Nos episódios anteriores: Carlos sugere a Sara e a Roberto que eles coloquem os filhos na terapia. Frank lê a reportagem sobre a ditadura que Carol escreveu. Sara conversa com Marcelo pelo telefone. Carlos e Diego continuam aprofundar o relacionamento. Júnior começa a enfrentar problemas com os colegas de banda.

01. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DO TOMÁS – SALA

Depois de voltaram de Fortaleza, Tomás e Vitória tiveram dias atribulados com o início do processo de adoção. Eles passaram pelos testes psicológicos obrigatórios, onde foram aprovados e já tinham entregado toda a documentação para receberem a primeira visita da assistente social. Ambos se preparavam para ir trabalhar quando o interfone toca.

Vitória: Pronto?

Porteiro: Dona Vitória? Tem uma entrega para vocês que só vocês podem receber.

Tomás: O que foi?

Vitória: Tem uma entrega pra gente que precisa da assinatura de um de nós dois.

Tomás: Avisa que eu estou descendo.

Tomás largou suas coisas em cima do sofá e foi ver o que queriam. Ele recebeu o envelope e assinou por ele. Quando viu no envelope a marca da Vara da Infância, ele subiu os degraus de dois em dois, já imaginando o que poderia ser. Ele abriu a porta e com a respiração ofegante, chamou Vitória para perto dele.

Vitória: O que foi?

Tomás: É sobre o processo de adoção.

Vitória: O que é?

Tomás: Vamos ver agora. Queria abrir junto de você.

Tomás abre o envelope e começa a ler o documento. Era a aprovação nos marcação da data para visita domiciliar da assistente social para a próxima semana. Quando terminou de ler, os dois tinham um sorriso no rosto.

Vitória: Nós estamos mesmo fazendo isso.

Tomás: Vi, é só mais uma parte do processo, que é longo.

Vitória: Mesmo assim. Essa pessoa vem conhecer a nós e nossa casa, para saber se estamos prontos para um filho. E se der tudo certo, podemos comentar com nossa família.

Tomás: Você não está mais agüentando manter isso em segredo.

Vitória: Não. E estou impressionada como sua família não descobriu nada.

Ambos dão risada, fazendo planos para o dia da visita e terminando de preparar para mais um dia de trabalho.

02. INTERNA – DIA – SALA DE ESPERA – PSICÓLOGO

Larissa e Gabriel sentavam juntos no sofá, esperando serem chamados. Em uma poltrona, ao lado de Larissa, estava Roberto, e ao lado de Gabriel, Sara. Os adolescentes não gostaram muito da idéia dos pais, mas acabaram cedendo. Sara fingia ler uma revista para disfarçar o nervosismo, enquanto Roberto esfregava as mãos em sua calça.

Sara: Eu vi um bebedouro lá no canto. Vou buscar um pouco para nós.

Larissa: Não precisa, obrigada.

Sara: Que isso, está calor. É importante se manter hidratado nesse tempo. – ela se levantou e pegou no braço de Roberto – Me ajuda a carregar os copos.

Roberto: Eu não quero…

Sara: Deixa de bobeira, venha comigo.

Roberto percebe pelo olhar que Sara queria falar algo com ele e segue a cunhada sem falar nada. Quando estavam próximos ao filtro, Sara começa a sussurrar firme para Roberto.

Sara: O que você pensa que está fazendo?

Roberto: Nada, o que foi agora?

Sara: Os dois já estão nervosos o suficiente. Não precisam ver como nós também estamos.

Roberto: Eu não sei se isso vai ser uma boa idéia. Talvez eles não estejam prontos para falar ainda.

Sara: Roberto, eu sei que você quer evitar que sua filha relembre o que aconteceu e sofra. Eu também não quero que meu filho sofra mais ainda. Mas é melhor que encararem os fatos agora do que daqui uns anos.

Roberto: Eu sei, mas olha como eles estão.

Os dois adultos olham para os filhos, que se mantinham sentados no sofá. As mãos dadas e segurando firme um no outro. Os dois conversavam baixo, assim como seus pais.

Larissa: Sua mãe e a Carol são iguaiszinhas.

Gabriel: Por que fala isso?

Larissa: Quando a Carol precisa falar alguma coisa com meu pai e não quer que eu escute, ela sempre o puxa de lado.

Os dois dão risada e só param quando a recepcionista avisa que os jovens podem entrar. Os dois lançam uma última olhada na direção dos pais antes de entrar para a primeira sessão de terapia.

03. INTERNA – DIA – HOTEL METRÓPOLE – QUARTO

Júnior voltou para o quarto depois de um café da manhã reforçado. Ele tinha deixado Bianca dormindo. Quando entrou no quarto, escutou um barulho de vidro quebrando vindo do banheiro.

Júnior: Bianca? – ele perguntou indo em direção à porta fechada.

Não obtendo resposta, ele chamou pela namorada mais uma vez, dessa vez girando a maçaneta e abrindo a porta, que não estava trancada. A cena que o recebeu não era nada agradável. Duas garrafas caídas no chão. Bianca sentada no chão entre a pia e a privada e em cima da pia, duas careiras de cocaína ainda sem usar.

Júnior: Bianca! Venha, vamos para o quarto.

Ele a ajudou a se levantar, lançando uma última olhada para a droga que parecia estar a sua espera. Ele abaixou a cabeça e fechou a porta. Depois de colocar Bianca recostada contra o travesseiro, ele pegou água e deu para ela beber.

Bianca: Júnior! Eu guardei um pouco para você.

Júnior: Você sabe que eu não uso mais isso. E você não devia usar.

Bianca: Me deixa Júnior. Você tá parecendo aqueles caretas querendo estragar a festa de todo mundo. – ela falou levantando-se e indo em direção ao banheiro.

Júnior: Bianca! Você precisa parar com isso. – ele se adianta e a segura pelo braço. Entra no banheiro e joga o pó branco no vaso dando descarga imediatamente.

