Nos episódios anteriores: Roberto e Carol se casam. Notícias desfavoráveis a Roberto começam a sair na imprensa. Júnior presta vestibular. Rebeca começa a trabalhar como fotógrafa na Quatro Estações. Sara e Fernando têm uma recaída, que fica mais séria. Vera e Saulo se distanciam.

01. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA – QUARTO

Sara e Fernando passaram a noite juntos, no apartamento dela. Ela programou o celular para despertar vinte minutos antes dos filhos acordarem para a escola, para que Fernando pudesse sair sem ser visto.

Fernando: Ainda acho isso ridículo. Me esconder dos meus próprios filhos.

Sara: Nós já conversamos sobre isso. Não quero que eles criem falsas expectativas, já que nem nós sabemos onde isso vai dar.

Fernando: Na verdade, eu sei, a dúvida está em você.

Sara dá um sorriso forçado e joga a camisa de Fernando. Ele se veste e os dois abrem a porta do quarto, caminham sem fazer barulho até a porta de saída, quando a porta do quarto de Rafaela e Eduardo se abre. Sara abre a porta de saída rapidamente e empurra Fernando para fora. Ele tenta voltar para um selinho de despedida, mas ela bate a porta na cara dele.

Eduardo: Mãe?

Sara: Dudu? Já acordou, meu filho? Você poderia dormir mais 5 minutinhos…

Eduardo: Eu tive um pesadelo…

Sara: Foi? Qual? – diz, pegando Eduardo no colo e sentando com ele no sofá para ouvir o sonho ruim que ele teve sobre o trágico fim do Ben 10.

02. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL – COZINHA

Larissa: Bom dia. – diz, aparentemente desanimada.

Carol: Bom dia, Lissa. – responde, em pé, tomando um pouco de suco de laranja.

Roberto: Bom dia, meu bem. – diz, enquanto lê o jornal, sentado à mesa. Ele lê mais uma notícia sobre o possível desvio de verba de sua campanha e exclama. – Droga!

Carol: Mais notícias ruins?

Roberto: Uhum.

Larissa: Pai, como vocês ainda não encontraram o culpado por isso?

Roberto: Nós estamos fazendo o possível, minha filha, mas é complicado. Se há um desvio, nós não sabemos ainda de onde veio, nem de como chegou até nós.

Larissa: O que você acha, Carol?

Carol estava calada e aérea, pensando, sim, nas notícias, mas preferia não emitir opinião.

Carol: Eu não sei, Lissa. É um caso complicado. Mas, se houve o desvio, há um culpado e ele precisa ser encontrado.

Roberto percebe que Carol está escondendo alguma opinião, mas não diz nada na frente da filha.

Roberto: Vamos? Você vai ser atrasar, mocinha.

Larissa: Já terminei.

Os três pegam seus pertences e saem.

 

03. INTERNA – DIA – CASA DE NORA – COZINHA

Nora, Diva e Júnior tomavam café juntos. Mais uma vez, as notícias sobre o desvio de verbas da campanha de Roberto eram tema.

Diva: Francamente, eu estou desapontada.

Nora: Mamãe, nós não sabemos se ele sabia ou não.

Júnior: E temos que apoiá-lo.

Diva: A política do Brasil é sempre essa sujeira, meus filhos. Não há um que se salve. E que seja punido também.

Nora: Tudo bem, mamãe. Tenha a sua opinião, mas, por favor, não solte suas frases na frente do Roberto e da Carol, tudo bem?

Diva: A liberdade de opinião já foi conquistada, Nora.

O celular de Júnior toca. É Rebeca.

Júnior: Oi, Beca. (…) Saiu? Vou ver agora! – Ele desliga. – O resultado do vestibular saiu. – Ele corre para pegar o notebook.

Nora: Ah, meu Deus. Eu fico tão nervosa nessas horas. Lembro quando foi com seus irmãos. O resultado saia na rádio, nome por nome, mas agora essa internet antecipa tudo, perde a graça.

Ele chega com o notebook e começa a acessar. Minutos depois, ele lê o seu nome.

Júnior: PASSEI!!!!

Nora: Ah, meu querido. Que emoção! – diz, dando um abraço no filho.

Diva: Parabéns, meu neto.

Nora: Isso merece um jantar. Vou começar a ligar para os seus irmãos.

 

04. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA – CORREDOR

Pâmela estava com o celular na mão, tentando fazer uma ligação, quando Carlos passa.

Carlos: Ei, já sabe da novidade?

Pâmela: Já, estou tentando ligar para ele, mas está dando ocupado.

Carlos: Devem ser os irmãos ligando para dar os parabéns ou Dona Nora ligando para convocar para o jantar de comemoração.

Pâmela: É, não posso competir com Andrades e telefones juntos, não é mesmo?

Carlos: Se eu fosse você, nem tentava.

Os dois riem.

Pâmela: E essa reunião? Aconteceu alguma coisa?

Carlos: Não sei. A Guilhermina convocou sem maiores detalhes. Os dois se encaminham para a sala de reuniões.

05. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA – SALA DE REUNIÕES

Carlos, Pâmela e mais dois funcionários são os últimos a entrar e ficam em pé. A sala estava lotada, com todos os funcionários da Barbosa Lima. Notava-se, pela cara de Guilhermina, que algo de muito grave havia acontecido.

Guilhermina: Bem, eu convoquei esta reunião, pois nós sofremos um grande baque ontem. Nós estamos visivelmente perdidos e perdendo o caso Longavida. Os funcionários que estão processando a empresa conseguiram provas de que as horas extras não eram contabilizadas de maneira correta. Essas provas já estão com o advogado dos trabalhadores e chegarão às mãos do juiz em breve. O problema é que só três pessoas sabiam dessa prova. Eu, o Rafael e o nosso cliente. Só há uma maneira disso ter vazado e foi do nosso escritório.

Começa um burburinho e Guilhermina eleva a voz.

Guilhermina: Eu quero deixar bem claro que isso será investigado e os culpados serão automaticamente desligados da empresa.

Todos se entreolham.

Guilhermina: Obrigada.

Todos começam a sair e Carlos vai até Guilhermina.

Carlos: Guilhermina, há algo que…

Guilhermina: Agora não, Carlos. Agora não.

Ela desvia de Carlos e vai para a sua sala.

 

06. INTERNA – DIA – COLÉGIO DE LARRISA E GABRIEL – SALA DE AUDIOVISUAL

Larissa estava com alguns amigos para a reunião de organização de um festival que seria realizado em alguns dias na escola.

Amanda: Quem pode ficar responsável por organizar os competidores nos bastidores?

Luan: Eu fico.

Tábata: Eu fico com o Luan.

Amanda: E a gente precisa também de dinheiro para comprar os troféus. A direção já disse que não vai dar mais do que deu.

Valéria: Ah, pede pro pai da Lissa.

Larissa: Como?

Valéria: Parece que dinheiro está sobrando na campanha dele.

Larissa: Repete isso, Valéria. – diz, levantando-se em direção à menina e sendo segurada por um amigo.Podem conseguir outra pessoa pro meu lugar, Amanda. Estou saindo da comissão organizadora.

Larissa sai, revoltada e ofendida.

Amanda: Então você assume a arrecadação de dinheiro, Valéria. Sua bocuda.

Valéria faz cara de desprezo.

 

07. INTERNA – DIA – COLÉGIO DE LARRISA E GABRIEL – SALA DE AULA

Larissa liga para Gabriel e desabafa o.

Gabriel: Tá tudo bem?

Larissa: Eu ainda estou com vontade de quebrar a cara daquela menina.

Gabriel: Amor, eu sei que a situação está difícil, mas tenta ignorar. Seu pai vai conseguir provar a inocência dele.

O olhar de Larissa se perde ao ouvir as palavras de Gabriel, buscando nelas a certeza que ela mesma não tinha.

Larissa: Você acredita mesmo? Promete?

Gabriel: Claro!

Larissa abraça Gabriel, mais calma e confortada.

 

08. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA – SALA

Júnior vai atender a porta e Rebeca pula em seus braços. Ela foi a primeira a chegar.

Rebeca: Parabééééééns!

Júnior: Obrigadooooo!

Rebeca: Nossa, fiquei tão feliz por você. Eu sei o quanto você se esforçou.

Júnior: E eu tenho que agradecer o seu apoio. Sabe que muito disso tem dedo seu.

Rebeca: Imagina! O esforço foi todo seu.

Júnior: Ah, falando em esforço… – ele se dirige até um criado-mudo. – Tcharam. – diz, mostrando uma revista para Rebeca.

Rebeca: E isso é?

Júnior: Folheia.

Rebeca deixa sua bolsa no sofá e pega a revista intrigada. Começando a folhear, demora a encontrar o que Júnior quer.

Júnior: Eu coloquei um post-it na página que eu quero que você veja, pra facilitar.

Rebeca lança um olhar de reprovação para Júnior e acha o post-it, chegando à página que Júnior queria.

Rebeca: Ei… essa foto quem tirou fui eu.

Júnior: Eu sei.

Rebeca: Como ela veio parar aqui?

Júnior: É uma revista do Ágora. A Carol mandou.

Rebeca: Ah, eu não acredito. – diz, emocionada.

Júnior: Feliz?

Rebeca: Emocionada. Ela acreditou mesmo em mim. Preciso agradecer.

 

09. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA – COZINHA

Algum tempo depois, mais alguns Andrades já haviam chegado e ajudavam a mãe a pôr a mesa.

Sara: A senhora não toma jeito, não é? Olha o tanto de comida que deve ter cozinhado sozinha.

Diva: Sozinha não. Eu ajudei.

Sara olha para a avó e sai da cozinha, segurando uma tigela de arroz, para não brigar mais.

Diva: Como controla, essa menina.

Tomás: Olha quem chegou e quis vir correndo dar um beijo nas avós?

Caio entra na cozinha e corre para dar um abraço em Nora e outro em Diva. O abraço em Nora é mais efusivo do que o em Diva.

Nora: Meus queridos. O jantar já vai ser servido. Sentem-se à mesa.

Tomás e Caio saem da cozinha e Nora e Diva levam as últimas tigelas. Carol chega acompanhada de Roberto e Larissa, e Sara é a primeira pessoa com quem ela cruza.

Carol: Oi – diz, aproximando-se para um beijo de cumprimento.

Sara: Oi. – retribui o beijo.

Carol: Tudo calmo por aqui? – diz, tentando puxar assunto.

Sara: A comida não está voando ainda, então, acho que está tudo bem, sim.

Carol dá um sorriso amarelo. A relação das duas tinha evoluído, mas ainda não era como antes.

Rebeca: Carol! – diz, efusiva.

Carol: Oi. – diz, ganhando um abraço da irmã. – Pela força do abraço, já viu a surpresa.

Sara acompanha a conversa.

Rebeca: Vi. Obrigada.

Carol: Não precisa agradecer.

Rebeca: Não, sério… Significa muito pra mim.

Carol: Beca, você é talentosíssima. Suas fotos são excelentes. Você vai longe ainda e deve investir na sua carreira.

Rebeca e Carol dão mais um abraço, enquanto Sara se distancia, apenas observando.

Nora: Atenção! O jantar está servido.

A campainha toca.

Nora: Está faltando alguém?

Júnior: Sim. – ele vai abrir a porta. É Pâmela.

Pâmela: Boa noite.

Todos: Boa noite.

Júnior: Agora nós podemos começar.

Pâmela se posiciona do lado de Carlos.

Carlos: Você, né?

Pâmela: Achou mesmo que eu não seria convidada e ainda me fez pagar um táxi até aqui?

Carlos: Aposto que você jogou charme pro taxista e não pagou a corrida.

Pâmela: Carlos. – pausa e olha para ele ofendida. – Só um desconto de dez reais.

Os dois riem.

Nora: Bem, como todos sabem, nós nos reunimos hoje para comemorar a aprovação do Júnior no vestibular. – emociona-se. – Eu já passei por isso outras cinco vezes, mas sempre é a mesma emoção. Nós já sabemos de todo o que você já passou, meu querido. Você merece cada conquista que tiver na sua vida.

Todos comemoram e parabenizam Júnior.

