Nos episódios anteriores: Sara apresentou Marcelo aos seus filhos. Carol conheceu mais uma cunhada, Renata. Vera fez uma proposta a Davi. Carlos descobriu o passado de Diego. Lucas sofreu um acidente e chamou por Vitória. Júnior decidiu voltar a estudar.

01. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL – QUARTO

Carol havia chamado Sara e Rebeca para a ajudarem a escolher as roupas que iria levar. Mais que uma organização de mala, Carol queria apoio moral, pois estaria sozinha enfrentando muitos parentes de Roberto ao mesmo tempo.

Rebeca: Como vai ser o aniversário? Um churrasco na fazenda? Algo mais formal? Piscina?

Carol: É uma família italiana. Então deve ter muita comida, muito barulho… Provavelmente deve ser de dia…

Sara: Então esse. – diz, pegando um vestido branco, leve.

Carol: É, tá bom. ­– responde, sem muita empolgação.

Sara: Você pediu que viéssemos aqui para ajudar a escolher as melhores roupas ou para traçar uma estratégia contra os Pelegrinis? – rebate, arrancando um riso de Rebeca e um olhar reprovador de Carol.

Carol: Só de pensar em muitos Pelegrinis ao mesmo tempo, eu fico em pânico, Sara. A amostra grátis que eu tive da Renata não foi das melhores, você há de convir.

Rebeca: Nem nos lembre. – Sara concorda.

Carol: E sem meus Andrades lá, eu não sei o que fazer. – diz, meiga, com um olhar pidão, pegando a mão de Sara, que estava mais perto.

Sara: Nem pense nisso. Não há mínima hipótese de viajar agora.

Ela vira seu olhar de piedade para Rebeca.

Rebeca: Eu? A menos Andrade de todos? Ia apanhar tanto quanto você.

Sara reprova o comentário de Rebeca, que percebe.

Rebeca: Quer dizer… Eles não vão te tratar mal… Né? – diz, em dúvida.

Sara: Ah, Carol. Por favor! Você já é bem experiente em reuniões familiares que saem um desastre. Duvido que os Pelegrinis sejam piores que nós.

Rebeca ri e Sara e Carol a acompanham.

Carol: É. Não vai ser tão ruim, né? – olha para as irmãs, buscando apoio.

Rebeca e Sara confirmam e as três voltam para a escolha das roupas de Carol.

02. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS

Tomás: Sério? Ex-mulher e filhos? – pergunta, irônico.

Carlos: Aham.

Tomás: E qual o problema?

Carlos: Como assim “qual o problema”?

Júnior: Você esqueceu que a nossa irmã também tem filhos e ex-marido? Eu chamaria isso de “Famílias do século XXI”, Carlos.

Tomás: Você está quadrado demais, irmãozinho.

Carlos: Não é isso. E, convenhamos, a Sara não tem o mesmo histórico de desilusões que eu.

Tomás: Sabe que eu ainda me surpreendo com seu azar? Além de ele ser casado, você ainda conhece a esposa. – diz, engolindo um amendoim.

Júnior e Tomás riem.

Carlos: Sabia que eu devia ter procurado conselhos com a Sara e com a Carol.

Júnior: Devia mesmo. Eu não entendo nada de relacionamentos. O jogo vai começar, termina logo de cortar esse queijo, Carlos.

Carlos termina de cortar o queijo e leva para Tomás e Júnior, que já estão na frente da TV.

03. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL

Carol se despede de Sara e Rebeca na porta e volta ao quarto, encontrando Larissa na cama com um álbum.

Carol: O que é isso?

Larissa: É um álbum, mas pra você vai servir de apostila.

Carol: Apostila?

Larissa: Isso. Para o curso ‘Como sobreviver a uma festa dos Pelegrinis.’

Carol ri, um pouco tímida.

Carol: Escutou minha conversa com as meninas?

Larissa: Ouvi sim, mas nem precisava ter ouvido. Você está mais distraída que o normal, só pensando na festa do vovô. Então pensei em ajudar.

Carol: Me apresentando a família?

Larissa: Isso. Esse é o Nôno Enrico. Essa é a Nôna Genoveva. – enumera, enquanto passa as páginas do álbum de família. – Aqui o vô Antônio e a vó Marta.

Carol: Marta… eu não gosto desse nome.

Larissa: Por quê? – diz, ressabiada.

Carol: Por causa das novelas do Manoel Carlos. Ele sempre coloca uma vilã chamada Marta. É tão constante quanto as Helenas dele.

Larissa: É… eu não vejo novela, mas enfim, vamos continuar… Essa… bem, essa você já conhece… – Carol faz cara de nojo enquanto Larissa pula a foto de Renata. – Essa é a minha tia que falta você conhecer.

Carol: Letícia.

Larissa: Isso. Minha tia é uma workaholic. Ela e o tio Samuel. Ele é um Parma. Quando eles casaram eu era pequena, mas a tia Lílian contou que foi uma confusão na família.

Carol: Por quê?

Larissa: Os Parma e os Pelegrinis se odeiam, Carol.

Carol: Tipo ‘O Rei do Gado’ com aquelas famílias italianas rivais? Como eram mesmo os nomes? Mezenga e Berdinazi?

Larissa já olhava para Carol, sem entender.

Carol: Tá, lembrei, você não vê novelas…

Larissa: Essa é a tia Giulia com o vô Enrico. O vô Enrico é o pai do vô Antônio. Está acompanhando?

Carol: Sim, sim… Continua.

Larissa: Olha, essa foto é na festa de bodas de rubi dos meus avós.

Carol: Parecia bem animada. Nossa, quanta comida! E essas roupas…

Larissa: Foi uma festa típica italiana. Com muita música, comida e roupas típicas… Tipo Terra Nostra, sabe?

Carol olha para Larissa, espantada.

Larissa: Eu também não sou uma radical, né Carol?

As duas riem e continuam analisando o álbum dos Pelegrini. Larissa se divertia, enquanto Carol ficava ainda mais nervosa.

04. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS

Carlos se despede de Júnior e Tomás após o fim do jogo. Enquanto deixa os irmãos na porta, o elevador se abre e dele sai Diego. Carlos congela ao vê-lo e os irmãos percebem.

Júnior: É ele? – pergunta baixinho para Tomás.

Tomás: Não sei. Mas é melhor a gente ir.

Tomás e Júnior cumprimentam Diego com um sorriso forçado e quando ficam de costas pra ele, fazem gestos para que Carlos vá com calma. Eles entram no elevador e vão embora.

Diego: Oi.

Carlos: Oi.

Diego respira fundo.

Carlos: Cansado.

Diego: Muito. Dia bem cheio. São seus amigos? – diz, com ciúme.

Carlos: Irmãos.

Diego: Ah! Que bom…

Os dois se encaram, sem saber o que dizer. Carlos estava visivelmente magoado.

Diego: Eu tava com saudade.

Carlos não responde e só encara Diego. Segundos depois, sai da frente da porta do apartamento e deixa Diego entrar.

05. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

Marcelo: Terminei o Plano de Ação.

Sara: Ótimo. Agora é só mostrar para o coordenador.

Marcelo: Acho que temos muito para nosso projeto, já.

Sara: Será que vamos conseguir apoio da Universidade? É tão importante uma Empresa Júnior dentro de uma universidade. Quem dera eu ter tido essa chance na minha época.

Marcelo: Concordo. Fora que a gente se empolga com a empolgação dos meninos, né?

Sara: Demais.

Interrompendo a reunião de Sara e Marcelo, Eduardo e Rafaela invadem a sala, seguidos de Gabriel.

Eduardo: Mããããe! A Rafa me derrubou da gangorra!

Rafaela: Quem mandou não se segurar direito. – Dedura o irmão, mostrando a língua para ele.

Sara: Ei, mocinha. Sem esses gestos feios, ok?

Gabriel: Vou pro meu quarto.

Marcelo: Ei, Gabriel. Soube que você curte rock? Trouxe um DVD para você. NX Zero. Gosta?

Gabriel pega o DVD, não acreditando que Marcelo comprou um DVD de uma banda emo para ele.

