Nos episódios anteriores: Bianca volta da reabilitação e procura Júnior, que se torna baixista da banda do irmão dela. Rebeca passa a estagiar no escritório de Carlos e engaja um relacionamento com Giovanni, outro estagiário. Roberto propõe a Carol que morem juntos e ela aceita, causando uma grande briga com a mãe e farpas para o irmão Carlos. Tomás é assediado na clínica de fisioterapia e sente seu ego inflar. Sara começa um novo semestre letivo e repara em um aluno diferente dos outros.

 

01. INTERNA – DIA – RUAS DO RIO DE JANEIRO/QUATRO ESTAÇÕES

Saulo e Vera estavam dirigindo até a sua nova editora, que já estava com todas as obras e decorações prontas. Eles haviam marcado uma reunião com todo o quadro de funcionários recém-contratados. Estavam em silêncio quando Vera o quebra.

 

Vera: Saulo…

Saulo: Sim?

Vera: Eu sei que você já me perdoou pelo que eu fiz na homenagem ao Guilherme, mas eu queria me desculpar de novo, provar que eu sou maior que essa briguinha com a Nora.

Saulo: Que bom, é tudo que eu mais quero. Como isso?

Vera: Eu sei que nós já vamos chamar sua família, mas eu queria entregar o convite de Nora pessoalmente.

Saulo: Vera, eu sei que a sua intenção é boa, mas eu tenho medo de que fique parecendo uma ofensa, sabe? Uma provocação.

Vera: Pode deixar comigo. Eu cuido para que a minha intenção fique bem clara. – Saulo olha para a namorada e coloca sua mão por cima da dela, em sinal de concordância.

 

Os dois seguem e chegam ao local. Quando entram, encontram todos os funcionários já contratados lá.

 

Saulo: Pessoal, sejam bem vindos à Quatro Estações! Nós estamos muito contentes em tê-los aqui trabalhando conosco para construir a maior editora que esse país já viu!

Vera: É isso mesmo! E o primeiro passo é a presença em massa na nossa festa de abertura. Precisamos conquistar mais clientes e parceiros para conseguir nos manter no mercado. Então, espero vocês por lá!

02. INTERNA – DIA – CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA – SALA DE RUTE

Carlos está na sala de sua psicóloga, sentado numa poltrona de frente a dela.

 

Rute: Bom dia, Carlos. Como vai?

Carlos: Bom dia. Eu estou… legal.

Rute: Legal? Defina. – Ela diz com uma postura séria, cruzando as pernas.

 

Carlos: Bom, não vejo minha irmã ingrata já faz umas duas semanas. – Ele ri seco, mas a mulher fica séria. – Não penso no Sérgio já tem um tempo também…

Rute: Mesmo? Porque o fato de você lembrar de mencioná-lo já parece que você pensa bastante nele ainda. O que não é muito saudável, venhamos e convenhamos. Já estamos em agosto, quase setembro, vocês terminaram em fevereiro.

Carlos: Colocando assim em datas…

Rute: Nesses 6 meses, você não teve mais ninguém?

Carlos: Só aqueles que eu te contei. Já disse. Eu superei o Sérgio.

Rute: Será? Entenda, o Sérgio era a sua representação do verdadeiro amor, coisa que você já tinha esquecido fazia um tempo, e como amargurou esse fim de relacionamento, vai demorar ainda um bocado para se entregar verdadeiramente de novo. Com a minha ajuda, será mais rápido, espero. – Carlos se arruma na cadeira, incomodado com o que ela dizia. – Eu só preciso saber mais sobre o seu passado, para comprovar minha teoria.

Carlos: Já te contei tudo.

Rute: Você não está se entregando de verdade a esse tratamento, Carlos, está muito fechado. Quer ver? Como foi quando você encontrou o seu primeiro namorado?

Carlos: Por que isso é importante? Nós não estamos falando de Sérgio?

Rute: Eu disse. Mas não se preocupe… É por isso que eu tive uma idéia nova para a nossa terapia. Hipnose. – Ela diz e Carlos olha para ela incrédulo, depois começa a rir compulsivamente.

 

Carlos: Poxa, que legal. E como vai me hipnotizar? Com pó de pirlimpimpim ou mais tradicionalmente com aquele relógio-pêndulo? Qualquer coisa, se não der certo, a gente sempre pode pedir uma ajudinha para as fadas, né?

Rute: Carlos, é sério. Estudos comprovam que a hipnose pode ser muito eficaz em diversos tratamentos. Eu só preciso que você me autorize a utilizar esse método com você.

Carlos: De jeito nenhum!

Rute: Se você não acredita, por que ter medo? – Ele fica em silêncio, pensativo e pede a caneta e a folha. Enquanto ele assina, ela complementa – Veja, o processo de hipnose é longo, então não será possível realizá-la hoje, porém, deixarei tudo pronto para a semana que vem.

Carlos: Certo… – Ele assina e os dois continuam a conversar mais um pouco.

03 – INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Nora estava sentada à mesa da cozinha, tomando café da manhã sozinha quando escuta a porta se abrir.

 

Diva: Nora! Ana Carolina! Venham me ajudar! – Nora vai até a porta e vê Diva com suas malas em volta de si. Ela entra, segurando uma das malas de rodinha.

 

Nora: Oi, mãe. Como foi o cruzeiro? – Ela pergunta, pegando a outra mala.

 

Diva: Foi tudo bem. Quer dizer, aqueles funcionários ficavam me tratando como se eu fosse uma inválida. Mas gostei, comprei várias coisinhas de artesanato e bijuteria para você e para a Carol. Pra todo mundo, na verdade, mas achei um par de brincos que era a sua cara e outro que era a cara da Carol. Cadê ela? – Ela pergunta, se sentando. –Já saiu para trabalhar? Mas ela sempre se atrasa…

Nora: A Carol se mudou.

Diva: Como assim?

Nora: É, ela foi para a casa do Roberto. Pelo jeito, ele é melhor que eu… Por ele, ela vem para o Rio de Janeiro, muda de editoria… Isso não é saudável. Eles não estão juntos há nem um ano!

Diva: Mas assim, de supetão? Você deixou?

Nora: Mãe, ela tem 36 anos. Eu não posso simplesmente impedi-la de ir morar com o namorado.

Diva: Na minha época, moça só saía de casa casando! Teve briga?

Nora: Teve. E das grandes. A gente não se fala desde então. Confesso que já tô sentindo saudades…

Diva: Pode deixar que eu vou lá falar com ela.

Nora: Nem pensar mãe! A senhora não é louca! Deixa ela ficar lá, que pelo menos ela está onde é feliz. – Diz ressentida. – Vou para o orfanato agora, prometa que você não vai cometer nenhuma loucura.

Diva: Prometo.

Nora: Bem-vinda de volta. – Ela vai até a mãe e dá um beijo em seu rosto.

04 – INTERNA – DIA – ESCOLA DE LARISSA – LADO DE FORA

Carol estava levando Larissa para a escola, como tinha feito nas últimas semanas. Assim que ela descobrira que a escola era caminho para o Ágora, decidira dar uma carona para a enteada. Assim que Larissa se despede e sai do carro, Carol pega o telefone e disca um número.

 

Tomás: Alô?

Carol: Oi, Tomás, é a Carol.

Tomás: E quem mais?

Carol: Como assim?

Tomás: Ué, achei que fosse uma daquelas conferências. Só assim pra você me ligar…

Carol: Credo, tirou o dia pra Carlos? Se fazendo de coitado?

Tomás: Você devia pedir desculpas pra ele, sabia? Ele ficou realmente chateado… Você sabe como ele é com esse negócio de relacionamentos…

Carol: Foi por isso que eu te liguei. – Começam a buzinar para ela sair do caminho. – Pera um pouquinho só! QUE QUE É? Você está com um tapa olho? Tem um p… espaço pra você entrar! Minha nossa! – Ela chega com o carro um pouco mais pra frente e estaciona direito. – Pronto.

Tomás: Carol… O que raios foi isso?

Carol: Das duas uma: ou um senhorzinho de boina na cabeça ou uma cinquentona com cara de porco. De qualquer jeito, estávamos falando…

Tomás: Sobre o seu vexame na homenagem ao papai. – Ele diz rindo.

 

Carol: Então, foi por isso que eu te liguei. Você foi o último a ter uma briga com a mãe e um irmão ao mesmo tempo. E, no fundo a gente é muito parecido.

Tomás: Não acho. Você é prolixa e desastrada. Eu sou o atleta e esbelto da família.

Carol: Tão atleta que tá com dor de velho. De qualquer jeito, nos dias seguintes, eu continuava brava com a mamãe, porque você sabe, ela facilita.

Tomás: Realmente…

Carol: Mas agora, de uns dias pra cá, tenho me sentido meio mal, com consciência pesada. Acho que fui muito dura com ela.

Tomás: Olha. Ela fez tudo errado, mas você poderia ter sido um pouco mais leve com ela. Mas esquece, daqui a pouco ela esquece isso e fica tudo bem. Ela está brava porque não está conseguindo manter nenhum dos filhos sob as asas dela. Júnior saiu e agora você. Não dou muito pra ela adotar outra criança. Já está trabalhando em um orfanato.

Carol: Isola! De irmão novo já basta a Rebeca.

Tomás: Agora… Quanto ao Carlos… Ele só estava dizendo a opinião dele. E estava sendo respeitoso, e perceba como isso é raro vindo do Carlos.

Carol: Pois é… Eu sei. Vou me desculpar com ele.

Tomás: Faça isso. – Patrícia, a secretária de Tomás bate na porta alucinadamente. – Escuta, Carol, eu tenho que ir, ou a minha secretária vai ter uma síncope. Beijos!

Carol: Beijos, brigada pela ajuda!

Tomás: Nada. – Eles desligam e Carol dá partida no carro, seguindo para o Ágora.

05 – INTERNA – DIA – PAPIER-ANDANÇAS CENTRAL

Tomás desliga o telefone e faz um sinal para Patrícia entrar, ela o faz.

 

Patrícia: Seu Tomás, desculpa atrapalhar, mas é importante.

Tomás: O que houve?

Patrícia: Tem uma mulher lá embaixo querendo falar com o senhor. Ela disse que é urgente. Muito urgente. Como ela parecia aflita, achei melhor vir falar com o senhor.

Tomás: Não é minha mulher, é, Patrícia? – Ele se arqueia, preocupado.

Patrícia: Não, seu Tomás.

Tomás: Ok. Obrigado. Já vou descer. – Ele diz e logo se levanta, curioso para saber de quem se trata.

 

Quando chega lá embaixo, vê Lavínia folheando uma revista de fofocas. Ele se aproxima.

 

Tomás: Pois não? Qual a urgência?

Lavínia: Urgência de te ver. Não foi mais à clínica. Senti sua falta.

Tomás: Lavínia, eu sou casado. – Ele respira fundo.

Lavínia: E eu sou sagitariana. Essas características são só coisas inventadas pelo ser humano. – Ela faz Tomás rir e sorri com o sucesso.

Tomás: Olha, você é muito insistente.

Lavínia: É o que dizem…

Tomás: Isso tudo só porque eu sou dono de uma livraria?

Lavínia: Porque você é lindo, gostoso, simpático, bem humorado…

Tomás: Uia! Um elogio de cada vez!

Lavínia: Tenho vários outros. Mas para ouvi-los, tem que sair comigo…

Tomás: Lavíííínia! – Ele diz reprovador, mas sorrindo, lisonjeado.

 

Lavínia: Juro que não faço nada que você não queira. – Tomás fica sem saber o que dizer. – Faz assim. Me dá seu número e eu te ligo depois, pra ver se você quer fazer alguma coisa. Que tal?

Tomás: Não posso. Mesmo. ­– Ele limpa a testa, tenso com a mistura de sensações que sentia. Ao mesmo tempo que queria ela, lembrava-se de Vitória. – É uma pena. Se eu fosse solteiro, você não me escapava. Mas a situação é outra.

Lavínia: Para você, a situação é outra. Eu continuo solteira… Mas tudo bem, tenho uma aula daqui a pouco. Até logo, Tomás Andrade. – Inclina-se para ele, insinuando um beijo na boca. Ele vira o rosto e beija sua bochecha.

