Nos episódios anteriores: Tomás leva investidas de Lavínia. Júnior entra para a banda do irmão de Bianca. Sara se torna professora universitária e acumula trabalho. Rebeca começa a namorar outro estagiário de Carlos, Giovanni, e ele fala mal dela para os outros. Carol está insatisfeita com seu trabalho. E Carlos procura seguir em frente, mas o fantasma de Sérgio não deixa.

01. INTERNA – NOITE – ANDANÇAS MATRIZ

Sara lia alguns documentos com pressa, pois já estava atrasada para dar sua aula. Tomás entra na sala, seguido de Patrícia com mais documentos.

Tomás: Pode colocar na mesa da Sara, Pati.

A secretária despeja os papéis na mesa de Sara.

Tomás: Quando esse meu problema nas costas acabar, eu juro que te recompenso por carregar tanto peso.

Sara: Mentira, Patrícia. Ele já está curado, está só te explorando.

Patrícia: Não tem problema. Ainda vão precisar de mim?

Tomás: Não, não. Pode ir.

Patrícia: Boa noite!

Sara e Tomás: Boa noite!

A secretária deixa a sala e Sara se assusta, dando conta do horário e da quantidade de papéis que Tomás tinha levado.

Sara: Mas o que é isso?

Tomás: Os documentos que nós precisamos para o fechamento anual.

Sara: Tomás, nós estamos em setembro.

Tomás: Eu sei! Ainda bem que tivemos essa idéia de adiantar o serviço, não é mesmo?

Sara o fuzila com o olhar.

Tomás: Se quiser levar pra casa… – abre um sorriso debochado, sabendo que a irmã não vai aceitar.

Sara: Deixa aqui na minha mesa que depois eu olho. Vamos contratar contador esse ano?

Tomás: Não! O do ano passado atrasou tudo e só deu trabalho.

Sara olha o relógio.

Sara: Droga! Eu tenho que ir… Droga… celular descarregado!

Tomás: Troca o chip comigo.

Sara: Isso demora muito. – diz, se levantando apressada, pegando a bolsa e saindo correndo. – Tchaaau.

Tomás: Tchau!

Tomás se depara com a papelada, olha para os lados, se vê sozinho e resolve ir embora também.

02. INTERNA – NOITE – BAR

Guto: Alguém sabe por que o Yuri marcou com a gente aqui?

Bianca: Eu não conhecia esse bar…

Júnior: Micaelisson? – diz, pegando o RG de Mike – É.. algumas pessoas precisam de um apelido.

Todos, menos Mike, caem na gargalhada. Yuri se aproxima.

Yuri: E aí, galera!

Ele cumprimenta todos e dá um beijo na irmã.

Júnior: E, então? Estamos curiosos.

Mike: Não me diz que decidiu sair da banda?

Yuri: Tá maluco? É coisa boa! Coisa ótima!

Guto: Diz logo, então!

Yuri: Seguinte: eu fiquei sabendo de uma seleção para bandas desconhecidas…

Bianca: Seleção de quê?

Yuri: Eles vão escolher cinco bandas para fazer uma turnê pelo Brasil. É um projeto chamado ‘Young Sound’, patrocinado pela Coca-Cola.

Todos ficam surpresos com a importância do projeto e deixam Yuri continuar.

Yuri: E aí eu mandei a nossa inscrição!

Júnior: E já teve resposta? – anima-se.

Yuri: Sai amanhã.

Bianca: Uau!

Mike: Caraca, velho! Que notícia!

Yuri: E como eles selecionam?

Todos começam a encher Yuri de perguntas, enquanto pedem coisas para beber e comer.

03. EXTERNA – NOITE – CASA DE NORA ANDRADE

Emerson se reuniu naquela noite com todos os escritores do livro para que mostrassem seus perfis. Após a reunião, Nora aceitou sua carona, pois seu carro estava na oficina. Ele pára o carro na porta da matriarca dos Andrades.

Emerson: A sua filha, realmente, é um talento.

Nora: Eu me orgulho muito de todos meus filhos. Cada um ao seu modo.

Emerson: Pelo que ela descreve aqui, você nasceu para ser mãe.

Nora: Mas ser mãe é um ofício. Divino.

Os dois riem e Nora faz menção de descer do carro.

Emerson: Espera.

Emerson desce do carro e se apressa para abrir a porta para Nora.

Nora: Um cavalheiro.

Emerson: Nora… O que você vai fazer amanhã?

Nora percebe que um convite está por vir e fica aflita.

Nora: Eu? Não… Não sei. Até agora, nada. Mas um dos meus filhos provavelmente vai aparecer aqui.

Emerson: Aceita jantar comigo?

Nora: Jantar? Um jantar de trabalho? Mas já não temos tudo acertado?

Emerson: Eu não falei em trabalho, Nora.

Nora fica sem reação.

Emerson: E então? Conheço um restaurante ótimo na Zona Sul.

Nora: Sim.

Emerson: Sim? – repete, não como se duvidasse, mas confirmando.

Nora: Sim. – repete, se fazendo de firme e decidida, mas estava em dúvidas por dentro.

Emerson: Então, passo aqui às 20h.

Nora: Ótimo.

Emerson: Até amanhã.

Nora: Até.

Emerson dá um beijo no rosto de Nora e ela fica envergonhada. Nora entra em casa, ainda pensando no convite de Emerson. Era a primeira vez após a morte de Guilherme que Nora era convidada para sair. Era normal que se sentisse insegura. Mais normal ainda era correr para pedir ajuda para uma de suas filhas. Nora pega o telefone e disca.

Nora: Carol?

Carol: Oi mãe.

Nora: O que você vai fazer amanhã, depois do trabalho?

Carol: Tinha combinado um cinema com o Roberto, mas ele acabou de me avisar que vai ter uma reunião do partido. Por quê?

Nora: Preciso da sua ajuda…

04. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS ANDRADE

Carlos: Jantar? – diz, ao celular, entrando no apartamento.

Carol: Aham. Com o responsável pelo livro.

Carlos: O Emerson?

Carol: Não sei… Acho que é esse o nome.

Carlos: Dona Nora, hein? Se bem que já estava na hora de ela ter um namorado…

Carol: Como assim? Achei que você fosse ligar para ela agora e dar um piti!