Gabriel: Obrigado. Mas eu gosto dos mais clássicos. – diz, saindo para o quarto.

Marcelo olha para Sara, quase perguntando se fez bem.

Eduardo: O Gabs não gostou.

Sara: Eduardo!

Eduardo: Mas não gostou mesmo, ué.

Rafaela: É.. ele odeia o NX Zero.

Sara: Rafaela?! Os dois… Pro quarto

Eduardo: Mas mãe?!

Sara: Agora.

Os dois saem, e Marcelo e Sara se encaram.

Sara: Desculpa.

Marcelo: Não fiz bem, né?

Sara: O que vale é a intenção.

Marcelo: Se ele não gostar, diz que ele pode trocar na loja.

Sara acha linda a atitude de Marcelo e ele ganha um selinho e um abraço da namorada.

06. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO

Carol: Cadê? Cadê?

Carol remexe sua mala, sua bolsa e não encontra o que procura.

Roberto: Vamos?

Carol: Calma. Eu não acho meus óculos escuros.

Roberto dá uma tossidinha, chama a atenção de Carol e aponta para sua cabeça. Carol tira os óculos escuros da cabeça e guarda na sua bolsa.

Carol: Eu sabia que estavam aqui, só não tinha sentido.

Roberto: Realmente, sem sentido algum.

Carol: Hã? O que você quis dizer com isso?

A conversa dos dois é interrompida pela buzinada de Lílian.

Roberto: É a Lílian. Vamos?

Carol: Ai… Que frio na barriga.

Roberto: Não precisa ter medo. Eles vão adorar você. – encoraja.

Carol e Roberto descem, entram no carro, onde Larissa já estava.

Larissa: O namorado da Sara deu um DVD de uma banda emo pro Gabs. – diz, caindo na gargalhada ao ler a mensagem de texto do namorado.

Carol: Coitado, que mancada.

Roberto: Ele se recupera.

Os Pelegrinis e a Andrade, então, partem para a festa de aniversário do pai de Roberto.

07. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE VERA

Davi: Isso sim é o que eu chamo de desjejum.

Vera: Obrigada. Quer água?

Davi: Sim, sim. Seria ótimo.

Vera: Eu levo lá na sala.

Davi: Tudo bem.

Davi se levanta e vai para a sala. Lá, fica admirando umas fotos de Rebeca criança, adolescente e já adulta. Vera chega com a água e não gosta muito de ver Davi com uma foto de Rebeca nas mãos.

Davi: Quantos anos a Rebeca tem hoje?

Vera: 21.

Davi encara Vera, que devolve o olhar.

Davi: O que ela faz? – diz, pegando uma foto de Rebeca.

Vera: Tome. – diz, oferecendo a água a Davi.

Davi: E então? O que ela faz hoje?

Vera não queria falar sobre Rebeca e foi direta com Davi.

Vera: Você não veio aqui para falar sobre a minha filha, viemos falar sobre a Quatro Estações.

Davi olha mais uma vez para a foto de Rebeca e a coloca de volta no lugar.

Davi: Mas o que ela faz? Não vejo você falar muito nela, não são mais próximas? – pergunta, insistente.

Vera: Já tivemos momentos piores.

Davi: Quais? O que aconteceu?

Vera: Davi, por favor.

Davi: Tudo bem, tudo bem.

Vera respira fundo e começa a falar sobre a Quatro Estações.

08. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

Era sábado, dia de encontrar Larissa, mas com a namorada viajando, Gabriel ficou em casa. Como não tinha nada para fazer, pegou o DVD que Marcelo lhe deu e foi assistir. Enquanto ria das músicas que a banda tocava, a campainha tocou.

Gabriel: Deve ser a água que a mãe pediu.

Ele deu pause no DVD e foi abrir a porta. Ao olhar no olho mágico, viu seu tio Júnior.

Gabriel: Tio Júnior? Droga! Ele não pode me ver assistindo isso.

Júnior: Gabs? É você? Abre a porta! Sou eu, Júnior!

Gabriel: Droga! – diz, baixinho. – Já vai, tio.

Ele tira o DVD rápido do aparelho e guarda correndo no quarto.

Gabriel: Pronto, tio. E aí? Beleza? – diz, abrindo a porta.

Júnior: Tá sozinho, né?

Gabriel: Tô. – responde, ofegante por causa da correria.

Júnior dá um sorriso malicioso, insinuando coisas.

Gabriel: Ah, pelo amor de Deus, Tio Ju. – responde, indignado e deixando Júnior na porta.

Júnior: Calma, calma. Eu sei como são essas coisas…

Gabriel: Não tenha coisa alguma pra você saber. A mamãe não está.

Júnior: Eu não vim falar com ela. Vim falar com você.

Gabriel: Comigo? Sobre?

Júnior: Primeiro: isso fica entre nós, ok?

Gabriel: O senhor vai ser pai?

Júnior: Gabs!

Gabriel: Tá, tá! Desculpa!

Júnior: Eu resolvi fazer vestibular.

Gabriel: Nessa idade?

Júnior: Ok, eu esperava um certo incentivo.

Gabriel: Nunca é tarde para recomeçar.

Júnior: Obrigado. Então, eu pensei de estudar com você! Pelo menos o que você sabe. O que você ainda não tiver estudado, eu me viro.

Gabriel pensa um pouco.

Gabriel: Ah, acho que não tem problema.

Júnior: Ah! Esse é meu sobrinho. – diz, dando um abraço em Gabs, e visualizando um DVD em cima da cama dele, que estava no quarto com a porta aberta. – Que DVD é aquele?

Gabriel: Nenhum! – responde, correndo para fechar a porta.

Júnior: Hum… Entendi, hein?!

Gabriel: Tio!

09. EXTERNA – DIA – SÍTIO DOS PELEGRINI

Larissa: Falta muito?

Lílian: Não. Já estamos chegando.

Roberto: Há quanto tempo você não vem nesse sítio, filha?

Larissa: Há quanto tempo você é político, pai?

Todos no carro riem, quando Roberto avista a entrada da estrada que vai dar no sítio.

Roberto: Agora falta menos de um minuto.

Ele entra na estrada e logo todos vêem a entrada do sítio. Há essa hora, o coração de Carol já estava saindo pela boca de tanta ansiedade. Quando vêem o carro de Roberto se aproximando, todos comemoram a chegada dos únicos que faltavam. Roberto para o carro e Larissa desce correndo.

Larissa: Vó! – corre e dá um abraço.

Marta: Minha princesa, que saudade! E você meu menino? Dá um abraço na sua mãe.

Marta sufoca Roberto com seu abraço.

Roberto: A benção, mãe.

Marta: Deus te abençoe.

Lílian: Mãe!?

Marta: Filha!! Deus te abençoe também. – diz, dando um abraço em Lílian e acaba olhando Carol. – E essa moça bonita, quem é?

Carol: Carol, prazer. ­– diz, estendendo a mão.

Marta: Ah! Prazer, querida! – diz, dando um abraço.

Roberto: É a minha namorada, mãe.

Nessa hora, os olhos de Marta se arregalam e ela posiciona Carol de frente para si, para que pudesse analisá-la.

Marta: Mas como você é magra, menina! Aposto que não se alimenta direito.

Antônio: Marta!

Marta: Que foi? Só estou dizendo o que achei.

Antônio: Prazer, Antônio. – estende a mão para Carol.

Larissa: Vô!

Antônio: Princesa. – diz, abraçando Larissa e a carregando.

Roberto chama Carol para perto de si.

Carol: Ótimo. Sua mãe já achou o primeiro defeito. Qual será o próximo?

Roberto: Ela não mentiu.- observa – E vamos lá para dentro conhecer o resto da família.

Roberto da um beijo na testa de Carol e eles entram com Marta, deixando Antônio, Larissa e Lilian para trás.

10. EXTERNA – DIA – PRAIA

Rebeca: Obrigada. – agradece ao garçom que lhe traz o coco que pedira.

Júnior: Oi! Demorei?

