204p

Nos episódios anteriores: Sara e Fernando discutem sobre a educação dos filhos. Carol e Roberto encontram pistas cruciais sobre o paradeiro do corpo de Paulo. Tomás se recusa a pedir desculpas a Júnior. Nora está sem falar com o filho mais velho. Nora recusa uma proposta para lançar um livro com outros blogueiros. Gabriel e Larissa começam a namorar. Rebeca começa a trabalhar na Barbosa & Lima. Sara nega apoio a Quatro Estações. Carlos começa a fazer terapia.

01. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA – SALA

Os gêmeos passam correndo pela sala com Sara atrás deles. Carol e Carlos estavam sentados no sofá e, estáticos, observavam a cena.

Carol: Acha que devemos ajudar?

Carlos: Nam… – nega, pega dois salgadinhos num prato em cima da mesa de centro e oferece um para Carol, levantando a taça com vinho com a outra mão. – Há um bom motivo para eu não ter filhos.

Carol: Vários, né? – aceita o salgado, mas se recusa a brindar.

Carlos: Olha quem fala! – revolta-se e abaixa a taça.

Ouvem um barulho de algo quebrando e em seguida gritos da Sara dando sermão nos filhos.

Carol: Ela consegue, né? – diz ressabida.

Carlos: Claro, Sara já é a mãe do ano. – levanta a taça mais uma vez, e Carol finalmente brinda com ele.

Sara volta afobada à sala.

Sara: Tá impossível fazê-los me obedecer. Tudo é “mas no papai, a gente pode…”, “o papai deixa…”, “o papai isso e aquilo…” – revira os olhos – Fernando tá transformando meus anjos em monstros.

Carol e Carlos mantêm uma postura consternada, balançado a cabeça em solidariedade ao que a irmã falava. Nesse momento, Gabriel chega desconfiado e cumprimenta sem jeito os tios. Quando nota o olhar inquisidor da mãe para ele, segue rapidamente em direção ao seu quarto.

Sara: Peraí que eu preciso saber onde ele estava… – sai seguindo o filho.

Carlos: Aposto que sei onde ele estava, ele não é mais criança – diz maroto após Sara retira-se.

Carol: Eu acho que sei COM quem ele estava.

Carlos: O quê você sabe?

Carol: O quê você sabe?

Carlos: Não vou entregar meu sobrinho.

Carol: Nem eu minha futura enteada.

Carlos: O quê? Com a filha do Roberto, jura?!

Carol confirma com a cabeça.

Carol: Pelo menos é o que eu desconfio…

Sara aparece na sala interrompendo a fofoca e desabando no sofá.

Sara: Todo dia ele me dá uma desculpa diferente: ensaiar com banda, cinema no meio da semana, aula até mais tarde… Eu não sei não, ele anda estranho, eu acho… – pára de falar estranhando a troca de olhares entre Carol e Carlos – O que foi?

Carlos: O que foi o quê?!

Sara: Isso – aponta pros dois que continuam fingindo de inocentes – Ok, deixa pra lá… Enfim, preciso conversar com o Gabs, deve ser coisa da idade.

Carol: É, os hormônios – fita Carlos de leve.

Carlos: É, com certeza, os hormônios.

Sara: O que você quer dizer com isso, Carlos? – fica intrigada.

Carlos: Eu? Nada… Só concordei com a Carol.

Sara: Dia desses peguei você conversando com Gabriel, todo íntimo, conversa de homem – pára bruscamente – Ele te contou algo? Ele tem dúvidas sobre algo?

Carlos: Sara, quando ele tiver pronto e à vontade para falar, ele vai te contar…

Sara: Carlos, você tá me deixando preocupada, preciso saber o que se passa com meu filho. Por que ele procurou especialmente você? Seja o que for, eu posso lidar com isso.

Carol: Relaxa, Sara, deve ser a mudança de colégio… – desvia o assunto.

Carlos: Eles mudaram de colégio? – surpreende-se.

Sara: O Fernando tá desempregado, lembra? Quer dizer, tá dando shows por aí – ironiza – Não dá mais pra bancar três mensalidades-facadas por mês. É um absurdo o que esses colégios cobram…

Carlos: Se tiver precisando de algo, eu posso ajudar. Educação é importante. Eles não podem estudar em qualquer colégio.

Sara: Eles não estão em qualquer colégio… – repreende Carlos. – Só é uma questão de tempo para eles se adaptarem…

Carol: Enfim, vamos ao trabalho? Onde estávamos? – Sara ainda estava matutando sobre o que estaria acontecendo com Gabriel, e Carlos se mantinha em silêncio, então a própria Carol responde – Paramos no primeiro tópico: Devemos ou não chamar o Tomás e a mamãe?

Carlos: Eu ainda acho que se não chamarmos a Dona Nora ficaremos na lista negra dela por anos.

Carol: É verdade! – concorda veemente.

Sara: Concordo que temos que chamá-la, mas porque ela é a MÃE! – os dois concordam desgostosos – Agora o Tomás, não sei se ele vai querer ir e acho que vai ser uma situação complicada por causa da mãe e do Júnior, mas devemos tentar… Quem se candidata?

Carol e Carlos: Eu não!

Sara lança um olhar recriminador para os dois.

Sara: Ok, vamos para as partes mais fáceis: Quando e onde?

Carol: Acho que no sábado mesmo, né? No próprio dia do aniversário… Onde, eu não sei, vai ser difícil arrastar o Júnior para casa da mãe ou mesmo para casa de algum de vocês…

Carlos: A gente faz na casa da Rebeca, assim não vai criar nenhuma suspeita.

Carol: Na casa da Rebeca? Não sei, não…

Carlos: A idéia foi dela e ela está disposta a ajudar…

Sara: A idéia foi dela? Mesmo? – estranha.

Carlos: Ela não é tão ruim quanto parece… Na verdade, é uma pessoa… – um pouco apreensivo pela pressão das irmãs, ele tenta escolher a palavra certa – legal, ela é legal.

Carol: Legal?! – ela zomba do adjetivo vago.

02. INTERNA – DIA – ANDANÇAS – ESCRITÓRIO DE TOMÁS

Tomás chega à sua sala e assusta-se de leve ao dar de cara com Saulo e Vera.

Tomás: Nada como ainda manter certa influência por aqui, né, tio? – diz, mostrando-se incomodado com a presença de Vera.

Saulo: Desculpa vir sem avisar, mas você nunca estava com tempo para nos receber.

Tomás: Bom, na verdade, o senhor sabe que não era só falta de tempo. Eu disse que quando eu tivesse uma posição sobre o assunto entraria em contato.

Vera: Exatamente para ajudar na sua avaliação que trouxemos a nossa proposta e um relatório com o planejamento da editora. Nossos objetivos, metas e estratégias para que a Quatro Estações entre no mercado editorial com o pé direito e permaneça em crescimento – fala passando o documento para Tomás, que recebe de má vontade.

Tomás: Bom, – Tomás folheia o documento sem prestar atenção e com um certo desdém – pra poupar o tempo de vocês e o meu, já posso adiantar que no momento não estou autorizando nenhum apoio a outras empresas.

Saulo: Tomás, não seja insensato… – fala com cautela, mas firme.

Vera: Você nem leu a nossa proposta, não pode saber se vai ser bom ou não para sua empresa se aliar a nossa – exalta-se um pouco, mas Saulo a freia, colocando a mão sobre seu braço. – Não leve para o lado pessoal – ela pede com jeito.

Tomás: Não estou sendo insensato, nem levando pro lado pessoal. É uma posição estratégica minha. Sem contar que a Sara já vetou. Eu não posso passar por cima dela. Além do quê, concordo com todos seus argumentos – finaliza, fechando o documento com força.

