Nos episódios anteriores: Nora fica presa em casa, vigiada por Sara e Júnior. Carol não sabe como lidar com a doença da mãe e foca toda sua atenção ao seu casamento eminente. Sara se irrita com a relapsidade da irmã e as duas discutem, pela segunda vez. Marcelo notou o distanciamento de Sara, após a recaída que ela teve com Fernando. Tomás e Vitória reformam o quarto de Tiago e o dão a Caio, para fazê-lo se sentir mais confortável. Júnior está dividido entre o vestibular do meio do ano e seu relacionamento recente com Pâmela. Por medo de compromisso, Carlos não apresentou Diego aos Andrades. Vera e Saulo brigaram e ela está cada vez mais presa em sua solidão.

 

 

01. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DE JÚNIOR

Júnior tinha um caderno e livros teóricos e de exercícios de matemática abertos em sua escrivaninha. Calculadora, borracha e lápis compunham o ambiente, porém, a atenção do Andrade agora era direcionada ao telefone que segurava junto à orelha.

 

Júnior: Eu estou falando, Carlos. Mamãe vai pirar com a Sara. Outro dia, peguei ela sentada na mesa da cozinha olhando para uma faca de carne e suspirando enquanto Sara tagarelava sobre a importância de tomar os remédios na hora certa na sala.

Carlos: Nazi Sara. – Os dois riram com o apelido. – Tenho pena do que Gabs, Dudu e Rafa passam diariamente. Se eu fosse você, eu ia já tocar na casa do seu Isaac aí do lado para eles irem se esconder em algum porão. – Júnior riu.

 

Júnior: Carlos, você é cruel.

Carlos: Muito obrigado, irmãozinho. Na realidade, eu ainda não te contei porque liguei. – Júnior fez silêncio, em sinal de espera. – Carol quer que nós vamos amanhã no ateliê que ela escolheu fazer a prova da roupa dos padrinhos.

Júnior: Sério que vai ter isso? Eu jurava que a gente ia cada um com o terno que tivesse no armário. Já tinha até separado o meu do batizado dos gêmeos.

Carlos: Pois é, eu ia com o do enterro do papai.

Júnior: Carlos! Você ia com roupa de enterro em um casamento?

Carlos: O que é que tem? Vai dizer que você iria reconhecer a minha roupa? Roupa social de homem é tudo igual, Júnior. De um jeito ou de outro, Carol quer a nós todos vestindo a mesma cor. Vai ter até alfaiate pra fazer o caimento perfeito.

Júnior: O que deu nela? Nunca imaginei que o casamento dela fosse ser algo assim. Na minha cabeça, estava mais para coxinha e bolinha de queijo numa bandeija de alumínio e guaraná em copo plástico.

Carlos: Não tendo aqueles enfeites bregas de centro de mesa, qualquer coisa que ela escolher está bom para mim. Não falo mais nada. Eu acho que é para fazer bonito com a imprensa, os políticos amigos de Roberto. Ela deve estar querendo morrer.

Júnior: Está certo, e que horas isso?

Carlos: Hoje à tarde. Eu te passo uma SMS com o endereço e o horário certinho porque está no meu email.

Júnior: Hoje à tarde? E se eu não pudesse?

Carlos: Mas é claro que você pode. Seus estudos iriam parar de qualquer jeito, seja qual for o dia e eu já falei com Hitler Andrade para te cobrir durante a tarde.

Júnior: É agora que a mamãe explode.

Os dois conversam um pouco mais e desligam. Imediatamente, Júnior volta a atenção para os estudos.

 

 

02. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO – COZINHA

Carol e Roberto tomavam café na mesa da cozinha. Larissa já havia saído para o colégio.

 

Carol: Amor, eu vou hoje com meus irmãos e o Gabs ver os ternos dos padrinhos. O cara é o mesmo que vai fazer o seu. Eu preciso que você vá também.

Roberto: Hoje? – Ele toma um gole do café, repensando sua agenda. – Que horas?

Carol: No meio da tarde. – Ela deu uma mordida em sua torrada. – Ah! E eu preciso que você fale com a Renata e a Letícia para virem para o Rio na terça. Por causa da prova das madrinhas.

Roberto: Pode deixar que eu falo com as duas, sim. E quanto a hoje, você precisa mesmo que eu vá? Você não pode fazer os quatro resolverem isso hoje e eu vou alguma outra hora?

Carol: Roberto, nós vamos nos casar em menos de duas semanas. O que foi dessa vez? – Antes que ele pudesse responder, ela completa. – Reunião com o comitê da campanha? Estou certa?

Roberto: Está sim. – Ele se levanta e coloca a xícara usada na pia. – Nós vamos nos casar em duas semanas, mas a eleição é em outubro! Os números oscilam muito rápido e eu tenho que avançar com essa campanha, Carol. Eu achei que você soubesse no que entrou quando aceitou casar comigo.

Carol se levanta também, nervosa. Ela deixa a louça na pia e fica parada ao lado de Roberto, controlando o que dizer.

 

Carol: Isso quer dizer que você não vai hoje? Certo. – Ela sai em direção a porta. Sua reação irrita mais Roberto do que se ela tivesse rebatido com outro argumento.

 

Roberto: Eu vou tentar estar lá. Se eu demorar muito é porque não consegui ir.

Carol: Ok. Bom trabalho. – Ela sai e fecha a porta atrás de si.

03. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE TOMÁS – SALA

Vitória assistia ao jornal matutino, tomando café, enquanto Tomás terminava de se arrumar para ir trabalhar. Caio já havia pegado a van para ir à escola.

 

Tomás: Vi, é provável que eu chegue mais tarde hoje de novo. – Ele comentou enquanto calçava os sapatos. Notou a insatisfação no rosto da esposa. – Eu sei que tem sido cada vez mais constante, mas é que a situação tá pesada. Muito, muito trabalho pendente. E o coordenador da Papier ainda está de marcação cerrada comigo.

Vitória: Eu sei, mas é só que eu gostaria que você passasse mais tempo com Caio, sabe? Tenho a impressão que eu me dedico tanto e você fica na Andanças o dia inteiro.

Tomás: Isso é injusto. Eu fico na Andanças o dia inteiro para o Caio poder ter a melhor vida possível aqui também.

Vitória: Eu sei, desculpa. Me expressei mal. É que você sai de manhãzinha e volta a noite. Eu volto só as 17 do banco também. Não quero que ele seja aquelas crianças que ficam sem os pais na maior parte do tempo.

Tomás: Vamos cuidar disso, ok? – Ele se levantou e beijou levemente a mulher. – Agora eu realmente preciso ir. Vou tentar chegar o mais cedo possível.

Vitória: Está bem. – Ela sorri. – Bom trabalho.

04. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Nora e Diva estavam deitadas na sala, assistindo à TV. A campainha toca e Júnior corre para atender.

 

Júnior: Pode deixar, que deve ser a Sara! – Nora revira os olhos e Diva se afunda ainda mais em sua cadeira.

 

Júnior abre a porta e encontra Sara segurando duas sacolas de padaria.

 

Sara: Oi Ju. – Ela o cumprimenta com beijos na face. – Trouxe algumas gostosuras para o lanche. Mãe, eu sei que você adora pão doce.

 

Nora se levanta para ir cumprimentar a filha, enquanto Diva finge que está dormindo.

Nora: Ah, brigada, querida. O médico liberou açúcar? – Ela pergunta irônica.

 

Sara: Ha. Ha. – Ela finge que ri, deixando as compras na mesa da cozinha. – Você sabe que liberou, dona Nora. Já está comendo açúcar há dias.

Nora: Sempre bom conferir, não é mesmo? – Ela começa a preparar café para a filha. – Quer um cafézinho? Ia passar um para mim mesmo.

Sara: Claro, mãe. Você aproveita e toma com o remédio das três e meia. – Ela se vira para Júnior. – Ela está tomando tudo direitinho? Se cuidando?

Júnior: Sim, Sara, ela está ótima, como durante a semana toda. – Sara dá de ombros. – Bom, vou indo então, antes que a nossa mais nova noivazilla me devore vivo. – Ele sai e fecha a porta, se despedindo da família de longe.

 

Sara: Viu? Não sou só eu que acho que ela está obcecada.

Nora: Não é só ela que está obcecada. – Ela comenta baixinho, de costas para a filha.

 

Sara: Que foi?

Nora: Nada, querida. – Ela responde, pegando duas xícaras do armário e colocando em cima da mesa.

 

05. INTERNA – DIA – ATELIÊ

Tomás, Júnior, Carlos e Gabriel estavam vestindo seus respectivos ternos azul-escuro, parados com os braços abertos. Dois alfaiates passavam de Andrade para Andrade, tirando medidas para fazer possíveis retoques. Carol observava a tudo ao lado de Larissa, sentadas em um banco.

 

Júnior: Gabs, eu queria falar com você uma coisa. – Ele disse só para o sobrinho.

 

Gabriel: Que foi, tio?

Júnior: Eu queria fazer outro grupo de estudos. – Antes que Gabriel pudesse responder, Júnior complementa. – Eu tenho estudado pra caramba, mas de vez em quando sinto que não consigo guardar o que eu leio.

Gabriel: Sei bem como é.

Júnior: Pois é, e sua mãe me disse que você está entrando em semana de provas. E com dificuldades em Física. Sou expert em eletrodinâmica quase. – Ele sorri. – Você acha que você poderia marcar um dia na sua casa? Com seus amigos.

Gabriel: Com meus amigos? – Ele fica pensativo.

 

Júnior: É. Quanto mais gente melhor. Acho que uma ótima maneira de aprender é tentar ensinar pros outros. A gente pode fazer turnos e daí fixa na cabeça. – Ele sorri em expectativa.

 

Gabriel: Ahn, pode ser… Eu acho. – Ele engole em seco. – Eu ia estudar com eles na escola amanhã. Vou ver com minha mãe se posso levar todos para casa. Daí eu te ligo.

Júnior: Beleza! – Os dois são distraídos pela voz de Carlos.

 

Carlos: Você fica uma graça de pinguim de geladeira, Tomás. – Ele comenta, enquanto Tomás está em volta de fitas métricas.

 

Tomás: Tá falando o quê? Você está com a mesma roupa que eu.

Carlos: Com a exceção que a minha construção física é bem mais apropriada para esse tipo de roupa, e portanto eu fico elegantérrimo em ternos.

Tomás: Até parece! Nós somos irmãos, nem somos tão diferentes assim.

Carlos: Lógico que somos. Você tem essas pernas enormes que te deixaram ser jogador de vôlei, mas que por outro lado, fazem parecer que você está andando com pernas-de-pau.

Tomás: E que sempre fizeram sucesso. Isso é inveja sua. Você realmente não acha minhas pernas bonitas? Vai dizer…

Carlos: Tomás, isso é perturbador, você é meu irmão.

Júnior: Eu não acredito que eu tô ouvindo isso. – Ele disse entre risadas abafadas de Gabriel e Larissa. – Não sei o que é pior. O Carlos começar essa conversa ou o Tomás realmente se importar com a aparência das pernas.

Todos riem com vontade, enquanto os alfaiates passam para Carlos e Júnior, e Tomás e Gabriel podem relaxar. Larissa vai ficar ao lado do namorado e todos se viram para ver Roberto chegar.

 

Roberto: Oi, espero que não tenha me atrasado muito. – Ele sorri simpático e vira para Carol. – Vim o mais rápido que pude.

Carol: Tudo bem. Ainda dá tempo. Espera eles acabarem com os dois ali e daí você veste o seu terno, ok? – Roberto faz que sim com a cabeça.

 

Tomás: E aí, Roberto? Como anda a campanha? Você tem que ver, os pais de Vitória são seus eleitores mais fiéis. Toda eleição votam em você, e não só isso, distribuem panfletos, recomendam… Só não fazem boca-de-urna porque é ilegal.

Roberto: Tenho que lembrar de falar com eles quando nos encontrarmos novamente. – Ele sorri, simpático. – A campanha está bem. Já marcamos o estúdio para gravar a primeira chamada do horário eleitoral gratuito.

Carlos: Enquanto isso, o candidato do PSTU está gravando na garagem de casa.

Júnior: Super agradável, Carlos, super. – Enquanto o alfaite media a barra de sua calça, Júnior percebeu Carol andando para lá e para cá com o celular na mão, gesticulando.