Carlos: Eu não sou machista e não me chamo Tomás Andrade, ok?

A campainha toca.

Carlos: Ei… a campainha está tocando. Vou atender lá e desligar aqui. Beijo.

Carol: Beijo!

Carlos atende a campainha e é Pâmela, que entra com pizza, vinho e um jornal.

Carlos: A pizza e o jornal fazem parte de uma metáfora sobre a política do Brasil?

Pâmela: Não. A pizza eu comprei mais cedo para um carinha que conheci, mas levei o bolo; O vinho, bem… você imagina. E o jornal é para você, tem uma matéria que você vai gostar de ler.

Pâmela entrega o jornal para Carlos.

Pâmela: Caderno de futilidades, digo, da Sociedade Carioca. Página 3.

Carlos: O Restaurante Le Petit Marceau, da minha amiga Cláudia Bordi Villaça, é a mais nova sensação do Rio. Bom ambiente, ótima localização, excelente música. Mas é o cardápio do chef Sérgio Bragança que faz a diferença. Parabéns e sucesso. – lê a nota no jornal.

Pâmela: É o restaurante do Sérgio, né?

Carlos: É… – diz, olhando para o jornal.

Pâmela: Mas duvido que ele saiba fazer uma pizza tão boa quanto essa. Anda, vamos comer. – toma o jornal da mão de Carlos.

Carlos: Vamos…

05. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

Sara aproveitava um tempo livre antes de uma reunião com Tomás, para corrigir algumas provas.

Patrícia: Sara? – diz, colocando a cabeça para dentro da sala, com a porta um pouco aberta.

Sara: Oi, Pati…

Patrícia: O Fernando está aqui.

Sara estranha a presença do ex-marido na Andanças aquela hora.

Sara: Manda entrar.

Patrícia sai e, segundos depois, Fernando entra, com uma expressão de preocupação.

Sara: Aconteceu algo com as crianças? – diz, levantando-se.

Fernando: Não, nada. – Sara fica mais aliviada – O problema é comigo mesmo.

Sara: E em que eu posso ajudar?

Fernando: É que… eu tô com umas contas atrasadas…

Sara fecha a cara para a conversa e volta a sentar-se em sua cadeira.

Sara: A banda não tem rendido o suficiente? – diz, pegando uma prova.

Fernando: Não. Saímos de um dos lugares que tocávamos. O cara não queria pagar direito e saímos.

Sara: E a arquitetura?

Fernando: Você sabe o fim que levou.

Sara: Um fim precipitado, você não acha?

Fernando: Sara…

Sara: Fernando… como você quer se sustentar e sustentar três filhos vivendo de música? Sejamos realistas. Uma coisa é o meu irmão caçula, solteiro, sustentado pela minha mãe, querer viver de música. Outra é um pai de família viver assim. Você há de convir que não tem contribuído muito financeiramente com os nossos filhos.

Fernando já estava exaltado, pois sabia que aquela conversa não iria terminar bem.

Fernando: Você pode ou não pode me emprestar?

Sara: É para pagar contas?

Fernando: Sim. Luz e Água.

Sara: Deixa as contas aqui que eu pago.

Fernando fica ofendido com a proposta de Sara.

Fernando: Você acha que eu não vou gastar o dinheiro bem?

Sara: Tudo bem, Ferdi. – ela abre a carteira. – Quanto?

Fernando: Cem.

Sara: Ta aqui. – diz, dando duas notas de cinqüenta para ele. – Mas pensa melhor a respeito da arquitetura. Você é bom no que faz.

Fernando: Eu também sou bom com a música. Eu sei disso. Obrigado.

Fernando se retira e Sara respira fundo ao sentar-se na cadeira.

06. INTERNA – DIA – ÁGORA

Carol pega a edição daquele dia do jornal e vê uma matéria sobre Roberto, que falava sobre o posicionamento dele na Assembléia sobre a segurança estadual e o tráfico de drogas.

Carol: Não acredito…

Carol pega o telefone e liga para o namorado.

Roberto: Oi amor.

Carol: Falar assim da violência no Rio? Combater com todas as armas? Nem ano de eleição, é.

Roberto: Eu acho que eu não agradaria muito se falasse que acho a violência e o tráfico de drogas algo normal e aceitável.

Carol: Roberto Pellegrini, não me venha com esses argumentos de esquerda. Você sabe que não é tão fácil lidar com um tema tão delicado.

Roberto: Já eu acho que vocês de direita é que tem preguiça de agir e se escondem atrás desses argumentos fracos.

Carol: Fracos? Que absurdo! Você sabe quanto que é necessário gastar para ao menos tentar dar um jeito na violência nesse estado?

Roberto: Sim, sei. Sou deputado esqueceu?

Carol: Ok. Eu não vou discutir isso com você. Não de novo por telefone.

Roberto: Sempre fugindo das discussões… Tão tucana…

Carol: Eu só estou preocupada, viu? Vai saber o que esses homens de crime organizado podem fazer. São piores e mais cruéis que a máfia italiana, viu? E eles não usam Black-tie. – Roberto ri.

Roberto: Eu sei, eu sei. Mas se não tocarmos nunca nesse assunto, só preocupados com a nossa segurança pessoal, não tornaremos o estado seguro pra si nunca. Amor, tenho que ir agora.

Carol: Beijo.

Roberto: Beijo.

Carol desliga e Zé, o estagiário, estava perto de Carol e ouvia a conversa.

Zé: Você ama mesmo política, hein?

Carol: Amo. Amava aquela editoria. Maaaas… por causa do Roberto, não me senti a vontade para continuar.

Zé: E também não está a vontade aqui.

Carol: Eu bem que tento disfarçar, Zé, mas chega uma hora que não dá. Não agüento mais as notas pequenas, os obituários, a Karina…

Os dois riem.

Zé: Ta sabendo da vaga na editoria de Cultura?

Carol se interessa.

Carol: Não. Quem vai sair?

Zé: A Isabella Cunha. Vai pra concorrência.

Carol: Interessante…

Carol tinha ficado interessada na vaga em outra editora. Já que não se sentia confortável falando de coisas pequenas, sentia-se confortável o suficiente para tentar o novo.