 

10. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA – SALA DE ESTAR

Todos estavam sentados ao redor da TV ligada em um telejornal, distraídos.

Jornalista: A investigação sobre desvios de verbas da campanha do candidato ao governo do estado, Roberto Pelegrini, tomou novos rumos. – todos se voltam para a TV, em silêncio, e a voz da jornalista toma conta da sala. – Após a quebra do sigilo telefônico de um dos assessores do deputado, descobriu-se o desvio das verbas destinadas ao partido para compra de carros para os assessores realizarem campanhas no interior do estado. Procurado pela nossa equipe, o deputado Roberto Pelegrini não se pronunciou. – Começa um vídeo onde se ouve o áudio de uma conversa telefônica entre um assessor de Roberto e um homem chamado Fonseca.

De repente, Nora desliga a TV.

Nora: Nós não precisamos ver isso.

Carol: Mãe. É importante.

Carlos: Em qualquer site você vai encontrar isso depois, Carol.

Carol olha para Roberto, e ele está parado, franzindo a testa. Carol sabia que ele não conseguia entender como tudo aquilo estava acontecendo.

Nora: Só acho que nós não precisamos desse assunto hoje, na comemoração da aprovação do seu irmão no vestibular.

Roberto: Tudo bem, amor. Tudo bem. – diz, baixinho, não querendo chamar muito a atenção para si.

Carol: Você quer ir? Vamos. Larissa, nós já estamos indo. – avisa à enteada.

Nora: Carol, não há necessidade. Não vamos deixar uma inverdade dessa estragar a nossa noite.

Diva: Não se sabe ainda, Nora.

Nora: Mãe!

Roberto: Com licença. Boa noite a todos. – cumprimenta, visivelmente abatido.

Carol: É melhor, antes que comece o bombardeio Andrade.

Sara: Não precisa nos tratar como se fossemos virar as costas pra ele, Carol.

Carol e Sara se encaram.

Carol: Vamos, Lissa. – chama a enteada novamente.

Larissa se despede de Gabriel e os três partem.

Pâmela: Você acha que ele sabia?

Carlos: Não sei. Mas quero acreditar que não. Pro bem da minha irmã.

Pâmela: E aquela história lá na Barbosa?

Carlos: Sem mais detalhes. A Guilhermina me cortou baixo quando fui conversar com ela.

Pâmela: Será que ela está desconfiando de você, Carlos?

Carlos olha para Pâmela assustado, pois não tinha pensado nessa possibilidade ainda.

Pâmela: Eu tô brincando, Carlos.

Carlos dá um tapinha em Pâmela.

 

11. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA – ESCRITÓRIO DE CARLOS

Mônica estava numa ligação e Carlos estava chegando. Guilhermina entrou acompanhada de um dos advogados e pediu para falar com Mônica.

Carlos: Algum problema, Guilhermina?

Guilhermina: Isso é a sua secretária que vai dizer.

Mônica: Eu não estou entendendo, Dona Guilhermina.

Guilhermina: Nós analisamos a fita de segurança que mostra a sala onde estavam guardados os documentos que vazaram para o nosso concorrente.

Carlos: E, então? – diz, se interessando na conversa.

Guilhermina: E então que a sua secretária foi a única que entrou na sala no suposto dia de roubo das informações.

Nesse momento, Pâmela chega com certa efusão para contar algo a Carlos, mas pára ao ver a conversa acontecendo.

Mônica: Dona Guilhermina, eu não peguei documento algum.

Guilhermina: Realmente, a fita não mostra isso. Mas mostra você entrando na sala. O que eu quero que você me esclareça é o motivo de estar lá.

Carlos: Guilhermina, eu acredito que essa conversa não deve ser realizada aqui.

Guilhermina: Por quê? Medo que a sua secretária tenha feito algo errado sob a sua gestão?

Carlos fica sem reação.

Mônica: De que sala a senhora está falando? O arquivo B2?

Guilhermina: Como você sabe que é o arquivo B2?

Mônica: Ah, eu… eu chutei um dos quatro.

Guilhermina: Mônica, realmente, é muito coincidência.

Carlos: Guilhermina, você não quer ir para a minha sala? – insiste.

Guilhermina: Você está demitida, Mônica.

Mônica: O quê?

Pâmela: Como? – diz, olhando para Carlos, como se exigisse uma reação dele.

Carlos fica atônito com o que está acontecendo.

Mônica: Mas, Dona Guilhermina, eu não fiz nada. Eu juro.

Guilhermina: Pode até ser, Mônica, mas eu tenho o benefício na dúvida. E eu não posso arriscar manter você aqui com essa suspeita. Com licença.

Pâmela: Ei. – diz, parando Guilhermina em sua saída – Não é assim que se trata um funcionário.

Guilhermina: Como?

Pâmela: Nem um cachorro abandonado deve ser tratado do jeito que a senhora tratou a Mônica. Ainda mais sem uma prova concreta de que foi ela.

Guilhermina: Qual o seu nome, menina?

Pâmela: Pâmela.

Guilhermina: Pâmela, o meu escritório de advocacia prima pela vitória e pela transparência. Eu não admito perder casos importantes como esse e o que eu tiver que fazer, será feito.

Pâmela: Grossa.

Guilhermina: Mocinha, muito cuidado com as suas palavras.

Pâmela: Cuidado coisa alguma. A senhora acusa uma funcionária de algo que ela não fez e vem me falar de transparência? O que eu entendo é que…

Guilhermina: Eu não estou preocupada com o que você entende ou deixa de entender.

Pâmela: Como você é grossa. Demitir uma pessoa tão competente quanto a Mônica, sem provas, e ainda se acha a dona de um escritório transparente. Que tipo de transparência é essa?

Guilhermina: Pâmela, você está…

Pâmela: Demitida? Não precisa. Eu me demito, porque daqui eu não quero nem os direitos que me cabem se eu for demitida. Com licença. Pâmela sai batendo o pé, deixando Mônica lacrimejando e Carlos atônito, sem saber o que fazer. Antes de sair, Guilhermina olha para Carlos e expressa sua decepção.

12. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

Patrícia: Tomás, aqui estão os relatórios que você solicitou.

Tomás: Obrigado, Patrícia.

A secretária sai da sala e Tomás começa a ler os relatórios. Uma hora depois, Tomás não tem uma expressão muito feliz no rosto.

Tomás: Patrícia, chama o Miguel aqui na minha sala, por favor? – diz, ao telefone.

Tomás mantinha o olhar fixo em uma das paredes. Um tempo depois, Miguel entrou. Ele havia assumido a gerência de Marketing após a fusão de Andanças e Papier.

Tomás: Miguel, eu estava analisando os resultados dos últimos seis meses e que não houve avanço algum no financeiro. É como se estivéssemos parados.

Miguel: Tomás, nossas ações de marketing estão realmente paradas com a contenção de custos. Desse jeito, é normal as vendas estagnarem.

Tomás: Mas precisamos trabalhar com a criatividade, Miguel. Se não há recursos, temos que colocar a cabeça pra pensar. Esses números precisam subir.

Miguel: A Papier está pressionando muito?

Tomás: Ainda não. Ainda.

Miguel levanta as sobrancelhas, sabendo que, quando a Papier começasse a pressionar, não seria tão sutil o pedido de Tomás.

Miguel: Você ouviu alguma coisa sobre o Sr. Sérvulo vir aqui para uma visita?

Tomás: Não.

Miguel: Disseram que ele vem pra comunicar a reforma da sala de leitura.

Tomás: Não acredite em rádio-peão.

Miguel: Tudo bem. Eu vou indo, então.

Tomás: Obrigado.

Miguel sai, mas Tomás fica pensativo no que ele disse.

 

13. INTERNA – DIA – QUATRO ESTAÇÕES

Vera estava sentada em sua sala, mexendo no computador, quando Saulo apareceu.

Vera: Saulo!

Saulo: Bom dia.

Vera: Bom dia.

Saulo: Então, algum plano pra noite? – diz, meio envergonhado.

Vera: Até o momento não.

Saulo: Gostaria de jantar lá em casa?

Vera: Claro.

Saulo: Às oito, então.

Vera: Estarei lá.

Quando Saulo sai da sala, Vera esboça um sorriso singelo de felicidade.

 

14. INTERNA – DIA – CASA DE NORA

Nora procurava algo no antigo escritório de Guilherme.

Nora: Onde eu guardei aquela lista de remédios? – se perguntava.

Quando abre uma gaveta, encontra uma caixa que não via há um certo tempo.

A caixa continha cartas das crianças do orfanato. Misturavam-se a fotos de Nora com seus pequenos alunos. Ela começou a abrir as cartas, que não eram textos elaborados, mas desenhos bem coloridos, até mesmo rabiscos, mas que conseguiram emocionar a matriarca dos Andrades. Fizeram lembrar quando Nora se sentia não apenas viva, mas que fazia a diferença na vida de alguém. Nora sentia falta disso e não escondia. Abrindo mais uma das folhas dobradas, ela presta atenção em um dos desenhos de seus alunos e tem uma ideia. Ela se levanta rápido e anota tudo em um caderno separado.

 

15. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA – SALA DE CARLOS

Carlos ainda estava desnorteado com todos os acontecimentos da manhã. Ele não conseguia conceber trabalhar sem o auxílio de Mônica. Não encontrava papéis importantes, nem se lembrava de atender as ligações.

Guilhermina: Carlos? – diz, entrando no escritório.

Carlos: Guilhermina. – responde, levantando.

Guilhermina: Eu queria dizer que estou extremamente desapontada com tudo que está acontecendo. Definitivamente, eu não gostei dos rumos que toda essa história tomou.

Carlos: Eu entendo, Guilhermina.

Guilhermina: Ainda mais que duas funcionárias que estavam sob a sua gestão tiveram comportamentos nada condizentes com a política do nosso escritório.

Carlos: Guilhermina, eu não… – hesita.

Guilhermina: Carlos, a partir de hoje, eu prestarei mais atenção em você. Talvez eu tenha superestimado a sua capacidade de gestão. – respira fundo – Bom dia.

Carlos: Bom dia.

 

16. INTERNA – DIA – COMITÊ ROBERTO PELEGRINI

O clima no comitê de Roberto não era dos mais animadores. As notícias sobre o desvio de verbas do partido tinham caído como um banho de água fria em todos aqueles que estavam empenhados na campanha.

Tibério: Eu sugiro esse comunicado – diz, entregando um papel a Ernesto Paiva, chefe da campanha. – Ele alega não saber de nada e diz que acompanhará as investigações de perto.

Ernesto: É o mais correto a se fazer. Vamos lá mostrar pra ele.

Ernesto e Tibério saem de sua reunião e vão até a sala de Roberto. No caminho, escuta burburinhos de outros funcionários sobre as investigações. Um chama atenção.

Jaqueline: Eu não sei se ele é tão inocente como dizem. Sabe como é, né? Todo político mente. No Brasil é assim. – generaliza.

Tibério e Ernesto ouvem aquilo, mas preferem continuar caminhando até a sala de Roberto.

Ernesto: Roberto? – diz, batendo na porta.

Roberto faz sinal para que entrem. Ele estava numa ligação.

Roberto: Tudo bem. Eu não acho necessária uma suspensão. Isso não vai se repetir, diretora, não se preocupe. (…) Obrigado, bom dia.

Ernesto: Algum problema?

Roberto: Nada que eu não consigo administrar sozinho. E então?

Tibério: Nós já temos o comunicado para a imprensa e a linguagem que vamos adotar a partir de agora. Você não sabia de nada e vai acompanhar as investigações de perto, dando total suporte.

Roberto: Do jeito que você fala parece que eu sabia de algo, Tibério. – diz, analisando a redação.

Tibério gagueja para responder.

Ernesto: Força de expressão, Roberto.

Roberto: Ok. Pra mim está bom. Vamos lançar imediatamente à imprensa. Eu não agüento mais todas essas especulações.

Tibério: Tudo bem. Com licença. – ele sai.

Ernesto: Roberto, como chefe da campanha, eu preciso te fazer uma pergunta.

Roberto: E eu já sei qual é. Não, Ernesto, eu realmente não sabia de nada.