Rebeca: Não muito. Acabei de pedir a água, quer? ­– diz, apontando o canudo para ele.

Júnior: Não, obrigado. Não gosto de água de coco.

Rebeca: Como assim? Quem no mundo não gosta de água de coco?

Júnior dá um sorriso cínico e aponta pra ele.

Rebeca: E então, fez a inscrição?

Júnior: Fiz.

Rebeca: E? – pergunta, ansiosa.

Júnior: Audiovisual.

Rebeca: Ah, que legal! Acho que combina. Foi uma das opções da orientação profissional que a gente fez, né?

Júnior: Foi, foi. Passei na Sara antes de vir pra cá e o Gabs topou me ajudar.

Rebeca: O Gabs é ótimo. Contou pra Sara?

Júnior: Ela não estava. Mas o Gabs deve contar quando ela chegar.

Os dois riem e continuam conversando.

11. INTERNA – DIA – SÍTIO DOS PELEGRINI

Carol e Lílian colocavam suas pequenas malas no quarto que iriam ocupar. Uma ajudava a outra na rápida arrumação, quando ouvem a voz de Renata.

Carol: Ai meu Deus…

Lílian: Ela tá vindo pra cá…

Renata: E traga três dúzias de ovos, a mamãe precisa terminar uma receita. E rápido, Renan. – diz ao celular, quando avista a cunhada e a irmã. – Lílian… Carol… Tudo bem?

Carol: Sim, tudo bem.

Lílian: Tudo.

Renata: A minha… Cunhada não veio?

Lílian: Não começa, Renata. Aniversário do papai, família toda reunida, contenha-se, ok? Agora se me dão licença…

Carol: Li… lí.. – tenta chamar a cunhada, para que não a deixe só com Renata, mas é em vão.

Renata: Olha só. Nós duas, sozinhas.

Carol não se intimida e enfrenta Renata.

Carol: Não se preocupe, qualquer coisa eu grito.

Renata ri.

Renata: Ah, Carol. Você não sabe cuidar de uma casa, era uma trintona solteirona até pouco tempo, não leva o mínimo jeito para cozinha, mas até que tem senso de humor!

Carol: Pra você ver, né, menina…

Renata: Eu contei pra minha mãe sobre a minha visita a casa de vocês. Ela a-do-rou a forma como eu fui tratada. Você sabe que a família Pelegrinié muito unidas, não é mesmo? Quando mexem com um, toda a família se mete no meio…

Carol engole seco.

Carol: Que eu lembre, você não foi maltratada. Digamos, apenas, que o seu santo não bateu com o da… minha família inteira.

Renata se aproxima de Carol.

Renata: Brincadeira, boba. Só pra descontrair.

Roberto: Renata?

Renata: Meu irmão! Tudo bem? – vai até ele e dá um abraço. – Tava aqui falando pra Carol como ela vai adorar nossa família. Não é, Carol?

Carol: Uhum.

Roberto: Que bom.

Renata sorri para Carol, que retribui, da mesma maneira.

12. INTERNA – DIA – RESTAURANTE

Davi tinha convidado Nora para almoçar. Os dois já tinham feito seus pedidos e aguardavam tomando vinho.

Nora: Vinho no almoço. Acho que não faço isso há meses.

Davi: Vinho é quase água para mim. – ela se espanta. – Não que eu seja alcoólatra.

Os dois riem.

Nora: Não foi o que eu pensei. Até porque eu sei que vinho faz bem…

Davi: Pois é. – pausa – Nora?!

Nora: Sim.

Davi: Aquele dia na Quatro Estações

Nora começa a prestar mais atenção na pergunta.

Davi: Eu notei que a Vera ficou um pouco incomodada com o fato de nós já nos conhecermos. Há algo mais entre vocês duas, além de cunhadas?

Nora hesita um pouco em responder.

Nora: Não é como se fosse um caso romântico ou algo do tipo…

Davi ri.

Davi: Se você não quiser falar sobre, entenderei.

Nora: Eu prefiro, não quero estragar a relação profissional de vocês.

Davi: E a Rebeca, a filha da Vera? Você a conhece?

Nora: Claro! Um doce de menina. Está sempre lá em casa. – responde, encarando-o, achando a resposta para a sua pergunta muito vaga.

Davi: Nossa, num instante você não quer falar da Vera, no outro a filha dela freqüenta a sua casa. Nora Andrade, você me surpreende e me intriga a cada momento. Por que ela freqüenta tanto sua casa?

Nora se vê obrigada a esclarecer a dinâmica da sua família para Davi.

Nora: É que a Rebeca é filha do meu falecido marido.

Davi faz cara de surpreso.

Nora: E eu espero que você entenda todo o resto da história.

Davi: Claro, claro.

Nora: Mas já que estamos no assunto, como você e a Vera se conheceram? Foi na época dela de chacrete?

Davi dá uma gargalhada que chama atenção de outro casal ao lado.

Davi: Um pouco depois disso.

Nora: Ela já tinha a Rebeca?

Davi: Sim. ­– responde, mexendo no guardanapo em cima da mesa.

A essa altura, Nora já estava mais que desconfiada da relação de Davi e Vera. Mas, antes que ela pudesse se aprofundar nas perguntas, o garçom trouxe a comida.

Garçom: Bom apetite.

Davi: Obrigado. – agradece e olha para Nora.

Nora: Obrigada..

13. EXTERNA – DIA – SÍTIO DOS PELEGRINI

Todos os Pelegrinis já confraternizavam. Carol estava sentada em uma mesa, deslocada, com um copo de vinho na mão. Roberto tinha se retirado para trocar de roupa.

Giulia: Não vai comer nada?

Carol: Ainda não, a comida é um pouco pesada pra mim.

A senhora faz uma cara de ofendida e Carol percebe.

Carol: Mas a comida parece ótima! Vou provar sim.

Giulia: Ah, claro! Prazer, Giulia, irmã do aniversariante.

Carol: Prazer, Carol. Namorada do Roberto.

Giulia: Ah, claro. Magrinha, comida pesada. Entendi…

Carol: Como?

Giulia: Nada… Luana! Vem conhecer a namorada do Roberto, filha.

Uma bela jovem se aproxima.

Luana: Prazer, Luana.

Giulia: Ela é a magrinha. – diz, se referindo ao primeiro encontro de Carol e Marta, o qual a família inteira já sabia.

Luana: Mamãe!

Carol: Prazer, Carol.

Luana: Seu vinho acabou. Quer mais?

Carol: Por favor, eu acho que vou precisar.

Roberto: Tia! Já conheceu minha namorada?

Giulia: Ah, claro! Um amor de menina.

Carol dá um sorriso amarelo e Roberto percebe.

Roberto: Amor, achei a Letícia. Vamos lá conhecê-la.

Carol: Vamos. Com licença.

Giulia: Toda.

Roberto e Carol se afastam e vão para perto da piscina. Quando chegam lá, Letícia estava tendo uma discussão com seu marido, Samuel.

Letícia: Você não viu aquele documento para assinar? O Nilson acabou de me ligar dizendo que você não assinou o contrato, Samuel.

Samuel: Com tanto documento do seu banco naquela mesa, você queria que eu diferenciasse?

Roberto e Carol estavam observando, quando ele dá uma tossida para chamar atenção. Os dois param.

Letícia: O que foi?

Roberto: A Carol.

Letícia: Ah! Minha cunhada? Prazer.

Carol: Prazer. – diz, dando dois beijinhos na mulher.

Letícia: Mas você podia ter lido o papel que estava mais em cima. – diz, se voltando para o marido – Era óbvio que era o documento da escola do Théo, Samuel. Você sabia que ele estaria lá.

Samuel: Eu não posso adivinhar, Letícia. Você sempre esperando que eu adivinhe as coisas que você vai fazer. Não dá.

Letícia: Ah não dá? Não dá para você ser responsável nem pela escola do seu filho? Tudo bem. Eu crio sozinha.

Carol: Acho que vou gostar dela. Ela é bem Andrade, né? – sussurra para Roberto, para que Letícia não escute.