03. INTERNA – DIA – RUA DO RIO DE JANEIRO

Carlos procurava um local para estacionar seu carro, ao fazer uma curva tem a impressão que vê alguém conhecido. Vira o rosto para ter certeza e confirma que é Sérgio. Carlos fica imóvel, sem reação. Só desperta quando começam a buzinar atrás dele. Atordoado, ele coloca o carro para frente e quando olha para o local onde estava Sérgio, não o vê mais.

04. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA

Júnior estava deitado largado no pequeno sofá de Rebeca, ouvindo música em fones de ouvido e nem percebeu quando o interfone tocou.

Rebeca: Júúúúniorrr, o interfone! – grita de dentro do banheiro.

Júnior finalmente desperta e corre pra atender.

Júnior: Pronto (…) Giovani? Eu não conheço nenhum Giovani (…) Ah, pra Rebeca, peraí! – fecha o bocal do interfone e fala em direção ao banheiro – Beca, tem um Giovani lá fora querendo falar com você!

Rebeca: Falar pra ele esperar, já desço.

Júnior: Pode dizer que ela daqui a pouco desce – fala ao porteiro.

Rebeca aparece apressada e com os cabelos molhados, procurando por sua bolsa.

Júnior: Quem é esse Giovani?

Rebeca: Um colega do trabalho, estagiário como eu – responde apressada.

Júnior: Humm… – desconfia.

Rebeca: Ele veio me dar uma carona, mas antes vamos almoçar juntos.

Júnior: É só colega mesmo?

Rebeca: Para, Júnior… Claro que é. – fica sem jeito, pega sua bolsa e segue para porta.

Júnior: Peraí, vou com você.

Rebeca: Pra quê?

Júnior: Também estou de saída.

Rebeca: Ahan, de havaianas?

Júnior: Sim, só vou à padaria.

Os dois descem as escadas em silêncio. Ao chegar à rua, Giovani recebe Rebeca com sorrisos, abraços e beijinhos efusivos.

Rebeca: Oi Giovani, esse é o Júnior, meu… irmão. – fala com sorriso no rosto.

Júnior: Na verdade, não somos irmãos de sangue, nem de criação. – diz, sem cumprimentar direito Giovani, que lhe estendia a mão.

Rebeca: Júnior! Que é isso? – recrimina baixinho – É claro que somos irmãos.

Júnior: Estava brincando, Rebeca… – fala tocando-se do quanto tinha sido rude – Bom almoço para vocês! – acena de leve e retira-se.

Rebeca, sem jeito, é conduzida por Giovani até o carro.

Giovani: Ele é sempre assim? Estranho! – zomba de Júnior.

Rebeca: A história é complicada, depois te explico… – diz sentida.

05. INTERNA – DIA – RESTAURANTE

Sara, Carol e Carlos estavam sentados em uma das mesas do grande restaurante.

Carol: Acho que você tá vendo coisas… Sua seca já tá tão grande que você tá tendo miragens dos bofes – implica com Carlos.

Carlos: Rá-rá-rá! Tá toda, toda, só porque tá namorando o Deputado bonitão… Esqueceu do tempo das vacas magras, irmãzinha? Você já passou mais tempo na seca do que eu e a Sara agora juntos.

Sara: Ei! Eu sou uma recém-separada…

Carlos: Nem vem, você e o Nando já estão separados desde o ano passado, eu que terminei com o Sérgio dia desses.

Sara: É, tecnicamente separados, maaas…

Carlos e Carol: O quê?! – falam alto, chamando a atenção das pessoas das mesas próximas. Sara repreende os irmãos, já sem jeito.

Carol: Como assim? – disfarça, falando mais baixo.

Sara: A gente teve umas recaídas mês passado, mas, agora sim, game over total. – diz apressada, já arrependida de ter trazido o assunto à tona.

Carol: Sério? E vocês não vão voltar?

Sara: Não… – fala seca, desviando o olhar, tentando fugir do assunto.

Carlos: Mas…

Sara: Olha, o Tomás chegou! – interrompe, acenando para o irmão que acabara de adentrar o recinto.

Carol: Esse assunto não terminou aqui! – sentencia para Sara, que finge que não ouviu.

06. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE

Nora conversava pelo telefone, e Diva a observava.

Nora: Pode deixar, Flávio. Publicar com outros autores da terceira idade é bem mais o meu perfil do que com blogueiros. Vou ler a nova proposta com carinho e te dou um retorno em seguida. (…) Até breve.

Diva: Quem era?

Nora: Daquela editora que está interessada em que eu participe de um livro. .

Diva: E por que você ainda não leu essa tal nova proposta, minha filha? Você não queria tanto publicar um livro?

Nora: Mãe, eu acabei de saber que estão planejando uma festa surpresa para o Júnior no sábado, preciso me organizar para isso. É a oportunidade perfeita para ele se reaproximar de todos nós de vez… Não estou com cabeça para pensar em livro agora… – diz já discando um número de telefone.

07. INTERNA – DIA – RESTAURANTE

Agora estavam os quatro irmãos almoçando em silêncio quando o telefone de Sara toca. Ela o pega, confere o visor e clica em ignorar.

Sara: Mãe – informa aos irmãos casualmente e revirando os olhos. – Depois eu ligo pra ela – diz e volta a comer.

Tomás se mexe inquieto no seu assento.

Em seguida, é o celular de Carlos que começa a tocar. Ele vê de quem era a ligação, disfarça e guarda o aparelho sem falar nada. Os irmãos ficam desconfiados. Sara depressa puxa uma conversa.

Sara: Então, Tomás, como estão as costas?

Tomás: Bem… – continua estranhando tudo, abre a boca pra falar algo, mas é interrompido pelo toque do celular de Carol, que ao visualizar quem era, não se controla.

Carol: Eu tinha que ser a última opção, claaaaaro, como sempre!

Tomás: O que a mãe tanto quer falar com vocês? – diz como quem não quer nada, entre uma garfada e outra, mas não consegue omitir a ansiedade.

Carlos: Nada – adianta-se, nervoso.

Sara e Carol se voltam para ele, recriminando-o. Carlos dá de ombros. Os três trocam olhares rápidos, esperando que algum tome a iniciativa. Tomás ainda está intrigado e agora mais impaciente.

Tomás: Aliás, acho que a pergunta certa seria: O que significa esse almoço?

Um breve silêncio se estala.

Sara: Ok, eu falo. – Toma a iniciativa – Tomás, é o seguinte: Estamos planejando uma festa surpresa de aniversário pro Júnior – Tomás tenta disfarçar, mas está apreensivo – E queríamos saber se podemos contar com você. Será uma ótima oportunidade para todos se acertarem.

Tomás: Claro que não – diz de repente, sem muita convicção.

Carlos: Tomás, não tem pra quê você ainda ficar alimentando essa hostilidade. Já foi esclarecido todo o mal entendido com o Júnior. E quanto à mãe, você tem que entender o lado dela também, né.

Tomás: Sempre essa mesma conversinha. E o meu lado, ninguém vê? – altera-se – Final do mês também é o meu aniversário, sabia? Ninguém sequer deve lembrar disso. Mas o do Juninho, que nem quer saber de nenhum de nós, tadinho…Vocês protegem muito ele. – ironiza.

Carol: Isso eu tenho que concordar… – diz, e Sara e Carlos logo a recriminam com o olhar. – Mas é, vocês protegem muito o Júnior… A mãe então!

Carlos: Não é bem assim – Ele toma a palavra, indignado com Carol – E Tomás, por favor, não seja infantil.

Tomás: Infantil? Eu?! Acho incrível que ainda conseguem desvirtuar tudo e me colocarem como o vilão da história.

Sara: Entendemos seu lado, nem pense que não. Pode parecer que às vezes a gente protege o Júnior…

Tomás: Às vezes?! – interrompe com raiva.

Sara: A questão agora é que cada um sabe o que fez, você sabe o que fez. É hora de acabar logo com esse clima e só depende de vocês. Pense nisso. Não é o momento para ter orgulho. Isso é tão insignificante perto de tudo que passaram, que você passou! Você é mais que isso, tenho certeza.