Bianca: Você tá louco? – ela grita – Isso custou uma fortuna!

Júnior: Você precisa voltar pra clínica, não consegue se controlar. Eu posso falar com eles e arranjar um lugar para você.

Bianca: Eu não vou voltar para aquele lugar. Nunca mais. E você não queira dar uma de certinho, porque você não é.

Júnior: Eu estou tentando, pelo menos.

Bianca: Pois então, decida-se. Ou você se junta ao meio em que está, ou caia fora.

Ela saiu do quarto e Júnior ficou parado no meio dele. Não gostava desses confrontos. Precisava manter-se firme, por isso discou o número já conhecido de seu padrinho no NA.

04. INTERNA – DIA – JORNAL ÁGORA/ SEDE RJ

Carol digitava metodicamente as teclas de seu computador quando o telefone toca. Estava tão concentrada que não olhou quem ligava. Animou-se quando ouviu a voz de Frank do outro lado.

Frank: Carolzinha, como vai?

Carol: Tudo bem. Mas por que está me ligando a essa hora?

Frank: É sobre negócios.

Carol: Nossa, que sério. O que foi?

Frank: Eu fiz uma coisa antes de falar com você, mas só pensando em você.

Carol: Deixa de enrolar e fala logo.

Frank: Eu enviei sua reportagem sobre a ditadura para a Soraia.

Carol: Soraia? Editora da revista Múltipla?

Frank: Sim, ela mesma. Sabe que eles sempre gostam de grandes reportagens como a sua, e Carolzinha, meu amor, você arrasou. Merece que seja publicada.

Carol: Você deveria ter me contado antes, mas como meu antigo editor, confio quando diz o que diz.

Frank: Ela disse que entrava em contato. Pode esperar a ligação dela.

Os dois conversaram mais alguns minutos antes de encerrarem a ligação. Ela com um sorriso confiante nos lábios.

05. INTERNA – DIA – BARBOSA & LIMA ADVOCACIA – ESCRITÓRIO DE CARLOS

Carlos estava se acostumando com o novo status na firma. Começando pela nova sala, maior que a antiga e com mais destaque. Seus objetos pessoais já tinham sido transferidos e, com a ajuda de Mônica, terminou de arrumar tudo. Agora se mantinha recostado na cadeira enquanto conversava com Diego.

Carlos: Eu ainda preciso me acostumar com toda essa atenção.

Diego: Mas era o que você queria, não?

Carlos: Sim, claro. Mas é diferente querer e ter. – ele dá uma longa respirada e continua a falar. – Mas mudando de assunto. Sábado eu e alguns amigos do trabalho vamos comemorar minha promoção. Queria que você fosse.

Diego: Não poderei ficar muito, tenho plantão no hospital no dia seguinte. Mas com certeza eu passo por lá.

Carlos: Ótimo. – ele olha para a porta e vê Mônica tentando falar algo através de gestos. – Mas eu preciso encurtar a ligação que precisam de mim.

Diego: Tchau.

Encerrada a ligação, Mônica entrou às pressas repassando a informação que Carlos precisava antes do novo cliente chegar.

06. EXTERNA – NOITE – UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – REFEITÓRIO

A reunião do departamento tinha terminado há alguns minutos. Marcelo convidou Sara para tomar um suco e agora eles procuravam uma mesa para sentarem.

Sara: Não imaginava que reuniões como essa pudessem ser tão cansativas e chatas.

Marcelo: Você se acostuma e até passa a gostar.

Sara: Pode ser. – ela responde ainda em dúvida.

Marcelo: Então, você ainda não contou como foi a viagem no final do ano.

Sara: Foi tranqüila, o que para minha família é quase um milagre. – ela brincou provocando risos do companheiro.

Marcelo: Eu não incomodaria com um pouco de agito com a família. Às vezes, tranqüilidade demais também é ruim. Como está o Gabriel?

Sara: Cada vez mais calado e mais envolvido com a namorada. – ela passou a mão pelo rosto, evidenciando o cansaço e sentiu quando Marcelo segurou sua mão. – Ele começou a terapia hoje de manhã. Meu irmão deu a idéia e nós achamos que seria bom.

Marcelo: Ele vai voltar a ser quem era antes. Só precisa dar tempo para ele.

Sara: Espero que sim. Eu e ele éramos muito próximos mas de uns tempos pra cá… – ela balança a cabeça – eu só queria meu filho de volta.

Marcelo: Dê tempo ao tempo. – ele sorri confiante.

Sara: Vamos mudar o assunto. O que você fez nas suas férias?

Marcelo: Agora eu lembrei as famosas redações que tinha que fazer no primário logo que voltava às aulas. – ele dá risada antes de continuar. – Nada interessante, fiquei esperando certa professora voltar das férias.

Sara: Você quer que eu acredite nisso?

Marcelo: Você pode acreditar ou não. Mas não muda o fato de ser verdade. Mas enquanto esperava aproveitei para ir ao cinema, ao teatro, ler alguns livros que estavam acumulados.

Sara: Alguma indicação?

Marcelo: Você quer falar sobre isso?

Sara: Por que não?

Marcelo: Tudo bem, mas não agora. Sábado, jantamos juntos e depois pegamos a última sessão no cinema.

Sara: Combinado. – ela sorri para ele, que retribui.

07. EXTERNA – DIA – PARQUE DE EXPOSIÇÕES – PALCO – FLORIANÓPOLIS

Júnior chegou ao local de ensaio o mais rápido que pôde. Ele teve uma reunião no NA da cidade. Ele precisava conversar com outras pessoas que passavam pelo mesmo problema para manter-se são. Quando chegou ao hotel viu o recado sobre a mudança de horário do ensaio.

Júnior: Galera foi mal. Assim que eu vi o recado, eu vim correndo.

Yuri: Caramba Júnior! Nosso show mais importante e você perde o ensaio? Onde você estava?

Júnior: Eu tinha uma reunião no NA. Não podia perder.