Roberto: Até que ela está calma. Ela nem atirou coisas nele ainda.

Samuel: Não faz drama, Letícia.

Roberto: Vocês…

Letícia: Drama? – diz, impedindo que Roberto interrompa – Você está dizendo que eu estou fazendo drama, Samuel?

Carol e Roberto já estavam desconfortáveis.

Letícia: Então fica aqui com o seu drama, que eu vou tentar consertar a sua falta de atenção.

Ela se vira e encontra Carol e Roberto completamente desconfortáveis com a sitauação.

Letícia: Homens são assim, Carol. Não são capazes de assinar um papel. – diz, fulminando Samuel com o olhar. – E não é porque o Roberto é meu irmão que eu vou te dizer que ele é uma exceção.

Roberto: Obrigado pela parte que me toca, Letícia.

Letícia: Pense duas vezes antes de casar, Carol. Duas vezes. – diz, discando um número no celular. – Oi, Nilson? Letícia… – sai de perto de Carol, Roberto e Samuel. Roberto encara Samuel.

Samuel: Ela não muda, cunhado. Não muda.

Roberto: Se mudasse, não ia ter graça, Samuca.

14. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE TOMÁS

Tomás, como não fazia há muito tempo, tirava um cochilo numa tarde de sábado. Ele acordou e não encontrou Vitória ao seu lado.

Tomás: Vi? – grita pela esposa.

Sem resposta, ele levanta e encontra um bilhete em cima da estante do quarto dos dois.

Fui ao shopping com a Fran comprar um presente para o nosso chefe. Beijo.”

Tomás joga o papelzinho fora e vai para a cozinha.

15. EXTERNA – DIA – SÍTIO DOS PELEGRINI

Antônio e Lílian conversavam caminhando pelo jardim da casa. Há muito tempo pai e filha não tinham um momento.

Antônio: E, então? Como vai a Luiza?

Lílian: Bem, pai. Bem.

Antônio Ainda brigam muito?

Lílian: Sim. – ri.

Antônio: Mas são felizes?

Lílian: Pai… por mais que eu ache a Lu imatura às vezes, ela me surpreende a cada dia que passa… Isso faz com que eu me aproxime cada vez mais dela.

Antonio: Que bom que a minha menina está bem.

Lilian dá um sorriso.

Antonio: Mas e o meu menino, Lílian? Você é a única da família que está com ele sempre. Como o Roberto está?

Lílian: Bem, pai. Bem.

Antonio: Eu e Marta lemos uma nota sobre boatos de uma possível candidatura dele…

Lílian: Boatos são boatos, Sr. Pelegrini. Quantas vezes nós já falamos disso? – diz, brincando de dar um puxão de orelha no pai.

Antonio: Eu e sua mãe nos preocupamos muito. Depois do que aconteceu com a Lissa, então.

Lílian: Aquilo foi um caso a parte, pai. E ela já superou. Está fazendo terapia com o namorado, os dois estão lidando melhor do que nós com isso tudo.

Antonio: Mas como o Roberto não muda de atitude, Lílian? É um risco!

Lílian: Por caráter, pai. O caráter que ele construiu baseado no maior exemplo que ele tem. – diz, enchendo Antonio de orgulho.

Marta: Achei vocês! Anda Antonio, estão todos esperando vocês para o almoço!

16. EXTERNA – DIA – SÍTIO DOS PELEGRINI

Antonio, Marta e Lilian vão para a mesa montada no gramado da casa. Todos os Pelegrinis estavam a postos para começar o almoço. Os filhos  e Marta ocupavam as cadeiras ao lado de Antonio, que sentava na cabeceira. Carol estava ao lado de Roberto e de frente para Renata, que estava ao lado de Letícia. Lílian sentava ao lado do irmão. Os Pelegrinis improvisaram um coro, pedindo um discurso de Antonio. Ele, sem graça, dá início.

Antonio: Bem, bem… vocês sabem que eu não gosto muito de falar em público, então só posso agradecer a essa reunião da minha família, que há tempos não acontecia. Agradeço a Deus ter cada um de vocês aqui. Especialmente você, minha Larissa.

Marta, Larissa e Roberto se emocionam com as palavras de Antonio.

Graziella: Ela sempre foi a preferida dele. – cochicha uma das Pelegrini.

Luana: Filha do único filho… Você queria o quê? – cochicha, devolvendo.

Antonio: Então, vamos comer esse banquete que a minha amada Marta preparou para nós.

Marta: Vamos lá! Sirvam-se todos!

Os Pelegrinis começam a se servir e conversar.

Janaína: Samuel.. Samuel… – diz uma das primas de Roberto, chamando a atenção de Samuel, enquanto coloca comida no prato.

Samuel: Oi.

Janaína: É verdade que o Roberto vai se candidatar a Governador?

Max: O quê? Governador? – pergunta um sobrinho de Marta, pegando uma colher na mesa.

Janaína: Pshiii… é segredo!

Samuel: Eu não sei de nada. Amor? – vira-se para Letícia. – É verdade que seu irmão vai ser candidato ao governo do estado esse ano?

Letícia: Do meu irmão você quer saber, mas do seu filho você esquece, não é?

Samuel se cala e senta-se à mesa.

Giulia: Mas me diga, é verdade o que estão dizendo por aí? – pergunta para Carol, do outro lado da mesa.

Carol: O quê?

Giulia: Que o Roberto vai abandonar a carreira por você.

Carol: Como? Não sei do que a senhora está falando.

Giulia: Ah, menina. Seria romântico. Aposto que é o sonho de toda mulher. Foi você quem pediu a ele?

Carol: Não. Eu não pedi nada.

Giulia: Que lindo. Ele tomou a decisão por si só?

Carol: Não, não há decisão nenhuma.

Roberto: Decisão? Que decisão?

Giulia: A sua de abandonar a carreira política.

Max: Mas ele não ia ser governador?

Carol: Governador?

Roberto: Ei! O que é isso? Nem eu mesmo sei do que vocês estão falando.

Giulia: É o que dizem por aí, meu sobrinho.

Roberto: As pessoas falam muito, tia Giulia. Muito. – diz, sentando.

Carol também se senta rapidamente.

Carol: Que história é essa? – interpela.

Roberto: Eu também não sei. Prometo.

Carol fica mais calma e começa a comer, assim como todos os Pelegrinis.

17. INTERNA – DIA – HOSPITAL

Fran: Eu acho que você não devia esconder isso do Tomás, amiga.

Vitória: Mas eu não posso contar, Fran. Ele morre de ciúmes do Lucas.

Ivo: Senhora Vitória Andrade?

Vitória: Sim.

Ivo: A senhora é a acompanhante do Lucas Gomes?

Vitória: Sim, sou eu.

Ivo: Ele teve uma pequena melhora. Algumas feridas já estão cicatrizando, então ele deve sair do coma logo.

Vitória: Ele vai ficar bom, não vai?

Ivo: É muito difícil dizer, Vitória. Ele chegou aqui com muitas hemorragias internas. Todas foram contidas, mas deixaram muitos danos. Estamos tendo que fazer a diálise, pois os rins não estão trabalhando bem. E um pedaço de ferro perfurou um dos pulmões. O estado dele é muito grave, Vitória.

Vitória segura à mão de Fran.

Enfermeira: Doutor Ivo. – a enfermeira chega, aflita.

Ivo: Sim.

Enfermeira: O paciente acordou e está muito agitado.

Ivo e a enfermeira correm para dentro da UTI, deixando Vitória e Fran apreensivas.

Fran: Amiga, eu não quero ser insistente, mas eu acho que você deve chamar o Tomás.

Vitória encara Fran, sabendo que ela tem razão no que diz.

18. INTERNA – DIA – CONSULTÓRIO DE RUTH

Ruth: Eu acho bom você ter uma ótima razão para ter me tirado do meu descanso de sábado, Carlos. – diz, abrindo a porta do consultório.

Carlos: Você não devia me tratar assim, sabe que eu sempre tenho uma boa razão para estar aqui.

Os dois vão entrando.

Ruth: E qual a razão dessa vez? – pergunta, se sentando na sua cadeira.