07. INTERNA – DIA – BARBOSA & LIMA

Carlos chega ao escritório e encontra os estagiários tomando café juntos na copa.

Carlos: Não têm trabalho a fazer?

Todos engolem rápido e viram o café de uma vez e saem da copa, menos Rebeca e Giovanni.

Rebeca: Não adianta, você não me mete mais medo.

Carlos: Não gosto de estagiários petulantes.

Rebeca ri.

Carlos: Vocês dois já têm compromisso pra hoje?

Rebeca e Giovanni não entendem e respondem negativamente.

Carlos: Ótimo, então você tem a partir de agora, Rebeca. – diz, jogando o jornal para ela. – Reserve uma mesa para nós dois no Le Petit Marceau.

Rebeca: Nós?

Carlos: Sim. Algum problema em querer jantar com minha irmã?

Rebeca: Não… nenhum.

Carlos: Ótimo.

Carlos sai e Rebeca fica sem entender. Giovanni menos ainda.

08. INTERNA – DIA – ÁGORA

Carol: Frank? Frank, querido? Que saudade…

Frank: Você está pagando uma ligação interurbana só para me tratar com frescurinhas? Qual conselho você quer, Carol?

Carol: Você não sabe ainda como eu me dei super bem no caderno de Cidades? – ironiza.

Frank: Tanto que quer pegar a vaga em Cultura.

Carol: Eu odeio você.

Frank: E se eu te disser que fiz uma contagem regressiva para a sua ligação? Sabia que ela não passaria do meio-dia.

Carol: Tenho chance? Não agüento mais isso aqui…

Frank: Tem meu apoio. Afinal, ou você muda de editoria, ou muda de namorado. Levando em consideração teu histórico de namorados mal-sucedidos, eu não optaria pela primeira opção.

Carol: Frank!

Frank: Favorita, eu tenho que ir. Saudade, viu? E eu acho bom você se adaptar aí ou eu te trago de volta.

Carol: Oh favorite! Miss you, ok?

Carol e Frank desligam e ela toma a decisão de mudar de editoria. Carol sai para conversar com o responsável pela troca.

09. INTERNA – DIA – BARBOSA & LIMA

Rebeca entra num dos reservados do banheiro feminino. Giselle e outra funcionária entram em seguida e não percebem a presença da filha de Guilherme lá.

Giselle: Ela vai sair para jantar com o irmãozinho. – diz, irônica e pegando suas escovas de dentes.

Fátima: Ela só está estagiando aqui porque é irmã dele, não é mesmo?

Giselle: Com certeza. E ainda veio pra cima da gente com um papo de que não sabia.

A essa altura, Rebeca já estava com os ouvidos bem atentos ao que se passava.

Fátima: Odeio nepotismo. Quantos outros não poderiam estar aqui tendo uma oportunidade? Ela não precisa disso. Com um irmão como o Carlos, ela consegue estágio em qualquer lugar.

Fátima espera Giselle terminar de escovar os dentes. E Rebeca também.

Giselle: Foi o que o Giovanni disse.

Rebeca toma um baque ao saber que o namorado falou dela para os outros.

Nessa hora, Rebeca sai do reservado e Giselle e Fátima tomam um susto. Ela se mantém fina e elegante, lavando as mãos. As duas a encaram pelo espelho, assustadas. Rebeca pega um papel toalha, enxuga as mãos e joga o papel no lixo. Arruma o cabelo, sorri para as duas e vai embora.

Giselle: Meu estágio… já era…

10. INTERNA – DIA – ANDANÇAS MATRIZ

Passava do meio-dia. Sara estava com Tomás, resolvendo alguns problemas, quando o celular toca.

Sara: Oi filho.

Gabriel: Mãe, eu não consigo encontrar a insulina da Rafa. Já passou da hora dela tomar.

Sara: Já olhou na farmacinha?

Gabriel: Acabou. Você não comprou?

Sara: Ai meu Deus…

Gabriel: A Rafa ta suando muito…

Sara: Eu estou indo aí, filho. Agüenta as pontas.

Sara desliga e Tomás se preocupa.

Tomás: O que foi?

Sara: A Rafa… não tem o remédio dela… – diz, levantando rápido e saindo correndo da sala.

Tomás: Dirige com calma! – grita, alertando a irmã.

11. INTERNA – DIA – ÁGORA

Carol voltava da sala de seu chefe, com um sorriso de orelha a orelha. Estava de mudança para o caderno de Cultura. Horácio, que havia sido chamado para a reunião também, não tinha gostado muito da decisão.

Horácio: Eu entendo que você não tenha se adaptado, mas não custava ter me comunicado antes.

Carol: Desculpa, Horácio, mas você teria tentado me convencer do contrário. O que é a sua função, afinal. Mas eu não estava me sentindo bem. – Os dois param na mesa de Carol e se encaram.

Eles se abraçam e Horácio deseja boa sorte à jornalista. Carol começa a arrumar suas coisas e Karina se aproxima.

Karina: Eu esperava mais de você.

Carol: Já eu não esperava outra atitude de você.

Karina: Você quase me enganou com aquele seu ar de superioridade me ajudando, mas era óbvio que é uma mimada que não se contenta com pequenas notas.

Carol: Eu não diria mimada, mas sim competente demais para fazer um trabalho tão pequeno.

Karina: Trabalho que eu fiz durante muito tempo para conseguir chegar onde estou. – rebate, ofendida.

Carol: Karina, essa é a semelhança entre nós duas. Eu também já batalhei muito para chegar aonde cheguei. Não é justo que eu volte pro ponto inicial. Eu vou atrás do que eu quero, que-ri-da.

Carol termina de arrumar suas coisas, fecha a bolsa e dá as costas para Karina. Era o fim de uma tumultuada relação de trabalho.

12. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

Sara se aproximava de casa, quando avistou uma ambulância na porta de seu prédio, rodeada de curiosos. Seu coração de mãe não se enganou ao deduzir que Rafaela estava em perigo. Acelerou e logo chegou até a ambulância.

Sara: Rafa!Rafa! – grita, saindo do carro correndo.

Ela corre até a ambulância e vê Rafaela na maca, sendo levada.