 

Tomás: Até logo? – Fica olhando ela ir embora, observando seu corpo escultural.

06 – INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA – SALA

Sara tinha perdido o horário de manhã, e conseqüentemente, estava fazendo os filhos se atrasarem para a escola também.

 

Sara: Eduardo! Você não vai brincar agora! Guarda esses brinquedos e coloca a camisa da escola! – Ela dizia, enquanto comia uma torrada e preparava o pão dos filhos. – Depois vem aqui comer!

Gabriel entra na cozinha, acompanhado de Rafaela, que está toda vestida e com a mochila nas costas. Os dois se sentam pra comer.

 

Rafaela: Mãe, você sabe que eu não gosto de presunto!

Sara: Que história é essa? Até ontem você gostava!

Rafaela: Mas eu pensei direito. A Bárbara não come presunto e nem carne e ela disse que faz mal.

Eduardo: SUPER DUDU ATIVAR! – Ele passa correndo com uma cueca na cabeça e a mão pra cima.

 

Sara: EDUARDO! Eu já disse para você se trocar! E você, senhorita, vai comer carne sim, não quer uma anemia pra somar a sua diabete! – Ela empurra o prato em direção a filha. – Gabs, e você? Fica aí sem fazer nada? Não tá vendo que eu tô pirando? Dá pra me ajudar? – Ela diz ríspida.

 

Gabriel: Calma aí! Não precisa brigar comigo. Você está brava com eles, lembre-se. – Ele diz se levantando e levando seu prato a pia. – Super Dudu, vem cá comigo, vamos trocar de roupa.

Eduardo: Eu posso ir voando?

Gabriel: Pode. – Ele diz e pega Eduardo no colo como se ele voasse.

 

Sara: Filho… – Gabriel se vira. – Desculpa. Eu tô meio estressada.

Gabriel: Tudo bem. – Ele deixa Eduardo no chão e se aproxima da mãe. – Sabe o que você precisa? – Sara faz que não. – Precisa namorar de novo. Relaxar.

Sara: Todo romântico esse meu filho! – Ele diz sorrindo, surpresa com a sugestão do filho. Gabriel sorri de volta, e leva Eduardo para cima.

07 – INTERNA – DIA – BARBOSA-LIMA – ESCRITÓRIO DE CARLOS

Carlos estava em seu escritório quando vê Rebeca entrando, trazendo uma papelada. Ao mesmo tempo o celular toca. Ele faz sinal para Rebeca esperar e olha o visor do aparelho.

 

Carlos: Carol. – Ele diz, recusando a chamada.

 

Rebeca: Você ainda está chateado com aquilo?

Carlos: Um tantinho, sim.

Rebeca: Vai ver, ela está ligando para pedir desculpas.

Carlos: Ou para jogar na cara como ela é feliz com o deputado gostosão. E você com o estrupício?

Rebeca: Estrupício? – Ela ri. – Eu e o Giovanni estamos bem. Obrigada pela preocupação.

Carlos: Você tem 20 anos, né?

Rebeca: 21.

Carlos: Isso! Quantos namorados você já teve?

Rebeca: Carlos! Isso não é uma pergunta que se faça a uma dama!

Carlos: Você ainda é dama? – Ele diz, fazendo cara de espanto.

 

Rebeca: Não! Eu quis dizer que… Ah! Você entendeu!

Carlos: Eu não sei muita coisa sobre você… E sabe como é, preciso de irmãs novas. Uma não tem um segundo livre durante o dia, e a outra é uma ingrata. E eu não sei muito sobre você…

Rebeca: O Giovanni é o meu quinto namorado… Mas já tive outros rolos.

Carlos: Quinto? Uau. Isso é o mesmo que eu, em… alguns anos mais do que você. Não adianta, não vou dizer quantos. – Os dois riem. – Você amou todos eles? Assim, de verdade?

Rebeca: Sim, acho que sim. Se não amasse, não teria começado o namoro. Alguns se arrastaram mais do que deveria, por conveniência. Mas amei todos.

Carlos: E como você fez?

Rebeca: Como eu fiz para que?

Carlos: Para amá-los, ou saber que os amava.

Rebeca: Ah, não sei… Você simplesmente ama. Acho que o negócio é se entregar. – Carlos fica pensativo em silêncio. – Bom, de qualquer jeito… Aqui estão os arquivos de jurisprudência que você me pediu.

Carlos: Ok. – Silêncio chato. Rebeca constrangida com a conversa íntima que teve com Carlos e ele pensativo sobre o que haviam conversado.

 

Rebeca: Vou indo então…

Carlos: Muito bem. Ah, Rebeca! – Ela olha para trás. – Obrigado pela conversa.

Rebeca: Imagina! – Ela sai da sala e Carlos sente seu celular vibrar novamente.

 

 

08. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SAULO – SALA

Júnior acabava de acordar e quando chegou à sala do apartamento do tio, encontrou-o sentado, lendo o jornal do dia.

 

Saulo: Bom dia. – Ele diz mudando de editoria do jornal.

 

Júnior: Bom dia. Passei um pouco do horário, né?

Saulo: Ué, você quem sabe. Tinha algum compromisso?

Júnior: Não.

Saulo: Então pronto. Você está morando aqui agora, não é só de passagem. A casa é sua. Eu sei que o quarto que era da minha mãe não é o mais adequado para um jovem da sua idade, mas é sua de qualquer jeito. Acorde a hora que quiser.

Júnior sorri em resposta e então vai até a cozinha pegar uma xícara de café. Ele volta com a xícara em uma mão e uma carta na outra. Ele abre.

 

Júnior: “A Editora Quatro Estações te convida para a festa de lançamento da empresa…” Uau! Que chique esse convite! Chamou todo mundo?

Saulo: Sim. Só a sua mãe que não vai receber o convite…

Júnior: Tio Saulo… Por quê? – Ele interrompe.

 

Saulo: Calma! Ela será convidada, mas a Vera fez questão de entregar o convite pessoalmente. Por isso queria pedir para você falar com seus irmãos para eles não contarem para ela.

Júnior: Tio, você sabe que eu não tô realmente falaaaando com eles.

Saulo: Mas você é o mais próximo de mim. Sara e Tomás ainda estão chateados comigo por causa das minhas propostas à Papier e Carol e Carlos eu mal encontro.

Júnior: Tem a Rebeca.

Saulo: Ela não tem tanto contato com eles também, nem intimidade. Faça como você quiser… Se quiser terceirizar com Rebeca…

Júnior: Não, tudo bem. É coisa pequena.

Os dois ficam em silêncio por um tempo, sentados. Saulo lendo jornal e Júnior tomando café. Saulo então abaixa o jornal.

 

Saulo: Você não acha que isso tá durando demais?

Júnior: Oi?

Saulo: É, esse drama por causa de ser adotado. Quer dizer, é um baque, o que eles fizeram pode ter sido errado e como o Tomás revelou, mais ainda. Mas vocês dois já fizeram as pazes, sua mãe e seus irmãos já fizeram mais do que o suficiente para mostrar que te amam…

Júnior: Eu sei disso tudo e reconheço. Tanto que estou falando com eles. Não estou mais bravo e nem chateado. A questão agora é mais racional que emocional, tio. Foi muito difícil no começo, – Ele faz uma pausa curta. – fiquei balançado e achando que tinha crescido em mentiras, que teria que me redescobrir. No fim das contas, foi uma pequena mentira que não mudou em nada o amor que eles tinham, e têm, por mim que é verdadeiro. Mas a parte de me redescobrir é importante e isso eu ainda não consegui fazer. Tenho 26 anos e morei toda minha vida com a minha mãe, resolvi ser músico, mas onde isso me levou? Tenho que ver… Se quero mesmo isso, fazer umas decisões mais drásticas na minha vida.

Saulo: Uau!

Júnior: O quê?

Saulo: Quem vê de fora acha que você está super confuso, mas não. Está completamente determinado. Quem diria. – Júnior sorri e os dois voltam ao que estavam fazendo.

09. EXTERNA – DIA – ESCOLA DE LARISSA – FORA

Larissa estava saindo da aula e tinha recebido uma ligação de Carol dizendo que ela não poderia buscá-la e que o motorista iria fazer isso. Assim que desligou, Larissa avisou Gabriel, e os dois logo entenderam que era para o menino passar em sua escola para se verem.

 

Gabriel: Oi. – Ele diz, aproximando-se devagar e dando um selinho na menina, meio envergonhado com o tanto de adolescentes desconhecidos em volta deles.

Larissa: Oi. Como foi o dia hoje?

Gabriel: Foi bom e o seu? Tava com saudades. – Ele passa o braço pelo ombro dela, e ela o braço pela cintura dele.

 

Larissa: Eu também. Vamos fazer o que hoje?

Gabriel: Não sei, você acha que seu pai volta que horas pra casa? Se ele chegar e você não tiver em casa… Ai de mim. – Ele faz uma cara de dor e ela ri.

Larissa: E de mim também! Olha, ele deve chegar umas oito, mas a Carol, se não conseguiu vir me buscar, deve estar adiantando trabalho e chegar mais cedo.

Gabriel: Hm… Vamos alugar um filme e ir pra casa, então? Vou ter que ficar com os gêmeos.

Larissa: Pode ser, por mim. Mas e a sua mãe? Não tem risco de ela contar pra Carol?

Gabriel: Ela vai direto da Andanças pra faculdade e eu suborno os baixinhos. – Eles riem e vão em direção a locadora de filmes.

10. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Nora e Diva haviam acabado de almoçar e a mais velha foi se deitar, pois estava cansada, e Nora estava escrevendo em seu caderno um texto sobre relação de mães e filhas e esperando uma ligação de Emerson, o editor que estava resolvendo as pendências com a antologia da terceira idade, em que ela ia publicar, quando ouve a campainha tocar. Ela atende.

 

Vera: Boa tarde. – Ela dá um tempo para a outra responder, mas Nora está em choque. Vera era a última pessoa que ela esperava ver naquele momento. – Ok, não bate a porta na minha cara. Vim em missão de paz.

Nora: Bom saber, pois eu já estava prestes a fazer isso. O que houve? Saulo está bem?

Vera: Ele está bem. Não é sobre ele que vim falar. É sobre nós duas. – Há um breve silêncio. – Eu posso entrar? É meio longo e fica chato falar na porta.

Nora: Pode, né? Eu já te deixei entrar no Natal. Agora, acho que pelas leis da sua espécie, você pode entrar quando quiser, né? – Um clima tenso se instaura entre as duas e Nora dá uma risadinha forçada seguida por um sorriso amarelo de Vera. – Brincadeira! Venha, sente-se. – Ela aponta um dos sofás e se senta no outro.

 

Vera: Obrigada.

Nora: Imagina. Aceita uma água, um suco?

Vera: Não, muito obrigada. Só vim resolver isso mesmo, não quero atrapalhar.

Nora: Ótimo. Então diga. O que a traz aqui?

Vera: Você sabe que a Quatro Estações, minha editora com o Saulo, está para ser lançada, certo? – Ela diz pegando um envelope de dentro da bolsa.

 

Nora: Certo.

Vera: Bom, nós vamos promover uma festa de abertura para a editora nessa sexta e gostaríamos muito que você fosse. Não só como irmã de Saulo, mas também como uma das donas de uma das livrarias mais importantes do Rio de Janeiro. – Ela diz entregando o convite.

 

Nora: Bonito. – Nora diz, olhando o convite rapidamente e logo o fechando e deixando em cima da mesa de centro. – Mas não sei se vou poder ir, sabe? Tinha prometido para Sara que cuidaria dos meus netos…

Vera: Nora, Ela a interrompe. – eu sei o que eu já causei para você e reconheço que em alguns de nossos desencontros, eu fui infeliz em minhas atitudes. Como no último, naquela homenagem ao Guilherme. Tinha prometido para Saulo que não iria, mas não consegui. Acho que ele ainda se faz muito presente em mim e isso não é bom. Quero mudar isso o mais rápido possível para ser totalmente feliz com seu irmão. E queria a sua ajuda. Se você puder ir, por favor, vá. Não por mim, mas pelo seu irmão. Ele vai ficar realmente feliz.