Yuri: Não podia perder? O que você não podia era perder o ensaio.

Mike: A gente combinou de praticar novos acordes.

Júnior: Você podem me passar tudo que decidiram. Eu sigo vocês.

Yuri: É bom mesmo, qualquer erro a culpa será sua. Só que precisa decidir o que é mais importante pra você, a música ou essas reuniõezinhas.

08. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – SALA

Diva estava sentada assistindo a missa na televisão e Nora estava no escritório corrigindo as provas de seus alunos quando a campainha tocou. Nora levantou-se para ver quem era quando foi interrompida pela mãe.

Diva: Está esperando alguém?

Nora: Não. Vou ver quem é.

Diva: Tome cuidado, pode ser um bandido querendo dar o golpe em você. Sabe como é, o alvo principal deles são mulheres idosas e sozinhas.

Nora revira os olhos e abre a porta para ver quem estava no portão. Ela surpreendeu-se quando viu a cunhada sorrindo.

Maíra: Surpresa.

Nora: E foi mesmo. – ele fala enquanto vai até o portão para abrir e colocar a cunhada para dentro.

As duas se abraçam e caminham para dentro da casa. Diva, sempre curiosa já tinha desviado a atenção da missa que seguia na TV para escutar a conversa de sua filha.

Nora: O que você está fazendo aqui?

Maíra: Vim ver como está você e meus sobrinhos. Não vejo a todos desde o enterro do Guilherme.

Nora: Sabe como foi um período complicado, cheio de surpresas e problemas.

Maíra: Sim.

Diva: Nora? Quem está aí?

Nora: Mamãe, é a Maíra, irmã do Guilherme. Lembra-se dela?

Diva: Ah sim, claro. Você não me avisou que ela vinha visitá-la.

Nora: Eu também não sabia, ela veio fazer uma surpresa, não é ótimo?

Diva: Sim – a idosa fala com desdém – Tinha que ser irmã dele mesmo, pra aparecer assim na casa dos outros sem avisar.

Nora fica chocada com as palavras da mãe e se vira envergonhada para a cunhada.

Nora: Me desculpe…

Maíra: Não precisa. Sua mãe mora com você, agora?

Nora: Sim, mas venha. Vou levar você para o quarto que era da Carol. É o que tem o melhor colchão.

As duas sobem as escadas enquanto Diva observa sem gostar da visita inesperada da irmã do antigo genro.

09. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DO FERNANDO

Assim que o elevador parou no sexto andar, Eduardo e Rafaela saíram correndo pelo corredor até a porta aberta do apartamento do pai. Fernando esperava por eles já agachado. O ímpeto dos gêmeos quase o derruba no chão. Sara vinha atrás com as malas das crianças.

Fernando: Oi Sara. – ele sorri e olha procurando o filho mais velho. – E o Gabs?

Sara: Ele ia passar o dia com a Larissa. Eles iriam ao shopping e ao cinema.

Fernando: E como foi essa semana com o Gabs? E a terapia?

Sara: Ele saiu bem do consultório e não pediu para desistir. Talvez dê certo e ele fique bem. Ele só anda muito calado. Não é mais o mesmo Gabs de antes.

Fernando: Vai dar tudo certo, ele é um garoto forte e determinado. E por mais responsável que seja, é só um adolescente. – ele olha para dentro do apartamento onde os filhos já estavam sentados no chão a televisão ligada e papéis espalhados em cima da mesa. – Esses dois que parecem ter mais energia a cada dia.

Sara: Não fala. Tem dias que estão impossíveis.

Fernando: Vamos entrar. O apartamento não é tão grande, mas não precisamos ficar parados na porta. Eu quero conversar uma coisa com você.

Sara: Algum problema?

Fernando: Não. Muito pelo contrário. – eles se sentam na copa, onde tinham visão das crianças.

Sara: Está me deixando curiosa.

Fernando: Sei que você ficou sobrecarregada com as crianças após a separação e minha aventura com a música.

Sara: Ferdi…

Fernando: Não, escuta, eu quero dizer que agora, com horário de trabalho fixo, eu posso ficar mais com as crianças, até algumas noites durante a semana. A gente pode não estar mais junto, mas ainda somos uma família.

Sara: Sim, somos uma família. E você pode ficar com as crianças sempre que quiser. Aliás, ainda não dei os parabéns pessoalmente pelo novo emprego. Estou muito feliz por você.

Fernando: Obrigado. Eu estou muito feliz. Nem acredito que estou finalmente trabalhando com algo que goste.

Eles foram interrompidos pelo celular de Sara tocando. Reconhecendo o toque que era só para o filho.

Sara: Filho? Onde está?

Ela escuta atentamente e se despede.

Fernando: Onde ele está?

Sara: Saiu do cinema agora. O motorista do Roberto vai deixá-lo aqui, antes de levar a Larissa para casa.

Fernando: Eles estão bem sérios, hein?

Sara: Nem me diga. Essa é outra preocupação que tenho com ele. Acho que está se envolvendo demais, para a idade que tem. Eu gosto muito da Larissa e falo isso pensando nos dois.

Fernando: Você que eu converse com ele?

Sara: Se você conseguir, sim. Ultimamente ele está muito distante de mim.

Fernando: Não se preocupe. Eu falo com ele.

Sara: Vou embora antes dele chegar. Não quero que ele pense que estou sendo super protetora, vigiando tudo que faz.

Fernando: Quando ele chegar, eu te dou um toque para ficar tranqüila. – ele fala cúmplice.

Os dois se despedem. Sara dá um abraço em cada um dos filhos e vai embora, sentindo-se orgulhosa do ex-marido e contente que finalmente eles tinha encontrado um pouco da velha amizade de antes.

10. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL – COZINHA.

Carol terminava de lavar a louça do jantar. Larissa tinha ido para o quarto dormir. As duas estavam cada dia mais próximas. Carol seguia para o quarto quando o interfone toca e ela vai atender.

Carol: Pois não?