Todos ficam em silêncio. Tomás vai se desarmando aos poucos, mostrando-se frágil.

Carlos: Tomás…

Tomás: Não é orgulho – ele se esforça para não desmoronar – Eu tenho… tenho vergonha, receio, sei lá… Não sei como chegar nele… Há uma barreira, algo que me impede… E tem a mãe… – engasga-se e não consegue mais falar.

Sara: Nós sabemos, nós sabemos… – coloca a mão por cima da mão do irmão e aperta – Só pense com carinho, tá?

Carol: É, se você se sentir confortável, aparece lá.

Carlos: Ou liga. Por telefone é sempre mais fácil. – tenta passar apoio ao irmão.

08. INTERNA – DIA – CONSULTÓRIO

Carlos entra ressabido no consultório, a terapeuta organizava alguns papéis.

Ruth: Sente-se, Carlos. Fique a vontade. Só vou colocar água aqui – informa, dirigindo-se até uma pequena fonte que ficava no canto da parede.

Carlos: Desculpe o atraso, estava almoçando com meus irmãos e nossas refeições são sempre… – faz sinal de explosão com as mãos.

Ruth: Aconteceu algo?

Carlos: Nada demais… Só o de sempre – senta-se e cruza os braços.

Ruth: E o que é o de sempre? – ajeita-se na sua poltrona, encarando Carlos.

Carlos: Ah, coisas de família, normal – desconversa e cruza as pernas, balançando o pé suspenso.

Ruth: Certo – avalia-o por um instante – Carlos, por que você resolveu fazer terapia?

Carlos: Porque… Porque… – inquieta-se e não consegue responder. Estava claramente desconfortável.

Faz-se silêncio por alguns instantes.

Ruth: Sempre chegam aqui motivados por algo. Não precisa ser nada específico, mas o que te levou a estar aqui agora?

Carlos: Não sei, para me conhecer melhor? Uma busca interior? – fala irônico e ainda balançando o pé – Um motivo pra prolongar a hora do almoço? – tenta fazer uma piada, em vão.  

Novo silêncio. A terapeuta continua encarando Carlos, pensativa.

Carlos: O que foi?! – incomoda-se, desconfiado.

Ruth: Nada, estava aqui refletindo. Você demonstra alguns sinais de ansiedade.

Carlos: Eu sou ansioso. Muito ansioso.

Ruth: Pois é, o ansioso tende a extravasar a ansiedade roendo as unhas, balançado o pé e outros tiques nervosos.

Carlos: Eu sei que sou ansioso. – diz, descruzando as pernas e cessando com o balançar dos pés. – Já sei, talvez seja um dos motivos para eu estar aqui, não é? – fala em tom irônico.

Ruth: Talvez… Aconteceu algo hoje pra te deixar ansioso?

Carlos fica calado e volta a balançar a perna de leve.

Ruth: Você quer falar um pouco do seu trabalho, então?

Carlos: Eu vi meu ex na rua hoje. – fala de repente – Mas não sei se ele não me viu ou me viu e fugiu.

Ruth: Por que ele fugiria de você?

Carlos: Isso, eu não sei… Que horas já são? Tenho uma reunião… – diz e como reflexo olha pro pulso nu no lugar que antes ficava o relógio que havia ganhado de Sérgio. Respira fundo e, em seguida, retira o celular da pasta, verificando a hora – É, é melhor eu ir… Caso importante, sabe como é. – Ruth concorda com a cabeça – Mesmo horário semana que vem? – ela faz que “sim” com a cabeça, e Carlos retira-se.

09. INTERNA – DIA – QUATRO ESTAÇÕES

Saulo estava sentado pensativo no seu escritório quando Vera entra.

Vera: Hoje já vou adiantar algumas entrevistas, assim fechamos o quadro até o fim da semana e então… – para de falar ao perceber quão concentrado estava Saulo – Tudo bem, querido? – aproxima-se – Não encane com o lance do Tomás…

Saulo: Tudo certo, Vera – interrompe de sobressalto – Eu tinha um plano B caso o Tomás também negasse, estava com receio de colocá-lo em prática, mas agora decidi que vou – diz já pegando o telefone para fazer uma ligação.

Vera: O que foi?! Me conta! – senta-se de frente pra Saulo, curiosa. Saulo faz sinal para ela esperar.

Saulo: Alô? O Senhor Edízio Moura, por favor.

10. INTERNA – NOITE – BARBOSA & LIMA – ESTACIONAMENTO

Rebeca saía da Barbosa & Lima em direção à parada de ônibus quando dá de cara com Giovani, no estacionamento, em frente ao seu carro.

Giovani: Oi! – fala quando seus olhares se cruzam. – Você demorou a sair hoje.

Rebeca: A reunião terminou agora. Carlos se atrasou – caminha em direção a Giovani.

Giovani: Seus irmãos sempre tentam boicotar meus planos. – ri galanteador.

Rebeca: Seus planos?

Giovani: Sim, estava aqui te esperando para cobrar a carona e o almoço de hoje. – Sorri malicioso e posiciona-se em frente à Rebeca. Seus corpos agora estavam a menos de um palmo de distância.

Rebeca: É? – ri nervosa.

Giovani coloca as mãos em seu rosto e beija-a.

11. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA

Carol chega a casa e encontra Nora à sua espera.

Nora: Tentei falar com você e seus irmãos a tarde inteira! – reclama logo de cara.

Carol: Eu sei.

Nora: Por que não me atenderam?

Carol: Bom, eu estava ocupada, trabalhando, os seus filhos preferidos, eu não sei – fala, claramente chateada. Nora percebe, mas não dá corda.

Nora: Como estão os planos para festa do Júnior?

Carol: Na mesma… – dirige-se ao seu quarto, Nora a segue.

Nora: Falaram com o Tomás? Ele vai?

Carol: Mãe, eu não sei. Dá licença?! – fala, querendo se trocar.

Nora: E notícias do caso do meu irmão, você tem? – diz irritada.

Carol: Não, mãe, também não. – impaciente.

Nora: Claro, Roberto deve estar muito ocupado para isso… – ironiza.

Carol: Ele tá fazendo de tudo para achar seu irmão.

Nora: Não parece.

Carol: Você tá sendo injusta. – Nora não diz nada, mas mantém uma expressão irredutível de descrença – E não devia tá tão preocupada, faz anos isso, o que vier é lucro. – fala sentida.

Nora: Oras, culpa sua, você quem desenterrou esse assunto!

Carol: Achei que você gostaria disso, desculpa! – revolta-se e pega sua bolsa, saindo do quarto.

Nora: Carol, volta aqui!

12. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS

Carlos usava seu laptop na escrivaninha de seu quarto.  No meio de processos, livros e anotações, ele conversava on line com uma pessoa de apelido Mosh.

C.A. diz: O que você acha da gente se encontrar amanhã à noite?

Mosh diz: Amanhã? Já? Que afoito…rs

Mosh diz: Interessante 😉

Carlos respira fundo preste a se irritar.

C.A. diz: Não tenho tempo a perder.

Mosh diz: Decido… gostei. Já é, gato.

Ao ler a mensagem, Carlos revira os olhos e volta a digitar para marcar o encontro.

13. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA/CASA DE NORA ANDRADE

Sara corre para atender ao telefone.

Sara: Alô.

Nora: Oi, é a sua mãe.

Sara: Oi, minha mãe.

Nora: Você pode falar comigo agora, por acaso?

Sara: Claro, mãe, diga.

Nora: Como estão os planos para a festa do Júnior?

Sara: A Carol não te falou?

Nora: Claro que não! Você não sabe como ela é?

Sara: Certo… – respira fundo – Então, vai ser no sábado no final da tarde, na casa da Rebeca, para ele não desconfiar. Tudo bem para senhora?

Nora: Tudo… Falaram com o Tomás?