Gabriel: Mãe. – chama Sara.

Sara: Filho, o que aconteceu? – diz, aflita.

Fernando: Ela teve uma convulsão.

Sara: Ferdi? – indaga, ainda sem entender o que estava acontecendo a sua volta.

Fernando: Ela já está bem, mas precisa ir para o hospital fazer exames.

Sara: Eu vou com ela…

Fernando: Não. – diz, sério, barrando a passagem de Sara para a ambulância. – Eu vou, com a minha filha. – enfatiza.

Sara se assusta com a reação de Fernando, mas não tem tempo de reagir, pois ele sobe na ambulância. Sara só tem tempo de dar mais uma olhada em Rafaela, antes da porta se fechar e da ambulância partir. Ela corre para o carro, para seguir a ambulância.

Sara: Gabs, fica com seu irmão.

Gabriel: Ta. Liga de lá, mãe.

Sara: Ta… – grita, já dando a partida no carro e arrancando.

13. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Nora havia colocado cinco vestidos na cama e mais cinco pares de sapato para escolher quais usar.

Diva: Vai fazer um brechó?

Nora: Não.

Diva: E para que isso?

Nora: Vou sair para jantar.

Diva: Um encontro?

Nora: Não. Um jantar de negócios.

Diva: Não me diz que você resolver abrir uma editora pra concorrer com a oxigenada?

Nora fuzila Diva com o olhar, quando Carol entra.

Carol: Cheguei!

Nora: Ah! Finalmente! Escolhi esses aqui. – aponta para os vestidos – O que você acha?

Diva: Parecendo uma adolescente… – diz, saindo do quarto.

Carol: Preto. Ninguém erra de preto.

Nora: E o sapato?

Carol: O prata.

Nora: Prata? Mas não fica chamativo demais?

Carol: Claro que não!

Nora: Tudo bem, já estou atrasada mesmo. Obrigada, querida.

Carol: Não pense a senhora que eu vim só vesti-la e vou sair sem uma informaçãozinha preciosa sobre este encontro, Dona Nora. Pode contando, quais as intenções do Sr. Emerson?

Nora: Eu não sei. – diz, desanimada.

Carol: Mãe, o que foi? – pergunta, começando a arrumar o cabelo da mãe de frente para o espelho do quarto de Nora.

Nora: Eu não sei se sinto por ele o que ele sente por mim.

Carol: Bobagem. A senhora só está insegura porque é seu primeiro encontro desde a morte do papai.

Nora para um pouco para pensar.

Carol: Mãe?

Nora: Oi?

Carol: Que foi?

Nora: Estava lembrando o meu primeiro encontro com seu pai. Eu também usei preto.

Nora olha para o vestido em sua mão e o troca por um vermelho.

Nora: Melhor mudar.

Carol se espanta, mas gosta da atitude decidida da mãe.

14. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE YURI E BIANCA

Júnior, Bianca, Mike e Guto estavam à espera de Yuri, que foi a uma reunião saber quais bandas tinham sido selecionadas para a turnê.

Os quatro se olhavam, andavam um pouco, conversavam menos ainda. Não conseguiam controlar a ansiedade. Para quebrar o silêncio, um deles recebe uma mensagem no celular. Era o de Júnior, que recebeu uma mensagem de Rebeca, pedindo que se encontrassem no dia seguinte para conversar. De repente, os quatro ouvem uma chave entrar na fechadura. Eles encaram a porta e Yuri entra, sério. Agora encaravam Yuri, pedindo uma resposta.

Yuri: O ‘Young Sound’ é nossoooooooooo!! – grita.

Os cinco pulam e vibram como crianças que acabaram de ganhar um doce.

15. INTERNA – NOITE – HOSPITAL

Sara e Fernando esperavam notícias de Rafaela no corredor do hospital, longe um do outro, mas com muitas palavras engasgadas, querendo sair. Ela toma a iniciativa de quebrar o péssimo clima que se instaurava.

Sara: Foi o Gabs que te chamou?

Fernando: Sim. – responde, seco.

Sara: Olha, Ferdi. Eu não gostei do jeito que você falou comigo. Nessas horas é melhor a mãe estar perto.

Fernando dá um sorriso debochado e Sara não gosta.

Fernando: Na hora do socorro é a mãe que tem que estar perto, mas na hora do sufoco, a mãe não estava lá.

Sara: Fernando, eu não ia prever que a Rafaela ia passar mal hoje!

Fernando: Não comprando o remédio dela, eu acho que é possível prever que ela ia passar mal, sim.

Sara: Se você fosse mais presente, poderia saber que estava faltando o remédio.

Fernando: Se está faltando remédio, porque você não me diz? Eu vou lá e compro.

Agora é a vez de Sara rir debochada.

Sara: Com que dinheiro?

Os dois se encaram, um com raiva do outro. Fernando se prepara para continuar a discussão, quando o médico aparece.

Médico: Vocês são os pais da Rafaela?

Fernando e Sara: Sim.

Médico: Vocês já podem entrar. Ela teve uma convulsão devido à baixa glicemia, mas nós já contornamos o problema.

Fernando: Obrigado.

Sara se adianta e entra no quarto da filha, que estava acordada.

Sara: Filha. – diz, abraçando Rafaela.

Rafaela: Mãe, o que aconteceu comigo?

Sara: Nada grave, meu bem. Nada grave.

Fernando: Você deu um baita susto na gente, mocinha.

Rafaela dá um pequeno sorriso e os pais derretem. Naquele momento, havia algo mais importante que os problemas dos dois.

16. EXTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE REBECA

Giovanni estava na frente do apartamento, esperando Rebeca, que  pediu ao porteiro que, quando ele chegasse, a avisasse e não o deixasse subir.

Rebeca: Oi.

Giovanni: Por que eu não pude subir?

Rebeca: Porque nós dois precisamos ter uma conversa.

Giovanni: Sobre?

Rebeca: Sobre o que você anda falando por aí a meu respeito.

Giovanni: Olha, eu não sei o que te disseram, mas…

Rebeca: Não, ninguém me disse. Eu mesma ouvi. E eu só quero que você saiba que eu realmente achei que você um cara inteligente, mas depois de ser tão falso e fofoqueiro, eu me arrependo amargamente de ter te deixado pisar na minha casa.