 

Roberto: Não, mas eu concordo. Acho um absurdo. Deveria haver uma quantia pré-determinada igual para a realização de campanhas políticas. E também o tempo que cada político fica no ar deveria ser o mesmo.

Carlos: Mas como não é,…

Roberto: Como não é, usaremos todos os nossos recursos para vencer e garantir que no futuro haja igualdade não só nesse setor, mas em vários outros. – Carlos concorda com a cabeça. – Bonito o terno que Carol escolheu, não?

Os homens começam a falar sobre o terno. Roberto cruza seu olhar com o de Carol e ela se volta para a conversa com o alfaiate principal, sobre orçamentos e prazos.

 

Larissa: Gabs, você está lindo de terno. Fica tão mais velho. Impressionante como a roupa muda a aparência das pessoas, né?

Gabriel: Está dizendo que eu não sou lindo normalmente? – Ele brinca, fazendo charme.

 

Larissa: Um ogro. Namoro com você por piedade. – Eles se beijam e percebem Carol olhando feio. Se afastam.

 

Gabriel: O que ela tem?

Larissa: Não sei, está meio estranha faz uns dias. – Os dois dão de ombros.

 

Gabriel: Aposto que você vai ser a mais linda do casamento. – Ele abraça ela pela cintura. Carol começa a ficar nervosa, enquanto falava com o alfaiate.

Larissa: É, e nada de me ver antes. Dá azar.

Gabriel: Eu achei que isso era só com o casal de noivos.

Larissa: Melhor não arriscar. – Eles se beijam levemente mais uma vez, agora por mais tempo.

 

Carol larga o alfaiate falando sozinho e anda em direção ao casal.

 

Carol: Gabs, caramba! Custa ficar longe dos lábios da Lissa por um tempo? – O casal se assusta e se solta. Tomás, Júnior, Carlos e Roberto também param a conversa para ver Carol. – Até pelo menos tirar esse terno. Vai amassar tudo e daí vão cobrar e, acredita em mim, os preços aqui são absurdos! Deus me livre, vocês não se desgrudam.

Roberto: Carol, se amassar, pode deixar que eu pago.

Carol: Não, Roberto, não é assim! Você não pode ignorar todos os preparativos do casamento e, quando algo der errado, vir dizendo “deixa que eu pago”! Pode deixar que se eu estou preparando, eu arco com as consequências. – Ela cospe as palavras, sem pensar direito. Os outros ainda assistiam assustados o desabafo de Carol.

 

Roberto: Carol, vem aqui. – Roberto pega Carol pela mão e a leva para o vestiário do ateliê.

06. INTERNA – DIA – ATELIÊ – VESTIÁRIO

Roberto: O que está dando em você? Você tem estado muito nervosa ultimamente.

Carol: Se você não estivesse muito ocupado ultimamente, saberia porque eu tenho estado tão nervosa. – Ela respira. – Sabe como eu sonhava meu casamento quando eu era pequena, Roberto? – Roberto olha para ela em sinal de espera. – Minha boneca sempre acordava tarde, tomava café da manhã, um banho. Fazia um penteado fenomenal, as unhas, num momento de puro ócio. Aí ela escolhia um vestido fabuloso, fazia a maquiagem dos sonhos e saía de casa para encontrar o jardim todo cheio de velas, cadeiras e convidados. O noivo estava no altar, impecável, esperando por ela. Ela andava pelo corredor e os dois se casavam. Só isso. Nem vestido de noiva eu colocava na boneca. Nunca fiz muita questão.

Roberto: E por que está assim agora? Por que, de repente, virou a senhora noiva do ano?

Carol deu uma risada sarcástica e andou de um lado para o outro, irritada. Quando ela respondeu, saiu um pouco mais alto que o planejado.

 

Carol: Por você, Roberto! Por você! Por você, pela sua família, pela minha família, pela Sara que teve o casamento perfeito, pela Renata que vai ficar denegrindo minha imagem como esposa pelo resto da nossa vida de casados quando eu for jantar com seus pais. Pela minha mãe que me preocupa se vai estar aqui para ver outro casamento. Pelos comentários ácidos do Carlos, que não são por maldade, mas sempre machucam. Pelos meus amigos jornalistas que eu preciso causar boa impressão. Pelos seus colegas políticos, que devem ser mais sujos que banheiro de motel, mas precisam manter as aparências e frequentar um casamento digno de socialite da elite carioca. Pela mídia que vai noticiar isso aqui como se eu fosse a droga da Adriane Gallisteu casando pela quinta vez. E, principalmente, por você que merece ter um casamento digno de governador do Rio de Janeiro, e não do meu boneco caolho que esperava no altar.

Roberto ficou calado. Não esperava aquele desabafo da quase esposa. Ela espera uma resposta dele, mas quando vê que ela não vem, corta o silêncio.

 

Carol: Eu vou voltar pra lá. Deixei o alfaiate falando sozinho, coitado. – Carol anda em direção ao salão principal, mas encontra Júnior na porta.

 

Júnior: Oi. – Ele sorri sem graça. – Gente, o vestiário não é tão longe do salão e vocês não estavam falando exatamente baixo.

Carol: Que foi, Ju?

Júnior: Desculpa eu me meter, mas eu sou um Andrade e a impressão que ficou para mim é que isso é tudo um mal entendido. Eu tenho uma sugestão, se vocês me permitirem.

Roberto: Pode falar. – Ele olha para o cunhado, desacreditando.

 

Júnior: O casamento logo chega e eu não vi nenhum comentário sobre uma das maiores tradições que há em casamentos. A despedida de solteiro! – Carol vira a cabeça, em sinal negativo. – Sério, pensem bem. É algo que distrai a cabeça, faz vocês perceberem o porque realmente estão casando um com o outro… Aposto que você não vai nem cogitar bolos, vestidos, buffets, flores, Carol. E é 100% seguro. Eu não bebo, lembra? Garanto que seu marido estará em plena segurança.

Carol: Não cogitar buffets e flores seria uma ótima idéia.

Júnior: Eu posso falar com a Rebeca para ela organizar algo bem legal para você e as meninas. Ela sai muito mais do que eu e deve conhecer lugares legais.

Carol: O que você acha? – Ela se vira para Roberto. Um esboço de sorriso no rosto.

 

Roberto: É uma boa idéia. – Ele sorri. – Você merece toda diversão e relaxamento no mundo.

Júnior: Ótimo. Então pode deixar que eu cuido de tudo. – Os três começam a sair em direção ao salão. – Roberto, você prefere loiras ou morenas? – Carol lhe dá um tapa no braço. Júnior recua e ri. – Brincadeira! Brincadeira!

Roberto: Loiras, claro. – Ele olha para Carol, que sorri.

07. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Sara estava na mesa da cozinha com alguns papéis em mão e uma caneta. Nora entra para pegar um copo de água.

 

Nora: Filha, o que é isso?

Sara: São as contas daqui. Estou resolvendo para você, não se preocupe. – Ela levanta os olhos para a mãe. – E já liguei para o Júnior e pedi para ele passar na farmácia na volta e trazer mais do remédio que tá acabando.

Nora: Sara, eu tive um problema no coração, não na cabeça. Eu não estou senil. Posso muito bem cuidar das minhas próprias contas.

Sara: Ok, então. Só estava querendo ajudar. – Ela diz, ressentida.

 

Nora: Filha, não quis ser grossa. – Nora se senta de frente para Sara. – Quero conversar com você.

Sara: Sou toda ouvidos.

Nora: Eu fico realmente agradecida e contente de ver que você se preocupou tanto comigo. Me orgulha perceber que você tomou as rédeas da situação. Isso sempre me orgulhou em você: como você é capaz de estar no controle da sua vida e sair vitoriosa de praticamente qualquer coisa, Sara. De todos os meus filhos, você sempre foi a mais forte. Que demora mais para cair ou dar um passo para trás. – Ela coloca a mão sobre a de Sara. – Porém a mesma coisa que me deixa orgulhosa também está me dando nos nervos. Você está ficando muito controladora comigo. Estou me sentindo oprimida, Sara.

Sara: Só estou me preocupando, mãe.

Nora: O Júnior está se preocupando. Você está se descontrolando.

Sara: Você acha que não é muito mais fácil simplesmente te visitar uma vez por semana? Eu tenho que me preocupar com meus filhos, meu emprego, meu namorado também… Mas alguém tem que ser responsável por aqui. O Júnior tenta, mas ele ainda não tem a experiência que eu tenho. Carlos, Tomás, tio Saulo e Rebeca são uns amores, mas quantas vezes eles aparecem? E a Carol, sem comentários.

Nora: Não se faça de vítima, Sara. Não combina com você. Eu consigo andar, lembrar os horários dos remédios, me vestir sozinha. Não vou fazer nada contra minha saúde. Eu não tenho nenhum instinto suicida. – Elas se encaram, uma entendendo a outra. – Tudo que eu preciso de vocês é o carinho, o incentivo. Que não precisa ser presencial todo dia. Eu entendo que todos vocês têm vidas próprias e que elas também são conturbadas. Você se lembra o quão complicado é planejar um casamento? E você ainda teve a minha ajuda e a de Carol e o seu marido não era alguém conhecido no Estado todo. Ela está sozinha. Você deveria tentar entendê-la.

Sara: Mãe, isso não justifica…

Nora: Não peço para que você concorde com ela, mas tente entendê-la. – Nora faz carinho na mão da filha e se levanta para deixar o copo de água na pia.

 

Júnior entra, com uma sacola da farmácia, que ele deixa em cima da mesa.

 

Nora: Então, como foi a prova?

Júnior: Conturbada… Mas tudo se resolve com despedidas de solteiro.

Sara: Como assim?

Júnior: Eu sugeri e eles toparam. Não sei como vou fazer para organizar a da Carol, né… Acho que vou falar com a Rebeca.

Nora olha para Sara, como se dizesse algo que as duas sabiam o que era.

Sara: Não, pode deixar por minha conta. – Ela olha para Nora que sorri.

 

Júnior: Tá certo então. Sobrou um pouco daquele pão doce?

 

08. INTERNA – DIA – CONSULTORIO DE RUTH – SALA DE ESPERA

Carlos entra no consultório de Ruth e encontra Ingrid sentada em uma das cadeiras, folheando uma revista Caras. Ela não percebe o Andrade.

 

Carlos: Oi. – Ele diz, educado.

 

Ingrid: Carlos! – Ela se inclina para beijá-lo no rosto, desconfortável. – Como vai?

Carlos: Bem e você?

Ingrid: Também.

Os dois se olham por um tempo sem continuar a conversa, em um silêncio constrangedor.

 

Carlos: E como você tem ido? Não te via faz tempo.

Ingrid: É, eu tinha mudado de horário. – Ela percebe que a mensagem pode ser entendida como uma desculpa para não ver Carlos. – Por causa do trabalho, você sabe. Diego deve ter comentado alguma coisa.

Carlos: Na verdade, não. É, não falamos muito sobre você. – Ingrid olha para baixo, constrangida. Carlos tenta consertar. – E voltou para esse horário por quê?

Ingrid: Ah, fui remanejada. Agora estou entrando mais cedo no trabalho. Melhor, sabe, consigo ficar mais tempo com o Fábio e a Micaela. – Carlos faz que sim, compreensivo. – Diego não falou mesmo nada de mim?

Carlos: Não. – Carlos começa a se preocupar. – Por quê? Ele deveria?

Ingrid: Fiquei com medo que as crianças tivessem contado para ele. – Carlos fica em silêncio, esperando uma explicação. – Eu estou namorando de novo.

Carlos: Ah, mas isso é ótimo! – Ele vibra, aliviado. – Qual o nome dele? Que ele faz?

Ingrid: André. Ele é endocrinologista.

Carlos: Outro médico! – Carlos comenta com um sorriso amarelo.

 

Ingrid: Pois é, minha sina. – Ela responde, retribuindo o sorriso amarelo. – Mas, Carlos, por favor, eu preciso que você não conte nada para o Diego.

Carlos: Mas por quê? Não é como se ele estivesse esperando para reatar com você. Quer dizer, ele já começou a namorar há alguns meses. – Ele tenta consertar, sem muito êxito.

 

Ingrid: Eu sei, mas prefiro que ele não saiba por enquanto. Por favor.

Carlos: Pode deixar, não vou falar nada. – Ele diz, mas Ingrid não parece muito convencida. Nesse momento, Ruth sai com um paciente da sala.