Ernesto: Ótimo. Era o que eu precisava ouvir. – ele acena com a cabeça e sai.

Na volta para sua sala, ele cruza com Jaqueline.

Ernesto: Jaqueline, eu só queria que você soubesse que toda generalização é falha. E que se você não acredita no nosso candidato… – diz, chamando a atenção de outras pessoas ao redor – você tem todo o direito de sair do nosso comitê.

A mulher fica desconcertada e Ernesto volta para sua sala.

 

17. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

O Sr. Sérvulo, dono da Papier, resolveu fazer uma visita para Tomás. Já estava sentado numa das salas de reunião, repassando com Tomás algumas metas do plano de ação.

Sérvulo: Eu acredito que algumas mudanças mais bruscas serão necessárias, Tomás. Como eu já conversei anteriormente, essa característica antiga da Andanças não me agrada muito diante do crescimento desacelerado da tecnologia.

Tomás: E o que senhor sugere, Sr. Sérvulo? – pergunta, já temendo a resposta.

Sérvulo: Eu pensei na reforma de algumas partes das lojas. Primeiramente, vamos reformar a sala de leitura da matriz.

Tomás: Mas, Sr. Sérvulo, as salas de leitura já fazem parte da Andanças. O senhor estaria tirando um pedaço da gente.

Sérvulo: Da gente quem?

Tomás: Da minha família.

Sérvulo: Acredito que já tiramos um pedaço da sua família quando adquirimos a livraria. Eu não diria nem que nós tiramos, mas que salvamos vocês, não é mesmo?

Tomás faz uma cara de quem não gosta, mas tem que concordar.

Sérvulo: Já até agendei o arquiteto e o engenheiro para uma visita. Você pode acompanha-los?

Tomás: Claro, claro. – engole seco.

Os dois continuam a reunião.

18. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL

Roberto voltou para casa mais cedo do que o habitual. Esperaria a repercussão do comunicado à imprensa em casa. Mas, na verdade, foi por outro motivo. Ele vai direto ao quarto de Larissa.

Roberto: Briga na escola? – diz, parando na porta do quarto e encarando a filha.

Larissa: Pai, você sabe que eu não sou disso.

Roberto: Justamente. Imagina a minha surpresa quando a diretora me ligou.

Larissa: Mas aquela Amanda é irritante. Ela insinuava o tempo todo que você sabia e roubou o dinheiro junto. Eu não me controlei.

Roberto se senta junto a Larissa na cama.

Roberto: Filha, o meio em que o seu pai trabalha é muito traiçoeiro. Nós nunca sabemos em quem podemos confiar. É pisar em ovos, sabia? E também é agüentar o julgamento de todos. Nós nos expomos e para sobrevivermos nesse meio temos que conquistar apoio de onde nem imaginávamos. E aprendemos que não é brigando que conseguimos algo. A melhor maneira de calar a sua colega…

Larissa: Ela não é minha colega. – interrompe.

Roberto: A melhor maneira de calar a Amanda vai ser quando eu conseguir esclarecerisso tudo.

Larissa: Você é inocente, né, pai?

Roberto encara Larissa e não responde. De todas as pessoas de quem esperou ouvir essa pergunta, Larissa não era uma delas.

Larissa: Ai, desculpa, pai.

Roberto: Tudo bem, minha filha. Tudo bem. – diz, dando um beijo na testa de Larissa e ganhando um abraço da filha.

 

19. INTERNA – DIA – RESTAURANTE GRAND CRU

Diego entra no restaurante procurando Carlos, afoito.

Diego: Ei. Você me deixou preocupado com a sua ligação. O que aconteceu?

Carlos encara Diego com cara de choro. Algum tempo depois de Carlos ter contado os acontecidos para Diego, ele responde:

Diego: Mas você não teve culpa.

Carlos: Mas eu poderia ter feito alguma coisa. Ela é a minha melhor amiga e a Mônica era a minha melhor secretária.

Diego: Seria pior. Poderiam estar os três sem emprego agora. E tenho certeza que a Mônica entende o seu posicionamento. Se dependesse de você, ela estaria lá, mas é a Guilhermina quem manda.

Carlos faz cara de contrariado.

Diego: Ei.. – diz, pegando em sua mão – não fica assim. Você não podia fazer nada.

Carlos põe sua mão sob a de Diego e agradece o apoio.

20. INTERNA – DIA – CASA DE NORA

Nora conseguiu escrever muitos rascunhos para seu novo livro. Achar as redações de seus alunos do orfanato conseguiu reacender a vontade de viver dela. Mas, como um dos efeitos colaterais dos remédios que estava tomando era o sono…

Diva: Nora… Nora.. – diz, batendo na filha, que estava debruçada sobre papéis e mais papéis.

Ela acorda, assustada.

Diva: Vá procurar dormir no seu quarto.

Nora: Isso é jeito de acordar uma pessoa com problemas cardíacos?

Diva: Isso não é jeito de uma pessoa com problemas cardíacos dormir. Que tantos papéis são esses?

Nora: Nada.. não são nada – diz, juntando os papéis.

Diva pega um e começa a ler.

Nora: Mãe, por favor, eu não tenho mais quinze anos.

Diva: É um livro?

Nora: Por enquanto, são só rascunhos. Mas pretendo que seja um livro, sim. Ou quem sabe, mais textos do meu blog. Ainda não decidi.

Diva: Interessante.

Nora: A senhora achou?

Diva: Sim. Você sempre escreveu muito bem.

Nora observa Diva lendo seus rascunhos e se anima ainda mais com sua ideia.

 

21. INTERNA – TARDE – QUATRO ESTAÇÕES

Rebeca estava na sala de revelações de fotos, quando Murilo entra, tossindo, para que Rebeca o note. Ela se vira e ele está com a revista com a foto de Rebeca nas mãos.

Murilo: Eu conheço a fotógrafa que fez essa foto, sabia?

Rebeca: Ah, é?

Murilo: É… E ela é muito, muito bonita, sabia?

Rebeca: Mentira! Sério?

Murilo: Sério, mas ela não me dá bola.

Rebeca: Ah, por quê?

Murilo: Não sei. Talvez por eu ser feio.

Rebeca ri.

Rebeca: E muito humilde, também.

Murilo: Você concorda com ela?

Rebeca: Não, eu não acho você feio.

Murilo: Opa. Ponto a favor.

Rebeca: Tem outro também.

Murilo: Qual?

Rebeca: O apoio que você dá a essa fotógrafa.

Murilo: Hummm

Rebeca: É muito importante pra ela, sabia?

Murilo: Que bom.

Os dois ficam se olhando por um instante.

Rebeca: Ah, vem cá, vem?

Ela o puxa e os dois se beijam na sala.

 

22. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

Sara: Oi.

Tomás: Ah, que bom que você pode vir.

Sara: Aconteceu alguma coisa?

Tomás: Não. Esse é o problema.

Sara: Não entendi.

Tomás: Olha isso. – diz, entregando os relatórios para Sara.

Sara dá uma rápida folheada.

Sara: Pelo visto as vendas não aumentaram.

Tomás: Isso. Acredito que em breve a Papier vai querer fazer alguma interferência.

Sara: Justo, não?

Tomás: Como justo? Em tão pouco tempo é impossível crescer como eles queriam que crescêssemos.

Sara: Mas foi feito alguma coisa? Pelo que eu vi, não.

Tomás: Esse é o ponto. Eu acredito que eles trocaram o gerente de marketing para que ele jogasse do lado deles.

Sara: Tomás, isso é muito fantasioso. Até porque a hora que você quiser, é só alegar que ele não está rendendo e demiti-lo. Desculpa, mas para mim você está procurando desculpas.

Tomás: Eles vão acabar com a sala de leitura, Sá.

Sara: A sala de leitura do papai? Poxa…

Tomás: Eu sinto tanta falta de quando a livraria era só da nossa família. – diz, deixando seu olhar ao léu.

Sara: Tem algo a mais acontecendo?

Tomás: Não. Quer dizer, muito aconteceu, não é? A morte do Lucas, o Caio. Eu tenho muita vontade de sair daqui agora e ficar com meu filho, entende?

Sara: E como eu te entendo. – diz, mostrando o papel de parede do celular, com uma foto de Gabriel, Eduardo e Rafaela.

Nesse momento, chega uma mensagem de Fernando e uma foto dele e de Sara abraçados aparece. Tomás vê.

Tomás: Você ainda deixa uma foto dessas com o Fernando?

Sara: Foto? Que foto?

Tomás: Essa de vocês dois?

Sara: Ah, eu nunca tirei. Eu nem sei mexer nessas coisas, quem coloca é o Gabs. – diz, disfarçando.

Ela lê a mensagem.

Sara: Eu tenho que ir agora, Tomás. Beijo.

Tomás: Tá bom, beijo. – responde, desconfiado.

Fora da sala, Sara responde a mensagem de Fernando, marcando um encontro.

 

23. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL

Carol sai do banho e Roberto estava deitado na cama, já de pijama.

Carol: Já vamos dormir? Achei que veríamos um pouco de televisão.

Roberto: Televisão é algo do qual não preciso hoje.

Carol: Desculpa.

Roberto: Amor, eu notei que você evita emitir qualquer opinião sobre toda essa história.

Carol: Roberto…

Roberto: Hoje mais cedo a Lissa me questionou se eu realmente não sabia de nada.

Carol: E?

Roberto: E, digamos que foi mais difícil sentir a dúvida nos olhos da minha própria filha do que nos olhos de todo o meu comitê.

Carol: Eu entendo.

Roberto: E está sendo mais difícil ainda ver a dúvida nos seus olhos.

Carol: Como assim? Eu não duvido de você.

Roberto: Então porque você evita falar disso? Evitou ontem no café, na casa da sua mãe…

Carol: Eu só acho que nada do que eu falar vai ajudar. Estou completamente por fora desse assunto. – diz, desviando o olhar.

Roberto: Como se eu não te conhecesse, Ana Carolina.

Carol: Roberto, eu acredito em você. Se eu não acreditasse, não teria dito um ‘sim’ na frente de um juiz de paz na semana passada.

Roberto olha para Carol, querendo acreditar que ela acreditava nele.

Roberto: Vamos dormir?

Carol: Eu acho que eu vou ver um pouco de TV na sala. Está cedo ainda.

Roberto: Tudo bem. Boa noite.

Carol: Boa noite.

Ele se vira para dormir e Carol vai para a sala.

24. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

A campainha toca e Rebeca vai atender.

Rebeca: Oi.

Carlos: Oi. – diz, cabisbaixo.

Rebeca: O que aconteceu?

Carlos: Barbosa Lima. – diz, entrando.

Rebeca: Ai, meu Deus, te demitiram?

Carlos: Pior, demitiram a Mônica.

Rebeca: A Mônica? Mas por quê?

Nesse momento, Vera ia perguntar a Rebeca qual brinco devia usar no jantar com Saulo, quando vê Carlos na sala. Carlos conta a história para Rebeca.

Rebeca: Olha, aquela Guilhermina nunca me desceu na época que eu estagiava lá. Mulher grossa. E ela ainda fala do jeito que você gerencia seus subordinados? Por favor! Ela é uma ditadora e acha isso correto.

Carlos: Eu me sinto péssimo por não ter feito nada para ajudar. A Mônica e a Pam devem estar me odiando.

Rebeca: Você já ligou para elas?

Carlos: Não. Não tive coragem.

Vera: Pois devia. – diz, interrompendo a conversa. – Desculpem, mas não pude deixar de ouvir. Olha, Carlos, por mais dolorosa que seja uma demissão inesperada, a Mônica com certeza sabe que não estava nas suas mãos e a Pâmela, convenhamos, não devia ter tomado a atitude que tomou.

Carlos: Eu sinto que ela fez o que eu devia ter feito.

Rebeca: Pedido demissão por não concordar com a Guilhermina?

Carlos: Não! Defendido a Mon..

Vera: Ligue para ela e marque alguma coisa. Vocês precisam conversar. Aproveita e peça o currículo dela para indicá-la. Se ela é boa mesmo, não vai ser difícil conseguir um emprego.