Carlos: Ele tem uma família.

Ruth: E como você descobriu?

Carlos: Por acaso.

Ruth: E como você está lidando com isso?

Carlos: Mal. Não sei o que fazer. Ontem ele esteve lá em casa. Pediu para entrar e eu deixei. Mas não era pra eu ter deixado, não era?

Ruth: Você não acha que, se você o deixou entrar, é porque queria que ele entrasse?

Carlos: Mesmo assim. Eu não sei se estou preparado para tudo isso. Uma família é… Uma família. – respira. – Se não bastasse ele ter dificuldade de se aceitar… Como você acha que os filhos dele vão reagir ao saber que o pai tem um namorado? E a Ingrid? Meu Deus, a gente se conheceu aqui.

Ruth: Como? O seu Diego é o mesmo da Ingrid?

Carlos: Você não vai contar para ela, vai? – levanta do divã, encarando-a.

Ruth: Carlos… – responde negativamente com um olhar, recriminando-o. Ela respira fundo e continua. – Eu não estou aqui para dizer o que você tem que fazer, e você sabe disso.

Carlos: É tão difícil. Tão difícil. – ele olha para Ruth e respira cada vez mais fundo, confuso.

19. INTERNA – DIA – HOSPITAL

Tomás entra feito um furacão no hospital. Vitória tinha ligado para ele e pediu que ele a encontrasse lá, sem dar mais detalhes.

Tomás: Oi, a minha esposa está aqui, ela é loira, cadeirante. Ela sofreu alguma coisa? Onde ela está? – pergunta, aflito, para a atendente, que aponta para Vitória, esperando Tomás na recepção do hospital.

Tomás não entende nada ao vê-la em perfeito estado.

Tomás: Amor, o que aconteceu? Você está ótima. Por que está aqui?

Vitória: Tomás, eu preciso te contar uma coisa.

Tomás: E o que é?

Vitória: É sobre o Lucas. – Tomás começa a ficar mais confuso. – Ele está internado aqui. Na UTI. Sofreu um acidente muito grave, e está entre a vida e a morte.

Tomás: Meu Deus. – diz, realmente chocado. – Mas como esse acidente aconteceu? E desde quando você sabe disso?

Vitória: Faz um tempo. Como aconteceu eu não sei, ele não soube dizer.

Tomás: E a família dele?

Vitória: O Lucas não tem família, Tomás. Os pais já morreram, é filho único e não tem contato algum com os poucos tios que ele me disse que tem.

Tomás: E ai chamaram você?

Vitória levanta a sobrancelha, dizendo que sim, e Tomás mexe a boca, não gostando.

Vitória: Você não precisa se chatear com isso.

Tomás: Eu sei, eu sei. Por mais que eu não goste dele, vamos torcer pra que ele viva.

Vitória pega a mão de Tomás, em agradecimento às últimas palavras do marido.

Tomás: Você já o viu?

Vitória: Hoje não. O horário de visitas é daqui a pouco.

Tomás: Vamos lá, então?

Vitória: Vamos.

Tomás empurra a cadeira de Vitória, que o guia até a UTI do hospital. Quando chegam lá, Vitória se identifica e entra. Tomás a espera. Um tempo depois, ela sai, um pouco abalada.

Tomás: E então?

Vitória: O médico o sedou de novo. Ele acordou com muita dor e muito agitado.

Enfermeira: Mais alguma visita para Lucas Gomes?

Tomás: Eu.

Vitória: Tomás?!

Tomás: Eu quero ir.

Tomás deixa Vitória esperando e entra para ver Lucas. Quando a enfermeira mostra a cama do homem, Tomás se aproxima a passos curtos, sem acreditar no estado de Lucas, que respirava com a ajuda de aparelhos. Ele se posta ao lado dele.

Tomás: Meu Deus…

20. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA

Sara esperava Marcelo para saírem para assistir a uma peça. Gabriel lia um livro com fone de ouvido. Marcelo chega.

Sara: Oi.

Marcelo: Oi. – os dois dão um selinho. – Pronta?

Sara: Sim. Só vou avisar aos meninos que já vou.

Sara entra no quarto de Gabriel e ele tira os fones de ouvido.

Sara: O Marcelo está ai.

Gabriel entende que a mãe quer que ele vá cumprimentá-lo e fecha o livro com uma cara de poucos amigos. Sara não gosta da reação do filho, mas decide tomar uma atitude.

Sara: Gabs, pode deixar. Pode voltar para o seu livro.

Gabriel: Sério?

Sara: Sério. Estou saindo com ele. Cuide de seus irmãos, tudo bem?

Gabriel: Tudo. Tchau.

Sara: Tchau.

Gabriel faz uma cara de quem não entendeu a atitude da mãe, mas abre seu livro de novo e volta para a leitura. Sara fecha a porta do quarto e encara Marcelo, que estava com um sorriso leve no rosto.

Sara: Vamos.

Marcelo dá a mão para ela e os dois saem. Na porta do apartamento, ela pára.

Sara: Eu decidi que não vou forçar meus filhos a te aceitarem.

Marcelo toma um susto com a declaração, mas entende.

Sara: Algum problema? – pergunta, com medo de ter feito uma besteira.

Marcelo: Nenhum. É o tempo deles.

Sara adora ouvir as palavras de Marcelo, dá um selinho nele e olha nos seus olhos.

Sara: Obrigada.

Ele dá um sorriso e os dois vão para sua peça de teatro.

21. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

O interfone tocou e Vera atendeu.

Vera: Quem? Pode deixar subir.

Vera tinha achado muito estranha a visita que estava subindo, e fez uma cara de interrogação ao colocar o interfone de volta no gancho. Não demorou muito, a campainha tocou e ela foi abrir.

Vera: Boa noite, Nora.

Nora: Boa, Vera.

Vera: E então, a que devo a visita?

Nora: Deve a Davi Gonçalves.

Vera reage àquela resposta.

Nora: Afinal, qual a verdadeira relação de vocês, Vera?

Vera: Profissional. O Davi é um velho amigo que é muito competente no que faz.

Nora: Eu te conheço o suficiente para saber que eu devo temer esse ‘velho’ na frente do amigo.

Vera: Você? Me conhece bem? Por favor, Nora… Mas por que todo esse interesse? Você e o Davi, por acaso, estão iniciando um romance? – pergunta, debochando.

Nora: Sim. ­– responde só para enfrentar Vera.

Vera fica visivelmente abalada com aquilo e se senta.

Vera: Pois bem, você quer a verdade, vai ter a verdade. Sente-se, por favor.

Nora se senta, disposta a ouvir tudo.

Vera: O Davi é um ex-namorado meu.

Nora: Eu sabia… – interrompe.

Vera: Nós tivemos esse relacionamento quando eu e o Guilherme estávamos passando por uma crise. Mas o Guilherme e eu nos resolvemos. Foi aí que o Guilherme descobriu sobre o Davi e ofereceu dinheiro para ele sumir da minha vida.

Nora: Típico.

Vera: Mas o Davi não aceitou e, então, o Guilherme usou a influência dele para conseguir uma transferência para ele. Fez o Davi mudar de cidade, começar tudo do zero numa outra cidade, sem nenhum conhecido por perto. Só que o Guilherme não esperava que o Davi fosse realmente bom no que fazia e conseguisse prosperar. O Davi se tornou gerente da filial da empresa que ele trabalhava. Ficou rico e hoje está aí, aposentado e trabalhando por hobby.

Nora: Nossa.

Vera: É isso. Satisfeita? Triste em saber que mais uma vez estamos com o mesmo homem em nossas vidas?

Nora encara Vera.

Nora: Não. Convivemos com o Guilherme por 20 anos, agora o Saulo. Por que não mais um? – diz, não abaixando a cabeça para Vera.

Vera: Nossa. Não sabia que o relacionamento de vocês já estava a esse ponto.

Nora: E não está, mesmo. Ainda não.

Nora vai embora e deixa Vera brava.