 

Ruth: Boa tarde, Carlos. Já já falo com você. – Ela se vira para a mulher. – Ingrid, vamos?

As duas entram no consultório.

09. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE VERA

Rebeca e Vera comiam comida chinesa numa caixa enquanto Rebeca mostrava algumas fotos espalhadas pela mesa para Vera.

 

Rebeca: Essa daqui foi a primeira que eu tirei. O Murilo me deu a câmera e falou para eu fotografar como quisesse, que estava curioso para ver o que saíria. – Ela comentou passando uma foto para Vera.

 

Vera: Linda, filha. Esse Murilo é o fotógrafo de lá, você disse?

Rebeca: Isso. A agência do Davi é enorme. Tem um estúdio próprio de fotografia e gravação. Não é muito grande, mas o suficiente para as peças e campanhas que eles desenvolvem lá.

Vera: E quantos anos ele tem? – Ela pergunta e come mais do seu yakissoba.

 

Rebeca: Não sei, mãe. Acho que uns 27, 28. Não muito. – Vera faz que sim com a cabeça.

 

Vera: Novinho, né? Achei que ele fosse mais velho.

Rebeca: Não, não. Mas por que isso?

Vera: Só curiosidade. – Ela sorri maliciosa. Rebeca retribui com um olhar de surpresa. – Ah, filha. Parece que tá rolando um clima entre vocês. Você tem falando tanto dele no telefone, não sei. Não tá acontecendo nada?

Rebeca: Ainda não. – Ela ri. E tira um pouco mais de comida da caixa com os hashis. – Mas vamos mudar de assunto. Como você tá com o tio Saulo? Ainda não ligou para ele?

Vera: Não e nem pretendo. – As duas ficam sem falar por um tempo, sentindo o clima. – Acho que eu preferia ter continuado falando sobre o Murilo. – E ela ri, sem achar realmente graça. Rebeca ri também.

 

Rebeca: Vocês combinam tanto. Mas, ok, você que sabe. – Elas continuam a comer. – Por que você não vai visitar Nora amanhã? Eu fui lá essa semana e ela já está bem melhor, mas não o suficiente para continuar com a rotina dela. Deve estar bem entendiada, vai ser bom receber visitas.

Vera: Não sei não, filha. Ela pode não gostar e é muito educada para pedir que eu saia.

Rebeca: Bobagem, eu mencionei de você ir vê-la e ela falou que faz questão que você vá. Até para que ela possa te agradecer. – Vera ia falar alguma coisa, mas Rebeca a interrompe. – Além do que, essa resolução do Saulo não me parece definitiva. Quem sabe ele e a irmã não conversaram sobre isso? Ela pode te dar bons conselhos.

Vera: Pode ser uma boa idéia. Pelo menos eu vejo alguém mais do que o pessoal da Quatro Estações. É tão ruim ficar sem o Saulo lá. Agora todos vêm a mim pedir decisões e conselhos. Eu nunca tive um negócio antes.

Rebeca: Eles confiam em você. Primeiro passo de ser um bom líder. – Ela sorri e as duas acabam suas caixinhas de comida.

 

Vera: Então, continua me mostrando suas fotos! – Rebeca volta a mostrar as fotos e as duas conversam, rindo.

10. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA – COZINHA

[♫ You & Me – Dave Matthews Band]

Sara tomava uma taça de vinho, enquanto refletia sobre o que a mãe havia dito sobre sua relação com Carol. Fernando chega com os cabelos molhados.

 

Fernando: Obrigado por me deixar tomar banho aqui. Ficar com os meninos dá uma canseira danada.

Sara: Fernando, você morou aqui. Usufrua da água corrente o quanto quiser. – Ele ri. Ela serve uma taça de vinho para ele também. Ele aceita. – Você acha que eu sou controladora?

Fernando: Na cama, um pouco. – Ele sorri debochado e bebe um gole de vinho, apoiando-se em um dos armários da cozinha.

 

Sara: Sou nada! – Ela também ri, leve. Ele faz que sim, com a cabeça, com o mesmo sorriso no rosto. Sara dá de ombros. – Bom, você gostava.

Fernando: Eu ainda gosto. – Os sorrisos de ambos lentamente se dissolvem, enquanto eles se encaram a distância.

 

Sara: Eu namoro. – Ela diz incerta. – O que tivemos foi só uma recaída.

Fernando: Outra recaída. – Ele bebe mais. – Não que eu esteja reclamando, veja bem, mas seria bom poder beber da melhor fonte que eu conheço sempre que estiver com sede.

Sara ri alto, jogando a cabeça para trás, divertindo-se.

 

Sara: Ai Ferdi, que comentário cafajeste. – Fernando também ri. – Não combina com você.

Fernando: Viu? Já está na hora de nos conhecermos de novo. – Os dois riem, inseguros de até onde podem ir com a conversa. – As crianças se acostumariam bem facilmente a me ter aqui de novo. Quer dizer, não é como se eu tivesse realmente me distanciado, não é?

Sara: Não, é verdade. Mas nessa questão, não são só as crianças que importam, não é? Eu tenho o Marcelo. – Fernando olha para Sara com um sorriso de canto de boca, incrédulo. Sara sorri, em dúvida. – Que foi?

Fernando: É melhor eu ir. – Ele acaba com a taça de vinho com um gole. – Já está ficando tarde. Boa noite.

Sara se levanta para abrir a porta. Fernando se despede dela com um beijo no rosto e sai. Sara fecha a porta, e senta-se de novo, pensativa.

11. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE TOMÁS – QUARTO

Vitória está deitada na cama do casal, lendo. Tomás chega e se deita ao lado dela.

 

Tomás: Coloquei ele na cama. Ele não tem problemas para dormir, né? Isso é ótimo.

Vitória: Verdade… Com tudo que ele passou, era de se esperar…

Tomás: E como foi o dia hoje? Sossegado?

Vitória: Até demais. – Ela fecha o livro e o coloca no criado mudo.

 

Tomás: O que você quer dizer?

Vitória: Acho que ele tá meio solitário. Eu cheguei do trabalho hoje e ele logo em seguida veio da escola. Disse que o período integral é muito chato, que ele não tem o que fazer, que nenhum dos amiguinhos dele fica à tarde. – Tomás olha para a esposa, pensativo. – Mas também não tem o que fazer, né? Não dá para eu ou você chegarmos mais cedo do trabalho, e ele ainda é muito novo para ficar sozinho.

Tomás: Realmente, não há o que ser feito quanto a isso. Conforme ele ficar mais tempo, ele fará mais amigos. O que podemos fazer é garantir que ele não se sinta assim quando nós pudermos nos disponibilizar para ele. – Vitória se vira para o marido. – Amanhã vou sair mais cedo do trabalho. Passo, pego ele na escola e damos uma volta.

Vitória: Ótima idéia! Ajudá-lo a sentir que aqui é a vida dele agora. – Os dois se beijam e olham um para o outro com carinho. Vitória então reabre seu livro e Tomás liga a TV.

12. INTERNA – NOITE – APARTAMENTO DE SARA – SALA

Sara estava sentada no sofá de sua sala. A taça de vinho ainda em uma das mãos. O telefone na outra. Ainda discordava e desaprovava a atitude que Carol havia tendo acerca seu casamento e a doença da mãe, porém, o que Nora havia lhe dito pesava em sua consciência. Uma das duas teria que ceder, por que não ser ela? Discou o número de Carol e aguardou alguém atender a chamada.

 

Carol: Sara? O que houve? A mamãe está bem?

Sara: Está, tudo ótimo com ela. Eu te acordei?

Carol: Não, eu estava longe de dormir. Mente incansável. – Há um silêncio. – Por que você está me ligando?

Sara: Eu queria pedir desculpa por como eu estive agindo sobre seu casamento. É óbvio que eu estou felicíssima em ver minha irmã caçula se casar! Como poderia não estar? E eu quero ajudar nesse processo. Não é justo que você passe por todo esse caos de preparação sozinha. Ou com o Carlos, que é quase a mesma coisa. – As duas riem.

 

Carol: Sara, você não sabe como eu fico contente em ouvir isso. Sério, seria terrível não te ter do meu lado nesse momento.

Sara: E quando recuperamos esse tempo perdido?

Carol: Amanhã vou fazer a prova do cardápio e do bolo. Que tal?

Sara: Ótimo! Estarei lá, sem dúvida! Ajudar minha irmã com o casamento e ainda comer de graça? Lógico!

Carol: Legal, te passo o endereço por email depois então, ok?

Sara: Certo. E, Carol, antes de desligar, descanse bem amanhã, viu? Sábado nós vamos arrebentar.

Carol: Mentira que o Júnior te designou para a minha despedida de solteira!

Sara: Eu me ofereci. – Ela sorri, contente com o rumo que a conversa tomava. – Ponha seus melhores sapatos para dançar, porque você vai até o chão, irmãzinha.

Carol: Credo, Sara, parece o Gabs ou o Júnior falando.

Sara: Ainda nem casou e já tá com mentalidade de velha? – Carol ri do outro lado do telefone.

 

Carol: Ficarei preparada. Te vejo amanhã, então.

Sara: Certo, boa noite.

Carol: Boa noite.

Sara: E Carol, – Ela consegue dizer antes da irmã desligar o telefone. – eu estou muito feliz que possamos fazer isso.

Carol: Eu também. – Breve silêncio. – Boa noite. – Sara ouve Carol desligando.

 

13. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE CARLOS – QUARTO

Carlos acorda vagarosamente e se vira na cama. Encontra Diego vestindo a camisa de trabalho.

 

Carlos: Já ia me deixar sem falar comigo? – Ele pergunta, apoiando o rosto em uma das mãos. – Estou me sentindo usado. Um homem-objeto.

Diego: É isso mesmo. Eu te quero só pelo seu corpinho sarado. – Ele arqueia as sobrancelhas e ri. – Chega de drama. Eu estava só me trocando. Ainda ia fazer café, preparar a mesa e te acordar. Mas você estragou a surpresa.

Carlos: Ah, agora eu posso te ajudar a fazer o café. – Ele se senta na cama. – Espero que tenha café.

Diego: Tem sim, eu já conferi. E pelo tempo que eu tenho, não vai passar muito de só um café mesmo.

Carlos: Ê, vida de médico! – Diego faz que sim com a cabeça e senta-se na cama para colocar as meias. – E sábado, como está sua agenda?

Diego: À noite? Acho que está sossegada, por quê?

Carlos: Meu irmão está organizando uma despedida de solteiro pro meu futuro cunhado e eu gostaria que você fosse.

Diego: Não sei, Carlos…

Carlos: Por favor. Se eu bem conheço o Júnior, ele vai preparar algo com mulheres seminuas, e não sei se é algo que eu posso lidar bem sozinho. – Diego ri.

 

Diego: Mas é que eu não conheço ninguém da sua família. O máximo foi trocar algumas palavras com a Sara. Não quero me sentir um peixe fora d’água.

Carlos: Como assim, você não conhece ninguém? – Carlos começa a buscar na memória e percebe que, de fato, ele nunca havia apresentado Diego a ninguém.

 

Diego: Bom, não é como se você tivesse feito muita questão até agora. Não ia ser estranho eu ir na despedida de solteiro do seu cunhado sem ter ido ao noivado? – Carlos fica constrangido. – Escuta, eu não fico chateado. Mesmo. Adoraria conhecê-los, mas não é algo que eu anseie todo dia. Acredite, já passei dessa fase. E como você mesmo disse, terão mulheres seminuas na despedida de solteiro, acho que não é a melhor ocasião para eu conhecer seus familiares. – Ele sorri.

Carlos: Esteja livre hoje a noite. Vou te apresentar a minha família. – Diego desiste de colocar os sapatos por um tempo e se vira para encarar Carlos. – É sério. Da maneira mais tradicional e perturbadora possível: com um jantar na casa da minha mãe.

Diego: Você não precisa, Carlos. É sério, tá muito em cima… A gente deixa para algum momento melhor.

Carlos: Estamos acostumados a fazer coisas em cima da hora. – Ele ri. – Sério. Eu quero mesmo fazer isso. Quero te incluir na minha vida. – Diego se inclina e eles se beijam.

Diego: Ok, eu passo aqui e vamos juntos? – Carlos faz que sim e sorri, contente. – Mas veja bem, isso não significa que eu vou livrá-lo dos extremos perigos de mulheres sedutoras.