Nora fica em silêncio por certo tempo, surpresa com o discurso de Vera.

 

Nora: Tentarei. – Ela diz, dessa vez sem sarcasmo ou ironia.

 

Vera: Bom, era só isso que eu vim dizer. Não quero atrapalhar sua tarde. – As duas se levantam e andam em direção a porta.

 

Nora: Imagina. Obrigada por ter vindo e não simplesmente mandar o convite. – Vera sorri em resposta e se despede, saindo.

 

11. INTERNA – NOITE – PRÉDIO DE ROBERTO – FORA

Larissa e Gabriel chegam ao prédio onde a menina mora no começo da noite. Ele havia deixado os gêmeos com a vizinha, que era de confiança, só um pouquinho para poder levar a namorada em casa. Agora os dois conversavam no portão.

 

Larissa: Gostou do filme? – Ela pergunta entre risinhos.

 

Gabriel: Gostaria mais se a gente não tivesse escolhido uma comédia romântica beeeem água com açúcar. – Ele também ri. – Mas pelo menos, passei o tempo com você.

Larissa: Depois o filme que é água com açúcar, né, não você? – Eles riem e se beijam. Larissa então pára o beijo e fica com uma cara assustada. – Ai meu Deus!

Gabriel: O quê?

Larissa: Meu pai tá chegando! Se esconde, se esconde! Eu vou subir! – Os dois sentem a adrenalina chegar e o rosto ficar vermelho de nervoso. Gabriel olha para os lados, procurando onde se esconder, enquanto Larissa abre o portão e entra no prédio.

 

Gabriel: Em qual garagem ele entra?

Larissa: A do subsolo! – Gabriel então corre para trás do murinho da garagem do andar térreo e se agacha, enquanto Larissa entra e sobe no elevador. Logo depois, Roberto entra na garagem do subsolo.

12. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO – SALA

Larissa chega correndo, tira os sapatos e tranca a porta, pega um livro qualquer na estante e se deita no sofá, abrindo o livro. Logo em seguida, seu pai abre a porta.

 

Roberto: Oi, boa noite.

Larissa: Boa noite. – Ela diz ainda agitada.

 

Roberto: Como foi seu dia, filha?

Larissa: Nada demais, pai.

Roberto: Ok, eu vou me trocar e depois a gente conversa mais e vê o que comer, tá? – Ele diz desfazendo o nó da gravata e indo para o seu quarto.

 

Larissa: Tudo bem. – Roberto pára o seu caminho e volta de ré.

 

Roberto: Você está lendo Quem ama, educa? – A menina vira o livro e olha a capa.

 

Larissa: Aham. – E faz cara de desentendida.

13. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE CARLOS – SALA

Carlos havia acabado de chegar em casa e estava indo tomar um banho quente para depois deitar e dormir até o dia seguinte. A campainha então toca e ele faz meia-volta, desanimado.

 

Carlos: Oi, boa noite.

Pâmela: Boa noite!

Carlos: Tudo bem?

Pâmela: Bem mais ou menos, isso sim.

Carlos: Nossa, a Pollyanna está mal. Que coisa. O que foi?

Pâmela: Adivinha? Homens, claro.

Carlos: Sempre.

Pâmela: Por isso mesmo, resolvi vir aqui e ver se você não quer sair, desanuviar um pouco…

Carlos: Olha, eu ia tomar um bom banho quente, deitar e assistir uns seriados quaisquer na minha cama.

Pâmela: Ah, deixa esse programa Bridget Jones pra quando você for uma bicha solteira muito mais velha. Tipo, 55 anos e solteiraço.

Carlos: Nossa, que perspectiva agradável.

Pâmela: Então… Já pensou que se você sair essa noite, pode achar o homem da sua vida?

Carlos: Dificilmente. Mas ok… O que você quer fazer?

Pâmela: Não sei… Hoje tem uma estréia de uma peça de teatro super hype.

Carlos: Só gosto de teatro se for comédia ou musical… Acho drama tão over nesse meio teatral.

Pâmela: É comédia. Dizem que é engraçadíssima!

Carlos: Ok, passo no seu apartamento em uns 45 minutos, ok?

Pâmela: Uma hora. Eu sou mulher, demoro mais.

14. INTERNA – NOITE – FACULDADE BULEVARES – PÁTIO

[♫ Stupid Girls – Pink]

Sara havia chegado um pouco mais cedo à faculdade, pois havia ido direto da Andanças. Ao chegar, pediu um café na lanchonete da faculdade e sentou em uma das mesas, observando os jovens conversando, fazendo trabalhos, comendo… Ela, então vê Arthur, o seu mais novo aluno passar por ela. Quando os olhares se encontram, ele dá uma piscadinha. Ela desvia o olhar.

 

Começa a se lembrar do que Gabriel lhe disse mais cedo sobre arranjar um namorado, e começa a prestar atenção nas meninas. Uma delas estava paquerando um dos garotos de sua sala. A menina balançava o quadril, mesmo que parada, alternando as poses. Passava a mão pelo cabelo comprido e bem tratado e fazia bico, rindo alto sempre que ele falava, por mais sem graça que fosse. Ela então fica pensativa.

15. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE TOMÁS – QUARTO

Tomás estava saindo do banho, enrolado em uma toalha. Vitória estava deitada na cama, assistindo TV.

 

Vitória: Amor… o que vamos fazer hoje?

Tomás: Ué, por quê? Hoje é algum dia especial? – Ele diz se sentando na cama.

Vitória: Não, mas eu tô com saudade de ficar assim com você, na cama, aproveitando… – Ela se senta, tentando massagear suas costas sem perder o equilíbrio.

 

Tomás gosta da massagem e fecha os olhos, ele então começa a imaginar Lavínia no seu quarto, seminua, massageando suas costas, depois o deitando na cama, beijando sua boca e seu pescoço, tirando sua toalha… Ele abre os olhos, nervoso, sentindo-se meio culpado de sequer pensar aquilo na frente de Vitória. Ele se levanta rapidamente, ficando de costas para a mulher, para que ela não visse os resultados de sua imaginação fértil sob a toalha.

 

Vitória: Ué, que foi? – Ela pergunta chateada e confusa, perdendo o equilíbrio, uma vez que estava apoiada no marido.

Tomás: Nada… Eu só estou cansado… O dia de trabalho foi pesado hoje. – Ele diz inseguro e segue em direção ao armário. – Vou me trocar.

16. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO – SALA

Carol e Roberto estavam assistindo ao jornal e conversando na sala.

 

Roberto: Carol, chegou isso aqui para gente hoje. – Ele mostra um envelope. – Já abri.

Carol: E o que é? – Ela pergunta pegando o que ele mostrava.

 

Roberto: Um convite pra abertura da editora do seu tio.

Carol: Ah é? – Ela abre e dá uma olhada. – Bonito, né? Será que minha mãe já sabe?

Roberto: Não sei… Por que você não pergunta para ela? – Ele pergunta irônico.

 

Carol: Nossa, como você é malvado. Amanhã eu ligo para os meus irmãos e vejo se eles vão.

Roberto: Sim. Só me avise, tenho que ver com quem deixar Larissa.

Carol: Por que não deixa na Sara, assim ela e Gabriel podem aproveitar? – Ela sugere de vagamente, pensando em outra coisa.

 

Roberto: De jeito nenhum! O combinado é que eles só vão poder se ver aos fins de semana. Não quero que esse namoro interfira nos estudos da minha filha. Além do quê, não vão ficar sozinhos à noite.

 

Carol: Como você quiser. – Ela diz automaticamente e muda de assunto, dizendo o que lhe vinha na cabeça – Falando em ligar para irmãos, eu liguei mais de 15 vezes, Roberto. – Ele olha pra ela, cansado. Já era a terceira vez que falavam sobre Carlos desde que ela tinha chegado. – Literalmente. Nada de hipérboles ou coisa do tipo. E ele não me atendeu.

Roberto: Carol, por que tanta preocupação? São os Andrades, dentro em breve, vocês estarão se falando novamente.

Carol: Não sei não. Já faz muito tempo…

Roberto: Olha, na verdade eu acho que você tá projetando seu problema…

Carol: Como assim?

Roberto: Você não tá realmente preocupada com o Carlos, vocês são muito próximos. Você sabe que ele vai te perdoar e tudo vai ficar bem. Você tá preocupada com a sua mãe, se vocês vão voltar a se falar. – Carol fica pensativa.

 

Carol: Não. Não é isso. O Carlos, eu assumo a culpa. A mamãe não. Ela que venha se desculpar… – Ela fica em silêncio, pensando mais um pouco sobre a conclusão do namorado. – De qualquer jeito, não quero pensar nisso agora. Uma coisa de cada vez. Agora, Carlos.

Roberto: Se você quer tanto falar com ele, por que não passa na casa dele? Duvido que ele te deixe do lado de fora.

Carol: Boa idéia! Vou pegar minhas coisas! – Ela dá um selinho no namorado e vai para o quarto, se arrumar.

17. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE YURI – SALA

Júnior estava ensaiando com sua banda o dia inteiro, depois, ele, Bianca e seus amigos resolveram comprar uns petiscos e bebidas no supermercado e ir para casa de Yuri. Agora estavam todos conversando e bebericando.

 

Yuri: Ju, moleque, você foi o nosso grande achado!

Guto: Cara, é mesmo… Ainda bem que o Renato saiu. Além de tocar mau, era um pé no saco. Sabe aqueles que enchem o saco só porque tu cheira um pouco ou fuma… Chato do cacete.

Júnior: É… – Ele sorri sem graça, olhando para o seu copo de Coca-Cola. Guto percebe.

 

Guto: Ah, cara, relaxa… Tu não tá nem bebendo, mas pelo menos não fica enchendo se a gente beber…

Bianca: Isso aí! Esse é o esquema, né, mozão? – Ela o beija. Ele fica sem graça.

Júnior: Bianca, escuta… Vem aqui comigo um pouquinho. – Os dois se levantam para ir em direção a um canto, e os outros fazem um som de “UUUH”, os sacaneando.

 

Bianca: Fala, mor…

Júnior: Eu tava pensando… Nós estamos juntos faz uns três meses, eu já conheço seu irmão, sou da banda dele, aliás… E eu acho que essa é a coisa certa a se fazer. Preciso de mais coisas certas na minha vida.

Bianca: Ai, Ju, fala logo! – Ela pede ansiosa.

 

Júnior: Você quer namorar comigo? – Ele pergunta meio sem jeito.

 

Bianca: É claro! – E o abraça e beija várias vezes. – É claro! É claro! – Fala alto, o beijando com vontade.

 

Yuri: O que foi aí? Que houve?

Bianca: O Júnior me pediu em namoro!

Yuri: Aeee, Ju! Achei que não ia pedir nunca. – Diz dando um abraço e um beijo nos dois. Os outros membros da banda e amigos vêm logo atrás cumprimentá-los também.

 

 

18. INTERNA – NOITE – FACULDADE BULEVARES – SALA DE AULA

[Stupid Girls – Pink]

A aula de Sara ia começar e ela chega à sala de aula. Ela dava boa noite para alguns alunos que a cumprimentavam. Então, vê Arthur passando pela sua frente.

 

Arthur: Boa noite, professora. – Ele diz com um sorriso no canto do rosto.

Sara: Boa noite, Arthur. – Se fosse qualquer outro aluno, ela ficaria só nisso, mas então se lembra da menina que viu no pátio e passa a mão pelo cabelo, cruzando as pernas. – Como vai?

Arthur: Hoje tem aula sua, como você acha que estou? Não podia estar melhor. – Sara ri alto exageradamente e Arthur vai se sentar. Ela então leva a mão ao rosto, percebendo a idiotice que fazia.

 

Sara: Gente, na aula de hoje, vou mostrar uns cases pra você de marketing bem desenvolvido. – Ela então começa a aula.