Rebeca: E quanto à Pâmela, vai ser só você sair do elevador que vai ter que encará-la.

Carlos: Aaaah. – diz, sumindo no sofá.

Vera: Ei, Rebeca. Esse ou esse? – diz, mostrando os pares de brincos. Um par de argolas e um de pérolas.

Carlos: Esse. – responde pela irmã, escolhendo as argolas.

 

25. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE PÂMELA

Pâmela: E, então eu pedi demissão. Não ia agüentar olhar a cara daquela mulher.

Júnior: E o Carlos não fez nada?

Pâmela: Ficou parado feito uma porta. Mas também não havia muito o que fazer. Seria pior pra ele.

Júnior: Mesmo assim. Ele deveria ter argumentado. Isso não é certo.

Pâmela: Mas a posição dele estava em risco também. Sabe-se lá como não está a situação pra ele depois de tudo? Eu entendo o lado dele.

Os dois escutam o elevador abrir e Júnior vai ver se é Carlos. Pelo olho mágico ele vê o irmão procurando a chave para abrir a porta.

Pâmela: Júnior, não precisa ir conversar com ele, sério.

Júnior abre a porta e Carlos paralisa, sabendo que ia ter que encarar Pâmela. Ele se vira e dá de cara com Júnior.

Carlos: Júnior? Não esperava te ver.

Júnior: Esperava a Pâmela?

Carlos: Na verdade, sim.

Júnior: Por que você não ajudou ela, Carlos?

Carlos: Ok, eu não quero brigar com você por isso.

Júnior: É sempre assim. Quando você realmente precisa lutar, brigar por alguma coisa, fica assim, feito um covarde.

Carlos: Não fale o que você não sabe, Júnior.

Júnior: Como se eu não te conhecesse, Carlos. Quando é pra brigar pela atenção de alguém, pelo melhor lugar no cinema, por uma vaga de estacionamento, lá está você. Mas por duas amigas em apuros, você morre de medo da Guilhermina e fica estático, parado, vendo o mundo passando na sua frente.

Carlos: Eu já estou me sentindo culpado demais, acredite em mim.

Júnior: Eu acredito. Porque você sempre faz isso. Depois que percebe que poderia ter agido diferente, fica remoendo o que deveria ter feito e como teria sido se tivesse feito. Ah, Carlos, faça-me o favor. São mais de trinta anos agindo assim.

Carlos: Jogar o que você pensa sobre mim, assim, na minha cara, não vai mudar nada, Júnior. Eu não esperava que você tivesse essa atitude, mesmo entendo que você esteja defendendo a Pâmela, mas era o meu emprego em jogo também.

Júnior: Egoísta da sua parte.

Carlos: Ah, Júnior. Eu não preciso disso.  – diz, entrando no seu apartamento, batendo a porta na cara de Júnior.

26. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SAULO

Saulo arrumava os últimos detalhes da mesa de jantar e a campainha tocou.

Saulo: Só um instante!

Ele corre para abrir a porta, esperançoso que seja Vera.

Saulo: Boa no… Mãe?

Diva: Ah, finalmente, achei que não ia abrir essa porta nunca. – diz, já entrando.

Saulo: O que a senhora está fazendo aqui? – fecha a porta.

Diva: Vim visitar você, não posso? Aposto que você tem mantido isso aqui uma desorganização total desde que voltei para a casa da sua irmã.

A campainha toca de novo.

Diva: Está esperando alguém? – ela se vira para a sala de estar – Ah, um jantar?

Saulo respira fundo e vai abrir a porta.

Vera: Boa noite.

Saulo: Boa noite.

Diva: Ah, Vera.

Vera não entende a presença de Diva, mas a trata normalmente.

Vera: Dona Diva.

Saulo: Errr.. sente-se, Vera, por favor.

Diva: Vocês voltaram?

Saulo e Vera se olham. Ela estava visivelmente a espera de uma resposta duvidosa, ou até negativa.

Saulo: Sim.

Vera se surpreende.

Diva: Ah, que bom. Saulo estava muito pra baixo, Vera. Você anima este meu filho.

Vera e Saulo se olham de novo. Ela esboça um sorriso.

Vera: Que bom, Dona Diva.

Diva: Não vamos jantar? Venham.

Saulo balbucia um ‘Me desculpe’ para Vera, que responde com um ‘Sem problemas’. Os três se sentam para jantar e conversar.

 

27. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE VERA

Júnior: Você acha que eu fiz mal?

Rebeca: Não precisava ter falado desse jeito com o Carlos, não é Ju?

Júnior: Poxa, Beca. A Pâmela é minha namorada e ele não fez nada.

Rebeca: Mas entende o lado dele! É o emprego dele e ele está numa situação péssima no trabalho por causa do acontecido. Se ele tivesse se metido seria pior talvez.

Júnior fica pensativo.

Júnior: Ah, eu não gostei da atitude dele e achei que ele deveria saber.

Rebeca: Eu também achei que calado, ele não deveria ter ficado, mas não falei porque ele deve ter tido os motivos dele.

Júnior: Todos sempre passando a mão na cabeça dele.

Rebeca: Quem ouve até pensa que nunca passaram a mão na sua, né?

Júnior não gosta do que ouve, mas Rebeca não se importa.

 

28. EXTERNA – DIA – PADARIA BEIJO DE MOÇA

Carlos estava impaciente numa das mesas da padaria. Olhava o relógio de minuto em minuto, quando sua convidada finalmente chegou.

Carlos: Oi, Mônica.

Mônica: Oi.

Ela se senta e ele demora a começar a falar.

Mônica: Eu sei que foi difícil para você ver aquela cena e não fazer nada. Eu sei que você não teve culpa.

Carlos: Jura?

Mônica: Juro.

Carlos: Eu não sei o que me deu. Eu preferia não acreditar que aquilo estava acontecendo. Eu não sei o que vai ser de mim ali sem você.

Mônica: Oh, meu querido. – diz, segurando as mãos dele. – Você vai tirar de letra.

Carlos: Você trouxe o que eu pedi?

Mônica: Trouxe.

Mônica entrega cópias de seu currículo para Carlos.

Carlos: Eu prometo que vou conseguir algo para você, viu? Prometo.

Mônica sorri para Carlos, que retribui com um beijo nas mãos dela.

 

29. INTERNA – DIA – CASA DE NORA

Nora estava ao seu notebook, digitando freneticamente suas ideias, quando Carol chega.

Nora: Filha.

Carol: Oi, mãe.

Nora: Tudo bem?

Carol: Não. Mãe, a senhora acredita que o Roberto seja inocente? – dispara.

Nora: Claro. Durante todo esse tempo, se teve uma coisa que o seu marido mostrou foi integridade. Isso ele tem de sobra. Você não concorda?

Carol: Concordo. A senhora acha que eu não demonstro que concordo?

Nora: Carol, onde você quer chegar?

Carol: Ele se chateou comigo porque eu disse que acredito nele, mas não com tanta firmeza.

Nora: Não é para menos. Ele precisa que todos que acreditam nele o apóiem. Se você, a esposa, não passa isso. O seu pai, uma vez, foi acusado de armar para que um funcionário da Andanças fosse demitido por justa causa e perdesse todos os direitos. O funcionário não admitia de maneira alguma que tinha errado e seu pai tinha todas as provas. Durante muito tempo, os outros funcionários acreditaram no homem e não no seu pai.

Carol: E a senhora?

Nora: Não saí do lado do seu pai um só minuto. Aquele discurso de ‘Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza’ é cafona, mas vale, filha. Acredite em mim.

Carol: E a Vera?

Nora: O que tem a Vera?

Carol: Ela era amante do papai. ‘Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza’, sem fidelidade, de nada vale.

Nora se põe a pensar.

Nora: Eu fiquei ao lado dele em todos os momentos que acreditei nele. E eu não soube da Vera enquanto ele esteve vivo. O que não diminui o erro do seu pai, mas… Eu quero que você saiba que o seu pai sempre foi um ótimo homem, sempre que esteve ao meu lado. E isso bastava para mim.

Carol fica pensativa.

 

30. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

Sara e Fernando caem na cama, após iniciarem a manhã fazendo muito esforço.

Sara: Nossa. Como é bom acordar assim sempre.

Fernando: Esse seu horário sem aulas dia de sexta é formidável.

O celular de Sara toca e Fernando pega. Ao passar para ela, vê que é uma mensagem sua que chegou atrasada.

Fernando: Você nunca deletou essa foto do celular?

Sara: Não.

Fernando sorri.

Sara: E essa mensagem?

Fernando: Não precisa ler, já estou aqui mesmo.

Sara: Deixa eu ler.

Ela aperta o botão e lê a mensagem.

“Bom dia, raiar do meu dia. Já chego ai para te levar às nuvens”

Sara: Quando foi que você começou a escrever para cantores de technobrega?

Fernando se faz de ofendido, mas pula em cima de Sara e a cobre de beijos.

31. EXTERNA – DIA – CARRO DE CAROL

Carol dirigia para seu trabalho, mas seu pensamento não estava no trânsito, nem nos textos que precisaria redigir. Pensava em Roberto e em tudo que acontecia com sua vida. Sabia que confiava em Roberto, mas seu ceticismo de jornalista lhe trazia a dúvida e a necessidade de uma investigação mais apurada. Parada no semáforo, ela recorda as palavras de sua mãe na conversa que tiveram mais cedo. O sinal fica verde e os outros carros começam a buzinar, assustando a jornalista. Carol, então, arranca o carro, decidida a fazer uma coisa.

 

32. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

Tomás chega a Andanças sem olhar muito ao redor, já pensando nos compromissos do dia. Perto dali, um dos funcionários aponta para Tomás, mostrando-o para um homem, que vai na sua direção.

 

César: Seu Tomás?

Tomás: Sim, sou eu.

César: Eu sou o arquiteto que vai fazer a planta da nova sala de leitura. O Sr. Sérvulo pediu que eu lhe procurasse para que o senhor me apresentasse a sala.

Tomás o cumprimenta, meio desatento,

Tomás: Sim, sim. Ele me avisou. Vamos, então?  – diz, entregando sua pasta para um funcionário. – Guarda na minha sala, por favor, Renato?

Os dois, então, se dirigem para a sala. Tomás caminha pela sala relembrando a sua criação, pensada por seu pai. Ele relata tudo, muito emocionado, para César. O arquiteto, então, pede para tirar algumas medidas e Tomás consente. Ele aproveita e pega um dos seus livros favoritos e se senta em uma das cadeiras ao redor de uma grande mesa para lê-lo. Aquele também era um dos livros favoritos de Guilherme. Tomás começa a sua leitura e se emociona ao lembrar do pai.

33. INTERNA – DIA – COMITÊ ROBERTO PELEGRINI

Carol entrou no comitê decidida, passando por todos os funcionários sem cumprimentar ninguém, nem responder a quem falava com ela, entrando direto na sala de Roberto, surpreendendo-o.

Carol: Eu acredito em você.

Roberto: Oi, amor.

Carol: É sério. Era essa a segurança que você precisava? – ela se aproxima – Eu acredito em você e vou fazer de tudo para provar, do seu lado, que você não tem nada a ver com isso. – diz, olhando nos olhos dele.

Roberto: Eu te amo.

Carol: Eu também te amo.

Roberto: Obrigado por isso.

Carol: Por te amar? Eu faço de graça.

Roberto: Por acreditar em mim. É extremamente importante.

Carol: Eu sei… Eu sei.

Continua…

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Nos episódios anteriores: Roberto e Carol se casam. Notícias desfavoráveis a Roberto começam a sair na imprensa. Júnior presta vestibular. Rebeca começa a trabalhar como fotógrafa na Quatro Estações. Sara e Fernando têm uma recaída, que fica mais séria. Vera e Saulo se distanciam.

 

01. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA – QUARTO

Sara e Fernando passaram a noite juntos, no apartamento dela. Ela programou o celular para despertar vinte minutos antes dos filhos acordarem para a escola, para que Fernando pudesse sair sem ser visto.

Fernando: Ainda acho isso ridículo. Me esconder dos meus próprios filhos.

Sara: Nós já conversamos sobre isso. Não quero que eles criem falsas expectativas, já que nem nós sabemos onde isso vai dar.