Carlos: Certo, isso nós vemos depois. – Ele diz entre risadas,  aproxima-se de Diego e dá um beijo em seu pescoço. – Que tal aquele café agora, doutor?

14. INTERNA – DIA – SUBWAY

Rebeca e Murilo estavam almoçando sanduíches e conversando.

 

Murilo: Olha, presunto, peito de peru e bacon, quem diria? Uma moça tão delicada comendo tudo.

Rebeca: O que te deu essa ideia de que eu sou delicada? – Ela ri. – Você ainda não viu nada. E você, senhor patê de atum? Está de dieta?

Murilo: Por quê? Você acha que eu preciso? – Ele olha para ela fixamente com um sorriso divertido nos lábios.

 

Rebeca: Aparentemente não, mas vai saber… Sabe como é, né? Você pode ter aquela barriguinha de chopp. – Ela ri, se divertindo. – Eu ainda não te vi sem camisa.

 

Murilo: Já sei como resolver isso então. – Rebeca olha para ele com cara de reprovação, mas ainda rindo. Ele se diverte com a reação dela e ri ainda mais. – Eu quis dizer para irmos à praia. Tem feito sol a semana toda, amanhã deve estar sol também. A gente pega uma cor, e eu ainda levo a câmera para tirarmos umas fotos, que você acha?

Rebeca: Está ótimo! Deus sabe como eu quero ir à praia, faz eras que eu não vou. – Murilo dá uma mordida em seu lanche. – Acho melhor você pegar meus cookies então, né? Para eu manter a forma…

Murilo: Confessa. – Rebeca olha para ele confusa.

 

Rebeca: Confessar o que?

Murilo: Que você fez esse comentário só para eu te elogiar. Tô sacando a sua, menina. – Ele diz brincando. Rebeca se faz de chocada. – Bom, o efeito funcionou. Você não precisa desperdiçar os cookies, vai ficar linda com ou sem eles.

Rebeca joga os cabelos para trás e faz poses de modelo, fazendo graça. Os dois riem e continuam seu almoço.

15. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – QUARTO DE JUNIOR

Júnior tinha acabado de voltar do almoço. Com a aproximação do vestibular, ele estava estudando cada vez mais. Pretendia continuar com seu estudo até a hora que Gabriel lhe desse sinal verde para ir a casa de Sara estudar, porém foi interrompido pelo celular.

 

Pâmela: Alô, Ju?

Júnior: Oi, Pâmela! Como você tá?

Pâmela: Bem e você? Estudando muito?

Júnior: Tô bem. Estudando horrores. Acredita que vou num grupo de estudos hoje?

Pâmela: Credo. A melhor coisa é não ter que estudar mais. – Ele fica em silêncio. – Por isso mesmo, vou te salvar desse inferno e nós vamos sair para dançar amanhã.

Júnior: Putz, eu adoraria, mas eu não posso.

Pâmela: Ah não, se você disser que vai estudar, eu vou correndo aí te sequestrar.

Júnior: Não. – Ele ri. – Eu estou organizando a despedida de solteiro do meu cunhado. E vai ser amanhã.

Pâmela: Hm, despedida de solteiro, é?

Júnior: Algum problema?

Pâmela: Não. A gente deixa pra sair na semana que vem, então. Eu vou amanhã com a Mônica e o… O Carlos vai nessa despedida também?

Júnior: Vai sim. Ele e o médico dele foram convidados.

Pâmela: Médico misterioso, né?

Júnior: Nem me diga.

Pâmela: Ok, vou deixar você estudar então. Não quero ser a culpada por você não entrar na faculdade. Um beijo. E divirta-se amanhã.

Júnior: Você também. Beijo. – Os dois desligam e Júnior volta a se sentar e estudar.

16. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – COZINHA

Diva tirava um cochilo enquanto Nora preparava uma bandeija com bolinhos e reservava a chaleira para quando Vera chegasse. O telefone tocou.

 

Nora: Alô.

Carlos: Oi, mãe! Tudo bem?

Nora: Bem parado, né? – Ela se senta numa cadeira da cozinha para conversar. – Pelo menos Vera vem até aqui hoje. Vou ver alguém que não seja minha mãe ou um filho.

Carlos: Sua ingrata. Se ainda fosse só a Nazi Sara, mas eu, seu filho mais bonito, que te mima pra caramba…

Nora: Não fala assim da sua irmã! Ela estava um pouco controladora, mas eu já conversei com ela. Ela só estava querendo ajudar…

Carlos: Foi só uma brincadeira, mãe. Bom, de qualquer jeito, eu liguei para te dar uma boa notícia!

Nora: Eba, estou ansiosa por boas notícias. O que houve?

Carlos: Sabe como você está desocupada e louca para ter coisas para fazer?

Nora: Continue. – Ela diz, curiosa.

 

Carlos: Que tal um jantar hoje a noite? Daqueles que você ama, com a família toda? Eu já comecei a convidar as pessoas.

Nora: Jantar? – Ela se levanta da cadeira, agitada. – Mas Carlos, assim de repente? Não tenho coisas suficientes aqui em casa, o que eu posso cozinhar? Qual é a ocasião?

Carlos: Isso você vai amar, quero apresentar o Diego para vocês.

Nora: Então, tem que ser uma comida importante. Tem alguma coisa que ele não goste?

Carlos: Então, mãe, ele é vegan. Não come nem ovo e leite de tão vegetariano.

Nora fica em silêncio, em choque. Carlos começa a gargalhar do outro lado da linha.

 

Nora: Carlos, isso não tem graça! Ele come porco? Estou pensando em costelinha… Que horas isso?

Carlos: Para comer porco tem que ser cedo, né? Coisa pesada…

Nora: Posso fazer outra coisa, então… Um fricassê de frango? Carlos, eu não tenho nada para prato mais sofisticado.

Carlos: Mãe, relaxa. Tanto o frango quanto o porco está ótimo. Não tem que ser nada sofisticado. Pensei umas 21, o que acha?

Nora: Ótimo, dá tempo de preparar alguma coisa decente! – Ela ouve a campainha. – Carlos, tenho que ir, a Vera está aqui. Mas fiquei muito contente que você decidiu nos apresentar seu namorado, viu?

Carlos: Certo, certo, mãe. Boa ex-amante para você e até mais tarde, beijo. – Os dois desligam e Nora vai até a porta.

 

 

17. INTERNA – DIA – UFRJ – CORREDORES

Sara estava resolvendo pendências da faculdade, como corrigir provas e preencher formulários. Sua cabeça variava entre regras básicas do marketing aplicado a administração e o bufê que visitaria com Carol em pouco tempo. Despertou quando ouviu Marcelo se sentar a sua frente.

 

Marcelo: Bom dia. Fugiu de mim o dia inteiro. – Sara levanta os olhos para o professor. Imediatamente se lembrou da conversa com Fernando no dia anterior.

 

Sara: Eu tive um milhão de aulas. Não consegui parar para pensar em nada. – Ele faz que sim com a cabeça, pensativo. Sara muda o approach, e sorri simpática. – Como você está?

Marcelo: Eu estou levando… – A fala dele é interrompida pelo celular de Sara. Ela atende sem nem olhar o visor.

 

Sara: Alô? Oi Gabs. Claro, claro que pode… Não, não! Lógico que não vou deixar você, sua namorada e um milhão de adolescentes sozinhos com o Júnior. – Sara passa a mão na cabeça, pensando no que fazer. – Liga para ele então e fala para ele ir praí daqui uma hora e meia que eu chego aí pra ficar com vocês. Ok. Beijo. – Ela se vira para Marcelo. – Oi, desculpa. Era meu filho.

Marcelo: Eu percebi. – Ele diz ligeiramente irritado.

Sara: Do que estávamos falando? – Quando ela termina de falar, seu celular faz um bip, indicando mensagem. Ela olha, era de Carlos: “Jantar hoje na casa da mamãe às 21. Vá elegante, para causar boa impressão no médico. Bjs.” – Isso, Carlos, joga mais coisa no meu colo.

Marcelo: O quê?

Sara: Meu irmão vai apresentar o namorado para a família hoje à noite.

Marcelo: Sara, eu queria conversar com você.

O sorriso de Fernando quando ela mencionou Marcelo. Ações de endomarketing em multinacionais. Bufê com a Carol. Gabriel, Júnior e adolescentes conturbando sua casa. Glicose da Rafa. Jantar na casa da mamãe. Será que ela está tomando os remédios? Por que concordou em não fazer mais marcação cerrada?

 

Sara: Claro. Pode falar.

Marcelo: Eu sinto que você não está tão envolvida com a nossa relação. Faz uma semana que a gente não conversa mais do que um oi. Mesmo antes, a gente se falou uma vez a cada dois, três dias! Faz quase um mês que a gente não sai! Ir para a cama então…

Sara: Marcelo… – O celular de Sara toca de novo. Ela olha o visor e vê o nome de Júnior. – Eu não vou atender.

Marcelo: É o mínimo que você poderia fazer.

TRIM.

 

Sara: O que você quer dizer com isso? Eu tenho outros elementos na minha vida que não você, Marcelo.

Marcelo: Ah, todos têm. Eu também tenho uma filha, eu também tenho trabalho. E eu estou me dando muito mais para a nossa relação. É uma questão de perceber o que está mais complicado e dar prioridade.

TRIM.

 

Sara: Minha mãe está doente, estou sem falar com a minha irmã, dou aula em duas faculdades. Quando eu tenho um tempo livre, eu cuido da minha casa e dos meus filhos. E nem tô falando só de curtir porque eu sou separada e a única em casa. Um dos meus filhos é adolescente, outra diabética e o outro hiperativo. Desculpa, Marcelo, você definitivamente não é minha prioridade.

TRIM.

 

Sara: E eu vou atender esse telefone. – Ela atende. – Oi Júnior. Não é porque eu não confio em você. Júnior, você realmente acha que você consegue lidar com tanto adolescente junto? Pára de ser criança. Eu tenho que pegar os gêmeos de qualquer jeito e levá-los para casa. Eu fico aí com vocês. Tchau. – Ela desliga. Marcelo está irritado.

 

Marcelo: Pois é, dá para ver. Acho melhor a gente encerrar isso então. Sobreviver em um relacionamento não é o que eu quero e, pelo jeito, nem você. – Ele se levanta e sai pela porta.

 

Sara joga o corpo para trás na cadeira. Suspira alto e passa a mão pelo cabelo, triste e estressada. Ela estabelece uma meta de corrigir mais algumas provas e correr para buscar os gêmeos na escola e ficar em casa com os amigos de Gabriel.

 

18. INTERNA – DIA – CONFEITARIA

[♫ Rain On Your Parade – Duffy]

Carol estava sentada em uma mesinha, com o celular em mãos, girando-o. Já tinha passado 40 minutos do horário que ela tinha combinado com Sara. Carol se irritava a cada minuto que passava. Recusava-se a ligar para a irmã depois de tudo que tinha feito.

 

Atendente: Senhora, tem outro cliente marcado para daqui a pouco. Podemos começar a prova?

Carol olha para a mulher com os labios comprimidos, sacudindo a cabeça e revirando os olhos em descrença. Ela inspira e expira e depois a responde, com um sorriso falso no rosto.

 

Carol: Claro. Desculpa te deixar esperando. Vamos começar.

19. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Quando Nora abre a porta, vê Vera com uma sacola de livraria na mão.

 

Vera: Oi Nora, boa tarde. – As duas se cumprimentam com beijos no rosto. – Como você está se sentindo? Melhor?

Nora: Ah sim, estou boa já. Pronta para outra. – Ela sorri simpática.

 

Vera: Nem brinca, Nora! Foi desesperador te ver daquele jeito. – Ela acompanha Nora ao se sentar no sofá e entrega para a anfitriã a sacola que carregava. – Eu te trouxe um presente, para ajudar a passar o tempo durante a recuperação. Espero que você goste.

Nora: Ah, Vera, muito obrigada. – Ela aceita o livro e abre o embrulho.

 

Vera: Imagina, não é nada. Só uma lembrancinha.

Nora: Não, digo, obrigada por tudo. Por ter salvado a minha vida quando eu fiquei doente.

Vera: Nora, não foi nada, de verdade. Você teria feito o mesmo por mim. Não fiz mais do que qualquer um faria.

Nora: Não sei se é o que todos fariam, mas não é esse o ponto, você salvou minha vida e isso é sim algo a se agradecer. – Vera sorri, vencida.