Porteiro: Dona Carol. Nós pegamos uma mulher tentando entrar na garagem com um cartão de identificação daí. Mas a placa do carro não consta dos registros que nós temos.

Carol gelou com aquela informação. E Roberto viajando, ela estava sozinha com a filha dele. Por sorte a segurança do prédio era eficiente. Ela escutou falarem seu nome.

“Carol, sou eu, Lílian!”

Carol: Seu João pode deixá-la entrar, foi só um mal entendido. É a irmã do Roberto.

Porteiro: Tudo bem, desculpe o incomodo.

Carol: Tudo bem.

Carol já foi abrir a porta e esperar por Lílian. Quando viu a cunhada saindo do elevador, não segurou as gargalhadas.

Lílian: Não acredito que você está rindo. Eles acharam que eu era uma bandida.

Carol: Você não está com seu carro?

Lílian: Sim. Acho que o Roberto se esqueceu de dar o novo número da placa. Eles têm o número do antigo carro.

Carol: Eu falei com ele para avisar. Deveria ter feito isso eu mesma. – ela puxa a cunhada e amiga para o sofá. – Mas por que está aqui uma hora dessas?

Lílian: Eu precisava sair de casa.

Carol: Pela cara, é problema com a Luíza.

Lílian: Parece que ela é meu único problema. Às vezes ela é muito irresponsável e se esquece que está em uma relação.

Carol: Vocês duas vivem nesse pé de guerra. O que aconteceu dessa vez?

Lílian: O de sempre. Ela quer ficar nas baladas até altas horas da madrugada. Não é nada responsável. Eu estou ficando cansada.

Carol: Vocês precisam conversar. Mas tem que ser uma conversa séria, colocar todos os problemas na mesa. Só depois disso que vocês podem decidir o que farão.

Lílian: Só que eu a amo muito. – as lágrimas começam a formar nos olhos.

Carol: Eu sei, venha aqui. – Carol abraça Lílian, tentando consolá-la – Essas coisas de relacionamento são difíceis.

Lílian: Você e o Roberto não têm problemas.

Carol: Isso não é verdade, nós já tivemos vários desentendimentos, mas conseguimos sempre manter o diálogo aberto. E antes dele, Deus sabe como minha vida amorosa era complicada.

As duas ficam quietas por um tempo. Lílian tentando encerrar o choro e Carol agradecendo a sorte de ter encontrado Roberto.

Carol: Vamos fazer o seguinte: você fica aqui essa noite. Assim coloca os pensamentos em ordem antes de voltar para casa.

Lílian: Obrigada, Carol. Soube desde o primeiro dia que conversei com você que iríamos ser amigas. Só não imaginei que seríamos cunhadas também.

11. EXTERNA – DIA – EDIFÍCIO MIGUEL PRESTES – ENTRADA

Carlos fechou a porta do carro e pegou o celular para discar o número conhecido. Depois de cinco chamadas a pessoa atendeu.

Carlos: Nossa, que demora.

Rebeca: Carlos? Por que está me ligando essa hora?

Carlos: Já é mais de dez da manhã.

Rebeca: Eu trabalhei ontem até as quatro. Estava cobrindo um evento.

Carlos: Eu esqueci. Desculpa. Volte a dormir e me liga quando acordar.

Rebeca: Eu já estou acordada. O que foi agora, Carlos?

Carlos: Na verdade, estou ligando para te lembrar da comemoração da minha promoção. Você vai, não é? Estava lá durante tudo.

Rebeca: Eu vou trabalhar hoje de noite de novo. Me desculpe, Carlos. Mas sua mãe me convidou pro almoço amanhã na casa dela. Você vai, não é?

Carlos: Claro! Quem consegue se livrar das chantagens de dona Nora? Eu vou desligar porque já estou chegando à casa do Tomás.

A ligação se encerra e Carlos acena para o porteiro e sobe sem ser anunciado. Assim que toca a campainha, Tomás atende a porta.

Tomás: Carlos? O que está fazendo aqui?

Carlos: Isso são modos de receber seu irmão? Onde está a Vitória, tenho um convite para os dois.

Tomás: Nós estamos ocupados. Será que pode ser depois?

Carlos já tinha se adiantado e adentrado a casa, percebeu alguns móveis fora do lugar. Vitória veio da cozinha e o cumprimenta.

Vitória: Carlos, oi. Como vai? – ela pergunta acanhada.

Carlos: Muito bem. – ele olha novamente ao seu redor e comenta – Por que esses móveis estão todos fora do lugar?

Tomás: Nada, só estamos reorganizando o apartamento.

Carlos: Tudo bem, mas eu vim chamar vocês para saírem hoje. Comemorar a minha promoção. – ele fala orgulhoso.

Tomás: De novo? Não comemoramos em Fortaleza, quando recebeu a notícia?

Carlos: E vou comemorar de novo, agora com os amigos e vocês se puderem ir.

Tomás: Foi mal, mas não vai dar. Precisamos terminar de organizar a casa.

Carlos assente com a cabeça e vai saindo meio tristonho quando o envelope branco com o logotipo da Vara da Infância e Juventude chama sua atenção. Ele para no lugar já deduzindo o que aquilo significava. Vira-se de frente para o irmão e para a cunhada.

Vitória: O que foi? Algum problema?

Carlos: Esse envelope. Vara da infância?

Tomás: Carlos…

Carlos: Eu estou certo, não estou? Vocês querem adotar uma criança.

Vitória e Tomás trocam olhares e resolvem que o melhor era contar para Carlos para evitar especulação na família.

Vitória: Sim. Mas por enquanto é segredo. Não contamos a ninguém para não gerar expectativa em toda a família.

Carlos: Não contaram nem para dona Nora?

Tomás: Muito menos ela. Imagina como ela ia ficar?

Carlos: Tem razão. Mas ela vai ficar revoltada por não terem contado.

Tomás: E você não vai abrir a boca. Vai ficar quieto. Quando for o momento, nós contaremos para o resto da família.