Giovanni: Rebeca…

Rebeca: E tem mais. Eu briguei com um grande amigo meu por sua causa. E isso eu não vou perdoar nunca.

Giovanni: Isso é um fim?

Rebeca: Claro. Ou você achou mesmo que nós iríamos continuar juntos depois de você falar mal de mim por aí? Eu tenho orgulho, Giovanni.

Giovanni: Tudo bem… Você ta nervosa, eu vou deixar você pensar mais um pouco.

Rebeca: Não tem o que pensar. E é melhor você ir embora, pois eu estou atrasada para o jantar com o meu irmãozinho nepotista. Tchau.

Rebeca sobe para seu apartamento e deixa Giovanni a ver navios.

17. INTERNA – NOITE – ANDANÇAS

Tomás decidiu ficar mais tempo na Andanças para adiantar suas pendências. Só não esperava que fosse ter companhia, ao ouvir batidas na sua porta. Ele estranha, mas vai abrir.

Tomás: Você? – espanta-se.

Lavínia: Eu mesma! – diz, entrando na sala.

Tomás: Quem te deixou entrar?

Lavínia: Já Conheço todos seus funcionários. O que ficou por último hoje é até bonitinho.

Tomás: Fique com ele, então.

Lavínia: Nãããão.. – vira-se – Eu quero você. – avança para cima de Tomás, que desvia.

Tomás: Pelo amor de Deus, quantas vezes eu vou ter que dizer que eu sou casado?

Lavínia: Quantas forem precisas para tornar isso mais excitante.

Lavínia tira a blusa, ficando só de sutiã, deixando Tomás hipnotizado pelo seu corpo perfeito. Ela se aproxima dele.

Lavínia: Eu sei que você também quer… – diz, beijando a nuca dele e começando a abrir os botões de sua camisa.

Tomás: Pára, por favor. – ele tenta relutar, mas não consegue sequer afastá-la.

Lavínia: Você vai ver que eu posso fazer muito mais e melhor que a sua mulher.

Quando ela diz isso, Tomás se lembra do tanto que Vitória se esforça pelo casamento dos dois.

Tomás: Chega. – diz, empurrando Lavínia com firmeza.

Lavínia: Ai. Assim você me machuca.

Tomás: Vai embora de uma vez. – diz, pegando a blusa dela do chão e jogando nela.

Lavínia não acredita que Tomás está fazendo aquilo e se indigna.

Lavínia: Você é um frouxo, isso sim.

Tomás: Eu sou leal à minha esposa. E vai embora de uma vez ou eu chamo a segurança.

Lavínia: Não adianta nada ser leal nos atos, se você não é fiel na cabeça, Tomás.

Ela passa por ele, debochada e vai embora. Tomás não acredita no que acabou de acontecer.

18. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA / APARTAMENTO DE ROBERTO

Gabriel e Larissa conversavam sobre os últimos acontecimentos na casa de Gabriel.

Larissa: Às vezes eu acho que seus pais te sobrecarregam. Ta que a Rafa teve uma convulsão, mas você não é pai dos gêmeos, poxa.

Gabriel: Eu sei, mas eu não me importo de cuidar deles. O problema, mesmo, são essas discussões entre eles que nunca acabam. Se eles se separaram porque brigavam muito, não adiantou muita coisa. Seria melhor que voltassem.

Larissa: Nem tanto. Quando não se consegue conviver mais, não tem porque tentar. Mas você já está bem?

Gabriel: Não. Eu to carente, precisando de atenção, de amor, de carinho… – diz, manhoso.

Larissa: Ai que mimado! – ri.

Gabriel: Mimado, não! Isso eu me orgulho de não ser.

Os dois riem. Larissa ouve vozes altas vindas da cozinha. E tenta escutar pra entender a conversa.

Gabriel: Larissa?

Larissa: Eu acho que a Carol e o papai estão discutindo. Eu vou lá, te ligo depois. Beijo. – desliga o telefone

19. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO – COZINHA

Carol: Eu achei que você fosse me apoiar.

Roberto: Foi uma atitude precipitada. – diz, pegando água na geladeira.

Carol: Eu não agüentava mais escrever para aquele Caderno. Era pouco demais pra mim.

Roberto: Você não se permitiu tentar. Foi impulsivo demais.

Carol: Como?

Larissa chega perto e começa a escutar a conversa de longe

Roberto: Tanto que nós conversamos, Carol. Tanto que trocamos a respeito. Desculpa, mas você me decepcionou.

Carol: E eu também estou muito decepcionada por você não estar feliz pela minha felicidade.

Roberto: Não é bem assim. E pare de ser mimada.

Carol: É sim. Parece que só o Frank me apoiou. E eu não sou mimada.

Roberto: O Frank? O que ele tem a ver com isso?

Carol: Eu pedi a opinião dele e ele disse que sempre me apoiará. Um grande amigo, se você quer saber.

Roberto: Você podia ter me ligado para conversarmos sobre a sua decisão, antes de tomá-la. Não ligar para – pausa – um amigo. – diz, com um pouco de ciúmes.

Carol: Pra que? Pra antecipar essa discussão? Não ia adiantar nada.

Roberto: Escuta… – Roberto pára ao ver Larissa parada na porta da cozinha, observando os dois. Carol a encara também, quando Roberto pára.

Larissa: Eu só vim pedir para falarem um pouco mais baixo.

Roberto e Carol se olham, constrangidos.

Carol: Tudo bem, Lissa. Desculpa.

Larissa: Brigada. – agradece, saindo em seguida.

Carol: Eu vou me deitar.

Carol se retira e Roberto bebe sua água, com cara de poucos amigos.

20. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA APARTAMENTO DE ROBERTO

Larissa liga de novo para Gabriel.

Gabriel: E aí? Era sério?

Larissa: Eu acho que os Andrades não gostam de ser chamados de mimados. – ri.

Gabriel: Principalmente a tia Carol.

Larissa: Mas não sei se foi sério. A Carol mudou de editoria no Ágora, pelo que eu pude pegar da conversa.

Gabriel: E brigaram por isso?

Larissa: Ééé.. estranho ver o meu pai brigando com ela. Nunca o vi assim.