19. EXTERNA – NOITE – PRÉDIO DE CARLOS – FORA

Pâmela estava esperando do lado de fora, por Carlos, que tinha ido pegar seu carro para que os dois fossem à peça de teatro. Carol chega e para o carro em frente a Pâmela, reconhecendo-a, cumprimenta-a.

 

Carol: Oi, boa noite. Lembra de mim?

Pâmela: A irmã do Carlos, certo? Uma das que me viu na cama dele? – Carol faz que sim com a cabeça. – Desagradável…

Carol: Imagina, águas passadas. Até vocês dois já se resolveram, né?

Pâmela: Sim, sim.

Carol: Pâmela, escuta, você sabe se o Carlos tá em casa?

Pâmela: Ele tá tirando o carro. A gente vai assistir a uma peça de teatro.

Carol: Ah é? – Ela começa a bolar uma idéia na cabeça. – Que peça? Onde?

20. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

 

Nora e Diva estavam jantando.

 

Nora: Vera esteve aqui essa tarde. – Ela diz de repente, olhando para a mãe, curiosa com a reação que ela teria.

 

Diva: Ah, é? E o que ela veio fazer aqui? – Ela continua comendo, de cabeça baixa.

 

Nora: Nos convidar para a festa de abertura da editora.

Diva: Hm, lógico que não vamos.

Nora: Não sei, estava pensando em ir… – Diva abaixa o garfo e olha para a filha. – É, ela me pareceu convincente no pedido de desculpas.

Diva: Nora, vocês já fizeram as pazes quantas vezes? Ela sempre vai e quebra o pacto de bandeira branca de vocês duas, fazendo algo que relembre a infidelidade do seu ex-marido.

Nora: Mãe, ela quer ser feliz com Saulo, a gente deveria dar uma chance a eles. Eu dei uma chance para mim, publicando esses textos.

Diva: O fulaninho te ligou?

Nora: Emerson, mamãe, Emerson. E ligou, vamos nos encontrar essa semana para discutir mais detalhes.

Diva: Boa sorte, minha filha. E sobre o caso chacrete, faça como quiser. Eu não vou.

Nora: Como quiser, mãe. E obrigada. – Ela sorri meio sem vontade e as duas voltam a comer.

21. INTERNA – NOITE – TEATRO VILLA-LOBOS – SALA DE ESPERA

Pâmela: Hipnose?! – Ela e Carlos já tinham comprado o ingresso e estavam esperando o começo da peça conversando.

 

Carlos: Sim, hipnose. Vê se pode… Daqui a pouco vai querer que eu use pedras aquecidas na cabeça para relaxar e um cristal purificado para afastar o fantasma do Sérgio. Quem sabe cromoterapia para eu ajustar os meus chacras?

Pâmela: Eu faço cromoterapia de vez em quando… – Ela diz em voz baixa como em tom de vergonha e depois ri. Carlos a acompanha. – Que tal aquele ali? – Ela muda de assunto bruscamente, apontando para um homem bem vestido, de camisa social e sapato bem engraxado. O homem era loiro e aparentava uns 30 e poucos anos.

 

Carlos: Totalmente comível. – Ele diz com um olhar analítico.

 

Pâmela: Carlos! – Repreensiva.

 

Carlos: Ué, que foi? Não me dizem que sou frígido e não sei amar? Então… Virei super fútil e só me importo com a aparência.

Pâmela: Carlos, você é impossível. – Ela diz rindo. Então, ela vê Carol chegando. – Olha lá sua irmã!

Carlos: O quê? Qual? Como ela me achou aqui? – Ele vira num pulo.

 

Pâmela: Ela passou lá no prédio pra falar com você e eu disse que vínhamos para cá. Fiz mal?

Carlos: Mal? Pâmela, e tudo o que eu te disse a noite toda sobre a Carol querer fazer as pazes comigo porque ela foi estúpida?…

Pâmela: Ah! Essa é a Carol? – Ela faz cara de culpada. – Achei que fosse a Sara. Você sabe como eu confundo sua família.

Carol: Oi, gente! Tudo bem? Ótima noite para ir ao teatro, não? – Ela sorri, cumprimentando-os.

 

Pâmela: Oi, Carol. Eu vou ali falar com aquele gatinho que me espera, ver se obtenho sucesso. – E sai, constrangida de ficar na batalha entre irmãos.

 

Carol: Boa sorte!

Carlos: E boa noite, né? Se ela tiver sorte, isso aí rende até amanhã… – Pâmela sorri em agradecimento e os dois se voltam para a conversa iminente. – Então? Desistiu de ligar e resolveu partir pro ataque mais direto?

Carol: Ai, Carlos, pára de bobagem? Só quero fazer as pazes com você, pedir desculpas e tudo mais.

Carlos: E então?

Carol: E então o quê?

Carlos: As desculpas.

Carol: Já pedi, oras.

Carlos: Não ouvi.

Carol: Carlos, pelo amor de Deus… – Ele continua olhando para ela, impassível. – Ok, ok… Desculpa por ter sido tão megera e ter dito o que eu disse. Você teve seus motivos para correr e se esconder e eu sei que eles não são fracos.

Carlos: Muito bem. Mas ainda não sei se aceito seu pedido. Você foi uma traíra, você sabe… Ousaria dizer que quase uma Vera.

Carol: Eu sei. E estou realmente arrependida.

Carlos: Tudo bem. Pedido aceito. Já pediu desculpas para a mamãe? A seguiu até aonde? O supermercado?

Carol: Não pedi e nem quero falar sobre isso.

Carlos: Nossa, você é igualzinha a ela. – Ele comenta, observando-a.

 

Carol: E você não, né? – Eles param de falar por um instante. – Olha lá sua amiga… Pelo jeito levou um toco.

Pâmela voltava, com cara de decepcionada, enquanto o homem observava o grupo com olhares rápidos e constantes.

 

Carlos: Ué, que houve?

Pâmela: Ele preferiu você. – Ela entrega um papel para Carlos, que o abre. Nele estava escrito: Diego e um número qualquer. – Eu cheguei nele, toda sensual, e ele me perguntou se eu achava que ele tinha chances com você. Que não tinha certeza se você gostava da fruta.

Carol e Pâmela ficam olhando pra ele, que estava prestes a amassar o papel.

 

Carol: E então?

Carlos: O quê? Eu não dou pinta mesmo, eu já sabia. Por isso que eu digo, gays deveriam vir de outra cor, pra se identificar…

Pâmela: Carlos! A gente tá falando daquele gato lá! Você vai ligar?

Carlos: Ah, não ia não… Não tô numa fase boa pra homem.

Carol: Há quantos meses você não sai com ninguém?

Carlos: Alguns… – Ele desconversa.

 

Carol: Você ia passar a noite hoje como uma solteira velha. Pelo menos guarda esse número.

Pâmela: Oh! – Ela se indigna.

Carlos: Ok, ok! Eu guardo! – Carlos olha para o lado e vê que Diego está o observando. Ele levanta a mão segurando o papel e pisca, colocando o papel no bolso. O outro dá um sorriso, achando graça.

 

Pâmela: Nossa, Carlos, você é muito brega.

Carlos: Costuma funcionar… – Ele diz com ar brincalhão e o sinal para a peça toca e eles entram, perdendo Diego de vista.

22. INTERNA – NOITE – FACULDADE BULEVARES – SALA DE AULA

[♫ Stupid Girls – Pink]

Os alunos de Sara estavam realizando um trabalho em grupo que ajudaria na construção da nota. Sobravam dois grupos na sala. Um deles era de Arthur. Ambos terminam praticamente juntos e saem da sala aos poucos. Arthur fica por último, arrumando seu material na mochila, devagar. Sara fica o observando em silêncio, verificando como era a “paisagem” quando ele se agachava. O menino então termina e se aproxima da mesa para assinar a lista.

 

Arthur: Enfim sós. – Ele diz sorrindo e pegando a caneta para assinar a folha. Sara ri alto, de nervosismo, buscando se controlar. Aquele garoto chamava muito sua atenção. – E então, professora? O que a senhora tá achando da turma?

Sara: A turma é boa. Tem tido um rendimento excelente.

Arthur: A professora é que é boa e excelente. Muito boa, por sinal. – Sara arruma os cabelos. Era mais forte do que ela.

 

Sara: Imagina, uma professora não é nada sem o aluno. E devo dizer, que você é um exemplo de aluno.

Arthur: Ah é? – Ele diz com um sorriso sedutor, molhando os lábios. Ela se levanta da cadeira e fica ao lado dele, sentando-se na mesa.

 

Sara: É sim. – Ela diz também sorrindo. – Muito sagaz, inteligente, bem humorado…

Arthur: E com um físico delicioso, não é? – Ele diz no ouvido dela, rostos bem próximos. Ela ri prazerosamente. Fazia tempo que não tinha esse sentimento adolescente de sedução.

 

Sara: Muito… Mas também uns 20 anos mais novo.

Arthur: Não tem alguém que diz que tamanho não é documento? Idade também não… Garanto que sou muito melhor que qualquer quarentão. – Ele agora passava a mão pelo cabelo dela e beijava o seu pescoço.

 

Sara: Não duvido nada. – E os dois se beijam ardentemente. Entre um beijo e outro, Sara garante que a porta esteja fechada. Eles se apóiam na mesa do professor, derrubando todos os papéis dali de cima. Arthur coloca a mão por dentro da camisa de Sara. Ela segura a mão dele e interrompe o beijo. – Arthur, vamos combinar que só esse beijo já me coloca em uma situação complicada o suficiente.

 

Arthur: Certo. – Ele diz rindo. – Então é melhor aproveitar, né?. – Eles retomam o beijo.

 

23. INTERNA – DIA – BARBOSA-LIMA ADVOCACIA

No dia da cerimônia, Carlos havia tirado a tarde de folga para fazer a sessão de hipnose. Havia pedido a Rebeca que organizasse sua sala e pegasse alguns papéis do caso Lumni para arquivamento. De repente o telefone toca, ela atende.

 

Sara: Carlos! Oi, você não vai acreditar!

Rebeca: Alô? Sara? É a Rebeca, o Carlos não está.

Sara: Carlos? Carlos, não to te escutando! Bom, deixa eu contar, quando eu terminar, você comenta! Eu tava pra te contar isso faz alguns dias, mas não sabia se devia, porque você sabe, né? Sua boca é enorme…

Rebeca: Sara! SARA! – Ela berra no telefone, não parece ter tido efeito.

 

Sara: Eu peguei um aluno! Estou me sentindo uma professora safada de filme pornô. Olha que coisa mais juvenil! Carlos, ele podia ser meu filho! – Rebeca se senta e leva a mão a cabeça, não conseguindo evitar a cara de choque e o riso. – Mas Carlos, vou te contar… Aquele menino tem um corpo que Jesus! Tudo durinho, sabe? Do jeito que trintão, quarentão, não consegue mais… Tanque, costas, bumbum, e… Bom, tudo. Você me entendeu! – Rebeca ria muito do outro lado. – E aí? O que você acha?

Rebeca: Ai, Sara… Não adianta dizer que não é o Carlos, né? – Ela diz, procurando algum problema identificável no telefone.

 

Sara: Não te escuto! Me liga? – E desligou o telefone. Rebeca ficou sem saber o que fazer, ainda ria, mas se sentia um pouco mal de ter ouvido a conversa dos outros. De repente, batem na porta do escritório.

 

Giovanni: Oi! Ocupada?

Rebeca: Não, não, já tava saindo. – Ela diz, tentando esquecer o que ouvira.

 

Giovanni: Pensei se você não queria ir almoçar. Que acha?

Rebeca: Ótimo! Escuta, você tem alguma coisa pra fazer hoje a noite?

Giovanni: Não.

Rebeca: A editora da minha mãe vai lançar, quer ir comigo?

Giovanni: Ótimo! Finalmente conhecer sua família!

Rebeca: Não fique tão animado. – Eles se beijam e saem para almoçar.

 

 

24. INTERNA – DIA – EDITORA ATUAL – SALA DE EMERSON

[ ♫ I Wanna Know What Love Is – Mariah Carey]

 

Nora esperava na sala do editor, sentada em um sofá, ele terminar de falar ao telefone. Quando terminou, os dois se levantaram e se cumprimentaram.