 

Vera: Está certo, então. De nada. Não poderia deixar de te salvar. – Ela ri meio constrangida. –          Mas que ótimo, não é? Que a recuperação está sendo rápida.

Nora: Rápida para quem está de fora. Eu não aguento mais ficar enfurnada aqui dentro. A sorte é que Carlos quer dar um jantar aqui em casa, algo para me ocupar. Vai ser as 21, você está mais que convidada.

Vera: Ah, muito obrigada, mas acho que vou passar. Pensei em arrumar minha casa hoje a noite para não deixar acumular para o fim de semana. Rebeca com certeza virá, ela e Carlos ainda são próximos desde que ela trabalhou lá.

Nora: Rebeca é um amor, sempre tão solícita. Fico feliz que ela tenha ficado próxima aos meus filhos. A considero como uma filha. – Nora sorri simpática, as duas ficam em silêncio, sem saber direito como prosseguir com a conversa. – Eu preparei um lanchinho para a gente. Aceita chá?

Vera: Claro. – Ela sorri e permanece sentada, enquanto Nora vai até a cozinha.

 

Quando Nora volta, carregando uma bandeija, Vera se serve de um bolinho e pega a xícara que Nora lhe indica.

 

Nora: E a Quatro Estações, como anda? Saulo já voltou a trabalhar?

Vera: Como assim? Saulo está aqui?

Nora: Sim, ele voltou de viagem no começo da semana, você não sabia? Acho que a culpa bateu por ter viajado com a irmã e a mãe doentes.

Vera: Bom, Saulo e eu estamos brigados, Nora.

Nora: Mas é um covarde. Ele não pode ficar de férias para sempre, vai ter que te encarar uma hora ou outra.

 

Vera: Não sei o que é pior: olhar para o rosto dele todo dia e ver como ele está magoado ou ficar sem vê-lo.

Nora: Bom, você realmente o magoou bastante.

Vera: Eu sei. Eu estava muito confusa com tudo que estava acontecendo. Parece que a minha vida e a sua não se desgrudam.

Nora: Como assim?

Vera: Guilherme, daí Saulo e Davi. Sabe, eu realmente fiquei me perguntando se tudo isso era por inveja, por ciúme… O que raios fazia com que isso acontecesse.

Nora: Vera, você não precisa…

Vera: Definitivamente já tive inveja de você, mas hoje não. Eu te respeito muito, Nora, mas não conseguiria ter sua vida. Não é para mim, de fato. – Nora dá um gole em seu chá.

 

Nora: Estamos quites, então. Ou você acha que eu nunca invejei sua aparência vistosa, imponente, a maneira como você agrada aos homens e parece estar sempre se divertindo, não importa que você esteja fazendo a coisa mais desagradável da Terra? Mas também vi que isso não é para mim. – As duas sorriem genuinamente.

Vera: Sabe, eu não quis realmente o Davi desde que ele veio de São Paulo para ajudar na Quatro Estações, foi uma impressão besta. Eu amo o Saulo de verdade. É uma pena eu ter tido que terminar com ele para perceber isso.

Nora: Por que você não liga para ele? Marca uma conversa? Ele definitivamente ainda tem sentimentos por você. Peça desculpas, seja sincera.

Vera: Eu pensei nisso, mas não sei se deveria. Você acha mesmo?

Nora: Sem dúvida. Ficar separados só deixaria os dois tristes.

Vera: Então acho que será isso mesmo que eu farei. – Ela sorri suavemente, agradecida. – E esse bolinho? Você que fez?

20. INTERNA – DIA – ANDANÇAS-PAPIER – CORREDORES

Tomás estava saindo mais cedo da Andanças para passear com Caio. Ele andava pelos corredores, rumo a porta, quando é interrompido por Breno, o coordenador da Papier que cuidava da Andanças.

 

Breno: Tomás? Saindo mais cedo?

Tomás: Ah sim, Breno. Tenho ficado aqui além do horário durante as últimas semanas. Aproveitei que resolvi minhas pendências e não tenho reunião hoje e vou dar um passeio com meu filho.

Breno: Filho?

Tomás: Eu e Vitória adotamos um menino. – Ele comenta, sem revelar muito, querendo sair rápido dali.

 

Breno: Nós gostaríamos de saber quaisquer mudanças na família, Tomás. Para manter nosso cadastro bem organizado e atualizado.

Tomás: É que foi tudo muito rápido. Mas agora vocês sabem. – Ele se vira. – Agora, com licença. Meu filho está esperando.

Breno: Tomás, a Andanças não está mais por conta própria e você não é o presidente da Papier. Não pode simplesmente fazer seus próprios horários. – Tomás olha para Breno, tentando disfarçar a raiva. – Eu entendo que você tenha ficado aqui por mais tempo do que o programado nos últimos dias, mas estamos passando por uma situação difícil. Não é uma política de compensação.

Tomás: Breno, eu realmente tenho que sair. Sinto muito. – Ele diz sem a menor verdade. – Os recibos que você solicitou estão na sua mesa. Tenha um fim de semana maravilhoso.

Tomás dá as costas para o homem e sai para o estacionamento antes que Breno pudesse responder qualquer coisa, sentindo-se aliviado, mas um pouco preocupado.

21. EXTERNA – DIA – PARQUE

Tomás e Caio andavam no parque, tomando picolés. O dia começava a esvanecer.

 

Tomás: Está gostoso o sorvete?

Caio: Uhum! Adoro uva. E o seu? – Ele olhou para o mais velho, genuinamente curioso.

 

Tomás: Está ótimo! Eu prefiro limão mesmo.

Os dois se sentam perto de uma lagoa. O sol se punha e o céu adquiria tonalidades variadas. Eles ficam em silêncio por um tempo, apenas apreciando a sutileza da natureza.

 

Caio: Sabe por que tem tantas cores no céu? – Ele chama a atenção de Tomás, que percebe que o menino estava com os olhos marejados. – Quando o mundo foi criado, as cores se reuniram para escolher com que coisa cada uma iria ficar. Elas combinaram que podiam escolher uma coisa muito importante e outras menos. Então o Vermelho escolheu o sangue, que corre nas veias de todo mundo e faz a gente existir. O Verde escolheu as matas, as árvores, os frutos, que permitem que todos os animais se alimentem, inclusive o ser humano. O Amarelo, o sol, que nos dá energia. O Branco escolheu a claridade, o Preto a escuridão. O Azul ficou com o céu e o mar. As cores não gostaram do Azul ter duas coisas tão importantes no mundo, então fizeram um plano: Todo dia, quando o dia der lugar a noite, todas elas se juntariam e dividiriam o céu.

Tomás: Que história bonita. Onde você ouviu? – Ele passa a mão pelo cabelo de Caio, surpreso.

 

Caio: Meu pai sempre me contava quando a gente assistia ao pôr-do-sol. Eu sinto muita falta dele. – Ele falou olhando para baixo, triste.

 

Tomás: Eu não sei se sou tão bom contador de histórias quanto seu pai, mas prometo tentar. Quero que você se sinta muito bem na minha casa, comigo, com a Vitória e com toda nossa família. Que você se divirta muito.

Caio: Ah, mas eu estou adorando – Ele responde de pronto. – Sério! Tô adorando ficar com vocês e o quarto que você fez pra mim, é muito legal! Só quando eu penso no meu pai que eu fico triste, mas ele deve estar feliz onde está. A Vitória sempre me diz.

Tomás: E é verdade. A gente gosta muitíssimo de você, viu? E se você precisar ou querer qualquer coisa, é só falar.

Caio: Obrigado. – Ele sorri, feliz, as lágrimas já secas embaixo do olho. – Eu queria uma água.

Tomás ri da ingenuidade do menino e os dois vão buscar uma água.

22. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA

[♫ Rain On Your Parade – Duffy]

Sara chega em casa, cheia de sacolas nas mãos e com os gêmeos tagarelando atrás de si. Ela coloca as sacolas na mesa da cozinha e fecha a porta. Enquanto os gêmeos tiram os sapatos e deixam as mochilas nos quartos, Sara bate na porta do quarto de Gabriel. Ela escuta risos e entende que ele está lá com Júnior e os amigos. Volta para a cozinha para servir refrigerante para os meninos, e pára de repente.

 

Sara: Ai, não. O bufê com a Carol! – Ela leva as duas mãos à cabeça e puxa o cabelo. – Burra, burra, burra! Estragou tudo. Existe alguma coisa que você se comprometa e consiga fazer funcionar?

23. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE SARA – QUARTO DE GABRIEL

Júnior, Gabriel, Larissa, outros três meninos e duas meninas estavam sentados espalhados pelo quarto, com livros abertos.

Joana: Não, aí você não sabe. – Todos prestavam atenção no que a menina falava. Gabriel e Larissa estavam sentados abraçados, carinhoso. Júnior tentava ler o livro. – Cara, ele tascou um beijo nela. Daqueles desentupidor de pia, tá ligado? – Os adolescentes demonstraram reações diversas.

 

Luís: Mas e aí? Eles tão ficando ou nem?

Joana: Ah, cara nem sei. Acho que foi aquela vez só. Mas ela é mó dada, certeza que já ficou com todos os amigos dele. – Vários riram, alguns complementaram com comentários maldosos sobre o casal em questão.

 

Júnior: Gabs. – Ele diz baixinho para apenas o sobrinho e Larissa ouvirem. Os dois olham. – É sério que esse são seus amigos?

Gabriel: Eu não gosto dessa menina, mas ela é amiga do Maurício e daí ele trouxe ela e a amiga.

Larissa: Gente, a conversa tá ótima. – Ela diz alto para a chamar a atenção. – Mas todo mundo precisa de nota, né? Vamos estudar? – Júnior olha para a menina e sorri em agradecimento.

 

Júnior: A gente tava na história, mas se vocês quiserem a gente pode mudar pra, sei lá, física. Vi que é bom ir alternando os tópicos. – Joana e a outra menina se olham e riem uma risada incrivelmente irritante.

 

Luís: Ah, qualé, corta o clima não! A gente tá na maior vibe sussa aqui e já vem matando o rolé.

Maurício: É, digamos que a gente tá no nosso break. Daqui a pouco a gente volta a estudar.

O burburinho continua e Gabriel e Larissa olham para Júnior, com pena. Ele olha para os dois desacreditando. E se levanta, com o livro.

 

Júnior: Galera, vou saindo. Minha mãe tá doente, vou lá dar um help para ela.

Maurício: Falou, cara. Boa sorte aí. – Júnior agradece com a cabeça e sai do quarto. Antes que a porta se fechasse, ele escuta.

 

Luís: Panaca.

Gabriel: Qual é, Luís? Ele é meu tio. E com certeza vai se dar muito melhor que qualquer um de vocês em qualquer coisa.

Júnior anda até a porta rindo e vê Sara na sala.

 

Sara: Já vai?

Júnior: Foi uma péssima idéia. Eu esqueci como é terrível ser adolescente. – Antes de sair, ele complementa. – Nunca mais reclame do seu filho. É sério. Os amigos dele são uns montros. Até mais tarde.

Sara estranha o comentário, enquanto Júnior lança um beijo a distância e sai pela porta.

24. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Nora estava colocando a mesa do jantar quando a campainha toca. Ela vai atender.

 

Tomás: Oi, mãe. – Ele entra acompanhado de Caio.

Nora: Oi, filho! – Ela dá um beijo no rosto do filho. – Oi, Caio, como você está?

Caio: Muito bem, dona Nora. E a senhora? Se sentindo mais bem disposta?

Nora: Estou me sentindo bem, sim, obrigada. – Ela sorri e dá um beijo na cabeça do menino. – Mas não me chame de dona Nora, viu? Você é meu neto agora, pode me chamar de vovó. – Caio faz que sim com a cabeça.

 

Tomás: Caio, você quer assistir desenho? – Ele se vira para a mãe. – Cadê a vovó, mãe?

Nora: Assistindo a novela das 6, mas ela não gosta muito. Mudaria para desenho rapidinho.

Tomás: Então, vamos lá? Enquanto eu ajudo a vó Nora a arrumar a mesa?

Caio faz sinal para que Tomás se abaixe, para que ele possa falar algo no ouvido do Andrade mais velho.

 

Caio: A dona Diva me assusta. – Tomás ri.

Tomás: Ela assusta todo mundo, é normal. – Ele continua a rir. – Mas é só aparência. Ela adorou você! Vamos lá…

Tomás e Nora deixam Caio com Diva e vão para dentro novamente.