Carlos: Pode deixar, não contarei para ninguém

12. EXTERNA – DIA – SUPERMERCADO

Nora foi até o supermercado comprar os ingredientes que faltavam para o almoço do dia seguinte e levou Maíra consigo. As duas sempre foram muito próximas e Nora gostava da presença da cunhada.

Nora: Não sente falta do Rio?

Maíra: Não como pensei que sentiria. Acho que depois de tantos anos nesse agito, estou querendo é tranqüilidade.

Nora: Às vezes penso na casa de Petrópolis e gostaria que ainda fosse nossa para talvez me mudar para lá.

Maíra: Como assim que ainda fosse de vocês?

Nora: O Guilherme deixou a livraria com muitas dívidas, e para equilibrar as finanças tivemos que vender.

Maíra: E o que fizeram com as coisas que tinham lá?

Nora: Móveis e coisas pesadas, deixamos na casa, fez parte do negócio. Os objetos pessoais, como fotos, livros, objetos de decoração trouxemos de volta. Está guardado no quarto dos fundos.

Maíra: Eu queria pedir uma coisa.

Nora: O que foi?

Maíra: Será que você poderia me dar alguma recordação do meu irmão? Eu entendo se você já tiver dado tudo que foi dele.

Nora: Você pode escolher quando voltarmos pra casa. Ainda tenho algumas coisas dele guardadas.

A conversa muda de rumo quando elas voltam à atenção para as compras. Nora fica quieta pensando como, na verdade, ainda tinha muitas coisas do marido guardadas.

13. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DA VERA – SALA

Saulo procurava um documento importante no meio das coisas de Vera. Era o balanço dos dois meses anteriores. Quando ele levanta um arquivo, um pedaço de papel cai, ele alcança para colocar novamente no meio do arquivo quando vê um nome desconhecido e o número de telefone.

Vera: Saulo encontrou o que procurava?

Saulo: Não, mas encontrei outra coisa.

Vera: O quê? – ela pergunta chegando à sala com os dois copos com suco.

Saulo: Quem é Davi e por que você tem o número de telefone dele?

Vera: Não vai dizer que está com ciúmes? – ela brinca, mas vendo a cara séria de Saulo, resolve parar. – Ele é só um possível cliente.

Saulo: E por que eu não soube disso?

Vera: Porque eu não queria levantar suas esperanças e não dar certo no final. Mas se quiser, liga e fala com ele. Não tem problema nenhum.

Saulo: Sabe que não gosto de segredos.

Vera: Desculpe-me, não pensei que ficaria chateado. – ela procurou o documento que Saulo queria e entregou a ele.

Saulo: Venha que vou te mostrar como estão nossas finanças.

Vera: Já vou. É só organizar essa confusão. – ela se abaixa e coloca o número Davi no bolso da calça.

14. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL – SALA

Carol, Roberto e Larissa estavam na sala assistindo um a filme quando o telefone dela toca. Ela levanta de seu lugar no sofá e vai atende na cozinha.

Carol: Alô?

Soraia: Carol Andrade?

Carol: É ela.

Soraia: Aqui é a Soraia. Editora da Múltipla. O Frank me passou sua reportagem sobre a ditadura.

Carol: Sim, ele me falou.

Soraia: Nós queremos publicá-la. Queremos exclusividade e já temos uma proposta para você.

Carol: Verdade?

Soraia: Sim. Eu vou enviar o contrato por e-mail, com os valores. E na semana que vem vou até o Rio e podemos sentar para conversar. O que acha?

Carol: Está ótimo. A gente se vê na próxima semana.

Soraia: Sim, eu te ligo. Até mais.

Depois que encerrou a ligação, ela entrou na sala sorrindo. Roberto logo percebeu.

Roberto: O que foi? Parece que ganhou na loteria.

Carol: Pode-se dizer que sim. – vendo a cara de confusão ela resolve explicar – O Frank mandou minha reportagem para uma amiga editora. Era ela dizendo que eles querem publicar.

Larissa: Parabéns, Carol!

Roberto: Isso mesmo, parabéns. Depois de tudo que aconteceu nos últimos meses, você merece isso e muito mais.

Larissa: Nós precisamos comemorar.

Roberto: Claro. Por que vocês duas não fazem os planos e o que decidirem, nós faremos?

15. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DA VERA – COZINHA

Vera terminava de colocar os últimos toques no jantar enquanto Saulo conversava no telefone. Assim que desligou, já foi questionado quem era no telefone.

Saulo: Era a Nora. Ela nos convidou para almoçar na casa dela amanhã. Além disso, uma das irmãs do Guilherme está no Rio, visitando.

Vera: E ela me quer lá?

Saulo: Sim. Disse que quer você e a Rebeca.

Vera: Tudo bem. Só espero que não aconteça nenhuma confusão. Os Andrades quando se juntam, sempre provocam confusão.

Saulo dá risada. Vera tinha razão. Seus sobrinhos não conseguiam ficar juntos e não provocar um único desentendimento.

16. EXTERNA – NOITE – PARQUE DE EXPOSIÇÕES – PALCO – FLORIANÓPOLIS

O show corria bem, até que eles começaram as músicas que decidiram mudar o acorde, e por algumas vezes, Júnior errou, provocando o descompasso do resto do grupo. Assim que o show terminou, os outros integrantes fizeram uma reunião para conversar com Júnior. Ele escutou as acusações sem retrucar.

Mike: Olha, brother, as coisas estão complicadas. A gente já tinha se reunido antes de hoje e teríamos essa conversa de qualquer jeito.

Júnior: Conversa sobre o quê?

Yuri: Você não está comprometido com a banda.

Júnior: Eu não estou comprometido? Vocês que entram nos palcos sem quaisquer condições, bêbados e drogados.

Yuri: Aí que tá, todos fazemos isso. Você nos julga diariamente. Se acha melhor que a gente, não está fechando o círculo.