Fernando: Na verdade, eu sei, a dúvida está em você.

Sara dá um sorriso forçado e joga a camisa de Fernando. Ele se veste e os dois abrem a porta do quarto, caminham sem fazer barulho até a porta de saída, quando a porta do quarto de Rafaela e Eduardo se abre. Sara abre a porta de saída rapidamente e empurra Fernando para fora. Ele tenta voltar para um selinho de despedida, mas ela bate a porta na cara dele.

Eduardo: Mãe?

Sara: Dudu? Já acordou, meu filho? Você poderia dormir mais 5 minutinhos…

Eduardo: Eu tive um pesadelo…

Sara: Foi? Qual? – diz, pegando Eduardo no colo e sentando com ele no sofá para ouvir o sonho ruim que ele teve sobre o trágico fim do Ben 10.

 

02. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL – COZINHA

Larissa: Bom dia. – diz, aparentemente desanimada.

Carol: Bom dia, Lissa. – responde, em pé, tomando um pouco de suco de laranja.

Roberto: Bom dia, meu bem. – diz, enquanto lê o jornal, sentado à mesa. Ele lê mais uma notícia sobre o possível desvio de verba de sua campanha e exclama. – Droga!

Carol: Mais notícias ruins?

Roberto: Uhum.

Larissa: Pai, como vocês ainda não encontraram o culpado por isso?

Roberto: Nós estamos fazendo o possível, minha filha, mas é complicado. Se há um desvio, nós não sabemos ainda de onde veio, nem de como chegou até nós.

Larissa: O que você acha, Carol?

Carol estava calada e aérea, pensando, sim, nas notícias, mas preferia não emitir opinião.

Carol: Eu não sei, Lissa. É um caso complicado. Mas, se houve o desvio, há um culpado e ele precisa ser encontrado.

Roberto percebe que Carol está escondendo alguma opinião, mas não diz nada na frente da filha.

Roberto: Vamos? Você vai ser atrasar, mocinha.

Larissa: Já terminei.

Os três pegam seus pertences e saem.

 

03. INTERNA – DIA – CASA DE NORA – COZINHA

Nora, Diva e Júnior tomavam café juntos. Mais uma vez, as notícias sobre o desvio de verbas da campanha de Roberto eram tema.

Diva: Francamente, eu estou desapontada.

Nora: Mamãe, nós não sabemos se ele sabia ou não.

Júnior: E temos que apoiá-lo.

Diva: A política do Brasil é sempre essa sujeira, meus filhos. Não há um que se salve. E que seja punido também.

Nora: Tudo bem, mamãe. Tenha a sua opinião, mas, por favor, não solte suas frases na frente do Roberto e da Carol, tudo bem?

Diva: A liberdade de opinião já foi conquistada, Nora.

O celular de Júnior toca. É Rebeca.

Júnior: Oi, Beca. (…) Saiu? Vou ver agora! – Ele desliga. – O resultado do vestibular saiu. – Ele corre para pegar o notebook.

Nora: Ah, meu Deus. Eu fico tão nervosa nessas horas. Lembro quando foi com seus irmãos. O resultado saia na rádio, nome por nome, mas agora essa internet antecipa tudo, perde a graça.

Ele chega com o notebook e começa a acessar. Minutos depois, ele lê o seu nome.

Júnior: PASSEI!!!!

Nora: Ah, meu querido. Que emoção! – diz, dando um abraço no filho.

Diva: Parabéns, meu neto.

Nora: Isso merece um jantar. Vou começar a ligar para os seus irmãos.

 

04. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA – CORREDOR

Pâmela estava com o celular na mão, tentando fazer uma ligação, quando Carlos passa.

Carlos: Ei, já sabe da novidade?

Pâmela: Já, estou tentando ligar para ele, mas está dando ocupado.

Carlos: Devem ser os irmãos ligando para dar os parabéns ou Dona Nora ligando para convocar para o jantar de comemoração.

Pâmela: É, não posso competir com Andrades e telefones juntos, não é mesmo?

Carlos: Se eu fosse você, nem tentava.

Os dois riem.

Pâmela: E essa reunião? Aconteceu alguma coisa?

Carlos: Não sei. A Guilhermina convocou sem maiores detalhes. Os dois se encaminham para a sala de reuniões.

 

05. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA – SALA DE REUNIÕES

Carlos, Pâmela e mais dois funcionários são os últimos a entrar e ficam em pé. A sala estava lotada, com todos os funcionários da Barbosa Lima. Notava-se, pela cara de Guilhermina, que algo de muito grave havia acontecido.

Guilhermina: Bem, eu convoquei esta reunião, pois nós sofremos um grande baque ontem. Nós estamos visivelmente perdidos e perdendo o caso Longavida. Os funcionários que estão processando a empresa conseguiram provas de que as horas extras não eram contabilizadas de maneira correta. Essas provas já estão com o advogado dos trabalhadores e chegarão às mãos do juiz em breve. O problema é que só três pessoas sabiam dessa prova. Eu, o Rafael e o nosso cliente. Só há uma maneira disso ter vazado e foi do nosso escritório.

Começa um burburinho e Guilhermina eleva a voz.

Guilhermina: Eu quero deixar bem claro que isso será investigado e os culpados serão automaticamente desligados da empresa.

Todos se entreolham.

Guilhermina: Obrigada.

Todos começam a sair e Carlos vai até Guilhermina.

Carlos: Guilhermina, há algo que…

Guilhermina: Agora não, Carlos. Agora não.

Ela desvia de Carlos e vai para a sua sala.

 

06. INTERNA – DIA – COLÉGIO DE LARRISA E GABRIEL – SALA DE AUDIOVISUAL

Larissa estava com alguns amigos para a reunião de organização de um festival que seria realizado em alguns dias na escola.

Amanda: Quem pode ficar responsável por organizar os competidores nos bastidores?

Luan: Eu fico.

Tábata: Eu fico com o Luan.

Amanda: E a gente precisa também de dinheiro para comprar os troféus. A direção já disse que não vai dar mais do que deu.

Valéria: Ah, pede pro pai da Lissa.

Larissa: Como?

Valéria: Parece que dinheiro está sobrando na campanha dele.

Larissa: Repete isso, Valéria. – diz, levantando-se em direção à menina e sendo segurada por um amigo.Podem conseguir outra pessoa pro meu lugar, Amanda. Estou saindo da comissão organizadora.

Larissa sai, revoltada e ofendida.

Amanda: Então você assume a arrecadação de dinheiro, Valéria. Sua bocuda.

Valéria faz cara de desprezo.

 

07. INTERNA – DIA – COLÉGIO DE LARRISA E GABRIEL – SALA DE AULA

Larissa liga para Gabriel e desabafa o.

Gabriel: Tá tudo bem?

Larissa: Eu ainda estou com vontade de quebrar a cara daquela menina.

Gabriel: Amor, eu sei que a situação está difícil, mas tenta ignorar. Seu pai vai conseguir provar a inocência dele.

O olhar de Larissa se perde ao ouvir as palavras de Gabriel, buscando nelas a certeza que ela mesma não tinha.

Larissa: Você acredita mesmo? Promete?

Gabriel: Claro!

Larissa abraça Gabriel, mais calma e confortada.

 

08. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA – SALA

Júnior vai atender a porta e Rebeca pula em seus braços. Ela foi a primeira a chegar.

Rebeca: Parabééééééns!

Júnior: Obrigadooooo!

Rebeca: Nossa, fiquei tão feliz por você. Eu sei o quanto você se esforçou.

Júnior: E eu tenho que agradecer o seu apoio. Sabe que muito disso tem dedo seu.

Rebeca: Imagina! O esforço foi todo seu.

Júnior: Ah, falando em esforço… – ele se dirige até um criado-mudo. – Tcharam. – diz, mostrando uma revista para Rebeca.

Rebeca: E isso é?

Júnior: Folheia.

Rebeca deixa sua bolsa no sofá e pega a revista intrigada. Começando a folhear, demora a encontrar o que Júnior quer.

Júnior: Eu coloquei um post-it na página que eu quero que você veja, pra facilitar.

Rebeca lança um olhar de reprovação para Júnior e acha o post-it, chegando à página que Júnior queria.

Rebeca: Ei… essa foto quem tirou fui eu.

Júnior: Eu sei.

Rebeca: Como ela veio parar aqui?

Júnior: É uma revista do Ágora. A Carol mandou.

Rebeca: Ah, eu não acredito. – diz, emocionada.

Júnior: Feliz?

Rebeca: Emocionada. Ela acreditou mesmo em mim. Preciso agradecer.

 

09. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA – COZINHA

Algum tempo depois, mais alguns Andrades já haviam chegado e ajudavam a mãe a pôr a mesa.

Sara: A senhora não toma jeito, não é? Olha o tanto de comida que deve ter cozinhado sozinha.

Diva: Sozinha não. Eu ajudei.

Sara olha para a avó e sai da cozinha, segurando uma tigela de arroz, para não brigar mais.

Diva: Como controla, essa menina.

Tomás: Olha quem chegou e quis vir correndo dar um beijo nas avós?

Caio entra na cozinha e corre para dar um abraço em Nora e outro em Diva. O abraço em Nora é mais efusivo do que o em Diva.

Nora: Meus queridos. O jantar já vai ser servido. Sentem-se à mesa.

Tomás e Caio saem da cozinha e Nora e Diva levam as últimas tigelas. Carol chega acompanhada de Roberto e Larissa, e Sara é a primeira pessoa com quem ela cruza.

Carol: Oi – diz, aproximando-se para um beijo de cumprimento.

Sara: Oi. – retribui o beijo.

Carol: Tudo calmo por aqui? – diz, tentando puxar assunto.

Sara: A comida não está voando ainda, então, acho que está tudo bem, sim.

Carol dá um sorriso amarelo. A relação das duas tinha evoluído, mas ainda não era como antes.

Rebeca: Carol! – diz, efusiva.

Carol: Oi. – diz, ganhando um abraço da irmã. – Pela força do abraço, já viu a surpresa.

Sara acompanha a conversa.

Rebeca: Vi. Obrigada.

Carol: Não precisa agradecer.

Rebeca: Não, sério… Significa muito pra mim.

Carol: Beca, você é talentosíssima. Suas fotos são excelentes. Você vai longe ainda e deve investir na sua carreira.

Rebeca e Carol dão mais um abraço, enquanto Sara se distancia, apenas observando.

Nora: Atenção! O jantar está servido.

A campainha toca.

Nora: Está faltando alguém?

Júnior: Sim. – ele vai abrir a porta. É Pâmela.

Pâmela: Boa noite.

Todos: Boa noite.

Júnior: Agora nós podemos começar.

Pâmela se posiciona do lado de Carlos.

Carlos: Você, né?

Pâmela: Achou mesmo que eu não seria convidada e ainda me fez pagar um táxi até aqui?

Carlos: Aposto que você jogou charme pro taxista e não pagou a corrida.

Pâmela: Carlos. – pausa e olha para ele ofendida. – Só um desconto de dez reais.

Os dois riem.

Nora: Bem, como todos sabem, nós nos reunimos hoje para comemorar a aprovação do Júnior no vestibular. – emociona-se. – Eu já passei por isso outras cinco vezes, mas sempre é a mesma emoção. Nós já sabemos de todo o que você já passou, meu querido. Você merece cada conquista que tiver na sua vida.

Todos comemoram e parabenizam Júnior.

 

10. INTERNA – NOITE – CASA DE NORA – SALA DE ESTAR

Todos estavam sentados ao redor da TV ligada em um telejornal, distraídos.

Jornalista: A investigação sobre desvios de verbas da campanha do candidato ao governo do estado, Roberto Pelegrini, tomou novos rumos. – todos se voltam para a TV, em silêncio, e a voz da jornalista toma conta da sala. – Após a quebra do sigilo telefônico de um dos assessores do deputado, descobriu-se o desvio das verbas destinadas ao partido para compra de carros para os assessores realizarem campanhas no interior do estado. Procurado pela nossa equipe, o deputado Roberto Pelegrini não se pronunciou. – Começa um vídeo onde se ouve o áudio de uma conversa telefônica entre um assessor de Roberto e um homem chamado Fonseca.