 

Emerson: Desculpe a demora.

Nora: Imagina. – Ela sorri.

 

Emerson: Então, chamei você aqui, sem seu filho barra advogado, porque visto que o processo legal do seu ingresso na editora já foi bem sucedido, vejo que é hora de falarmos mais, face-to-face, digamos. Tête-a-tête, como diriam os antigos, quando o francês era mais valorizado. – Nora dá um risinho simpático.

 

Nora: Concordo. Queria saber se vocês têm alguma preferência de textos para publicar ou se eu escolho… Os detalhes mesmo.

Emerson: Bom, por ser uma antologia, não podemos publicar muitos textos, porém eu realmente acho que você seja a mais talentosa de todos que estamos publicando e queria muito que você tivesse, no mínimo, uns três textos nesse livro.

Nora: Ora, muito obrigada! – Ela sorri.

 

Emerson: Imagina, se quer agradecer, agradeça a Deus pelo talento que você tem, ou seus pais pela genética, não sei sua corrente. – Os dois dão uma risada curta. – De qualquer jeito, eu estou com esperanças de conseguir que você consiga um livro só para você. Vamos ver os resultados desse…

Nora: Nossa! Imagina que sonho! E eu escolho os textos ou vocês?

Emerson: Olha, eu acho que burocraticamente, nós escolhemos. Porém você pode mandar sugestões e nós avaliamos. Por mim, pessoalmente, você escolheria. Acho todos os seus textos magníficos. – Ela cora e agradece. – Fui eu quem te “descobri”, sabia?

Nora: É mesmo?

Emerson: Sim, então te indiquei para a coletânea dos blogs. Ainda bem que você se sentiu mais a vontade nessa. – Ele sorri.

 

Nora: Ainda bem mesmo! Você é muito mais simpático e solícito que o outro editor. – Ela sorri de volta.

 

Emerson: Flávio é meio mau-humorado mesmo. Mas é uma pessoa boa. Bom, todas as perguntas resolvidas?

Nora: Nossa! Olha que boba eu! Atrapalhando o seu dia…

Emerson: Imagina! Nora, de maneira alguma, você nunca atrapalha. Só não queria que restasse nenhuma dúvida.

Nora: Acho que… – Ela então cogita uma coisa. – Só mais uma. Emerson, você tem programa para hoje à noite? – Ela pergunta e logo se arrepende, considerando a pergunta muito abusada. Antes que ele pudesse responder, ela continua. – É que meu irmão está abrindo uma editora também, veja que coincidência, e ele vai dar uma festa de inauguração. Pensei se você não gostaria de me acompanhar… – Emerson se limita a sorrir por certo tempo. Ela fica preocupada.

Emerson: Claro, Nora. Que horas posso passar na sua casa?

Nora: Oito horas?

Emerson: Combinado. – Os dois sorriem, cumprimentam-se e Nora sai, confusa, mas sorrindo.

25. INTERNA – DIA – RESTAURANTE PANIS ET CIRCUS

Tomás e Sara almoçavam. Sara checava o celular de tempos em tempos.

 

Tomás: Credo, larga esse celular! O que tem de tão importante nele?

Sara: Nada… Eu liguei para o Carlos agora há pouco e a ligação estava horrível, pedi para ele me ligar de volta e nada.

Tomás: Bom, se o telefone estava com o som ruim, deve estar quebrado. Tentou o celular?

Sara: Tentei. Toca, toca e nada. Deve estar no vibra. Ele já nem sente mais. – Os dois riem.

 

Tomás: De qualquer jeito, o que é tão importante assim que você tem que falar com ele com essa urgência?

Sara: Não é nada demais. Fofoquinhas.

Tomás: Sara, por favor, né? Fofoquinha você fala pra mim, pro Júnior… Com o Carlos é só fofoca grande.

Sara: Tomás! Não é nada! – Ela diz insegura, com um sorriso grande no rosto.

 

Tomás: Esqueceu que de todos ali eu sou o que te conheço há mais tempo? Você tá louca pra me contar.

Sara: Certo, mas antes você tem que prometer não contar para ninguém.

Tomás: Prometo, prometo. Fala!

Sara: Eu fiquei com um aluno meu na faculdade. – Tomás levanta as sobrancelhas e faz um bico com a boca, surpreso.

 

Tomás: Assim, na sala de aula? Que coisa mais fetiche… Aluno de sorte.

Sara: Tomás!

Tomás: Sara, lógico que não é por ser você, né? Pelo amor de Deus, isso é nojento. Você é minha irmã. Estou dizendo por causa do negócio da professora… – A imagem de Lavínia vestida como uma professora de uma época mais antiga, com uma palmatória, escrevendo na lousa, olhando sensualmente para ele com uma minissaia surge à mente de Tomás. Ele a afasta, se sentindo culpado.

 

Sara: Nossa, não sabia que você era chegado a essas fantasias.

Tomás: E eu, que você era papa-anjo. – Os dois riem, e Sara sente seu telefone tocar. – Mas sério, Sara… Não vou fazer juízo de valor, mas toma cuidado, tá? Esses negócios costumam ser uma encrenca. – Ela concorda com a cabeça, pensativa.

 

Sara: Olha lá, deve ser o Carlos. Pera aí. – Ela pega o telefone e atende.

Enquanto isso, Tomás observa as outras mesas e nota Lavínia sentada com algumas mesas de distância da sua. Ela estava com algumas amigas, que riam e conversavam. Volta e meia, ela olhava para a mesa dele. Quando os olhares se cruzaram, Lavínia acenou, sorrindo. Tomás acena de volta, sem graça, desviando o olhar, com medo de alguém perceber como se estivesse de fato tendo alguma coisa com a mulher. Sara desliga o celular.

 

Tomás: E aí? O que aconteceu com ele?

Sara: Não era ele. É da escola das crianças… Eduardo bateu num menino. Vou ter que ir até lá. Eles estão muito violentos e agitados ultimamente. – Ela diz, levantando-se e se aprontando. – Você paga? – Ele faz que sim. Ela continua, já pronta para sair. – Ah, desculpa sair assim do nada. Nem falamos de você. Está bem?

Tomás: Sim, sim. Tudo ok. Corre lá. Beijo. – Ela pisca pra ele como agradecimento e corre. Tomás fica lá, bisbilhotando Lavínia de vez em quando e esperando a conta.

26. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO/ APARTAMENTO DE SARA

Larissa e Gabriel estão ao telefone.

 

Gabriel: Ele não deixou você ficar aqui comigo?

Larissa: Não! Você não tem noção de como ele tem me irritado…

Gabriel: Calma, Lissa… A gente dá um jeito. É a Lílian que vai ficar aí com você?

Larissa: Isso mesmo.

Gabriel: Ah, ela é de boa. Eu podia passar aí e…

Larissa: Gabriel, você tem que ficar com seus irmãos.

Gabriel: Não! Eles vão ficar com meu pai, e ele não sabe do acordo que nós temos com seu pai. Então se eu pedir pra ele me deixar aí, ele não vai ver problema.

Larissa: Ótimo, então! – Ela se anima. – Eu te ligo quando meu pai e a Carol tiverem saído.

Gabriel: Fechou! – Ele sorri do outro lado da linha.

27. INTERNA – DIA – CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA

*Fonte do texto: http://www.scribd.com/doc/4333919/Metodo-de-inducao-de-Strosberg-na-hipnose

Carlos estava no consultório da psicóloga, sentado em uma cadeira, de olhos fechados. Rute havia pedido que ele os fechasse e descansasse, tentando pensar em nada, relaxando o corpo.

 

Rute: O objetivo dessa hipnoterapia é revelar informações que você guarda, mas tem inibições de falar. O seu inconsciente será menos problemático quanto a isso. – Carlos ia falar alguma coisa, ela a interrompe. – Eu peço que você não diga nada, pode atrapalhar a concentração.

Carlos se indigna, mas fica quieto, curioso com o rumo que aquilo ia levar.

 

Rute: Se você me ouvir e tentar fazer o que eu digo, eu lhe mostrarei como você pode melhorar seu relaxamento. Isto o ajudará a ficar muito mais confortável e vai eliminar o desconforto ou a dor que você está sentindo. – Ela diz, com a voz mais calma e suave possível. – Permaneça tão confortável quanto possível. Agora faça uma respiração profunda. Inale profundamente e exale lentamente deixando seu corpo o mais relaxado possível. Feche seus olhos e mantenha-os fechados.

Ela faz uma pausa curta, enquanto Carlos obedece palavra por palavra.

Rute: Ainda com os olhos fechados, faça-os girar para cima, para baixo e para os lados. Isso. Mais uma vez. Deixe os músculos de seus olhos ficarem completamente relaxados, tão relaxados que eles deixam de trabalhar. Ótimo. – Ela faz uma pausa. – Neste momento eu lhe pedirei para fazer um teste. O teste é para descobrir o quão relaxados estão os músculos de seus olhos. Quando você fizer esse teste não abra seus olhos só para mostrar-me que você pode abri-los. Eu sei que você pode. O teste é apenas para provar a você mesmo que você está tão relaxado que seus olhos não funcionarão, mesmo quando você tenta fazê-los funcionar. Quando você sentir que eles estão muito relaxados, pode testá-los, e você vai perceber que eles estão paralisados, como se estivessem grudados. Agora, se você estiver completamente relaxado, e pronto para o teste, pode tentar.

Carlos demora um pouco para tentar abrir os olhos. O desconforto que sentia no começo da sessão tinha passado e sentia que seus músculos estavam muito mais relaxados. Quando se sentiu completamente relaxado, tentou. E não conseguiu. Ele se assustou um pouco.

 

Rute: Não tenha medo, isso é ótimo. Mais uma vez, faça seus olhos girarem para cima, para baixo e para os lados. Isso. Agora gire seus olhos para baixo e deixe seu corpo todo relaxar. Tome essa sensação agradável de relaxamento que está em seus olhos e a leve para o resto de seu corpo, do topo de sua cabeça até as pontas de seus dedos dos pés. Esta é uma sensação muito agradável.

Carlos obedece e começa a se esquecer dos membros do seu corpo, como se eles não estivessem lá, mas não era uma situação ruim.

Rute: Agora pense num lugar agradável, pode ser real ou imaginário. Um lugar de calma, paz, serenidade, tranquilidade, seu próprio lugar. Seu lugar secreto especial. Comece a se sentir ainda melhor. Sinta a temperatura… Veja as cores… Ouça os sons… Sinta os cheiros… Sinta o seu lugar especial. – Ela faz uma pausa um pouco maior, enquanto Carlos se imagina em uma cidade bem limpa e bonita, com cheiro vindos de lojas e restaurantes, o som de gente rindo e conversando. – Fique assim por um tempo. Daqui há pouco você vai despertar. Eu vou contar lentamente até 5, e você vai sentir a excitação aumentar a cada número. Quando eu disser 5 você estar totalmente acordado e continuará sentindo-se bem. Tudo voltará ao normal. – Ela dá uma pausa dramática. – 1…

Carlos começa a sentir uma força surgir no seu peito.

 

Rute: 2…

A força subia até sua cabeça.

 

Rute: 3…

Ele começou a ficar tonto e com aquela sensação de energia acumulada, quando se está animado com algo.

 

Rute: 4…

Ele poderia sair correndo e berrando por aí.

 

Rute: 5! – Carlos acorda prontamente. – Carlos, você está bem?

Carlos: Sim. – Ele responde com uma voz meio bêbada. Era seu inconsciente.

 

Rute: Eu quero falar com você sobre relacionamentos, tudo bem? – Carlos faz que sim. – Como você lida com relacionamentos?

Carlos: Eu costumo não me apegar.

Rute: Por quê?

Carlos: Tenho medo.

Rute: Do que exatamente, Carlos?

Carlos: De me dar muito a um relacionamento e não receber a mesma quantidade, de ser abandonado e ficar sofrendo.

Rute: E por que você tem esse medo? O que aconteceu quando você era mais novo que gerou isso?