Mike: O Yuri tem razão. Você precisa decidir o que quer, Ju. Você é um cara bacana. Mas talvez não seja o certo pra nós.

Depois que os companheiros de banda saem deixando-o para trás, Júnior começa a repensar os últimos meses, tudo o que fez para tomar a decisão correta.

18. INTERNA – NOITE – RESTAURANTE HOKKAIDO

Assim que Marcelo pegou Sara em casa, ainda no caminho, decidiram comer em um restaurante japonês dentro do shopping. Enquanto comiam, conversavam de assuntos variados e Sara se divertia.

Sara: Então sua filha pretende vir para o Rio.

Marcelo: Sim, em julho, quando estará de férias. Disse que quer rever a cidade e passar um tempo comigo.

Sara: Que ótimo! Você deve estar feliz.

Marcelo: Sim, e você é responsável por isso.

Sara: Eu? Por quê?

Marcelo: Ouvir você falando dos seus filhos, me fez perceber a falta que sinto da minha filha. Então conversei com ela e perguntei se ela não gostaria de passar um tempo aqui.

Sara: Bom, vou aceitar a culpa dessa vez. – ela olha o relógio e vê que o filme iria começar em vinte minutos. – Precisamos ir, o filme já vai começar.

Marcelo chamou o garçom e pagou a conta, depois foram até a bilheteria e ele comprou os ingressos e logo encontraram um bom lugar dentro da sala. O filme mal tinha começado quando Sara sentiu Marcelo segurando sua mão. Ela sorriu e apoiou a cabeça no ombro dele, aproveitando a história.

18. EXTERNA – NOITE – BAR SERRANO

Carlos e alguns amigos do escritório se divertiam e comemoravam a promoção dele. Pâmela era uma das mais animadas, contando histórias divertidas da amizade deles. Diego estava mais quieto em um canto, mesmo assim sorrindo.

Carlos: Está se divertindo?

Diego: Claro. A Pâmela tem muitas histórias com você.

Carlos: Ela é uma boa amiga. Ficou do meu lado e me ajudou quando eu estava mal com o fim do namoro com o Sérgio. Mas falemos de coisas mais interessantes.

Diego tenta começar um assunto, mas Carlos tinha outra idéia e tenta beijá-lo. O médico se assusta com a investida de Carlos, e a princípio se permite ser beijado, mas em poucos instantes se afasta.

Carlos: O que foi?

Diego: Eu preciso ir embora. Amanhã dou plantão e preciso dormir.

Carlos: Ainda são onze horas. Você fugiu de um beijo meu. Na verdade, você vem se esquivando a noite toda. Por que não me conta qual o problema?

Diego: Eu não sou tão resolvido quanto você Carlos.

Carlos: O que está dizendo?

Diego: Não estou pronto para um relacionamento às claras com outro homem. Eu só conseguir assumir essa verdade para mim. Não estou pronto de assumir para o resto do mundo. – ele percebe o rosto magoado de Carlos. – Eu entendo se você não quiser manter nosso relacionamento escondido.

Carlos: Não, tudo bem, eu entendo. Nós podemos fazer como você achar melhor. – ele dá um sorriso triste.

Diego: Não vai ser uma via de mão única, Carlos. Eu vou tentar me acostumar o mais rápido possível a nós.

Eles continuam conversando até o horário do médico realmente precisar ir embora. Despedem-se com um abraço e a promessa de se encontrarem no dia seguinte.

19. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DA SARA

Já tinha passado da meia noite quando Marcelo acompanhava Sara até o apartamento dela. Ela abre a porta e se vira para ele.

Sara: Não quer entrar?

Marcelo: Não sei se é uma boa idéia.

Sara: Por quê?

Marcelo: Talvez eu não queira ir embora depois.

Sara: Ah…

Marcelo: Exato. Eu só queria ter certeza que chegaria bem em casa. Agora, eu já vou. Boa noite.

Ele se inclina para frente e dá um beijo delicado nela. Quando ia se afastar, Sara o puxa pela camisa e dá um beijo mais forte e intenso. Quando se afastam, ambos sorriem.

Sara: Isso sim é um beijo de boa noite.

Marcelo: Você sempre me surpreende Sara. Eu gosto disso.

Sara: Quem bom. Você me liga?

Marcelo: Pode ter certeza que sim. – ele se aproxima dessa vez dando um beijo no rosto dela antes de ir embora.

20. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Carlos foi o primeiro a chegar à casa da mãe e logo foi puxado para um abraço da tia Maíra.

Maíra: Como está bonito, Carlos. Sua mãe me contou da promoção. Parabéns.

Carlos: Obrigado.

Logo depois chegou Sara, Carol e Roberto, praticamente juntos. Tia Maíra cumprimentou as duas sobrinhas com entusiasmo.

Maíra: E meus sobrinhos-neto, Sara?

Sara: Estão com o pai esse final de semana.

Maíra: Eu ainda não acredito que você e Fernando se separaram. Pareciam tão bem.

Diva: Ela fez bem. Ele estava seguindo o mesmo caminho do Guilherme. Iria acabar feito a Nora. Agora ela é professora na universidade.

Sara: Vovó, o Ferdi nunca me traiu. E eu teria seguido esse caminho, casada ou não com ele.

Maíra tentou mudar o rumo da conversa. Percebendo que estava causando desconforto à sobrinha mais velha.

Maíra: E você Carol? Quando vai me dar meus sobrinhos-neto?

Carol: Quem sabe, tia Maíra. Ainda tem tempo.

Carlos: A Carol, eu não sei, mas logo a senhora vai ganhar novos sobrinhos. – Assim que o comentário saiu de sua boca, sabia que deveria ter ficado calado.

Sara: Aconteceu algo que não sabemos?

Carol: Desembucha Carlos.

Carlos: Tudo bem, mas não vão comentar nada. Vão guardar esse segredo porque minha vida depende disso. – vendo os olhares cúmplices da família, inclusive de Nora, ele conta o segredo. – Tomás e Vitória vão adotar uma criança. Ontem eu passei na casa deles e vi por um acaso o envelope e eles acabaram contando.