Sara: Estamos trabalhando nisso, mas não crie muitas esperanças, tá?

Nora: Tá certo… – respira fundo – Eu posso ajudar em algo?

Sara: Quer cuidar do comes e bebes? Tô sem tempo essa semana.

Nora: Com todo prazer.

Sara: Obrigada – nesse momento Gabriel passa pela sala, verificando que a mãe esta com o telefone, ele retira-se, desconfiado – Mãe, posso te perguntar uma coisa? – Sara diz de repente.

Nora: Claro.

Sara passa um instante avaliando como ia falar.

Sara: Antes do Carlos se assumir, a senhora já desconfiava, né?

Nora: Sim, você sabe que sim. Por quê?

Sara: Por nada, queria saber quais são os indícios, como a senhora tratava isso, para ele se sentir confortável para falar sobre e tal.

Nora: Sempre dizia a ele que o amava do jeito que ele era e que ele podia contar comigo para tudo, mas dei tempo a ele. Não o forcei, embora ele diga que sim… mas porque tudo isso, Sara?

Sara: Ah, mãe, por nada.

Nora: Como nada? De onde você tirou isso? Tá desconfiando que o Gabriel seja gay? Ou o Dudu? Sara, ele é muito novo…

Sara: Não, mãe! Não é isso… – fica um pouco nervosa – É que tem um aluno meu de quem eu desconfio, mas acho que ele tem dificuldade para se assumir, daí queria ajudar, entende?

Nora: Ah, sei… Bom, querida, qualquer coisa, pode contar comigo. Vou indo agora, tenho que terminar o jantar antes que sua vó surte.

Sara: Tá bom, mãe. Beijos!

Nora: Beijos!

Depois de desligar o telefone, Sara fica pensativa por uns instantes, depois grita por Gabriel.

Sara: Gabs!

O garoto aparece logo em seguida.

Gabriel: Oi mãe.

Sara: Você queria o telefone? – Gabriel faz que sim com a cabeça, e Sara passa o aparelho a ele, que já dava meia-volta em direção o quarto – Filho, espera! – Ele volta-se para mãe que o encara.

Gabriel: Que foi?

Sara: Filho… Tem algo que você queria me contar?

Gabriel: Não… – diz estranhando aquela conversa.

Sara: Olha, eu amo você como você é, independente de qualquer coisa…  e pode contar comigo para tudo, viu?

Gabriel: Eu sei, mãe… – continua ressabido e agora um pouco envergonhado – Era só isso? – fala ansioso para sair dali.

Sara: Sim, pode ir…

Gabriel retira-se, já discando um número no telefone. Sara faz menção de segui-lo para ouvir a conversa, mas pára, reflete uns segundos e segue os passos de Gabriel, mas dá de cara com a porta do quarto fechada. Ela aproxima-se, tentando escutar algo.

Rafaela: Mãe? – a menina chega de repente, fazendo Sara pular de susto.

Rafaela ri.

Sara: Que foi, Rafa?! Quer me matar do coração?

Rafaela: É que tá na hora da minha insulina.

Sara: É mesmo, filha, desculpa. Vamos lá…

14. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO

[¯– Quanto Tempo, Titãs]

Carol toca a campainha do apartamento do namorado. Roberto aparece na sala, um pouco nervoso e sem camisa. Caminha até a porta e visualiza no olho mágico Carol sacudindo uma chave. Ele sorri para si mesmo, abre a porta, e Carol entra.

Carol: Estou usando a chave pra fugir de casa, como você recomendou.

Roberto: Tecnicamente, você não a usou.

Carol o beija, abraçando-o pela cintura. Em seguida, fita seu peito nu.

Carol: Você quebra demais o decoro parlamentar em casa – brinca.

Roberto: Quebraria até mais agora – responde puxando Carol contra seu corpo – Se eu não tivesse nesse momento no meio de uma discussão com a Larissa. – fala, soltando Carol e fechando a porta, desanimado.

Carol: O que houve? – senta-se no sofá.

Roberto: É o que eu estou querendo saber – Carol fica esperando mais informações, então Roberto prossegue após sentar-se ao seu lado e envolvê-la em seus braços – Ela anda meio revolta e tá saindo quase todos os dias após a aula.

Carol: Hum… E qual é o problema?

Roberto: Qual? – solta Carol devagar, virando-se de frente para ela – Primeiro que é perigoso. Segundo que ela não tem permissão para sair no meio da semana.

Carol: Nossa, que autoritário! – brinca – Ela tá crescendo, amor.

Roberto: E? Ela ainda tem 13 anos! Não pode sair sozinha quando bem entende.

Carol: E o que ela tá fazendo depois da aula? Você sabe?

Roberto: Cinema, shopping, casa das amigas, essas coisas… Ela aproveita que eu passo o dia fora para burlar as regras… Ela não era assim – fala preocupado.

Carol: É só você conversar com ela. A Larissa é compreensiva.

Roberto: Não, não é mais. Estava agora mesmo alegando que não era mais criança, que eu a estava prendendo, que não queria vê-la feliz e mais um monte de besteira. Já tô perdendo a paciência!

Carol: Calma, o que ela tá fazendo também não é o fim do mundo. Olha, espera a poeira baixar.  Ela tá nervosa, você também. É bom dar um tempo… Veja eu! Com trinta e poucos anos e ainda querendo fugir de casa, da minha mãe, do mundo! – ri – Ainda bem que eu tenho você – dá um selinho em Roberto, passando os braços pelo seu pescoço, ficando assim de joelhos no sofá.

Roberto: E eu a você – traz Carol para junto de si e beija-a com vontade.

15. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA – SALA

[¯– Quanto Tempo, Titãs]

Todos aguardavam a chegada de Júnior para sua festa surpresa. Enquanto isso, Sara tentava convencer Rafaela e Eduardo a pararem de mexer nas coisas na mesa e implicarem um com o outro. Carol e Roberto trocavam chamegos no sofá. Rebeca e Carlos observavam, entre risinhos, a árdua tarefa de Sara. Nora dava os últimos retoques na mesa, sendo assessorada de perto por Diva.  E Gabriel e Larissa conversavam mais afastados dos demais e quase em sussurro.

Gabriel: Nós estamos namorando, não estamos?

Larissa: Estamos?

Gabriel: Eu acho que sim, e você?

Larissa: Também.

Os dois sorriem tímidos e apaixonados um para outro, depois desviam o olhar. Gabriel se certifica que ninguém está olhando antes de continuar a falar.

Gabriel: Então, você não acha que está na hora de contar para eles?

Larissa: Você tá louco?

Gabriel: Por quê? Cedo ou tarde eles vão descobrir.

Larissa: Meu pai vai surtar… Eu não tenho coragem – fala sussurrando.

Gabriel: Ok, mas eu posso falar para os meus pais? Minha mãe já tá pensando besteira.

Larissa: Não! Não sabe como é sua família? Ela contaria para Carol e meu pai logo ficaria sabendo. Espera só mais um pouco – pede quase em suplicio.

Gabriel: Tudo bem – alisa a mão dela de leve, Larissa a retira com jeito, fitando o pai. Gabriel entende. – Vamos lá para o corredor? – Larissa aceita com a cabeça, e os dois, desconfiados, retiram-se.

Do outro lado da sala, o celular de Rebeca começa a tocar, ao ler o visor, pede licença a Carlos e vai até a cozinha atendê-lo. Em seguida, claramente nervosa, Nora aproxima-se de Carol e Roberto. Diva a segue.

Nora: Carol, por favor, onde está o mousse de maracujá? – interrompe o momento do casal.

Carol: Na geladeira? – brinca, e Nora a encara séria.

Nora: É bom que esteja… eu deixei ao seus cuidados! Onde você enfiou? Se tiver descongelado, pronto, estragou tudo!

Carol: Calma, mãe. Vou lá ver – levanta-se e se dirige à cozinha.