Carlos: Meu primeiro namorado, o Jorge… – Carlos revivia aquela situação em sua cabeça. Não apenas se lembrava dela, mas sentia exatamente o mesmo do que sentiu quando viveu. Seus olhos começaram a se encher de lágrimas e sua voz ficou ainda mais afetada pelo choro. – Ele mentia para mim sobre várias coisas. Programas que iria fazer, sobre como se sentia por mim. – Ele soluçava. – Chegou a me trair com um amigo.

Rute: Foi só isso, Carlos? – O advogado, com o rosto todo molhado por lágrimas, fez que não. – O que mais te tornou assim?

Carlos: Quando eu era mais velho e estava na faculdade. – As lágrimas continuavam caindo e ele fazia algumas pausas para tentar contê-las, em vão. – Eu tinha um colega de sala chamado Felipe. Ele tinha uma namorada, e obviamente não teria nada comigo. – Todos os sentimentos da época chegavam em enxurradas. O fluxo de lágrimas era maior. – Mas eu gostava muito dele, de verdade e quando não agüentei mais e disse como me sentia a ele, ele me humilhou e falou um monte de coisas sobre mim em frente a classe.

Rute: Entendo… – Ela tinha uma cara passiva, satisfeita com o resultado da hipnose, mas comovida pela situação. – Agora, quando eu chegar no cinco, você vai dormir de novo e acordar aos poucos. 1… 2… 3… 4… 5! – Carlos dorme, jogado na cadeira. Ele dorme por alguns minutos e logo vai abrindo os olhos devagar, assustado. Ele percebe que chorou.

 

Carlos: O que raios aconteceu aqui?

Rute: A hipnose deu certo, Carlos. Fizemos grande progresso. E eu gostaria de conversar com você sobre o que foi revelado aqui…

Carlos: Eu te contei coisas? Não hoje, não posso! Tenho que trabalhar e ir a uma festa ainda! – Ele diz se levantando, assustado com o que acabara de passar.

 

Rute: Carlos, não precisa fugir. Mas faça como quiser, continuamos na próxima sessão…

Carlos: Muito bem. – Ele diz abrindo a porta e saindo.

 

Rute: Carlos. – Ele se vira para ela. – Você se lembra de alguma coisa que disse durante a hipnose?

Carlos: Muito vagamente, mas pelo tanto que chorei, não é difícil imaginar. – Ele diz, forçando um sorriso, e sai, ouvindo apenas vagamente o que a psicóloga diz depois.

 

Rute: Não fique mal, é comum chorar. O seu inconsciente é atemporal e quando eu pedi para ele se focar em uma coisa só, um momento só, vem tudo de uma vez, todas aquelas sensações. Nem a mais forte das pessoas consegue evitar.

28. INTERNA – DIA – ESCOLA DOS GÊMEOS – SALA DA DIRETORA

Sara chega à sala da diretora e lá encontra a própria, Eduardo e Fernando.

 

Sara: Bom dia, desculpa o atraso, estava almoçando e tive que pagar a conta… – Ela olha para Fernando como se perguntasse o que ele fazia ali.

Diretora: Não há problema. Estávamos lhe esperando. – Ela olha para Sara e Fernando e se posiciona ereta, séria. – Senhor Viana, senhora Andrade, o Eduardo hoje bateu num amiguinho só porque ele não quis emprestar o brinquedo.

Eduardo: Mas mããe!…

Sara: Eduardo, a sua diretora está falando. Não interrompa. – O menino se cala.

 

Diretora: Ele tem estado muito violento nesses últimos meses. Rafaela também. Entendo que seja uma situação complicada para vocês e para eles.

Fernando: Não, não. Já faz meses a separação.

Sara: Pois é… Já saímos dessa para outra. – Fernando a olha desconfiado.

 

Diretora: Eu me refiro mais a eles. Peço que tentem resolver isso…

Sara: É claro, desculpa pela situação e obrigada pela atenção. – Ela cumprimenta a mulher, e Fernando a segue. Os 3 saem da sala. – Você não aprendeu que não pode bater, Eduardo?

Eduardo: Mas mãe, eu ia brincar com o brinquedo primeiro, ele foi, pegou e depois não queria me dar.

Sara: Falasse com a professora. Não precisava fazer isso.

Eduardo: Paaai…

Fernando: Sua mãe está certa! Não pode sair batendo por aí. – Ele olha para Sara e fala mais baixo, perto dela. – Partindo para outra, é?

Sara: Ué, o que tem? Você não está com a Bárbara vegetariana perfeita?

Fernando: Não mais… Mas as crianças não sabem ainda, não conte, por favor. – Ela faz que sim, ficando surpresa com mais um término de namoro do ex-marido. Eduardo se distraía sozinho. – E você? Quem é?

Sara: Ninguém. – Ela percebe que fez besteira em insinuar que estava com alguém.

 

Fernando: Sara, qual é? Eu te contei de todas as minhas namoradas. A idéia não éramos sermos amigos?

Sara: O nome dele é Arthur. Mas não é nada sério. Só nos encontramos uma vez.

Fernando: E da onde você conhece ele?

Sara: Fernando, não força.

Fernando: Tenho que saber. Sabe-se lá com quem nossos filhos vão conviver.

Sara: Eles não vão conviver.

Fernando: Ah é? Por quê? Ele beija mal? – Sara solta um risinho, já irritada com a conversa.

 

Sara: Muito pelo contrário! Pelo amor de Deus, Fernando, se você quer mesmo saber é porque ele é meu aluno! – Ela diz aumentando o tom de voz, mas baixo o suficiente para só o ex-marido ouvir.

Fernando dá uma gargalhada, desacreditando.

 

Sara: É sério. – Ela diz séria. O semblante de Fernando também fica sério.

 

Fernando: Sara, isso é ridículo! Ele deve ter o quê? Metade da sua idade? – Ela faz que sim com a cabeça. – É totalmente antiético!

Sara: Eu já disse que foi só um beijo e nada mais e nem será.

Fernando: Ainda bem. Eu não ia aceitar você com uma criança dessas. – Ele diz com firmeza.

Sara: E por que você teria que aceitar alguma coisa na minha vida? – Ela frisa o último pronome.

 

Fernando: Porque também é a vida dos nossos filhos. E um comportamento tão irresponsável assim não condiz com a educação que eu quero pra eles.

Sara: Oh, falou o senhor responsável com suas 500 namoradas e prováveis noites de sexo selvagem.

Fernando: Pelo menos, eu não faço nadas em locais que deveriam ter outros propósitos, como formar profissionais.

Sara: Sabe, eu me recuso a discutir algo desse nível com você. Você não tem moral nenhuma! – Ela se vira para o filho. – Dudu, vem.

Fernando: Não, Dudu. Você vem comigo. Você tem a sua festa, lembra? – Ela tinha esquecido completamente e depois reconhece o evento. – Me diz, ele vai?

Sara: É verdade, Dudu. Amanhã o seu pai te leva lá em casa, tá filho? – Ela dá um beijo no filho. – Qualquer coisa me liga. Não vou soltar do meu celular. – Ela se vira para Fernando. – Você, me esquece. – E sai andando em direção a seu carro.

 

29. INTERNA – NOITE – CASA DE EVENTOS

Vera e Saulo estavam recebendo os convidados durante a abertura da cerimônia. Eles então vêem Nora acompanhada de Emerson.

 

Vera: Quem é aquele com a sua irmã? – Ela pergunta em choque.

 

Saulo: Não sei! Ela nunca saiu com nenhum homem desde a morte de Guilherme. – Ele também se surpreende.

 

Vera: Que coisa inesperada, né? Bem apessoado ele… – Ela comenta e Saulo a olha desconfiado. – O quê? Só estou comentando…

Saulo: Vera, vamos combinar que você já desejou homens da vida de Nora antes.

Vera: Não acredito que você está dizendo isso! – Ela se chateia e ia continuar brigando com Saulo quando Nora e Emerson chegam. – Nora! Que bom que você veio!

Nora: Não deixaria de vir prestigiar o lançamento do trabalho de vocês por nada! – Ela sorri exageradamente.

 

Saulo: Fico feliz que você tenha vindo, ainda mais acompanhada.

Nora: Ah, mas que indelicadeza a minha! Esse é o Emerson, ele é o editor do livro que vou lançar, da Editora Atual. Emerson, esse é o Saulo, meu irmão e Vera, minha… cunhada. – Ela diz a última palavra em seco.

 

Emerson: Muito prazer. A festaestá linda. – Ele diz cumprimentando os dois.

 

Vera: O prazer é todo nosso. – Ela o cumprimenta sorrindo e olhando para Saulo, o provocando.

 

Saulo: Sintam-se a vontade. Encontramos com vocês depois. – Os dois saem e se misturam com os outros. Saulo e Vera se estranham e continuam recepcionando os convidados.

30. EXTERNA – NOITE – CASA DE EVENTOS – ESTACIONAMENTO

Carlos estava estacionando seu carro quando vê Rebeca correndo atrás dele, seguida por Giovanni.

 

Rebeca: Carlos, Carlos!

Carlos: Oi, Rebeca. – Ele diz sem sorrir, ainda mexido com a experiência anterior. Depois acena para Giovanni. – Gilson.

Giovanni: É Giovanni, seu Carlos.

Carlos: Como você quiser. – Ele não dá importância e se vira para Rebeca. – Pois não, o que houve?

Rebeca: Te procurei hoje o dia inteiro. Pelo jeito não foi tão bem na psicóloga.

Carlos: Não quero comentar isso agora. – Ele diz olhando para Giovanni.

 

Rebeca: Olha, a Sara ligou, eu tentei avisar que você não estava, mas acho que seu telefone está quebrado. Ela deixou recado.

Carlos: Ah é? O quê? – Rebeca se aproxima dele para que seu namorado não ouvisse.

 

Rebeca: Assuntos amorosos. Ela queria te contar que ficou com um aluno dela. Ressaltou que ele tem ótimos atributos físicos, como uma bunda durinha. – Carlos e Rebeca riem alto.

 

Carlos: A Sara é impossível! Obrigado por essa informação, era tudo o que eu precisava para alegrar minha noite. – Rebeca concorda com a cabeça e os três seguem para a festa. Giovanni meio afastado, estranhando aquela situação de proximidade entre sua namorada e o chefe dela.

 

 

31. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO – QUARTO DE LARISSA

Gabriel e Larissa estavam no quarto da menina, conversando e assistindo a um filme na TV do seu quarto. Ela apoiada no ombro dele.

 

Gabriel: Eu adoro ficar assim com você, sabia?

Larissa: E eu mais ainda. – Eles sorriem e dão um beijo rápido. – Não sei por que meu pai implica tanto com você…

Gabriel: Pois é… Sou um bom menino. – Ele faz uma auréola com as mãos sobre sua cabeça e os dois riem. – Olha lá, olha lá! Ele vai tirar o coração dela! – Larissa dá um grito de medo e se contrai para perto de Gabriel. Os dois continuam a ver o filme.

 

 

32. INTERNA – NOITE – CASA DE EVENTOS

Carlos estava perambulando pelo salão por um tempo, até que encontra Sara, Carol, Roberto, Tomás, Vitória, Júnior e Bianca em uma roda, conversando. Ele faz sinal para que Júnior, Bianca e Vitória, que o haviam visto, não comentassem nada sobre sua chegada. Ele então se aproxima de fininho e dá um susto em Sara.

 

Carlos: Destruindo corações recém-nascidos então, dona Sara? – Ela pula com o susto. Os outros riem.

Sara: Seu desgraçado! Quer dizer que você ouviu tudo, então? Não me ligou de volta por quê?

Carlos: Não ouvi. Você estava falando com a Rebeca. Ela acabou de me contar.

Sara: Não acredito que eu contei uma coisa dessas para a Rebeca. – Carlos faz que sim com a cabeça.

 

Carol: Contou o quê?

Júnior: Sim, sim, todos querem saber. Joga na roda.

Sara: Nada não. Depois eu conto com calma.

Carol: Não acredito que você vai negar uma boa fofoca para sua irmã.

Tomás: Sara ficou com um aluno na sala de aula. – Ele diz rápido. Sara dá um tapa fraco no seu braço.