 

Nora: O que você quer falar? – Eles pegavam a louça para colocar na mesa. Tomás olha para ela surpreso. – Tomás, eu sou sua mãe. Sei quando você quer dizer alguma coisa.

Tomás: Eu tô preocupado com o Caio, mãe.

 

Nora: Que foi? Ele está chorando muito por Lucas?

Tomás: Cada dia menos. Eventualmente ele vai lembrar só com nostalgia do pai. Não é isso que me preocupa. – Ele pega os pratos e leva para a sala de jantar. – Eu tenho medo de ele não se envolver na família. Imagina, já é difícil para ele incorporar a mim e à Vitória como pais, pense no resto da família.

Os dois deixam tudo em cima da mesa e voltam para buscar copos e porta-pratos.

 

Tomás: Nós fazemos tudo em família. Brigamos uns com os outros, mas somos as nossas maiores muletas. Se alguém está mal, encontra conforto em alguém da família. E não só isso, mas tirando os cônjuges, dificilmente temos amigos em que possamos fazer o mesmo. A família é o centro da nossa vida, sem exageros.

Nora: Tomás…

Tomás: É verdade, eu estava refletindo sobre isso enquanto andava com Caio. Ele já está morando conosco há quase dois meses e só conheceu realmente você, quando viemos te visitar. Júnior é muito simpático e engraçado como ele é com crianças, e Caio adorou ele, mas Júnior está muito ocupado ultimamente. Carlos, Sara e Carol ele viu pouquíssimas vezes. Os primos então, só viu uma vez! Tenho medo que quando ele cresça fiquem sem esse apoio que todos nós contamos tanto.

Nora: Filho, dê tempo ao tempo. Todos estão muito absortos em suas vidas e também não é de se culpar, tanta coisa está acontecendo e com a minha doença no meio de tudo ainda. – Eles começam a distruibuir os lugares. – Por que você não começa deixando ele aqui em casa amanhã? Falei com Sara como eu tenho saudades dos meus netos e ela vai deixar os gêmeos comigo. O Caio pode ficar também. Vou adorar tê-lo e ele pode fazer amizade com os primos.

Tomás: Você tem certeza que está bem para ficar com três crianças? Uma delas sendo o Dudu?

Nora: Você realmente acha que Sara deixaria os gêmeos sozinhos comigo? Para ela, eu estou morrendo. O Júnior vai estar aqui também, relaxe.

Tomás: É uma boa ideia. Como você disse, essa relação tem que começar em algum lugar. Vou falar com ele hoje e ver se ele se interessa.

Nora: Não se preocupe, essas coisas demandam tempo. Ele vai se ajustar perfeitamente. Quando você menos perceber, todos estarão lançando Andrade Express para ele. – Ela sorri e os dois voltam para a cozinha, onde Nora mostra para Tomás o que seria servido no jantar.

 

25. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Todos os Andrades, com exceção de Carlos e Diego, já estavam na casa de Nora. Júnior brincava com Rafaela, Eduardo e Caio. Gabriel e Larissa estavam conversando em um sofá, ao lado de Sara, que conversava com Vitória e Rebeca. Tomás estava com Nora servindo bebidas. Diva estava em uma poltrona. Roberto e Carol conversavam em um sofá separado.

 

Roberto: Como foi seu dia hoje, amor?

Carol: Trabalhei de manhã e tirei a tarde para resolver coisas do casamento. – Ela descansava a cabeça no ombro dele.

 

Roberto: E como foi isso? Está tudo certo? Tem alguma coisa que eu possa ajudar? – Ele oferece, esforçado em agradar a quase esposa.

 

Carol: Bom, tirando o bolo que eu levei da Sara na prova do bolo, está tudo certo. Defini montes de coisas. Espero que você goste de bolo de damasco. – Roberto olha para ela, assustado. – É brincadeira. Eu sei que você detesta. É de frutas, mas eu fiz questão que não tivesse damasco.

Roberto: Ótimo. – Ele sorri. – E Sara não foi? Você estava tão animada ontem.

Carol: Pois é. Eu não quero falar sobre isso. – Ele olha para ela. – É sério. – Ela olha para Sara, do outro lado da sala, decepcionada.

 

Sara: Então, meninas. – Sara falava baixo com Rebeca e Vitória. – Está combinado amanhã. Eu preciso que essa despedida seja o máximo. Pisei na bola hoje com a Carol e eu quero que ela aproveite bastante.

Rebeca: Pode deixar. Todos os meus amigos que já foram nesse bar adoraram! Eu passo e pego ela amanhã. Vai ser bem legal.

Tomás e Nora chegam a sala com bandeijas de copos com água e refrigerante e latas de cerveja, que eles colocam sobre a mesa.

 

Tomás: E o Carlos que não chega?

Diva: Você não conhece seu irmão, menino? Se ele não fizer uma entrada triunfal, não é o Carlos.

A campainha toca e Nora corre para antender. Todas as conversas paralelas cessam e os olhares são dirigidos à porta. Quando ela se abre, Carlos e Diego surgem, sorrindo.

 

Nora: Boa noite! Oi filho. – Ela cumprimenta Carlos com um beijo na bochecha. Depois se direciona a Diego. – Eu sou Nora, mãe do Carlos, muito prazer.

Diego: O prazer é todo meu. – Eles se dão as mãos e depois se beijam na face também.

 

Nora cede lugar pros dois entrarem e Diego percebe todos os olhares voltados para si. Carlos lhe dá a mão e ele agarra.

 

Diego: Eu achei que você tinha dito que ia ser algo pequeno. – Ele sussurra se aproximando do rosto de Carlos, que continuava sorrindo. Carlos começa a apontar e andar para apresentar as pessoas.

 

Carlos: Minha irmã Carol; o futuro marido dela e futuro governador, se tudo der certo, Roberto. – Conforme Carlos falava os nomes, as pessoas acenavam e Diego se aproximava para cumprimentar apropriadamente. – Minha avó Diva; meu irmão Tomás; o filho do Tomás, Caio; os filhos de Sara, Dudu e Rafa; meu irmão Júnior. Tá acompanhando? Se quiser, eu paro para você respirar. – Todos riem e Diego fica sem graça. – Bom, esse casalzinho apaixonado é o filho de Sara, Gabriel e a filha de Roberto, Larissa; minha irmã Sara, que você já conheceu; a mulher de Tomás, Vitória; e a minha irmã, Rebeca. Ufa.

Diego: Prazer, pessoal. – Ele sorri simpático, mas tímido.

 

Nora: O prazer é todo nosso, Diego.

Rebeca: Pois é, estávamos todos loucos para conhecer o médico do Carlos. – Ela ri.

 

Diego: Eu não sabia que o Carlos iria criar tanto drama assim em volta de mim.

Sara: Ah vá, você não namora ele? – Sara e Diego riem.

 

Carlos: Como você pôde ver, Sara é a comediante da família. – Ele ri debochadamente.

 

Nora: Por que vocês não se sentam? Diego, aceita uma cerveja, um refrigerante?

Diego: Uma cerveja está ótimo, dona Nora. Muito obrigado.

Nora sai para buscar as bebidas enquanto novas conversas se formam.

26. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

Diego estava conversando com Rebeca e Júnior quando Carlos chega e põe a mão sobre o ombro de Diego.

 

Carlos: Licença, gente.

Rebeca: O Diego estava nos contando sobre alguns casos do hospital.

Carlos: Conteúdo propício para um jantar. Mas podem continuar, eu não queria interromper.

Diego: Na verdade, eu tinha acabado já. Eu estava indo te procurar.

Júnior: Pois é, maldade você trazer o cara para um jantar Andrade e deixar ele solto? Até perigoso!

Diego: Imagina! – Ele se vira para Carlos. Júnior e Rebeca começam uma conversa paralela. – Onde você tava?

Carlos: Ajudando minha mãe na cozinha. E aí? Que tal a noite até agora?

Diego: Ótima. Sua família me recebeu super bem. Me sinto super confortável e eventualmente vou decorar o nome de todos. – Ele sorri. – Só não sei se era necessário toda essa comoção.

Carlos: A gente se reúne sempre, por qualquer motivo. Não que você seja qualquer motivo, você entendeu… – Ele se confunde. Diego ri. – Mas e então, e a despedida, mudou de ideia?

Diego: Ah, é diferente um jantar de apresentação a sua família e uma despedida de solteiro, né? – Carlos abre a boca para contra argumentar. – Além do mais, eu falei com a Ingrid ontem. Ela pediu para eu ficar com as crianças. Não entendi muito bem por que.

Carlos: Esquisito. – Ele disfarça, se lembrando do pedido da ex de Diego. – Deve ser alguma coisa do trabalho. Uma pena… Vou ter que encarar as strippers sozinho.

Diego: Você é forte, eu confio em você. – Carlos ri e puxa Diego para um beijo. Ele resiste de começo, mas depois se entrega.

 

Rebeca: E aí? Como foi essa reunião?

Júnior: Terrível, Rebeca. Acho que a pior ideia que eu tive desde decidir ir em turnê com a banda do irmão da Bianca.

Rebeca: Credo, Júnior. O que poderia ter sido tão ruim. Era só um grupo de estudos.

Júnior: Eu realmente fico preocupado com o futuro da nação. Só adolescente fútil, estúpido. Deus me livre. A gente falando sobre Carlos Magno, um deles me pergunta se esse era o vocalista do Legião Urbana. Eu quase pulei da janela. – Rebeca ri. – Isso, você ri porque não era você que estava lá. Não conseguiam focar nos estudos, ficavam falando só de pegação e super violentos. O celular de um deles tocou e adivinha? Restart. – Ele faz cara de asco.

Rebeca: Meu Deus! E esses são os amigos do Gabs? Ele não tem esse perfil.

Júnior: Nossa, nem Freud explica essa. O Gabriel se salva de longe. Nunca tive tanto orgulho de algum membro dessa família. Prova viva de que o ambiente não faz a pessoa.

Nora entra na sala e se direciona para Carol.

 

Nora: Querida, você pode me ajudar um pouquinho? Minhas costas estão doendo. – Carol levanta-se solícita e vai até a cozinha. – Acho que Carol pode precisar de ajuda.

Sara: Eu vou. Pode deixar. – Ela se levanta e vai atrás de Carol antes que alguém pudesse dizer alguma coisa.

27. INTERNA – NOITE – CASA DOS ANDRADES

[♫ Rain On Your Parade – Duffy]

Quando Sara entra na cozinha, Carol está com uma vasilha de arroz em uma das mãos.

 

Sara: Carol, desculpa por hoje.

Carol: Com licença, Sara. A mamãe está esperando e isso tá quente.

Sara: Me desculpa, vai. Não fica assim. Foi só o bolo. Eu ainda posso te levar para resolver outras coisas. Como está a festa? Já fechou DJ? Bebida?

Carol: Eu já combinei de ir ver o DJ com a Rebeca. Ela tem um conhecido que toca profissionalmente. A Lílian vai ver a bebida da festa comigo. Não se preocupa, Sara. Você não tem que perder seu tempo precioso comigo. Dá licença.

Carol tenta passa por Sara com a vasilha de arroz na mão. Elas se esbarram e a vasilha quase cai. Sara a salva. Carol olha para ela no lugar onde deveria haver um agradecimento. Sara pega a carne e vai atrás da irmã. Os Andrades já estavam reunidos na mesa de jantar e sem mais palavras, as duas depositam a comida e se sentam. Sara olha para Carol, magoada. Carol percebe, mas ignora, rapidamente engatando uma conversa com Diego, ao seu lado.

 

28. EXTERNA – DIA – PRAIA

Rebeca e Murilo já haviam caminhado bastante pela orla do Rio, tirando fotos e agora torravam sob o sol, deitados em cangas sobre a areia e conferindo as fotos que tiraram.

Rebeca: Olha essa! – Ela ria, enquanto mostrava para ele o visor da câmera. – Um cachorro se aliviando realmente é arte, não?

Murilo: É meu papel, como artista, chocar a sociedade. – Ele ria também. Rebeca muda de foto. – Caramba, Rebeca, que foto linda.

Rebeca: Imagina, eu só achei uma expressão bonita e decidi registrar. – Ela conferia a foto de uma senhora protegendo o rosto do sol voltando do mar. – É isso que eu gosto na fotografia: registrar momentos que nunca se repetirão.

