nao se sinta ressentido por nao ser um Andrade de sangue, afinal, o ditado é velho, mas verdadeiro: familia eh a que cria! Fato…
    Nora… Queria ver um projeto dela grande no orfanato ou algo relacionado ao blog… Adorooo a personagem!
    Saulo… Achei que a briga com a Vera ia ser maior por causa do nome, mas… nao neh? hehe…

    Então eh isso… Fico ai esperando por noticias do Paulo, romance entre Junior e Rebeca (nao custa sonhar neh? hehe), destinos definidos nas relações de Sara&Ferdi e Carlos&Sergio e as outras cositas mais que soh vcs sabem fazer pra nos surpreender!

    Beijaaaaaaaao!!!

    P.S.: Nunca tinha reparado q a Rebeca faz direito na UFRJ! haha… OK, comentario superficial…

  2. Lenon Fernandes Says:

    Estava doido esperando pela estréia da nova temp. Como todos os da primeira, adorei…
    Fiquei feliz por Junior não ter nada a ver com o acidente, afinal, ele já está passando por bastante coisa com a descoberta da adoção.
    Mas estou com raiva do Tomás, orgulhoso que não pode pedir desculpas ou ir a um médico…
    Sara estava ótima como professora, imagino como seria uma aula dela…
    Carol querendo matar a “colega” de trabalho. E com toda razão. Imagina a raiva de ter que escrever sobre a Vera Fisher…. kkkkkkkkkkk
    Nora tentando de tudo trazer o filho de volta. E adoro quando ela pega um deles e descasca até que eles caem no choro…

  3. Gustavo Says:

    Salve galera.

    Enfim a 2ª temporada estreiou e cheia da surpresas.

    Que bom que o Junior não tinha nada haver com o acidente, pois assim, tira esse peso e culpa de cima das costas dele.

    E o Tomás?! Será que engolirá esse orgulho besta dele e pedirá desculpas os irmão?? E mais, como ele sairá desse problema nas costas?? Pelo visto é coisa séria… Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

    Coitada da Carol, sempre tem uma *** querendo puxar nosso tapete no trabalho… Ninguém merece…

    Estou morrendo de pena do Carlos. Estou torcendo para ele e o Sérgio se encontrarem quando este for pegar as coisas dele.

    Vem cá, com tanto escritório de advocacia no Rio, a Rebeca tinha que ir para justamente no do Carlos?! Vc’s são cruéis… Só mais uma coisa, desde quando em uma federal toca sinal para os alunos entrarem na sala. Se ainda fosse em uma particular (experiência própria).

    Gostei da participação de D. Diva vir aumentando, ela promete agitar essa família!!

    Sara e Fernando tocando o terror!!!! Hehehehehehehehe!!! Muito boa a tirada do armário!!!! Será que eles voltarão?!

    Enfim, cá estamos novamente e pelo visto essa temporada promete muito!!!

    Abraços a todos!!!

  4. Carine Dávalos Says:

    Isso, isso, eu devo alguns pedidos de desculpa por não comentar, ainda mais depois que quase apanhei de um Andrade no cinema, por confessar que lia e ficava sem jeito de comentar prq tava atrasada. Enfim…
    Segunda temporada e eu uns 5 episódios atrasada, vai demorar pra por em dia, mas, tentarei!
    Sobre a o retorno de vocês, só sei mesmo que continuam prendendo minha atenção como antes, e que ler isso é ser parte integrante desse clã Andrade!
    Parabéns e maaaaais SUCESSO!

  5. Carine Dávalos Says:

    Ainda não descobri se fico com pena ou acho “bem feito” o Tomás tá mal das costas, sou meio vingativa… “Pede desculpa ou não toma morfina!” =X
    Tow torcendo pra Sara e pro Ferdi, pais separados não deve ser confortável pras crianças meeeeesmo! E claro, pra ela dar certo no emprego novo,…
    Junior se recuperando de um baque, tempo, tempo, só tempo… Coisa que serve beeeeem pro Carlos!
    Quanto aos outros, parece que se encaminharam sem grandes revira voltas emocionais… bju o/

  6. Laís Says:

    Estou adorando as recaídas da Sara com o Ferdi e torcendo para que voltem, apesar de não acreditar que as coisas podem voltar a ser boas como foram um dia, acho isso muito difícil porque foi uma série de coisas que levou a separação. Quando é uma traição, um desentendimento, é mais fácil – pelo menos é o que penso. Enfim, de qualquer forma torço por eles, formam uma família tão linda.
    Entendo o lado do Tomás, pedir desculpas não é nada fácil, mesmo reconhecendo a culpa e ele tem razão em algumas coisas, acho que com o tempo ele será mais humilde com o irmão, que também está sofrendo com isso tudo, coisas que ele não esperava…
    E a Carol infeliz no trabalho, mais uma vez se parece comigo…rs
    Beijos e até o próximo episódio…

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