 

Sara: Tomás!

Vitória: Não pode ficar contando essas coisas na frente de todo mundo!

Tomás: Ué, ela devia estar orgulhosa… Com 40 anos, conseguiu um rapazote que mal saiu das fraldas. Tem noção que ele é mais novo que a Rebeca?

Sara: Ótimo, agora revela minha idade.

Bianca: Não aparenta quarenta anos nem de longe! – Sara sorri e agradece.

 

Júnior: É sério isso? E como foi?

Carol: Saaaaara! – Ela diz meio incentivando, meio condenando.

Sara: Gente! Olha o Roberto aqui, a Bianca! Ela mal conhece nossa família, imagina a imagem que ela vai ter da gente, principalmente de mim!

Bianca: Relaxa na bolacha, querida. Nada que vocês contem ou façam vai ser demais para mim.

Roberto: Não se preocupem comigo. Já estou acostumado. Além do quê, Lilian me contou aquela outra história… – Ele e Carol riem.

 

Carlos: Você ouviu os agregados… Pode ir contando!

Sara: Esse menino vêm me paquerando já faz alguma semanas, daí nessa semana, ficamos só eu e ele na sala de aula… E bem, não resisti. Foi uma coisa de momento.

Júnior: Ele é menor de idade? Isso dá cadeia, Sara!

Sara: Ele tem 20 anos!

Carlos: Ainda assim é totalmente antiético… Ai que irmãzinha fora-da-lei mais bonitinha que eu tenho! – Ele se inclina em direção a ela e aperta as bochechas da irmã. – E eu sempre achei que a primeira a fazer algo assim seria a Carol… Ah é, e foi. Escrevendo na editoria de política enquanto namorava um deputado…

Carol: Carlos, você é ridículo.

Tomás: Concordo.

Júnior: Mas isso é senso comum. Não precisa ninguém apontar. – Júnior sorri forçadamente para Carlos, que retribui. Todos riem.

 

Sara: Chega de falar do Carlos, né? Ou de mim… E a mamãe, ela vem?

Carol: Acho que não…

Carlos: Você espera que não. – A outra mostra a língua para ele.

 

Júnior: Ela vem sim. Tio Saulo pediu para avisar vocês para não comentar nada com ela, porque a Vera ia passar lá e convidá-la pessoalmente. Eu esqueci, mas pelo jeito ninguém comentou, não é mesmo?

Tomás: Nossa, Vera passou lá para convidar pessoalmente? Mas ela não está nem de olho roxo…

Vitória: Olha lá a dona Nora vindo. – Ela diz e todos olham para onde a mulher de Tomás olhava. – E está acompanhada!

Nora chega e cumprimenta todos de longe, Emerson faz o mesmo.

 

Nora: Gente, esse é o Emerson, meu amigo. E Emerson, essa é minha família.

Emerson: Muito prazer, gente. – Todos respondem que o prazer era deles, com caras de tacho.

Júnior: Como assim? Amigo de onde? – Ele pergunta baixinho para quem estava mais perto.

 

Carlos: Ele é o editor do livro dela. Bem que notei um clima.

Tomás: O que há com as mulheres dessa família? Há uma tendência em misturar trabalho com romance, né? Nem a Rebeca escapa… – Ele olha de soslaio para Sara.

 

Sara: Eu odeio vocês. Sério.  – Eles perdem o foco e prestam atenção na conversa geral novamente.

Nora: Bonita a festa, não é?

Júnior: É sim. E então, mãe, a vovó não veio?

Nora: Não, ela não se sentiu muito disposta. – O olha de Nora cruzou com o de Carol, apesar das duas estarem se evitando desde que a mãe chegara. Elas afastam o olhar.

Carlos: Conheço o nome da indisposição dela.

Nora: Pois é… – O grupo acaba se dividindo um pouco, tendo algumas conversas paralelas. Os Andrades aproveitavam para conhecer melhor Bianca e Emerson.

 

Carol: Nossa, mãe, você veio de salto alto. Não te vejo usar salto alto faz uns… o quê, 10 anos? Você disse que nunca gostou, que incomodava seu pé.

Nora: Pois é, filha. Resolvi usar hoje, dar uma mudada no visual. – Os outros ficaram tensos, com exceção de Emerson e Bianca, que não sabiam direito da briga entre as duas.

 

Carol: Ah sim. Só comentei porque, não sei, né? Parece que você tá até cedendo por um homem. – Sara acha melhor distrair Emerson, pois estava prevendo que iriam sobrar farpas para ele. Ele dispersa a conversa, querendo prestar atenção.

 

Nora: Carol, não confunda as coisas. Usar salto alto não é a mesma coisa de desistir de um sonho profissional e da sua família! – Carol vira para o lado, irritada. – Não dá pra falar com você. Eu vim aqui hoje pacificamente. Acatei sua decisão. Se você não quer mais falar comigo, não fale. Mas também não te dou o direito de ficar me provocando.

Carol: A senhora é impossível de lidar! – Ela faz menção de sair.

 

Roberto: Carol! – Ela ignora o namorado e sai de qualquer jeito.

 

Tomás: Pera aí que eu vou com você! – Ele sai atrás da irmã.

 

Roberto: A senhora podia facilitar…

Nora: Roberto, não é nada pessoal, mas a discussão é entre mãe e filha. Não se meta.

 

Roberto: Tem tudo a ver comigo sim, Nora. Eu sou o motivo da discussão. Agora, eu acho que você poderia olhar um pouco mais para dentro antes de pedir coisas da sua filha. Repense e veja se não é só ciúmes, sim? – Ele sai, irritado.

 

Nora suspira. Emerson fica chocado, sem saber o que dizer ou fazer.

 

Nora: Então, gente… Vocês acham que essa editora vai pra frente? – Ela pergunta sorrindo repentinamente, a cabeça ainda em Carol, um pouco arrependida.

 

 

33. INTERNA – NOITE – CASA DE EVENTOS

Tomás vai atrás de Carol, que foi para o bar.

 

Tomás: Carol, Carol! Espera!

Carol: O que é, Tomás? – Ela pergunta, ríspida.

Tomás: Nada, só vim tentar ajudar. Dar meu apoio. Lembra? Eu fui o último a brigar com ela. – Ele pede duas caipirinhas. – Considerei vinho, mas pinga desce mais rápido, certo?

Carol: Obrigada. – Ela tinha os olhos marejados, de raiva. – Eu não sei mais o que eu faço.

Tomás: Espera. Espera que passa. E vocês vão se acertar.

Carol: Eu quero construir minha vida com Roberto, sabe? E ela fica colocando tantos empecilhos, por quê? Por que ela não fez o mesmo com você e Vitória, ou Sara e Fernando? Aposto que até com o Sérgio ela estava ansiosíssima que os dois morassem juntos e olha que o Carlos nunca foi um exemplo nos relacionamentos amorosos.

Tomás: Por que vocês são muito parecidas e batem de frente. Já disse, dê tempo ao tempo.

Barman: Suas caipirinhas. – Ele diz, as entregando, depois se vira para outra pessoa.

 

Carol: Ai, não sei… Ela me tira do sério… – Ela pára e respira. – Mas vamos mudar de assunto, porque esse já deu o que tinha que dar… E você, como tá?

Tomás: Olha, sinceramente? Bem confuso. – Carol faz uma cara de incógnita. – Eu conheci uma mulher, Lavínia o nome dela, na clínica de fisioterapia quando eu já estava terminando e ela começando. Desde então, não pára de me seguir. Foi à livraria, já a encontrei em um restaurante hoje mesmo… Ela fica dando em cima de mim e eu confesso que tenho que ter uma força de vontade enorme para não cair em tentação.

Carol: Mas Vitória é tão boa com você e o casamento de vocês não tem tido problemas, tem?

Tomás: Mais ou menos… Quer dizer, Vitória é ótima e tudo, muito carinhosa, inteligente, determinada. Mas essa mulher tem mexido com a minha cabeça. Vitória não pode mais fazer muitas coisas na cama, e eu não digo que isso seja um problema no casamento, mas abala, sabe?

Carol: Tomás, pelo amor de Deus, não vá dar uma de papai.

Tomás: De jeito nenhum, até pelo contrário. Já estou me sentindo super culpado e nem toquei nela. Não vou cometer os mesmos erros que ele.

Carol: Assim é melhor.. Viu, vou embora… Já não tenho mais ânimo para ficar nessa festa. Obrigada pela conversa e pela caipirinha, me acalmou um pouco.

Ela se despede do irmão e sai para buscar Roberto. Tomás termina sua caipirinha e depois volta para o grupo familiar.

 

 

34. INTERNA – NOITE – CASA DE EVENTOS

Rebeca e Giovanni estão conversando com Vera e Saulo.

 

Vera: É um prazer te conhecer, Giovanni. Rebeca fala muito de você e eu estava realmente ansiosa.

Giovanni: Imagina, dona Vera, o prazer é todo meu. Devo dizer que vocês realizaram um ótimo evento.

Vera: Ah, muito obrigada. Que rapaz simpático, Rebeca. – Ela diz virando-se para a filha, que sorri.

 

Saulo: E o estágio de vocês dois, como está?

Giovanni: Indo bem, eu acredito. A minha chefe é muito boa e profissional. Já o de Rebeca, eu não sei. Meio estranho. – Vera e Saulo olham para ele, sabendo que se trata de Carlos.

Rebeca: Hm… Giovanni, vamos esquecer esse assunto.

Vera: É por que vocês não circulam por aí? Vêem o resto da festa.

Saulo: Boa idéia. Júnior perguntou de você. Ele deve estar por aí.

Rebeca: Ah, claro! Não o vejo faz tempo! – Ela e Giovanni saem.

 

Giovanni: Ele não saiu da sua casa? Não deveria nem querer vê-lo mais.

Rebeca: Giovanni, não fala besteira. Ele ainda é meu irmão.

 

Giovanni: Você tem relacionamentos estranhos com seus irmãos, né? Um é seu chefe e o outro parece mais um namorado… – Ele diz ressentido.

Rebeca: Não vou ficar ouvindo isso. Se você não quer ver Júnior, pode ir lá dar uma circulada. – Ela responde brava. Ele faz uma cara de quem comeu e não gostou.

Giovanni: Eu vou com você. – Os dois saem andando.

35. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES – SALA

Diva havia tirado do armário uma caixa de fotos antigas que mantinha, meio que em segredo. Passava pelas fotos de Paulo, Nora e Saulo quando bebês, crianças de várias idades diferentes e adolescência. Fotos do casamento de Nora, do nascimento dos seus filhos. De Paulo com seus amigos revolucionários, com uma namorada de antes de ser preso. Saulo na faculdade, com os sobrinhos, com o irmão. Dos três juntos com ela e com seu marido falecido. Ela sorria triste.

 

Diva: Paulo morreu pelo que acreditava, mas ficaria feliz agora vendo como a ditadura terminou. Saulo viveu a vida toda na sombra dos irmãos, mas hoje está realizando seu sonho e seguindo seu caminho. Nora está lançando um livro e se libertando da influência de Guilherme. Já posso deixar de me preocupar com meus filhos. – Uma lágrima cai enquanto ela sorria, nostálgica.

 

 

36. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO – SALA/ QUARTO DE LARISSA

Roberto e Carol chegavam em casa, com seus ânimos exaltados.

 

Roberto: Eu juro que sua mãe está me tirando do sério!

Carol: A mim também, mas, por favor, não faça nada.

Roberto: É claro, sou diplomático, mas que estou irritado, estou. Com toda essa situação. – Eles abrem a porta e vêem Lílian dormindo no sofá, assistindo TV. – Que ótima babá! Se viesse um ladrão aqui para raptar minha filha, encontraria uma mulher dormindo. Super amedrontador. – Ele diz rindo.         Vou ver se Larissa já dormiu. – Ele vai ao quarto da filha.

 

Chegando lá, ele abre a porta e encontra Larissa deitada no tórax de Gabriel. Os dois dormindo na cama da menina.