Diva: Rápido!

Carol sai bufando.

16. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA – COZINHA

Carol chega à cozinha e encontra Rebeca falando pelo telefone, esta não nota sua presença.

Rebeca: Mãe, pelo amor de deus, cansei disso. Isso é chantagem emocional (…) Agora não vai dar (…) Claro que eu me importo com a senhora, mas a minha vida não gira em torno de você. – Nesse momento, Rebeca vê Carol e se retrai – Ok, mãe, faça o que achar melhor… Aí, mãe, você me tira a paciência… (…) Tenho que desligar agora (…) Sim, vou me divertir com eles. – fala a última frase mais baixo, para Carol não ouvir –Tchau, mãe!

Carol: Desculpa – envergonhada – Eu vim ver se o mousse que a mãe trouxe estava na geladeira – fala, virando-se para o eletrodoméstico.

Rebeca: Tudo bem – diz desanimada e começa a ajudar a Carol procurar.

Carol: Mães, hein…

Rebeca: Pois é…

Carol: Sei como é.

Rebeca: Ah, mas a Nora é ótima.

Carol: Pros outros é mesmo, mas não queira ser eu – Carol finge que dá um tiro na cabeça. Rebeca ri.

Rebeca: Aqui o mousse. – fala apontando para tigela onde estava o doce.

Carol faz uma expressão de alívio por ter encontrado o dito cujo.

Carol: Sério, ela consome toda a minha paciência, principalmente quando tá estressada por causa do Júnior. Desconta tudo na gente.

Rebeca: Pelo menos você tem irmãos para dividir.

Carol: É, mas eu sou o principal alvo.  E, se serve de consolo, agora você também tem cinco irmãos… Não são da mesma mãe, mas… – dá de ombros, sorrindo – Qualquer coisa você sempre terá em quem descontar… Fazemos um esquema de rodízio. Sempre terá um disponível.

Rebeca: Ok, acho uma boa entrar nesse esquema de revezamento – diz rindo.

Carol: Inclusive, acho que tá na vez de eu descontar no Carlos. Me diz, como é ele no trabalho? Arrogante? Frouxo? Puxa-saco? Tenho certeza que ele banca o puxa-saco sabe-tudo, certinho e chato! – Rebeca ri.

Rebeca: Melhor não me comprometer com meu chefe. – brinca.

Nesse momento, os gêmeos passam correndo e saem em disparada pela porta dos fundos em direção ao corredor do prédio. Rebeca e Carol fazem menção de ir atrás deles.

Sara: Tudo bem, pode deixá-los ir, o Gabs tá lá fora. – diz aparecendo exausta na porta, e as três se retiram da cozinha.

17. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA – SALA

[¯– Love, Matt White]

Carol aproxima-se de Carlos que conversava com Roberto.

Carol: Você tem razão, a Verinha não é tão ruim assim – diz no ouvido do irmão.

Nesse instante, Eduardo entra em disparada no apartamento, seguido de Rafaela. Gabriel e Larissa também vinham logo atrás deles, mas enquanto os primeiros estavam entusiasmados, os últimos estavam apreensivos.

Gabriel: Dudu! – chama a atenção do irmão quase em suplício.

Eduardo: O Gabs tá namorando! – diz empolgado.

Larissa abaixa a cabeça envergonhada, Gabriel passa a mão pelo cabelo nervoso, e Roberto volta-se atento para a conversa.

Sara: Que é isso, Dudu? – pergunta ao filho mais novo, mas de olho no mais velho.

Rafaela: É verdade, mãe, a gente viu eles se beijando – fala dando risinhos e apontando para Gabriel e Larissa.

Roberto: Como assim? – Levanta-se de sobressalto do sofá em direção à Larissa, mas mantendo um olhar ameaçador para Gabriel.

Larissa: Pai! – vira-se envergonhada e anda em direção a saída. Gabriel faz menção de acompanhá-la.

Sara: Gabs? – diz em um tom brando, mas um tanto quanto pasma.

Gabriel: Mãe… – aponta para Larissa e vai até a menina e abraça-a.

Roberto: Ei, ei, que é isso?

Carol: Calma, amor… – diz parando Roberto, que já ameaçava partir em direção de Gabriel e Larissa.

Nora: Que bonitinho! – Nora se manifesta ao ver a fofa cena – Viu, sabia que ele não era gay – Fala perto de Sara, de modo que só ela ouça, mas esta não dá muita atenção. No entanto, Diva, que estava perto de Nora, também ouve.

Diva: Como assim mais um gay na família? – provoca Nora que fecha a cara para mãe.

Roberto: Larissa, venha aqui! – mais calmo, chama pela filha.

Larissa: Pai! – Suplica ainda bastante envergonhada e escondendo-se nos braços de Gabriel.

Rebeca: Gente, gente! – fala vindo da cozinha – O porteiro avisou que o Júnior tá subindo.

Todos começam a se ajeitar para receber Júnior. Roberto aproxima-se firme do jovem casal, e os dois se separam, mas mantêm, disfarçadamente, as mãos dadas.

Quando Júnior entra, é recebido com sorrisos animados e gritos de “surpresa”.

Júnior: Minha nossa… – não disfarça que está admirado, mas não completamente de uma boa maneira.

As pessoas começam a se aproximar dele, dando os “parabéns”. Os irmãos logo percebem que Júnior está estranho e trocam olhares entre si.

Carol: Júnior que cara é essa? – tenta quebrar o clima, Júnior permanece em silêncio.

Nora: Oh, meu querido – abraça-o, Júnior retribui com um meio abraço – Parabéns! Estamos aqui todos para comemorar com você.

Júnior: Não tenho motivos pra comemorar…

Sara: Júnior!

Nora: Tudo bem, Sara… – recua um pouco, e Júnior fica sem jeito.

Diva: Que falta de educação – resmunga.

Nora: Mãe… – repreende.

Diva: Por favor, né, Nora

Júnior: Desculpa… – Júnior adianta-se, interrompendo uma propensa briga entre a mãe e a avó – Fui pego de surpresa com tudo isso – fala e abraça a mãe outra vez, meio sem jeito.

Nora: Não fale besteira, você tem muito que comemorar. Lembre-se da sua ultima vitória – sorri pro filho.

Júnior: Obrigado – diz tocado, mas ainda seco.  

Um clima ruim se estala e as poucas pessoas ali presentes começam a se dispersar, pegando comidas e bebidas. Carlos vai até Júnior, tirar satisfação. Os dois se isolam do restante do grupo.

Júnior: Desculpa, mas, sério, o que é isso? Uma tentativa de me fazer voltar pra casa? Não vai funcionar…

Carlos: Não seja patético! A gente fez tudo isso na tentativa de melhorar as coisas nessa família, mas pelo visto foi uma péssima idéia.

Júnior: Com certeza! A última coisa que eu precisava agora era de uma reunião Andrade, aliás, o Tomás nem quis vir, né?

Carlos: Agora até entendo o porquê – sai, deixando a provocação no ar.

Júnior engole seco.

18. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA – QUARTO

Júnior estava sentando na cama e olhando fixo para parede. Sara entra no quarto e observa a expressão triste e irritada do irmão.

Sara: Posso saber o que está acontecendo aqui? – pergunta firme, mas com jeito.

Júnior: Eu que gostaria de saber! – rebate.

Sara: Me diga, Júnior, até quando você vai ficar nessa de nos evitar?

Júnior se vira, fazendo-se de indignado pelo o que irmã havia dito.

Sara: Olha o que você fez com a mãe!Você cria essa barreira, por isso se torna difícil para nós nos aproximarmos… o Tomás, por exemplo…

Júnior: O que tem o Tomás? Até a vó veio e o tio Saulo me ligou, mas ele é incapaz de me perdoar, eu sei! Talvez tenha até razão.

Sara: Não fale besteira. Quem tem que se perdoar é você, todos só estamos querendo o melhor para você, não vê?