22. INTERNA – NOITE – SÍTIO DOS PELEGRINI – JARDIM/QUARTO

A festa de aniversário de Antônio acontecia na mais perfeita harmonia. Os Pelegrinis festejavam pela casa, falando alto sobre os mais diversos assuntos. E Carol ainda se sentia deslocada, fugindo de qualquer olhar de um parente de Roberto. Assim, ela decide ir ao banheiro, mas Lílian estava tomando banho. Ela encontra Larissa falando ao celular e vai até a enteada.

Carol: Lissa? Lissa?

Larissa: Sua tia? Está aqui perto de mim.

Carol: Manda um beijo pra ele.

Larissa: Ela está te mandando um beijo.

Carol: Lissa, tem algum outro banheiro da casa que eu possa usar?

Larissa: Gabs, eu vou desligar. A Carol ta precisando da minha ajuda. Beijo. – ela desliga e se vira para Carol. – Vamos ao banheiro dos meus avôs, ninguém deve estar usando.

As duas andam pela casa. De repente, elas ouvem um ‘psiu’ e se viram. Nessa hora, duas crianças jogam balões de água nas duas, mas só acertam Larissa, já que Carol conseguiu ser rápida para desviar.

Carol: Meu Deus, o que foi isso?

Larissa: Um ataque… dos meus… insuportáveis primos. Que ódio! Como você não se molhou?

Carol: Eu consegui desviar.

Larissa: Você?!

Carol: Larissa…

Larissa: Tá… o banheiro é ali… – diz, saindo revoltada com o ataque dos primos.

Carol entra no banheiro e, antes de sair, percebe que um casal entra no quarto. Ela sai do banheiro antes que algo aconteça e se depara com os bisavós de Larissa, Nona Genoveva e Nono Enrico.

Carol: Ai, desculpa.

Enrico: Nessun problema. Só íamos tirar um cochilo.

Genoveva: Tu sei la fidanzata di mio nipote, non è vero, Camila?

Carol: Carol. Meu nome é Carol.

Genoveva: Cosi, Camila. Questo o que lo disse, non Enrico?

Enrico: Sì, sì. Má bene, eu assistia tu programa.

Carol: Ah! Que bom. Obrigada. Tenho um fã? – pergunta, tentando ganhar a simpatia do senhor.

Enrico: No. – Carol se retrai. Lei ha parlato troppo sciocca per i miei gusti, caspita. – braveja, ranzinza.

Carol: Caspita não é bom… O que ele disse? – pergunta para Genoveva.

Genoveva: Egli te chamo di stupida.

Carol: Por quê?? – pergunta, abalada.

Enrico: Tu tiene inveja do nostro governo, eco. Tucana!

Carol: Inveja? Eu não costumo ter inveja de coisas que falham, Sr. Enrico.

Enrico: Má que petulante!

Carol: Olha, eu não quero me indispor com o senhor por causa de política. Vamos fazer o seguinte: vamos fingir que não tivemos essa conversa e começarmos do zero. – diz, apaziguadora.

Genoveva: Cássia, bambina, no se irrite com este velho carcamanno.

Carol: Carol, meu nome é Carol.

Enrico: Aaaah. Queste persone hanno dei problemi per niente, hein?

Carol: Ok. Ok. Com licença! – diz, saindo.

Genoveva: Má Cássia, non parlamo quasi nada, eco.

Carol: É Carol, é Carol!

Quando Carol sai…

Genoveva: Buona raggazza, eco.

Enrico: E lei è intelligente. Buona scelta di nostro nipote.

Os dois se olham e dão um selinho antes de caírem na cama e tirarem uma soneca juntos.

23. EXTERNA – NOITE – SÍTIO DOS PELEGRINI JARDIM

Carol volta para a mesa. Roberto percebe a sua cara de irritada.

Roberto: Algum problema?

Carol: Não, nenhum. – diz, sem saber que os avós de Roberto fizeram de propósito.

Marta: Mulheres da família, atenção! Chegou o momento de prepararmos a grande receita Pelegrini! Todas para a cozinha.

As mulheres da família se levantam, animadas, em direção à cozinha. De repente, a tia de Roberto pára e chama por Carol.

Giulia: Vamos, menina! Vamos à cozinha!

Carol: Err.. eu? É, bem… eu não sou muito boa… – ela é interrompida por uma prima de Roberto que a puxa pelo braço e a leva para dentro. – Roberto! Roberto! – tenta chamar a atenção do namorado, em vão.

Roberto apenas ri e dá um tchau, vendo a namorada sendo levada para a cozinha, um lugar temido, e muito, por Carol.

24. INTERNA – NOITE – SÍTIO DOS PELEGRINI – COZINHA

Marta: Graziella, me traz a páprica.

Graziella passa o tempero para a tia.

Letícia: Esta pasta é a receita secreta da família, Carol.

De repente, Samuel Parma, o marido de Letícia, entra na cozinha para buscar mais cerveja. Os Parmas são a família inimiga dos Pelegrinis nos negócios da cidade e o casamento de Letícia e Samuel foi um pequeno Romeu e Julieta moderno na pacata Porto Real.

Marta: Mas o que é isso? Esse Parma na nossa cozinha, espionando! Sai daqui, caspita.

Letícia: Mamãe! A senhora pode parar de falar assim do meu marido? Ele é seu genro e pai do seu neto.

Samuel: Eu só vim pegar uma cerveja, Dona Marta. Pode me passar a cerveja, Carol?

Carol passa a cerveja para Samuel, que retribui com um sorriso. Quando ela se vira, todas as Pelegrinis a encaravam, desconfiadas.

Giulia: Viu, né cunhada? Já dando confiança para esse Parmas… – diz, botando maldade no gesto de Carol.

Marta encara Carol.

Marta: Carolina… – grita para toda a cozinha ouvir. – Venha aqui! Se vai ser uma Pelegrini, tem que aprender a nossa receita. – desafia.

Carol engole seco e se dirige até a mesa central sob os olhares de todas as Pelegrinis.

Marta: Me passa a pimenta malagueta.

Carol: Onde fica?

Renata: Aqui. – diz, apontando uma recipiente que parecia conter mais de 20 tipos diferentes de pimentas para Carol.

Carol encara o recipiente, encara as Pelegrinis e pega uma pimenta, segura de si. Quando ela entrega a pimenta para Mamma Marta, todas as Pelegrinis fazem um coro de indignadas. Carol tinha errado a pimenta.

Renata: Toma, mãe. – diz, entregando a pimenta para a mãe, e fazendo questão de mostrar para Carol qual era a certa.

Carol: Eu não sei cozinhar, ok? – enfrenta, ouvindo um coro de indignação em seguida. – E o Roberto não vê isso como um problema.

Marta encara Carol.

Marta: Eu não quero mais cozinhar.

As Pelegrinis: Ah não, Marta! Não!

Marta: Ah, que falta faz a nossa Mariana. – suspira.

Lílian: Mãe… – reprova.

Marta: Mas a Mariana também não sabia cozinhar, não é mesmo?

Carol sentiu o peso daquelas palavras e Larissa e Lilian perceberam. Ela sai da cozinha a passos rápidos e corre para o quarto. Larissa vai atrás dela. Na cozinha, Lílian encara a mãe.

Lílian: Não precisava ter feito isso, mãe. A Carol é uma ótima pessoa e ama o Roberto de verdade. É a primeira vez, depois de anos, que vejo o Roberto tão feliz com uma pessoa. Ele precisa do seu apoio.– diz, saindo em seguida, deixando Marta e as Pelegrinis pensativas.

25. INTERNA – NOITE – SÍTIO DOS PELEGRINI – QUARTO

Quando Larissa chega ao quarto, encontra Carol andando de um lado para o outro.

Larissa: Carol, não fica assim.

Carol: Eles nem me dão uma chance, Lissa. Uma chance.

Larissa: É assim mesmo. Família italiana, fala demais, fala alto, briga por tudo. Daqui a poucos eles esquecem.

Carol: Mas eu não vou esquecer…

Larissa: É por causa da mamãe?

Carol encara Larissa.