Murilo: Sei como é. Aqueles momentos únicos na vida. Que te fazem perceber como tudo é bonito, até as menores coisas, não é?

Rebeca: Isso! Dá até uma dor no coração de verdade por você não poder ser onipresente e onisciente.

Murilo: E você sente nas veias uma onda de adrenalina, um misto de medo e coragem e vontade de conhecer o novo.

Rebeca: Justamente. – Ela mal tinha terminado a palavra e Murilo se aproximou e a beijou. Um beijo tenro, mas cheio de vontade. Rebeca não resistiu e beijou de volta. O beijo durou algum tempo e os dois se soltaram.

 

Murilo: Wow, isso veio…

Rebeca: Dos momentos únicos, eu tô sabendo. – Ela sorri.

 

Murilo: Bom, só tem que ser único se você quiser. – Ele se aproxima e a beija de novo.

29. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Sara toca a campainha e Nora atende. Os gêmeos correm para dar um abraço na avó.

 

Nora: Oi queridos, o Caio está aí. – Os gêmeos se entreolham. – Legal ter mais alguém para brincar, né?

Nora passa a mão na cabeça dos dois, que entram e encontram Caio sentado no sofá, vendo desenho e tomando suco. O menino sorri quando vê Eduardo e Rafaela.

 

Caio: Oi! É suco de melancia, querem? É meu favorito, a vó Nora fez pra mim.

Eduardo: Melancia é o meu suco favorito! – Ele e Rafaela vão para o jardim e deixam Caio vendo TV.

 

Na porta de entrada, Sara e Nora conversavam.

 

Nora: Como você tá?

Sara: Tô bem, mãe.

Nora: Não tá não, você tá meio triste desde ontem.

Sara: Eu fiquei confusa com a quantidade de coisas acontecendo ontem e acabei esquecendo o programa que eu tinha combinado com a Carol. Ela está furiosa comigo, e eu entendo, mas ela também tem que entender que aconteceu um monte de coisa nesse meio tempo. – Nora coloca a mão no ombro da filha, em sinal de compaixão. – Eu terminei com o Marcelo, para você ter noção.

Nora: Meus deus, sinto muito. – Ela abraça a filha. – Ela vai entender, tenho certeza. Vocês não vão sair hoje? Tente se explicar para ela.

Sara: Veremos, veremos. – Ela comenta e se despede da mãe, combinando um horário para buscar os filhos.

30. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE VERA

[♫ Cosmic Love – Florence and the Machine]

Vera já estava há meia hora sentada em seu sofá com o telefone na mão, apenas pensando. Ela cria coragem e disca o número de Saulo.

 

Saulo: Alô? – Silêncio. – Alô? Tem alguém aí?

Vera: Saulo, sou eu.

 

Saulo: Vera. O que foi?

Vera: Está tudo bem com você?

Saulo: Ótimo. E você? – Ele diz sem emoção na voz.

 

Vera: Não. Eu sinto sua falta. – Saulo ri irônico do outro lado. – Podemos conversar?

Saulo: Segunda-feira eu volto para a Quatro Estações. Podemos conversar tudo que for relativo a isso por lá. Agora, se você me dá licença, eu vou curtir meu sábado. Bom fim de semana. – Ele desliga e Vera continua sentada olhando para o telefone, descrente, triste.

31. INTERNA – DIA – CASA DOS ANDRADES – SALA

Nora havia deixado Diva tomando conta dos netos enquanto ela ia para a cozinha fazer um brownie para o lanche. Diva fazia o sudoku de sua revista, enquanto Rafaela, Eduardo e Caio brincavam com peças de montar.

 

Caio: E se a gente fizesse uma ponte ligando essa parte da cidade até essa? – Ele pegava um bloco de ponte e levava pro lugar indicado.

 

Eduardo: Não! – Ele puxa com força o bloco da mão de Caio. – A ponte, a gente vai usar pra construir a maior torre do mundo!

Rafaela: É, pra servir de vigilância pros invasores. – Ela olha para Caio, fulminante. – A gente tem que construir um forte, Dudu.

Eduardo: Isso! Me passa aquela peça! – Ele indica para a irmã.

 

Caio: Legal, posso ajudar?

Eduardo: Não, você vai ser o inimigo. Toma. – Ele dá meia dúzia de peças para Caio. – Faz o que você quiser com elas.

Caio: Mas eu não quero ser o inimigo. Eu quero ajudar a construir o forte.

Rafaela: São as regras. Os mais novos não tem escolha. A gente é que manda.

Caio: Mas isso não é justo!

Rafaela: Não gostou, para de brincar. – Caio se levanta e anda em direção ao sofá onde está Diva.

 

Eduardo: Hey, vem cá! – Caio se vira. Eduardo e Rafaela se levantam e levam o menino até perto da porta do jardim. – Não é pra falar nada pra bisa Diva! Nem para a vó Nora!

Caio: Mas eu não ia… Eu tava só indo sentar. – Caio pega as peças que Eduardo tinha lhe dado e senta-se um pouco distante dos dois para brincar. Eduardo e Rafaela brincam animados.

 

Nora: Gente, quem quer um lanche? Fiz um monte de coisa deliciosa! – Ela chega na sala e percebe Caio brincando sozinho. – Caio, está tudo bem aqui?

Caio: Uhum, dona Nora. – Ele faz que sim com a cabeça. Nora se dá por convencida momentaneamente.

 

Nora: Vamos comer? – Ela chama e os três se levantam.

32. EXTERNA – NOITE – PRÉDIO DE ROBERTO

[♫ Like a G6 – Far East Movement ft. DEV & The Cataracs]

Júnior, Carlos e Tomás estavam sentados nos bancos traseiros de uma limosine. Um motorista dirigia o carro.

 

Carlos: Se superou, hein Júnior? Limosine… Vamos para onde daqui? Copacabana Palace? Fasano?

Júnior: Qual é a graça de um candidato a governador se casar se tudo não é em grande estilo? Poxa, isso aqui deve sair nos sites de fofoca. Não quero que sejamos fotografados no bar do Tonhão.

Tomás: Quando foi que nós viramos a versão tupiniquim da família real inglesa?

Carlos: Quem nasce para criado não sabe aproveitar a fama. – Carlos finge estar sendo fotografado. Os irmãos riem.

 

Tomás: Quem nasce deslumbrado só consegue falar besteira.

Júnior: Olha, se a fama significar um frigobar dentro do carro, eu tô dentro. – Ele abre o frigobar e pega uma garrafinha de água para ele. Tomás abre uma garrafa de champagne para ele e Carlos.

 

Roberto e Carol esperavam embaixo do prédio de Roberto suas duas caronas para a festa. Rebeca viria buscar Carol.

 

Carol: Uma noite com a Sara é tudo que eu não precisava. – Ela diz em tom de desabafo. – Quero dizer, a Vitória e a Rebeca são boazinhas, mas a Sara vai conseguir estragar tudo. Sabe aquela história de melhor sozinha do que mal acompanhada? Pois é…

Uma limosine preta se aproxima do prédio. A janela do banco traseiro se abaixa e Carlos aparece.

 

Carlos: Uhul, bonitão. Vamos nessa! – Roberto olha para ele com um olhar engraçado e depois para Carol, incerto. – Se você não entrar, o Júnior vai ter uma síncope aqui dentro.

Carol: Vai, amor. Divirta-se. É a última vez que você sai solteiro. – Ela sorri e o beija.

 

Roberto entra na limosine com os irmãos Andrade e Carol fica esperando por Rebeca.

33. INTERNA – NOITE – BAR

[♫ Rain On Your Parade – Duffy]

Sara, Lílian, Luísa, Carol, Rebeca e Vitória estavam sentadas em uma mesa circular. No palco do bar, uma banda tocava músicas animadas. O silêncio reinava na mesa, de vez em quando haviam conversas pequenas entre duas ou três pessoas.

 

Rebeca: Então, Luísa, legal te conhecer. – Ela comenta constrangida, como todas ali. Carol e Sara estavam com bicos enormes. – Lílian sempre fala de você, mas nunca pudemos nos ver.

Luísa: Pois é… Parece que, pelo jeito, sempre que tem alguma coisa em família, a gente consegue brigar. – Ela ri meio sem jeito. Lílian passa a mão nas costas da namorada. – Mas acho que um casamento estimula esse lado romântico, né? Nesse, eu espero ir.

Lílian: E vai, com certeza.

Silêncio novamente. Rebeca e Vitória se entreolham, começando a se desesperar.

 

Vitória: Então, Carol, você já escolheu o vestido de noiva?

Carol: Escolhi sim. – Ela dá um sorriso sem dentes para Vitória e termina, com tom de fim de conversa. – É lindo. Depois você passa lá em casa e eu te mostro.

 

Lílian: Vai casar com babados, cunhada?

Carol: Ah, não. Não gosto de nada que me dê muito volume. – O mesmo sorriso indiferente. Silêncio novamente.

 

Lílian: E você, Sara? Ouvi dizer que você está em duas faculdades. Que loucura, né?

Sara: Pois é, não tenho tempo para nada. – Ela enfatiza a última palavra. – Não interessa quantas agendas eu carregue, sempre pintam milhões de coisas para eu resolver.

Luísa: Deve ser bem agitado, mas tem que manter um tempo para si mesma, né? – Ela comenta, tentando ser simpática. Sara lhe dá um sorriso, porém sem muita verdade.

 

Sara: Vou manter isso em mente.

Silêncio.

 

Rebeca: Quem topa mais uma rodada de chopp? – Ela pergunta já fazendo sinal para o garçom.

34. INTERNA – NOITE – BOATE

[♫ Like a G6 – Far East Movement ft. DEV & The Cataracs]

Os Andrades homens entram na balada e vão logo para o balcão de bebidas.

 

Carlos: Olha, Júnior, de fato não têm strippers aqui.

Júnior: Carlos, eu posso não ter acabado a faculdade, mas eu tenho alguma noção de marketing político. Imagina o Roberto flagrado com mulheres seminuas, que complicado.

Roberto: Vocês têm alguma dúvida de quem é meu cunhado favorito?

Júnior: Além do que, eu sou muito consciente e respeito as minorias. – Ele começa a rir. – Não ia fazer você passar por essa experiência traumatizante de ter mulheres se esfregando em você.

Tomás: Imagina, que coisa terrível! – Ele comenta irônico.

 

Carlos e Tomás pedem duas cervejas, enquanto Júnior e Roberto ficam com garrafas d’água e vão para a pista. Eles já dançavam há um tempo, em círculo. Tomás e Carlos entornando garrafas de cerveja.

Tomás: Júnior, a esquerda, repara. Tá te dando mole. – Júnior olha e vê duas meninas dançando com um copo de caipirinha na mão. As duas sorriram, jogando charme.

 

Júnior: Mas elas estão em duas.

Tomás: Ih, Júnior. Na sua idade eu era mais firme. – Roberto ri.

 

Júnior: Não quero deixar uma delas sobrando, né? Um de vocês têm que vir comigo.

Tomás: Eu sou casado.

Roberto: Eu serei em breve.

Todos olham para Carlos.

 

Carlos: Ah, nem vem! Eu sou o viado, lembra? – Ele desmunheca exageradamente e afina a voz.

Júnior: Carlos, isso não convence ninguém. – Ele diz entre risadas. – Vem, justamente por você ser gay, o Diego não vai se importar.

Carlos: Quando foi com a Pâmela, o Sérgio se importou. – Ele quebra o clima.

 

Júnior: Você não tem que ficar com a menina. Só distrai ela pra mim, enquanto eu vou com a outra. – Ele se aproxima de Carlos e passa um braço pelos ombros do irmão, olhando as duas meninas. – Olha, eu estou interessado na da direita.

Carlos: Ok, ok. Só me deixa pegar mais uma cerveja. – Ele se dá por vencido.

 

Carlos pega a cerveja e ele e Júnior vão falar com as meninas.

 

Júnior: Oi, como vocês tão?

Ana: Bem e vocês? – A menina que Júnior estava interessado responde entre risinhos.

 

Júnior: E tem como ficar mal perto de vocês? – Carlos olha para Júnior sem acreditar naquela cantada de mau gosto. – Quais seus nomes?

Ana: Ana e Carla. E vocês?

Júnior: Eu sou Júnior e esse é o Carlos, meu irmão. Carla e Carlos, que engraçado, não? – Carlos dá uma risada forçada e Carla solta risinhos. – Acho que o destino bateu na sua porta, Carlos. Por que você não vai conhecer a Carla melhor?