Júnior: Não, não vejo. Porque minha vida tá uma merda. Estou aqui fazendo 27 anos e não tenho nada na vida, não tenho ninguém… e a única certeza que eu tinha era uma mentira.

Sara: Você tá falando de quê? Do fato de não ser nosso irmão de sangue?

Júnior: E do que mais seria?

Sara: Júnior, não sei o que mais a gente pode fazer para te provar que te amamos e que você é e sempre foi parte dessa família. – Júnior comove-se – O resto, você é que tem que correr atrás, mas tenha certeza que sempre estaremos com você no que precisar.

Um breve silêncio se instaura.

Júnior: Ok…  Obrigado… e desculpa – diz comovido e sem jeito, sem conseguir falar algo a mais.

19. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA

[¯– Quanto Tempo, Titãs]

Na calçada do prédio de Rebeca, Roberto coloca Larissa no carro. Carol aproxima-se da janela para falar com a garota.

Carol: Tchau, Lissa! E fique tranqüila! – pisca para ela. Larissa dá um meio sorriso triste.

Roberto e Carol seguem até a entrada do prédio para se despedirem.

Carol: Pega leve com ela.

Roberto: Veremos…

Carol: Nossa, nunca soube que você era tão ciumento.

Roberto: Não é ciúme… – emburra-se.

Carol: É o que, então?

Roberto: Cuidado.

Carol: Olha, tudo bem você deixá-la de castigo por ter mentido, mas quanto ao namoro, ela já tá na idade.

Roberto: 13 anos, Carol… Ela ainda nem… Você sabe… – fica sem graça de falar.

Carol: Já sim.

Roberto: Como assim? – surpreende.

Carol: Foi há pouco tempo…

Roberto: E por que ela disse para você e não me disse?

Carol: Ah, amor, quando se tem uma certa idade, conversar com  o pai sobre certas coisas é difícil… Eu não sou da família, mas sou próxima, estou sempre por perto e sou mulher, é mais fácil para ela se abrir. Não se preocupe, não é nada contra você. Mas se você continuar agindo assim, ela vai acabar se fechando mesmo.

Roberto: Farei o possível – diz mais controlado – E obrigado por, sabe, estar lá por ela… Sinto que ela precisa dessa figura materna, feminina… e fico muito contente dela ter encontrado isso em você – beija-a com ternura – Te amo!

Carol: Eu também te amo.

20. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE TOMÁS – SALA

O dia estava chegando ao fim e, na sala de sua casa, Tomás encarava o seu celular. Ele vai até o menu de contatos e seleciona “Júnior Celular”, fica um tempo olhando para tela, na dúvida.

Vitória: Tomás, vem me ajudar a deitar, por favor! – ela grita do quarto, e Tomás desiste, guardando o celular no bolso e indo atender ao pedido da esposa.

21. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

[¯–Make This Go On Forever, Snow Patrol]

Sara estava no quarto dos gêmeos terminando de arrumar as mochilas dos filhos para eles passarem o domingo com o pai. Quando ela se dá conta, Fernando a observava encostado na porta.

Sara: Já terminei, toma – diz, passando as mochilas – Onde eles estão?

Fernando: Na sala, brincando.

Sara sai do quarto, Fernando a segue.

Fernando: Aconteceu algo? – estranha o comportamento de Sara.

Quando chegam à sala, Eduardo e Rafaela estavam brincando com um balão de água.

Sara: Meu jesus! Parem já, os dois! – ela grita, mas eles não obedecem.

Rafaela joga o balão com força, que acaba estourando ao atingir Eduardo, molhando assim o garoto e o sofá. Os gêmeos e Fernando riem. Sara fica possessa.

Sara: E você ainda ri, Fernando?!

Fernando: Calma…

Sara revira os olhos, cheia de raiva.

Sara: Eduardo, vá se trocar, já! E Rafaela, vá pro seu quarto e só saia quando eu mandar.

Rafaela: Mas mãe…

Sara: Agora! grita, e os gêmeos finalmente se retiram.

Fernando abre a boca para falar, mas Sara adianta-se.

Sara: Fernando, que é isso? Já não basta deixá-los fazerem de tudo quando estão com você, agora ainda quer tirar minha moral?

Fernando: Mas eu não falei nada.

Sara: E nem precisava…

Fernando: E eu não deixo eles fazerem de tudo.

Sara: Imagina. – ironiza.

Fernando: Sara, deixa de ser estressada.

Sara: Fácil falar, você fica com a parte divertida, depois sou eu que tenho que colocar tudo em ordem e saio como a megera da história.

Fernando se mantém em silêncio, tentando se controlar.

Sara: Ótimo, fique calado. Pelo menos assim você não tá dando mau exemplo aos seus filhos.

Fernando: Era o que faltava! – irrita-se – Você tá insinuando que eu sou má influência para eles?!

Sara: Você e seus amigos de “banda” – faz o sinal de aspas quando pronuncia a última palavra.

Fernando: Você costumava a gostar dos meus amigos e da “banda” – também faz sinal de aspas com ironia.

Sara: É, quando tínhamos 20 anos. Agora temos 40! E eles só têm 6 anos! E o Gabriel é apenas um adolescente para você envolvê-lo no que quer que seja que vocês façam… – provoca, mas logo se arrepende de ter dito.

Fernando: Sara, você acha mesmo que eu faça algo de tão horrível e ainda coloque as crianças no meio?

Sara: Não é isso, Fernando… – acalma-se um pouco – Mas, por exemplo, você tem idéia do que tá acontecendo na vida do Gabriel? O que ele estava fazendo todas as tardes?

Fernando: O quê? – preocupa-se.

Sara: Ele saia com a filha do Roberto.

Fernando: Eles… eles estão namorando? – Sara confirma com a cabeça – Ah, Sara, na idade dele era de se imaginar que isso acontecesse.

Sara: Mas mentir para nós sobre isso?! Não é possível que você não veja problema nisso…

Fernando cala-se, reflete por instantes e prossegue.

Fernando: Vai ser sempre assim nossas conversas? Você dizendo que eu sou irresponsável e culpado por tudo que acontece com eles?

Sara: E você me chamando de estressada? A questão é que do jeito que tá, não dá para continuar… Ou você também me ajuda a impor limites para ele, mais rigidez, ou…

Fernando: Ou?

Rafaela: Manhê, o Dudu tá me batendo! – grita de dentro do quarto.

Sara: Ou vai ser isso sempre! – diz a Fernando e grita em direção ao quarto: – Já vou, Rafa! – Vota-se para Fernando novamente – Você não percebe que eles estão querendo nos chamar atenção se comportando assim? – deixa a questão no ar e sai para atender o chamado da filha.

Fernando fica pensativo e sentido.

22. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE REBECA – SALA

[¯– Quanto Tempo, Titãs]

Rebeca acorda e vai direto a sala, onde já se encontrava Júnior de pé e pensativo, revirando os presentes que havia ganhado dos familiares no dia anterior.

Rebeca: Quanto presente, hein. – aproxima-se e senta-se ao seu lado no sofá.

Júnior: Pois é… – concorda sem animação.

Rebeca pega um livro e lê a sinopse da contracapa. O livro em questão era Homem no Escuro, de Paul Auster.

Rebeca: Depois vou querer emprestado. Quem te deu?

Júnior: Sara.

Rebeca: Nada mais conveniente para quem trabalhar numa livraria.

Júnior ri de leve.

Júnior: Mas ela sempre me deu livros de presente, livros ou cds… Acho que foi ela ou o Nando que me deu meu primeiro cd… Stones. – relembra nostálgico – Eram sempre os melhores presentes na verdade. Minha mãe sempre me deu roupa e os outros têm gostos duvidosos.

Rebeca: O que o Tomás te dava?

Júnior é pego de surpresa pela pergunta, mas não se esquiva.