De repente, Nora desliga a TV.

Nora: Nós não precisamos ver isso.

Carol: Mãe. É importante.

Carlos: Em qualquer site você vai encontrar isso depois, Carol.

Carol olha para Roberto, e ele está parado, franzindo a testa. Carol sabia que ele não conseguia entender como tudo aquilo estava acontecendo.

Nora: Só acho que nós não precisamos desse assunto hoje, na comemoração da aprovação do seu irmão no vestibular.

Roberto: Tudo bem, amor. Tudo bem. – diz, baixinho, não querendo chamar muito a atenção para si.

Carol: Você quer ir? Vamos. Larissa, nós já estamos indo. – avisa à enteada.

Nora: Carol, não há necessidade. Não vamos deixar uma inverdade dessa estragar a nossa noite.

Diva: Não se sabe ainda, Nora.

Nora: Mãe!

Roberto: Com licença. Boa noite a todos. – cumprimenta, visivelmente abatido.

Carol: É melhor, antes que comece o bombardeio Andrade.

Sara: Não precisa nos tratar como se fossemos virar as costas pra ele, Carol.

Carol e Sara se encaram.

Carol: Vamos, Lissa. – chama a enteada novamente.

Larissa se despede de Gabriel e os três partem.

Pâmela: Você acha que ele sabia?

Carlos: Não sei. Mas quero acreditar que não. Pro bem da minha irmã.

Pâmela: E aquela história lá na Barbosa?

Carlos: Sem mais detalhes. A Guilhermina me cortou baixo quando fui conversar com ela.

Pâmela: Será que ela está desconfiando de você, Carlos?

Carlos olha para Pâmela assustado, pois não tinha pensado nessa possibilidade ainda.

Pâmela: Eu tô brincando, Carlos.

Carlos dá um tapinha em Pâmela.

 

11. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA – ESCRITÓRIO DE CARLOS

Mônica estava numa ligação e Carlos estava chegando. Guilhermina entrou acompanhada de um dos advogados e pediu para falar com Mônica.

Carlos: Algum problema, Guilhermina?

Guilhermina: Isso é a sua secretária que vai dizer.

Mônica: Eu não estou entendendo, Dona Guilhermina.

Guilhermina: Nós analisamos a fita de segurança que mostra a sala onde estavam guardados os documentos que vazaram para o nosso concorrente.

Carlos: E, então? – diz, se interessando na conversa.

Guilhermina: E então que a sua secretária foi a única que entrou na sala no suposto dia de roubo das informações.

Nesse momento, Pâmela chega com certa efusão para contar algo a Carlos, mas pára ao ver a conversa acontecendo.

Mônica: Dona Guilhermina, eu não peguei documento algum.

Guilhermina: Realmente, a fita não mostra isso. Mas mostra você entrando na sala. O que eu quero que você me esclareça é o motivo de estar lá.

Carlos: Guilhermina, eu acredito que essa conversa não deve ser realizada aqui.

Guilhermina: Por quê? Medo que a sua secretária tenha feito algo errado sob a sua gestão?

Carlos fica sem reação.

Mônica: De que sala a senhora está falando? O arquivo B2?

Guilhermina: Como você sabe que é o arquivo B2?

Mônica: Ah, eu… eu chutei um dos quatro.

Guilhermina: Mônica, realmente, é muito coincidência.

Carlos: Guilhermina, você não quer ir para a minha sala? – insiste.

Guilhermina: Você está demitida, Mônica.

Mônica: O quê?

Pâmela: Como? – diz, olhando para Carlos, como se exigisse uma reação dele.

Carlos fica atônito com o que está acontecendo.

Mônica: Mas, Dona Guilhermina, eu não fiz nada. Eu juro.

Guilhermina: Pode até ser, Mônica, mas eu tenho o benefício na dúvida. E eu não posso arriscar manter você aqui com essa suspeita. Com licença.

Pâmela: Ei. – diz, parando Guilhermina em sua saída – Não é assim que se trata um funcionário.

Guilhermina: Como?

Pâmela: Nem um cachorro abandonado deve ser tratado do jeito que a senhora tratou a Mônica. Ainda mais sem uma prova concreta de que foi ela.

Guilhermina: Qual o seu nome, menina?

Pâmela: Pâmela.

Guilhermina: Pâmela, o meu escritório de advocacia prima pela vitória e pela transparência. Eu não admito perder casos importantes como esse e o que eu tiver que fazer, será feito.

Pâmela: Grossa.

Guilhermina: Mocinha, muito cuidado com as suas palavras.

Pâmela: Cuidado coisa alguma. A senhora acusa uma funcionária de algo que ela não fez e vem me falar de transparência? O que eu entendo é que…

Guilhermina: Eu não estou preocupada com o que você entende ou deixa de entender.

Pâmela: Como você é grossa. Demitir uma pessoa tão competente quanto a Mônica, sem provas, e ainda se acha a dona de um escritório transparente. Que tipo de transparência é essa?

Guilhermina: Pâmela, você está…

Pâmela: Demitida? Não precisa. Eu me demito, porque daqui eu não quero nem os direitos que me cabem se eu for demitida. Com licença. Pâmela sai batendo o pé, deixando Mônica lacrimejando e Carlos atônito, sem saber o que fazer. Antes de sair, Guilhermina olha para Carlos e expressa sua decepção.

 

12. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

Patrícia: Tomás, aqui estão os relatórios que você solicitou.

Tomás: Obrigado, Patrícia.

A secretária sai da sala e Tomás começa a ler os relatórios. Uma hora depois, Tomás não tem uma expressão muito feliz no rosto.

Tomás: Patrícia, chama o Miguel aqui na minha sala, por favor? – diz, ao telefone.

Tomás mantinha o olhar fixo em uma das paredes. Um tempo depois, Miguel entrou. Ele havia assumido a gerência de Marketing após a fusão de Andanças e Papier.

Tomás: Miguel, eu estava analisando os resultados dos últimos seis meses e que não houve avanço algum no financeiro. É como se estivéssemos parados.

Miguel: Tomás, nossas ações de marketing estão realmente paradas com a contenção de custos. Desse jeito, é normal as vendas estagnarem.

Tomás: Mas precisamos trabalhar com a criatividade, Miguel. Se não há recursos, temos que colocar a cabeça pra pensar. Esses números precisam subir.

Miguel: A Papier está pressionando muito?

Tomás: Ainda não. Ainda.

Miguel levanta as sobrancelhas, sabendo que, quando a Papier começasse a pressionar, não seria tão sutil o pedido de Tomás.

Miguel: Você ouviu alguma coisa sobre o Sr. Sérvulo vir aqui para uma visita?

Tomás: Não.

Miguel: Disseram que ele vem pra comunicar a reforma da sala de leitura.

Tomás: Não acredite em rádio-peão.

Miguel: Tudo bem. Eu vou indo, então.

Tomás: Obrigado.

Miguel sai, mas Tomás fica pensativo no que ele disse.

 

13. INTERNA – DIA – QUATRO ESTAÇÕES

Vera estava sentada em sua sala, mexendo no computador, quando Saulo apareceu.

Vera: Saulo!

Saulo: Bom dia.

Vera: Bom dia.

Saulo: Então, algum plano pra noite? – diz, meio envergonhado.

Vera: Até o momento não.

Saulo: Gostaria de jantar lá em casa?

Vera: Claro.

Saulo: Às oito, então.

Vera: Estarei lá.

Quando Saulo sai da sala, Vera esboça um sorriso singelo de felicidade.

 

14. INTERNA – DIA – CASA DE NORA

Nora procurava algo no antigo escritório de Guilherme.

Nora: Onde eu guardei aquela lista de remédios? – se perguntava.

Quando abre uma gaveta, encontra uma caixa que não via há um certo tempo.

A caixa continha cartas das crianças do orfanato. Misturavam-se a fotos de Nora com seus pequenos alunos. Ela começou a abrir as cartas, que não eram textos elaborados, mas desenhos bem coloridos, até mesmo rabiscos, mas que conseguiram emocionar a matriarca dos Andrades. Fizeram lembrar quando Nora se sentia não apenas viva, mas que fazia a diferença na vida de alguém. Nora sentia falta disso e não escondia. Abrindo mais uma das folhas dobradas, ela presta atenção em um dos desenhos de seus alunos e tem uma ideia. Ela se levanta rápido e anota tudo em um caderno separado.

 

15. INTERNA – DIA – BARBOSA LIMA – SALA DE CARLOS

Carlos ainda estava desnorteado com todos os acontecimentos da manhã. Ele não conseguia conceber trabalhar sem o auxílio de Mônica. Não encontrava papéis importantes, nem se lembrava de atender as ligações.

Guilhermina: Carlos? – diz, entrando no escritório.

Carlos: Guilhermina. – responde, levantando.

Guilhermina: Eu queria dizer que estou extremamente desapontada com tudo que está acontecendo. Definitivamente, eu não gostei dos rumos que toda essa história tomou.

Carlos: Eu entendo, Guilhermina.

Guilhermina: Ainda mais que duas funcionárias que estavam sob a sua gestão tiveram comportamentos nada condizentes com a política do nosso escritório.

Carlos: Guilhermina, eu não… – hesita.

Guilhermina: Carlos, a partir de hoje, eu prestarei mais atenção em você. Talvez eu tenha superestimado a sua capacidade de gestão. – respira fundo – Bom dia.

Carlos: Bom dia.

 

16. INTERNA – DIA – COMITÊ ROBERTO PELEGRINI

O clima no comitê de Roberto não era dos mais animadores. As notícias sobre o desvio de verbas do partido tinham caído como um banho de água fria em todos aqueles que estavam empenhados na campanha.

Tibério: Eu sugiro esse comunicado – diz, entregando um papel a Ernesto Paiva, chefe da campanha. – Ele alega não saber de nada e diz que acompanhará as investigações de perto.

Ernesto: É o mais correto a se fazer. Vamos lá mostrar pra ele.

Ernesto e Tibério saem de sua reunião e vão até a sala de Roberto. No caminho, escuta burburinhos de outros funcionários sobre as investigações. Um chama atenção.

Jaqueline: Eu não sei se ele é tão inocente como dizem. Sabe como é, né? Todo político mente. No Brasil é assim. – generaliza.

Tibério e Ernesto ouvem aquilo, mas preferem continuar caminhando até a sala de Roberto.

Ernesto: Roberto? – diz, batendo na porta.

Roberto faz sinal para que entrem. Ele estava numa ligação.

Roberto: Tudo bem. Eu não acho necessária uma suspensão. Isso não vai se repetir, diretora, não se preocupe. (…) Obrigado, bom dia.

Ernesto: Algum problema?

Roberto: Nada que eu não consigo administrar sozinho. E então?

Tibério: Nós já temos o comunicado para a imprensa e a linguagem que vamos adotar a partir de agora. Você não sabia de nada e vai acompanhar as investigações de perto, dando total suporte.

Roberto: Do jeito que você fala parece que eu sabia de algo, Tibério. – diz, analisando a redação.

Tibério gagueja para responder.

Ernesto: Força de expressão, Roberto.

Roberto: Ok. Pra mim está bom. Vamos lançar imediatamente à imprensa. Eu não agüento mais todas essas especulações.

Tibério: Tudo bem. Com licença. – ele sai.

Ernesto: Roberto, como chefe da campanha, eu preciso te fazer uma pergunta.

Roberto: E eu já sei qual é. Não, Ernesto, eu realmente não sabia de nada.

Ernesto: Ótimo. Era o que eu precisava ouvir. – ele acena com a cabeça e sai.

Na volta para sua sala, ele cruza com Jaqueline.

Ernesto: Jaqueline, eu só queria que você soubesse que toda generalização é falha. E que se você não acredita no nosso candidato… – diz, chamando a atenção de outras pessoas ao redor – você tem todo o direito de sair do nosso comitê.

A mulher fica desconcertada e Ernesto volta para sua sala.

 

17. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

O Sr. Sérvulo, dono da Papier, resolveu fazer uma visita para Tomás. Já estava sentado numa das salas de reunião, repassando com Tomás algumas metas do plano de ação.