 

Roberto: Larissa! – Ele grita, alto o suficiente para os vizinhos a dois andares de distância poderem ouvir. Os dois adolescentes acordam assustados e ficam em pé. Carol chega correndo ao quarto da enteada e leva a mão à cabeça quando vê a situação, vendo que a noite seria ainda mais complicada. –O que é isso? Podem me explicar? Vocês dois dormindo aqui?!

Carol: Roberto… – Ela diz, tentando acalmá-lo.

 

Roberto: Você, – Ele diz apontando para Gabriel. – ligue para o seu pai agora e peça para ele vir buscá-lo. E você, – Ele aponta para Larissa. – está de castigo por tempo indeterminado. Não sairá do seu quarto. Será escoltada para e da escola pelo motorista, que terá ordens rígidas para não ser engabelado. – Os dois olham sérios para Roberto, assustados. – Vamos, vamos, rapaz! Não estou vendo nenhum movimento.

Gabriel: Seu Roberto, não é nada que o senhor está pensando…

 

Larissa: Pai, o Gabs veio aqui ver um filme comigo. Só isso.

Roberto: É lógico que é só isso! Se fosse algo mais, o “Gabs” – Ele diz irônico – não teria mais pescoço. Você me decepcionou muito, Larissa. Realmente esperava que você cumprisse o combinado de só vê-lo nos fins de semana. Eu deixei você namorar, não deixei? Em troca, eu esperava que você me respeitasse quanto a isso. – Ele pára e vê que Gabriel está lá ainda. – E você? Não foi ligar para o seu pai ainda por quê? – Gabriel sai correndo.

Carol: Acho melhor sentarmos e conversarmos isso direito.

Roberto: Não há nada a ser conversado. Eu determinei regras e queria que as cumprissem. Caso contrário, haverá punição, a qual já determinei também.

 

Carol: Escuta, amor. Os dois já estão numa idade em que querer namorar é natural. E precisa ser supervisionado, mas incentivado, caso contrário, eles vão fazer isso escondidos, como fizeram. – Larissa concorda com a cabeça, petulante. Carol lhe lança um olhar recriminador. – Eu confesso que pensei que os dois fossem mais responsáveis e me decepcionei um pouco. Mas precisamos achar um meio termo.

Roberto: Carol, não inventa.

Carol: Você quer encarar que sua filha vai namorar quando, Roberto? Em 2039? Pára e pensa.

Gabriel: Já liguei para o meu pai. Ele está vindo. – Ele se senta na cama para colocar os sapatos.

Roberto: Ótimo. Calce o tênis e vá esperar na sala. Você – Ele aponta para Larissa. – fica aqui. – Carol e Roberto saem, ainda conversando sobre o assunto.

 

Gabriel: Ufa, essa foi por pouco.

Larissa: Por pouco? Gabriel, nós quase fomos comidos vivos.

Gabriel: Pelo menos, a gente não teve que terminar. – Ele ia beijá-la de leve, mas ela o interrompe.

 

Larissa: Você enlouqueceu? Meu pai está aqui ao lado. – Ele se cala e volta a calçar o tênis.

 

 

37. INTERNA – NOITE – CASA DE EVENTOS

Todos os Andrades remanescentes na festa e seus agregados, incluindo Rebeca e Giovanni, estavam sentados em uma mesa grande, virada para um pequeno palco, onde dali a pouco Vera e Saulo fariam um pequeno discurso.

 

Sara: Rebeca, desculpa ter te enchido mais cedo de tanta coisa desnecessária para você.

Rebeca: Imagina, Sara. Eu que peço desculpas por ter ficado ouvindo e não desligado.

Carlos: Além do que, a Rebeca já é da família, hora ou outra ela ia descobrir. – Eles sorriem simpáticos. – E então, Gilson? O namoro tá sério entre você e Rebeca?

Giovanni: É Giovanni. E está sério, sim. Obrigado por perguntar. – Carlos sorri falsamente para ele e Giovanni retribui.

 

Bianca: É tão lindo isso, né? Todo mundo namorando, eu e o Ju, vocês dois! – Ela comenta, se referindo a Rebeca e Giovanni. Ela então percebe Sara e Carlos sozinhos na mesa. – Ah, desculpa. Sou tão indelicada.

Carlos: Não se desculpe, Bianca. Sara não veio acompanhada, mas tem um bom Baby Beef na faculdade, e quanto a mim, bom, um dia meu homem há de vir. – Giovanni olha para ele desconfiado, estranhando o comentário.

 

Rebeca: Vocês estão namorando? – Ela faz a pergunta de modo geral, mas olha diretamente pra Júnior.

 

Júnior: Estamos. Não sou de ficar enrolando muito. – Os dois estavam sérios. Rebeca solta um sorriso amarelo.

 

Rebeca: Parabéns.

Tomás: Júnior não é de enrolar mesmo, né? – Ele, Vitória, Nora e Emerson, que conversavam separados se unem a conversa. – Esse aí pegava uma, duas, três, mas não enrolava nenhuma.

Vitória: Tomás, isso é coisa que se diga na frente da menina?

Bianca: Ah, tudo bem. Eu sei que comigo é diferente.

Nora: Mas nos conte, Rebeca, onde conheceu esse rapaz? Nós não conversamos faz tanto tempo!

Rebeca: Ele faz estágio na Barbosa & Lima também.

Nora: Ah, também é estagiário do meu Carlos?

Giovanni: Não senhora, de outra advogada.

O celular de Sara vibra e ela olha, é uma mensagem de Arthur, dizendo: Saudades. Não vou conseguir esperar até a próxima aula. Beijo, Arthur. Ela se lembra que deu seu celular como contato na primeira aula do ano. Se arrepende. Percebe que Carlos está inclinado sobre o celular, lendo a mensagem.

 

Carlos: Gente, esse menino consegue ser mais brega? – Ele diz alto e todos olham para ele, pensando que é por causa de Giovanni. – O quê? – Eles desviam o olhar.

 

Sara: Horrivelmente brega. Confesso que no momento que eu estou de seca, acho até bonitinho.

Carlos: Olha lá, hein, Sara? Sem brincadeiras agora, isso dificilmente vai te trazer qualquer coisa boa e até eu, o chorão da hipnose de relacionamentos, sei disso.

Sara: Ah, é lógico. Maldito o momento que eu beijei esse menino. Em menos de uma semana, só repercutiu em coisas ruins.

Nora: Shh! Prestem atenção. Vera vai falar. Essa eu não perco.

Vera: Muito obrigado a todos, por terem vindo aqui hoje à noite, prestigiar o lançamento da nossa editora, Quatro Estações. A Quatro Estações, com certeza, será um negócio de grande sucesso, pois tem como filosofia, a compreensão do ser humano, e logo, de nossos clientes, como algo complexo, que não pode ser classificado em sim ou não, preto ou branco, certou ou errado. O ser humano é mais, ele é como as estações do ano. – Ela olha para os Andrades e vê sua filha no meio deles. Sorri.

 

Vera: Ora está como o frio do inverno, da inveja, da estratégia, do desprezo, da mágoa, – Nora fica tocada pelas palavras da cunhada e reflete sobre seu relacionamento com Carol. – ora como o calor do verão, da paixão, da raiva, da vergonha. – Sara relê a mensagem de Arthur. – Pode sentir o desabrochar de novas emoções, de descobertas, de novos cheiros, sensações, assim como na primavera. – Tomás olha para Vitória com carinho e culpa. – Também pode se sentir inseguro – Júnior olha para Rebeca de relance e volta o olhar para Bianca, sorrindo. Logo em seguida, Rebeca faz o mesmo. – ou em paz consigo mesmo, – Carlos leva a mão ao bolso, onde estava sua carteira com o número de Diego. – como no outono. E o único outro elemento que tem essa pluralidade assim como o ser humano, são os livros. É por isso que nós acreditamos que podemos sim mudar a vida das pessoas. – Ela encerra o discurso e dá lugar para Saulo falar de assuntos mais específicos de negócios. Todos aplaudem e ficam com as palavras de Vera na cabeça.

3 Respostas to “Quatro Estações”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera.

    Amei esse episódio!!!

    Ri muito com ele.

    O interessante que todos apareceram com um certo equilíbrio, ou seja, não houve um destaque para dado personagem, apesar da Sara e do Carlos terem chamado mais a atenção.

    Falando nisso, que pegação foi aquela da Sara com o Arthur??? Gente, que loucura!!! Só espero que não ele não apronte nada pra cima dela, tipo, algum tipo de sacanagem ou aposta com alguém, só para ferrá-la.

    E o Carlos?? Estou com pena dele… Será que ele sairá desta?? Tensa a cena na terapia. Digo mais, como uma pessoa consegue deixar marcas para todo o sempre em outra… Uma grande amiga sempre me diz que as pessoas somente fazem isso porquê permitimos. Enfim… É bola pra frente né.

    Ah, adorei a cena do teatro, ri demais com ela. Tadinha da Pâmela, não deu uma dentro à noite toda. XDDD

    Que bom que D. Diva voltou, ela faz muita falta!!! Tocante a cena dela com as fotos!!!

    Vem cá, e esse implicância do Carlos com o pobre do Gilson?? Ups, Giovani?? Será ciúmes da Rebeca?? Gostei tb do rumo que a relação dos dois está tomando. Pelo visto ela está sendo aceita pela família.

    Espero que o Tomás não ceda às tentações da Lavínia. Mulherzinha ordinária!!!!

    Para finalizar, minha menção honrosa à Vera. Foi pessoalmente entregar o convite à Nora, não desceu do salto e ainda deu um tapa de luva de pelica em todos com seu discurso. Tirei o chapéu para ela.

    Até o próximo episódio!!!

    Bjs e abraços.

  2. Natie Says:

    Ei genteeeeee!! Nossa, que saudades daki… Hj deu um tempo e corri pra cá pra ler os ultimos episodios!! 😀

    Bom, ADOREI o 2×07!!!

    Pra começar, NOSSAAA! As pessoas estão extramamente atiradas! hahah… Primeiro a Lavinia, depois o aluno da Sara (alias, UAUUU que cena foi aquela na faculdade? E depois ela contando pra Rebeca… hahaha) e até a Nora!! Quem diria!! heheh…

    É tão engraçado ver essas cenas do Roberto com a filha e o Gabriel… É tão típico de pai esse comportamento!! E q casal fofo eles formam!! É tudo tãooooo inocente… hehe… Adorei a cena q ele pega os dois lá no quarto… dormindo! hehe…

    Gilson!!!! hahah… Ri demais! Tava tão na cara que o Carlos tava fazendo só de sacanagem… E aliás, legal a cena da hipnose! Tem um professor meu na faculdade q dá cursos de hipnose e vive falando deles na sala de aula, mas nunca chegou a especificar como eles funcionam…

    Tomás vai resistir por mais qto tempo? Algo me diz q não por mtu…

    Quero ver a Carol e a Nora terem um momento para discutir a relação!! Elas não podem ficar nesse climinha!!

    Nora chamando a Vera de cunhada! Uau, que avanço!

    Diva de VOLTAAAA!!! Adorei qdo li!

    E o final não podia ser melhor com esse discurso da Vera… Amei as palavras, imaginei a cena e foi a 1ª q eu realmente gostei da personagem…

    É isso pessoal, vou ler o 2×08!!

    Beijooooooos!

  3. Lenon Fernandes Says:

    Eu sei que Sara está carente e sozinha, mas o que ela está fazendo? Com um aluno? Ela pirou?

    Adorei Carlos na hipnose. Parece que teremos uma temporada intensa para ele.

    Carol e Nora podiam parar e perceber que nenhuma das duas está errada ou certa, mas cabeça-duras como são,nenhuma delas vai abrir mão.

    Quando Roberto vai perceber que a filha cresceu ou que Carol quer participar da vida dela também. Ela está dentro quando ele quer, quando ela não concorda com ele, diz que não tem nada a ver com ela.

    Tomás tem que parar de se colocar em situações de risco e prestar um pouco mais de atenção na esposa. Ela se acidentou a pouco tempo, se descobrir que ele está olhando para outra…

    Esses namorados de Rebeca e Junior são um saco. Bem que eles podiam terminar logo e ficarem juntos… kkkkkkkkkkkkkk

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