Júnior: Vale-presentes… – ri – Mas uma vez ele me deu sua coleção de jogos de videogame. Quando ele casou, Vitória não queria dividi-lo com uma máquina e como Carlos nunca gostou, eu fiquei como o guardião. E durante muito tempo ele sempre ia lá em casa para jogarmos juntos. – para de falar. Ele estava um pouco emocionado

Então, para disfarçar o clima, Júnior pega um pacote com uma camisa, tira e mostra para Rebeca. Na blusa estava estampada a frase “É bom para o moral”, com a estampa de uma mulher insinuante desenhada.

Júnior: Carlos – ele explica, e Rebeca ri.

Rebeca: Boa! E eu nem acho que seja uma provocação a minha mãe… – brinca.

Júnior: Vocês estão se dando bem, hein.

Rebeca: Ele é muito competente, é inspirador. Precisa vê-lo de advogado… Bom, você sabe do que eu estou falando.

Júnior: Sim, sem dúvidas.

Rebeca: Mas também é engraçado, mesmo quando não tem a intenção… – zomba.

Júnior: Coitado… – ri.

Rebeca: Ei, peraí que tá faltando o meu presente – levanta-se e vai ao seu quarto.

Júnior aguarda curioso. Quando Rebeca volta, segurava uma pequena caixa mal embrulhada.

Rebeca: Desculpe a embalagem, tive que improvisar – diz passando o presente a Júnior.

Ao abri-lo, Júnior se depara com uma coleção de palhetas, de vários modelos, tamanhos e cores.

Rebeca: São personalizadas. Olha, têm umas com seu nome, outras com o nome de bandas que você gosta e…

Júnior: Eu sei, tô vendo, Beca – interrompe – Adorei, obrigado. – sorri e abraça-a.

23. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE CARLOS – QUARTO

Carlos acorda, olha direto para o lado da cama e fica aliviado por não ver ninguém ali, mas mal ele fecha os olhos novamente, Moisés aparece na porta. Carlos toma um susto desagradável.

Moisés: Que bom que acordou! Vai me ajudar a fazer o nosso café da manhã. Estava perdido na sua cozinha.

Carlos: Mosh…

Moisés: Moisés, já falei mil vezes – diz simpático.

Carlos: Moisés, acho que teremos que tomar café fora, não tenho nada aqui. – levanta-se da cama – Aliás, acabo de me lembrar! Nem vou poder te acompanhar porque marquei de encontrar com a minha mãe – Moisés fica desconfiado e decepcionado – Desculpa, mas sabe como é mãe… – Moisés ainda não parece convencido – E ela tá doente e… – Carlos fala tentando demonstrar preocupação.

Moisés: Nossa, e é grave? – Carlos faz cara de desolado – Tudo bem, a gente se fala, né?

Carlos: Claro…

Moisés tenta beijar Carlos, e este faz sinal de que está com mau hálito, esquivando-se do beijo.

24. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE/ ANDANÇAS

Já era segunda-feira, e Sara estava em seu escritório quando visualiza uma chamada em seu celular.

Sara: Oi Carol – atende já impaciente.

Carol: Oi Sara!

Sara: Diz.

Carol: Nossa, isso é jeito de falar com sua irmã?

Sara: Eu tô trabalhando, Carol.

Carol: Eu não.

Sara: Bom para você.

Carol: Estou doente para aquela Redação, pelo menos agora pela manhã. A noite foi longa…

Sara: Já sei, a noite foi longa COM o Deputado.

Carol: Prefiro não comentar – diz maliciosa.

Sara: Tá, e o que você quer?

Carol: Tem notícias do Júnior?

Sara: Não.

Carol: E do Tomás?

Sara: Deve tá trabalhando até onde eu sei, não tocamos mais no assunto.

Carol: E o Nando?

Sara é pega de surpresa.

Sara: O que tem ele?

Carol: Como vocês estão?

Sara: De mal a pior. Brigamos nesse final de semana.

Carol: Por quê?

Sara: Aqueles problemas com as crianças…

Carol: E sobre vocês, não conversaram?

Sara: Não…

Carol: Mas essa recaída deve significar algo. Sem contar que o Nando nunca quis se separar.

Sara: Não, agora ele já parece aceitar. Antes demonstrava algo, mas agora já se conformou.

Carol: Mas, e você, Sara, você não pensa em voltarem? Se ajeitarem?

Sara: Carol, no momento eu penso nessa pilha de orçamentos para revisar e nas aulas de hoje a noite que ainda tenho que planejar.

Carol: Ok, desculpa – chateia-se.

Sara: Não, tudo bem, eu, como ele mesmo diz, é que estou estressada.

O celular de Carol começa a bipar.

Carol: Ai, acho que tem alguém me ligando.

Sara: Deve ser o Roberto já com saudades.

Carol: Deixa eu tentar atender aqui. Beijos!

Sara: Beijos.

Carol atrapalha-se com as teclas do celular e finalmente consegue trocar de chamada.

Carol: Alô. (…) Oi amor…

25. INTERNA – DIA – ANDANÇAS – ESCRITÓRIO DE TOMÁS

Através de um e-mail, Tomás descobre que os Diretores da Papier resolverem apoiar a Quatro Estações. Sem nem pensar, ele saca o celular e disca o número do tio.

Tomás: Não acredito que o senhor passou por cima de mim e da Sara e procurou o Edízio.

Saulo: Meu sobrinho, como você bem disse, eu ainda tenho influência por aí.

Tomás: Isso foi sacanagem.

Saulo: Sacanagem? Sacanagem foi você nem sequer se dar o trabalho de conhecer nossa proposta.

Tomás: Tive meus motivos, oras!

Saulo: Os mesmo que levaram você a não falar mais com sua família?

Tomás: Eu não te dou o direito de se meter na minha vida.

Saulo: Então, cuide bem dela, e para o seu próprio bem, pare de acumular raiva e rancor.

Tomás: Quem é você para falar algo? Não é você que também tá com problemas com a irmã e a mãe?

Saulo: É diferente…

Tomás: Tudo é mais simples quando é com os outros.

Saulo: Eu que sei como é perder de verdade um irmão, e sabe qual é a última lembrança que tenho dele? Da gente brigando porque eu queria que ele me levasse a um jogo, mas ele estava sem tempo. Lembro que fiz o maior auê por nada e fiquei muito chateado com ele… eu estava cheio de raiva ainda quando soube que ele morreu…

Tomás fica sem saber o que falar.

Tomás: Não é a mesma coisa…

Saulo: Você que pensa.

Tomás: Eu que sei. Um bom dia para o senhor – desliga o telefone sem esperar pela resposta do tio e fica pensativo.

26. INTERNA – DIA – CASA DE NORA ANDRADE – COZINHA

Nora e Diva, para variar, discutiam sobre o preparo do almoço. Nora tentava desviar da mãe, enquanto essa insistia em mexer o conteúdo da panela.

Nora: Mãe, pode deixar comigo.

Diva: Você não tá fazendo certo. Assim vai desonerar tudo!

Nora: SEMPRE deu certo, por que não daria agora?

Carol adentra a cozinha e tenta chamar a atenção das duas.

Carol: Mãe, vó… – ela estava um tanto quanto emocionada, mas as duas não deram bola – Mãe! Vó! – insiste, e finalmente as duas se viram.

Ambas seguravam uma colher de pau, e Nora tentava proteger a panela de qualquer ataque de Diva.

Carol: O Roberto acabou de me ligar… – engole seco, procurando as palavras.

Nora: Diz, Carol, o que foi! – apreensiva, já se tocando do que se tratava pelo semblante da filha.

Carol: Calma, mãe… Ele me ligou para dizer que acharam o corpo do tio Paulo.

Inicialmente Diva e Nora ficam em choque, mas logo começam a encher Carol de perguntas.

Diva: Aí minha nossa senhora! Não acredito – seus olhos enchem-se de lágrimas – Onde, Carol?