Carol: Eu nunca quis competir com a sua mãe, ser melhor que ela. Mas parece que ela é inalcançável.

Larissa: Mas você não precisa alcançar. E ela nem precisa ser alcançada, Carol. Ela foi ela, e você é você.

Carol ouvia atentamente às palavras de Larissa.

Larissa: E se tinha uma pessoa que com certeza iria comparar você direto à minha mãe e não o faz, sou eu. A pessoa que mais sente a falta dela e sabe que não existe mulher nenhuma que vai substituí-la. Porque mãe é mãe.

Larissa emociona Carol e as duas se abraçam. Nesse momento, Roberto aparece na porta e vê a cena.

Roberto: Lissa… Me deixa a sós com a Carol, por favor?

Larissa sai e Roberto se aproxima de Carol.

Roberto: Quer ir embora?

Carol: Não, não. É aniversário do seu pai. Nós vamos ficar.

Roberto: Desculpa a minha mãe, ta? Ela é assim, expansiva. Quer abraçar todos do mundo, quer que todos sejam como ela. Mas é uma ótima mulher.

Carol: Eu sei, Roberto. Eu sei. Eu entendo a preocupação dela. E quantas vezes você ficou ao meu lado em reuniões Andrade, com minha mãe até te atacando? Eu vou ficar e ainda vou ganhar um abraço sufocante da sua mãe, você vai ver.

Roberto: Muito bem.

Os dois se beijam e Roberto acalma Carol.

26. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SAULO

Logo pela manhã de domingo, Nora resolve ir ao apartamento de Saulo.

Saulo: Nora? Mas isso são horas de fazer uma visita num domingo?

Nora: É muito urgente, Saulo.

Saulo: Aconteceu alguma coisa com a mamãe.

Nora: Não. É sobre a Vera.

Saulo não gosta dos possíveis rumos que aquela conversa tomaria.

Nora: E sobre o Davi.

Saulo: O que tem os dois?

Nora: Nós podemos sentar?

Saulo encara Nora.

27. EXTERNA – DIA – PRAIA

Davi fazia sua caminhada matinal na praia, quando avistou um ensaio fotográfico sendo realizado. No meio da produção, ele avistou Rebeca. Ele se aproximou, passando-se por um curioso que queria saber mais sobre o que se passava.

Davi: Oi.

Rebeca: Oi – responde, desconfiada.

Davi: São fotos para alguma revista?

Rebeca: Não, não. São para uma marca de roupas de praia.

Davi: Ah, sim. Você é fotógrafa?

Rebeca: Sim.

Davi encara Rebeca e a deixa sem graça.

Davi: Você não deve estar me reconhecendo.

Ela o encara, tentando lembrar.

Rebeca: Desculpa, mas não estou mesmo. – ri, constrangida.

Davi: Eu sou um velho amigo da sua mãe. Davi Gonçalves. Vi você bem pequena, uma criança. Estava passando e te reconheci.

Rebeca: Davi, Davi… Ah! Lembro! Como vai?

Davi: Bem, bem. Então você virou fotógrafa?

Rebeca: Pois é. Larguei o Direito para desgosto da minha mãe.

Davi: O importante é fazer o que gosta.

Rebeca: Concordo.

Produtor: Rebeca! Ajuda a gente aqui?!

Rebeca: Tenho que ir.

Davi: Espera. Toma meu cartão. Estou fazendo uma campanha. Você pode fotografá-la se interessar.

Rebeca: Nossa. Obrigada! Obrigada mesmo.

Davi: Imagina.

Rebeca se afasta e Davi continua a observando.

28. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SAULO

Saulo: Eu não acredito que você está fazendo isso, Nora.

Nora: Saulo, a Vera trouxe esse homem de propósito de volta para a vida dela. Você sabe do que a Vera é capaz.

Saulo: Isso mesmo, Nora. Eu sei do que ela é capaz, eu conheço a mulher com quem eu estou. Então, por favor, pare com suas insinuações.

Nora: Está tudo debaixo do seu nariz, Saulo.

Saulo: Talvez esteja debaixo do seu nariz também, e você só não está percebendo.

Nora: Como? – pergunta, não entendendo.

Saulo: Eu acho que o Davi está com você só para se vingar da Vera.

Nora sente o golpe que o irmão quis dar e se levanta, ofendida, para ir embora. Como o levantar brusco, a vista de Nora escurece e ela sente de novo, rapidamente.

Saulo: Nora? Nora? – diz, aproximando-se da irmã.

Nora: Eu estou bem. Me solte. – responde, recusando a atenção do irmão. – Eu vim aqui apenas para tentar te alertar. Você não precisava ter insinuado isso.

Nora levanta com mais calma e vai embora, deixando Saulo com a pulga atrás da orelha.

29. EXTERNA – DIA – PRÉDIO DE SARA

Júnior esperava Gabriel descer na porta do prédio de Sara. Quando o sobrinho apareceu, Júnior destravou as portas do carro.

Gabriel: Primeira coisa sobre estudar que você deve lembrar, Tio Ju: domingo, não. – solta, logo que entra no carro com sua mochila de livros nas costas.

Júnior: Mas Gabs, nós temos que aproveitar a minha empolgação, tá no começo… Vai ser divertido. – rebate, empolgado.

Gabriel o encara, não acreditando que estava ouvindo aquilo tão cedo pela manhã.

Júnior: Você contou para sua mãe?

Gabriel: Você não pediu segredo? Claro que não contei.

Júnior: Ótimo, vamos.

30. EXTERNA – DIA – SÍTIO DOS PELEGRINI – PISCINA

Lílian tomava sol enquanto os Pelegrinis faziam um churrasco. As outras mulheres da família cozinhavam. Carol acorda e vai fazer companhia à cunhada.

Lílian: Recuperada?

Carol: Sim. Tive uma boa conversa com a Lissa e o Roberto ontem.

Lílian: Acho que esse é o seu momento com os Pelegrinis e você está se saindo bem. – diz, dando força para a cunhada.

As duas riem, quando são interrompidas pelos meninos que jogaram bolas de água em Larissa, que, desta vez, pulam na piscina com tudo, jogando água em Lílian e Carol.

Carol: Dessa vez, eu não escapei.

Lílian: Leandro Júnior e Giuliano, aquietem-se, por favor! Olha o que vocês fizeram com a Carol!

Giuliano: Foi a mamãe que mandou!

Carol: Hã?

Leandro Júnior: Cala a boca!

Carol: Quem é a mãe deles?

Lílian: É a Lívia. Aquela ali de rosa. – Lílian mostra a prima para Carol. – É minha prima por parte de pai.

Carol: E por que ela mandou os filhos fazerem isso comigo? Meu Deus! As bolas de água de ontem eram para mim!

Lílian: Ela foi apaixonada pelo Roberto na adolescência. Namorico bobo, sabe? Mas ela sempre levou muito a sério. Quando o Roberto casou com a Mari, nossa… Ela quase se matou. Ela sempre foi bem exagerada.

Carol: Ah tá! Entendi… – Carol encara Lívia de longe, já não gostando da mulher.

31. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES

Nora chega em casa irritada depois da conversa com Saulo. Mas mais preocupada com sua saúde. Ela pega sua agenda de telefones e decide ligar para seu médico.

Nora: Alô, Dr. Augusto? Oi, é a Nora Andrade. Desculpe ligar hoje, mas eu preciso marcar um check-up com o senhor, pode ser?

Diva, que escutou a filha abrindo a porta, dá um leve sorriso ao ouvi-la ao telefone.

32. INTERNA – DIA – SÍTIO DOS PELEGRINI

Roberto estava a sós no quarto. Tinha acabado de sair do banho. De repente, Lívia entra no quarto.

Lívia: Oi Roberto.

Roberto: Lívia. Oi! Tudo bem?

Lívia: Melhor agora.

Roberto dá um sorriso sem graça.

Lívia: E, então, a Carol está substituindo a Mariana bem?

Roberto: Não, porque não há o que substituir. As pessoas não são substituíveis para mim, Lívia.

Lívia: Engraçado, eu me senti substituída.