Sérvulo: Eu acredito que algumas mudanças mais bruscas serão necessárias, Tomás. Como eu já conversei anteriormente, essa característica antiga da Andanças não me agrada muito diante do crescimento desacelerado da tecnologia.

Tomás: E o que senhor sugere, Sr. Sérvulo? – pergunta, já temendo a resposta.

Sérvulo: Eu pensei na reforma de algumas partes das lojas. Primeiramente, vamos reformar a sala de leitura da matriz.

Tomás: Mas, Sr. Sérvulo, as salas de leitura já fazem parte da Andanças. O senhor estaria tirando um pedaço da gente.

Sérvulo: Da gente quem?

Tomás: Da minha família.

Sérvulo: Acredito que já tiramos um pedaço da sua família quando adquirimos a livraria. Eu não diria nem que nós tiramos, mas que salvamos vocês, não é mesmo?

Tomás faz uma cara de quem não gosta, mas tem que concordar.

Sérvulo: Já até agendei o arquiteto e o engenheiro para uma visita. Você pode acompanha-los?

Tomás: Claro, claro. – engole seco.

Os dois continuam a reunião.

 

18. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL

Roberto voltou para casa mais cedo do que o habitual. Esperaria a repercussão do comunicado à imprensa em casa. Mas, na verdade, foi por outro motivo. Ele vai direto ao quarto de Larissa.

Roberto: Briga na escola? – diz, parando na porta do quarto e encarando a filha.

Larissa: Pai, você sabe que eu não sou disso.

Roberto: Justamente. Imagina a minha surpresa quando a diretora me ligou.

Larissa: Mas aquela Amanda é irritante. Ela insinuava o tempo todo que você sabia e roubou o dinheiro junto. Eu não me controlei.

Roberto se senta junto a Larissa na cama.

Roberto: Filha, o meio em que o seu pai trabalha é muito traiçoeiro. Nós nunca sabemos em quem podemos confiar. É pisar em ovos, sabia? E também é agüentar o julgamento de todos. Nós nos expomos e para sobrevivermos nesse meio temos que conquistar apoio de onde nem imaginávamos. E aprendemos que não é brigando que conseguimos algo. A melhor maneira de calar a sua colega…

Larissa: Ela não é minha colega. – interrompe.

Roberto: A melhor maneira de calar a Amanda vai ser quando eu conseguir esclarecerisso tudo.

Larissa: Você é inocente, né, pai?

Roberto encara Larissa e não responde. De todas as pessoas de quem esperou ouvir essa pergunta, Larissa não era uma delas.

Larissa: Ai, desculpa, pai.

Roberto: Tudo bem, minha filha. Tudo bem. – diz, dando um beijo na testa de Larissa e ganhando um abraço da filha.

 

19. INTERNA – DIA – RESTAURANTE GRAND CRU

Diego entra no restaurante procurando Carlos, afoito.

Diego: Ei. Você me deixou preocupado com a sua ligação. O que aconteceu?

Carlos encara Diego com cara de choro. Algum tempo depois de Carlos ter contado os acontecidos para Diego, ele responde:

Diego: Mas você não teve culpa.

Carlos: Mas eu poderia ter feito alguma coisa. Ela é a minha melhor amiga e a Mônica era a minha melhor secretária.

Diego: Seria pior. Poderiam estar os três sem emprego agora. E tenho certeza que a Mônica entende o seu posicionamento. Se dependesse de você, ela estaria lá, mas é a Guilhermina quem manda.

Carlos faz cara de contrariado.

Diego: Ei.. – diz, pegando em sua mão – não fica assim. Você não podia fazer nada.

Carlos põe sua mão sob a de Diego e agradece o apoio.

20. INTERNA – DIA – CASA DE NORA

Nora conseguiu escrever muitos rascunhos para seu novo livro. Achar as redações de seus alunos do orfanato conseguiu reacender a vontade de viver dela. Mas, como um dos efeitos colaterais dos remédios que estava tomando era o sono…

Diva: Nora… Nora.. – diz, batendo na filha, que estava debruçada sobre papéis e mais papéis.

Ela acorda, assustada.

Diva: Vá procurar dormir no seu quarto.

Nora: Isso é jeito de acordar uma pessoa com problemas cardíacos?

Diva: Isso não é jeito de uma pessoa com problemas cardíacos dormir. Que tantos papéis são esses?

Nora: Nada.. não são nada – diz, juntando os papéis.

Diva pega um e começa a ler.

Nora: Mãe, por favor, eu não tenho mais quinze anos.

Diva: É um livro?

Nora: Por enquanto, são só rascunhos. Mas pretendo que seja um livro, sim. Ou quem sabe, mais textos do meu blog. Ainda não decidi.

Diva: Interessante.

Nora: A senhora achou?

Diva: Sim. Você sempre escreveu muito bem.

Nora observa Diva lendo seus rascunhos e se anima ainda mais com sua ideia.

 

21. INTERNA – TARDE – QUATRO ESTAÇÕES

Rebeca estava na sala de revelações de fotos, quando Murilo entra, tossindo, para que Rebeca o note. Ela se vira e ele está com a revista com a foto de Rebeca nas mãos.

Murilo: Eu conheço a fotógrafa que fez essa foto, sabia?

Rebeca: Ah, é?

Murilo: É… E ela é muito, muito bonita, sabia?

Rebeca: Mentira! Sério?

Murilo: Sério, mas ela não me dá bola.

Rebeca: Ah, por quê?

Murilo: Não sei. Talvez por eu ser feio.

Rebeca ri.

Rebeca: E muito humilde, também.

Murilo: Você concorda com ela?

Rebeca: Não, eu não acho você feio.

Murilo: Opa. Ponto a favor.

Rebeca: Tem outro também.

Murilo: Qual?

Rebeca: O apoio que você dá a essa fotógrafa.

Murilo: Hummm

Rebeca: É muito importante pra ela, sabia?

Murilo: Que bom.

Os dois ficam se olhando por um instante.

Rebeca: Ah, vem cá, vem?

Ela o puxa e os dois se beijam na sala.

 

22. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

Sara: Oi.

Tomás: Ah, que bom que você pode vir.

Sara: Aconteceu alguma coisa?

Tomás: Não. Esse é o problema.

Sara: Não entendi.

Tomás: Olha isso. – diz, entregando os relatórios para Sara.

Sara dá uma rápida folheada.

Sara: Pelo visto as vendas não aumentaram.

Tomás: Isso. Acredito que em breve a Papier vai querer fazer alguma interferência.

Sara: Justo, não?

Tomás: Como justo? Em tão pouco tempo é impossível crescer como eles queriam que crescêssemos.

Sara: Mas foi feito alguma coisa? Pelo que eu vi, não.

Tomás: Esse é o ponto. Eu acredito que eles trocaram o gerente de marketing para que ele jogasse do lado deles.

Sara: Tomás, isso é muito fantasioso. Até porque a hora que você quiser, é só alegar que ele não está rendendo e demiti-lo. Desculpa, mas para mim você está procurando desculpas.

Tomás: Eles vão acabar com a sala de leitura, Sá.

Sara: A sala de leitura do papai? Poxa…

Tomás: Eu sinto tanta falta de quando a livraria era só da nossa família. – diz, deixando seu olhar ao léu.

Sara: Tem algo a mais acontecendo?

Tomás: Não. Quer dizer, muito aconteceu, não é? A morte do Lucas, o Caio. Eu tenho muita vontade de sair daqui agora e ficar com meu filho, entende?

Sara: E como eu te entendo. – diz, mostrando o papel de parede do celular, com uma foto de Gabriel, Eduardo e Rafaela.

Nesse momento, chega uma mensagem de Fernando e uma foto dele e de Sara abraçados aparece. Tomás vê.

Tomás: Você ainda deixa uma foto dessas com o Fernando?

Sara: Foto? Que foto?

Tomás: Essa de vocês dois?

Sara: Ah, eu nunca tirei. Eu nem sei mexer nessas coisas, quem coloca é o Gabs. – diz, disfarçando.

Ela lê a mensagem.

Sara: Eu tenho que ir agora, Tomás. Beijo.

Tomás: Tá bom, beijo. – responde, desconfiado.

Fora da sala, Sara responde a mensagem de Fernando, marcando um encontro.

 

23. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE ROBERTO E CAROL

Carol sai do banho e Roberto estava deitado na cama, já de pijama.

Carol: Já vamos dormir? Achei que veríamos um pouco de televisão.

Roberto: Televisão é algo do qual não preciso hoje.

Carol: Desculpa.

Roberto: Amor, eu notei que você evita emitir qualquer opinião sobre toda essa história.

Carol: Roberto…

Roberto: Hoje mais cedo a Lissa me questionou se eu realmente não sabia de nada.

Carol: E?

Roberto: E, digamos que foi mais difícil sentir a dúvida nos olhos da minha própria filha do que nos olhos de todo o meu comitê.

Carol: Eu entendo.

Roberto: E está sendo mais difícil ainda ver a dúvida nos seus olhos.

Carol: Como assim? Eu não duvido de você.

Roberto: Então porque você evita falar disso? Evitou ontem no café, na casa da sua mãe…

Carol: Eu só acho que nada do que eu falar vai ajudar. Estou completamente por fora desse assunto. – diz, desviando o olhar.

Roberto: Como se eu não te conhecesse, Ana Carolina.

Carol: Roberto, eu acredito em você. Se eu não acreditasse, não teria dito um ‘sim’ na frente de um juiz de paz na semana passada.

Roberto olha para Carol, querendo acreditar que ela acreditava nele.

Roberto: Vamos dormir?

Carol: Eu acho que eu vou ver um pouco de TV na sala. Está cedo ainda.

Roberto: Tudo bem. Boa noite.

Carol: Boa noite.

Ele se vira para dormir e Carol vai para a sala.

 

24. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

A campainha toca e Rebeca vai atender.

Rebeca: Oi.

Carlos: Oi. – diz, cabisbaixo.

Rebeca: O que aconteceu?

Carlos: Barbosa Lima. – diz, entrando.

Rebeca: Ai, meu Deus, te demitiram?

Carlos: Pior, demitiram a Mônica.

Rebeca: A Mônica? Mas por quê?

Nesse momento, Vera ia perguntar a Rebeca qual brinco devia usar no jantar com Saulo, quando vê Carlos na sala. Carlos conta a história para Rebeca.

Rebeca: Olha, aquela Guilhermina nunca me desceu na época que eu estagiava lá. Mulher grossa. E ela ainda fala do jeito que você gerencia seus subordinados? Por favor! Ela é uma ditadora e acha isso correto.

Carlos: Eu me sinto péssimo por não ter feito nada para ajudar. A Mônica e a Pam devem estar me odiando.

Rebeca: Você já ligou para elas?

Carlos: Não. Não tive coragem.

Vera: Pois devia. – diz, interrompendo a conversa. – Desculpem, mas não pude deixar de ouvir. Olha, Carlos, por mais dolorosa que seja uma demissão inesperada, a Mônica com certeza sabe que não estava nas suas mãos e a Pâmela, convenhamos, não devia ter tomado a atitude que tomou.

Carlos: Eu sinto que ela fez o que eu devia ter feito.

Rebeca: Pedido demissão por não concordar com a Guilhermina?

Carlos: Não! Defendido a Mon..

Vera: Ligue para ela e marque alguma coisa. Vocês precisam conversar. Aproveita e peça o currículo dela para indicá-la. Se ela é boa mesmo, não vai ser difícil conseguir um emprego.

Rebeca: E quanto à Pâmela, vai ser só você sair do elevador que vai ter que encará-la.

Carlos: Aaaah. – diz, sumindo no sofá.

Vera: Ei, Rebeca. Esse ou esse? – diz, mostrando os pares de brincos. Um par de argolas e um de pérolas.

Carlos: Esse. – responde pela irmã, escolhendo as argolas.

 

25. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE PÂMELA

Pâmela: E, então eu pedi demissão. Não ia agüentar olhar a cara daquela mulher.

Júnior: E o Carlos não fez nada?