Ana e Carla trocam olhares e sorriem. Júnior leva Ana para um canto e deixa Carlos com a outra menina. Os dois começam a dançar, Carlos com cara de poucos amigos.

Carla: Você não fala muito, né? É tímido?

Carlos: É, isso. – Diz sem muito interesse.

 

Carla: Eu entendo, aposto que o Júnior é o mais desenvolto, normalmente os irmãos mais velhos são. – Carlos para o que estava fazendo e presta atenção na menina.

 

Carlos: Como é que é?

Carla: É, os primogênitos normalmente são mais confiantes. Mas eu gosto de homens tímidos. – Carlos percebe que pode se divertir com aquela situação.

 

Carlos: Quer dizer que você percebeu assim que ele é mais velho? Ele deve estar acabado, hein?

Carla: Não acabado, mas dá pra ver que você é mais novinho. Olha sua pele. – Ela sorri e se aproxima, dançando colado. – Eu dei sorte.

Carlos: Ou não. – Ele diz baixinho e se afastando.

 

Carla: E aí, qual é seu signo?

Carlos: Signo? Sei lá. Não acredito nessas coisas.

Carla: Aposto que é sagitário! Eu sempre acabo me dando bem com sagitários. Tem aquela coisa impetuosa que eu gosto, sabe? – Ela se aproxima ainda mais, encostando o rosto no dele. Carlos recua imediatamente.

Carlos: Não sei não. Querida, eu mal te conheço. Não sei do que você gosta. – Ele diz e olha pro lado. Júnior estava beijando Ana. Carla percebe que ele virou o rosto e olha também.

 

Carla: Poxa, já nisso? A gente podia tentar também, né? – Ela se joga para cima de Carlos, agarrando sua nuca e lhe beijando. Carlos se desgruda dela. – O que foi?

 

Carlos: Sabe o que é… Eu sou comprometido.

Carla: Mentira! Cadê a aliança? – Ela começa a berrar, até mesmo para uma balada.

 

Carlos: Eu não uso.

Carla: Então qual o nome dela?

Carlos: Ingrid! – Ele diz o primeiro nome que vem em sua cabeça. Carla parece pensar um pouco.

 

Carla: Eu não sou do tipo possessiva, não vou atrás de você e nem contar pra ela. Pode ficar comigo. – Ela tenta se jogar nele mais uma vez. Carlos vira o rosto e vê que Júnior ainda beijava a menina. Ele começa a se irritar.

 

Carlos: Eu sou fiel.

Carla: Bobagem. Nenhum homem é fiel. – Se agarra nele mais uma vez e lhe tasca outro beijo. Carlos a empurra.

 

Carlos: Você não faz meu tipo!

Carla: O que exatamente não faz seu tipo? – Ela coloca uma mão na cintura, se irritando.

 

Carlos: Esse cabelo alisado e duro, essa sapatilha de Jesus, e, principalmente, o seu órgão sexual. – Ele diz e acaba com a garrafa de cerveja.

 

Carla: Como assim? – Ela pergunta rindo, não entendendo muito bem a situação. – Você é gay?

Carlos sorri irônico e levanta a garrafa, como que propondo um brinde. Carla irrompe em raiva e empurra Carlos. Ela anda com passos firmes até Ana e Júnior e interrompe o beijo, puxando Ana.

 

Carla: Vamos embora! Ele é gay! Não duvido nada que esse aí também seja! – Ela sai puxando Ana, que olha para Júnior, confusa.

 

Júnior olha para Carlos, que faz sinal de desculpas com as mãos. Os dois voltam para onde Roberto e Tomás estavam.

35. INTERNA – NOITE – BAR XIS

[♫ Rain On Your Parade – Duffy]

Luísa e Lílian conversavam baixinho, Vitória mexia no seu celular e Rebeca bebia olhando de Sara para Carol. Essas duas, bebiam olhando fixamente para a mesa, eventualmente levantando o olhar para a outra.

 

Rebeca: Gente, e a despedida dos rapazes, hein? Deve estar uma loucura.

Vitória: Será que o Júnior os levou para algum lugar com strippers como Carlos temia?

Lílian: Roberto tem uma síncope, se fizer. – As três e Luísa riam moderadamente.

 

Sara: Escuta, Carol. – A risada interrompe. Todas olham para Sara e depois para Carol. Carol apenas levanta o olhar. – Me desculpa se eu esqueci de ir na sua estúpida prova de bolo. Isso não é razão para você me maltratar.

Carol: Eu te maltratar? – Ela ri, irônica. – Sara, desde que a mamãe ficou doente tudo que você tem feito é me maltratar. Me acusa de negligência, de não me importar, de mimada, de inútil. O que mais, agora? Ah, malvada.

Vitórias: Meninas, calma.

Sara: Você vai negar? A mamãe poderia estar morrendo naquele hospital e você não saberia. Júnior estava tomando conta dela, Tomás viu a documentação, Carlos estava lá bastante, até a Rebeca, – Ela aponta para a irmã, na mesa. – que nem filha dela é, esteve mais presente que você! Ah não, você estava fazendo algo muito mais relevante: organizando seu casamento. Quem iria se importar se o casamento fosse adiado um pouco?

Carol: Você é a única que fica me acusando dessas coisas, você sabia? Quando eu encontrei mamãe, todas vezes depois que ela voltou para casa, em nenhuma. NENHUMA. Ela me acusou de nada disso. Ela ficou contente que eu tivesse ido, me preocupado com ela, dividido os planos do meu casamento com ela, porque ela fica contente em me ver contente. – Ela respira. – Pelo contrário, ela reclamou do quão opressora e controladora você estava. Você quer tanto poder controlar tudo ao seu redor, prever cada movimento que nem percebe o mal que faz para quem está em volta de você. Perde totalmente o controle de si própria.

Sara: Pelo menos eu tento agradar a todos. Mesmo que isso saia pela culatra. Eu nunca concordei com a sua atitude, mas resolvi ceder pelo bem da nossa relação. Organizei essa despedida, que era para ser agradável, marquei a prova com você, e quando faltei, te pedi desculpas e você veio me dando patada. Você nem sequer quis saber porque eu faltei.

Carol: Não me interessa porque você faltou. Você não estava lá. De maneira nenhuma. Nem em suporte. Se você não quiser ir no casamento, não precisa. Não é a sua presença física que faz a diferença, Sara, o que eu queria era que você se importasse com a minha felicidade nesse momento. – Ela se levanta e pega a bolsa, apoiada na cadeira. Se dirige as outras mulheres na mesa. – Gente, eu vou indo. Brigada pela noite e pelas bebidas. Depois eu acerto, ok?

Carol sai andando em direção a porta. As outras continuam em choque, na mesa.

36. EXTERNA – DIA – SORVETERIA

Júnior e Pâmela tomavam sorvete e conversavam amenidades.

 

Pâmela: Cara, que inferno de adolescentes. Eu não iria conseguir sair quieta de lá não, você me conhece. – Júnior ri e dá outra colherada em seu sorvete. – Mas e a despedida ontem, como foi? Muito animada?

Júnior: Ah, foi divertida. Ri bastante. – Ele diz um pouco evasivo. – E a balada com a Mônica? Tava boa?

Pâmela: Tava. O DJ era show. Cheguei com os pés doendo ontem. Me acabei de dançar. – Ela também responde genericamente.

 

Júnior: Ah, que legal. A gente precisa combinar de ir depois.

Pâmela: Precisa sim. – Ela sorri, agitada. – E aí, ficou com alguém?

Júnior hesita um pouco antes de responder.

Júnior: Fiquei. Numa despedida de solteiro e eu era o único realmente solteiro, né? – Ele tenta fazer piada, mas Pâmela apenas sorri sem mostrar os dentes. – E você?

Pâmela: A Mônica estava numa carência incrível. Daí eu ajudei ela, né? Daí quando dois irmãos chegaram na gente, bom… Fiquei sim.

Júnior: Hmm. – Os dois ficam sérios e de cabeça baixa. Eles levantam a cabeça e percebem a expressão do outro. – Você está com ciúme? Porque eu acho que estou um pouco.

Pâmela: Um pouco. Mas isso é errado, você sabe, né?

Júnior: Lógico, a gente tá só ficando. – Ele estende o braço. – Nada mais de ciúmes, ok?

Pâmela: Ok. – Ela chacoalha a mão de Júnior, como se aquele combinado realmente definisse emoções.

 

Júnior pega uma colherada de seu sorvete e dá na boca de Pâmela. Ela come e se suja um pouco em cima dos lábios. Júnior se aproxima e a beija.

37. INTERNA – DIA – APARTAMENTO DE ROBERTO

Carol estava deitada com a cabeça no colo de Roberto. Ele passava a mão pelos cabelos da namorada.

 

Carol: Daqui há poucos dias, estaremos deitados aqui, fazendo a mesma coisa, mas com alianças nos nossos dedos. O quão louco é isso?

Roberto: Eu mal posso esperar. Vai dar mais legitimidade para o meu “Querida, cheguei” ou então para o “Mulher, me traz mais uma cerveja”. – Carol ri e dá um tapa de brincadeira no peito do marido. – Eu não poderia escolher uma mulher melhor para me casar. Te amo.

Carol: Te amo demais. Vai ser o melhor dia da minha vida. – Ela se senta e o beija. Fica um pouco quieta, reflexiva e completa. – Se a minha família não estragar tudo.

CONTINUA…

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2 Respostas to “Seja Sutil e Saia Empurrando”

  1. Gustavo Says:

    Salve galera.

    Depois de ser sutilmente intimado, cá estou.

    Que chilique foi aquele que a Carol teve??? Se bem que esse tipo de comportamento é bem típico das nativas desse nome…

    Tá, tudo bem que o casamento tá perto, ela tem centas coisas para resolver, mas estourar assim, logo com o Roberto e bem no meio das provas das roupas??? Fala sério hein…

    Estou gostando muito das atitudes do Tomás com o Caio. E pensar que ele tinha medo em não saber agir como pai. Legal a conversa que ele teve com o Caio no parque.

    E a Sara hein. Como ela tá chata meu Deus. Dá nisso querer abraçar o mundo… Será que dessa vez ela volta pro Fernando? Veremos.

    E o sem noção do Júnior? De onde ele tirou a ideia que poderia estudar com um bando de pirralhos, que não possuem nada na cabeça??? Bem, deu no que né…

    Falando em pirralhos, que bela atitude tiveram a Rafa e o Dudu… Se eu fosse a Nora teria chamado a atenção deles.

    Sobre Carlos e Diego, sem comentários… Nunca torci pelos dois, mas pelo visto o Diego gosta mesmo do Carlos e que me parece está mais centrado… Enfim, vamos deixar as coisas rolarem.

    Gostei muito do rumo que a vida de Rebeca está tomando… Espero que ela e o Murilo se acertem. Qual será a reação dos Andrades hein???

    Sobre as despedidas de solteiro… Aff!!! Só não deram mais errado por falta de espaço né… E vem cá, que biscate foi aquele que atacou o Carlos??? Cruzes!!!

    E o namoro da Pam com o Junior? Ata ou desata? E mais, será que eles não poderiam ter sossegado o facho e não terem ficado com ninguém??? Desnecessário.

    Enfim, é isso.

    Que venha o próximo.

    Bjs e abraços.

    P.S.: Tá passando o filme da “noivazilla” na Fox!! XD

  2. Natie Says:

    Olá pessoal! =D

    Ah adorei o episodio… As 2 festas de despedida de solteiro foram mtuu legais! Adorei o Carlos ‘ajudando’ o Junior (rsrs) e o papo entre Carol e Sara… Espero que elas fiquem bem!

    Até que enfim Carlos apresentou o doutor pra familia! hehe… Imaginei a cena de todo mundo encarando ele, coitado… rs…

    Foi legal ver o Caio tentando se enturmar na família e a preocupação do Tomás com isso… Deve ser dificil na situação dele…

    Rebeca e Murilo, Junior e Pâmela, vamos ver no que esses casais vão dar…

    Ah sim, Junior com os adolescentes foi DEMAIS! Mas era o esperado qdo ele pediu pra fazer grupo de estudos com eles! A fofoca sempre rola solta… rs

    SARA TERMINOU COM O MARCELO!!!! AEEEEEEEEEE!!! rsrsrs

    Até o próximo! =D

    Bjss…

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