Gabriel: Você nunca tinha o visto namorando, né?

Larissa: É… mas enfim… o que vamos fazer amanhã?

Os dois continuam namorando por telefone, dentro das regras estabelecidas por Roberto.

21. INTERNA – NOITE – RESTAURANTE LE PETIT MARCEAU

Carlos e Rebeca chegam para o jantar.

Carlos: Aconteceu alguma coisa? Veio calada o caminho inteiro.

Rebeca: Impressão sua.

Carlos: Ah, claro! Com certeza a minha boca seca de tanto falar com você diz o contrário. – ironiza.

Rebeca: Porque escolheu esse restaurante? – diz, tentando mudar de assunto.

Carlos: Gostei da crítica. – diz, esticando a cabeça, procurando Sérgio no meio da multidão.

Rebeca olha para trás para ver para quem Carlos estava olhando e avista Nora e Emerson em outra mesa.

Rebeca: Olha a Nora ali. Você sabia que ela viria também?

Carlos: O quê? – espanta-se – Eu não acredito que ele escolheu o mesmo restaurante que eu!

Rebeca: Ele, quem?

Carlos: O carinha da inauguração da Quatro Estações com que a Dona Nora está saindo.

Rebeca: Carinha? E a sua mãe lá é mulher de ter ‘carinha’, Carlos?

Carlos: O que foi? Falei com as gírias dos jovens de hoje para você entender.

Rebeca ignora o comentário de Carlos.

Rebeca: Vamos lá falar com ela?

Carlos: Depois do jantar.

Rebeca: O quê? Você se contentando em saber que ela está aqui e não vai lá jogar suas piadinhas?

Carlos: Não agora.

Na mesa de Nora e Emerson…

Nora: Como ele foi escolher o mesmo restaurante que a gente?

Emerson: Por que tanto medo do seu filho?

Nora: Você não conhece o Carlos…

Emerson: Ele vai armar um barraco porque você saiu sem a permissão dele? – ri – Bonita a mulher que está com ele. Tem bom gosto.

Nora: É a meia-irmã dele. E ele é gay.

Emerson: Uh! Enfim… Vamos pedir um vinho?

Nora: Vamos. – diz, olhando fixamente para a mesa de Carlos e Rebeca, para se certificar de todos os passos do filho, e deixando Emerson desconfortável com a situação.

Emerson: Que tal um Marson Gran?

Nora olha rapidamente para o cardápio.

Nora: Ótimo.

Emerson chama o garçom.

Garçom: Pois não?

Emerson: Vamos querer esse vinho.

Garçom: E de entrada?

Emerson: Hum.. Nora? Já quer pedir?

Nora não tinha deixado de olhar para Carlos e, quando o filho se levanta, coloca o cardápio em frente ao seu rosto. O garçom faz uma cara de quem não está entendendo absolutamente nada e Emerson tenta disfarçar.

Emerson: Traga uma salada de camarão com creme de aspargos, por favor.

Garçom: É para já.

O garçom recolhe o cardápio de Emerson e fica olhando para Nora, esperando que ela devolva o cardápio para ele.

Emerson: Nora?

Nora: Sim?

Emerson: O cardápio.

Nora tira o cardápio aos poucos do rosto, sempre olhando para ver se Carlos está se aproximando.

Emerson: Ele foi ao banheiro. – diz, com cara de poucos amigos.

Nora: Desculpe, Emerson. – percebendo e tentando se desculpar.

Emerson: Você quer ir para outro restaurante?

Nora: Não. Vamos ficar aqui mesmo. O lugar é agradável, a música é boa, exatamente como a crítica que você leu. – diz, tentando forçar uma situação agradável.

Emerson: Posso fazer uma pergunta?

Nora: Eu geralmente tenho medo de perguntas feitas após esta pergunta. Mas, pode. Claro que pode.

Emerson: É a primeira vez que você sai com um homem após a morte do seu marido?

Nora se surpreende com a pergunta de Emerson e demora a responder.

Nora: Sim. É a primeira vez. Emerson…

Emerson: Sim…

Nora: Eu acho que nós nos precipitamos um pouco com esse jantar.

Emerson dá um sorriso, envergonhado. O garçom chega com o vinho, interrompendo a conversa e servindo os dois.

Emerson: Me dá ao menos a chance de um brinde?

Nora: Claro.

Os dois erguem as taças e Emerson começa a falar.

Emerson: A você. Que, pelo pouco que conheço, demonstrou ser uma mulher como eu nunca vi igual. E o que nosso projeto seja um sucesso.

Os dois brindam.

Enquanto isso…

Rebeca: Eles brindaram. Que bonito. Devem estar comemorando.

Carlos: A cara da mamãe não parece das mais felizes. Mas, enfim, esse prato que pedimos está demorando. Acho que vou reclamar diretamente com o chef.

Rebeca: Hã? Gerentes existem pra isso.

Carlos percebe que Rebeca é mais esperta do que ele imaginava e desiste.

22. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA

Sara volta para casa com Rafaela, que dormia em seus braços. Ela encontra Eduardo dormindo na cama de Gabriel. Ela põe Rafaela em sua cama e no meio do caminho, para na sala, para falar com o filho mais velho.

Sara: Parece que tomaram a sua cama hoje.

Gabriel dá um meio sorriso e volta a ler.

Sara: Chateado?

Gabriel: Um pouco. Como ela está?

Sara: Melhor. Quer conversar?

Gabriel: Já conversei com a Lissa.

Sara não se sente confortável em ser trocada pela namorada, mas sabia que isso um dia ia acontecer.

Sara: Tudo bem. Boa noite.

Gabriel: Boa noite.

Sara: Eu te amo.

Gabriel: Eu também.

Sara joga um beijo para o filho, que sorri levemente.

23. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE BIANCA E YURI

Júnior: Ok. Chega de comemoração por hoje. – diz, virando mais um copo de suco.

Bianca: Eu não agüento mais tomar suco.

Júnior: Como assim? – diz, assustado.

Bianca: Eu quero dizer que eu to cheia, não que eu quero beber outra coisa, seu bobo.

Júnior: Ah bom!

Yuri aproxima-se, bêbado, dos dois e se coloca entre o casal.