Pâmela: Ficou parado feito uma porta. Mas também não havia muito o que fazer. Seria pior pra ele.

Júnior: Mesmo assim. Ele deveria ter argumentado. Isso não é certo.

Pâmela: Mas a posição dele estava em risco também. Sabe-se lá como não está a situação pra ele depois de tudo? Eu entendo o lado dele.

Os dois escutam o elevador abrir e Júnior vai ver se é Carlos. Pelo olho mágico ele vê o irmão procurando a chave para abrir a porta.

Pâmela: Júnior, não precisa ir conversar com ele, sério.

Júnior abre a porta e Carlos paralisa, sabendo que ia ter que encarar Pâmela. Ele se vira e dá de cara com Júnior.

Carlos: Júnior? Não esperava te ver.

Júnior: Esperava a Pâmela?

Carlos: Na verdade, sim.

Júnior: Por que você não ajudou ela, Carlos?

Carlos: Ok, eu não quero brigar com você por isso.

Júnior: É sempre assim. Quando você realmente precisa lutar, brigar por alguma coisa, fica assim, feito um covarde.

Carlos: Não fale o que você não sabe, Júnior.

Júnior: Como se eu não te conhecesse, Carlos. Quando é pra brigar pela atenção de alguém, pelo melhor lugar no cinema, por uma vaga de estacionamento, lá está você. Mas por duas amigas em apuros, você morre de medo da Guilhermina e fica estático, parado, vendo o mundo passando na sua frente.

Carlos: Eu já estou me sentindo culpado demais, acredite em mim.

Júnior: Eu acredito. Porque você sempre faz isso. Depois que percebe que poderia ter agido diferente, fica remoendo o que deveria ter feito e como teria sido se tivesse feito. Ah, Carlos, faça-me o favor. São mais de trinta anos agindo assim.

Carlos: Jogar o que você pensa sobre mim, assim, na minha cara, não vai mudar nada, Júnior. Eu não esperava que você tivesse essa atitude, mesmo entendo que você esteja defendendo a Pâmela, mas era o meu emprego em jogo também.

Júnior: Egoísta da sua parte.

Carlos: Ah, Júnior. Eu não preciso disso.  – diz, entrando no seu apartamento, batendo a porta na cara de Júnior.

 

26. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SAULO

Saulo arrumava os últimos detalhes da mesa de jantar e a campainha tocou.

Saulo: Só um instante!

Ele corre para abrir a porta, esperançoso que seja Vera.

Saulo: Boa no… Mãe?

Diva: Ah, finalmente, achei que não ia abrir essa porta nunca. – diz, já entrando.

Saulo: O que a senhora está fazendo aqui? – fecha a porta.

Diva: Vim visitar você, não posso? Aposto que você tem mantido isso aqui uma desorganização total desde que voltei para a casa da sua irmã.

A campainha toca de novo.

Diva: Está esperando alguém? – ela se vira para a sala de estar – Ah, um jantar?

Saulo respira fundo e vai abrir a porta.

Vera: Boa noite.

Saulo: Boa noite.

Diva: Ah, Vera.

Vera não entende a presença de Diva, mas a trata normalmente.

Vera: Dona Diva.

Saulo: Errr.. sente-se, Vera, por favor.

Diva: Vocês voltaram?

Saulo e Vera se olham. Ela estava visivelmente a espera de uma resposta duvidosa, ou até negativa.

Saulo: Sim.

Vera se surpreende.

Diva: Ah, que bom. Saulo estava muito pra baixo, Vera. Você anima este meu filho.

Vera e Saulo se olham de novo. Ela esboça um sorriso.

Vera: Que bom, Dona Diva.

Diva: Não vamos jantar? Venham.

Saulo balbucia um ‘Me desculpe’ para Vera, que responde com um ‘Sem problemas’. Os três se sentam para jantar e conversar.

 

27. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE VERA

Júnior: Você acha que eu fiz mal?

Rebeca: Não precisava ter falado desse jeito com o Carlos, não é Ju?

Júnior: Poxa, Beca. A Pâmela é minha namorada e ele não fez nada.

Rebeca: Mas entende o lado dele! É o emprego dele e ele está numa situação péssima no trabalho por causa do acontecido. Se ele tivesse se metido seria pior talvez.

Júnior fica pensativo.

Júnior: Ah, eu não gostei da atitude dele e achei que ele deveria saber.

Rebeca: Eu também achei que calado, ele não deveria ter ficado, mas não falei porque ele deve ter tido os motivos dele.

Júnior: Todos sempre passando a mão na cabeça dele.

Rebeca: Quem ouve até pensa que nunca passaram a mão na sua, né?

Júnior não gosta do que ouve, mas Rebeca não se importa.

 

28. EXTERNA – DIA – PADARIA BEIJO DE MOÇA

Carlos estava impaciente numa das mesas da padaria. Olhava o relógio de minuto em minuto, quando sua convidada finalmente chegou.

Carlos: Oi, Mônica.

Mônica: Oi.

Ela se senta e ele demora a começar a falar.

Mônica: Eu sei que foi difícil para você ver aquela cena e não fazer nada. Eu sei que você não teve culpa.

Carlos: Jura?

Mônica: Juro.

Carlos: Eu não sei o que me deu. Eu preferia não acreditar que aquilo estava acontecendo. Eu não sei o que vai ser de mim ali sem você.

Mônica: Oh, meu querido. – diz, segurando as mãos dele. – Você vai tirar de letra.

Carlos: Você trouxe o que eu pedi?

Mônica: Trouxe.

Mônica entrega cópias de seu currículo para Carlos.

Carlos: Eu prometo que vou conseguir algo para você, viu? Prometo.

Mônica sorri para Carlos, que retribui com um beijo nas mãos dela.

 

29. INTERNA – DIA – CASA DE NORA

Nora estava ao seu notebook, digitando freneticamente suas ideias, quando Carol chega.

Nora: Filha.

Carol: Oi, mãe.

Nora: Tudo bem?

Carol: Não. Mãe, a senhora acredita que o Roberto seja inocente? – dispara.

Nora: Claro. Durante todo esse tempo, se teve uma coisa que o seu marido mostrou foi integridade. Isso ele tem de sobra. Você não concorda?

Carol: Concordo. A senhora acha que eu não demonstro que concordo?

Nora: Carol, onde você quer chegar?

Carol: Ele se chateou comigo porque eu disse que acredito nele, mas não com tanta firmeza.

Nora: Não é para menos. Ele precisa que todos que acreditam nele o apóiem. Se você, a esposa, não passa isso. O seu pai, uma vez, foi acusado de armar para que um funcionário da Andanças fosse demitido por justa causa e perdesse todos os direitos. O funcionário não admitia de maneira alguma que tinha errado e seu pai tinha todas as provas. Durante muito tempo, os outros funcionários acreditaram no homem e não no seu pai.

Carol: E a senhora?

Nora: Não saí do lado do seu pai um só minuto. Aquele discurso de ‘Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza’ é cafona, mas vale, filha. Acredite em mim.

Carol: E a Vera?

Nora: O que tem a Vera?

Carol: Ela era amante do papai. ‘Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza’, sem fidelidade, de nada vale.

Nora se põe a pensar.

Nora: Eu fiquei ao lado dele em todos os momentos que acreditei nele. E eu não soube da Vera enquanto ele esteve vivo. O que não diminui o erro do seu pai, mas… Eu quero que você saiba que o seu pai sempre foi um ótimo homem, sempre que esteve ao meu lado. E isso bastava para mim.

Carol fica pensativa.

 

30. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

Sara e Fernando caem na cama, após iniciarem a manhã fazendo muito esforço.

Sara: Nossa. Como é bom acordar assim sempre.

Fernando: Esse seu horário sem aulas dia de sexta é formidável.

O celular de Sara toca e Fernando pega. Ao passar para ela, vê que é uma mensagem sua que chegou atrasada.

Fernando: Você nunca deletou essa foto do celular?

Sara: Não.

Fernando sorri.

Sara: E essa mensagem?

Fernando: Não precisa ler, já estou aqui mesmo.

Sara: Deixa eu ler.

Ela aperta o botão e lê a mensagem.

“Bom dia, raiar do meu dia. Já chego ai para te levar às nuvens”

Sara: Quando foi que você começou a escrever para cantores de technobrega?

Fernando se faz de ofendido, mas pula em cima de Sara e a cobre de beijos.

 

31. EXTERNA – DIA – CARRO DE CAROL

 

Carol dirigia para seu trabalho, mas seu pensamento não estava no trânsito, nem nos textos que precisaria redigir. Pensava em Roberto e em tudo que acontecia com sua vida. Sabia que confiava em Roberto, mas seu ceticismo de jornalista lhe trazia a dúvida e a necessidade de uma investigação mais apurada. Parada no semáforo, ela recorda as palavras de sua mãe na conversa que tiveram mais cedo. O sinal fica verde e os outros carros começam a buzinar, assustando a jornalista. Carol, então, arranca o carro, decidida a fazer uma coisa.

 

32. INTERNA – DIA – ANDANÇAS

 

Tomás chega a Andanças sem olhar muito ao redor, já pensando nos compromissos do dia. Perto dali, um dos funcionários aponta para Tomás, mostrando-o para um homem, que vai na sua direção.

 

César: Seu Tomás?

Tomás: Sim, sou eu.

César: Eu sou o arquiteto que vai fazer a planta da nova sala de leitura. O Sr. Sérvulo pediu que eu lhe procurasse para que o senhor me apresentasse a sala.

Tomás o cumprimenta, meio desatento,

Tomás: Sim, sim. Ele me avisou. Vamos, então?  – diz, entregando sua pasta para um funcionário. – Guarda na minha sala, por favor, Renato?

Os dois, então, se dirigem para a sala. Tomás caminha pela sala relembrando a sua criação, pensada por seu pai. Ele relata tudo, muito emocionado, para César. O arquiteto, então, pede para tirar algumas medidas e Tomás consente. Ele aproveita e pega um dos seus livros favoritos e se senta em uma das cadeiras ao redor de uma grande mesa para lê-lo. Aquele também era um dos livros favoritos de Guilherme. Tomás começa a sua leitura e se emociona ao lembrar do pai.

 

33. INTERNA – DIA – COMITÊ ROBERTO PELEGRINI

Carol entrou no comitê decidida, passando por todos os funcionários sem cumprimentar ninguém, nem responder a quem falava com ela, entrando direto na sala de Roberto, surpreendendo-o.

Carol: Eu acredito em você.

Roberto: Oi, amor.

Carol: É sério. Era essa a segurança que você precisava? – ela se aproxima – Eu acredito em você e vou fazer de tudo para provar, do seu lado, que você não tem nada a ver com isso. – diz, olhando nos olhos dele.

Roberto: Eu te amo.

Carol: Eu também te amo.

Roberto: Obrigado por isso.

Carol: Por te amar? Eu faço de graça.

Roberto: Por acreditar em mim. É extremamente importante.

Carol: Eu sei… Eu sei.

Continua…

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Uma resposta to “Acredite em Mim”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera.

    Demorou mais saiu hein!!!!

    Olha, vou dizer uma coisa, pois se início eu não ia muito com a cara da Pam, agora eu sou fanzoca dela!!!

    Ela fez o que muita gente não tem coragem de fazer, mandar o chefe pra *********!!!!

    Pior que o que mais tem por aí são pessoas iguais à d. guilhermina (com minúscula mesmo). Tem uma coisa que eu sempre falo: “Quer realmente conhecer uma pessoa, lhe dê poder.”

    Que mulherzinha arrogante… E mais, ela ia perder o caso de qualquer jeito, pois hora extra é matéria de prova e mais cedo ou mais ela teria que apresentar toda a documentação, caso contrário o Juiz ia declarar como sendo correto o alegado pelos Reclamantes, já que a empresa não provou o contrário… Chupa bunita!!!! KKKKK

    E a campanha?? Será que vão descobrir a verdade?? Bem, com a Carol entrando no circuito, quem sabe??

    E a ladinha Sara e Fernando? Ah, assumam logo que voltaram e pronto… Cruzes!!!

    No mais, tudo dentro dos conformes…

    Até o próximo!!

    Bjs e abraços.

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