Sara: Nossa e ele não contou isso pra ninguém.

Todos que estavam presentes comentavam sobre a novidade quando Tomás e Vitória chegaram. Assim que entraram no ambiente, perceberam os olhares e sorrisos para eles.

Tomás: O que foi?

Carlos: Nada. Estão todos estranhos assim mesmo hoje.

Nora: Como puderam esconder a adoção de sua família?

Tomás: Você contou. Eu pedi segredo, Carlos!

Sara: Segredo pra o Carlos? É como anunciar no alto falante.

Tomás e Vitória contaram brevemente em que pé estava o processo, todos na sala ficaram felizes pelos dois.

21. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Rebeca chegou junto com Saulo e Vera. Os irmãos a receberam com entusiasmo. Ela finalmente sentia-se parte da família. Maíra cumprimentou Saulo, a quem já conhecia. Nora se encarregou de apresentar Rebeca.

Nora: Maíra, essa é a Rebeca. Filha do Guilherme. – virando-se para Vera a apresentou – E essa é a Vera, mãe da Rebeca.

Maíra esticou a mão e cumprimentou as duas de maneira formal. Ficou observando a reação da família, mas todos pareciam acostumados com a presença das duas.

Tomás: Não acredito que você contou, Carlos.

Rebeca: Contou o quê?

Sara: Tomás e Vitória vão adotar um bebê.

Rebeca: Que ótimo. – ela abraçou Vitória e depois olhou para Tomás – Mas você pediu segredo ao Carlos? Fofoqueiro como ele é?

Carlos: Ei! Você deveria ficar do meu lado. Eu guardei o segredo do ensaio fotográfico que fez na passagem de ano.

Carol: Segredo do quê?

Rebeca: Carlos…

Carlos: Ela fez fotos para um ensaio de homens nus.

Carol: Verdade? – pergunta empolgada.

Sara: Da próxima vez, nos chama.

A risada se espalhou pela casa. Todos se divertiam e brincavam. Nora se aproximou de Maíra, que continuava observando.

Nora: O que foi que ficou quieta de repente?

Maíra: Só estou admirada com sua família. Depois de tudo, você recebe na sua casa a amante do seu marido e a filha dela.

Nora: A garota não tem culpa e é uma boa menina. Já a Vera, bem, ela é namorada do meu irmão. Eu preciso aceitar isso, não é mesmo? Estamos dando uma trégua.

Maíra: Apesar de tudo que o Guilherme fez, essa família ficou mais forte e mais unida. Isso é obra sua, Nora. Sempre foi.

Nora: Eu tento.

As duas sorriem e entram na conversa do resto da família.

22. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA DE JANTAR

A família estava toda reunida em volta da mesa quando Nora quebrou o silêncio para erguer um brinde ao marido.

Nora: Quero fazer um brinde em homenagem ao Guilherme. Que onde quer que esteja ele consiga ver que apesar da bagunça que ele deixou para trás, essa família conseguiu se reerguer. Que o legado dessa família continue por muitas gerações.

Todos juntaram os copos e brindaram. A conversa seguiu animada durante todo o almoço. Lembranças e memórias sendo divididas. E ao contrário do que Vera pensava, eles não pareciam que causariam confusão.

23. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – JARDIM

Tomás e Vitória estavam se preparando para ir embora. Nora aproveitou e foi levá-los até o portão para conversar com eles.

Nora: Filho, eu queria falar com vocês. Sei que não queriam que a família ainda soubesse sobre a adoção, mas quero fazer uma oferta. Se quiserem ir até o orfanato conhecer algumas das crianças.

Tomás: Nós ainda não fomos aprovados, mãe.

Nora: Eu sei, mas vocês podem ir como visitantes e não como possíveis pais de alguma criança.

Vitória: Pode mesmo fazer isso?

Nora: Claro, minha querida. Vamos marcar essa semana ainda.

Ela se despede dos dois. Não estava certa se era a melhor opção, mas precisava fazer com que Tomás se abrisse com ela para conversar com ele.

24. EXTERNA – DIA – CEMITÉRIO – TÚMULO DO GUILHERME

Nora e Maíra estavam paradas na frente do túmulo de Guilherme. Elas tinham passado ali antes de Nora deixar a cunhada na rodoviária. Ela queria visitar o irmão antes de ir embora.

Maíra: Nora, eu preciso me desculpar.

Nora: Desculpar por quê?

Maíra: Pelo que Guilherme fez a você e seus filhos. Nunca imaginei que ele pudesse ser capaz. Mas você é incrível, e superou tudo. Ele não merecia tanto.

Nora: O que aconteceu está no passado. Eu já superei isso.

Maíra: Espero que sim.

As duas andam de volta até o carro. Maíra mais aliviada e Nora sem saber como agir com tudo o que tinha escutado.

25. EXTERNA – DIA – ORFANATO SANTA CLARA

Nora recebe Tomás e Vitória e os três passam pelos pátios do orfanato. Nora mostra o funcionamento do lugar e fala sobre as crianças. Quando chegaram ao jardim, algumas crianças brincavam e logo elas rodearam os adultos. Vitória logo se enturmou com os pequenos e começou a ler uma história para eles. Nora puxou Tomás de lado para conversarem.

Nora: Tomás, preciso fazer uma pergunta.

Tomás: O que foi, mãe?

Nora: Você tem certeza do que está fazendo?

Tomás: Sobre o quê?

Nora: A adoção. Você tem certeza? É isso mesmo o que você quer?

Tomás: Eu quero ser pai. Eu quero um filho. Quero ouvir meu filho me chamando de pai.

Nora: Sim, eu entendo. Mas adotar um filho, não é igual a ter o seu próprio filho. É uma decisão importante. É uma responsabilidade enorme.

Tomás: Eu sei disso, acha que não? – ele olha para Nora e percebe a resposta no rosto dela – Eu não acredito. Você nos trouxe aqui pra ver se eu desistia.