Yuri: Nós vamos fazeeeer.. muitoooo.. sucesso! – diz, levantando seu copo de cerveja e dando um beijo no rosto de Bianca e de Júnior.

Bianca: Eca, Yuri. – diz, empurrando o irmão, que sai do sofá.

Júnior: Eu acho que eu nunca soube como era agüentar amigos bêbados, porque eu sempre estava bêbado junto.

Bianca: Isso é você admitindo que era chato?

Júnior ri.

Bianca: Já pensou que você vai passar mais um tempo longe da sua família?

Júnior: Já. Mas eu não estou tão perto deles pra dizer que vai ser sofrido e dolorido pra mim.

Bianca: A sua mãe não vai gostar muito.

Júnior: Eu sei. – diz, pensativo.

24. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE TOMÁS ANDRADE

Tomás entra em casa descalço, com os pés sujos de areia. Tinha ido caminhar na praia e pensar em tudo que aconteceu. As últimas palavras de Lavínia, sobre fidelidade e lealdade ecoavam em sua cabeça.

Vitória: Amor? – diz, indo ao seu encontro.

Ao ver Vitória indo de cadeira de rodas até ele, a consciência de Tomás pesa ainda mais, mas ele se mantém firme para que Vitória não perceba.

Vitória: Foi à praia?

Tomás: Pensar na vida… – dá um beijo na esposa. – Eu te amo, viu?

Vitória: Eu também. – diz, sentindo o cheiro do perfume barato de Lavínia em Tomás.

Tomás vai para o banheiro tomar banho e Vitória fica pensando o que não devia pensar.

25. INTERNA – NOITE – RESTAURANTE LE PETIT MARCEAU

Carlos e Rebeca terminam o jantar.

Rebeca: Hummm.. Se eu fosse a Ana Maria Braga, passava embaixo da mesa.

Carlos: Do jeito que você comeu, daqui a pouco não passa mais.

Rebeca sorri.

Carlos: Eu quero cumprimentar o chef.

Rebeca: Meu Deus, mas que obsessão com esse chef. Você o conhece?

Carlos: Não. Claro que não. Só acho que devemos reconhecer um bom trabalho.

Enquanto isso…

Emerson: Tem certeza que não quer mais nada?

Nora: Tenho. Eu já quero ir. Amanhã tenho que acordar cedo para ir ao orfanato.

Emerson: Tudo bem.

Emerson pede a conta.

Já Carlos, na outra mesa…

Carlos: Você pode trazer a conta e pedir ao chef que venha falar comigo? Quero parabenizá-lo pelo excelente jantar.

Garçom: Claro, senhor.

Emerson paga sua conta e ele e Nora se levantam.

Nora: Vamos cumprimentar meu filho?

Emerson: Tem certeza? – diz, rindo.

Nora e Emerson se aproximam de Carlos, que tinha acabado de pagar a conta e já esperava para que Sérgio chegasse.

Nora: Boa noite.

Carlos toma um susto ao ver que a mãe foi até ele.

Rebeca: Nora! – levanta-se e a cumprimenta com um beijo no rosto.

Nora: Querida. – retribui. – Carlos, acho que você se lembra do Emerson.

Carlos: Cla… claro. Oi.

Emerson: Oi.

Garçom: Senhor, o chef está um pouco ocupado, mas pediu que você esperasse um pouco, pois faz questão de conhecê-lo.

Carlos: Obrigado.

Nora: Qual o nome do chefe, meu rapaz?

Carlos tenta fazer, com sinais, que o garçom não diga o nome do chefe, em vão.

Garçom: Sérgio Bragança. – diz, retirando-se.

Nora olha para Carlos, que já disfarçava.

Nora: Seria mais fácil ligar para ele.

Emerson: Ele tem o número do chef?

Carlos: Vamos, Rebeca? – levanta-se.

Rebeca: Mas e o chef?

Nora: Carlos, seja homem. Agora que pediu para ver o Sérgio, fique. Nós estamos indo. Boa noite.

Emerson: Boa noite.

Rebeca: Boa noite.

A sós com Carlos, Rebeca reconhece o nome.

Rebeca: É o seu ex-namorado!!

Carlos: É.

Rebeca: Você ainda sente algo por ele?

Carlos para e pensa na situação.

Carlos: Eu estou muito feliz por ele agora, com o sucesso do restaurante e o reconhecimento do trabalho dele.

Rebeca: É só isso?

Carlos reflete.

Carlos: É. – diz, estranhando o próprio sentimento e as palavras que saem da sua boca. – É.

Rebeca: Que bom, então. Sinal que você já o esqueceu.

Carlos: É. – repete, ainda incrédulo. – Vamos embora?

Rebeca: Vamos! – ri.

Os dois se levantam e Carlos vai embora sem rever Sérgio, e sem cumprimentá-lo pelo trabalho.

26. INTERNA – NOITE – RESTAURANTE LE PETIT MARCEAU – COZINHA

Sérgio cozinhava mais um prato rapidamente.

Sérgio: Vivi, segura as pontas aqui pra mim? Preciso cumprimentar um cliente…

Sérgio tira o chapéu de chef e vai com o avental cumprimentar Carlos. Quando chega ao salão, procura o garçom que lhe deu o recado e aponta a mesa de Carlos, vazia. Sérgio faz uma expressão de decepção, mas não se abala por muito tempo e volta ao trabalho.

27. EXTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES.

Nora e Emerson seguiam até a porta da casa de Nora. Ele havia insistido para deixá-la na porta.

Nora: Muito obrigada pela companhia, mesmo que eu não tenha retribuído da mesma maneira.

Emerson: Imagina. Eu que agradeço.

Nora: Bem, há muito tempo eu não faço isso, então, tchau?

Emerson a olha e, num impulso, a beija. Nora fica espantada com a atitude.

Nora: Emerson, não faça isso de novo, por favor.

Emerson: Desculpe, desculpe.

Nora: Eu acho melhor nos limitarmos à nossa relação de amigos. É melhor, eu não estou preparada para isso, ainda.

Emerson: Eu entendo. Mas se para tudo há uma primeira vez, também há uma segunda vez, Nora. Você é tão jovem, merece viver mais.