Roberto: Lívia, por favor, nós namoramos por 2 meses. Não tivemos nada.

Lívia: Nada, Roberto?

Roberto: Lívia, você é uma mulher casada. Dê-se o respeito. O seu marido está aqui, na mesma casa que nós.

Roberto joga a toalha em cima da cama e sai do quarto. Nas pontas extremas do corredor estão Carol, que estava indo para o quarto, e Marta e Antônio, que saiam do seu quarto.

Lívia: Pois eu te amei, entendeu? Eu te amei mais do que eu amo o Leandro, se você quer saber. – grita, saindo do quarto para chamar a atenção de Roberto e sendo surpreendida pelos olhares de Carol, Marta e Antônio. Constrangida, Lívia sai, passando por Carol, encarando-a com inveja.

Roberto e Carol se olham, cúmplices e sabendo que aquilo nada abalaria. Marta e Antônio notam a atitude do casal e se olham, igualmente cúmplices.

Os pais de Roberto se aproximam e Carol se aproxima de Roberto.

Carol: Tudo bem?

Roberto: Eu que pergunto.

Marta: Ah, a Lívia. Nunca tomou jeito essa menina.

Antonio: Eu vou ter uma conversa com a Giulia.

Roberto: Não precisa, pai.

Marta: Claro que precisa. Olha o constrangimento que ela causou à Carolina.

Carol: Não. Imagina, gente. Não foi nada. – diz, surpresa com a atitude da sogra.

Marta encara Carol. Roberto e Antonio percebem.

Marta: Vamos, Antonio?

Antonio: Vamos.

Os dois saem.

Carol: Por que a sua mãe me olhou daquele jeito?

Roberto: Posso estar errado, mas você acaba de ganhar o respeito da minha mãe com essa atitude.

Carol: Jura?

Roberto: Juro. – diz, se posicionando para um beijo.

Carol: Ei! Não pense que essa cena que eu presenciei vai ficar barato. Aposto que você provocou a sua prima.

Roberto: Eu?

Carol: Claro! Com essa barriguinha de fora, você queria o quê?

Roberto: O que tem a minha barriguinha? Você gosta? – provoca.

Carol: Roberto…

Roberto: Hein? Gosta? – diz, beijando o pescoço de Carol.

Carol: Gosto! – diz, caindo nos braços do namorado e partindo com ele para o quarto.

33. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

Vera abre a porta e Saulo entra como um furacão.

Vera: Nossa, boa noite para você também.

Saulo: Por que você não me contou que o Davi era seu ex-namorado?

Vera: Ah, os Andrades

Saulo: Não tente me enrolar, Vera.

Vera: Eu não estou te enrolando, Saulo. E eu não contei sobre o Davi porque eu não queria você fazendo, justamente, o que está fazendo agora.

Saulo: Quer dizer que você ainda acha que eu estou errado em te cobrar algo assim? Esse é um fato que você não devia ter escondido de mim, Vera. Não devia. Levar ele para trabalhar na minha editora…

Vera: Ei. Nossa editora. Nossa.

Saulo: Desculpe. – mais calmo.

Vera: Você está muito nervoso e eu só chamei o Davi, pois ele é bom no que faz e vai nos ajudar.

Saulo a encara.

Vera: Você não acredita?

Saulo: Não sei.

Vera: Saulo?!

Saulo: Eu não sei… – diz, saindo batendo a porta.

Vera fica olhando para a porta, arrasada.

34. INTERNA – NOITE – SÍTIO DOS PELEGRINIS – PORTÃO

Roberto colocara a última mala no porta-malas do carro.

Roberto: Pai. Mais um ano, hein? Muita saúde.

Antônio: Obrigado, meu filho.

Os dois se abraçam e se despedem.

Roberto: Mãe, a benção.

Marta: Deus te abençoe. – diz, ameaçando chorar.

Roberto: Mãe! – recrimina e ela engole o choro.

Larissa: Vô, vó!

Antônio: Princesa!

Marta: Vai com Deus, minha neta.

Carol: Dona Marta, foi um prazer. – diz, estendendo a mão para a sogra.

Marta pega a mão de Carol e a puxa para um longo abraço.

Marta: Minha nora! Desculpa qualquer coisa. Seja bem-vinda. E cuida do meu menino!

Carol: Pode deixar. – diz, surpresa. – Senhor Antônio, meus parabéns de novo.

Antônio: Obrigado, Carol. – diz, abraçando-a. – E não liga, esse povo é tudo maluco! – sussurra no ouvido dela. Quando se voltam um para o outro, ele pede segredo sobre o que acabara de dizer.

Roberto: Então é isso. Tchau,mãe. Tchau,pai.

Assim, Roberto, Carol, Larissa e Lílian partem de volta para o Rio de Janeiro.

Antonio: Boa moça, não?

Marta: Muito. Uma dama. Você viu como ela tratou a situação com a Lívia? Fina e elegante.

Antonio: Não a compare com a Mariana, Marta.

Marta: Não estou comparando. Mas que o nosso filho tem sorte para mulheres finas e inteligentes, ele tem.

Os dois se abraçam, enquanto vêem o carro se afastar.

33. INTERNA – NOITE – CARRO

Lílian e Larissa já dormiam uma encostada na outra, enquanto Roberto dirigia e Carol estava pensativa.

Roberto: E então? O que achou dos Pelegrinis?

Carol olha para Roberto e permanece calada por um instante.

Roberto: E?

Carol: Mal posso esperar para que eles conheçam os Andrades.

Roberto e Carol riem e continuam a viagem.

Continua…

2 Respostas to “Os Pelegrinis”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera!!!!!

    E eu acho que os Andrade que eram malucos!!!

    A família do Roberto dá de 1000 neles!!! Se bem que parece um pouco com a minha!!! Todo mundo falando junto, os véios trocando os nomes de todos e por aí vai…

    Coitada da Carol, como se não bastasse a purgante da Renata, ainda teve que enfrentar a sogra, as cunhadas e uma prima. E todas ainda fizeram questão de lembrar da Mariana… Mas ela soube dar o troco, linda!!! Só quero ver quando as duas famílias se juntarem!! XD

    Ri muito com o Marcelo. Que bola mais fora ele deu… Será que não podia ter perguntado antes pra Sara o gosto musical do Gabriel? NX Zero???? Ninguém merece… E ele tentando esconder o DVD do Junior?? Que comédia…

    Ainda bem que a Nora resolveu procurar um médico. Esses desmaios e mau-estares já estavam começando a ficar preocupantes!!!

    E D. Vera aprontando né! Só quero ver onde isso irá parar… Pobre Saulo!!!

    Só não entendi uma coisa, o que o Diego foi fazer no apartamento do Carlos? A situação ficou vaga… Veremos até isso irá.

    Bem, isso é tudo.

    Me dei conta de uma coisa, a temporada tá acabando… =´(

    Até o próximo episódio.

  2. Natie Says:

    Oi pessoal!!! 😀

    Antes de td, obrigada Filipe por desfazer a minha confusão!! Menos mal q o Diego não eh o ex da psicologa! heheh… Melhor pra terapia do Carlos! Alias, vai ou nao vai com o Diego?

    Aaaah adorei esse epi! hehe… E adorei os Pelegrinis! Com um ou outro maluco na familia, mas quem não tem malucos na familia né? Gostei de ver a Carol envolvida nisso tudo e ver a forma como ela lidou com cada um… E imagina um encontro desse povo com os Andrade? (ia AMAAAAAAAR ver!!)

    Que legal o Junior ter ido pedir ajuda ao Gabriel pra estudar! E vou concordar com o Gabriel, ngm merece estudar domingo!! Só qdo necessário… rsrs…

    Ri mtu com o Marcelo tentando agradar os filhos da Sara! E dando um DVD do NX Zero pro Gabs!! hehe… Demais…

    E Davi ainda vai dar mtu o q falar né? Só na expectativa…

    Aaah e q bom q a Nora vai no medico!!! Tava na hora…

    Bjs e até a proxima!!

    PS: E o Lucas? Parte dessa pra uma melhor??

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