Nora: Não, queria que você visse como essas crianças vivem e como é importante que os pais que as adotam e as amem incondicionalmente. E depois do que aconteceu entre você e o Júnior ano passado, eu tenho minhas dúvidas.

Tomás: Se esqueceu que eu teria um filho?

Nora: Um filho seu, do seu sangue. Olha, não estou dizendo para não adotar. Só peço que tenha certeza.

Nora deixa os dois sozinhos. Ela precisava desabafar e falar o que pensava. Não poderia deixar que o filho cometesse um erro com a vida de outra pessoa. Ele tinha muito que pensar. Ela estava só cumprindo sua parte.

26. INTERNA – NOITE – CONSULTÓRIO MÉDICO

Carlos estava sentado em frente à psicóloga. Ele contava sobre sua promoção e sobre a festa. Sabia que estava enrolando, mas não sabia como discutir o verdadeiro problema.

Carlos: Ele foi também. Na festa de comemoração da minha promoção. – ele viu o aceno de cabeça que ela fazia – Ele disse que não está pronto ainda.

Ruth: Pronto para o que exatamente?

Carlos: Para um assumir um relacionamento. Ele se assumiu tem pouco tempo e não está pronto para assumir a gente para as outras pessoas.

Ruth: E o que você pensa disso?

Carlos: Eu não gosto. Eu já tive que esconder muito por causa do meu pai, que não aceitava muito bem. E agora voltar para o armário. Tenho medo de regredir tudo o que conquistei.

Ruth: Você falou isso para ele?

Carlos: Não. Ele estava feliz e eu estava feliz. Ainda estou. E achei que o propósito era manter um relacionamento.

Ruth: Sim, manter um relacionamento. Mas sem correr o risco de se perder.

Carlos: Eu acho que posso agüentar por um tempo, mesmo não gostando.

Carlos não sabia se poderia ou não seguir naquele relacionamento escondido, mas ele queria tentar. Não queria ficar sozinho novamente.

Continua…

2 Respostas to “Nada Será Como Antes”

  1. Natie Says:

    Oi pessoal! 😀

    Bom, vamos lá…

    Primeiro sobre o Junior pq tah me incomodando a situação dele… Tipo, qdo ele vai se mancar que essas pessoas não vão parar de se drogar por mais q ele fale e vai voltar pra casa? Acho que tah na hora dele começar a enxergar q essa banda não é pra ele… Volta Junior!!!!!

    Irmã do Guilherme… Parece ser uma boa pessoa neh? Mas nao entendi pq ela demorou tanto pra fazer uma nova visita… E ngm tinha contado pra ela da Rebeca?

    Gostei da Sara estar ‘moving on’… Apesar de adorar ela com o Fernando e querer q eles voltassem…

    Fiquei mtuuuuuu feliz das crianças terem começado a terapia!!! Tomara q seja positiva pra eles…

    Concordo com a Sara e a Rebeca… Sério que o Tomás achou q o Carlos ia guardar segredo da familia? Qdo ele pediu pro Carlos não contar e ele concordou, falei pra mim mesma: ‘aham, ta bom’… rsrs… E será q o Tomás volta atrás na vontade de adotar? Achei legal a Nora ter levado ele e a Vitoria no orfanato…

    E Carlos se manca, esse Diego não quer nada sério e nem vai querer… Ele vai é continuar inventando plantões e mais plantões no hospital…

    Aaah sim, bastante curiosa pra saber quem eh esse Davi realmente… A Vera não pareceu mtu assustada qdo o Saulo perguntou dele a ela e isso me deixou mais curiosa… hehehe…

    É isso gente… Bjs e até a próxima!!

    PS: Valeu pelas boas vindas nos comentários do epi anterior, Gustavo! 😀 É bom estar em dia…

  2. Gustavo Says:

    Salve galera.

    Concordo com a Natie com relação ao Junior. Ele pode até gostar da Bianca e de tocar na banda, mas, será que continuar com esse povo fará bem à ele?? Ele está lutando tanto para se manter limpo e seguir corretamente o tratamento… Tá na hora dele pular fora dessa canoa pra lá de furada.

    Será que o Tomás ainda não aprendeu que não deve pedir pro Carlos guardar segredo??? É claro que ele iria dar com a língua nos dentes.

    Falando em Carlos, ainda acho que ele deve dar um cartão vermelho pra esse Diego. Gente, tá na cara que ele não quer nada, sem contar das atitudes dele pra lá de suspeitas. E vem cá, não tinha uma desculpa melhor não?? “Só assumi essa verdade pra mim e não estou pronto pra assumir um relacionamento pro mundo”??? Fala sério né… Se ele continuar assim, sabe quando isso ocorrerá? No dia de São Nunca à tarde, pois ele estava no plantão antes. Só mais uma coisa, CADÊ O SÉRGIO????? Torcia muito mais pelos dois…

    Gostei da fala da Doutora sobre relacionamentos. É impressionante como certas pessoas se perdem totalmente quando começam a namorar. Uns se afastam, outros ficam sérios e deixam de fazer uma série de coisas que gostam. Depois, quando o namoro termina o que acontece? Essa pessoa encontra-se sozinha, pois todos os seus amigos a abandonaram. Passei por algo parecido e acabei por perder alguns amigos, mas aprendi a lição e soube dar a volta por cima. Se eu estou namorando? SIM, estou, mas não perdi em momento algum o contato com meus amigos.

    Espero que a adoção sai, Vitória e Tomás merecem isso. E espero que a criança não seja do orfanato que Nora dá aula… Eu sei, estou sendo chato, mas, ficaria uma coisa esquisita, meio forçada…

    No mais, o povo tá seguindo com a vida. As crianças fazendo terapia, Carol finalmente contente com o serviço, Sara se arrumando sentimentalmente…

    Ah, já estava com saudades da Pâmela… Ela é bem divertida!!!

    Até o próximo galera.

    Gustavo

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