Nora: Oh, minha querida, como foi isso? – diz largando a colher e indo abraçar Carol.

27. INTERNA – DIA – ANDANÇAS – ESCRITÓRIO DE SARA

[¯– Na Linha do Horizonte, Sérgio Britto]

Sara, concentrada, digitava algo no computador quando Fernando entra de fininho, batendo de leve na porta para chamar a atenção de Sara, que fica surpresa ao levantar os olhos e dá de cara com Fernando.

Sara: Fernando?

Fernando: Oi… licença.

Sara: Aconteceu algo com os meninos?

Fernando: Não, tudo tranqüilo… Já os deixei na escola… no horário certo – adianta-se, antes de Sara manifestar algo – Daí estava indo a um supermercado aqui perto e pensei em passar aqui para você me ajudar na lista… Você tá ocupada?

Sara: Um pouco, mas tudo bem.

Fernando: Qualquer coisa, pode ser outra hora.

Sara: Não, tudo bem.

Fernando: É que você tem mais idéias do que eles precisam… Não quero mais brigar por isso.

Sara: Bom, bom… Vamos lá?

Fernando: Vamos… Eu já coloquei algumas coisas, mas veja se falta algo – diz, passando uma lista para ela.

Sara pega a lista e começa a lê-la. Eles ficam em silêncio. Sara faz algumas anotações na lista. Fernando só observava, um pouco ansioso.

Sara: É bom comprar também escovas de dente e uma ou outra coisa que eles vão sempre precisar… Para eles não terem sempre que levar e trazer. E vou falar também para eles já levarem algumas roupas para a sua casa, brinquedos e outras coisas deles também.

Fernando: É, estava pensando em dar uma arrumada lá para eles se sentirem em casa. Com toda a comodidade… e regras.

Sara: Ótimo.

Sara continua anotando mais alguns itens.

Fernando: Eu conversei com o Gabriel sobre o namoro – Sara levanta os olhos, interessada – Não sei se fui bem sucedido, ele ficou meio encabulado, na defensiva… Então, nem quis pressionar muito. Mas você sabe, ele tem uma cabeça boa. Só tá apaixonado.

Sara: Pois é… De qualquer forma, você deve ter se saído melhor do que eu.

Fernando: Duvido.

Sara: Sério, antes de descobrir que ele estava namorando a Larissa, estava achando que ele era gay – Fernando ri alto, Sara também ri. –Para você ver o nível da minha paranóia.  Aqui, acho que não falta mais nada, mas é bom consultá-los também – fala, devolvendo a lista.

Fernando: Obrigado. – levanta-se e dá dois beijinhos em Sara, meio sem jeito.

Os dois ficam numa situação um tanto quanto constrangedora.

Sara: Deixa de besteira, não foi nada. – também estava sem jeito.

Fernando: Então, é isso.

Sara: É isso.

28. INTERNA – DIA – CASA DE NORA/APARTAMENTO DE SAULO

[¯– Quanto Tempo, Titãs]

Saulo e Nora conversavam por telefone. Ela havia lhe contado as notícias sobre Paulo.

Saulo: Isso é… – fala alegre e surpreso ao mesmo tempo.

Nora: Eu sei, Também fiquei assim… E olha que estava acompanhando todo o processo de investigação de perto.

Saulo: Mas Nora, você não tem idéia do quanto eu pensei no Paulo nos último dias… Hoje mesmo.

Nora: Saber o que aconteceu de fato com ele nos deixa aliviado, não é?

Saulo: Sem dúvidas… E também poder prestar uma última homenagem. Parece bobo, mas vai significar muito para mim.

Nora: Pra mim também… – engole seco, procurando o tom certo para falar e prossegue – Queríamos, eu e a mãe, que você, quando pudesse, viesse aqui para planejarmos como vai ser tudo. Tem como?

Saulo: Claro, claro – ele é pego de surpreso com o convite e se sente tocado – Passo aí no final do dia, pode ser?

Nora: Combinado. Até lá!

Saulo: Até. Beijos!

Nora: Beijos.

Depois de desligar o telefone, Nora finalmente pára para reler a nova proposta da Editora com mais atenção e empolgação.

Continua…

Trilha Sonora

– Quanto Tempo, Titãs

– Love, Matt White

– Make This Go On Forever, Snow Patrol

– Na Linha do Horizonte, Sérgio Britto

Anúncios

3 Respostas to “Quanto Tempo”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera!!!

    UAU!!!! Que episódio…

    Estou sem palavras…

    Engraçado como certeza coisas mexem com a gente, nos fazem refletir, pensar…

    Realmente não vale a pena guardar mágoas, rancores, raiva, pois nunca se sabe o dia de amanhã.

    Samara, fia, vc me deixou sem palavras, sem contar que passarei o resto da noite pensativo, reavaliando certas coisas…

    Ah, só mais uma coisa, quando o Sérgio reaparecerá?!

    Abraços a todos!!!

    1. Samara Says:

      Ow, Gustavo, vc fala “fia”, que coisa mais da minha terra, adoro!

      Que bom que o episódio fez vc pensar um pouco na vida, espero que tenha te dado boas reflexões, às vezes é preciso parar o tempo para fazê-lo valer a tempo.

      Quanto ao Sérgio, se formos otimista, ele já apareceu no 2.04, rs Eu confesso que torço por Carlos e Sérgio, mas só posso adiantar que Carlos ainda não o esqueceu, mas que muitas águas ainda vão rolar e ninguém sabe quanto o futuro amoroso dele.

      Beijos!

  2. Natie Says:

    Primeiramente, MIL DESCULPAS por estar lendo e comentando soh hj Sam…

    Mas vamos lá…

    Adorei o episodio! É engraçado que por causa da alta descrição de todos vcs, escritores, conforme eu vou lendo, eu vou imaginando as cenas, e isso é essencial pra q tudo fique mais emocionante…

    Pois é, eu ri em mtus momentos. Logo na 1ª cena com Carlos e Carol na casa da Sara, mas mais ainda quando a Sara achou q o filho era gay ou o Roberto descobriu sobre o namoro da filha… heheh… É tãããão legal ver as reações do pai em relação à filha… E bonitinha a cena deles anteriormente não sabendo ao certo se estavam namorando ou não… Aaaaah meus tempos de inocência… hehehehe…

    Feliz que o corpo do Paulo foi encontrado! Nora, Diva e Saulo merecem, é claro, fazer uma homenagem a ele, seguindo assim com as suas vidas… (aliás, que bom q a Nora vai voltar a pensar no livro e apesar de não gostar mtu da Vera, gostei da atitude do Saulo em relação a livraria deles…)

    Festinha surpresa pro Junior foi bem legal, apesar de outras coisas terem roubado a atenção… Gostei da parte do after party que ele tah vendo os presentes com a Rebeca e vem o assunto ‘Tomás’… Alias, jah tah na hora dele ir pedir desculpas!

    Esse caso da Sara e do Fernando com relação às crianças eh bem comum… Normalmente o pai soh fica com a parte legal e a mãe que é a durona e coloca as regras chatas… É bom ver q ele percebeu e reconheceu isso no fim do episodio e está disposto a colocar tbm umas regras chatas… Pelo menos até eles se acertarem né? (a esperança é a ultima q morre! :D)

    Legal ver os Andrade percebendo aos poucos q a ‘Verinha’ não é tão ruim assim… hehe… E por falar nela, novo romance? Junior com ciumes? Questões interessantes…

    AMEI mais uma vez o Carlos na terapia e o encontro dele com o Mosh! Alias, hilaria a cena dele falando com o cara on line… E assim como o Gustavo acima, estou curiosa pelo destino de Sérgio…

    É isso Sam… Nem precisa dizer q foi excelente né? Desculpaaaas mais uma vez e ansiosa pelo seu prox epi…

    Vou ler o 2×05 agora!

    Beijoooooooooooos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s