Nora: Obrigada. – diz, constrangida ainda. – Boa noite.

Emerson: Boa noite.

Nora entra e Emerson volta para seu carro. Diva, claro, observava da janela.

28. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SAULO

A campainha tocava insistentemente. Vera e Saulo já tinham saído. Júnior levanta correndo para atender.

Júnior: Rebeca?

Rebeca: Oi.

Júnior: Sua mãe não está em casa.

Rebeca: Eu imaginei. Vim falar com você?

Júnior: Comigo?

Rebeca: É… pra pedir desculpas.

Júnior: Pelo quê? – diz, fingindo não lembrar que no último encontro dos dois, discutiram.

Rebeca: Por não ter acreditado em você quando me alertou sobre o Giovanni.

Júnior: Aaaah.

Rebeca: Obrigado pela lealdade.

Júnior: Não tem de quê. – diz, frio.

Rebeca fica constrangida e decide ir embora.

Rebeca: Era isso. Melhor eu ir agora.

Júnior: Espera. Desculpa a frieza, também, vai?

Rebeca: Eu sabia que era de propósito.

Júnior: Chata.

Rebeca abraça Júnior e os dois selam as pazes.

29. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

O telefone de Sara toca e ela atende.

Sara: Andanças.

Camila: Sara Andrade Viana?

Sara: Sim.

Camila: Bom dia, aqui é Camila Pereira da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Sara se arruma na cadeira para se concentrar mais na ligação.

Sara: Pode falar.

Camila: Estou ligando para dizer que você foi aprovada na seleção para professor substituto de Administração.

Sara fica muda ao telefone.

Camila: Sara?

Sara: Oi.

Camila: Preciso que você compareça ao departamento para acertar todos os detalhes.

Sara: Ok. Estarei aí ainda hoje.

Camila: Obrigada. Bom dia.

Sara: Bom dia.

Sara desliga o telefone e se perde um pouco em seus pensamentos. Começa a olhar em volta de sua sala e ver documentos, pastas, fotos de eventos… Sabia que, pela primeira vez, cogitava deixar aquilo tudo para trás.

Continua…

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3 Respostas to “Primeira Vez”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera.

    Nossa, esse episódio passou tão rápido que quando vi já estava terminando…

    Gostei da Rebeca nesse episódio. Mostrou personalidade, pois além de se manter no salto o tempo todo, ainda deu um passa fora no Giovani. Só espero que ela agora não passe a correr atrás do Júnior.

    Coitada da Sara. Como é duro ser empresário, mãe e agora professora em 2 faculdades. Será que o Gabriel suportará toda essa carga em cima dele. E que cara-de-pau esse Fernando. Eu até torcia para eles reataram, mas agora… Some!!!!!

    Não gostei da atitude do Roberto com a Carol. Quem ele pensa que é? Dono dela? Já não basta ele ter a feito mudar de editoria? Francamente…

    Que rabuda que o Tomás se meteu. Mas é bem feito, quem mandou dar trela? Agora, a biscate foi fundo, pois em pensamento ele está realmente traindo a Vitória. O que será do casamento deles a partir de agora hein?

    E o Carlos?? Nem sei o que falar… Armou esse circo todo para na hora “h” dar uma de frouxo?? Volta para a terapia.

    E D. Nora?? Hehehehehe!!!! Toda atrapalhada, como se ela estivesse cometendo algum crime. Gente, ela tem mais é que viver e se pintou uma pessoa na vida, ótimo, vai curtir!!!

    Bem galera, esse foi o último do ano, agora só ano que vem!!!

    Então, Feliz Natal para todos e uma bela entrada de Ano, com muita paz, amor, saúde, carinho, respeito e principalmente, muita inspiração!!!!

    Nos vemos em 2010!!!!!

    Beijos e abraços.

    Gustavo

  2. Natie Says:

    Oi pessoal!!! Uau, último epi do ano… Passou rápido…

    Tenho que confessar que dei mtas risadas com Carlos, Rebeca, Nora e Emerson no restaurante… Mas queria q ele tivesse falado com o Sergio! Foi até lá, arrastou a Rebeca junto (alias, mtu fofo ver eles se dando cada vez melhor) e amarelou?

    Fiquei com pena da Sara… E eu acho q ela tinha q abrir mão de um dos empregos… Não dá pra ser a mulher maravilha o tempo todo! E fiquei chocada do Fernando ter ido lá pedir dinheiro pra ela…

    Carol mudou de empregoooooo! Aeeeee!! Diferente do Roberto fiquei feliz por ela… Ela nao merecia mais notas pequenas e nem a Karina!

    Nora nervosa com o encontro foi tãããão bonitinho!! hehe… Será q rola algo mais?

    Tomas resistiu a tentação! Achei q isso não ia acontecer… Alias, q empregados são esses q deixam as pessoas entrarem na sala do patrão sem avisar?

    E agora q Rebeca deu um fora no Giovani tem alguma chance de algo acontecer entre ela e Junior?

    Ansiosa pelo 2×10 em 2010!! 😀

    Beijos pessoal e um EXCELENTE ano novo pra todos!!

  3. Lenon Fernandes Says:

    Sara está vendo a vida por uma outra perspectiva em relação ao trabalho. Ela sempre trabalhou para o pai e agora andaria com as próprias pernas e acho que seria bom para ela. Até porque, se considerar a situação dela em casa….

    Queria que Carlos encontrasse Sergio, mas já que não era para ser, tudo bem. Pelo menos agora ele sente que realmente acabou e pode seguir em frente.

    Carol mudou de editorial, finalmente. E não entendi porque Roberto ficou tão ofendido, ele sempre a exclui quando tem que tomar decisões importantes mesmo…

    Tomás está cada vez mais envolvido com essa Lavínia. Mesmo mandando ela embora, eu não sei não. Fico com pena da Vitória, que não tem idéia do que está acontecendo…

    Nora com emerson foi legal, mas fiquei com o coração na mão quando ela o dispensou. Eu sei que ela ainda não está pronta, mas ela não pode ficar sozinha para sempre. Pricipalmente por causa de um filho da mãe como o marido dela.

    Finalmente Rebeca percebeu quem aquele namorado dela era. Eu estava ficando cada vez com mais raiva daquele falso…

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